terça-feira, 25 de novembro de 2014

O ano de 2015 está chegando e muitas coisas nem de longe estão de acordo com aquele ano de 2015 do filme "De Volta Para o Futuro II" (1989). Não temos nada próximo à carros que voam. Não temos nada próximo a um sistema judiciário rápido e eficiente sem a interferência de advogados. Até o Hoverboard, o skate voador, ainda é apenas um teste e certamente não estará sendo usado no ano que vem como mostrou o filme. Mesmo assim, o filme não deixa de ser sensacional e talvez só tenha antecipado um pouco coisas que de fato vão acontecer, sendo que muitos ainda mantém as esperanças de que outras possam realmente acontecer, mesmo que não seja exatamente como o filme mostrou.

São inacreditáveis mais de 100 anos de jejum. A última vez, em toda a história do esporte, que o Chicago Cubs venceu a World Series da MLB foi em 1908, depois de também ter sido campeão em 1907. Tudo porque a equipe sofre com a chamada "Maldição de Billy Goat". A maldição da cabra, do bode ou da cabrita, porque Goat foi ao Wrigley Field com seu animal de estimação, inclusive com ingresso comprado para o mesmo, mas acabou sendo convidado (obrigado) a se retirar antes do final da partida que era válida pela World Series daquele ano. Irritado ele jogou a maldição, o time jamais venceria novamente e foi exatamente isso que acabou acontecendo.

Bob Gale e Robert Zemeckis talvez estivessem apenas brincando. Quem sabe a ideia partiu de Steven Spielberg que também brincou com uma suposta 19ª franquia do filme "Tubarão". Mas quem sabe eles tenham profetizado como um Nastradamus maluco dos esportes. Marty McFly se surpreende ao ver a notícia no telão virtual do meio da praça. O Chicago Cubs venceu a World Series de 2015. Era o dia 21 de outubro e velhote que lhe pede dinheiro para o relógio da torre como já haviam lhe feito o mesmo em 1985 durante o filme um diz: "Ah se eu pudesse voltar no tempo e colocar algum dinheiro no Cubs". E o Marty podia fazer isso, comprar o almanaque dos esportes e mudar a sua vida para sempre. Que boa ideia para o Biff Tannen.

Em 2011 o Chicago Cubs contratou Theo Epstein para ser seu novo presidente operacional. Epstein foi um dos principais responsáveis pelo título do Boston Red Sox de 2004, ano em que a equipe colocou fim em um jejum de 86 anos devido à "Maldição do Bambino". Isso faz com que as esperanças dos torcedores do Cubs tripliquem, mesmo que as chances seja de uma pra 100 como diz no filme. Mesmo porque o filme não pode acertar tudo, já que não tem como ser uma varrida em cinco jogos, pois desta forma seria uma melhor de nove e não uma melhor de sete como é atualmente. Sem falar que o rival da final no filme será o Miami Marlins, time da mesma liga que o Chicago e portanto impossibilitado de enfrentá-lo na World Series. Mas o que impota é acertar apenas uma previsão, somete a de campeão.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Se por algum acaso você nunca viu o filme "Curtindo a vida adoidado" (Ferris Bueller's Day Off) de 1986, recomendo que o faça com urgência. Se trata de um grande clássico dos anos 80, da sessão da tarde e certamente da infância ou juventude de muitos daqueles que hoje estão entre os 30 e 40 anos. Acredito que talvez hoje o impacto não seja o mesmo de assistir na época em que foi lançado, principalmente depois de ver Matthew Broderick brigando com o Godzilla, Alan Ruck fazendo figuração em um ônibus que vai explodir ou Mia Sara sem aquele beleza toda que encantava, mas mesmo assim ainda deve valer à pena. Principalmente se soubermos a verdadeira história por trás da camisa vermelha que era usada por Cameron Frye.

Para quem não conseguiu reparar, era uma camisa de hóquei no gelo. Robin Scherbatsky iria adorar essa história. Porém, apesar da história se passar na cidade de Chicago, a camisa não é do Chicago Blackhawks e sim do Detroit Red Wings. Como assim? E atrás, além de um grande número 9, está escrito também, em letras não muito menores, Howe. E quem seria esse tal Howe do Red Wings? Ninguém menos do que Gordie Howe, um dos maiores jogadores do time e também de toda a história da NHL. Quase 2000 jogos e mais de 2000 gols! O cara conseguiu a façanha de se aposentar duas vezes, sendo que na segunda vez, em 1980, ele tinha nada a menos do que 52 anos de idade.

E por que Cameron Frye usava em Chicago uma camisa do Detroit Red Wings, de um jogador que na época já havia se aposentado? Uma das explicações é que o diretor do filme, o gênio desse tipo de filme John Hughes, nasceu em Michigan, estado cuja maior cidade é Detroit, que por sua vez não fica muito longe de sua cidade natal Lansing. Ele nasceu em 1950 e Howe começou a jogar em 1946, provavelmente era o seu fã nos anos de 1960 e 1970. Além disso, durante uma entrevista para a Sports Illustrated, Gordie Howe afirmou que enviou a tal camisa vermelha do Red Wings para Hughes, para que ela pudesse ser usada no filme. A única dúvida, no entanto, se da por conta de que a camisa não era totalmente perfeita para ser verdade.

Não que se duvide da palavra de Howe, mas talvez nem ele tenha mais uma camisa como a de Cameron Frye. A camisa é completamente diferente de qualquer camisa que o Detroit Red Wings já viu em toda a sua história desde 1926. Começando pelo logo da equipe que está um pouco acima do lugar de costume, sem falar que está cerca de 60º inclinado para baixo, ou seja, as asas não são em linha reta e sim em diagonal. A roda também não é perfeita, faltam algumas listas vermelhas. A gola da camisa oficial sempre foi vermelha, mesmo nas camisas vermelhas. A faixa branca não é tão alta e quase sempre está no final da camisa. Sem falar que Howe jamais usou uma camisa com seu nome nela, os nomes só começaram a ser usados em 1977 e Howe saiu do Detroit em 1971.

Uma camisa verdadeira e raríssima enviada pelo próprio jogador ou uma simples falsificação comprada logo ali na esquina da Wyoming com a Plymouth? Não importa, o que importa é que na grande Chicago, em um dia de sol com direito a idas em museus e restaurante caros, Cameron ignorou a excelente campanha que o Chicago Black Hawks fizera naquela ano na temporada regular e foi, descaradamente, ao Wrigley Field, assistir a um jogo de beisebol do Chicago Cubs vestindo a camisa do Detroit Red Wings. Sorte dele e de Ferris terem saído vivos de lá. A Ferrari acabou toda destruída e até hoje não sabemos o que aconteceu com Cameron e seu pai, mas agora pelo menos sabemos um pouco mais sobre a camisa vermelha de Cameron Frye em "Curtindo a vida adoidado".

domingo, 23 de novembro de 2014

Ganhar um beijo de Nicole Scherzinger deve ser bom mesmo que ele seja no capacete! A festa é com a família, a equipe e os amigos mais próximos logo após sair do carro em Abu Dhabi. O circuito de Yas Marina ficou pequeno, porque Lewis Hamilton é o grande campeão da Fórmula 1 em 2014. O ano que a equipe Mercedes dominou completamente como a muitos e muitos anos atrás fazia. Desde de a era histórica e marcante de Juan Manuel Fangio até o seu retorno recente à categoria máxima do automobilismo após uma ausência que deixou saudades. Não teve para ninguém, nem para a Red Bull e tão pouco para a Ferrari. Da McLaren não se viu nem a sombra e até a Williams conseguiu aparecer um pouco mais. A velha história de apenas um carro dominando? Isso não significa que as emoções ficaram de lado, pelo menso para quem gosta muito.

Tudo bem. Foram uma ou duas corridas realmente emocionantes ao longo do ano. Foram apenas três etapas em que um piloto vencedor não foi da equipe Mercedes, sendo que nas três o triunfo foi de Daniel Ricciardo. Mesmo assim Lewis Hamilton e seu companheiro de equipe Nico Rosberg mantiveram a disputa pelo título aberta até a última corrida do ano, e assim seria mesmo que esta última corrida não tivesse a pontuação dobrada. Os nervos estavam à flor da pele, Hamilton via uma possibilidade de perder a taça, mas tudo não passou de apenas um susto. Rosberg deu adeus à qualquer chance quando fez uma péssima largada e mais tarde sairia completamente da disputa quando sua Mercedes lhe deixou na mão pela terceira vez no ano.

O risco de perder seu segundo título na carreira pela bizarra dobra de pontos da última etapa seria decepcionante para Hamilton que festejou de mais com a bandeira do Reino Unido. O título foi mais do que merecido, afinal o inglês venceu mais vezes, venceu quatro atapas seguidas no início do ano e cinco no final. Venceu seis em sete provas. Rosberg jamais em todo o ano conseguiu duas vitórias seguidas. Só não foi mais fácil para Hamilton porque ele abandonou três vezes e foi terceiro duas vezes seguidas. Se não fosse isso o título poderia ter sido garantido até com antecedência sem qualquer ameaça do dobro dos pontos da etapa final.

A Fórmula 1 do motor turbo mudou a cara dos últimos quatro anos. Mas não mudou a cara da Fórmula 1. Salvo algumas exceções, claro, a Fórmula 1 sempre foi mais o carro do que o piloto. Os pilotos de um modo geral são todos excelentes, alguns fazem um pouco a diferença, mas isso no final do campeonato só faz diferença se os carros se equipararem. Como Sebastian Vettel em 2010, por exemplo. Talvez como Hamilton em 2014 também. O inglês só perdeu o título em 2007 pela falta de experiência, era o seu ano de estreia, mas a forma como correu neste domingo em Abu Dhabi provou que a pressão já não faz tanta diferença. O título da Fórmula 1 de 2014 terminou merecidamente nas mãos de Lewis Hamilton.
Ainda estou tentando entender o que eram aquelas alegorias e adereços no calçado de Chris Algieri. O americano tinha um cartel de respeito, eram 20 lutas, nenhuma derrota e oito knockouts. O problema dele, no entanto, era que do outro lado do ringue estava ninguém menos que o filipino Manny Pacquiao. Em Macau, na China, que horas da tarde eram por lá quando o combate começou? Eles esqueceram de avisar o pugilista dos Estados Unidos que ele precisava entrar no ringue para que a luta pudesse ser iniciada no primeiro round. Respeitar um rival com um currículo como o de Pacquiao é o mínimo que se pode esperar, mas não precisava respeitar tanto assim!?

Quantas vezes Algieri esticou as mãos para tocar as luvas do filipino em um gesto de cordialidade? Talvez mais do que tenha socado a cara do adversário, no primeiro round nem tentar um soco ele foi capaz de tentar. Em seguida ele iria escorregar no ringue e ver o fraco e perdido juiz abrir contagem. Mais tarde experimentar os poderes e a grande força da gravidade se tornariam mais do que uma realidade e rotina em sua vida de alegorias e adereços no calçado. Algieri, naturalmente, acertaria um ou outro golpe em Manny Pacquiao, mas ao longo de 12 e intermináveis rounds o seu sofrimento seria maior do qualquer um que já imaginou que viveria um dia.

Pacquiao está com 35 anos. Não vive o auge de sua carreira e recentemente sofreu duas derrotas seguidas. Mesmo assim ele mostrou na noite do último sábado que a velha vitalidade ainda pode lhe render frutos dos quais sempre sonhou colher. Recuperar cinturões, manter cinturões. São 57 lutas, cinco derrotas e dois empates. Não é uma questão de ganhar mais ou menos dinheiro. Agora é uma questão de honra, é uma questão de fazer a história acontecer. Tudo que o mundo quer agora em 2015 é Manny Pacquiao contra Floyd Mayweather Jr., a luta do século, a luta do milênio, a luta que finalmente pode dividir uma era de ouro dos meio-médios do boxe.