Boston é centenário depois de 62 anos

Red Sox 1946
O mundo hoje é um pouco diferente do era em 1946. Na verdade é muito diferente, mas algumas coisas que aconteceram naquela época só voltaram a acontecer novamente agora, depois de 62 anos. A Segunda Guerra Mundial havia terminado um ano antes, os tempos não eram fáceis e no Brasil (que hoje vive um clima de novas eleições), quem assumia o poder era Eurico Gaspar Dutra. O país promulgou uma nova Constituição e proibiu os jogos de azar, enquanto que em Paris o estilista Louis Réard exibia em uma piscina uma peça de roupa que por aqui ficaria cada vez menor e seria um dos maiores sucessos das praias: O biquíni. Neste mesmo ano nasceu Donald Trump, George W. Bush e Bill Clinton, que em uma ordem inversa aos dias de seus nascimentos se tornariam presidentes dos Estados Unidos. Já no âmbito esportivo quem nasceu foi Emerson Fittipaldi em dezembro, enquanto que em junho a BBA (atual NBA) era criada. No beisebol, por sua vez, o destaque era o Boston Red Sox, que buscava obstinadamente pelo título que não vinha desde a saída de Babe Ruth. Esse ano de 1946 parecia diferente, especial, a equipe alcançou uma marca centenária e tudo caminhava para o fim daquele terrível jejum.

O Boston Red Sox tinha um time gigante em 1946. Este foi mais um ano que contou com a participação do lendário Ted Williams, que foi uma dos maiores jogadores de beisebol de todos os tempos. Ted tinha 27 anos de idade e marcou 38 home runs naquela temporada, além de impulsionar 123 corridas com 169 rebatidas válidas. Não foi por acaso que o Red Sox aposentou a sua camisa número 9 em 29 de maio de 1984. Um outro grande jogador daquele ano que também teria a camisa aposentada foi Bobby Doerr; Ele tinha 28 anos e marcou 18 home runs com 116 corridas impulsionadas. Havia ainda Johnny Pesky, cuja camisa 6 fora aposentada apenas em 2008, sem falar no arremessador Tex Hughson que tinha um ERA de 2.75 e Dom DiMaggio, que era o irmão caçula do grandioso Joe DiMaggio, jogador do rival New York Yankees. Com um time desses tão forte era natural que os resultados fossem os melhores possíveis, tanto que a equipe acabou fazendo uma das melhores campanhas de sua história na fase de classificação.

Em 1946 o mundo era diferente do atual, bem como o campeonato de beisebol da MLB. Naquele tempo haviam apenas duas ligas sem nenhuma divisão dentro de cada uma delas. É claro que os Yankees já estavam na mesma Liga Americana que o Boston Rede Sox. Não havia playoffs e a World Series era disputada pelo vencedor de cada uma das ligas na fase de classificação, ou temporada regular, nome que já era usado naqueles tempos. A quantidade de jogos também era menor, sendo 154 contra os atuais 162. Os Yankees não foram muito bem, terminando com 87 vitórias e 67 derrotas. Já o Detroit Tigers era um pouco melhor, alcançando 92 vitórias e 62 derrotas. Mas nenhum dos dois, assim como nenhum time daquele ano, conseguiu ser melhor do que o Boston Red Sox. A equipe comandada por Joe Cronin conseguiu alcançar uma marca centenária ao vencer um total de 104 jogos, tendo perdido apenas 50. O torcedor já começava a sentir que o título estava cada vez mais próximo do Fenway Park novamente, mas não foi o que acabou acontecendo.

Ninguém chegou a incrível marca de 100 vitórias naquele ano, mas o St. Louis Cardinals chegou bem perto alcançando 98 triunfos. Eles eram os grandes oponentes na World Series e a vantagem era do Boston, que poderia jogar três jogos seguidos em casa após ter jogado dois seguidos fora. Se não bastasse, eles ainda conseguiram vencer o primeiro duelo em 10 entradas, dando um passo muitíssimo importante para acabar de uma vez com a "Maldição do Bambino". Mas não esperavam perder em seus próprios domínios no dia 10 de outubro daquele que até então vinha sendo um maravilhoso ano de 1946. Quando a série voltou para St. Louis não haviam mais forças para manter o número de vitórias crescendo. A equipe perdeu duas vezes seguidas e disse adeus ao sonho de acabar com um jejum que ainda atormentaria a cidade de Boston por muitos e muitos anos que vinham pela frente.

O sonho de se tornar campeão da MLB mais uma vez voltaria a ser realizado em 2004, após 86 anos de espera, se repetindo em 2007 e 2013. Mas em nenhuma dessas campanhas o Boston Red Sox conseguiu ser centenário outra vez como fora em 1946. Isso só voltou a acontecer agora em 2018, quando o time chegou à sua centésima vitória na noite do dia 12 de setembro. A equipe que vem fazendo uma campanha inacreditável conseguiu vencer por 100 vezes em apenas 146 jogos, uma marca incrível cujo time mais próximo é o Houston Astros com 92 vitórias. Contando com um dos melhores inícios de temporada, o time chegou a viver um momento difícil vendo o New York Yankees ser até melhor, mas logo engatou uma quinta marcha e não parou mais de abrir vantagem. Hoje tem dez vitórias a mais que o rival que corre até o risco de não se classificar aos playoffs. As coisas estão indo muito bem e podem ser ainda melhores, principalmente se ao contrário de 1946 essa campanha maravilhosa terminar com a conquista do título. Por sorte o St. Louis Cardinals está em terceiro lugar na Divisão Central da Liga Nacional, atrás de Chicago Cubs e Milwaukee Brewers; Se eles não seguirem em frente meio caminho já está andado.

A explosão da Serena Williams Atômica

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Em agosto de 1945 os Estados Unidos lançaram bombas atômicas contras as cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão. Já em setembro de 2018, na cidade de Nova York, uma jogadora de tênis americana explode como uma bomba atômica contra uma jovem e pequena jogadora japonesa. Na época da Segunda Guerra Mundial os japoneses que apoiavam os alemães nazistas saíram derrotados, mas quando a batalha se resumiu em apenas um jogo de tênis restrito ao âmbito esportivo, foram os asiáticos que acabaram rindo por último. Naomi Osaka ganhou um torneio de Grand Slam pela primeira vez em sua carreira, enquanto isso do outro lado da quadra o que se viu foi a explosão da Serena Williams Atômica.

Alguns dizem que tudo começou na implicância com a roupa que ela usou no torneio de Roland Garros. Outros acreditam que não está a fácil a vida depois que ela virou mãe. São muitas noites sem dormir direito, novas rotinas e responsabilidades, pouco tempo para treinar e a idade cada vez mais avançada que vai pesando sempre um pouco mais a cada dia. Ousada, ela vem com uma roupa ainda mais extravagante, parece até uma bailarina, mas quando encaixa o seu Forehand vencedor com certeza não há delicadeza. Serena Williams sempre teve sua imagem associada à força e fúria, mas talvez ela tenha mudado um pouco depois que se tornou mãe.

Ao ver Serena Williams em quadra, andando lentamente entre os intervalos dos pontos e dos games, respirando fundo e mostrando um poder de concentração fora do comum, parece que vemos uma nova Serena. Nem de longe ela lembra aquela Serena pouco serena de 2004 e 2009, quando foi penalizada, punida, xingou árbitros e levou multas. Perdeu jogos importantes e chances de ganhar mais títulos de Grand Slam jogando em casa. Porém, infelizmente os dias de paz duraram pouco, até o dia da grande final do US Open na grandiosa Nova York. Uma derrota no primeiro set para uma jovem japonesa até então pouco conhecida. Um simples jogo de tênis então se transforma em uma Terceira Guerra Mundial.

O árbitro de cadeira vê o técnico passando instruções e registra uma advertência. Como é possível no Século 21 ainda ser proibido um técnico de tênis dar instruções ao seu jogador durante um jogo? Um pouco mais tarde Serena teria ofendido o árbitro e vivido um momento de explosão que culminou na quebra de sua própria raquete. Mais punições, perda de pontos e até perda de um game inteiro. Aí não teve mais jeito, a derrota se tornou inevitável. Depois de transparecer tanta calma, Serena enfim explodiu como uma bomba atômica, novamente em um confronto entre Estados Unidos e Japão, mas desta sem vítimas fatais, pois quem perdeu foi ela mesma. Uma derrota por exagero do árbitro ou por um jogo mal jogado? Osaka não tem nada com isso, mas mesmo vencendo ela sofreu tanto quanto sofrera Hiroshima e Nagasaki.

Falemos de tênis ... ou das roupas

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O que há em comum entre Dinara Safina e Caroline Wozniacki? Aconteceu no ano de 2009 e 2010, quando ambas respectivamente se tornaram as tenistas número um do ranking feminino, mas com o porém de nunca terem vencido um torneio de Grand Slam. Para Caroline a volta por cima aconteceu oito anos mais tarde, quando ela conquistou finalmente o Aberto da Austrália, mas Safina desistiu de tentar e se aposentou em 2012 com apenas 26 anos. O ocorrido daquela época talvez seja um reflexo do que vive o tênis feminino atualmente e como sempre viveu, ou seja, com uma carência de atenção ao jogo e uma preocupação maior com outras coisas que acontecem "fora das quadras". Esse pode ser o principal motivo para Venus Williams, com seus 38 anos ainda estar jogando e sua irmã Serena, que aos 36 ainda entra como favorita em qualquer competição.

E não é diferente na atual edição de 2018 do US Open, em Nova York. E fica ainda mais agravante quando logo na primeira rodada a atual número um do mundo é derrotada. Simona Halep quase viveu uma vida de Caroline Wozniacki ou Dinara Safina, mas por sorte, competência, ou falta de rivais à altura conseguiu seu Grand Slam ao vencer Roland Garros neste ano. A boa fase, no entanto, não durou muito e no tênis feminino quando não se resta muito o que falar sobre o jogo ... começa-se então a falar sobre as roupas. A semana da moda de Nova York começa apenas no final da próxima semana, mas depois que Serna Williams entrou em quadra com uma versão moderna das roupas de Suzanne Lenglen, o assunto teve que ser antecipado.

Convenhamos que falar sobre outros assuntos além de simplesmente se ater ao jogo no tênis feminino é algo natural e inevitável. Em pauta sempre esteve e sempre estará a beleza estonteante das jogadoras, seja tanto a beleza facial quanto a beleza corporal atlética que a maioria possui de sobra. Desde Chris Evert até Maria Sharapova, elas chamam a atenção e não poderia ser diferente as marcas de roupas aproveitarem deste momento para lançar novas tendências. Sharapova além dos vestidos de gala, ideais para os jogos da rodada noturna do US Open em Nova York, ainda usava joias Swarovski, afinal ninguém é bobo no mundo dos negócios. Mas a coisa parece que desandou um pouco e Serena acabou cruzando uma linha que talvez mude a história dos torneios de Grand Slam para a chatice do Reveillon de Wimbledon, falando em termos de roupas.

O torneio de Wimbledon nem é um caso tão grave, pois mesmo que não seja a virada do ano até que as roupas brancas combinam bem com o verde da grama. O grande problema é a determinação e exigência que os torneios venham a querer impor e que pode tirar um pouco da graça que as roupas trazem, desde que não sejam forçadas e exageradas. No torneio de Roland Garros de 2018 Serena Williams voltava às quadras após sua primeira gravidez. Lá ela optou por usar uma roupas de corpo inteiro, um macacão com calça e mangas compridas, todo preto e com apenas um tipo de cinto vermelho. Ficou um tanto quanto esquisito haja visto os tradicionais shorts com saia ou vestido que a maioria das jogadoras usam. Os organizadores fizeram críticas e uma mudança será imposta no próximo ano.

Por esse motivo ou não, Serena chegou em Nova York ousando mais uma vez. Agora ela veio com uma saia gigantesca, relembrando talvez uma bailarina, uma roupa exagerada, espalhafatosa, mas que ao julgar por seus resultados nas duas primeiras rodadas ela não atrapalha em nada o seu jogo. Os anos de 1920 estão voltando com uma versão mais moderna dos grandiosos vestidos que a grande Suzanne Lenglen usava em suas conquistas de Roland Garros e Wimbledon. Esqueçam o macacão preto, Serena agora quer jogar tênis de sapatilhas. É isso que acontece quando o jogo em quadra fica em segundo plano no tênis feminino, as pessoas se preocupam mais com as roupas do que com a partida. Ou será que as jogadoras usam desse artifício para conseguir de um modo ou de outro chamar a atenção?

Sendo assim, é possível pensar também que Alizé Cornet vestiu sua blusa ao contrário de propósito. Exagero, quase que ela não reparou se não fosse um aviso de seu namorado na arquibancada antes do início do terceiro set. Rapidamente tirou e arrumou, devidamente protegida por um top, ou sutiã esportivo, por baixo. Mas as regras são claras, este tipo de ação só pode ser feito quando o jogador ou jogadora estiver sentado em sua cadeira nos intervalos dos games ou dos sets. Assim explicou a USTA sobre a advertência que Cornet recebeu depois de uma repercussão mundial sobre seu "Strip Tease" dentro de quadra - "As mulheres não recebem os mesmos tratamentos que os homens", disparavam os mais revoltados carregados de imagens que mostram os homens sem camisa, porém sempre sentados nos bancos durante os intervalos.

E assim a vida segue, falando de tênis ou falando de roupas. Afinal fala-se mais de tênis em assuntos sobre corridas de ruas do pedestrianismo do que em assuntos sobre natação, onde todos estão descalços! Brincadeiras à parte, o tênis feminino não está proibido de expandir seus assuntos, seja porque as jogadoras são bonitas ou porque se vestem bem e mal. O que não se pode deixar de lado em hipótese alguma é o jogo em meio à todos esses assuntos. Tudo isso porque seja com roupas elegantes ou espalhafatosas, seja com tênis confortável ou "sapatilhas" e seja tirando a blusa dentro ou fora de quadra, elas continuaram jogando, vencendo e sendo número um do mundo, com ou sem Grand Slam, redendo muitos assuntos sobre o jogo de tênis ... ou as roupas que elas vestem.

A Copa que caiu no colo da França

copa 2018
Das últimas seis edições da Copa do Mundo de futebol, a Seleção da França chegou em três finais. É certo que nas outras três edições acabou sendo um fiasco, incluindo até eliminações na primeira fase, mas a conquista de duas taças mostra que alguma coisa diferente ou especial eles estão fazendo para alcançar este sucesso todo que nunca antes viu em sua história. Mesmo assim, se analisarmos tudo que aconteceu e envolveu a Copa do Mundo da Rússia, podemos de certa forma dizer que a Copa de 2018 caiu no colo da França, principalmente depois que eles fizeram sua parte e as outras Seleções fizeram a delas, ou alguns casos deixaram de fazer.

Para começar duas seleções deixaram de fazer sua parte bem antes do começo a Copa do Mundo da Rússia 2018. São eles a Holanda e a Itália que deixaram espaço para a Suécia seguir em frente. Sem as grandes seleções quem perde mais é a Copa e o futebol, que acaba tendo que se contentar com Panamá, por exemplo. Já na Copa, as decepções começaram com o fiasco da Alemanha, eliminada já na primeira fase. O outro finalista de 2014, por sua vez, passava sufoco e mais tarde pagaria o preço de ficar em segundo lugar no grupo. Ficar em segundo lugar no grupo custou também um avanço maior de Portugal que, para ter ficado em primeiro, bastaria ter vencido o último jogo da primeira fase.

A Espanha acabou sofrendo com a "Maldição do anfitrião" que determina seu destino tanto em Copas como em Eurocopas também. Aos poucos um lado da chave nas oitavas-de-final ia ficando inflado de grandes seleções, enquanto o outro lado ia ficando cada vez mais fraco e esvaziado de gigantes do futebol. O Brasil acabou indo para o lado mais forte. Já a Inglaterra, que teve o privilégio de fazer os jogos das últimas rodadas da primeira fase, acabou podendo escolher o lado que iria na chave ao perder para a Bélgica e assim fugir de um possível encontro com o Brasil. Já a França reforçava a força do lado forte, porém chegando com muito mais força que os demais.

A equipe francesa então fez o que deveria fazer, jogar desde o início como um verdadeiro campeão que não escolhe adversário e passa por cima de qualquer um. Assim veio e foi embora a Argentina, depois o Uruguai e, se fosse o caso, iria também o Brasil, mas o Brasil não veio. Quem veio foi a Bélgica, e as coisas começaram a ficar mais fáceis a partir dali. Tudo porque enquanto isso, ou seja, enquanto a França mostrava seu potencial adormecido, do outro lado da chave o equilíbrio prevalecia e os mais fracos tentavam encontrar o seu caminho.

O mais fácil depois que as oitavas-de-final ficaram definidas, era colocar França e Brasil em uma semifinal e Espanha e Inglaterra na outra, apenas dois deles conseguiram chegar lá no entanto, e a Inglaterra ainda conseguiu perder a sua maior chance desde 1966. E quem venceu foi a Croácia, que após fazer uma primeira fase surpreendente e impecável, acabou sofrendo muito e se arrastando por prorrogações e pênaltis nas fases seguintes. Um gol meio polêmico contra a Inglaterra e uma vitória na prorrogação, a terceira seguida, os levaram à sua primeira final de Copa do Mundo, contra uma equipe que já havia feito o mais difícil e provado seu valor bem antes deste decisão.

Jogadores tem um prepara físico invejável, controle emocional e outros fatores determinantes que impedem esses detalhes de fazerem tanta diferença em uma final, mesmo que de alguma forma essas coisas possam contribuir também. Mesmo assim a França venceu porque foi até lá para vencer, porque já havia provado o quanto tem qualidade para vencer, o quanto seus jovens talentos, principalmente Mbappe que tem a chamada estrela, podem fazer e o quanto vale a experiência do técnico, que havia sido campeão em 1998 como jogador. Por tudo que já havia feito, pelo caminho que havia trilhado até ali, sobrevivendo ao lado mais forte da chave e vendo um dos menos prováveis chegando pelo lado mais fraco, não é de se surpreender que naturalmente a Copa caiu no colo da França.

Nadal ainda não é o maior de todos

Em abril de 2011, pouco antes do tenista espanhol Rafael Nadal vencer o seu décimo título de Grand Slam, sendo o sexto em Roland Garros, foi publicado neste blog uma previsão de que o jogador poderia um dia se tornar o maior de todos, pelo menos em questão de números. Naquela época Roger Federer já dava sinais de desaceleração aos 29 anos, sendo que a maioria dos grandes tenistas do passado não conseguiu vencer muita coisa depois dos 30 anos. O suíço já havia superado Pete Sampras em número de Grand Slam e Nadal, então com 24 anos e tendo vencido em todos os pisos e mais as Olimpíadas, demonstrava que iria longe, principalmente se continuasse triunfando no saibro, o seu chão favorito. A aposta feita naquele texto previa Rafael Nadal com cerca de 16 ou 17 títulos de Grand Slam, já igualando ou superando Federer que na época já tinha os seus 16 títulos.

Novak Djokovic e Andy Murray foram os principais carrascos da dupla desde então. Em 2012 Federer alcançou mais um Grand Slam, chegando a 17 e, como jamais alguém poderia imaginar, ele voltou a vencer cinco anos depois disso, conseguindo mais três taças. Atualmente Roger Federer tem 20 títulos de Grand Slam e continua com fome de bola para ainda mais mesmo aos 36 anos de idade. Nadal só chegaria em mais uma final de Wimbledon depois de 2011, e nunca mais até hoje venceria o Aberto da Austrália novamente, perdendo em três finais. Por outro lado levaria mais dois do US Open e só perderia dois do seu queridinho Aberto da França. Com o título de 2018 ele chegou então ao seu décimo sétimo título de Grand Slam, algo que em 2011 parecia que iria acontecer em no máximo cinco anos, mas demorou sete.

Desses 17 títulos só em Roland Garros são 11 conquistas. Depois de vencer também a maioria dos torneios Masters 1000 e se tornar o maior campeão da terra batida em todos os tempos, ficou mais do que evidente e repetitivo continuar lhe chamando de o "Rei do Saibro". Ser apenas o jogador dominante de uma superfície foi o que acabou restando para Rafael Nadal depois que Roger Federer conseguiu um ressurgimento em sua carreira. Se isso não tivesse acontecido, hoje provavelmente Nadal estaria celebrando o fato de ser o maior campeão de torneios de Grand Slam da história, mas isso não evitaria a ressalva de que a maioria desses títulos veio em apenas um torneio. Assim sendo, os números não bastariam talvez para cravar que Nadal fosse hoje o melhor de todos, mas a previsão na época era de que Nadal poderia ser o maior de todos em números. Isso não aconteceu porque Roger Federer é um gênio incansável das quadras, assim como Nadal é o gênio inansável do saibro. E que venha mais por aí, tanto para um quanto para o outro, pois só o que nos resta é agradecer por vivenciar essa época incrível.