A polícia violenta no mundo violento

Era para ser mais um dia tranquilo no Barclays Center. Jogo do Nets, Jay Z e Beyoncé, o LeBron James vai jogar no Brooklyn. Se não bastasse a badalação normal de sempre, tinha ainda a presença ilustre do príncipe William e da princesa Kate Middleton, que durante a primeira parte do jogo estiveram alheios à tudo em um jantar para tratar de negócios. A bola laranja do bom e velho basquete voava direto para a cesta, mas do lado de fora a coisa estava feia. Manifestantes tomaram conta das redondezas e organizaram mais um protesto em favor de Eric Garner. "I can't breathe". O mundo já não respira a muito tempo.

Não só em Nova York, como em todo os Estados Unidos e também no mundo. No caso ferguson, amarildo e agora no caso Eric Garner. Contra os casos de tortura da ditadura, da CIA e do Jack Bauer. Eles não se importam muito com a vida dos que morreram, eles estão revoltados porque os policiais não foram condenados. Parece haver uma inversão de valores e os criminosos viram 'supostos' foras da lei, as vítimas são réus nos tribunais e a polícia que existe para servir e proteger vira o alvo de uma sociedade enfurecida pela onda de atacar quem a maioria está atacando. Influenciados pelo poder da mídia, das redes sociais. Para estar ao lado da maioria contra a violência da polícia.

Não há mal algum em sentir pena de Garner, lamentar por sua família que provavelmente sofreu muito com a situação e pelo incidente em si. Mas achar que o policial Daniel Pantaleo é exclusivamente o culpado por ter agido de forma excessiva em um caso isolado que ganhou uma repercussão enorme é um exagero de quem não consegue ter a mínima noção que as coisas são muito maiores do que um vídeo na Internet. A técnica de enforcamento usada pelo oficial é atualmente proibida, eles poderiam ter mantido a calma, poderiam ter agido de uma forma menos agressiva. Sim, claro, tudo pode ser diferente depois que o fato acontece da forma como não deveria, mas isso não quer dizer que só existe um culpado em uma sociedade que não sabe viver em sociedade.

As pessoas brigam no trânsito por questões banais. As pessoas brigam com seus vizinhos. O mundo é caótico e complicado. A polícia precisa ser um pouco violenta porque o mundo é violento, cruel, impiedosos e assassino. Se a polícia não tiver poder de fogo, os bandidos irão dominar a sociedade. Eric Garner certamente não merecia a morte, mas Eric Garner tem um histórico com mais de 30 prisões em sua vida. No vídeo ele claramente está resistindo à prisão, discute com os policiais e quer um confronto direto com as autoridades. O homem de 41 anos era grande e forte, a polícia precisava agir com força excessiva naquele momento. Garner não merecia morrer, ninguém merece, seja branco ou negro, bandido ou mocinho, mas os bandidos estão prontos para matar e se a polícia não estiver pronta para responder à altura, quem vai perder é a sociedade.

Ninguém fecha a Times Square ou se reúne na frente do Barclays Center para protestar efusivamente contra a violência que assola o mundo a cada dia. Enquanto Garner morre por um erro de um policial, quantas pessoas de bem morreram vítimas de um bandido, um ladão, um assassino ou um traficante? E quantas dessas pessoas tiveram videos na Internet e protestos em seu favor contra os malfeitores que talvez foram presos, talvez não, talvez foram condenados, talvez não? Nenhuma. A maioria vai presa e sai em pouco tempo. As pessoas protestam porque elas querem mais direito de ir e vir sem que sejam abordados, mas quantos destes protestantes já tiveram problemas com a justiça e só estão tentando achar um jeito de mudar a opinião pública para que possam fazer suas transgressões impunemente?

A polícia é violenta porque o mundo é violento. Os erros da polícia devem servir para que se busque uma preparação mais adequada, mas isso não significa que os policiais que erram devam ser condenados, porque o mundo já os condenou a errar em sua profissão que lhe exige se doar ao máximo até que um dia cometa um erro que não gostaria. Enquanto isso o príncipe William e a princesa Kate Middleton se divertem com Jay Z e Beyoncé, Lebron James segue fazendo suas cestas e o Cleveland Cavaliers segue vencendo seus jogos. Seja no Brooklyn ou em qualquer outro lugar da América, contra qualquer outro time. Até que um dia outro policial irá exagerar na dose, depois é claro que centenas de outros criminosos fizerem suas vítimas e forçarem os policiais e agirem com a agressividade exagerada que o mundo agressivo lhes obriga a fazer. Não se trata da questão de que um erro justifica o outro, se trata de milhares de erros que forçam o outro.

Drama, tragédia e tristeza do 76ers


Difícil de acreditar, mas os grandes campeões Los Angeles Lakers e Boston Celtics, que outro dia mesmo estavam decidindo o título da NBA, estão fazendo uma péssima campanha nesta temporada. Ambos tem apenas quatro vitórias até agora, com 13 e 10 derrotas respectivamente. Não são os únicos que vão mal, Detroit, Minnesota e até o New York Knicks também não conseguiram vencer mais do que quatro jogos. E times como Oklahoma City Thunder e Utha Jazz só venceram cinco e perderam mais de dez. Mesmo assim, como se já não fosse trágico, um outro time conseguiu ser ainda pior que todos esses que vão de mal à pior. O Philadelphia 76ers conseguiu a façanha de, até agora, não vencer nenhuma partida das 17 que disputou.

Se não fosse o Philadelphia Phillies em 2008, muitos iriam falar que a "Maldição de Billy Penn" estaria fazendo mais do que evitar que os times da cidade pudessem ser campeões depois de 1987. Por sorte, a estátua do fundador da cidade está la no alto, no topo, no ponto mais alto da cidade mais populosa da Pensilvânia. O 76ers não vê a cor do caneco desde 1983, mas ficar longe de uma conquista é quase que uma tradição na cidade com mais de 1,5 milhão de habitantes. O próprio Phillies antes de 2008 só havia vencido a World Series em 1980. O Eagles conquistou seu último título em 1960 e Flyers festejou pela última vez em 1975. Exceto por um ou outro herói, a vida na Filadélfia é sempre assim, sofrida mesmo.

Rocky Balboa, só assim mesmo para que a Filadélfia pudesse ser lembrada de uma forma digna. A capital dos Estados Unidos era na Filadélfia. E ainda deveria ser, afinal foi ali que assinaram a declaração da Independência, mas não, eles mudaram para Washington. Fazer o que! Até o Will abandonou a Filadélfia e se mudou para Bel Air, foi morar com os tios, foi em busca de uma vida melhor. Tina Fey saiu de Upper Darby, rumou para a "quase" vizinha Nova York. A terra natal de Grace Kelly, que a abandonou e foi virar princesa em Mônaco. Nem mesmo Allen Iverson seguiu por lá, nem quando o time o revelou e nem mesmo quando de volta o aceitou. E mesmo sendo do jeito que era, está fazendo falta, o Philadelphia 76ers suplica por dias melhores, dias de Allen Iverson, dias em que pelo menos uma ou outra vitórias pudesse ser alcançada.

Pela frente vem o atual campeão San Antonio Spurs. Eles não tem Tim Duncan e nem Tony Parker, e assim o 76ers consegue jogar mais do que vinha jogando. A chance parece grande e única, mas Kawhi Leonard faz o favor de acabar com qualquer esperança de se ver um pôr do sol tranquilo em feliz em Fishtown ou Port Richmond. Às margens do Rio Deleware, rumando para o norte, em busca de dias melhores. Dezessete jogos e nem ao menos uma única vitória conquistada. A tragédia é grande e devastadoras, e nem mesmo assim é a pior de todas. Inicios ruins como este já aconteceram antes, com o Clippers de 1998 que também perdeu as 17 primeiras partidas, ou o Heat que fez o mesmo em 1989. Mas já conseguiram fazer ainda pior.

Na temporada de 2009-2010, o Nets abriu com zero vitórias e 18 derrotas. Agora o 76ers enfrenta na próxima quarta-feira a equipe do Minnesota Timberwolves para igualar essa façanha inacreditável. E se assim o fizerem, a tristeza da triste Filadélfia pode aumentar ainda mais. Os recordes negativos podem continuar sendo quebrados e a sua pior campanha, que aconteceu em 1973 quando venceu apenas nove jogos e perdeu 73, pode ser igualada ou superada. Sem falar nas 26 derrotas consecutivas que a equipe alcançou em um meio de temporada. As coisas não estão nada fáceis na Filadélfia e podem ficar ainda piores, ao menos que Brett Brown faça com que seus jovens e péssimos jogadores alcancem o milagre de vencer pela primeira vez na temporada 2014-2015 da NBA.

Campeão após 23 de anos de espera

A última vez fazia tanto tempo que a União Soviética ainda existia. O então presidente Fernando Collor de Mello ainda não havia sofrido Impeachment e a moeda corrente no Brasil era o cruzeiro. A RedeTV! ainda era a hoje extinta TV Manchete, a Coca-Cola mandava no futebol brasileiro sendo patrocinadora de 15 dos 20 clubes da série A na época e o jogo Street Fighter fazia o maior sucesso com Ryu e Ken. "Hadouken"! foi em 1991 e foi na Fórmula 3 inglesa. A última vez que Rubens Barrichello havia conquistado um título em sua até então prestigiada e promissora carreira.

Rubinho, como ficara conhecido, era imbatível no Kart e conquistou cinco títulos nacionais. Ele faturou também, antes da Fórmula 3, o título da Fórmula Opel. Barrichello não dava chances, no início de sua carreira, para pilotos como David Coulthard, e assim chegou com prestígio e confiança na Fórmula 1. Mal sabia ele, no entanto, que estava dando adeus à conquistas por longos e intermináveis 23 anos que viriam pela frente. Não adiantou nada ser o recordistas de GP´s disputados e ter ido para a Fórmula Indy. Rubinho só voltou a ser campeão quando entrou para a acolhedora e salvadora da pátria Stock Car Brasil.

Os anos de fracasso ao longo da carreira, aliados à intensa necessidade dos brasileiros e da Rede Globo de verem um novo ídolo após a morte de Ayrton Senna, levaram Rubens Barrichello à viver em um mundo de cobrança e chacotas durante seu período de Fórmula 1. Rubinho era peão de tabuleiro quando teve a chance com um bom carro na Ferrari, vivia à sombra de Schumacher e se lamenta até hoje por ter seguido as regras à risca. Mal sabia ele, porém, que a maior chance de todas viria em 2009, na Brawn, quando tinha um carro totalmente acima dos demais e quando teve de ver Jenson Button (um tipo de Barrichello inglês) ficar com o troféu de campeão que tanto sonhava levantar.

"Rubinho correu sozinho e chegou em segundo". Pobre Rubinho, seu maior defeito não é ser um piloto mediano e sim torcer para o time que torce (mesmo defeito que tinha Senna!). Brincadeiras daqui e sarros dali, a força para seguir vem da família e fãs admiradores de seu carisma inegável. Como comentarista na tal Rede Globo vai mal pelo lado desajeitado e bem, por outro lado, por conhecer a maioria dos entrevistados e falar bem em inglês. Não adianta, acaba demitido porque ninguém consegue conviver com Galvão Bueno e ninguém consegue seguir as regras dessa emissora ditadora. Deixa quem quiser falar Red Bull falar, parem de abreviar para RBR.

Em 1991 o Michael Jordan estava apenas começando a sua carreira no basquete da NBA. O Rogério Ceni era reserva do reserva de Zetti e também estava apenas começando a sua trajetória que ainda nem acabou. Aos 41 anos o goleiro do São Paulo renovou e aos 42 anos enfim Rubinho o grito de campeão soltou. O campeonato é uma porcaria, quem liga para a Stock Car Brasil? ... No Mundo? Mas a essa altura da vida, com 42 anos de idade, com apoio da família, dos amigos e cheio de dinheiro no bolso, ta valendo. A vida inteira sofrendo com tirações de sarro, que provavelmente não irão acabar, mas talvez diminuam. Porque acreditem todos ou não, o Rubinho é campeão.

"Era melhor ter ido ver o filme do Pelé"

Ironicamente, ou não, Pelé está hospitalizado e causando apreensão por sua saúde em todo o mundo. A frase "Era melhor ter ido ver um filme com o Pelé" foi eternizada por um de seus fãs mais ilustres, Roberto Gómez Bolaños, o super comediante Chespirito, o eterno herói atrapalhado Chapolin e o inesquecível garotinho do número 8 Chaves, que faleceu aos 85 anos neste sexta-feira, 28 de novembro de 2014. Ele se foi, para encontrar os velhos conhecidos Ramón Valdés e Angelines Fernández, e deixará muitas saudades para um legião de fãs e admiradores de seu trabalho, principalmente no Brasil, onde faz sucesso desde 1984 quando seus programas de TV passaram a ser exibidos pelo SBT.

Além de um fã incondicional de Pelé, de quem recebeu uma ligação ainda na década de 1970, para ser convidado a fazer um filme com o "Rei do Futebol" (o qual teve de recusar por achar que seus personagens eram apenas para a TV e não para as telonas grandes), Bolaños também era um fervoroso e apaixonado torcedor do América do México. Em 'El Chanfle' ele interpreta um roupeiro da equipe do América do México, na película lançada em 1979. Enquanto isso Carlos Villagrán (que fez Kiko, em Chaves) é Valentino, o grande astro do time. Já Ramón Valdez (o Seu Madruga) faz o papel do técnico da equipe, Moncho Reyes.

Antes de cursar faculdade de Engenharia, Bolaños chagou a ser campeão de boxe na escola e jogador reserva em um time de futebol do México.

A goroto do número 8, que morava em um barril na Vila mais famosa da TV que não tinha nenhuma casa número 8, vai deixar muitas saudades. Um admirador dos esportes que adorava chutar sua bola gigante e fica eufórico quando o assunto era futebol. O grande gênio Roberto Gómez Bolaños, criador de inúmeros personagens e roteiros e intérprete da maioria de suas criações. Ele fará muita falta, mas jamais será esquecido. Mais um grande nome do século XX que diz adeus. "E agora? Quem poderá nos defender?".