Webber vence com o efeito Bernoldi

12:24 Net Esportes 4 Comments

Era o dia 27 de maio de 2001 e o britânico David Coulthard tinha grandes chances de vencer o GP de Mônaco com sua McLaren naquele ano. Ele fez a pole-position, mas teve problemas para sair na volta de apresentação e caiu para a 18ª posição. Na sua frente iam dois carros da Arrows, um deles era Jos Verstappen, facilmente ultrapassado, o outro era o brasileiro Enrique Bernoldi, que acabou conseguindo um feito notável não sendo ultrapassado naquele dia histórico. No total foram 35 voltas segurando Coulthard que se revoltou completamente durante e após a corrida. Estava criada ali uma tendência que segue até hoje, onde a dificuldade de se ultrapassar em Mônaco se tornou uma impossibilidade completada.

Em anos de história, que começou antes mesmo da Fórmula 1, a maioria dos vencedores em Mônaco largou na terceira posição. Só que nos últimos oito anos sete vencedores saíram na pole position. Isso significava muito para Michael Shumacher, que fez a pole, mas tudo foi por água abaixo porque ele perdeu cinco posições por uma punição. Seria a maior chance do veterano voltar ao ponto mais alto do pódio, pelo menos até a hora que abandonou, o que não comprovaria o efeito Bernoldi se ele tivesse largado na frente. Assim o herdeiro da primeira posição de largada, que reconheceu isso no final da prova, teve a chance de comprovar a teoria e faturar a vitória segurando cinco carros que vinham na sua cola babando e fazendo de tudo para ultrpássa-lo. Uma doce ilusão em Mônaco.

Mônaco continua sendo uma corrida clássica, emblemática, uma das maiores provas do automobilismo. Sua importância ainda é e sempre será enorme, quem vence ali se consagra eternamente. Mas faz tempo que não temos uma boa corrida no principado. Exceto por uma chuva que hoje ameaçou muito e não caiu, dificilmente haverá uma emoção maior. O mais rápido na prova de hoje, que foi o mexicano Ségio Perez, só conseguiu ultrapassar passando por fora da pista a acabando por ser punido pelo fato. De resto apenas uma tensão nas últimas dez voltas, com todos os seis primeiros andando com menos de um segundo de diferença entre eles e ainda com vários retardatários no meio. E assim foram até o final, sem que nenhum deles conseguisse qualquer ultrapassagem que fosse, prevalecendo o efeito Bernoldi que determina o resultado nos últimos anos.

Parece ruim a princípio, mas esquecendo que se trata de Mônaco e pensando no campeonato de 2012, o resultado foi fantástico e histórico. Jamais, desde que a Fórmula 1 começou em 1950, seis pilotos diferentes conseguiram vencer as seis primeiras corridas do ano. Isso mostra que o ano está mesmo equilibrado e também muito esquisito, pois o líder é Fernando Alonso, da Ferrari. Só que o detalhe é que apenas três pontos separam o espanhol de Sebastian Vettel, que fez uma corrida de recuperação sensacional, e do grande vencedor do dia Mark Webber, ambos pilotos da Red Bull. Será que a primeira equipe que viu seus dois pilotos vencerem no ano que seis pilotos diferentes venceram tem realmente uma ligeira vantagem nesse campeonato tão equilibrado? Se todos as corridas fossem em Mônaco e um deles fosse o pole-position a resposta para essa questão seria muito fácil de ser respondida. (Foto: Peter J Fox/Getty Images)

4 comentários:

Marcelonso disse...

Foi uma corrida monótona é verdade. Mas não dá pra esperar muito mais de Monaco sem chuva. Ano passado foi exceção...

Teve o lado histórico que só comprova o quanto está equilibrado essa temporada.

Assistimos a história sendo escrita...


abs

Ron Groo disse...

Não sei... Schumacher, Alonso, Hamilton e alguns outros já mostraram que dá para ultrapassar lá na saída do túnel, basta querer e ter coragem.

Ontem, mais que o efeito Bernoldi, foi o medo de ferrar a própria corrida e por consequência a de todo mundo que participava do trenzinho e acabar sendo punido nas próximas provas que imperou.

Net Esportes disse...

@Ron Groo: Seria uma nova realidade covarde da F1 ?

Ron Groo disse...

Acho que ao menos pra Mônaco sim, pelas circunstâncias apertadas do campeonato e da corrida, que realmente é mais arriscada passar, mas se tivesse menos a perder, cada um teria tentado ao menos uma vez na saída do túnel.