A temporada de 2026 da NFL começou com um espetáculo eletrizante no Lumen Field, reacendendo a rivalidade do último Super Bowl LX de forma direta e sem rodeios. Em um embate físico e marcado pelo protagonismo das defesas, o Seattle Seahawks voltou a impor sua força e venceu o New England Patriots por 13 a 10. O confronto, no entanto, já nasceu histórico antes mesmo do kickoff inicial devido ao seu posicionamento no calendário. Pela primeira vez desde 2012, a liga optou por dar a partida inicial em uma quarta-feira à noite. A escolha incomum teve uma razão logística e estratégica clara: abrir espaço na agenda para que a quinta-feira ficasse livre para o inédito duelo entre San Francisco 49ers e Los Angeles Rams, que será disputado em Melbourne, na Austrália.
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Colocar uma reedição imediata da grande final para abrir o ano gerou debates acalorados sobre ser ou não uma decisão acertada. Por um lado, o duelo garante audiência recorde ao entregar de cara a maior rivalidade do momento, aproveitando que a memória da decisão de fevereiro ainda estava fresca na mente dos torcedores. Por outro lado, expõe duas equipes ainda em processo de ajuste tático ao sarrafo mais alto possível logo na Semana 1, sem margem para erros de pré-temporada. Dentro de campo, a escolha se provou um acerto para quem busca drama: o Seahawks voltou a dominar os momentos cruciais da partida, ancorado em uma defesa sufocante sob o comando de Mike Macdonald que voltou a castigar o quarterback Drake Maye nos minutos finais. Embora New England tenha mostrado evolução ofensiva em relação à final anterior, Seattle controlou o ritmo do jogo e segurou a reação dos visitantes no último quarto.
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Com o primeiro capítulo da temporada encerrado, as atenções agora se voltaram para o restante de uma recheada rodada inaugural. Além do histórico confronto em solo australiano na quinta-feira, o domingo e a segunda-feira reservam grandes testes para os demais favoritos da liga, incluindo embates divisionais pesados como Green Bay Packers contra Minnesota Vikings e o clássico entre Dallas Cowboys e New York Giants. Diante do nível de competitividade apresentado e da profundidade de seus elencos, surge a inevitável pergunta sobre a possibilidade de Seahawks e Patriots se encontrarem novamente no Super Bowl LXXI ao fim da jornada. Embora o caminho até lá seja longo e repleto de armadilhas em conferências extremamente parelhas, ambas as franquias demonstraram estrutura tática e talento individual suficientes para confirmar que continuam no topo do futebol americano e que reencontrar-se em fevereiro é um cenário perfeitamente plausível.
A Nova York do tênis viveu uma de suas madrugadas mais frenéticas e históricas no Estádio Arthur Ashe dos últimos anos. Em uma batalha eletrizante válida pelas quartas de final do US Open, Ben Shelton alcançou o ápice de sua carreira ao superar Carlos Alcaraz por 3 sets a 2, com parciais de 6-7 (5), 6-1, 6-3, 1-6 e 7-6 (7), em longas 4 horas e 28 minutos de puro espetáculo. O duelo que serviu para derrubar o espanhol número 3 do mundo, cravou também o nome de Shelton nos livros de estatísticas como o jogo com o encerramento mais tardio de toda a história do torneio, com a bola do jogo caindo às 3h33 da manhã na Flushing Meadows. O recorde anterior, ironicamente, pertencia ao próprio Alcaraz no marcante triunfo contra Jannik Sinner nas quartas de 2022, finalizado às 2h50.
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Para além das luzes e do horário inusitado, o embate acumulou curiosidades numéricas marcantes. Shelton quebrou um tabu incômodo de 17 derrotas consecutivas contra atletas do top 3 do ranking da ATP e conquistou sua primeira vitória contra o rival espanhol após três reveses prévios no circuito. A chave para o feito residiu no controle emocional nos momentos críticos e na precisão nos golpes: o jovem norte-americano disparou saques de até 240 km/h, anotou 34 winners e cometeu apenas 34 erros não forçados, enquanto Alcaraz pagou o preço por uma noite oscilante com 53 erros não forçados. No tie-break decisivo do quinto set, Shelton chegou a ver a desvantagem de 5 a 3 se desenhar, mas com a casa lotada a seu favor, engatou uma virada de almanaque ganhando quatro dos últimos cinco pontos. Nas entrevistas em quadra, o próprio jogador desabafou que a partida foi uma verdadeira guerra, ressaltando a maturidade mental de saber sofrer e atacar nos momentos exatos.
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Essa vitória incendeia as chances do título masculino e escancara o retorno vibrante do tênis norte-americano ao protagonismo. Com o triunfo, Shelton avança para enfrentar Frances Tiafoe em uma semifinal 100% caseira, garantindo de forma antecipada pelo menos um representante dos Estados Unidos na grande final do Grand Slam nova-iorquino. O momento do tênis local ganha contornos de era de ouro renovada, impulsionado também pelo ótimo desempenho do chaveamento feminino com nomes consolidados no topo como Coco Gauff e Jessica Pegula avançando às fases decisivas. Em um chaveamento masculino esvaziado pelo abandono precoce e ausência de Jannik Sinner, o US Open caminha a passos largos para coroar um campeão inédito em Grand Slams. A eletricidade no ar carrega um peso histórico particular: Nova York anseia desesperadamente por ver um campeão da casa erguer o troféu no Arthur Ashe, algo que não acontece no masculino desde o distante ano de 2003, quando Andy Roddick conquistou a América e abriu um longo jejum que Shelton ou Tiafoe tentará quebrar no fim de semana.
O atletismo brasileiro presenciou mais um capítulo memorável na carreira de Alison dos Santos. Ao cruzar a linha de chegada na etapa final em Bruxelas com o tempo de 46s70, o paulista de São Joaquim da Barra selou a conquista do seu tricampeonato da Diamond League nos 400 metros com barreiras, coroando uma temporada simplesmente espetacular. O ano de "Piu" beirou a perfeição, atingindo o ápice absoluto no circuito mundial quando ele estabeleceu um novo recorde mundial com impressionantes 45s80 na etapa de Zurique.
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A fluidez entre cada passada e a precisão no ataque às barreiras mostraram um atleta em seu auge físico e mental, dominante do início ao fim do circuito europeu. O brasileiro já gravou seu nome na história do esporte, ostentando também o título de campeão mundial conquistado em Eugene em 2022. Contudo, no livro dos imortais do esporte, o peso de uma medalha de ouro olímpica ainda fala mais alto do que qualquer outro troféu, e atrás dela que Alisson deve ir.
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Apesar de toda a genialidade e constância nas pistas, paira sobre a trajetória de Alison a incômoda sombra de um roteiro de "quase lá" no maior palco do planeta. Dono de dois bronzes olímpicos — conquistados em Tóquio 2020 e Paris 2024 —, o barreirista corre o risco de ser lembrado como um gigante que se acomodou no degrau mais baixo do pódio quando a pira olímpica se acendeu. O esporte de alto rendimento não tolera a modéstia dos satisfeitos; os bronzes são conquistas gigantescas, mas para quem tem o recorde mundial no peito, a conformidade soa como retrocesso. Alison não pode encarar a caminhada até os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 apenas como mais um ciclo, mas sim como a missão de sua vida.
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O ouro na Califórnia é o único resultado capaz de selar em definitivo sua prateleira ao lado dos maiores lendas da história do atletismo mundial. Para não ficar marcado como o garoto prodígio que bateu na trave nos momentos de maior pressão olímpica, Piu precisa mirar o topo mais alto, sonhar grande sem hesitar e encarar 2028 não como uma meta distante, mas como o acerto de contas obrigatório que definirá todo o seu legado.