Será a maldição da camisa laranja?

O Buffalo Bills já disputou o Super Bowl quatro vezes. Foram quatro temporadas consecutivas entre 1990 e 1993. O problema é que, assim como outras equipes que chegaram lá uma ou duas vezes, eles não conseguiram o título de campeão. Nem antes e nem depois, o Bills nunca mais voltou ao Super Bowl. Pelo menos estão melhores que Houston Texans, Detroit Lions ou Cleveland Browns que nem sequer conseguiram vencer a Conferência. Por outro lado existem os poderosos Pittsburgh Steelers, Dallas Cowboys ou New England Patriots. Oito decisões para cada um e muitos títulos conquistados. A este seleto grupo se junta o Denver Broncos, também com oito Super Bowls, porém apenas duas taças erguidas.

Porque será que o Denver Broncos chega no Super Bowl e não vence? Já estão acreditando que eles sofrem com a maldição da camisa laranja. Aconteceu em quatro de cinco finais que disputaram. Apenas no Super Bowl XXI, da temporada de 1986, eles jogaram sem o uniforme laranja e não venceram. No Super Bowl XXXII, da teporada de 1997, entraram de azul contra o Green Bay Packers e levantaram a taça. No ano seguinte vieram de branco e não deram a menor chance para o Atlanta Falcons, que por sua vez fazia ali sua única aparição na decisão. Vitória de 34 a 19 e dois títulos na gaveta.

No Super Bowl XXII, estavam de laranja, e foram atropelados pelo Washington Redskins por 42 a 10. Já no Super Bowl XXIV a cor laranja maldita também estava presente e assim o San Francisco 49ers fez um vôo solo e um massacre de 55 a 10. As conquistas vindas em dois anos seguintes sem a cor da fruta derivada da tangerina não foram suficientes para abrir os olhos da equipe frente a uma possível maldição em laranja. A vida não é como New York Jets, que apesar de ter aproveitado bem, só teve uma chance na vida, e assim o Broncos está mais uma vez na grande decisão da NFL. A camisa laranja cobre o corpo dos jogadores no Super Bowl XLVIII e o Seattle Seahawks promove a destruição de uma equipe e a afirmação de uma verdadeira maldição. Ninguém merece perder por 43 a 8 no maior jogo do ano.

Em quatro anos estavam de laranja e perderam. Uma vez jogaram de azul e venceram. Duas vezes usaram o branco, vencendo uma e perdendo outra. O Denver Broncos enfrenta o Carolina Panthers neste domingo em mais uma Super Bowl, o oitavo de sua história, e que cor eles escolhem? Com certeza não é o laranja, mas entrarão em campo de branco ao invés de azul. Com o branco já venceram e já perderam, então será que a maldição é apenas da camisa laranja? Ou será que existe algum outro detalhe nessa história toda que acabou passando desapercebido, ou em branco literalmente? Quando venceu pela única vez na sua vida, no Super Bowl XLI, Peyton Manning liderou o Colts usando branco, e foi MVP daquele jogo. Pode ser um bom sinal, ou talvez não signifique absolutamente nada. No final, ou melhor, na final, uma coisa pelo menos é certa: Laranja nunca mais.

Djokovic é grande ... na Austrália

Novak Djokovic derrotou Andy Murray e se tornou campeão do Aberto da Austrália 2016. Foi o sexto título do sérvio que empatou em número de conquistas com a lenda do tênis Roy Emerson. No total o jogador hoje número um do mundo posseui um total de 11 títulos de Grand Slam, sendo que Roger Federer tem 17 e Rafael Nadal 14. A maioria dos títulos de Nadal vieram em Roland Garros, onde Djoko jamais venceu, enquanto que a maioria do títulos de Federer vem de Wimbledon. Assim o sérvio acolheu a terra do canguru para fazer dela o quintal de sua casa.

Assim podemos dizer que Novak Djokovic é grande ... na Austrália. Seus outros cinco títulos viram em Wimbledon, onde venceu três vezes e no US Open, com duas conquistas. O detalhe é que duas delas foram no ano passado, um ano onde simplesmente chegou em todas as decisões. O jogador, desta forma, está vivendo o auge de sua carreira, conseguindo talvez aquela que pode ser uma segunda e última chance de vencer os quatro títulos de Grand Slam no mesmo ano como fizera Rod Laver, presente em vários jogos na quadra central do Aberto da Austrália desse ano que leva seu nome.

Mais do que isso, em um ano de Olimpíadas, Novak tem ainda a chance de fazer o Golden Slam, uma conquista que apenas a jogadora Steffi Graf conseguiu. A pedra no sapato deve ser novamente Roland Garros, já que sua derrota no ano passado não foi nem para Nadal, nem Federer e nem mesmo Murray. O britânico só tem dois títulos de Grand Slam, o espanhol vive uma péssima fase desde o ano passado e o suiço, apesar de se manter competitivo, só consegue chegar em semifinais ou até finais, mas não as vence. O primeiro passo já foi dado, vencer na Austrália, porque se não fosse a conquista onde ele já é grande, não poderia nem sonhar em ser gigante.

Steffi Graf não pode evitar o sorriso

Roberta Vinci fez o milagre no ano passado. Eliminando Serena Williams na semifinal do US Open, impediu que a americana conquistasse o seu 22º título de Grand Slam e empatasse com Steffi Graf. Aos 34 anos de idade, Serena continua dominando a tênis feminino, Sharapova segue sem conseguir derrotá-la, Azarenka nem tem chance e Radwańska se transforma em outra pessoa quando a hora da verdade aparece. Favoritas e promessas vão ficando pelo caminho já desde o começo, nunca se viu tantas cabeças de chave serem eliminadas de maneira tõa precoce, assim fica ainda mais fácil para Serena chegar na decisão e ter a chance de começar o ano do mesmo jeito que havia começado o anterior.

Vencer no Aberto da Austrália é o primeiro passo para quem sonha ganhar o Grand Slam, e quem sabe até o Golden Slam, no mesmo ano. Sonhar em ser igual a Margaret Court e Steffi Graf. Quase em 2015 e, sem chances em 2016. Assim Steffi Graf não pode evitar o sorriso, ainda mais quando uma compatriota está lá para ajudá-la a continuar como uma das soberanas no tênis feminino. Antes do Aberto da Austrália de 2016, Angelique Kerber nunca tinha feito nada de mais em torneios de Grand Slam, jamais havia disputado uma decisão em sua carreira aos 28 anos de idade. Até que uma tal Steffi Graf mudou tudo.

Treinos juntos, conselhos, dicas. A vida de Angelique Kerber mudou completamente quando Steffi Graf apareceu. A idolatria de infância em sua terra natal se tornou uma inspiração e uma fonte de conhecimentos que se tornaram imprescindíveis para superar uma jogadora que, independente de uma derrota ou outra, também já é colocada como uma das maiores de todos os tempos. O sonho de uma vida inteira, do primeiro Grand Slam na carreira, chegou para um tenista que nunca parou de acreditar. Já o sonho do Golden Slam acabou para uma jogadora que continua acreditando depois de tudo que já fez. Steffi Graf sorri, porque a Alemanha voltou a vencer e porque Serena ainda está para trás.

Peyton Manning ainda pode ser campeão?

Nervosismo, tensão e emoção até o final. Não acontece em cada jogo de futebol americano, é claro, mas é impressionante a quantidade de jogos que acontece. Principalmente em jogos decisivos. O que foi visto na semana passada no jogo entre o Green Bay Packers e o Arizona Cardinals foi algo de outro mundo, um acontecimento extraordinário e histórico para a NFL. Já no último domingo, o jogo reunindo Peyton Manning e Tom Brady, dois dos maiores quarterbacks de todos os tempos, já é um acontecimento épico por natureza, principalmente quando acontece pela 17ª e talvez última vez. E isso não bastava? Para os fãs e amantes da bola oval sempre é preciso bem mais do que isso.

O erro de Gostkowski, que foi apenas o segundo em toda a sua carreira e isso inclui não só extra points, mas também field goals, foi determinante, é claro, porém o que importa é que o New England Patriots ainda tem chances contra o Denver Broncos a poucos segundos do fim. Ainda existe a possibilidade de marcar um touchdown e empatar o placar com a conversão de dois pontos. Os seis pontos acabando vindo e isso já é incrível. Os dois pontos não vem, mas ainda tem o onside kick, ainda tem a hail mary e até mesmo uma possibilidade de vitória. Elas não vieram, mas a emoção, a tensão, o nervosismo até o final estavam lá, até o final.

É impressionante, mas aconteceu. A defesa do Denver Broncos foi implacável e a grande responsável pela vitória na final da Conferência em casa contra o todo poderoso Patriots de Tom Brady. Mas não podemos descartar a importância de Peyton Manning. Afinal ele deu dois passes para touchdown no jogo, e isso não acontecia a muito tempo. Aos 39 anos sua carreira está chegando ao fim, já dizem que vai se aposentar e que este foi o último duelo de um total de 17 contra Tom Brady que tem 38 anos. Juntos fizeram uma grande histórias nas duas últimas décadas, mas Brady levou quatro títulos de Super Bowl e Manning apenas um.

Será que Peyton Manning ainda pode ser campeão? Será que o Denver Broncos ainda poderá viver os bons e velhos tempos de John Elway? É tudo que sempre sonhou desde que Peyton Manning deixou o Indianápolis Colts e partiu rumo ao Colorado. Os fãs passaram a sonhar com a repetição daqueles dois títulos conquistados em 1997 e 1998. Por coincidência ou não, Elway hoje é o general manager e apostou todas as suas fichas em Manning, que já fez uma final desde que chegou ao time. Com essa defesa e os bons lançamentos precisos de seu quarterback, talvez o sonho possa se tornar realidade. O problema é que do outro lado haverá uma equipe que está jogando como um gigante nesta temporada, Cam Newton está jogando como nunca, marcando touchdowns com as próprias mãos, o Carolina Panthers está com tudo e chegou ao Super Bowl massacrando o Arizona por 49 a 15.

Dez grandes nomes do esporte em 2015

Melhores do esporte, net esportes
Já estamos em 2016, mas ainda vale à pena lembrar de 2015. Foi mais um ano incrível para o esporte, com inúmeros acontecimentos memoráveis e emocionantes. Naturalmente fica sempre muito difícil fazer a famosa lista dos dez grandes nomes do esporte em um mesmo ano, algumas injustiças acabam sendo cometidas e esquecimentos e equívocos se tornam, infelizmente, inevitáveis. Este ano, na lista do Net Esportes, o Brasil foi esquecido completamente, bem como o futebol masculino. Essa lista é a nível mundial e, mesmo assim, não estão incluídos nenhum nome do Críquete e nem do Rugby, que tiveram inclusive Mundial e Copa do Mundo nesse ano. Aproveito para confessar também uma tendência aos esportes americanos e a quase sempre inevitável escolha de uma representante masculino e feminino do tênis.

1. American Pharoah
O primeiríssimo lugar vai para o cavalo que simplesmente alcançou o maior feito esportivo do ano na opinião desse blog. Após 38 anos de longa e interminável espera, com achismos de que isso jamais aconteceria novamente, American Pharoah foi lá e venceu a tríplice coroa do turfe americano. O extraordinário está em justamente não acontecer todos os anos e porque não acontecia a muitos anos.

2. Stephen Curry
Curry liderou o Golden State Warriors para um conquista de NBA que não acontecia desde 1975. Todos os anos um jogador do tipo estrela da NBA lidera sua equipe para a conquista do título, mas quem imaginaria que um jogador iria liderar o Warriors? LeBron James amargando mais uma derrota em final, Carmelo Anthony nem consegue levar o Knicks para os playoffs, Derrick Rose não consegue ser o próximo Jordan no Bulls. Então o que Curry fez foi extraordinário, ele provavelmente iniciou uma nova era de conquistas que deve durar alguns anos se o time mantiver as peças chaves que ajudam Curry.

3. Katie Ledecky
Como o ano de 2016 é um ano de Olimpíadas, então existe uma possibilidade grande de Katie Ledecky estar novamente na próxima lista dos grandes nomes do esporte. Mesmo assim esse ano era inevitável ela não estar, principalmente depois do Mundial de natação de Kazan 2015. Ela tem 18 ano de idade e entre Mundial, Olimpíadas e Pan Pacífico ela já ganhou 15 medalhas no total. O detalhe é que nenhuma delas é de prata ou bronze. Katie Ledecky simplesmente só ganhou ouro na sua carreira, e foram cinco no Mundial de 2015.

4. Jordan Spieth
Em termos de grandes conquistas, o golf caminha junto com o tênis, então Serena Williams e Novak Djokovic deveriam estar melhores posicionados na lista do que Jordan Spieth. Mas o detalhe é que no golf é muito mais difícil ter um bom desempenho nos quatro grandes torneios do ano do que no tênis, assim fica mais especial. Jordan Spieth ganhou os dois primeiros Major´s do ano, depois ficou em quarto lugar no terceiro e no último estava brigando pela taça novamente, terminando em segundo após um final épico. Foi sem dúvida alguma um dos grandes nomes do esporte em 2015.

5. Malcolm Butler
Resumindo bem a história toda: Foi o herói do Super Bolw 49. Segundos finais, chamada errada ou equivocada do quarterback do Seahawks e interceptação do Malcolm Butler, New England Patriots campeão. Tom Brady jogou muito, merecia ser um grande nome do esporte em 2015, mas talvez se não fosse Butler no lugar certo, na hora certa, o Seatlle poderia ter sido o campeão.

6. Serena Williams
Mais incrível do que Serena Williams ter ganho o Aberto da Austrália, Roland Garros e Wimbledon, foi ela ter perdido o US Open, que é a sua casa e onde raramente é derrotada. Mesmo assim ele fez os quatro em sequência, já que havia ganho em Nova York no ano passado. Podia ter ganho os quatro Grand Slam no mesmo ano, mas quem sabe não o faça agora em 2016. De qualquer forma foi um dos grandes nomes do esporte em 2015.

7. Floyd Mayweather Jr.
Independente de polêmicas ou a péssima luta que fez contra Manny Pacquiao, Mayweather cumpriu com a palavra e se aposentou invicto após a sua vitória 49 contra Andre Berto. Muito legal ele não querer superar o recorde de Rocky Marciano que também é 49-0, mesmo porque Marciano é dos pesos pesados e Floyd não. Ninguém jamais derrotou Floyd Mayweather Jr. então ela é um grande nome do esporte de todos os tempos e de 2015 também.

8. Holly Holm
Pelas imagens que eu vi, eu achei que a Ronda Rousey estava vulnerável, ainda se levantando e de costas, mas eu também acho que UFC é uma luta absurda, sem regras, sem controle. Então que dessa a porrada, afinal é disso que todos gostam. Holly Holm meteu um chute mortal e derrotou a melhor lutadora de MMA do mundo, então naturalmente ela foi um dos grandes nomes do esporte em 2015.

9. Carli Lloyd
A Copa do Mundo de futebol feminino não chama tanto a atenção quanto a masculina, mesmo assim é sempre um grande evento e em 2015, no Canadá, não foi diferente. Os Estados Unidos foram os campeões atropelando o Japão na final, Carli Lloyd foi eleita e melhor jogadora da competição e também uma das artilheiras com 6 gols. Sem dúvida alguma foi um dos grandes nomes do esporte em 2015.

10. Novak Djokovic
Assim como já fizera Roger Federer, Djokovic quase ganhou os quatro Grand Slam no mesmo ano. A diferença é que ele chegou mais perto ainda, tendo sido vice-campeão de Roland Garros e sido campeão nos ouros três. O detalhe mais louco é que ele não perdeu em Paris para o rei do saibro, Rafael Nadal, ele foi perder para Stan Wawrinka. De qualquer forma foi um ano extraordinário e um grande nome do esporte em 2015.