sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Jovem tenista surpreende no US Open 2014

No tênis, um convite para participar de um torneio através do Wild Card fica a critério dos organizadores de cada competição. Este ano, no US Open, decidiram que uma dessas vagas seria dada na chave feminina para a vencedora do torneio nacional americano destinado a jogadoras que tenham no máximo 18 anos de idade. Eles nem imaginavam, mas a vencedora acabou sendo uma jovem provável revelação do esporte de apenas 15 anos de idade. A disputa caseira não era vencida por uma tenista tão jovem desde que Lindsay Davenport o fez em 1991. Azar de Alicia Black, porquê Catherine Cartan Bellis, ou apenas CiCi Bellis, estava classificada para a chave principal do US Open de tênis, logo depois de sair do berço onde dormia tranquila!

Sua mãe Lori parte de volta para Atherton, na Califórnia. Ela não pode ficar para assistir a própria filha pessoalmente porque fica muito nervosa. O pai e alguns outros familiares e amigos seguem em Nova York para a estreia, muito provavelmente já pensando no discurso pragmático que faria tão logo o improvável se tornasse mais real do poderia parecer. Ela ainda é muito jovem, ainda é cedo pensar em profissionalização, em primeiro lugar deve-se priorizar os estudos e outras coisas do gênero. Mas CiCi Bellis já estava na boca do povo, já era trending topic no Twitter e muito requisitada para "selfs" em Flushing Meadows. Tudo porque ela havia feito história.

Não acontecia desde que Anna Kournikova alcançou o feito no ano de 1996. Três anos antes do nascimento de Catherine Bellis. Uma jovem jogadora de apenas 15 anos escrevia a história com sua beleza e encanto. Uma das grandes musas do tênis que só conseguiu títulos jogando duplas ao lado de Martina Hingis conseguiu naquele ano um feito extraordinário. Ela só foi derrotada na quarta rodada diante de Steffi Graf que seria a grande campeã de 1996, passando por Monica Seles na final. E quem diria que quase 20 anos depois uma jogadora de 15 anos pudesse vencer um jogo na chave principal da maior competição de tênis em Nova York? De forma incrível CiCi conseguiu.

E não foi contra uma adversária qualquer, ela derrotou Dominika Cibulková, uma jogadora que dentre um e outro bom resultado conseguiu chegar na final do Aberto da Austrália de 2014. O mundo a descobria e naturalmente a reverenciava já como uma grande fenômeno precoce do tênis. A mãe morria de nervoso do outro lado da país enquanto o pai despejava aos microfones tudo já havia pensado dizer. Os jornais estampam largas matérias para nova sensação americana e nem querem saber se Venus e Serena Williams estão vencendo suas partidas. Artigos na Wikipédia surgem em várias línguas e múltiplas páginas de novos fãs são criadas no Facebook. O sonho havia se tornado realidade, mas ele teve seu fim dois dias depois.

Parece até que foi ontem, mas foi em 2009 que o mundo também se encantou com outra jovem promessa americana: Melanie Oudin. A tenista que tinha então 17 anos surpreendeu a todos ao chegar nas quartas-de-final deste mesmo aclamado US Open, nestas mesmas quadras do Billie Jean King National Tennis Center. Depois disso jamais superou as primeiras rodadas de qualquer outro torneio de Grand Slam. No ano passado uma situação semelhante a deste ano: Victoria Duval e suas histórias incríveis sobre terremotos e sequestros no Haiti surpreende Samantha Stosur na primeira rodada e ganha seu destaque mundial. Ficou por aí, assim como Sloane Stephens, a "nova" Serena que não consegue nem ter chance diante da compatriota que idolatrava. Será que o mesmo acontecerá com Cici?

A TV americana volta suas transmissões para a quadra de número 17 na rodada noturna do quarto dia de disputas do US Open. Eles não querem nem saber se o Andy Murray está atropelando o Matthias Bachinger na quadra central Arthur Ashe. Eles só querem saber de CiCi Bellis, a nova sensação juvenil "profissional" que está chamando todas as atenções para si como o futuro do tênis feminino americano. Uma jogadora que entra em quadra com vontade e até surpreende sua jovem oponente fazendo inacreditáveis 6-0 na segunda parcial. Mas infelizmente Zarina Diyas está jogando Grand Slam desde o começo do ano, está com 20 anos de idade e está com mais experiência e bagagem. Assim ela sai vitoriosa, porém, só por ter chegado tão longe Cici também é vencedora. E quem sabe, ao contrário do que ocorreu com Oudin, Duval ou Stephens, ela possa voltar à Nova York muito mais e vezes e poder sair de lá com o tão sonhado troféu de campeã.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O início de uma nova era no golfe mundial

Em Louisville o tempo fechou, e o temporal desabou. Sergio Garcia faz sucesso no Vine, ele corre deseperado com seu guarda chuva pelos campos verdes encharcados do Valhalla Golf Club. Agora toda a programação da rodada final do PGA Championship está atrasada, e o jeito é esperar. E quem mais espera é quem estava melhor posicionado, tecnicamente ele se torna assim o mais prejudicado. Seus rivais se adiantam e estão abaixo do par, ele faz dois bogeys e é o único dos trinta primeiros colocados que está acima do par no dia. Ele ainda está entre os 30 primeiros, mas deixou de ser o primeiro como fora nos dois dias anteriores.

Rory McIlroy, no entanto, não se abate e mantém o foco que é primordial para um jogador de golfe. As nuvens negras ainda estão por todas as partes, mas a chuva não causa mais alarde. A grama ainda está molhada, mas a banca não está alagada. O norte irlandês chega então no buraco número dez e com ele está uma sorte que só os grandes campeões costumam ter. Um par cinco de 590 jardas, uma das poucas e únicas chances que um jogador tem para com seguir fazer a águia voar mais alto. Eagle no dez enquanto seus principais rivais que já o ameaçavam fazem bogey. Ele está de volta no jogo, mas um americano veterano e experiente segue na sua cola.

Phil Mickelson, uma verdadeira lenda viva do golfe que mesmo já estando com 44 anos de idade ainda pode surpreender. A última vez que venceu um torneio Major foi em 2013. Até o buraco 11 já havia feito cinco birdies, em uma apresentação de gala. As coisas iam muito bem, obrigado, pelo menos até o buraco 16, quando acabou fazendo um bogey. Ele jogava praticamente junto com McIlroy e Rickie Fowler, que também tinha chances. No último buraco eram os três últimos e sua terceira tacada no green foi a primeira do trio. A bola subiu e caiu de forma suave, rolou em direção ao buraco, um par cinco, e por muito pouco a águia não voa novamente. Birdie garantido apenas para que o final pudesse ser dramático.

Fowler fechou com o par no 18 e então chegou a vez de McIlroy. Ele estava na banca, mas a areia estava dura por causa de chuva e a atacada não foi difícil. Com um putt simples ele se aproximou do buraco e salvou o par para não perder um título que já era seu por mérito e muito merecimento. Quando a noite já caia sob a velha Kentucky e um playoff só poderia ser realizado no dia seguinte. Quando um jovem se tornou apenas o terceiro em todos os tempos do esporte a conquistar quatro títulos de Major´s com apenas 25 anos ou menos. O jovem Rory McIlroy, que se juntou a Tiger Woods e Jack Nicklaus, após ter ganho o Open Championship outro dia mesmo e quem sabe ter dado início a uma nova era na história do golfe mundial.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Como se todos os seus rivais estivesse lá

Já é sábado, dia 26 de julho de 2014, o fim de semana chagou, mas não é hora para descansar. Tony Martin estabeleceu um excelente tempo e ele precisa acelerar muito se quiser superar o campeão mundial. O esforço foi sublime, mas ficaram faltando quase dois minutos para ser o grande vencedor do dia. Tamanha dedicação e empenho nem eram tão necessário, pois sua ampla vantagem jamais poderia ser superada. Mesmo assim o “tubarão do estreito de Messina” mostra porque sua conquista é tão mereceida. Tudo porque ele corre para vencer mesmo que esteja muito longe de perder.

Sim, Chris Froome sofreu uma queda é não teve chance de brigar pelo título novamente. Sim, Alberto Contador também caiu e não teve chance de tentar vencer sem estar sob o efeito de doping. Não tem Andy Schleck, não tem Bradley Wiggins, não tem o vencedor do Giro de Itália Nairo Quintana, pois é impossível vencer as três principais corridas do ciclismo no mesmo ano. Só mesmo em anos diferentes. É para poucos, é para o italiano Vincenzo Nibali. Ele não se importa com as ausências de seus principais rivais, ele corre como nunca, como se todos eles estivesse colados na sua bota.

É quinta-feira, dia 24 de julho de 2014. Os ciclistas partem em direção à Hautacam, onde o Tour de France chega pela quinta vez em sua história. Ali, no topo desta montanha de categoria máxima, jamais o vencedor da etapa foi o dono da camisa amarela, pelo menos até esse ano incrível de um italiano incrível. Ele sobe os últimos sete ou oito quilômetros como se estivesse sendo seguido por Brody, Hooper e seus arpões assassinos. É como se estivesse já treinando para o ano que vem sabendo que muito provavelmente alguém estaria ali ao seu lado querendo roubar sua camisa de cor bonita. Foi a sua quarta vitória na 101ª edição da maior competição de ciclismo do planeta que mostrou bem como ele mereceu o título que conquistou.

O tubarão fez a Itália então se lembrar do pirata. A última vez que um representante da terra de Roma havia sido campeão do Tour de France foi em 1998, com Marco Pantani. Naquela época ele havia vencido o Giro e o Tour no mesmo ano, mas não levou a Vuelta da Espanha. Vencer as três grandes voltas de ciclismo do mundo é coisa para poucos, apenas seis ciclistas em todos os tempos. E Vincenzo Nibali se tornou um deles, e com uma vantagem tão grande quanto a que conseguiu Lance Armstrong em 1999, um título que foi caçado por doping; e Jan Ulrich em 1997, ciclista que também tem seus resultados sob suspeita. Agora Nibali reescreve a história das vitórias avassaladoras, pois correu da forma mais brilhante que um vencedor pode correr. Como se os seus rivais estivessem lá, mesmo que não houvesse nenhum deles ao seu lado.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Casamento cancelado e o título conquistado

Se os convites já haviam sido enviados, provavelmente algum presente já havia sido comprado. Quem encomendou um vestido novo, teve que procurar outro lugar para usá-lo. Quem iria alugar um terno, ficou aliviado por saber que não precisaria mais lembrar como dar um nó na gravata. O cabeleireiro não seria mais necessário, a manicure foi dispensada e o vestido de noiva mais caro da Dinamarca ficou na loja esperando pela próxima noiva. A igreja estava vazia e sem convidados, pois o casamento havia sido cancelado. Para a alegria dos fãs mais apaixonados, Caroline Wozniacki estava solteira novamente. E por que será que Rory McIlroy tomou essa drástica decisão? Talvez tenha sido para ser mais uma vez o grande campeão.

Em 2011 isso não era um problema quando ele venceu o US Open. Assim como não atrapalhou em nada a sua conquista no PGA Championship de 2012. McIlroy formava um belo casal com Wozniacki e ambos seguiam muito bem as suas carreiras esportivas, pelo menos até 2014. Os resultados não estavam mais vindo com naturalidade e alguns já diziam o motivo era a proposta de casamento feita no final de 2013. A Igreja, a festa, o véu da noiva aguardando para deslumbrar e o buque pronto para voar. Os convites já haviam sido enviados, mas tudo acabou sendo cancelado. Onde será que McIlroy estava com a cabeça? Ele queria ser campeão novamente com certeza.

Livre! Rory McIlroy não tem mais compromisso com Caroline Wozniacki e não precisa mais se preocupar com algum escândalo parecido com o que viveu seu companheiro de profissão Tiger Woods. O americano jamais foi o mesmo, ele precisa de um esforço gigantesco para superar o corte do The Open Championship de 2014. Enquanto isso, lá na frente ou lá em cima está o jovem irlandês que se parece muito com ele em seus bons tempos de vencedor. Seis tacadas abaixo do par no primeiro dia e seis tacadas abaixo novamente no segundo dia. Ele não se lembra mais da sua bela namorada dinamarquesa e segue firme para ser coroado junto à realeza. O único casamento que ele quer agora é com a vitória.

Parece incrível, mas ele mantém seu jogo sólido e entra no último dia com seis tacadas de vantagem para o segundo colocado. Suas tacadas perfeitas e os birdie´s constantes, no entanto, diminuem um pouco na última volta. Por sorte ele já havia feito o suficiente nos dias anteriores para manter o espanhol Sergio Garcia e o americano Rickie Fowler a pelo menos duas tacadas de distância. Assim McIlroy pode erguer o troféu de campeão e comemora a tão sonhada conquista em casa com a sua querida mãe. Enquanto isso, aquela que poderia ter sido a sua futura esposa, também sorri feliz, pois foi a grande campeã do torneio de Istambul. O casamento foi cancelado, para que os títulos fossem conquistados.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Alguns fatos que marcaram a Copa de 2014

Não teve vuvuzela, e a caxirola ainda foi proibida pela FIFA. Não teve um nova Larissa Riquelme, apesar das muitas belas mulheres nos estádios. Não teve o Maradona de terno ao lado do gramado, mesmo que outros comandantes de seleções chamassem alguma atenção. Não teve jabulani, alguns nem se lembram que a nossa bola se chamava brazuca. Não teve Polvo Paul, pois nenhum dos seus mais de mil plagiadores emplacou. Não teve nenhum fato realmente marcante na Copa do Mundo de 2014, talveaz por isso a lenda de pé frio do Mick Jagger teve de ser revivida mais uma vez. Mesmo assim, pelo menos dentro de campo, a Copa no Brasil pode ser lembrado por alguns acontecimentos que jamais serão esquecidos.

1. Tetra 24 anos depois
As coincidências fazem parte da vida. Elas só são lembradas quando acontecem de forma precisa, mas quando isso acontece é realmente incrível. Em 1994 o Brasil conquistou o tetra exatos 24 anos após ter sido tricampeão. Em 2006 foi a vez da Itália ser tetra, e foram exatos 24 anos depois do tri. Agora em 2014 faziam exatos 24 anos que a Alemanha havia sido tri, em 1990. Já era coincidência demais enfrentarem a Argentina final novamente, como também havia sido em 1986. E a história se repetiu, Alemanha tetra 24 anos depois de ter sido tri. Um título muito merecido.

2. Goleadas
Parecia uma exclusividade da Fonte Nova, em Salvador. A Holanda surpreendeu a campeão Espanha com uma goleada de 5 a 1. Depois a França massacrou a Suiça por 5 a 2, e poderia ter sido 6 a 2 se o juiz não apitasse o fim da partida. Depois a Alemanha fez 4 a 0 em Portugal e a festa dos gols na capital baiana terminou. Só que as goleadas na Copa de 2014 não, pois em Belo Horizonte o Brasil foi simplesmente massacrado pela Alemanha. Derrota por 7 a 1 e vexame histórico, um fato tão marcante que será lembrado para sempre.

3. Dinheiro para Gana
Os jogadores de Gana simplesmente ameaçaram não entrar em campo se os seus salários não fossem pagos. Eles queriam dinheiro e o dinheiro veio, de avião. Nada de depositar na conta, transferência via PayPal ou pagamento a alguém próximo em seu país. Nada disso, o dinheiro teve que vir de avião, literalmente, carregado, escoltado, protegido e entregue em mãos aos jogadores em uma cena bizarra e marcante na Copa. Com tudo acertado eles foram para o jogo, e perderam.

4. Luis Suárez
A mordida de Suárez no italiano Chiellini talvez sem dúvida foi um dos fatos mais marcantes da Copa de 2014. Rendeu suspensão ao jogador, piadas na Internet e até pessoas ganhando dinheiro por terem apostado em um acontecimento tão inusitado, apesar de não ter sido inédito para o jogador uruguaio.

5. Miroslav Klose
Sempre vão dizer que o jogador Klose não é craque de bola, que jamais será como um Cristiano Ronaldo ou um Lionel Messi, ou mesmo um Ronaldo. Mas o jogador alemão é oportunista e sabe marcar gols, marcou nas quatro Copas do Mundo que disputou e se tornou simplesmente o maior artiheiro de toda a história com 16 gols. Marcante sem dúvida alguma.

sábado, 12 de julho de 2014

Miami Heat diz adeus às finais após 4 anos

Foram três anos seguidos e depois mais três anos seguidos. Poderiam ter sido oito anos consecutivos, poderia ter sido mais, maior do que o recorde do Boston Celtics de Bill Russel. A equipe do Chicago Bulls jamis havia tido a chance de disputar o campeonato, e após Michel Jordan jamais conseguiu isso novamente. Foram seis anos na grande decisão e seis títulos conquistados, graças à uma equipe bem formada e bem treinada, mas principalmente graças ao maior jogador de basquete de todos os tempos. Talvez não haja e nunca haverá ninguém igual, mas próximo talvez. Sem Kobe Bryant o Lakers não teria ganho tanto quanto ganhou recentemente. Sem LeBron James o Miami Heat jamais teria sequer chegado na final novamente.

Ele fez uma palhaçada na TV chamada de "A decisão". Ele foi embora e deixou para trás suas origens. Ele foi chamado de traidor e os fãs mais eloquentes ficaram insanos. Sua camisa foi queimada, seu nome era riscado como se o que tivesse feito não valesse de absolutamente nada. O Cavaliers jamais havia chegado em uma decisão de campeonato antes em sua história que começou em 1970, mas nem pela grande chance que ele lhes deu em 2007 eles eram mais gratos. LeBron James preferiu virar as costas para quem lhe criou e lhe acolheu, para quem lhe escolheu, e foi em busca de um sonho. Ele foi em busca dos títulos para ele, os títulos que o Miami Heat nem fazia ideia que poderia conseguir novamente.

Quatro anos, quatro finais consecutivas e duas taças a mais na sala de troféus. Poderiam ter sido quatro, para alguns deveriam ter sido quatro. Mas LeBron James não é Michael Jordan. Talvez ainda seja um dia, mas não será sob o sol quente da Flórida. O Miami Heat diz adeus às finais após estar lá por quatro anos consecutivos. E LeBron James volta para casa para renovar as esperanças do Cleveland Cavaliers. Ohio é o seu lar, o Cavs é o seu time e sempre será. O seu povo merece ter a chance de acreditar que um dia o sonho possa se tornar realidade. O trabalho será difícil, mas Lebron está lá novamente, porque chegou a hora de se arrepender do fogo colocado naquela camisa que jamais será esquecida.

domingo, 6 de julho de 2014

Djokovic se junta a Juan Martín del Potro

Onze anos é muito tempo. Havia uma barba por fazer, o cabelo era diferente, com um pequeno rabo de cavalo, parecia até um pirata. A bola do rival para na rede, ele nem acredita e se ajoelha no chão erguendo em seguida os braços para o céu. Foi em 2003 e Roger Federer vencia pela primeira vez o lendário torneio de Wimbledon. Se Mark Philippoussis, o Duque de Kent ou qualquer outro que estivesse presente naquela quadra central ainda sem o teto retrátil lhe dissesse que onze anos depois ele voltaria a disputar um final por ali, ninguém e nem mesmo o próprio jogador suíço iria realmente acreditar nisso. Talvez ele não fizesse nem ideia que a partir daquele momento se tornaria um dos maiores jogadores de tênis de todos os tempos e muito mais do que isso, que apenas três outros jogadores incluindo um tão grande quanto ele poderia ter a ousadia de lhe parar em uma final de Grand Slam.

O destino assim desejou em na final de Roland Garros de 2009 Federer encarou Robin Söderling na grande decisão. Foi a única vez nos últimos dez anos que Rafael Nadal não esteve na decisão do Aberto da França. Em todas as outras nove vezes ele simplesmente não perdeu para ninguém. E em quatro dessas nove vezes o rival foi Roger Federer. O espanhol ainda encontrou o suíço em outras finais de Grand Slam, saindo também vencedor em duas delas: A decisão épica de Wimbledon 2008 e o Aberto da Austrália de 2009. Federer venceu Nadal em duas finais de Grand Slam, ambas em Wimbledon, e só perdia final de Grand Slam para o espanhol. Pelo menos até a final do US Open de 2009, quando acabou sendo surpreendido pelo argentino Juan Martín del Potro.

Potro conseguiu um feito extraordinário. Ele se tornou o único jogador da história além de Rafael Nadal a conseguir vencer Roger Federer em um final de Grand Slam. Algo tão significativo que nem mesmo Andy Murray conseguiu fazer até hoje. Mas neste seleto grupo ainda faltava um outro jogador que é considerado como muito melhor que Murray e que até figura nas listas dos melhores da atualidade ao lado do próprio Federer e de Rafael Nadal. Ele é irreverente e muito obstinado. Já havia vencido torneios de Grand Slam seis vezes em sua carreira e já havia estado cara a cara com o suíço na final do US Open de 2007. Novak Djokovic sentiu a força do rival naquela época e quem diria, em 2014, onze anos depois de sua primeira conquista, quase o viu renascer das cinzas como jamais alguém, e nem ele mesmo, poderia ter imaginado que pudesse mesmo acontecer.

Com 32 anos de idade nas costas. A certeza de que tudo que fez já é suficientemente grandioso. Sua esposa com suas duas filhas estão lá para lhe aplaudirem e derem apoio, seja na vitória ou na derrota. Ele voltou para a final, a final de um torneio de Grand Slam onde não esteve no ano passado. Em Wimbeldon é ainda mais especial, é sua casa. Foi ali que tudo começou onze anos atrás. A vitória no primeiro set e a reação espetacular para voltar para o jogo no quarto set foram simplesmente espetaculares e já valeram à pena. Uma pena mesmo é não estar jogando contra um Andy Roddick, um Marcos Baghdatis, um Marat Safin ou o Philippoussis de 2003. Uma pena mesmo é que do outro lado da rede estava um gigante como Nadal que se juntou a Juan Martín del Potro. São eles os três poucos que conseguem superar Roger Federer em uma final de Grand Slam.