Portugal é campeão pela primeira vez

Uma substituição no primeiro tempo de jogo não é muito comum. Se for um jogo com possibilidades de prorrogação e pênaltis, muito menos. Mesmo assim Quaresma foi chamado e entrou na grande decisão da Eurocopa de 2016. Na sua cabeça um corte de cabelo diferente, era o desenho de uma pena. E era uma pena mesmo os motivos para que o o técnico Fernando Santos tivesse que queimar uma substituição tão cedo. O grande astro, a grande estrela, as grandes esperanças portuguesas saindo de maca debaixo de muitas lágrimas. Cristiano Ronaldo sofreu uma falta duríssima, foi atingido no joelho e não teve mais jeito. Até então a França dominava completamente, e então a história mudou teoricamente.

Como Portugal foi campeão é uma pergunta tão difícil de responder como aquela que questiona a forma como Portugal conseguiu chegar na grande decisão. O regulamento da Eurocopa desse ano mudou e trouxe mais seleções do que nunca, e naturalmente mais chances de classificação para a segunda fase. Era uma receita italiana da Copa do Mundo de 1982, se classificar com três empates na fase de grupos e terminar com o título de grande campeão. Mas Itália é uma das maiores e mais vitoriosas seleções de todos os tempos. Será que Portugal poderia fazer esse prato MasterChef mesmo sem seu grande jogador na grande final?

Não demora muito e a França melhora novamente. Enquanto isso Portugal apenas se defende. Portugal chegou na grande decisão da Eurocopa aos trancos e barrancos. Portugal foi se arrastando, foi empatando e aos poucos ia decolando. Sem Itália e Alemanha pela frente, empatar com os anfitriões na final deixava todos crentes. Aquela sorte de campeão também ajudou muito, de um lado da chave estavam todas as seleções europeias que já ganharam Copas do Mundo, do outro não havia nenhuma. A Holanda, que poderia dar trabalho, nem na Eurocopa estava. A gasolina de País de Gales acabou e Portugal chegou. Empatando ou vencendo na prorrogação, não importa, o que importa é que Portugal está lá na final.

E se lá na final eles estão, então por que não sonhar mais alto, mesmo sem Cristiano Ronaldo. Porque se o craque do Real Madrid não pode fazer sua parte, Rui Patrício faz a dele. O goleiro português fechou o gol e merece até uma estátua em Lisboa, ou seria melhor construir uma muralha com seu nome escrito nela? E se o guarda metas da terrinha não consegue segurar a pelota, a trave faz o seu papel e deixa Griezmann com a mesma sensação de quase ter chagado lá como fizera na final da Champions League. O francês pelo menos terminou como artilheiro da competição e foi obrigado, mais uma vez, a ver CR7 levando mais uma troféu, agora com sua seleção, do jeito que Messi não consegue fazer.

Lágrimas em campo, tristeza nas arquibancadas do Stade de France, em Saint-Denis, a 11km de Paris. Na torre Eiffel até agora ninguém sabe o que aconteceu, principalmente depois de ter feito o mais difícil que era ter passado pela Alemanha. Às margens do rio Sena todos viram Éder se tornar o herói, do mesmo jeito que Portugal caminhou nessa Eurocopa, com dificuldades, aos trancos e barrancos, cambaleando até desferir o chute despretensioso e inesperado, pegando o goleiro desligado e fazendo balançar as redes que insistiam tanto em não ver a cor da bola. A grande e angustiante espera enfim terminou, desde a cruel derrota em 2004 até a quase improvável consagração em 2016. Portugal é campeão pela primeira vez.

O caminho aberto para Andy Murray

Mais uma vez Rafael Nadal está fora de um torneio de Grand Slam por lesão. O espanhol não consegue mais impor seu jogo nem no saibro, imagina só na grama. Desta forma se torna cada vez mais possível que talvez nunca mais vejamos Nadal no topo novamente. A nova geração ainda não apareceu com vigor, então o mais fácil é voltar os olhos para quem parece querer papar tudo como sempre. Novak Djokovic vem mais uma vez com aquela sede de fazer história, ele quer muito vencer os quatro título de Grand Slam no mesmo ano. A motivação aumenta ainda mais em ano de Olimpíada. O sérvio, no entanto, só não esperava ver o surgimento de um Sam Querrey no seu caminho. Um caminho que certamente o levaria para a grande decisão, mas aos poucos ele foi sendo aberto para que Andy Murray pudesse passar.

A saga americana para no seu vizinho de tanto anos. Querrey caiu para o canadense Milos Raonic e este fez a sua parte em abrir o caminho de Murray. A vitória foi sofrida, mas contundente diante do suiço Roger Federer. Sem Nadal lesionado e sem Djokovic derrotado, a esperança ficava para ver o maior vencedor de títulos de Grand Slam vencendo um Grand Slam novamente, quem sabe fazer o que Serena Williams consegue fazer aos 34 anos de idade, mas não será desta vez. A Federer resta o consolo de chegar em mais uma semifinal. O caminho vai sendo aberto, todos vão fazendo sua parte, mas isso não significa necessariamente que a taça vai cair no seu colo. Andy Murray também precisa abrir um pouco o caminho da glória.

Nunca é tão fácil como parece, mas Andy Murray estava passeando na grama sagrada de Wimbledon e superava seus adversários sempre por três sets a zero. Tudo isso até as quartas de final, quando um francês apareceu no seu caminho. Jo-Wilfried Tsonga dificultou de uma maneira tão grande que fez o escocês perder seus dois primeiros e únicos sets em toda a competição. Depois, com a cominho aberto pelos rivais e por que não por eles mesmo, ficou fácil superar outros adversários até a grande consagração na decisão.

Mais uma vez com a mãe Judy Murray sorrindo e aplaudindo da arquibancada. Esse ano ela dividiu sua atenção com os jogos de duplas do outro filho Jamie Murray, que jogava ao lado do brasileiro Bruno Soeres. Sua namorada Kim Sears também ajudava a embelezar a torcida que via um mundo de VIP´s aplaudir cada grande jogada na quadra central do All England Club. Estavam lá também o príncipe William e Kate Middleton. Também foram o ator e Bradley Cooper e Irina Shayk. Hugh Grant reforçava a torcida britânica e todos eles viram de perto a segunda conquista de Andy Murray em Wimbledon, com o caminho aberto para a felicidade e uma pequena amostra de que a Grã-Bretanha segue forte e unida, mesmo fora da União Européia.

Serena Williams iguala Steffi Graf

Um voleio na rede e uma vibração contagiante. Serena Williams havia fechado o primeiro set em 7-5 para evitar mais uma disputa no tie-break. Neste torneio de Wimbledon de 2016 era a primeira vez que sua adversária, a alemã Angelique Kerber, perdia um set. Não estava nada fácil, a rival havia lhe amargado uma derrota frustante no Aberto da Austrália em janeiro. Muitos acreditavam que a gasolina de Serena havia acabado após a derrota antes da hora no US Open do ano passado, quando perdeu a grande oportunidade de ganhar os quatro Grand Slams no mesmo ano. Em Roland Garros ela sucumbiu na decisão mais uma vez, diante de Garbiñe Muguruza, a última adversária vencida em uma final de Grand Slam quando conquistou este mesmo torneio de Wimbledon no ano passado.

Serena sabia que ainda poderia ir mais longe. Ela sabe que a nova geração do tênis feminino não é tão forte e consistente como fora a sua, iniciada a tantos anos no final da década de 1990. Aquela primeira conquista em 1999 na cidade de Nova York, o início de uma longa jornada que a faria se tornar uma das maiores vencedoras de todos os tempos. Em mais de 15 anos ela jamais havia sido derrotada em duas finais seguidas de Grand Slam. E não seria dessa vez que ela iria perder três vezes seguidas pela primeira vez. Kerber não havia perdido nenhum set até então, e acabou perdendo dois seguidos no momento decisivo.

Serena Williams chegou então ao seu 22º título de Grand Slam na carreira e iguala Steffi Graf finalmente. Aos 34 anos de idade ela parece não esboçar qualquer vontade de encerrar a carreira. Agora ainda mais, depois de ver a irmã aos 36 fazer um excelente torneio e ainda vencer ao seu lado o torneio de duplas que não venciam desde 2012 na grama sagrada de Wimbledon. A americana chega ao topo do mundo mais uma vez e faz o que Roger Federer gostaria de estar fazendo. Até onde mais poderá ir Serena? Se tornar a maior vencedora de todos os tempos? Estabelecer um recorde que jamais poderá ser alcanmçado? Finalmente ser chamada de a melhor do mundo? Jogar até os 40 anos? Tudo é possível para a máquina vencer chamada Serena Williams.

O que Gretzky tem haver com golfe?

Recentemente o ex-jogador de futebol Pelé recebeu a Ordem Olímpica, que é uma honraria oferecida pelo COI a grandes nomes do esporte mundial. Pelé é considerado por muitos como o maior jogador de todos os tempos, alguns o chamam até de atleta do século. Muitas pessoas conhecem e sabem quem foi Pelé, mas isso não acontece com outros grandes nomes do esporte mundial. Poucos já ouviram falar ou sabem quem foi Babe Ruth, uma das maiores lendas do beisebol. No boxe, a recente morte de Muhammad Ali repercutiu em todos os cantos, mas ninguém citou o relembrou quem fora Rocky Marciano, um lutador que jamais perdeu nos pesos pesados.

Lendas do beisebol e do boxe pouco conhecidas ou reverenciadas. Se partirmos para o hóquei no gelo então, a coisa fica mais complicada ainda. Ruth e Marciano deveriam ser como Pelé, e Wayne Gretzky também. O maior jogador de hóquei no gelo que a NHL já viu em toda a sua história de mais de cem anos. Gretzky é quase um Deus para os amantes do hóquei no gelo. Sidney Crosby apenas sonha em ser um Wayne Gretzky, ou alcançar um reconhecimento semelhante. E se Wayne Gretzky não consegue um reconhecimento mundial no nível do Pelé, imagina só uma filha sua que tenta ser cantora, atriz e modelo?

Sim, Wayne Gretzky teve filhos e sua filha mais velha não iria deixar de usar seu sobrenome, mesmo que não seja um sobrenome tão reconhecido como um apelido do tipo Pelé. Paulina Gretzky desistiu da faculdade e gravou um disco de músicas. Ela também se arriscou nas telonas, participando do filme "Gente Grande 2". E com um corpo esbelto e uma beleza única, não poderia deixar de ser modelo também. Com 27 anos de idade, a gata saiu nas páginas da revista em um ensaio que não tinha muito haver como hóquei no gelo, mas sim com golfe. E só mesmo assim para entender o que Gretzky tem haver com golfe.

O mundo descobre Paulina Gretzky e faz a ligação de Gretzky com o golfe graças a Shane Lowry. Mas quem é Shane Lowry? Talvez ele seja a versão Dustin Johnson do ano passado. Não estamos na NHL, apesar do Gretzky, mas sim no US Open de golfe, um dos quatro maiores torneios de golfe do mundo. Wayne Gretzky não está jogando e nem assistindo no Oakmont Country Club, em Oakmont, Pennsylvania. Mas Paulina Gretzky e seus cabelos louros estão lá. Ela está lá porque é a esposa e mãe do filho de Dustin Johnson, e espera que o marido não perca a chance que Shane Lowry está lhe dando. Ironicamente do mesmo jeito que ele deu a Jordan Spieth no ano passado.

Desta vez Spieth está lá para trás, em 37°, e não é uma ameaça. Desta vez quem está lá na frente é Shane Lowry, com nada a menos que sete tacadas abaixo do par. Mas ele entra em colapso e abre uma avenida para Dustin Johnson avançar suavemente, como se estivesse deslizando sobre o gelo de uma quadra de hóquei. O trabalho foi feito ao longo da competição e quatro abaixo do par já é o suficiente, mesmo com a polêmica no green do buraco cinco. Dustin Johnson é campeão de um major pela primeira vez na carreira aos 31 anos, muito pouco para querer ser um Pelé, Ruth, Marciano ou Gretzky. Mas como a comemoração é com um beijo na sua esposa Paulina Gretzky, podemos dizer agora que Gretzky tem tudo haver com golfe.

Cleveland Cavaliers finalmente é campeão

nba, celveland, lebron james, net esportes
E então Kyrie Irving fez o que ninguém estava conseguindo fazer nos últimos quatro minutos de jogo, ele acertou a cesta. Ironicamente foi uma bola de três pontos, aquela que custa cair quando arremessada pelo Cleveland Cavaliers. Do outro lado, os especialistas e recordistas de bolas de três pontos, continuavam errando como nunca e cavando sua própria cova para um sepultamento coletivo dentro de sua própria morada, já quase esquecida e pronta para ser deixada para trás. Os segundos preciosos no relógio iam se esvaindo e a bola foi parar nas mãos daquele que já vinha fazendo o milagre acontecer. Os números impressionantes já o colocavam com chances de ser MVP mesmo sem o grande título. Com o anel entre os dedos tudo se tornou mais fácil e lógico.

Apenas três pontos de vantagem com dez segundos no relógio é muito pouco para dizer que tudo está garantindo. Principalmente quando se está jogando contra uma equipe especialista em bolas de três pontos. A chance de prorrogação é eminente e os fãs apaixonados, aqueles que não torcem para ninguém e adoram ver a coisa pegar fogo em um jogo sete de uma final, já estão contando com a possibilidade de continuar desfrutando do melhor basquete do mundo. Eles só não esperavam que a bola iria parar na mão do jogador mais valioso das finais. A bola decisiva do jogo decisivo está pronta para ser arremessada em direção à cesta e decretar a vitória certeira. Por sorte ele não tinha apenas uma chance, e sim duas grandes oportunidades de finalmente dar ao seu povo a sua maior alegria.

Não foi exatamente como Michael Jordan e sua ceta espetacular de três pontos no últimos segundos para ser campeão em 1998. Não foi a enterrada monstruosa que poderia ter rendido dois pontos, mas foi tão decisivo e determinante quanto a própria cesta que Irving havia acabado de fazer. Eram duas chances porque eram dois simples arremessos de lances livres. Como Pelé marcou o seu gol de número mil cobrando pênalty, para que todos pudessem estar atentos e não deixarem de ver o grande feito. Mas tinha que ser dramático, tenso e emocionante. A primeira bola não caiu e a temida vantagem de apenas três pontos permanecia. Na segunda veio o alívio, mais um ponto para o Rei Lebron James e enfim o caixão do Golden State Warriors estava fechado. A última bola finalmente caiu e o fantasma foi exorcizado.

Jamais, em uma série final da NBA, um jogador havia marcado 208 pontos com 79 rebotes e 62 assistências. Com dois jogos seguidos marcando 41 pontos, um feito de Shaquille O'Neal no ano 2000, o MVP das finais de 2016 chegou a uma média de 29,7 pontos por jogo, a maior da história para um time campeão em uma série final com sete jogos. LeBron James chegou em 2003, deu a esperança ao torcedor de Cleveland que chegava a mais de 50 anos sem ver uma equipe da cidade se tornar campeã em qualquer esporte que seja. Mas ele foi embora para ser campeão em Miami e se tornou um grande vilão. Com dois anéis, alegrias para Dwyane Wade e Chris Bosh, a hora de voltar enfim havia chegado. Havia também uma promessa para ser cumprida, alcançar uma glória que talvez ninguém pudesse imaginar o quão difícil seria.

Se não tem um San Antonio Spurs ou um Dallas Mavericks, então surge um Golden State Warriors pela frente para frustar seus sonhos e desejos. A guerra é perdida, mas a esperança é sempre renovada. Sem Kyrie Irving, Kevin Love ou qualquer outra peça fundamental, não seria possível, mas se o time conta com a liderança de LeBron James, ele estará na grande final. Assim é a NBA dos últimos anos, seja com Miami Heat ou com Cleveland Cavaliers. O problema era que só chegar na final não era suficiente. Ele precisava acertar a última bola e cumprir a promessa. Ele voltou com um só objetivo e o Golden do espetacular Stephen Curry não poderia estragar seus planos mais uma vez. A última bola então caiu, o último jogo então foi vencido. O Cleveland Cavaliers, com LeBron James MVP, do jeito que deveria ser, finalmente se torna campeão da NBA.