Chela, o último dos moicanos

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Não que os argentinos sejam uma unanimidade jogando tênis no saibro, mas a verdade é que após o sucesso de Gustavo Kuerten, principalmente porque ganhou três títulos em Roland Garros, surgiram vários bons jogadores de tênis vindos do país vizinho ao invés de surgirem no país tupiniquim, e a maioria deles era bom de terra batida e fez a Argentina lembrar os bons tempos de Guillermo Vilas. Uma dessas promessas era inclusive xará de Villas, Guillermo Cañas, três vezes nas quartas-de-final do torneio francês. Sem falar em Mariano Zabaleta, oitavas-de-final, Franco Squillari, semifinal ou em Guillermo Coria, finalista de 2004, Mariano Puerta, finalista de 2005 e principalmente Gastón Gaudio, que levantou a taça em 2004. Imaginem só se todos eles fosse brasileiros ao invés de argentinos.

A boa fase dos argentinos, no entanto, acabou perdendo ritmo, David Nalbandian chegou na semifinal em 2006 e não conseguiu mais nada depois disso. Juan Martín del Potro por sua vez também conseguiu a semifinal, em 2009, o melhor ano de sua carreira quando se tornou campeão no US Open. Esse ano Potro, que tem 22 anos de idade e já faz parte da uma nova geração, caiu na terceira rodada porque encontrou no caminho o insuperável Novak Djokovic. Isso não significou que a Argentina iria viver mais um ano sem ter a chance da glória no charmoso torneio francês, pois um remanescente jogador dos recentes bons tempos ainda tem alguma carta na manga, Juan Ignacio Chela, o últimos dos moicanos que havia chegado nas quartas-de-final em 2004 conseguiu repetir o feito aos 31 anos de idade.

Talvez Guillermo Vilas pudesse ter mais do que aquele único título conseguido em 1977, mesmo porque jogou as finais de 1975, 1978 e 1982. Talvez a Argentina mesmo pudesse ter mais títulos, com tantos bons jogadores e conseguindo aquela inédita final de 2004 toda em branco e azul claro. Mesmo assim saber que o país brilhou duas vezes no Velho Continente em duas épocas diferentes não é nada mal, isso mostra principalmente que existe uma renovação em seus tenistas, até mesmo no feminino que por tantos anos viu brilhar a estrela de Gabriela Sabatini e hoje se encanta com o belo jogo de Gisela Dulko. A esperança agora fica para Leonardo Mayer, quem sabe Agustín Velotti em um futuro próximo, mas antes ainda resta saber o que o último dos moicanos pode fazer, qual será o destino de Juan Ignacio Chela?

Pode ser que Chela tenha dado sorte nesse ano em Roland Garros, só pegou adversários desconhecidos, mesmo assim sofreu em dois jogos onde precisou de cinco sets para vencer, mostrou porque mereceu chegar nas quartas-de-final com aquela velha raça argentina. Para ir mais longe seria preciso derrotar Rafael Nadal ou Robin Söderling, encontrando na decisão Novak Djokovic ou Roger Federer. A tarefa parece das mais complicadas e até impossível, mesmo porque antes de pensar em qualquer um desses jogadores ele terá que pensar primeiro no britânico que está fazendo até chover na quadra Philippe Chatrier. Andy Murray é o cabeça de chave número quatro, é um jogador que nunca passou desta fase no Aberto da França, mas é sempre um osso duro de roer. No mínimo a Argentina dos bons tempos de saibro já voltou à cena, resta saber apenas se o último dos moicanos fará como fizeram seus compatriotas na primeira metade da última década. (Por Net Esportes Foto: Alex Livesey/Getty Images)

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