Marmelada certamente não foi

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Por envolver quantias enormes de dinheiro, inúmeros interesses e claro muita política, todos nós somos obrigados a aceitar que uma vez ou outra uma luta de boxe pode ser amrmada, arranjada, tendenciosa ou de resultado questionável. Evander Holyfield contra Nikolai Valuev em 2008 e as fulminantes vitórias de Mike Tyson no primeiro round em 1995 e 1996, logo depois que saiu da prisão. Seja por uma decisão errada dos juízes após 12 assaltos ou por um nocaute relâmpago difícil de acreditar, um nocaute que às vezes vem até de um golpe fantasma, um soco que teria atingido o queixo do oponente, o lutador que vai ao chão antes do gongo soar pela primeira vez na noite tão aguardada pelo público que lota a arena. Parece mais uma marmeldada, mas definitivamente não se trata disso nesse caso.

Evander Holyfield talvez não pudesse superar o recorde de George Foreman como o campeão de idade mais avançada na história do boxe. Mike Tyson precisava recuperar a imagem de um lutador destruidor e sem piedade que construiu no início de sua carreira, extremamente abalada não só por ter ido preso como também pela derrota para James "Buster" Douglas. Mas hoje em dia, para aquele que é um dos maiores lutadores do peso pesado atualmente, não existem motivos para uma armação, não existe necessidade de evitar um recorde e superar outro, não existe uma necessidade de se criar uma imagem marcante que já existe, e também ninguém está precisando tanto de dinheiro para chegar a um ponto que o esporte não perdoa. Vitali Klitschko definitivamente não precisa de marmelada.

A última vez que ele havia subido no ringue foi em outubro do ano passado. O boxe não é como outros tipos de lutas que existem por aí, o boxe não acontece todo final de semana, uma luta é um acontecimento único, é preciso uma preparação especial pra um momento marcante como é cada combate. É exatamente isso que traz uma ansiedade maior ao público, uma expectativa angustiante, a espera para ver o seu pugilista favorito em ação, destruindo seu rival. É também por isso que o público lota o Lanxess Arena, na Alemanha, vibra com as lutas que antecedem o grande duelo da noite e vai ao delírio com o show da banda Roxette. A reação de todos não poderia ser diferente ao ver o juiz mexicano José Guadalupe Garcia encerrar a luta tão rápido, eles vaiam fervorasamente sem perdão, parece marmelada, mas não se trata disso.

O lutador que está em pé, o grande vencedor da noite, o pugilista que mantém o título de campeão peso pesado pelo Conselho Mundial de Boxe é Vitali Klitschko, o mesmo que assim como o público presente e milhões vendo pela TV não acredita no aconteceu, ele abre os braços e tem até que ser contido pelo irmão Wladimir quando partiu para cima absolutamente incontrolável. Sim, o cubano Odlanier Solis, o campeão olímpico e falastrão Solis, o mesmo que promoteu iniciar uma nova era, caiu, simplesmente foi ao chão poucos segundos antes do fim do primeiro round. Teria sido um golpe fantasma ou uma esquerda no queixo, não foi nada disso, ele simplesmente estava com uma lesão no joelho e não quis desistir da luta, achava que poderia aguentar, pensou que era sobre-humano. Não houve marmelada, houve falta de bom senso de Odlanier Solis e uma atitude exemplar do árbitro. Bom para Vitali, ainda campeão aos 39 anos de idade e com a consciência limpa. (Foto: AFP PHOTO/PATRIK STOLLARZ)

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