Chi Chi Chi Lê Lê Lê, viva Chile

A situação da Copa América é tão feia que enquanto a Eurocopa precisa realizar eliminatórias, eles precisam convidar adversários da América Central. Isso não significa que a América do Sul deixou de ser a segunda maior força do futebol depois da Europa, só não se sabe até quando! Três grupos juntando aqui e catando ali. Classifica até dois que ficam em terceiro lugar, mas mesmo assim ainda pula direto para as quartas-de-final. Não empolga, os jogos não tem graça, os estádios não são modernos, as imagens não são plásticas (perde feio para a Copa do Mundo de Futebol Feminino no Canadá). Mesmo assim vai seguindo, o campeonato onde todos parecem fazer força para serem eliminados.

A Seleção Brasileira conseguiu a façanha de manter o mesmo nível da Copa do Mundo de 2014, ou será que foi pior? Não teve 7 a 1, mas teve eliminação precoce e "eliminação" de Neymar novamente. Mais uma vez o atacante se livra antes do vexame. Sua atitude no jogo contra a Colômbia onde acabou expulso por indisciplina foi inadmissível. Pior do que isso só mesmo o comportamento da mídia que fica endeusando o jovem jogador que, até hoje, ainda não aprendeu a suposta lição recebida naquele jogo do Santos onde foi impedido de cobrar um pênalti pelo técnico Dorival Júnior. O Brasil de Dunga vinha bem quando os amistosos eram fracos e as cobranças brandas, mas quando a coisa apertou não teve vontade de ganhar, como a maioria que ia jogar.

Argentina e Colômbia, na decisão por pênaltis, pareciam estar lutando para ver quem pegava o avião para casa. Até a semifinal ninguém, além do Chile, havia mostrado algum futebol relativamente convincente para de alguma forma merecer algo mais do que não ser eliminado antes da hora. O Peru tinha vontade, a Colômbia tinha esperanças e o Paraguai tinha sorte. Até que a Argentina finalmente foi Argentina. Mostrou porque havia disputado a final da Copa do Mundo, mostrou porque Messi é o melhor do mundo e mostrou que poderia vencer depois de mais de vinte anos sem erguer qualquer taça. Praticamente para uma Seleção não tem nada muito além de Copa do Mundo e Copa Continental para erguer taça, além da recentemente criada Copa das Confederações. Por isso o Chile jamais havia ganho nada.

Final entre Chile e Argentina foi mais do que merecido para ambos. Afinal foram os únicos que conseguiram goleadas. Mas após mostrarem que mereciam ser campeões, resolveram rebobinar a fita e retornar ao mundo do quem deseja mais perder do que o outro. A Argentina esqueceu tudo que havia feito na semifinal e não jogou praticamente nada, apesar que sua defesa impediu que o rival jogasse além da marca do pênalti. O Chile, apoiado por seu torcedor fervoroso e empolgado, ia para cima como se a maior chance de sua história fosse a única, porém só levou perigo uma única vez no final do tempo normal de jogo. Como castigo quase sofreu o gol no último minuto da partida.

Prorrogação terrível, ambos querem vencer, mas preferem não perder. A disputa então foi para as penalidades, onde podemos resumir como uma 'entrega' da taça da Argentina para os anfitriões. Em todas as sete vezes que a Copa América aconteceu no Chile, a Argentina chegou na final e venceu quatro. Desta vez porém o final não foi feliz. Messi segue sem ser campeão na sua Seleção. Enquanto isso o Chile alcança pela primeira vez uma taça de campeão. Um título que foi merecido pela bravura demonstrada desde a Copa do Mundo no Brasil onde perderam nos pênaltis para a Seleção Brasileira que, depois do que viria a ocorrer, acharia melhor ter perdido aquele jogo. Bravura esta que seguiu na Copa América, principalmente por estar sendo disputada em sua casa. Talvez o fator principal para que alguém fosse campeão neste torneio cheio de amarelão.

Derrotado após oito anos de triunfos

Quando o tempo de dez minutos reservados para a grande disputa terminou, uma grande tensão tomou conta de Coney Island. O locutor mais empolgado do Brooklyn George Shea se aproximou dos dois principais competidores enquanto todos aguardavam ansiosos pela confirmação do resultado oficial. A contagem geralmente é precisa. São pelo menos dois juízes por cada participante, pois enquanto um faz a contagem, o outro registra para que as belas garotas das plaquetinhas possam informar as parciais em tempo real a todos que assistem o incrível duelo. Eles usam até uma camisa listrada em preto e branco, bem parecidas com as dos juízes do futebol americano. Assim sua credibilidade não pode ser muito contestada, o resultado era aquele mesmo já apresentado.

Foram oito anos de glórias e triunfos consecutivos. Oito anos seguidos competindo e oito anos seguidos sendo o melhor de todos. Sorte dele se um rival à sua altura se recusou a assinar o contrato com liga e abriu espaço para ele. Joey Chestnut não se tornou o melhor por acaso, ele realmente sabe o que está fazendo e alcançou o recorde e o status de Rei por competência próprio. Mas eis que o tempo fez com que um outro japonês surgisse para lhe fazer frente, para não deixar a grande competição sem graça, afinal o terceiro colocado come "apenas" 35 hot dogs e também para que o "boca de tubarão" tivesse interrompido a sua façanha incrível de vencer e apenas vencer a competição de comedores de cachorros quentes do Nathan´s Famous em Nova York.

E então Shea se prepara e anuncia: Matt Stonie é o novo campeão com 62 hot dogs literalmente engolidos em dez minutos. Chestnut, com toda a sua técnica apurada de comer com a mão esquerda enquanto já prepara o próximo com a mão direita, muitas vez pegando dois de uma só vez e os molhando no refrigerante (ou será que é só agua?), não conseguiu passar dos 60. Uma performance sensacional, porém não suficiente para superar Stonie e assim ser derrotado pela primeira vez após oito anos. No feminino Miki Sudo comeu 38 e pelo segundo ano seguido deixou Sonya Thomas para trás.

Nathan's Hot Dog Eating Contest, a grande festa dos comedores de cachorros quentes no dia da independência americana. Uma competição bizarra e sempre divertida que acontece todos os anos em Coney Island, no restaurante de hot dogs mais famosos do planeta, afinal não é por acaso que se chama Nathan's Famous. Sem dúvida alguma um evento que vale muito apena assistir, seja pela diversão, seja pela história enorme que começou como uma competição de comer salsichas ou até mesmo pela belíssima repórter Melanie Collins, de ESPN, tão bela quanto a mais profunda beleza de uma simples e desafiadora competição esportiva desse tipo.

O gás de Nadal acabou antes?

Primeira rodada em 2013 e segunda rodada agora em 2015. Já faz um tempo que Rafael Nadal não tem jogado bem o torneio de Wimbledon. Em 2014 e 2012 também foi eliminado precocemente. O espanhol não é tão ruim assim de grama quanto os números recentes, ou os do início da carreira, podem dizer. No total foram cinco finais na grama sagrada de Londres e dois títulos conquistados. Somados a mais dois US Open e um Aberto da Austrália, Nadal alcança a incrível marca de 14 títulos de Grand Slam na carreira, graças aos seus inacreditáveis nove troféus de Roland Garros. Ele simplesmente tem o mesmo número de conquistas que Pete Sampras, que fora o recordista durante vários anos até ser superado por Roger Federer em 2009.

O suiço ainda teve gás para mais três vitórias. Uma ainda em 2009, outra em 2010 e mais uma façanha em 2012. Federer ainda joga, ainda não foi eliminado na atual edição de Wimbledon e ainda da muito trabalho aos 33 anos de idade. Sua última conquista foi com 31, um último suspiro, mas o seu gás de imbatível acabou mesmo entre os 28 e 29 anos. E essa é exatamente a idade que Nadal tem atualmente em 2015. Será que o gás de Nadal acabou antes do gás de Federer? O último título de Nadal foi Roland Garros do ano passado. Nem mesmo o seu torneio favorito ele conseguiu vencer esse ano. As últimas finais sem ser na França foram na Austrália em 2014 e 2012. O último bom ano foi em 2013 com a conquista do título em Nova York.

São apenas cinco títulos sem ser em Roland Garros, e nem Roland Garros ele está conseguindo vencer. Rafael Nadal tinha tudo para pelo menos alcançar Federer em 17 conquistas, mesmo que só conseguisse ser campeão no saibro. Se não conseguir ganhar nem no saibro, onde nem mesmo Novak Djokovic conseguiu ser campeão depois de derrotá-lo, a vida de Nadal não será muito fácil depois dos 30 anos, quando o gás naturalmente vai acabando para qualquer tenistas. Federer ainda teve um suspiro aos 31 anos, pelo menos essa pode ser uma esperança para Nadal voltar a vencer no seu piso favorito, assim pelo menos pode sonhar em chegar nos 17.

Spieth garante tensão no final

Depois de quatro dias intensos, o US Open de golfe conseguiu chegar no último buraco da última rodada com os nervos à flor da pele. A tensão tomava conta dos fãs e por pouco a decisão não precisou de um playoff de desempate. Jordan Spieth estava praticamente com o título nas mãos quando acertou mais um birdie no 16. Ele tinha seis abaixo do par enquanto seus principais adversários faziam voltas péssimas e caíram para três abaixo do par. O campeão do Masters de Augusta, no entanto, preferiu que a emoção também estivesse presente nesse dia histórico e inesquecível, assim ele tratou de bater um doble bogey no 17 e dar alguma esperança para Dustin Johnson que conseguiu um birdie no mesmo buraco.

E lá vão eles caminhando pelo campo de Chambers Bay. Localizado na Universidade Place, em Washington. Ao fundo até era possível ver algumas árvores, alguns pinheiros, mas de um modo geral o lugar parece meio desértico, meio feio. Para piorar ainda mais a grama estava extremamente queimada. É muito esquisito assistir um torneio de golfe jogado em um campo que não é verde. Pior que isso é se referir ao "green" e vê-lo praticamente amarelo. É claro que não influencia no jogo jogado, apenas no visual, mas se o Tiger Woods quiser colocar a culpa nesse fato pelo seu jogo ruim ele pode. Mesmo que prefira seguir culpando suas intermináveis cirurgias.

Tiger Woods praticamente nunca mais ganhou nada depois do escândalo de sua vida pessoal e fim do casamento. Muito menos torneios Major´s. Para piorar ele está sempre fazendo cirurgias e cada vez ficando mais velho. Talvez fosse melhor nem ter participado e é recomendável agradecer imensamente pelo menos cinco jogadores que conseguiram jogar pior do que ele. Acreditem ou não Tiger Woods fez uma das piores voltas de toda a sua vida, principalmente em Major´s, batendo dez acima do par na quinta-feira. No dia seguinte bateu seis acima do par e quase amargou a última colocação no torneio. Já vimos jogadores de mais de 40 anos vencendo torneios Major,s, mas a cada ano fica mais difícil imaginar Woods voltando ao topo do golfe.

Lá em cima agora está Jordan Spieth. Ele queria emoção no último buraco? Então vamos com Dustin Johnson empatados em quatro abaixo. O 18 é par cinco e, na segunda tacada, Spieth profere suas palavras para a bolinha enquanto ela voa: - "Um pouquinho mais para cá, só um pouquinho". E ela atende, evita o lago e quando cai desliza em direção ao buraco. O cara tenta o eagle, mas birdie já está bom. Em seguida vem Johnson, com um bom posicionamento para empatar tudo, mas a bolinha cuidadosamente passa raspando e segue em frente. Termina o sonho de um americano que nunca venceu um Major e começa a glória do outro que havia vencido pela primeira vez no começo desse ano. E como havia feito no Masters, Spieth mais uma vez iguala Woods, que também havia vencido os dois primeiros Major´s do ano em 2002. O que ele não deseja agora é igualar o ex-número um do mundo nas últimas colocações dos maiores torneio de golfe do planeta.

Quem foi o MVP das finais?

Sempre considerei esse nome Warriors meio esquisito. Piorava ainda mais a época, como por exemplo a temporada de 1999-2000 onde o time figurava nas últimas colocações chegando a ter 63 derrotas e apenas 19 vitórias. Só não era pior que o Los Angeles Clippers, o primo pobre da Califórnia que hoje em dia consegue ser melhor até que o Lakers. Em 2007 eles voltaram aos playoffs, e passaram para a segunda rodada. Depois disso só em 2013, já com Stephen Curry que havia chegado em 2009. Mesmo assim ainda faltava algo a mais, em 2014 não passaram nem da primeira rodada dos playoffs. Warriors, um nome estranho, um time ruim que havia sido campeão a muitos e muitos anos atrás. Um time que sabe-se lá como se renovou de uma forma tão incrível que conseguiu se tornar novamente campeão da NBA.

Ainda na temporada regular alcançou o maior número de vitórias de sua história. Chegou a 67 triunfos. Quem poderia frear a equipe do MVP Curry? O New Orleans Pelicans não teve nem chances na primeira rodada. O Menphis Grizzles ainda conseguiu vencer duas partidas. O Houston Rockets era uma equipe com potencial, tinha o James Harden com chances de ser MVP também da temporada regular, o Dwight Howard que é sempre uma pedreira. Mas conseguiram vencer só um jogo. Então que venha a grane final. Que venha o Cleveland Cavaliers novamente com LeBron James e finalmente alguém à altura do "Estado de ouro" de Oakland. Mesmo que o time amarelo da Califórnia seja o Lakers. E eles vieram mesmo, mas será que era o Cavaliers mesmo?

LeBron James voltou para Cleveland para fazer o Cavs ser campeão da NBA pela primeira vez em sua história. Então ele levou a receita que deu certo em Miami, ou seja, ter bons companheiros e não jogar sozinho. Nem Michel Jordan jogava sozinho, Scottie Pippen e Dennis Rodman agradcem a lembrança. Então ele contou com peças chave: Kevin Love e Kyrie Irving. Tava perfeito. Estava tudo preparado para erguer o troféu de campeão. Mesmo que a campanha do Atlanta Hawks tenha sido melhor na temporada regular. Mesmo que os candidatos a MVP da temporada fossem todos os Oeste. Não importava, nos playoffs a história era outra e eles foram passando por cima. Boston, Chicago, o Atlanta foi massacrado. Tudo estava encaminhado, mas algo acabou saindo errado.

Kevin Love se machuca. Tudo bem, ainda tem o Irving. Primeiro jogo da final, prorrogação, equilíbrio total e adeus Kyrie Irving. Tudo acabado? Pelo contrário. O Cleveland deve ter imaginado que iria sofrer com problemas de lesão. Eles acabaram com a vida do New York Knicks e trouxeram J.R. Smith e Iman Shumpert. Assim vão se segurando. Quando a coisa aperta aparece um Timofey Mozgov e resolve, quando a coisa fica feia pode deixar com Tristan Thompson. Mas o mais incrível de tudo é que, quando tudo parecia perdido, surgiu do nada um australiano para dar alguma esperança. Matthew Dellavedova deu, nos jogos dois e três, a impressão de que aos trancos e barrancos os Cleveland Cavaliers poderia ser campeão da NBA com LeBron James fazendo o possível e também o impossível. Exceto talvez pelo simples fato de que o impossível era mesmo impossível.

Durou até o técnico Steve Kerr perceber como resolver o problema. Aliás, a diferença entre o Golden do ano passado e o desse ano praticamente é apenas o técnico, pois tanto Curry como Klay Thompson, David Lee, Draymond Green e até Andre Iguodala estavam na equipe de 2014. Assim ele venceu três partidas seguidas, principalmente por ter feito de Iguodala o jogador titular. Foi tão importante a mudança que a NBA resolveu dar o prêmio de MVP das Finais para o jogador que atua na liga desde 2004 quando estreou pelo Philadelphia 76ers. Foi a primeira vez na história que um jogador que não começou nenhum jogo como titular durante toda a temporada regular acabou sendo MVP das Finais. Levando em consideração tudo que LeBron James fez, com alguns números até melhores que Michael Jordan e Kobe Bryant, parecia que pela segunda vez na história depois de Jerry West em 1969, um perdedor seria o MVP. Afinal ele teve média de 35 pontos e chegou a fazer 44 em um só jogo, sem contar os triplos duplos por liderar também em assistências e rebotes. Mas não foi o que ocorreu.

O Golden e seu esquisito Warriors mereceram o título. Stephen Curry talvez não tenha jogado as finais como jogou a temporada regular e até mesmo os playoffs, mas é um grande gênio e faz coisas tão mirabolantes, da excelentes assistências e acerta bolas de três pontos tão incríveis que seus jogos ruins não afetam seu merecimento. Para Lebron fica a certeza que carregar o time sozinho na costas é uma missão impossível. Já para o Cleveland fica a certeza de que com LeBron e companheiros à altura não lesionados, o título se tornará realidade mais cedo ou mais tarde. E se isso acontecer, então não restará dúvidas de quem deve ser eleito o MVP.