Os campeões e o sonhador

Após dez anos o Los Angeles Lakers está na final da NBA. Parece até que foi ontem, nos tempos do saudoso Kobe Bryant. O título de número 16 veio naquela ocasião contra o grande rival Boston Celtics, duelo que quase se repetiu agora em 2020 na bolha de Orlando. Foram anos difíceis em plena decadência, até que finalmente o time conseguiu investir o dinheiro nos jogadores certos. Dentre tantos que chegaram, muitos buscam seu primeiro anel ao lado de jovens revelações, já alguns outros são vencedores que se juntaram por mais uma glória. E a este time, que vai desafiar um confiante Miami Heat, temos o que chamamos de "Os campeões e o sonhador".

Os campeões

Lebron James - Aos 35 anos de idade, LeBron James já pode ser considerado um veterano na NBA. Disparado o maior jogador da atualidade, com inúmeras finais, mas para alguém tão grandioso ter "apenas" três títulos parece muito pouco. LeBron dificilmente vai perder essa fome de continuar sendo campeão tão cedo, e quando chegou no Lakers foi justamente para isso, para vencer, por isso ele é um campeão nesse time.

Anthony Davis - Tá certo que Davis ainda não foi campeão da NBA, mas com o talento que tem isso é apenas uma questão de tempo. É sem dúvida alguma o segundo melhor jogador deste time e veio para ser o braço direito de LeBron, como tantos outros já foram em outras equipes onde LeBron já foi vencedor. Sem falar que Anthony Davis já conseguiu a medalha de ouro nas Olimpiadas de Londres e o ouro no Campeonato Mundial da Espanha de 2014, por isso ele é um campeão nesse time.

Rajon Rondo - Apesar de ter um ano a menos que LeBron, Rondo parece até mais veterano que ele. Talvez porque em sua longa carreira ele foi campeão já faz mais de dez anos, quando faturou o anel em 2008 jogando pelo Boston Celtics, que ironicamente naquela ocasião derrotou o Los Angeles Lakers. Muitos anos se passaram e Rondo passou por diversos times até finalmente chegar no Lakers e ter mais uma chance de ser ainda maior do que já foi um dia, por isso ele é um campeão nesse time.

Danny Green - Mais um que pode ser considerado pelo menos experiente, já que está com seus 33 anos de idade. Com uma carreira em que passou por diversos times, podemos chamar ele de um tipo de talismã. Ele já faturou o caneco duas vezes, em 2014 pelo San Antonio Spurs e no ano passado quando fazia parte da equipe do Toronto Raptors, por isso ele é um campeão nesse time.

J. R. Smith - Com a mesma idade de LeBron, Smith já passou por diversos times, inclusive o New York Knicks. Em muitos deles apenas esquentou o banco, mas isso nem sempre é muito ruim, principalmente quando você é eleito o melhor sexto homem da NBA. Não deve ser por acaso que ele está no mesmo time de LeBron James novamente, pois foi ao lado dele que conseguiu seu primeiro e único título em 2016 no Cleveland Cavaliers, por isso ele é um campeão nesse time.

JaVale McGee - Poucos já ouviram falar em seu nome, mas McGee está na NBA desde 2008 e aos 32 anos já passou por vários times até finalmente chegar ao Goldens State Warriors no momento certo. Isso lhe garantiu nada a menos do que dois títulos da NBA, em 2017 e em 2018, por isso ele é um campeão nesse time.

Quinn Cook - Na NBA desde 2015, Cook chegou ao Golden State Warrors no memento certo também, e levou o título em 2018, por isso ele é um campeão nesse time.

O sonhador

Dwight Howard - O time do Lakers ainda tem, entre jovens e experientes, Kostas Antetokounmpo, Avery Bradley, Devontae Cacok, Kentavious Caldwell-Pope, Alex Caruso, Jared Dudley, Talen Horton-Tucker, Kyle Kuzma, Markieff Morris e Dion Waiters que estão em busca de seu primeiro título, mas quando falamos de Dwight Howard a coisa é diferente, é coisa de sonhador com a maior chance de sua vida. Já vimos muitos grandes jogadores como Karl Malone, Allen Iverson e tantos outros encerrarem suas carreiras sem terem sido campeões da NBA, e o destino parece ser o mesmo para Howard. Ele começou no Orlando Magic em 2004, com um início parecido com Shaquille O'Neal e aquele velho jeito de se jogar como pivô. Quando foi para o Lakers, em 2012, renovou as chances do time e de si mesmo, mas não deu certo. Depois vieram Houston Rockets, Atlanta Hawks, Charlotte Hornets e o posso cada vez mais fundo no Washington Wizards, até que voltou ao Lakers e finalmente está em uma final da NBA. No meio dos campeões que querem vencer mais uma vez está ele, Dwight Howard, o eterno sonhador que pode finalmente soltar o grito que está a tantos anos entalado e que muitos nunca puderam soltar.

Campeões 2020: Tadej Pogačar

No futuro muitos lembraram desse ano de 2020 como "aquele ano da pandemia". O esporte sofreu com diversas alterações e mudanças. Teve muito evento que foi adiado para 2021, esperando por dias melhores. Teve eventos que simplesmente foram cancelados. Outras competições adotaram mudanças e protocolos específicos, sendo principalmente a não presença do público. Máscara e álcool gel virou rotina. O tempo ocioso esperando esse retorno gradual trouxe muitas dúvidas. Algumas competições foram voltando, mas com certa falta de emoção. Será que a torcida faz tanta diferença assim? Fica até uma preocupação se haverá dez grandes destaques para a lista de final de ano, com tantas competições a menos, porém o Tour de France, que com as pessoas nas ruas parecia nem ter mudado muito, contribuiu de uma forma espetacular para que mais um chegasse lá.


O engraçado é que no ano passado também saiu um candidato à lista dos dez melhores do ano. Na época o colombiano Egan Bernal fez história ao se tornar o primeiro sul-americano a ser campeão da maior competição de ciclismo do mundo em todos os tempos. Desta vez as coisas não estavam assim tão surpreendentes e seguiam uma rotina sem muita emoção, como estão sendo algumas competições que voltaram. Mas no penúltimo dia, que na disputa pelo título é considerado o último dia, tudo mudou e um ciclista esloveno deixou o mundo estarrecido com seu feito extraordinário e surpreendente. O ponto positivo vai para os organizadores, que deixaram para esse dia uma etapa de contra-relógio com chegada em subida. Isso foi determinante para que Primož Roglič sofresse o maior revés de sua carreira.

Até ali estava tudo bem. Roglič assumiu a camisa amarela de líder na nona etapa, a tirando de Adam Yates que por sua vez havia conseguido depois de um deslize de Julian Alaphilippe. Depois vieram algumas etapas tranquilas em superfície plana, mas mesmo quando as grandes subidas começaram ele parecia sólido. Na etapa chamada de "rainha" abriu até uma vantagem melhor para o segundo colocado, elevando a diferença para 57 segundos que em uma Volta como o Tour de France é mais do que segura, exceto se na penúltima etapa vier um contra-relógio com chegada em subida e um oponente com tanta sede de vencer que ninguém jamais poderia segurá-lo naquele momento. Tadej Pogačar surgiu para transformar uma disputa simples e quase sem emoção e uma reviravolta primorosa que ninguém conseguia acreditar.

Ironicamente Tadej Pogačar havia vencido a nona etapa, justamente no dia que Primož Roglič assumiu a camisa amarela. Depois disso ele ainda foi o primeiro colocado na etapa 15, chegando a ficar apenas com uma diferença de 40 segundos. Os dois então andavam sempre lado a lado, com Roglič até mostrando vontade de vencer e aumentando a diferença, mas era pouco. Pogačar fez uma penúltima etapa de encher os olhos, tirou a diferença que tinha e ainda colocou outros 59 segundos em cima de Roglič. Venceu pela terceira vez uma etapa e, além da camisa amarela de campeões, ainda levou a branca de jovem mais bem colocado e tirou a vermelha de bolas brancas (de melhor escalador) das mãos de Richard Carapaz. Nunca antes se viu alguém levar três camisas em uma só etapa. Foi realmente incrível o feito de Tadej Pogačar, sem dúvida alguma um dos grandes nomes do esporte neste tão estranho ano de 2020.

Campeões 2020: Authentic

Nas arquibancadas de Churchill Downs não havia as mais de 150 mil pessoas que normalmente estão por lá. Não era o primeiro sábado de maio e tão pouco podíamos ver as mulheres desfilando com seus mais variados tipos de chapéus. Havia um silêncio inquietante que mais tarde seria quebrado pelo famoso toque das cornetas, mas mesmo assim não parecia o dia da mais famosa corrida de cavalos da América. Em setembro não era para ter corrida e, na teoria, não deveria ter corrida quando se tinha na pista um cavalo tão favorito quanto Tiz the Law. Vencedor do Belmont Stakes que, em tempos de pandemia, abriu a disputa pela Tríplice Coroa ao invés de fechá-la. Esta era a lei e não havia falsificação ou cópia, mas havia um outro cavalo um pouco mais autêntico que ele.

O novo coronavírus deixou tudo bem diferente, exceto claro o fato de que após 146 anos de história o Kentucky Derby segue sem nunca ter sido cancelado. No mínimo retirado de seu tradicional primeiro sábado de maio, algo que não acontecia desde 1945. O portão de largada também está um pouco diferente e não conta com a presença de 20 cavalos, tendo apenas 18. E na hora da corrida tudo mudou novamente, já que três cavalos tiveram problemas e não largaram. Com apenas 15 cavalos e dois dos favoritos largando nas posições 17 e 18, ou melhor, o favorito largando na posição 17 já que com arquibancadas vazias e tradições deixadas de lado, nem parecia que ia ter corrida, ainda mais com Tiz the Law impondo a lei de que só ele poderia vencer, só que faltou um pouco mais de autenticidade nessa confiança toda.

A sineta toca e eles partem, em busca da tão sonhada vitória. De maneira incrível os cavalos que largam nas piores posições logo avançam para frente. Impossível não lembrar de Big Brown e sua incrível vitória em 2008 largando da posição 20. Mas então a surpresa é ver que na frente quem comanda a prova não é Tiz the Law, e sim Authentic, com uma atitude bem arrojada e autêntica. E sem conseguir impor qualquer tipo de lei, o grande favorito parece ter ficado preso no trânsito quando se vê atrás até de Ny Traffic. Ele não pode nem pegar o metrô já que o Belmont Stakes ficou para trás neste ano atípico. Aqui é Louisville e para vencer é preciso um pouco mais de autenticidade, é preciso tudo que Authentic tinha de sobra na reta final.

Parece até que foi fácil, de ponta a ponta, mas não foi. No dia triste que nem parecia que ia ter corrida, acabou tendo uma corrida incrível desde a última curva quando finalmente Tiz the Law resolveu ser o bom e velho cavalo que só havia perdido uma corrida neste ano. Ele arrancou firme e parecia que ia se impor no último trecho, mas Authentic manteve sua força absurda para alcançar a glória de cruzar a linha de chegada em primeiro com um tempo muito próximo dos dois minutos. Foi a terceira vitória do jockey John Velasquez e a sexta vitória do treinador Bob Baffert, que igualou o recorde de maior vencedor do Derby. No dia que não parecia que ia ter corrida e que acabou tendo uma corrida sensacional.

Campeões 2020: Bayern de Munique

champions league
As luzes da torre Eiffel estão apagadas, a cidade de Paris amanheceu calada. Chorar é o que resta quando não se consegue realizar um sonho que nunca antes esteve tão próximo. Da quase eliminação contra o Atalanta até a oportunidade inédita diante do poderoso Bayern de Munique. As circunstâncias ajudaram e muito, mas elas eram iguais para quem soubesse aproveitá-las. É muito difícil aceitar uma derrota quando a chance está tão próxima, mas ter alcançado uma final de Champions League pela primeira vez em toda a sua história talvez já tenha sido muito grandioso ao Paris Saint Germain.

Pior do que ser derrotado na grande decisão, é ser derrotado por apenas um único gol. Isso não significa que o placar de 1 a 0 seja um grande absurdo, ainda mais se tratando de uma decisão de uma competição tão grande, mas no caso desta decisão com um time como o Bayern, perder só de 1 a 0 é quase como se tivesse conseguido o empate. Isso porque o Bayern desta Champions parecia uma máquina de triturar adversários. A equipe alemã não viu rivais na primeira fase, teve seis vitórias com direito à goleadas de 7 a 2 no Tottenham e 6 a 0 no Estrela Vermelha. Nas oitavas meteu 3 a 0 e 4 a 1 no Chelsea e, no maior massacre de todos aniquilou o consagrado Barcelona por incríveis 8 a 2.

Em Berlim o muro da vergonha já caiu faz muito tempo, mas em Lisboa, no Estádio da Luz que não é a luz da torre Eiffel, uma verdadeira muralha se erguia para defender o gol do Bayern. De um lado o brasileiro Neymar era badalado em busca seu tão sonhado prêmio de melhor jogador do mundo da FIFA, do outro a esperança ficava na conta de Lewandowski, o polonês artilheiro que buscava o recorde de Cristiano Ronaldo e quem sabe uma chance de também ser o melhor do mundo. Não brilhou nem um e nem outro, pois a luz do estádio estava em uma parede chamada Manuel Neuer.

Ao PSG resta seguir sonhando, enquanto isso o Bayern segue colecionando. Com este título são seis Liga dos Campeões. Já o Mundial, no entanto, só veio uma vez em 2013. Agora eles vão em busca do segundo depois de uma temporada incrível que venceram também o Campeonato Alemão e a Copa do Alemanha, só resta esperar por esse dia, nesses tempos tão malucos de pandemia.

Campeões 2020: Joey Chestnut

A competição de comer cachorros-quentes deste ano mudou um pouco por cauda da Pandemia de COVID-19 que assola o mundo todo. O tradicional local do lado de fora do restaurante Nathan´s Famous, com seu escaldante calor sempre acima dos 30 graus, mudou para um aconchegante local fechado com ar condicionado. Não havia mais o público entusiasmado, apenas os competidores esfomeados. Os juízes ficaram afastados e protegidos, e nem as belas garotas com as placas de contagens estavam presentes. Cada comedor competitivo ficava no seu espaço, com uma proteção de acrílico em cada lado. Os cachorros-quentes chegavam em bandejas aos poucos, e para Joey Chestnut dez em cada prato era muito pouco.

A competição nem parece a mesma, mas Chestnut continua o mesmo. O devorador de cachorros-quentes ataca novamente. No começo do ano, em sua própria casa, ele pediu por Delivery e comeu nada mesmo que 32 big mac´s do McDonald´s em apenas 38 minutos. Com as mudanças ele já previa que iria estabelecer um novo recorde mundial para cachorros-quentes, restando apenas saber qual seria essa nova marca. É difícil até imaginar que sua primeira vitória mal passava de 60 unidades quando a disputa era de 12 minutos. Agora em 10 minutos ele faz muito mais do que isso.

Nos últimos segundos ele se esforça ainda mais. As salsichas entram em sua boca de duas em duas, o pão é encharcado no refrigerante e desce de uma vez só até seus estômago triturador de comida. Se tudo estiver dentro da boca até o final do tempo está valendo, e assim ele consegue a incrível nova marca. Joey Chestnut comeu 75 cachorros-quentes e superou os 74 que havia comido em 2018. O segundo colocado mal chega nos 40 e perderia até para a vencedora da competição feminina que comeu 45 unidades.