
A primeira vez foi em 1919, com Sir Barton, e a última foi em 1978, quando Affirmed marcou seu nome na história. Os anos de 1970 foram incríveis, com Seattle Slew e o mais fantástico de todos Secretariat, com todos os seus recordes inquebráveis. Mas antes disso um longo e tenebroso inverno de insatisfações, nenhum cavalo conseguiu vencer a tríplice coroa entre os anos de 1948 e 1973. Foram 25 anos de uma espera angustiante que culminou em uma história fascinante, tão grandiosa que virou até filme. Só que após 1978 o gelo dos pólos invadiu os Estados Unidos e agora já são 35 anos sem desfrutar do sonho de ser o melhor. Isso fez com que jockey´s, treinadores e donos, por não competirem apenas um ano como os cavalos, tivessem a chance de buscarem a sua tríplice coroa. A sua vitória no Kentucky Derby, no Preakness Stakes e no Belmont Stakes. Satisfeitos sendo campeões em anos diferentes, mas também no mesmo ano com cavalos diferentes. Foi assim nos anos de 1990 e começo da última década, acumulando conquistas, se tornando o novo rei da tríplice coroa.
Só que mesmo com novo rei, a tríplice coroa não vem em 2013. E parecia que dessa vez a ilusão de David Copperfield iria finalmente se tornar realidade. Parecia que Orb não daria chances a ninguém. Mas com Big Brown, Funny Cide e tantos outros foi a mesma coisa. Esperanças despedaçadas em longas passadas pela castigada pista de areia. Shug McGaughey se decepcionando a cada nova curva e Wayne Lukas mal conseguindo acreditar que ninguém atacava ou ameaçava um dos seus três pupilos que alinharam para a largada apenas alguns momentos antes. Era a mesma emoção com a corneta que tocou mais alto ou com o coral da marinha que soltou a voz como nunca na doce e preciosa "My Maryland, My Maryland". Oxbow destruia o relógio e não perdia rendimento nenhum caminhando firme em busca do seu glorioso destino. Mesmo com Itsmyluckyday ameaçando ou Mylute querendo levar a sua adorável jockey ao topo do mundo. Não hoje, não em Baltimore e não em Pimlico. O dia acaba com a chance da tríplice coroa, mas coroa Lukas como o novo rei de tríplice coroa.
A dele foi em 1995. Com Thunder Gulch no Kentucky, Timber Country no Preakness e Gulch novamente no Belmont. Wayne Lukas venceu as três principais corridas de cavalos do Estados Unidos, ele levou a tríplice coroa do turfe e quase que seu cavalo Thunder Gulch levou também, já que foi terceiro colocado no Preakness daquele ano. Normalmente é mais fácil um cavalo vencer as duas primeiras corridas e perder a terceira. Lukas colecionava triunfos da tríplice coroa, mas sua última conquista foi no ano 2000. Talvez ele sentia falta do jockey Gary Stevens, que se aposentou, talvez fosse alguma maldição de Sunny Jim Fitzsimmons, treinador que faturou a tríplice coroa duas vezes, em 1930 e 1935, glórias autêncicas com o mesmo cavalo, Gallant Fox e Omaha. Parecia mais fácil vencer a tríplice coroa naquela época, hoje não é mais assim, hoje são 35 anos de espera e serão 36, porque tríplice coroa só será possivel no ano que vem. Mas vencer uma corrida da tríplice coroa não deixa de ser fantástico, histórico e brilhante, e se for pela 14ª vez e recorde então merece uma coroa para um novo rei. Fitzsimmons ficou para trás.
Fitzsimmons faleceu em 1966, antes de poder ver Secretariat. Lukas nasceu em 1935, o ano da segunda tríplice coroa de Fitzsimmons. Orb completou três anos em 2013, mas não completou em primeiro a segunda corrida das três principais. Joel Rosário foi lento no começo e ficou encaixotado na metade. No final já era tarde, uma tarde de sábado cinzento que não afastou mais de 117 mil pessoas do Pimlico Race Course. Elas queriam ver o sonho da tríplice coroa seguir até Nova York, mas foram obrigados a verem o ataque mortal e venenoso de Oxbow, o cavalo de quem ninguém falava antes que fosse dada a largada. Todos testemunhas de um novo rei que triunfou porque seu querido jockey voltou. Gary Stevens, aos 50 anos de idade, até então aposentado desde 2005. E se ele tivesse corrido melhor em Kentucky, ido além da sexta posição para a glória. E se no Belmont Stakes eles vencer novamente e provar que poderia ter sido um tríplice coroado. Nos últimos 35 anos muitos poderiam ter sido, poucos foram e ganhar em anos diferentes passou a ser um bom negócio para os jockeys, treinadores e donos. Mas um dia um cavalo vai vencer no mesmo ano novamente, um dia teremos um tríplice coroado autêntico novamente, um Fitzsimmons, um Omaha, um Secretariat ou um Affirmed. Um verdadeiro rei da tríplice coroa do turfe americano.
Lionel Messi ganhou mais de U$ 35 milhões no último ano, mas ele não está entre os dez atletas com o maiores salários do esporte em 2013. E com essa grana toda quem liga ser o décimo primeiro ou o vigésimo? Certamente não é problema para Manny Pacquiao, que também levou U$ 35 milhões, Rory Mcilroy, que faturou U$ 33 milhões ou Derrick Rose, que mesmo lesionado e não podendo ajudar o seu Bulls contra o Heat, embolsou seus U$ 33 milhões também. É muito dinheiro, mas parece pouco perto do atleta que mais faturou no último ano, e olha que ele nem trabalhou muito. Isso não significa que entre os dez não estejam outros que trabalharam bastante, que querem vencer novamente, que estão vencendo e esquecendo o passado e até um que está se aposentando, sem qualquer preocupação com INSS.
1. FLOYD MAYWEATHER JR.
Boxe – 36 anos
$90,000,000
Luta de uma a duas vezes por ano, se recusa a enfrentar Pacquiao e tem alguns resultados controversos, mas está invicto e faturando alto.
2. LEBRON JAMES
Basquete – 28 anos
$56,545,000
Alguns não gostam muito dele, principalmente o pessoal de Cleveland, mas ele foi eleito MVP mais uma vez e tem tudo para ser campeão da NBA novamente, o pessoal de Miami vai ao delírio e ajuda muito no seu faturamento anual.
3. DAVID BECKHAM
Futebol – 38 anos
$48,349,000
A maior parte do seu lucro vem da publicidade, assim ele vai se aposentar do futebol e continuar ganhando dinheiro.
4. DREW BREES
Futebol Americano – 34 anos
$47,800,000
Na última temporada da NFL o New Orleans Saints nem se classificou para os playoffs, mas Drew Brees quebrou recordes e teve seu contrato renovado, com um grande e excelente abono.
5. KOBE BRYANT
Basquete – 34 anos
$46,850,000
O Lakers viveu um dos maiores dramas na última temporada da NBA e Kobe Bryant ainda acabou se lesionando para piorar ainda mais a situação. Menos mal para ele foi que o seu salário continuou tão bom quanto era.
6. ROGER FEDERER
Tênis – 31 anos
$43,424,842
Em um mundo onde Nadal, Djokovic e até Murray se dão bem, não da para reclamar de um salário na casa dos U$ 40 milhões, mesmo que ele seja menor do fora no ano passado.
7. FERNANDO ALONSO
Fórmula 1 – 31 anos
$42,800,000
Quem vence todos os anos é Sebastian Vettel, mas o piloto da Fórmula 1 que mais fatura é um espanhol que todos os anos sonha em voltar a ser campeão.
8. TIGER WOODS
Golfe – 37 anos
$40,839,027
Sua rotina era ser sempre o maior salário do esporte, hoje ele apenas tenta esquecer o passado e voltar a vencer um Major. Com essa grana toda não deve ser tão difícil assim sonhar.
9. PHIL MICKELSON
Golfe – 42 anos
$39,528,000
Dentre os dez maiores salários do esporte, Phil Mickelson é o atleta mais velho da lista, e ele nem pensa em se aposentar.
10. CRISTIANO RONALDO
Futebol – 28 anos
$35,300,000
Fama, dinheiro e mulheres lindas ao redor. Quem não queria levar a vida que este português leva? Só falta levar o Real Madrid a algum lugar.
Feminino
MARIA SHARAPOVA
Tênis – 26 anos
$25,508,296
A chinesa Li Na apareceu na lista dos 20 estrangeiros que mais faturaram com U$ 17 milhões, mas a primeira mulher que mais ganha dinheiro no esporte continua sendo a russa Maria Sharapova.
Lista completa na Sports Illustrated
A crise não melhorou nada, mas o espanhol vibra e comemora como se Cesc Fàbregas tivesse marcado um gol na final da Copa do Mundo. Seria um pouco mais normal se estivéssemos em Oviedo, a 'Capital do Paraíso', simplesmente pelos baixos índices de poluição atmosférica e a limpeza nas ruas do centro histórico. Só que estamos na Catalunha, bem longe das Astúrias. E se Fernando Alonso fosse madrilenho ele não seria tão aclamado em Montmeló. Mas o povo catalão está feliz de uma forma ou de outra, afinal o Real Madrid havia empatado com o Espanyol, e assim o Barcelona era campeão nacional pela 22ª em sua história. Então se algum conterrâneo de Letizia Ortiz triunfa ele merece aplausos, seja do catalão que busca a independência ou mesmo do madrilenho, que naquela altura já estava mais preocupado em ver outro espanhol brilhando no fim de semana espanhol.
Cristiano Ronaldo e Sérgio Ramos viram a cabeça de um lado para o outro só porque Manolo Santana quer. Um resultado ruim no sábado e um domingo de sol para curtir uma bela partida de tênis. São os espanhóis brilhando no fim de semana espanhol, das Astúrias para a Catalunha, de Madrid para a própria capital da crise financeira européia. Muitos tem pouco e poucos tem muito, o sistema capitalista é assim mesmo e o esporte não tem nada haver com isso. Seja na pista da Fórmula 1 ou no saibro de uma quadra que recebe mais um torneio Masters. Afinal Roland Garros está chegando e é preciso aquecer os motores. Os mesmos motores que roncam forte na categoria máxima do automobilismo, mesmo que ainda falte muito para decidir o título. Não o título espanhol de futebol, esse já tem dono.
Messi sai machucado mais uma vez, porque o fim de semana não é argentino e sim espanhol. Quem brilha é Fàbregas, pois mesmo que não seja a final da Copa do Mundo, ele marca o seu gol. Assim não tem catalão que resista à emoção. Principalmente porque o dia já havia começado com o belo triunfo de Alonso e continuado com o reinado absoluto de Rafael Nadal no saibro de Madrid. O dia não poderia ser melhor para os espanhóis que brilharam demais nesse fim de semana espanhol. Um fim de semana que parecia já estar sendo preparado quando Beñat Intxausti havia vestido a maglia rosa do Giro de Itália e quando Sergio Garcia dava esperanças que poderia vencer Tiger Woods no The Players Championship. Mas nem sempre é possível ter tudo, afinal para o Barcelona vencer, o Real Madrid teve que perder. Quando alguém brilha, alguém se apaga. Quando o esporte deu tantas alegrias todos se lembraram que a crise não se findaria.
Às vezes dois óculos são precisos, e eles ainda possuem plásticos enrolados que serão descartados mais tarde. Os olhos precisam ser protegidos pois eles terão que enxergar o caminho da glória que apenas um pode alcançar. Uma via que neste sagrado primeiro sábado de maio viu a água cair do céu, às vezes forte e ás vezes mais branda, mas sempre colocando muitos pontos de interrogação na cabeça de qualquer um que gostaria de prever ou saber o futuro que os aguardava no final daquela tarde nebulosa e sombria. Havia um sonho para ser realizado e uma esperança que só poderia se tornar realidade para um deles. No final só havia barro e lama para todos os lados, mas também havia forças para comemorar levetando os dois braços.
A pista enxarcada dava esperanças ao treinador Todd Pletcher. E não era apenas porque ele tinha cinco cavalos na pista tentando a vitória, mas sim porque sua única vitória no Kentucky Derby, em 2010, fois justamente nas mesmas condições de tempo instável. Tudo parecia ainda mais próximo de se tornar realidade porque um desses cinco cavalos era um dos favoritos. E se não bastasse tantas coincidências boas, Revolutionary, o seu cavalo principal, era montado pelo simpático jockey Calvin Borel, justamente o condutor de Super Saver na vitória de 2010. Borel também tinha a sua esperança de vencer o Derby de Kentucky pela quarta vez na sua carreira, mas não foi possível nem para ele, nem para Todd e nem para nenhum dos outros quatro cavalos amigos do revolucionário.
A revolução poderia ter sido causada de uma outra forma. As mudanças nos conceitos e nos preconceitos poderiam ser outras a partir de hoje se uma outra esperança também se tornasse realidade. O pessoal da Gold Mark Farm queria, o treinador Thomas Amoss sonhava e a jockey Rosie Napravnik queria muito ser a primeira mulher a vencer o Kentucky Derby. Só que não foi desta vez. Mesmo assim não sobraram motivos para celebrar o quinto lugar com Mylute, afinal foi a melhor posição de uma jockey mulher em 139 anos de história. Mas se um negro fosse vencedor não seria a primeira vez, aconteceu em 1902 e assim a esperança de Kevin Krigger era se tornar o primeiro negro desde então a vencer a maior corrida de cavalos do mundo. Não foi possível, nem para ele e nem para Goldencents, o seu cavalo.
Também não deu para Golden Soul, e faltou pouco para ir além da segunda posição. A esperança também não virou realidade para Verrazano, e olha que John Velazquez havia sido campeão em 2011 com Animal Kingdom. Eram 19 cavalos partindo para dois minutos de pura emoção após o toque das conetas e o momento de lembrar do passado ao som de "My Old Kentucky Home", só que apenas um deles poderia ver sua esperança se tornar realidade após cruzar a faixa final. Cheio de lama escorrendo por todos os lados, feliz com a coroa de rosas afinal essa é "Run to the roses". Para alegria de muitas das 151 mil pessoas que superlotram Churchill Downs. Para a felicidade incontrolável do jockey Joel Rosario e do treinador Shug McGaughey, que nunca haviam vencido o Kentucky Derby. Porque neste dia chuvoso a esperança era de muitos, mas a realidade foi de apenas um: Orb.
Vindo lá de trás, como praticamente sempre fazem os vencedores. Relaxando o cavalo para um ataque feroz e mortal a partir da última curva e entrando pela reta final. Sentido a mesma emoção que foi sentida quando Martina Mcbride cantou o hino nacional e sabendo que a história estava sendo escrita em frente a Twin Spires. Porque este é o Kentycky Derby, esta uma das maiores corridas de cavalos do planeta e a única onde a esperança de vencer pode se tornar uma esperança ainda maior ao vencedor. A esperança de continuar vencendo e quem sabe faturar a tríplice coroa, que não vem desde 1978 quando Affirmed conseguiu o que parece tão impossível nos dias de hoje. Uma impossibilidade que Orb quer tornar realidade novamente, porque a esperança que era de muitos agora é apenas dele.
O jovem torcedor levou as mãos a nuca e parecia estar puxando fundo todo o ar que poderia para alcamar a dor da angustia que atormentava profundamente o seu coração. Ele não estava sozinho e pouco antes gritou com toda a sua força junto a quase 19 mil pessoas alucinadas que lotaram o TD Garden, em Boston. Um povo que a pouco tempos atrás sentiu na pele as marcas que o terrorismo pode proporcionar, tragédias que não perdoam nem mesmo o esporte, danos gigantescos que só podem mesmo serem amenizados pela mais pura e siblime emoção do próprio esporte. Que por sua vez também tem o seu lado triste porque para alguém ganhar, um outro tem que perder. Só que perder mostrando força e garra para pelo menos cair de pé, demonstrando de alguma forma que o impossível ainda parecia provável.
Impossível para alguns, realidade para outros. Até hoje só aconteceu quatro vezes, e no beisebol foi apenas uma. O provilégio é do hóquei no gelo, da NHL. Por lá foram três ocorrências, sendo a mais recente em 2010 quando o Boston Bruins caiu diante do Philadelphia Flyers após ter vencido os três primeiros jogos. Não é nada normal reverter três jogos de desvantagem, só havia acontecido nas finais de 1942 e na segunda rodada de 1975. Os playoffs são assim, geralmente favorecem os mais fortes e raramente dão chances aos mais fracos. Se um time abre 2 a 0 ele fatalmente vence. Se faz 3 a 0 sempre vence. A MLB jamais havia visto alguém reverter 3 a 0 até 2004, quando o Boston Red Sox alcançou a façanha diante do New York Yankees. Foi a primeira e única vez que isso aconteceu no beisebol, mas na NBA não é permitido.
O jogo termina e os torcedores vestidos de verde e branco sorriem ao invés de se lamentarem. Aliviados porque os terroristas foram mortos ou presos, tranquilos porque nenhuma bomba explodiu ou simplesmente felizes porque o Red Sox lidera sua dividão na Liga Americana com 20 vitórias e nove derrotas. Ou talvez eles pensem que este é apenas mais um ano e a sua gloriosa equipe já faturou o título 17 vezes em toda a história. Pode ser um contentamento tardio pelo jogo quatro da série, ocorrido ali mesmo naquela arena e vencido apenas na prorrogação. A esperança de reverter a desvantagem de 3 a 0 tinha começado e ela continuaria quando uma vitória tranquila ocorreu no jogo cinco, fora de cada, lá no lendário Madison Square Garden. O empate esteve tão longe e de uma hora para outra ficou perto, os playoffs são sempre assim, inesperados, alucinantes, simplesmente emocionantes.
Nem 50 pontos o Boston Celtics havia marcado quando o quarto período começou. O massacre da serra elétrica era eminente, mas Kevin Garnett e Paul Pierce estavam prontos, para ao lado de seus jovens companheiros, estrelarem a próxima temporada de "The Walking Dead". Como verdadeiros zumbis renascidos do inferno eles deram a esperança ao seu torcedor novamente depois que ela já havia sido perdida. A equipe perdia por vinte e seis pontos e conseguiu a mais incrível façanha de marcar vinte pontos seguidos sem sofrer nenhum. Haviam apenas seis pontos de diferença e alguns minutos no relógio para mudar uma história que parece não querer mudar jamais. Havia ainda muito chão pela frente, mais um jogo fora de casa e um fato que não ocorre no melhor basquete do mundo. Na NBA é proibido.
Foram 13 anos de espera. Quando eles comemoram os 40 anos do segundo de apenas dois títulos de sua história. Os braços e as pernas doem, o receio de sofrer um revés impossível preocupava qualquer um, mas finalmente o New York Knicks passou para a segunda rodada dos playoffs da NBA. Tinha tudo para ser uma varrida, tinha tudo para ter sido em casa no jogo cinco, poderia ter sido de uma forma que seu rival não tivesse esperanças em fazer o que jamais foi feito, mas nada disso aconteceu. Não foi como o planejado, mas pelo menos foi. O Knicks segue em frente querendo agora passar pelo Pacers e medir suas forças com o poderoso Heat. O Celtics sai de cena e pensa agora no seu futuro, com a certeza de que fizeram o seu melhor, que deram esperanaçs ao seu torcedor e que caíram de pé, pois apenas não conseguiram fazer que não é permitido na NBA.
Rubens Barrichello quebra o nariz na sexta-feira. Roland ratzenberger morre no sábado. Alguma coisa muito estranha estava acontecendo naquele final de semana na Itália. Uma sombra tenebrosa pairava sobre o autodromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, na Itália. O GP de San Marino se tornaria um marco negativo na tão linda e grande história da Fórmula 1. Quem viu as imagens de Ayrton Senna antes da largada no domingo percebeu o quanto o piloto brasileiro estava compenetrado e extremamente preocupado. Alguém precisava ter feito algo. Alguém precisava ter impedido que aquela corrida acontecesse. Só que infelizmente a largada foi dada e para a tristeza de todos o maior piloto da história acabou tendo um final trágico. Há 19 anos perdemos um de nossos maiores ídolos no esporte, mas a Fórmula 1 não acabou no dia 1º de maio de 1994.
É a maior certeza que temos na vida. É triste e doloroso, mas é preciso seguir em frente. Alguém inventa uma história e às vezes é fácil abraçar uma causa. Alguém diz que as manhãs de domingo nunca mais serão as mesmas, porém esquecem que não há Fórmula 1 em todas as manhãs de domingo. Sem falar quando ela acontece nas madrugadas e até nas tardes de domingo. A Fórmula 1 existia e era grande antes de Ayrton Senna. A Fórmula 1 continuou existindo e um dia de uma forma ou de outra iria ter que continuar sem Senna, quando ele se aposentasse, por exemplo. Para os apaixonados, os torcedores, os brasileiros principalmente e os fãs da pessoa além do esporte, era muito fácil virar as costas. Mas para quem sabe separar as coisas não fica difícil entender que a Fórmula 1 não acabou no dia 1º de maio de 1994.
Damon Hill provaria ainda em 1994 quem seria o grande campeão daquele ano que não terminou para muitas pessoas. E quem sabe até quem seria campeão em 1996 e 1997 também. Michael Schumacher então nem se fala. O alemão parecia ter encontrado Silvio Santos porque as portas da esperança simplesmente se abriram a sua frente. O alemão talvez só fosse sentir o gostinho de ser campeão quando foi para a Ferrari. A Benetton agradeceu imensamente. Berger, Mansell e até Barrichello agradeceram por terem chances de fazerem pole-position (uma exclusividade de Senna nas três primeiras corridas daquele ano). Sem falar em David Coulthard, que teve mais chances e no ano seguinte se tornaria um dos titulares na Williams. Tudo porque a vida continuou e a Fórmula 1 não acabou no dia 1º de maio de 1994.
Lamentamos todos os dias nos últimos 19 anos. Iremos lamentar em cada 1º de maio que vir pela frente. Jamais esqueceremos onde estávamos naquele dia que foi tão diferente quanto 11 de setembro de 2001, porque tragédias deixam marcas que não conseguimos esquecer jamais. Ayrton Senna da Silva nunca será esquecido, nunca será apagado de nossas mais saudosas lembranças, dos dias de glórias e do orgulho que esse atleta sempre nos proporcionou em tantos anos de dedicação e amor ao esporte. Mas o seu fim não decretou o fim da categoria que ele disputava, o dia 1º de maio de 1994 na verdade marcou um novo recomeço. A Fórmula 1 mudou, desde então ninguém jamais morreu, ninguém ficou gravemente ferido a ponto de nunca mais pilotar, ninguém nem sequer chegou perto de decretar o fim desse sonho que vai perdurar por muitos e muitos anos ainda, tudo porque a Fórmula 1 não acabou no dia 1º de maio de 1994.
Vai ser um jogão de bola. A grande final do melhor campeonato de futebol do planeta será decidida por duas grandes equipes. Dois gigantes estarão frente a frente dentro de campo para definir o representante europeu no Mundial do Japão. As duas maiores potências futebolísticas da Espanha farão um duelo épico que mostrará quem manda no país que hoje manda nesse nobre esporte. Isso porque ninguém tinha dúvidas que Barcelona e Real Madrid jogariam pelo título da Champions League. Uma certeza que infelizmente não se tornou realidade ... no ano passado; Frustrando de forma inesperada a crença do torcedor fanático que nem imaginava uma nova possibilidade já no ano seguinte. Wembley que aguarde.
O mais engraçado de tudo é que o próprio futebol espanhol de hoje em dia prega a coletividade. David Villa, Iniesta, Xavi ou Xabi Alonso. A Espanha foi campeã da Copa do Mundo de Futebol, levou duas vezes a Eurocopa e não se mostrou dependente de apenas um grande jogador, uma estrela. Não tinha o Romário de 1994, o Ronaldo de 2002 ou o Zidane de 1998. Mas suas duas principais equipes contam com duas estrelas que naturalmente fazem a diferença. Só que nenhum dos dois é espanhol, e nem por isso a Argentina brilha ou Portugal tem alguma chance de ser campeão do mundo. Enquanto que do outro lado um Bayern Munich mostra que os ocorridos em 2012 não foram tão inesperados assim e, do nada surge um tal de Lewandowski para colocar um Borussia Dortmund no mapa novamente.
Como é possível não vencer nenhum jogo Manchester City? Como é possível nem se classificar após ter feito a final do ano anterior Chelsea? Como o sorteio pode ser tão cruel e colocar logo dois grandes times para encarar a última esperança que sobrou no Arsenal e no Manchester United? Era impossível e improvável que Wembley não fosse aguardar um time inglês para dar uma alegria extra ao torcedor local no dia 25 de maio. Não tinha como Wembley não aguardar então as duas grandes potências espanholas, o que não aconteceu no ano passado tinha tudo para ocorrer esse ano, mas a história tomou outro curso novamente. Agora Wembley aguarda ancioso pelos alemães, porque eles deram show, mostraram sua força e esperam apenas que ninguém possa fazer algum milagre para mudar esse destino que está mais do certo.