Washington, D.C., a capital é ali

Neste último dia de Outubro de 2019 a Casa Branca merecia receber tons de vermelho e azul, tudo porque hoje é um dia de festa, é o dia de comemorar a primeira vitória da equipe Nacional de Washington na principal liga de beisebol dos Estados Unidos. O Washington Nationals percorreu uma longa e difícil estrada até o maior dia de suas vida, e olha que tudo começou em outro país, no Canadá, quando eram conhecidos como Montreal Expos. A vida nas terras geladas era bem difícil, com um quase vislumbre de felicidade no ano de 1981, mas depois que os "Senadores" foram embora para Minnesota e Texas, então o chamado ecou direto de Washington, D.C., pois a capital era logo ali. A equipe de futebol estava unida, a do Hóquei no gelo se sentia em casa literalmente, o feitiço e o mistério pertenciam ao basquete masculino e feminino respectivamente enquanto o futebol americano lembrava do passado com os peles vermelhas. Sobrou então um identidade que pudesse ser reconhecida em todo o país, nacionalmente, e assim desde 2005 eles se tornaram o Washington Nationals.

Sem dúvida alguma ter um reconhecimento nacional é muito melhor do que ser um time esquecido em alguma cidade do Canadá. Mas estando na capital de um dos maiores países do mundo, o melhor mesmo é ser conhecido mundialmente. Para isso só existe uma possibilidade de alcançar esse objetivo sendo um time de beisebol: Vencer a World Series. A tarefa árdua que todos almejam é mais difícil do que muitos imaginam. Em 1981 houve um lapso de esperança, principalmente depois de ter passado pelo Philadelphia Phillies, mas o Los Angeles Dodgers interrompeu o sonho. Quando a equipe foi para Washington ela ainda sofria muito, pelo menos até 2012, quando a pós-temporada se tornou realidade mais uma vez. O time não precidou do Wild Card, mas não avançou além da Série da Divisão. O mesmo voltaria a acontecer em 2014, 2016 e 2017, sempre contra equipes diferentes, exceto mais uma vez contra o Dodgers. Este "quase" não poderia durar para sempre, e o dia da grande glória tinha que chegar.

Foi a primeira vez em toda a sua história, incluindo a história no Canadá, que o time do Nationals caiu no Wild Card, o jogo único que define a última vaga nos playoffs. A vitória magra e apertada contra o Milwaukee Brewers por apenas 1 a 0 alimentaram uma esperança que ainda era pequena, mas resistia. Pela frente então surgiu o temido carrasco Dodgers, a equipe que veio do Brooklyn em Nova York com sua incrível e intensa história centenária. Nada disso fez tanta diferença, a vitória por 3 a 2 foi apertada, mas garantiu a vaga. Desta vez o adversário foi o St. Louis Cardinals, para quem haviam perdido em 2012. O gostinho foi de revanche e a vitória foi acachapante. Ninguém esperava quatro jogos a zero e a vaga na World Series pela primeira vez em toda a sua história, tanto canadense quanto nacionalmente americana. Havia a possibilidade de enfrentarem o temido New York Yankees que fazia uma temporada avassaladora, mas o destino lhes fez encarar o Houston Astros.

Com a melhor campanha a equipe de Houston naturalmente tinha a vantagem de jogar os dois primeiros e os dois últimos jogos em casa, e quem não gosta de jogar em casa? Todos gostam de estarem perto dos seus torcedores atuando em seu lar, exceto talvez nessa World Series mais inacreditavelmente anti-casa de todos os tempos. O Houston Astros conseguiu a façanha de perder os dois primeiros jogos em casa, e fez uma façanha maior ainda vencendo os três seguintes na capital Washington, D.C. Quando voltaram aos seus domínios não tinha como não temer o pior, e o pior é que aconteceu mesmo, antes até de soltarem as bruxas no 31 de outubro. Halloween antecipado e em mais dois jogos em Houston, mais duas vitórias do Nationals. Os Astros caíram junto com as estrelas de um céu que agora pinta as cores da capital dos seus país. O Washington Nationals finalmente conquistava o título de campeão de World Series em sua primeira aparição na série.

A caminhada foi dura nessa longa jornada. E finalmente uma história de glória pode ser contada. O vazio era tão grande que a equipe, mesmo contando a época no Canadá, jamais havia aposentado o número da camisa de algum de seus jogadores, exceto o 42 que foi aposentado entre todos os times. Agora não faltam motivos e muito menos nomes, os nomes dos grandes e verdadeiros heróis, entre eles está o arremessador Stephen Strasburg, que venceu os jogos dois e seis da World Series de 2019, ambos fora de casa e ambos contra o grande Justin Verlander, um dos heróis do título do Astros em 2017. Naturalmente Strasburg levou o prêmio de MVP da World Series. Um dia quem sabe veremos o Washington Natinals finalmente aposentando uma camisa em sua história, e talvez o número dela seja o 37.

Os atletas mais bem pagos em 2019

maiores salários do esporte
Todos os anos a revista Forbes divulga uma lista com os cem atletas mais bem pagos do ano. E todos os anos curiosos do mundo todo repercutem os nomes para saber quem ficou com a conta bancária mais recheada. E se esporte é competição e disputa, então vemos essa lista com um duelo à parte entre todos os atletas e esportistas. É talvez a única chance de vermos "confrontos" entre atletas de diferentes modalidades. A lista tem grandes e pequenas variações de um ano para outro, alguns esportes como o boxe são muito peculiares e podem pagar muito por apenas uma luta, colocando seu atleta em uma boa posição enquanto outros sofrem o ano todo e nem ficam entre os dez primeiros. Esse é apenas uma detalhe e essa é a lista dos atletas mais bem pagos em 2019.

1. Lionel Messi
Atletas mais bem pagos em 2019
U$ 127 Milhões
FUTEBOL
Dentro de campo as coisas parecem não ser tão boas como já foram um dia. Messi vive dias bons no Barcelona, mas não tão bons quanto na época que ganhava a Champions League e o Mundial de Clubes. Na Seleção da Argentina é pior ainda, segue o jejum de títulos e mais um fracasso na Copa do Mundo da Rússia. Mesmo assim ele continua sendo um dos maiores nomes do futebol na atualidade, o esporte que aos poucos foi pagando sempre um pouco mais e neste ano de 2019 ocupa as três primeiras posições. Lionel Messi foi subindo aos poucos e, finalmente chegou lá no topo graças à aposentadoria de Floyd Mayweather Jr. que foi o primeiro do ano passado com uma diferença astronômica do próprio Messi, segundo na ocasião e que estava subindo de degrau em degrau desde 2014.

2. Cristiano Ronaldo
Atletas mais bem pagos em 2019
U$ 109 Milhões
FUTEBOL
Mesmo não sendo astronômica como no ano passado, a diferença entre o primeiro e o segundo deste ano é significativa. Cristiano Ronaldo vive o inverso de Messi e, à medida que o Real Madrid despencou, ele despencou também. Deve ser por isso que ele foi para a Juventus, mas até agora isso não ajudou muito. O português já foi o atleta mais bem pago por dois anos consecutivos, mas depois foi decaindo e abrindo passagem para o Messi. Em relação ao ano passado melhorou em um a sua posição e em apenas um também os seus ganhos, porém os ganhos são em milhões e um já pode ser considerado muito para muitas pessoas.

3. Neymar
Atletas mais bem pagos em 2019
U$ 105 Milhões
FUTEBOL
O brasileiro Neymar não é mais o único brasileiro na lista que tem também Oscar, mas após algumas oscilações ele entrou no top dez do ano passado, em quinto, e desta vez pulou para terceiro. Os três primeiros colocados deste ano estavam entre os cinco do ano passado e melhoraram suas posições graças às saídas de Floyd Mayweather Jr., que não apareceu nem entre os cem e Conor McGregor, que havia lutado com o americano e se manteve entre os cem, porém ganhando bem menos porque o boxe paga muito mais do que o MMA. Assim Neymar sobe, mas dentro de campo não vive dias tão bons. No PSG a esperança era de mais glórias, mas até agora ele vem colecionando apenas polêmicas e lesões.

4. Canelo Alvarez
Atletas mais bem pagos em 2019
U$ 94 Milhões
BOXE
Atualmente o futebol domina a lista, mas geralmente o boxe consegue colocar no topo um lutador com apenas uma luta. Não foi o caso do mexicano Canelo Alvarez, porém as duas lutas que fez em 2018 foram suficientes para ele chegar pelo menos na quarta posição depois de nunca ter figurado nem entre os dez primeiros (foi décimo quinto no ano passado). O cartel do lutador é recheado de glórias e a única derrota em toda a sua carreira foi para Floyd Mayweather Jr. em 2013. Não por acaso o americano sempre foi o mais bem pago na categoria dos supermédios, mas estando agora aposentado abre espaço na folha de pagamento para seus sucessores por assim dizer. Álvarez já venceu nomes como Julio César Chávez Jr. e Miguel Cotto e agora espera por alguém que possa lhe fazer altura e quem sabe impedí-lo de ganhar ainda mais dinheiro.

5. Roger Federer
Atletas mais bem pagos em 2019
U$ 93.4 Milhões
TÊNIS
O tenista suiço Roger Federer tem sido muitas vezes considerado como o maior de todos os tempos. Isso acontece por ser o maior vencedor de torneios de Grand Slam, apesar de que Rafael Nadal e Novak Djokovic estejam chegando perto. Mas o mais surpreendente é que ele não se aposenta nunca e segue jogando, mesmo com seus 37 anos de idade. Mais surpreendente do que isso é que ele segue conquistando títulos e ganahndo cada vez mais dinheiro. É um nome quase certo entre os dez mais bem pagos todos os anos e neste ano conseguiu até melhorar a sua posições de sétimo para quinto, e isso significa que ele simplesmente ultrapassou o jogador de basquete da NBA LeBron James.

6. Russell Wilson
Atletas mais bem pagos em 2019
U$ 89.5 Milhões
NFL
O Futebol Americano talvez seja um dos esportes que mais oscila entre pagar bem ou não tão bem assim. Enquanto Tom Brady quase figura no final da lista, mesmo sendo campeão do Super Bowl, vemos outros nomes como Matt Ryan em nono lugar no ano passado e Matthew Stafford em décimo que acavaba de ter sido draftado. Agora aparece Russel Wilson que é um velho conhecido, mas que nunca havia aparecido entre os dez primeiros colocados da lista. Ele se junta agora a outros nomes como Drew Brees, Cam Newton e Andrew Luck que formam o time daqueles que fazem a NFL aparecer pelo menos com um representante entre os dez primeiros colocados todos os anos.

7. Aaron Rodgers
Atletas mais bem pagos em 2019
U$ 89.3 Milhões
NFL
Com excessão de 2012, a representação da NFL se da apenas por um jogador entre os dez primeiros, mas assim como naquele ano e assim como se repetiu no ano passado, esse ano de 2019 trás novamente dois nomes entre os dez. E pela primeira vez esse nome se repete, já que Aaron Rodgers já havia aparecido em 2014 ocupando a sexta colocação. O Green Bay Packers não ganhou mais nada na NFL, e afundou ainda mais quando seu quarterback se machucou, mesmo assim o dinheiro continuou entrando e os salários altos da sua maior estrela seguiram subindo, e é por isso que ele retornou ao top dez como o sétimo atleta mais bem pago de 2019.

8. LeBron James
Atletas mais bem pagos em 2019
U$ 65.4 Milhões
NBA
Analisando os dez primeiros colocados na lista deste ano vemos que eles estão coincidentemente seperados por modalidades. Os três primeiros futebol, depois um do boxe, um do tênis e dois do futebol americano da NFL, agora no fim o três últimos são do basquete da NBA. E encabeçando essa mini lista do basquete temos LeBron James, que já viveu dias melhores tanto em quadra como na lista. Ele não foi campeão mais uma vez e seguiu para Los Angeles, para jogar no Lakers, onde não chegou nem nos playoffs, mas reforçou o time para a próxima temporada. Se o Lakers conseguir triunfar ele deve subir também seus ganhos monetários, para quem sabe ser o mais bem pago ou pelo menos ser tão bem pago como era Kobe Bryant quando jogava lá no Lakers.

9. Stephen Curry
Atletas mais bem pagos em 2019
U$ 79.8 Milhões
NBA
Naturalemnte Stephen Curry vem figurando na lista dos mais bem pagos do mundo na medida que o seu time Golden State Warriors foi vencendo os campeonatos ano após ano. Mas foi só no ano passado que ele conseguiu ultrapassar seu então companheiro de time Kevin Durant. Ele havia ficado em oitavo lugar, mas agora caiu para a nona colocação. A vida realmente não é fácil, pois além disso ele perdeu o título para o Toronto Raptors em 2019 e viu Kevin Durant indo embora para jogar no Brooklyn Nets. Estar entre os dez mais bem pagos na lista do ano que vem não será uma tarefa fácil para Stephen Curry e certamente ele vai preferir ser campeão da NBA do que ser o jogador que mais ganha dinheiro.

10. Kevin Durant
Atletas mais bem pagos em 2019
U$ 65.4 Milhões
NBA
Em 2017 Kevin Durant chegou a ser o quinto colocado, mas no ano passado caiu para décimo primeiro. Algo normal se levarmos em conta que LeBron James havia sido segundo naquele ano. Tempos bons que não voltam, mas se considerarmos que ele subiu uma posição em relação ao ano passado e agora figura entre os dez primeiros, então já é algo positivo que podemos ressaltar. O problema é que o Golden não foi campeão em 2019 e Durant resolveu ir embora. Será que o Nets pagam tão bem como o time da Califórnia? Será que Curry vai se manter à sua frente no ano que vem? Será que ele pode ser campeão novamente jogando no Leste? Essas perguntas só poderão ser respondidas na lista do ano que vem, porque a lista de 2019 está fechada com os dez atletas mais bem pagos do ano.

Para quem gosta de golfe e sente saudades de Tiger Woods entre os dez primeiros, pode se animar com o ano que vem. O americano ficou em décimo primeiro e voltou a ganhar um torneio Major, quem sabe seus ganhos monetários aumentem e ele volte a ser protagonista na lista. A Fórmula 1 já viu seus pilotos entre os dez primeiros colocados, mas desta vez Lewis Hamilton ficou apenas em décimo terceiro mesmo tendo sido campeão novamente na categoria máxima do automobilismo. O beisebol da MLB dificilmente aparece entre os dez primeiros colocados, seu primeiro representante esse ano é Mike Trout, que nem é muito famoso e joga no Los Angeles Angels, ele apareceu na décima sétima posição com ganhos um pouco acima dos 50 milhões de dólares. Djokovic tem uma posição boa entre os vinte, mas Rafael Nadal surpreendeu tendo ficado apenas na trigésima sétima colocação. A lisa já viu Maria Sharapova várias vezes como sendo a única representante feminina, as mulheres clamam por pagamentos melhores ou iguais aos dos homens, mas a tenista americana Serena Williams é a única representante do sexo feminino com a posição 63 e ganhos de quase 30 milhões de dólares.

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Tour de France: Egan Bernal

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O Tour de France está entre as três maiores competições de ciclismo do mundo em cada ano, mas se formos colocar lado a lado com o Giro de Itália e com a Vuelta a Espanha, fica difícil não exaltar o desafio francês como o maior de todos eles. E sendo assim, ás vezes os seus vencedores podem ser considerados como extraordinários dependendo da forma como chegaram lá. Neste ano de 2019 foi assim, com um colombiano que fez história duas vezes, depois que a França chegou muito perto de ver um nativo sendo campeão outra vez. Não deu para eles e para mais nenhum outro favorito, porque a vez entre tantos não-favoritos foi de um jovem como fizera Alberto Contador em 2007, além da primeira vez de um sul-americano campeão em toda a história da prova.

Dentre todos os sul-americanos, a Colômbia sempre foi o país que mais perto havia chegado da grande glória de vencer o Tour. Na história recente tivemos Fabio Parra, Luis Herrera e talvez o mais conhecido de todos que foi Santiago Botero, um ciclista que duelava com Lance Armstrong na época que ninguém sabia do uso de doping do americano. Ele só venceu o prêmio de escalador no ano 2000, mas dava muito trabalho. O tempo passou e então surgiu Nairo Quintana, jovem mais bem colocado em 2013 e vencedor do prêmio de escalador no mesmo ano. Em 2015 ainda era o jovem mais bem colocado, venceu o Giro de Itália e também a Vuelta a Espanha, mas as duas grandes competições não são tão grandiosas como o Tour, faltava um pouco mais para a Colômbia e para os sul-americanos.

Faltava e ainda faltará também para a própria França. O país anfitrião da maior competição de ciclismo do mundo já viu seus atletas brilharam muitas vezes, é claro, mas não vêem mais desde 1985 quando Bernard Hinault subiu no ponto mais alto do pódio pela primeira vez. As esperanças se renovaram este ano, eles tinham Julian Alaphilippe surpreendendo já na etapa 3 quando assumiu a camisa amarela. Ela se foi na sexta etapa, mas retornou na oitava para não sair mais até pelo menos a décima nona e ante-penúltima etapa do Tour de 2019. Foi um dia trágico, com chuva de granizo, pista bloqueada, deslizamento de terra na encosta, um grande caos e o encerramento da etapa antes do fim. Foi também o fim da linha para o francês que viu a liderança ir por água abaixo.

Tristeza de um lado. Alegria e emoção comovente do outro. Egan Bernal vestiu a camisa branca de jovem mais bem colocado na etapa dez. Ele a perdeu por um momento, mas depois não a tirou mais. Em 2007 o espanhol Alberto Contador havia sido campeão geral e também o jovem mais bem colocado. A façanha se repetiu em 2010 com Andy Schleck, mas o luxemburguês já havia sido o jovem mais bem colocado nos dois anos anteriores. Ser o jovem mais bem colocado e ainda vestir a camisa amarela é para poucos, principalmente quando um francês lidera em casa, principalmente quando seu compatriota ainda corre e vence uma etapa, ou seu companheiro de equipe é o vencedor do ano anterior. A pressão era grande, mas o jovem ciclista conseguiu triunfar, e conseguiu ser o primeiro campeão da América Latina no Tour de France. Impossível não considerar isso extraordinário e colocá-lo como um dos maiores nomes do esporte no ano.

Mundial de Natação: Caeleb Dressel

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Na verdade o Campeonato Mundial é de Esportes Aquáticos, mas como evitar um destaque maior para a Natação? Além disso, e talvez por acontecer apenas a cada dois anos, ou não, fica difícil também evitar não dar um destaque para pelo menos um competidor ou competidora como um dos dez maiores nomes do esporte do ano todo. E isso nem acontece por um obrigação, isso acaba acontecendo naturalmente porque além de um grande destaque, existem muitos outros que poderiam também ser um grande destaque ou são destaques grandiosos que teriam chances de ser o destaque maior.

Em 2017, ano de Mundial de Esportes Aquáticos, destacamos como um dos dez maiores nomes do esporte daquele ano a nadadora Katie Ledecky, que havia ganho cinco medalhas de ouro e uma prata. Eram seis no total e havia um nadador americano que levou sete de ouro, mas não foi destaque. Este ano de 2019 Ledecky estava doente, não competiu em todas as provas, mas mesmo assim levou um ouro e duas pratas. Já Caeleb Dressel, por sua vez, queria muito levar sete de ouro novamente e somar ainda com uma prata, mas acabou mesmo com seis de ouro e duas pratas. Performance excepcional mesmo assim, e talvez uma correção em um erro cometido em 2017.

Katie Ledecky também foi destaque em 2016 junto com Michael Phelps, e em 2015 quando teve Mundial também. No ano de 2013 tivemos Missy Franklin como destaque, ela havia ganho seis de ouro no Mundial e parecia o "Michael Phelps de saia", mas depois sumiu e abriu espaço para Ledecky. Esse ano comprovou ainda mais a injustiça com Dressel em 2017. Em 2012, ano Olímpico, naturalmente Phelps foi destaque mais uma vez. Já em 2009 teve Brasil na lista com César Cielo, que bateu recordes que duravam até esse ano e, em 2008, naturalmente o destaque foi Michael Phelps que levou oito de ouro nas Olimpíadas de Pequim e, não apenas foi um dos dez maiores nomes, como ficou em primeiro lugar na lista.

Acreditamos que a maior injustiça foi mesmo Caeleb Dressel que levou sete ouros e nem foi mencionado. Mas este ano com seis ouros e duas pratas, sendo oito medalhas no total, ele finalmente ganha o destaque que merece. Mesmo assim fica aqui a citação de outros grandes nomes que brilharam neste Mundial como a brasileira Ana Marcela Cunha que levou duas de ouro na Maratona Aquática, a húngara Katinka Hosszú que segue dominando o nado medley, a sueca Sarah Sjöström que leva ouro, prata, bronze e está sempre lá no pódio, a Simone Manuel que é a primeira afro americana a brilhar, a italiana Federica Pellegrini que segue dando trabalho e vencendo, ou sua compatriota Benedetta Pilato que foi prata com apenas 14 anos.

No masculino brilharam também o chinês Sun Yang, que fez questão de também arrumar polêmica com nadadores que não quiseram cumprimentá-lo por suspeitar que ele usou doping. O alemão Florian Wellbrock que deu show nos 1500m livres com a ausência de Sun. O britânico Adam Peaty que é dono dos 50m e 100m peito. E o japonês Daiya Seto que assim como Katinka Hosszú domina as duas provas do nado medley. Todos eles grandes nomes da natação e grandes destaques neste Mundial, mas nem tão grandes como Caeleb Dressel, que havia sido gigante em 2017 e finalmente é lembrado por ter sido tão enorme quanto fora agora no ano de 2019.

Futebol feminino: Megan Rapinoe

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Dê voz para alguém e encontre pessoas que estejam dispostas a ouvi-la. Com esta receita o seu grito irá ecoar nos quatro cantos do mundo. Certamente muitos estarão escutando, mas talvez poucos estejam assimilando. A jornada ainda é longa, mas um caminho sinuoso e difícil está sendo percorrida com passos muito mais largos do que já foram em outros tempos. No Brasil, de forma bizarra, o futebol feminino era até mesmo proibido no Brasil até o final dos anos de 1980. Isso, de certa, talvez nem tenha feito muita diferença, afinal a primeira Copa do Mundo de futebol feminino só foi disputada em 1990. Não muito tempo, mas também não é pouco, porém se elas sempre tiveram algo para dizer, só foram realmente ouvidas agora, na Copa de 2019, quando a elas foi dado mais voz e seus gritos finalmente ecoaram.

Uma das jogadoras que ganhou voz e que foi ouvida é a brasileira Marta. O Brasil já viveu dias melhores na Copa do Mundo de futebol feminino, com um vice campeonato e um terceiro lugar. A Marta já ganhou o prêmio de melhora jogadora do mundo por seis vezes. Elas sempre estiveram aí nos últimos anos, mas a impressão é de que elas acabaram de serem "descobertas". Isso acontece por um fato relativamente simples e ao mesmo tempo complexo, pois foi a primeira vez na história que uma certa emissora de TV aberta (considerada a maior do país), finalmente resolveu transmitir os jogos ao vivo. Para se ter uma ideia de como isso faz a diferença é só ver que muitas pessoas não sabem e não fazem ideia de que os jogos Pan-Americanos acontecem no Peru e começam dia no próximo dia 26 de julho.

E se a Marta, uma velha conhecida, de um time eliminado pelas anfitriãs nas oitavas-de-final, ganhou voz e foi ouvida, então imagina só a principal jogadora do time que foi campeão e que sempre este entre os quatro melhores em todas as edições da competição? Sim, os Estados Unidos sempre foram ou primeiro, ou segundo ou terceiro lugar em todas as oito edições da Copa do Mundo de futebol feminino. É totalmente o oposto da seleção masculina que muitas vezes não consegue nem se classificar para a Copa do Mundo, como ocorreu na última edição de 2018 na Rússia. Elas estão mais no topo do que os escaladores do Monte Everest, e mesmo assim elas tem algo para dizer e também querem ser ouvidas. E assim sendo, que seja então Megan Rapinoe a sua porta voz, pois ela não apenas fala com razão, como também é a melhor jogadora da competição e uma das artilheiras também.

A principal reivindicação é para pagamentos iguais entre homens e mulheres. É um apelo que mulheres fazem no mundo todo em qualquer área de trabalho. o tênis é um dos poucos esportes que respeitaram os direitos iguais e, em vários torneios como os de Grand Slam estão pagando os mesmos valores tanto para os campeões como para as campeãs. E não tem problema se as mulheres jogam mesmo como é o caso do tênis, pois não se trata de jornada de trabalho e sim de quanto dinheiro gira em torno de cada competição. É fato e é óbvio que a Seleção feminina de futebol dos Estados Unidos é muito mais bem sucedida que a masculina, mas o que poucos sabem é que ela também gera muito mais dinheiro e lucro do que os reapresentantes do sexo oposto. Essa é portanto a grande injustiça do caso, que talvez mude agora que as mulheres receberam voz e começaram a falar, para que possam ser ouvidas.