Campeã em duas sílabas

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Os chineses tem um desejo enorme de dominar o mundo, e hoje podemos dizer que eles já estão fazendo isso, comercialmente falando pelo menos. Para tanto é preciso aparecer de diversas forma, e aparecer no esporte é uma necessidade extremamente fundamental para quem tem toda essa prepotência. As Olimpíadas de 2008 em Pequim foram um enorme sucesso, o país liderou no número de medalhas de ouro conquistadas, mas faltou 'aparecer' de uma forma mais convincente, principalmente na mídia. Isso não ocorreu porque a grande estrela do atletismo Liu Xiang se contundiu, a estrela da NBA Yao Ming sofreu do mesmo mal, e no tênis feminino a grande esperança Na Li acabou na quarta colocação após um domínio de três russas que foram expecionais.

O tempo acabou passando e talvez ninguém pudesse imaginar que a jogadora cujo nome é formado por apenas duas sílabas iria conseguir uma grande volta por cima, e mais do que isso levar a China a um ponto que ela jamais havia conseguido chegar em toda a história do tênis, tanto feminino quanto masculino. A fase de quartas-de-final alcançada em Wimbledon e no US Open após o sucesso de Pequim já mostravam todo o seu potencial, ouro nos Jogos Asiáticos de Guangzhou em 2010, títulos na WTA conseguidos com vitórias sobre Kim Clijsters e Maria Sharapova nos jogos decisivos e além de tudo isso a final do Aberto da Austrália alcançada neste ano de 2011, o ano em que Na Li alcançou seu melhor jogo, coroado neste sábado com uma conquista inédita para qualquer país asiático.

Zi Yan e Jie Zheng no Australian Open e em Wimbledon, ambos de 2006, e Sun Tian-Tian com o sérvio Nenad Zimonjic nas duplas mistas do Australian Open de 2008. Essas haviam sidos as únicas conquistas da China em torneios de Grand Slam, todas nas chaves de duplas. Em simples jamais haviam conseguido alguma coisa, o máximo que um tenista chinês havia feito até hoje era justamente ter chagado na decisão em Melbourne com a própria Na Li, derrota pela belga Clijsters que deu o troco pela derrota sofrida poucas semanas antes em Sydney. Sair do cimento e dar show logo no Grand Slam seguinte que é disputado no saibro não é para qualquer jogadora, é preciso talento, garra e uma vontade de dominar e conquistar o mundo que o chinês realmente possui como ninguém nesse planeta.

No ano passado o mundo viu uma italiana conquistar o torneio de Roland Garros pelo primeira vez em sua carreira, naquela que foi também a primeira vez que uma italiana brilhou na terra batida sagrada que cobre a quadra central Philippe Chatrier. Francesca Schiavone voltou um ano depois para ser também a primeira italiana com dois títulos em Paris, mas o destino assim não quis, o dia de glória estava reservado para a primeira vez de uma outra jogadora, a primeira vez de uma outra nação e a primeira vez de um outro continente. O dia em que o jogo mais forte, mais veloz da jogadora que foi campeã em duas sílabas falou mais alto. Na Li, de 29 anos, superou Schiavone, apenas um ano mais velha, para levar a China ao topo do mundo. O Império chinês da dinastia Li começou, restando saber apenas quanto tempo vai durar. (Foto: Clive Brunskill/Getty Images)

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