segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O melhor time de basquete do mundo é ...

O país que havia sido mais vez campeão, pelo menos até esse ano, do Campeonato Mundial de basquete era ... pasmem ... a Iugoslávia. Nada de União Soviética, Rússia e tão pouco os invencíveis Estados Unidos da América. Os americanos inclusive ficaram sem vencer em três ocasiões seguidas recentemente, entre 1998 e 2006. Em 2002 sequer estiveram entre os quatro melhores. Foram obrigados a fazer a equipe do resgate nas Olimpíadas de 2008 em Pequim. Tudo muito estranho porque obviamente o melhor time de basquete do mundo deveria ser  ... o time dos Estados Unidos, é claro! E nesta edição de 2014 eles não poderiam deixar de fazer o que fizeram em 2010, e não poderiam deixar a Iugoslávia continuar sendo a equipe que mais venceu o Campeonato Mundial de Basquete!

Jogadores fantásticos, jogadas fabulosas e recordes impressionantes, inclusiva na grande decisão onde fizeram 129 a 92 na probre Sérvia foram, claro, fundamentais. Mas o trabalho do técnico Mike Krzyzewski pode ser considerado como extremamente fundamental. Primeiro porque, mesmo sem poder chamar as grandes estrelas, ele conseguiu fazer um time de jovens grandes estrelas e grandes promessas misturado com outros que já são tão grandes como são os maiores. Depois, no último jogo, a equipe americana chegou a estar perdendo por 15 a 7. Coach K pediu tempo e então o placar se inverteu para 22 a 15. Daí em diante foi um verdadeiro massacre, porque o melhor time de basquete do mundo é ... o time dos Estados Unidos, é claro!

Alguém avisa o Globo.com que boxe não é MMA

Tudo foi como tivera que ser. Apesar que sempre iremos querer mais. Mas o canal SporTV transmitiu ao vivo, e começou meia-noite, um ótimo horário. Mesmo sendo em Las Vegas a luta não ocorreu nas altas horas de madrugada como era nos tempos de Mike Tyson (será que a Rede Globo passava mesmo ao vivo naquela época?) Com 12 rounds bem disputados e uma vitória já esperada de Floyd Mayweather Jr. pra cima do argentino Marcos Maidana. Revanche concedida e revanche vencida de forma ainda mais convincente do que na primeira ocasião.

Invencibilidade mantida, cinturões assegurados desde a primeira vez que ocou com suas luvas mortais. Nada poderia ser melhor, exceto se colocar Manny Pacquiao no meio da conversa. O povo fica eufórico, já se fala no velho jargão "A luta do século" e Evelyn Rodrigues resolve soltar uma nota no Globo.com. Maravilha de notícia, mas ela só esqueceu que boxe não é MMA! "o super astro dos ringues declarou, ainda dentro do octógono, que o tão aguardado duelo contra “Pac-Man” pode mesmo acontecer:" Nota-se claramente que ela não queria repetir a palavra ringue, mas ele estava em cima do ringue pois ringue só tem quatro lados e jamais poderia ser chamado de octógono.


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

US Open, um Grand Slam cheio de bondade

Kei Nishikori, ou melhor, Quem Nishikori? Um japonês, no tênis? Tem certeza que não é tênis de mesa e que não é o americano japa Michael Chang? Por mais incrível que possa parecer e ele está na grande final do US Open de Nova York. E se não bastasse ele ainda passou por dois jogos de mais de quatro horas de duração. Está achando pouco? Ele superou ninguém menos do que Novak Djokovic na semifinal da competição. E tudo isso para que? Talvez para contar com a bondade do Grand Slam americano, mas desta vez o Billie Jean King National Tennis Center resolveu agradar o seu rival, pois o japonês já havia ido longe demais.

Já não bastava estar na capital do mundo, hospedado em algum luxoso hotel como o The Waldorf Astoria e andando com motorista particular por toda Manhattan. Não, ele precisava de um pouco mais. Ele precisava mais do que as quartas-de-final de 2009 e 2012. Ele precisava mais do que aquela semifinal que conseguiu no Aberto da Austrália em 2010. Ele precisava cravar o seu nome na história, mas não precisava ter massacrado logo o Roger Federer que vinha tão bem não só nessa edição do US Open, como em todo o circuito que culmina no último Grand Slam do ano. Toda via ainda era pouco, Marin Čilić desejava o topo do Empire State Building e acabou subindo no alto da One Tower bem na semana do 11 de setembro.

Muito obrigado US Open de tênis por sua imensa bondade. Muito obrigado Nishikori, Quem? ou Kei, o japa incansável. Estar em Nova York já é bom demais, mas o US Open quer agradar ainda mais. Na maior quadra de tênis do planeta, que está sempre lotada de torcedores fanáticos pela bolina amarela, Del Potro conseguiu seu primeiro título de Grand Slam em 2009. Aconteceu a mesma coisa com Andy Murray em 2012. O US Open é assim mesmo, um Grand Slam cheio de bondade. Um torneio que já havia sido bom demais com Kei Nishikori, e então resolver presentear Marin Čilić com a maior conquista de toda a sua carreira no mundo do tênis: Seu primeiro título de Grand Slam.

Será que ainda duvidam de Serena Williams?

Não duvidaria nem se fosse contra Chris Evert. Não questionaria nem se fosse contra Martina Navratilova. Não ousaria ficar com o pé atrás nem se do outro lado da rede estivesse Smith Court. Sim ela perdeu para Samantha Stosur na final de 2011 e foi superada por Jelena Janković na decisão de 2008. Mas onde estão hoje a australiana e a sérvia? Já Serena Williams sabemos bem onde está. Ela está derrotando Victoria Azarenka e seus gritos nas finais do US Open de 2012 e 2013. Ela não está dando qualquer chance para as rivais que cruzam o seu caminho e está frente ao seu adorado público na quadra central Arthur Ashe novamente.

Nova York ficou mais uma vez pequena para a jogadora mais raçuda do circuito WTA. Caroline Wozniacki ficou minúscula diante da voracidade irrepreensível de sua oponente. Não havia mais dúvidas, questionamentos ou qualquer supersticioso com um pé atrás do outro em Flushing Meadows. No Queens Boulevard, em Corona Park e até mesmo no Citi Field todos sabiam que a rainha do US Open iria ser coroada mais uma vez. Com direito a recordes de títulos ganhos no Grand Slam americano, marca de Grand Slam´s alcançados e somente um sonho para continuar buscando aos 33 anos de idade: Ser a maior tenista de todos os tempos. Alguém duvida?

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Jovem tenista surpreende no US Open 2014

No tênis, um convite para participar de um torneio através do Wild Card fica a critério dos organizadores de cada competição. Este ano, no US Open, decidiram que uma dessas vagas seria dada na chave feminina para a vencedora do torneio nacional americano destinado a jogadoras que tenham no máximo 18 anos de idade. Eles nem imaginavam, mas a vencedora acabou sendo uma jovem provável revelação do esporte de apenas 15 anos de idade. A disputa caseira não era vencida por uma tenista tão jovem desde que Lindsay Davenport o fez em 1991. Azar de Alicia Black, porquê Catherine Cartan Bellis, ou apenas CiCi Bellis, estava classificada para a chave principal do US Open de tênis, logo depois de sair do berço onde dormia tranquila!

Sua mãe Lori parte de volta para Atherton, na Califórnia. Ela não pode ficar para assistir a própria filha pessoalmente porque fica muito nervosa. O pai e alguns outros familiares e amigos seguem em Nova York para a estreia, muito provavelmente já pensando no discurso pragmático que faria tão logo o improvável se tornasse mais real do poderia parecer. Ela ainda é muito jovem, ainda é cedo pensar em profissionalização, em primeiro lugar deve-se priorizar os estudos e outras coisas do gênero. Mas CiCi Bellis já estava na boca do povo, já era trending topic no Twitter e muito requisitada para "selfs" em Flushing Meadows. Tudo porque ela havia feito história.

Não acontecia desde que Anna Kournikova alcançou o feito no ano de 1996. Três anos antes do nascimento de Catherine Bellis. Uma jovem jogadora de apenas 15 anos escrevia a história com sua beleza e encanto. Uma das grandes musas do tênis que só conseguiu títulos jogando duplas ao lado de Martina Hingis conseguiu naquele ano um feito extraordinário. Ela só foi derrotada na quarta rodada diante de Steffi Graf que seria a grande campeã de 1996, passando por Monica Seles na final. E quem diria que quase 20 anos depois uma jogadora de 15 anos pudesse vencer um jogo na chave principal da maior competição de tênis em Nova York? De forma incrível CiCi conseguiu.

E não foi contra uma adversária qualquer, ela derrotou Dominika Cibulková, uma jogadora que dentre um e outro bom resultado conseguiu chegar na final do Aberto da Austrália de 2014. O mundo a descobria e naturalmente a reverenciava já como uma grande fenômeno precoce do tênis. A mãe morria de nervoso do outro lado da país enquanto o pai despejava aos microfones tudo já havia pensado dizer. Os jornais estampam largas matérias para nova sensação americana e nem querem saber se Venus e Serena Williams estão vencendo suas partidas. Artigos na Wikipédia surgem em várias línguas e múltiplas páginas de novos fãs são criadas no Facebook. O sonho havia se tornado realidade, mas ele teve seu fim dois dias depois.

Parece até que foi ontem, mas foi em 2009 que o mundo também se encantou com outra jovem promessa americana: Melanie Oudin. A tenista que tinha então 17 anos surpreendeu a todos ao chegar nas quartas-de-final deste mesmo aclamado US Open, nestas mesmas quadras do Billie Jean King National Tennis Center. Depois disso jamais superou as primeiras rodadas de qualquer outro torneio de Grand Slam. No ano passado uma situação semelhante a deste ano: Victoria Duval e suas histórias incríveis sobre terremotos e sequestros no Haiti surpreende Samantha Stosur na primeira rodada e ganha seu destaque mundial. Ficou por aí, assim como Sloane Stephens, a "nova" Serena que não consegue nem ter chance diante da compatriota que idolatrava. Será que o mesmo acontecerá com Cici?

A TV americana volta suas transmissões para a quadra de número 17 na rodada noturna do quarto dia de disputas do US Open. Eles não querem nem saber se o Andy Murray está atropelando o Matthias Bachinger na quadra central Arthur Ashe. Eles só querem saber de CiCi Bellis, a nova sensação juvenil "profissional" que está chamando todas as atenções para si como o futuro do tênis feminino americano. Uma jogadora que entra em quadra com vontade e até surpreende sua jovem oponente fazendo inacreditáveis 6-0 na segunda parcial. Mas infelizmente Zarina Diyas está jogando Grand Slam desde o começo do ano, está com 20 anos de idade e está com mais experiência e bagagem. Assim ela sai vitoriosa, porém, só por ter chegado tão longe Cici também é vencedora. E quem sabe, ao contrário do que ocorreu com Oudin, Duval ou Stephens, ela possa voltar à Nova York muito mais e vezes e poder sair de lá com o tão sonhado troféu de campeã.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O início de uma nova era no golfe mundial

Em Louisville o tempo fechou, e o temporal desabou. Sergio Garcia faz sucesso no Vine, ele corre deseperado com seu guarda chuva pelos campos verdes encharcados do Valhalla Golf Club. Agora toda a programação da rodada final do PGA Championship está atrasada, e o jeito é esperar. E quem mais espera é quem estava melhor posicionado, tecnicamente ele se torna assim o mais prejudicado. Seus rivais se adiantam e estão abaixo do par, ele faz dois bogeys e é o único dos trinta primeiros colocados que está acima do par no dia. Ele ainda está entre os 30 primeiros, mas deixou de ser o primeiro como fora nos dois dias anteriores.

Rory McIlroy, no entanto, não se abate e mantém o foco que é primordial para um jogador de golfe. As nuvens negras ainda estão por todas as partes, mas a chuva não causa mais alarde. A grama ainda está molhada, mas a banca não está alagada. O norte irlandês chega então no buraco número dez e com ele está uma sorte que só os grandes campeões costumam ter. Um par cinco de 590 jardas, uma das poucas e únicas chances que um jogador tem para com seguir fazer a águia voar mais alto. Eagle no dez enquanto seus principais rivais que já o ameaçavam fazem bogey. Ele está de volta no jogo, mas um americano veterano e experiente segue na sua cola.

Phil Mickelson, uma verdadeira lenda viva do golfe que mesmo já estando com 44 anos de idade ainda pode surpreender. A última vez que venceu um torneio Major foi em 2013. Até o buraco 11 já havia feito cinco birdies, em uma apresentação de gala. As coisas iam muito bem, obrigado, pelo menos até o buraco 16, quando acabou fazendo um bogey. Ele jogava praticamente junto com McIlroy e Rickie Fowler, que também tinha chances. No último buraco eram os três últimos e sua terceira tacada no green foi a primeira do trio. A bola subiu e caiu de forma suave, rolou em direção ao buraco, um par cinco, e por muito pouco a águia não voa novamente. Birdie garantido apenas para que o final pudesse ser dramático.

Fowler fechou com o par no 18 e então chegou a vez de McIlroy. Ele estava na banca, mas a areia estava dura por causa de chuva e a atacada não foi difícil. Com um putt simples ele se aproximou do buraco e salvou o par para não perder um título que já era seu por mérito e muito merecimento. Quando a noite já caia sob a velha Kentucky e um playoff só poderia ser realizado no dia seguinte. Quando um jovem se tornou apenas o terceiro em todos os tempos do esporte a conquistar quatro títulos de Major´s com apenas 25 anos ou menos. O jovem Rory McIlroy, que se juntou a Tiger Woods e Jack Nicklaus, após ter ganho o Open Championship outro dia mesmo e quem sabe ter dado início a uma nova era na história do golfe mundial.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Como se todos os seus rivais estivesse lá

Já é sábado, dia 26 de julho de 2014, o fim de semana chagou, mas não é hora para descansar. Tony Martin estabeleceu um excelente tempo e ele precisa acelerar muito se quiser superar o campeão mundial. O esforço foi sublime, mas ficaram faltando quase dois minutos para ser o grande vencedor do dia. Tamanha dedicação e empenho nem eram tão necessário, pois sua ampla vantagem jamais poderia ser superada. Mesmo assim o “tubarão do estreito de Messina” mostra porque sua conquista é tão mereceida. Tudo porque ele corre para vencer mesmo que esteja muito longe de perder.

Sim, Chris Froome sofreu uma queda é não teve chance de brigar pelo título novamente. Sim, Alberto Contador também caiu e não teve chance de tentar vencer sem estar sob o efeito de doping. Não tem Andy Schleck, não tem Bradley Wiggins, não tem o vencedor do Giro de Itália Nairo Quintana, pois é impossível vencer as três principais corridas do ciclismo no mesmo ano. Só mesmo em anos diferentes. É para poucos, é para o italiano Vincenzo Nibali. Ele não se importa com as ausências de seus principais rivais, ele corre como nunca, como se todos eles estivesse colados na sua bota.

É quinta-feira, dia 24 de julho de 2014. Os ciclistas partem em direção à Hautacam, onde o Tour de France chega pela quinta vez em sua história. Ali, no topo desta montanha de categoria máxima, jamais o vencedor da etapa foi o dono da camisa amarela, pelo menos até esse ano incrível de um italiano incrível. Ele sobe os últimos sete ou oito quilômetros como se estivesse sendo seguido por Brody, Hooper e seus arpões assassinos. É como se estivesse já treinando para o ano que vem sabendo que muito provavelmente alguém estaria ali ao seu lado querendo roubar sua camisa de cor bonita. Foi a sua quarta vitória na 101ª edição da maior competição de ciclismo do planeta que mostrou bem como ele mereceu o título que conquistou.

O tubarão fez a Itália então se lembrar do pirata. A última vez que um representante da terra de Roma havia sido campeão do Tour de France foi em 1998, com Marco Pantani. Naquela época ele havia vencido o Giro e o Tour no mesmo ano, mas não levou a Vuelta da Espanha. Vencer as três grandes voltas de ciclismo do mundo é coisa para poucos, apenas seis ciclistas em todos os tempos. E Vincenzo Nibali se tornou um deles, e com uma vantagem tão grande quanto a que conseguiu Lance Armstrong em 1999, um título que foi caçado por doping; e Jan Ulrich em 1997, ciclista que também tem seus resultados sob suspeita. Agora Nibali reescreve a história das vitórias avassaladoras, pois correu da forma mais brilhante que um vencedor pode correr. Como se os seus rivais estivessem lá, mesmo que não houvesse nenhum deles ao seu lado.