Cem anos depois no Galibier

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Em 1911 o Col du Galibier entrou no percurso do Tour de France pela primeira vez. Doloroso e desgastante, o aterrorizante pico dos Alpes franceses viu Emile Georget ficar com a vitória e apenas outros dois ciclistas completarem o percurso de 366 km que fez parte daquela que era apenas a quinta etapa daquele ano. De lá para cá se passaram cem anos e de 1947 em diante a temida montanha de 2556 m fez parte da maior prova de ciclismo do mundo por mais de trinta vezes. Cem anos é um tempo gigantesco e o Col du Galibier merecia ver uma etapa terminar em seu ponto mais alto do que apenas fazer parte de alguma etapa, e isso aconteceu neste ano de 2011. 200 Km de distância, três subidas categoria hors concours e no final a glória para aquele que tem tudo para ser o grande campeão.

Nas grandes subidas o trabalho de um companheiro de equipe é extremamente fundamental. Lance Armstrong tinha, entre outros, George Hincapie e Tyler Hamilton para lhe ajudar. Andy Schleck tem alguém em quem possa confiar um pouco mais, alguém que não vai lhe acusar de doping no futuro, seu próprio irmão Frank Schleck. Mais do que tudo os irmãos estão na mesma equipe, eles tem táticas, o desejo de ver o outro vencendo e uma estratégia que da muito mais resultados do que os ataques frustrados de Alberto Contador nas duas etapas anteriores. Média montanha, chegada em descida, parece até que o espanhol não sabe mais disputar uma prova ciclística como o Tour de France. Contador não consegue mais acompanhar Andy Schleck, o luxemburguês que dispara na frente e não poderá mais ser alcançado rumo ao topo do Col du Galibier.

Quando tentou diminuir nas etapas 16 e 17 o seu prejuízo alcançado nas primeiras etapas devido à quedas, Contador talvez estivesse pensando em uma bonita frase como "Sem coragem, sem glória", mas o pensamento positivo foi expressado justamente por Andy Schleck na manhã que antecedeu a etapa 18, considerada a mais difícil desse ano, denominada como a etapa rainha do Tour 2011. Ninguém poderia segurá-lo, seu objetivo era apenas um, vencer e assumir a liderança. A diferença chegou a ser superior a quatro minutos, a camisa amarela já era sua, mas Cadel Evanas fez um trabalho brilhante, trouxe Frank, Ivan Basso e trouxe também o valente Thomas Voeckler, para ficarem a pouco mais de dois minutos do vencedor e para o francês não perder a liderança por apenas 15 míseros segundos.

Depois de cem anos o mítico Col du Galibier merecia ver um chegada em seu topo, porém ser apenas parte de uma etapa parece ser sua grande sina, e talvez por isso ele terá que ser escalado novamente amanhã, em um percurso diferente onde os ciclistas virão do norte depois da largada em Modane. Andy Schleck afirmou não ter medo de perder, vai atacar novamente, precisa de mais um bom resultado e poderá finalmente vestir a camisa amarela de líder para não perder nunca mais. O Alpe d'Huez é o seu destino final, a última etapa em subida entes do contra-relógio que pode ou não ser determinante caso as diferenças sejam pequenas. Andy Schleck está próximo de ganhar o título que mereceu muito no ano passado, perdido para Contador que não tem mais nenhuma chance e que ainda está nas mãos de Voeckler, pois o francês está fazendo um trabalho extraordinário, tudo porque o Tour de France é simplesmente extraordinário. (Foto: AFP PHOTO / LIONEL BONAVENTURE via Getty Iamges)

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