Ele sonhava, enquanto a águia voava

Os passarinhos dão pequenos rasantes para manter as esperanças vivas, mas quando se vê o voo da águia, então o grande sonho estará renovado. Aquele velho sonho de criança, aquela busca obstinada pelo objetivo maior que sempre foi alcançar o ponto mais alto do cume, o topo do mundo, o lugar onde o silêncio confortador da paz eterna só poderia mesmo ser quebrado pelo grito eufórico de uma torcida apaixonada e entusiasmada. E lá vem o taco novamente para encontrar as costas castigadas da bolinha já tão machucada. Assim ela vai rolando e só para no fundo daquele buraco que pouco antes havia sido rejeitado no momento errado. Não balançou as redes e não foi um gol do Real Madrid, seu time do coração, mas os torcedores vibram e comemoram com o espanhol campeão.

Das mãos de Danny Willett vem o direito de vestir o paletó verde. A cena se repete todos os anos, foi de Phil Mickelson para Tiger Woods e depois voltou para ele novamente. Passou por Bubba Watson, Adam Scott e Jordan Spieth e claro pelo lendário e compatriota Seve Ballesteros, mas Sergio García jamais o havia vestido em toda a sua vida. O grande jogador que jamais foi campeão de um torneio Major. Parece até a história de Karl Malone, Allen Iverson e tantos outros grandes jogadores de basquete que jamais ganharam o título da NBA. A diferença, talvez, é que no golfe a longevidade é um pouco maior que no basquete. García tem 37 anos, porém está longe da aposentadoria. Longe ele também está das últimas colocações, mas chega de ficar empatando em segundo, desta vez ele foi mais além, ele foi até o lugar onde tudo é possível.

A Espanha no auge do esporte? Essa história não é de hoje e nem está voltando, ela só está consertando um erro que cometeu na época em que aconteceu. Enquanto Real Madrid e Barcelona dominavam o futebol, a Seleção espanhola fazia história conquistando Eurocopa e até Copa do Mundo. Na Fórmula 1 Fernando Alonso era chamado de o melhor piloto da atualidade, enquanto no tênis o grande nome era Rafael Nada, invencível jogando no saibro. Haviam espanhóis se dando bem em outros esportes também, era uma febre espanhola de domínio esportivo, incluindo até o golfe que tinha em Sergio García seu representante maior. O problema é que, como o Sargento, ele sempre perdia do Zorro, ficava com o mínimo e nunca faturava aquilo que precisava: o torneio Major.

O tempo passou e poucos espanhóis mantiveram sua força. Alguns seguem firmes, mas deixaram de ser unanimidades. Pelos fairway´s e green´s de vários cantos do mundo seguia Sergio García. Ele ainda mantinha as esperanças, mesmo que fossem apenas com rasantes de passarinhos. Ele sempre ficava no quase, e quase nem acreditava. Ele precisava de algo a mais, precisa de uma águia voando para continuar sonhando. E assim ela subiu no quinze da última volta no último dia, e não haveria mais tristeza no dia seguinte. O persistente empate com Justin Rose serviu apenas para garantir um pouco mais de dramaticidade e emoção no Augusta National Golf Club, o palco de mais um histórico Masters, que corou um persistente espanhol sonhador.

Seria uma alegria no final do dia?

Talvez ele tenha acordado cedo demais. Muito provavelmente trocou de horário no trabalho com alguém. Era preciso estar livre à noite porque tinha conseguido ingressos para o jogo do New York Knicks no Madison Square Garden. Então pegou o metrô lotado e foi trabalhar. Empurra empurra e o velho sentimento de parecer um sardinha enlatada. Pelo menos a nova linha amarela que demorou milhares de anos para ficar pronta é moderna e eficiente. O problema maior é o frio, já estamos em abril e ainda fazem menos de dez graus nas ruas. Os colegas de trabalho são irritantes, os clientes sempre tem razão e às vezes gritam demais, o patrão é exigente é o supervisor cobra muito e sobrecarrega o pobre funcionário. Pelo menos ele tem um salário e não foi para a rua como aqueles que trabalhavam no Carnrgie Deli.

Nos raros momentos de folga pode se sentar um pouco, o uniforme está sujo e mesmo com tanto frio do lado de fora o suor brota em sua testa, muito provavelmente pelo calor que faz na cozinha super equipada para oferecer uma comida quente para turistas e novaiorquinos famintos e insaciáveis. A vontade é visualizar uma vida melhor no futuro, quem sabe pelo menos poder ver o seu time disputando os playoffs mais uma vez. Mas a realidade é dura para o Knicks neste ano, mesmo quando pensou que Phill Jackson iria resolver todos os problemas, que Derrick Rose era a solução ou que Porzingis era a salvação. Com Carmelo Anthony não tinha erro e Joakim Noah era mais do que um simples complemento. Pelo menos deveria ser.

Finalmente chega a hora de ir embora, mas não para sua casa no Queen´s. No entanto, poderia chamar de segunda casa, de um lar para a busca da felicidade, mas que na verdade se tornou um pesadelo. A dois dias o Boston havia atropelado, e hoje era a vez de encarar o Chicago. O ingresso adquirido foi o mais barato, aquele que o dinheiro pôde comprar, negociado pela Internet a muito tempo, ainda no início da temporada, na época que sonhava ser este dia um dia mais feliz, um dia que estariam brigando por uma vaga nos playoffs pelo menos. Lá no alto, bem longe da quadra, os sonhos parecem distantes também. Rose se machucou e está fora, Noah foi suspenso e Porzingis também não joga. O que poderá fazer Anthony sozinho?

Alegre-se um pouco, esqueça os problemas. Aprecie as cheerleaders e deixe transparecer em seu rosto aquele velho sorriso que se foi a tanto tempo. O Chicago Bulls luta contra Indiana e Miami para manter sua vaga nos playoffs, aquela que parecia pertencer ao Knicks quando formou o time desse ano, mas quem entra no jogo parecendo que luta por alguma coisa é a equipe de Nova York. Mesmo que os playoffs não sejam mais possíveis, mesmo que o time seja quase todo reserva, mesmo que os números de Carmelo Anthony não representem nada como representam os de Russell Westbrook, mesmo que seja para apenas alegrar uma das quase vinte mil pessoas que lotam o Garden, a lendária arena que um dia não existirá mais. Aquele velho palco de um espetáculo que vai além dos teatros da Broadway, porque ele trás a alegria para o final de um longo dia.

Os melhores do esporte em 2016

O ano de 2016 vai chegando ao fim e os maiores do esporte precisam ser lembrados enquanto ainda é tempo. Foi mais um ano muito agitado no mundo esportivo, tivemos um time sendo campeão depois de uma longa espera que demorou mais de 100 anos, tivemos também as Olimpíadas do Rio 2016 e é claro os esportes americanos marcando presença com sempre. Desta vez nossos adorados turfe e golfe ficaram fora da lista, mas o tênis deu uma forçadinha para trazer seus destaques, mesmo que este ano ninguém tenha se destacado tanto individualmente. Por fim temos também a nadadora que prometeu voltar para a lista depois de já ter aparecido no ano passado e também a volta do futebol masculino que, em meio a tragédias e alegrias, preferimos destacar aquele que ganhou praticamente tudo.

1. Campeão depois de 100 anos
Chicago Cubs
No ano passado o maior destaque do esporte foi a vitória de um cavalo na tríplice coroa do turfe americano depois de 38 anos de espera. É realmente incrível esperar por algo tanto tempo e conseguir isso. Esse ano aconteceu novamente, mas o detalhe é que houve uma "pequena" diferença no tempo de espera. Alguns achavam que jamais iria acontecer, que era impossível, que essa maldição jamais seria quebrada. Eles erraram. O Chicago Cubs conquistou o título do beisebol da MLB depois de 108 anos de espera. Realmente incrível.

2. O peixe dourado
Michael Phelps
Motivos para dizer que estava aposentado ele provavelmente tinha. Talvez tenha algo haver com patrocinadores, mais dinheiros ou um simples tempo para descansar e pensar na vida. Quem duvidou acertou e o maior atleta olímpico de todos os tempos voltou para as Olimpíadas do Rio de Janeiro. Não foi as Olimpíadas do sonho, teve piscina verde, lugares lotados e sem organização, coisas caindo do céu, mas o parque aquático até que estava bonito. E foi lá que Michael Phelps brilhou mais uma vez, ganhou mais cinco de ouro e se tornou ainda maior do que já era.

3. Um raio no Rio
Usain Bolt
Se Phelps brilha na piscina, Bolt ilumina a pista. Uma das diferenças entre Phelps e Usain Bolt é que o jamaicano não estava em Atenas 2004, mas é incrível como a história de dois grandes atletas aconteceram quase que no mesmo tempo. Outra diferença é que Bolt não anunciou que estava aposentado entre Londres e Rio. E a maior diferença é que Bolt não ganha tantas medalhas quanto Phelps, mas ganha tudo que se dispõe a ganhar. Acredito que em Londres Bolt foi maior que Phelps, mas no resto ele fica um pouco atrás, assim como nessa lista dos melhores de 2016.

4. A promessa de LeBron
Cleveland Cavaliers
No ano passado quem estava na lista dos melhores do ano era Stephen Curry. Ele carregou o Golden State Warriors nas costas para sua primeira conquista da NBA. Esse ano a história deveria se repetir, afinal estava 3 a 1 para o Golden na série final. Mas o impossível e inacreditável aconteceu. O Cleveland Cavaliers consegui vencer três jogos seguidos, sendo dois deles, um deles o último, fora de casa, e virou a série para 4 a 3 ficando com o título pela primeira vez. LeBron James voltou para a casa, voltou para a final no ano passado e finalmente cumpriu a promessa nesse ano de 2016 dando o título para seus fãs que tanto esperaram por isso.

5. Uma prata inesperada
Katie Ledecky
Ela esteve na lista do ano passado devido à sua performance inacreditável no Mundial de natação de Kazan. Foram cinco medalhas de ouro conquistadas por lá. A mais incrível na carreira de Katie Ledecky é que ela jamais ganhava outra medalha que não fosse dourada. Especialista em longas distâncias como 1500 metros e 800 metros, aos poucos ela foi se aventurando em 400 metros e até 200 metros. Não dava chances para ninguém. Seu estilo é o nado live, então naturalmente ela também levava seu ouro nos revezamento 4x200 metros. No Rio 2016 ganhou seus quatro ouros, mas junto foi também uma prata, a sua primeira e inesperada prata. Ela veio no revezamento 4x100 metros, prova que os Estados Unidos não iam tão bem a muito tempo.

6. A insistência e a reconpensa
Denver Broncos
A aposta em Peyton Manning mostrou como o Indianápolis Colts se equivocou em renegar o ídolo devido a sua cirurgia e idade avançada. Um dos maiores quarterbacks da história alcançava números impressionantes, alguns deles até melhores do que quando era bem mais novo. A prova disso foi o título de MVP da temporada em 2013. O Super Bolw não veio, mas a insistência permaneceu a mesma. Aos 39 anos Manning enfim começou a dar os sinais de cansaço, mas ainda faltava uma recompensa pela enorme insistência. O Carolina Panthers deu uma amarelada na decisão e o título do Super Bolw 50 ficou com o Denver Broncos.

7. Campeão dos campeões
Cristiano Ronaldo
Ele não ganhou o campeonato espanhol, mas será que fez falta? Consagrado com o prêmio Bola de ouro pela segunda vez na carreira, o português Cristiano Ronaldo guardou no bolso com o Real Madrid mais uma Champions League, mais um Mundial de Clubes e se não fosse o bastante, ainda se sagrou campeão com Portugal na Eurocopa, mesmo que tenha sido aos trancos e barrancos, com três empates na fase de grupos e vitórias apertadas. Não importa, o que importa foi mais um troféu na coleção.

8. Igualando Graf
Serena Williams
O tênis feminino não teve esse ano um grande destaque. Ninguém dominou o surpreendeu muito, mas Serena Williams pelo menos conseguiu igualar Steff Graf em número de Grand Slam´s conquistados, com 22.

9. Pela primeira vez em Paris
Novak Djokovic
A mesma coisa aconteceu com o tênis masculino. Andy Murray foi até bem, ganhou alguns títulos e faturou o ATP Finals contra Novak Djokovic, mas o sérvio se superou ao vencer em Roland Garros pela primeira vez na carreira, o único Grand Slam que lehe faltava, aquele que nem Pete Sampras conseguiu. Foi mais uma grande chance de vencer todos nos mesmo ano, mas não foi dessa vez.

10. Seu destaque esportivo ...
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Deixamo esse ano a décima posição em aberto para que você leitor envie o seu destaque de melhor do ano de 2016. Escreva nos comentários sua opinião.

A última cartada de Lewis Hamilton

O canal de TV aberta do Brasil que transmite a Fórmula 1 está desesperado. Não há mais pilotos brasileiros que outrora colaboraram com o despertar da paixão do povo que amava apenas o futebol. Um Felipe se aposenta, o outro ainda não tem contrato e o irritante narrador, que convenhamos marcou época com o ídolo falecido, busca de maneira obstinada os subterfúgios suficientes para manter a audiência em um patamar aceitável. Um dos argumentos é o de que no ano que vem as regras irão mudar, haverá mais equilíbrio entre os carros e uma maior competitividade. A outra ressalva é pontual, momentânea e está diretamente relacionada com as imagens que passam durante o GP de Abu Dhabi. Um carro atrás do outro, algumas ultrapassagens, possibilidades e claro, a pura emoção. É o que queremos realmente ver, mas era apenas a última cartada de Lewis Hamilton.

O inglês tricampeão do mundo já está sendo acusado de ter sido desleal. O piloto de 31 anos já está sendo ameaçado por uma punição da sua própria equipe Mercedes. Muitos poderiam chamá-lo de Pinóquio, afinal antes da corrida ele declarou que não iria fazer o que acabou fazendo. Pelo rádio ele é orientado a andar mais rápido porque Sebastian Vettel (que estava em quinto e chegou em terceiro) se aproximava. Como se a equipe não soubesse o que estava acontecendo, ou melhor, sabendo que todas as conversas são gravadas e nada mais explicito poderia ser falado, ouvimos também que se ele não consegue andar mais rápido então que dê passagem ao seu "companheiro" de equipe. A resposta para essa ou aquela pode ser considerada como frase do ano - "Estou ganhando a corrida e perdendo o campeonato", disse Lewis Hamilton, que estava dando a sua última cartada.

Não lhe tirem o direito de tentar pelo menos, mesmo que seja uma tentativa polêmica. Se fosse o jovem afoito Max Verstappen, que no Brasil poderia já ter ajudado se terminasse a prova em segundo lugar, as chances de Hamilton ver o que pretendia talvez fossem maiores. O problema é que Vettel, tetra campeão do mundo, não iria forçar a barra e estragar a festa de Nico Rosberg. Mas valeu pela tentativa, valeu pela expectativa criada principalmente aos torcedores de Hamilton, valeu pela dignidade de Hamilton, que se fizesse uma prova normal abrindo vantagem e vendo Rosberg passeando na segunda posição seria como simplesmente entregar de mão beijada o título de campeão de mundo. Valeu para a tal TV aberta brasileira do tal narrador irritante reforçarem seu apelo para que todos voltem no ano que vem, na esperança de que não haja mais uma vez a superioridade de apenas uma equipe como vem acontecendo nos últimos seis ou sete anos.

A maioria dos pilotos atuais, se estivesse no cockpit da Mercedes, terminaria com o título ou vice-campeonato. Hamilton fez isso nos dois últimos anos. O mesmo fez Vettel nos anos anteriores, quando a Red Bull dominava completamente. Se apenas uma equipe domina, a briga fica restrita à apenas dois pilotos. Nos dois últimos anos Nico Rosberg esteve apático, mas esse ano ele finalmente reagiu e venceu as quatro primeiras corridas do ano. No final terminou com apenas cinco pontos de vantagem para Hamilton, sendo que a grande diferença foi o GP da Malásia, onde Hamilton viu o motor quebrar quando era líder da corrida. Rosberg não teve seu motor quebrado e só abandonou uma vez quando se envolveu em uma acidente com o próprio Hamilton. No final o inglês cumprimentou o alemão quando ambos ainda estavam de capacete, no pódio o aplaudiu quando ele recebeu a taça de segundo colocado. É uma rivalidade saudável, como era Senna e Prost, faz até bem para a Fórmula 1. O que não faz bem é bem é julgar alguém por tentar um último respiro ou uma última cartada, pois era só isso que Hamilton estava tentando fazer.

Cubs é campeão depois de 108 anos

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Para muitos era algo que jamais iria acontecer novamente. Para outros ainda havia uma esperança, mesmo que pequena, distante e quase impossível. Havia também aqueles que eram solidários ao time digno de pena, a equipe que era conhecida como os "adoráveis perdedores". Em Chicago o amante do beisebol tem duas opções de times para torcer, exatamente como é em Nova York, mas o White Sox também viveu por longos anos o seu jejum. Para eles era a famosa "Maldição dos meias brancas", que teve seu fim assim como a "Maldição do Bambino" com o Boston Red Sox. Mas com o Chicago Cubs, que sofreu com a "Maldição de Billy Goat", a espera foi maior, penosa, dolorosa e inacreditável. Foram 108 anos de jejum na maior seca de títulos de todos os esportes. Uma longa espera que finalmente acabou nesta quarta-feira, no histórico dia 2 de novembro de 2016.

O Chicago Cubs fora campeão da World Series duas vezes seguidas no início do século passado. Eles venceram em 1907 e 1908, mas não deram sequência à boa fase e, quase 40 anos depois, ainda sonhavam em ser campeões novamente. Era outubro de 1945 e a Segunda Guerra Mundial já havia acabado. O Cubs estava na World Series novamente, em mais um dia de festa e alegria no Wrigley Field. William "Billy Goat" Sianis, que era dono da taverna "Billy Goat", foi ver o jogo, mas estava acompanhado de seu aninal de estimação. Até hoje não se sabe se era um bode, chamado de Murphy, ou uma cabra ou cabrita. Mas o animal cheirava mal e foi expulso. Billy Goat não gostou da ideia, afinal havia comprado ingresso para ele e para o seu estimado animal. Então na saída jogou a praga - "Você nunca mais ganharam o título novamente".

Alguns dizem que a frase foi de que nuca mais chegariam na final, pois foi exatamente o que aconteceu. O Chicago Cubs não só amargou o maior jejum de títulos da história, como jamais conseguiu chegar na decisão. Isso aconteceu mesmo em anos memoráveis, onde perdeu a decisão da Liga por detalhes absurdos e acontecimentos inexplicáveis. No ano passado, depois de montar aquela que talvez possa ser considerada a equipe mais forte já montada visando até mesmo a temporada 2016, o Cubs renovou sua esperança apoiado na profecia de um filme inesquecível. Foi em "De Volta Para o Futuro 2" que Steven Spielberg dava como certo a conquista da taça em 2015. O porquê de vencer o Miami, que nem existia, ainda é um mistério. Mais uma vez, no entanto, eles pararam na final da Liga, sendo superado pelo New York Mets.

O fantasma de Billy Goat ainda atormentava. Mais de um século de espera, ninguém merece tamanho sofrimento e tamanha angustia de uma sina que nunca tem fim. Motivo de piada, e todos outros já superaram suas maldições. Uma hora teria que ser diferente, em 2016 tinha que ser diferente. E já foi diferente pelo simples fato de ter chegado na decisão. O Chicago Cubs pessou pelo San Francisco Giants e pelo Los Angeles Dodgers, mas havia um Cleveland Indians sedento pelas vitórias na World Series. O Indians também amarga um longo jejum sem títulos, conta com Terry Francona no comando e estava aniquilando seus adversários nos playoffs. Eles arrasaram com o Boston Red Sox em três jogos na Série Divisional. Já na decisão da Liga o Toronto Blue Jays só venceu uma vez. Para piorar eles fizeram 3 a 1 na World Series e decidiam em casa com duas partidas.

Será que, estando a uma derrota de perder a maior chance de suas vidas, o Chicago Cubs pensava na Maldição de Billy Goat? No jogo 5, Jon Lester venceu depois de ter perdido o jogo 1. No jogo seis Jake Arrieta volta e vencer novamente como havia feito no jogo 2. A série fica empata e vai para o derradeiro jogo sete, em Cleveland. E a vitória não veio fácil, demorou 108 anos, mas aconteceu. Se não bastasse sofrer por tantos anos, ainda havia de sofrer um pouco mais, vendo o rival empatar na nona entrada. É pouco? Então que venha a chuva e um atraso no jogo, a décima entrada e mais duas corridas anotadas. O Cleveland não se entrega, mas eles são Indians e não Cavaliers. Aqui é MLB e não NBA. O LeBron está longe e uma corrida apenas não é suficiente. O Chicago Cubs é campeão novamente, e o Cleveland Indians é novo time com a maior seca de títulos.