Mais seis garantidos e a Itália fora
O encerramento das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026, neste último dia 31 de março, selou o destino das últimas nações a garantirem passaporte para o megaevento na América do Norte, mas o que se viu nos gramados foi menos uma celebração do futebol e mais o registro de um crepúsculo institucional. Seis seleções carimbaram suas vagas em uma jornada de tensões extremas: Bósnia e Herzegovina, Suécia, República Tcheca, Turquia, República Democrática do Congo e Iraque superaram seus algozes na repescagem final. Enquanto os congoleses celebram um retorno histórico e a Turquia confirma sua resiliência defensiva com a vitória simples sobre Kosovo, o cenário europeu foi palco de uma tragédia esportiva que já não pode mais ser chamada de acidente. A Bósnia, ao segurar o empate por 1 a 1 e despachar a Itália nos pênaltis em Zenica, garantiu sua vaga, e colocou o último prego no caixão da relevância contemporânea da Azzurra.A ausência da Itália na Copa do Mundo de 2026 marca a terceira edição consecutiva em que o torneio não contará com os tetracampeões, um colapso sem precedentes para uma das camisas mais pesadas do planeta. O que se observa é um declínio estrutural que parece ter sugado a alma da seleção desde o título de 2006. Se lembrarmos que, após o êxtase em Berlim, os italianos foram eliminados de forma vexatória ainda na primeira fase em 2010 e 2014, as não classificações de 2018, 2022 e, agora, 2026, revelam que a paz e a estabilidade fugiram de Coverciano para dar lugar a um estado de melancolia permanente. Ver a Itália de fora, mesmo em um Mundial expandido para 48 seleções, é a prova final de que o prestígio histórico não serve de escudo contra a má gestão e a escassez de novos talentos decisivos. Para o torcedor italiano, a busca pela felicidade no futebol tornou-se um exercício schopenhaueriano de tédio e dor, onde o "viver" é apenas esperar pela próxima decepção.
Enquanto a Europa assistia ao desastre italiano, o Brasil encerrava sua participação nesta Data FIFA com uma vitória magra sobre a Croácia. Embora o resultado positivo teoricamente traga algum alento, o desempenho coletivo sob o comando de Carlo Ancelotti continua longe de convencer. A Seleção Brasileira parece navegar em uma mediocridade técnica onde consegue superar equipes de nível intermediário, como o desgastado time croata, mas carece de repertório quando o sarrafo sobe. A lembrança do amistoso anterior contra a França ainda é vívida e incômoda: em Boston, os franceses venceram e também neutralizaram completamente qualquer tentativa de criação brasileira com um jogador a menos, expondo a fragilidade tática de um elenco que, individualmente, é brilhante, mas que coletivamente se perde diante de gigantes. A sensação que fica é de que o Brasil se tornou um "leão de amistosos" contra seleções medianas, mas entra em campo com complexo de inferioridade tática contra as potências reais, transformando a esperança do hexa em uma dúvida pragmática e pouco inspiradora.


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