Desculpe Katinka Hosszú e Sarah Sjöström

O mundo se rendeu mais uma vez à lenda viva Michael Phelps. Pela primeira vez na história na natação olímpica um atleta recupera o título que havia perdido na edição anterior dos Jogos. E quando não foi necessário a reconquista, o tetracampeonato veio com certa facilidade. É claro que ele não repetirá o mesmo desempenho de Pequim 2008 na Rio 2016, mas ele está lá para ajudar os Estados Unidos a faturarem mais três títulos nos revezamentos. Quando a vitória não vem, a prata tem sabor dourado em um inacreditável empate triplo. Phelps é um mito e todos já sabem quem é o Rei das águas no Rio de Janeiro, mas é a Rainha?

A Rainha fica um pouco mais complicado definir. Não seria mais fácil apontar a musa das piscinas? Me desculpe Sarah Sjöström, mas você não é a Rainha das piscinas dessa edição das Olimpíadas. Você está sempre lá na disputa, em cada prova classificatória, em cada semifinal e brigando pela vitória em cada final. Você levou o ouro nos 100m borboleta e completou a coleção de medalhas com prata nos 200m livres e um bonze no 100m livres. A coroa de Rainha não vai para você, mas o título de musa aquática é merecido, afinal o que não faltam são sereias nesta disputa.

As desculpas continuam e devem ser dadas principalmente para a húngara Katinka Hosszú. Ela é chamada de a Dama de Ferro e, seja por isso ou não, também não ficou com o título de Rainha. Melhor do que Sjöström, Hosszú conseguiu três medalhas de ouro, mas na prova dos 200m costas levou a prata, perdendo a grande oportunidade de alcançar o que nenhuma outra nadadora poderia, ou seja, faturar quatro medalhas de ouro em quatro provas individuais. Desta forma Katinka Hosszú segue como Dama e abre alas para a Rainha, por que na Rio 2016 o Phelps de maiô também é representante dos Estados Unidos da América.

Foram 33 medalhas no total, sendo 16 de ouro para os EUA. O Rei Michael Phelps levou cinco ouros e uma prata e, a Rainha Katie Ledecky faturou quatro ouros e uma prata. A novíssima Ledecky de apenas 19 anos que poderia ainda ser princesa. Em Londres 2012 foi apenas uma de ouro nos 800m livres. Desta vez veio muito mais e com direito a recordes mundiais. Deslizando na piscina com uma suavidade impressionante, um estilo único e uma vantagem arrasadora frente às rivais. Contando todas as competições desde Londres, incluindo Mundial e Pan Pacífico, Ledecky ganhou sua primeira prata, isso porque nadou o revezamento 4x100m livre pela primeira vez na vida. A Rainha da piscina e a rainha do nado livre, a nadadora dourada que, quando depende apenas dela não sabe até hoje o que é perder.

Portugal é campeão pela primeira vez

Uma substituição no primeiro tempo de jogo não é muito comum. Se for um jogo com possibilidades de prorrogação e pênaltis, muito menos. Mesmo assim Quaresma foi chamado e entrou na grande decisão da Eurocopa de 2016. Na sua cabeça um corte de cabelo diferente, era o desenho de uma pena. E era uma pena mesmo os motivos para que o o técnico Fernando Santos tivesse que queimar uma substituição tão cedo. O grande astro, a grande estrela, as grandes esperanças portuguesas saindo de maca debaixo de muitas lágrimas. Cristiano Ronaldo sofreu uma falta duríssima, foi atingido no joelho e não teve mais jeito. Até então a França dominava completamente, e então a história mudou teoricamente.

Como Portugal foi campeão é uma pergunta tão difícil de responder como aquela que questiona a forma como Portugal conseguiu chegar na grande decisão. O regulamento da Eurocopa desse ano mudou e trouxe mais seleções do que nunca, e naturalmente mais chances de classificação para a segunda fase. Era uma receita italiana da Copa do Mundo de 1982, se classificar com três empates na fase de grupos e terminar com o título de grande campeão. Mas Itália é uma das maiores e mais vitoriosas seleções de todos os tempos. Será que Portugal poderia fazer esse prato MasterChef mesmo sem seu grande jogador na grande final?

Não demora muito e a França melhora novamente. Enquanto isso Portugal apenas se defende. Portugal chegou na grande decisão da Eurocopa aos trancos e barrancos. Portugal foi se arrastando, foi empatando e aos poucos ia decolando. Sem Itália e Alemanha pela frente, empatar com os anfitriões na final deixava todos crentes. Aquela sorte de campeão também ajudou muito, de um lado da chave estavam todas as seleções europeias que já ganharam Copas do Mundo, do outro não havia nenhuma. A Holanda, que poderia dar trabalho, nem na Eurocopa estava. A gasolina de País de Gales acabou e Portugal chegou. Empatando ou vencendo na prorrogação, não importa, o que importa é que Portugal está lá na final.

E se lá na final eles estão, então por que não sonhar mais alto, mesmo sem Cristiano Ronaldo. Porque se o craque do Real Madrid não pode fazer sua parte, Rui Patrício faz a dele. O goleiro português fechou o gol e merece até uma estátua em Lisboa, ou seria melhor construir uma muralha com seu nome escrito nela? E se o guarda metas da terrinha não consegue segurar a pelota, a trave faz o seu papel e deixa Griezmann com a mesma sensação de quase ter chagado lá como fizera na final da Champions League. O francês pelo menos terminou como artilheiro da competição e foi obrigado, mais uma vez, a ver CR7 levando mais uma troféu, agora com sua seleção, do jeito que Messi não consegue fazer.

Lágrimas em campo, tristeza nas arquibancadas do Stade de France, em Saint-Denis, a 11km de Paris. Na torre Eiffel até agora ninguém sabe o que aconteceu, principalmente depois de ter feito o mais difícil que era ter passado pela Alemanha. Às margens do rio Sena todos viram Éder se tornar o herói, do mesmo jeito que Portugal caminhou nessa Eurocopa, com dificuldades, aos trancos e barrancos, cambaleando até desferir o chute despretensioso e inesperado, pegando o goleiro desligado e fazendo balançar as redes que insistiam tanto em não ver a cor da bola. A grande e angustiante espera enfim terminou, desde a cruel derrota em 2004 até a quase improvável consagração em 2016. Portugal é campeão pela primeira vez.

O caminho aberto para Andy Murray

Mais uma vez Rafael Nadal está fora de um torneio de Grand Slam por lesão. O espanhol não consegue mais impor seu jogo nem no saibro, imagina só na grama. Desta forma se torna cada vez mais possível que talvez nunca mais vejamos Nadal no topo novamente. A nova geração ainda não apareceu com vigor, então o mais fácil é voltar os olhos para quem parece querer papar tudo como sempre. Novak Djokovic vem mais uma vez com aquela sede de fazer história, ele quer muito vencer os quatro título de Grand Slam no mesmo ano. A motivação aumenta ainda mais em ano de Olimpíada. O sérvio, no entanto, só não esperava ver o surgimento de um Sam Querrey no seu caminho. Um caminho que certamente o levaria para a grande decisão, mas aos poucos ele foi sendo aberto para que Andy Murray pudesse passar.

A saga americana para no seu vizinho de tanto anos. Querrey caiu para o canadense Milos Raonic e este fez a sua parte em abrir o caminho de Murray. A vitória foi sofrida, mas contundente diante do suiço Roger Federer. Sem Nadal lesionado e sem Djokovic derrotado, a esperança ficava para ver o maior vencedor de títulos de Grand Slam vencendo um Grand Slam novamente, quem sabe fazer o que Serena Williams consegue fazer aos 34 anos de idade, mas não será desta vez. A Federer resta o consolo de chegar em mais uma semifinal. O caminho vai sendo aberto, todos vão fazendo sua parte, mas isso não significa necessariamente que a taça vai cair no seu colo. Andy Murray também precisa abrir um pouco o caminho da glória.

Nunca é tão fácil como parece, mas Andy Murray estava passeando na grama sagrada de Wimbledon e superava seus adversários sempre por três sets a zero. Tudo isso até as quartas de final, quando um francês apareceu no seu caminho. Jo-Wilfried Tsonga dificultou de uma maneira tão grande que fez o escocês perder seus dois primeiros e únicos sets em toda a competição. Depois, com a cominho aberto pelos rivais e por que não por eles mesmo, ficou fácil superar outros adversários até a grande consagração na decisão.

Mais uma vez com a mãe Judy Murray sorrindo e aplaudindo da arquibancada. Esse ano ela dividiu sua atenção com os jogos de duplas do outro filho Jamie Murray, que jogava ao lado do brasileiro Bruno Soeres. Sua namorada Kim Sears também ajudava a embelezar a torcida que via um mundo de VIP´s aplaudir cada grande jogada na quadra central do All England Club. Estavam lá também o príncipe William e Kate Middleton. Também foram o ator e Bradley Cooper e Irina Shayk. Hugh Grant reforçava a torcida britânica e todos eles viram de perto a segunda conquista de Andy Murray em Wimbledon, com o caminho aberto para a felicidade e uma pequena amostra de que a Grã-Bretanha segue forte e unida, mesmo fora da União Européia.

Serena Williams iguala Steffi Graf

Um voleio na rede e uma vibração contagiante. Serena Williams havia fechado o primeiro set em 7-5 para evitar mais uma disputa no tie-break. Neste torneio de Wimbledon de 2016 era a primeira vez que sua adversária, a alemã Angelique Kerber, perdia um set. Não estava nada fácil, a rival havia lhe amargado uma derrota frustante no Aberto da Austrália em janeiro. Muitos acreditavam que a gasolina de Serena havia acabado após a derrota antes da hora no US Open do ano passado, quando perdeu a grande oportunidade de ganhar os quatro Grand Slams no mesmo ano. Em Roland Garros ela sucumbiu na decisão mais uma vez, diante de Garbiñe Muguruza, a última adversária vencida em uma final de Grand Slam quando conquistou este mesmo torneio de Wimbledon no ano passado.

Serena sabia que ainda poderia ir mais longe. Ela sabe que a nova geração do tênis feminino não é tão forte e consistente como fora a sua, iniciada a tantos anos no final da década de 1990. Aquela primeira conquista em 1999 na cidade de Nova York, o início de uma longa jornada que a faria se tornar uma das maiores vencedoras de todos os tempos. Em mais de 15 anos ela jamais havia sido derrotada em duas finais seguidas de Grand Slam. E não seria dessa vez que ela iria perder três vezes seguidas pela primeira vez. Kerber não havia perdido nenhum set até então, e acabou perdendo dois seguidos no momento decisivo.

Serena Williams chegou então ao seu 22º título de Grand Slam na carreira e iguala Steffi Graf finalmente. Aos 34 anos de idade ela parece não esboçar qualquer vontade de encerrar a carreira. Agora ainda mais, depois de ver a irmã aos 36 fazer um excelente torneio e ainda vencer ao seu lado o torneio de duplas que não venciam desde 2012 na grama sagrada de Wimbledon. A americana chega ao topo do mundo mais uma vez e faz o que Roger Federer gostaria de estar fazendo. Até onde mais poderá ir Serena? Se tornar a maior vencedora de todos os tempos? Estabelecer um recorde que jamais poderá ser alcanmçado? Finalmente ser chamada de a melhor do mundo? Jogar até os 40 anos? Tudo é possível para a máquina vencer chamada Serena Williams.

O que Gretzky tem haver com golfe?

Recentemente o ex-jogador de futebol Pelé recebeu a Ordem Olímpica, que é uma honraria oferecida pelo COI a grandes nomes do esporte mundial. Pelé é considerado por muitos como o maior jogador de todos os tempos, alguns o chamam até de atleta do século. Muitas pessoas conhecem e sabem quem foi Pelé, mas isso não acontece com outros grandes nomes do esporte mundial. Poucos já ouviram falar ou sabem quem foi Babe Ruth, uma das maiores lendas do beisebol. No boxe, a recente morte de Muhammad Ali repercutiu em todos os cantos, mas ninguém citou o relembrou quem fora Rocky Marciano, um lutador que jamais perdeu nos pesos pesados.

Lendas do beisebol e do boxe pouco conhecidas ou reverenciadas. Se partirmos para o hóquei no gelo então, a coisa fica mais complicada ainda. Ruth e Marciano deveriam ser como Pelé, e Wayne Gretzky também. O maior jogador de hóquei no gelo que a NHL já viu em toda a sua história de mais de cem anos. Gretzky é quase um Deus para os amantes do hóquei no gelo. Sidney Crosby apenas sonha em ser um Wayne Gretzky, ou alcançar um reconhecimento semelhante. E se Wayne Gretzky não consegue um reconhecimento mundial no nível do Pelé, imagina só uma filha sua que tenta ser cantora, atriz e modelo?

Sim, Wayne Gretzky teve filhos e sua filha mais velha não iria deixar de usar seu sobrenome, mesmo que não seja um sobrenome tão reconhecido como um apelido do tipo Pelé. Paulina Gretzky desistiu da faculdade e gravou um disco de músicas. Ela também se arriscou nas telonas, participando do filme "Gente Grande 2". E com um corpo esbelto e uma beleza única, não poderia deixar de ser modelo também. Com 27 anos de idade, a gata saiu nas páginas da revista em um ensaio que não tinha muito haver como hóquei no gelo, mas sim com golfe. E só mesmo assim para entender o que Gretzky tem haver com golfe.

O mundo descobre Paulina Gretzky e faz a ligação de Gretzky com o golfe graças a Shane Lowry. Mas quem é Shane Lowry? Talvez ele seja a versão Dustin Johnson do ano passado. Não estamos na NHL, apesar do Gretzky, mas sim no US Open de golfe, um dos quatro maiores torneios de golfe do mundo. Wayne Gretzky não está jogando e nem assistindo no Oakmont Country Club, em Oakmont, Pennsylvania. Mas Paulina Gretzky e seus cabelos louros estão lá. Ela está lá porque é a esposa e mãe do filho de Dustin Johnson, e espera que o marido não perca a chance que Shane Lowry está lhe dando. Ironicamente do mesmo jeito que ele deu a Jordan Spieth no ano passado.

Desta vez Spieth está lá para trás, em 37°, e não é uma ameaça. Desta vez quem está lá na frente é Shane Lowry, com nada a menos que sete tacadas abaixo do par. Mas ele entra em colapso e abre uma avenida para Dustin Johnson avançar suavemente, como se estivesse deslizando sobre o gelo de uma quadra de hóquei. O trabalho foi feito ao longo da competição e quatro abaixo do par já é o suficiente, mesmo com a polêmica no green do buraco cinco. Dustin Johnson é campeão de um major pela primeira vez na carreira aos 31 anos, muito pouco para querer ser um Pelé, Ruth, Marciano ou Gretzky. Mas como a comemoração é com um beijo na sua esposa Paulina Gretzky, podemos dizer agora que Gretzky tem tudo haver com golfe.