Uma prova de nunca é tarde

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Jerry Barber, quando venceu o PGA Championship em 1961 aos 45 anos e o argentino Roberto De Vicenzo, quando faturou o British Open de 1967 aos 44, já haviam provado o quanto nunca é tarde para se alcançar um sonho. Mas a idade avança, as esperanças passam a ser menores e é sempre bom quando um veterano alcança a façanha de ser campeão no esporte, principalmente no gofe, onde a técnica sempre fala mais alto que o esforço físico exigido ao extremo em outras modalidades. Quem poderia imaginar que Darren Clarke, aos 42 anos de idade, estando a quase uma década sem figurar entre os melhores colocados de um torneio major poderia finalmente vencê-lo? Certamente ninguém, só que aconteceu, mais uma prova de que nunca é tarde, nem no esporte e nem na vida.

Um evento esportivo centenário já alcançou sua grandiosidade naturalmente, ainda mais quando chega à sua edição número 140. O Royal St George's Golf Club literalmente pára quando os melhores jogadores pisam na grama verde que percorre as mais de sete mil jardas dos seus 18 buracos. A Inglaterra e o mundo voltam suas atenções porque não é apenas mais uma competição de golfe, é o British Open, o Open Championship de 2011 em sua 140º edição. Não poderia ser diferente, em pelo menos um de seus dias, faz parte da vida inglesa, a chuva, o vento forte, o frio, tudo que não combina com um jogo de golfe perfeito. Nessas horas ser ainda mais preciso do que precisa é mais do que necessário, separa os perdedores dos vencedores, os jovens dos veteranos experientes que já sabem o que fazer nessa situação drástica.

Rory McIlroy vai ficando para trás, o show recente que deu no US Open virou passado, quem pode imaginar o que ele fará quando tiver 42 anos de idade, no mínimo pensar que nunca é tarde para mais uma vitória. Tiger Woods está machucado, não foi ao US Open e também não viajou para a Europa, não poderá vencer o British Open mais uma vez, quem sabe quando tiver 42 anos de idade, sempre haverá um sonho e uma esperança de superar Jack Nicklaus. Antes da tormenta aparecem Thomas Bjørn, o local Tom Lewis, Lucas Glover e o espanhol Miguel Ángel Jiménez. Já na sexta-feira quem se junta a eles, assumindo a liderança, é Darren Clarke, justamente o irlandês de 42 anos de idade, a quem poucos deram créditos, aquele que provou a velha história de que nunca é tarde, e ainda mais com alguém olhando la de cima.

Poderia ter sido McIlroy, quem sabe, ou Tiger Woods se não fosse tudo que aconteceu em sua vida. Dustin Johnson veio com vontade, Chad Campbell, Rickie Fowler e Anthony Kim também, porém quem mais se aproximou de Clarke foi Phil Mickelson. Quatro birdies, um eagle, que começo incrível no último dia, até virem quatro bogey´s, quatro tacadas que fizeram a diferença exata entre ser campeão ou ser segundo colocado. Talvez, no fundo, Mickelson não pudesse superar aquele que hoje é o seu grande amigo Darren Clarke, o jogador de 42 anos que perdeu sua esposa, morta em 2006 com cancêr de mama, o mesmo Clarke que viu Phil Mickelson e sua esposa Amy lhe acolherem na Ryder Cup daquele ano, o mesmo Clarke que foi até a família Mickelson quando Amy acabou diagnostica no ano passado com a mesma doença da esposa de Clarke. Amy sobreviveu, Heather não, ela provavelmente estava vendo tudo que aconteceu lá de cima, no dia em que Darren Clarke fez história no golfe, no dia em que o mundo viu mais uma prova de nunca é tarde para se conseguir algo que tanto se deseja na vida. (Foto: Peter Muhly/AFP/Getty Images)

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