Espanha está na final da Copa do Mundo

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O 14 de julho amanheceu amparado pela história, com a França celebrando o aniversário da queda da Bastilha, um símbolo de liberdade e do fim do absolutismo que, curiosamente, ganhou um novo contorno no gramado da semifinal da Copa do Mundo. Com o sol escaldante do lado de fora do estádio coberto e climatizado, a esperança francesa era de que seu "rei", Kylian Mbappé, coroasse o feriado nacional com uma exibição de gala, mas o que se viu foi um monumento desmoronando diante de um exército disciplinado. A Espanha, sem o glamour das artes plásticas ou o estardalhaço das estrelas individuais, impôs um pragmatismo cirúrgico que sufocou qualquer respiro criativo dos Bleus. Mbappé, por mais veloz e brilhante que seja, encontrou um sistema de vigilância implacável; cada vez que tentava acelerar, via-se cercado, anulado, um monarca cercado por súditos que se recusavam a curvar-se diante de sua majestade técnica.
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O jogo, longe de ser lembrado como o futebol arte que os românticos costumam exaltar, foi um duelo de xadrez tenso e, por vezes, arrastado. A França, visivelmente sem qualquer inspiração e presa a um esquema estagnado, parecia jogar contra as próprias sombras, enquanto a Espanha construía sua vitória na base da paciência e do coletivo. Foi o triunfo da estratégia sobre o talento puro, do jogo feio, mas eficiente, sobre a promessa de beleza que nunca se concretizou. Com o apito final, confirmou-se que a Bastilha de Mbappé havia caído; o coletivo espanhol provou que, contra uma engrenagem bem azeitada, não há brilho individual que sustente o trono. A vitória espanhola acabou sendo uma imposição de um estilo que prioriza a ordem em detrimento do caos criativo francês.

A Espanha está de volta a uma final de Copa do Mundo depois de 26 anos. Onde estava a Espanha esse tempo todo? Uma Espanha que retorna justamente do mesmo jeito que jogava naquela época, ou seja, baseada no jogo coletivo sem uma grande estrela em campo. Lamine Yamal talvez seja esse grande jogador como Mbappé e Messi, mas nesta Copa do Mundo ele não mostrou isso, ou a Espanha o impediu de mostrar isso para justamente manter essa mentalidade de que o que importa é o jogo coletivo. Seis jogos sem sofrer gols na Copa, um recorde. A impressão que fica é que o goleiro Unai Simón só fez grandes defesas justamente agora neste jogo contra a França, e também que o melhor jogo da Espanha foi o da estreia quando empatou em 0 x 0 com Cabo Verde, mas foi o jogo que teve mais chances de gols.
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Agora, o horizonte se abre para uma final eletrizante. Seja contra a Argentina, com sua mística e ímpeto, ou contra a Inglaterra, equilibrada e faminta, a pergunta que ecoa nos corredores do futebol mundial é se a Espanha conseguirá sustentar seu império. São 37 jogos de invencibilidade, uma marca que desafia o tempo e o acaso, transformando o esporte em uma demonstração de força quase inabalável. No entanto, o futebol, esse esporte imprevisível, guarda para o último ato a resposta sobre se essa hegemonia é uma obra definitiva ou se, após derrubar o rei francês, a Espanha encontrará em seu próximo adversário a resistência final capaz de interromper sua trajetória rumo à eternidade. Do jeito que jogou ontem é difícil não imaginar a Espanha campeã como em 2010, mas do jeito que a França vinha jogando também era difícil não imaginá-la na final da Copa, portanto, tudo ainda pode acontecer nesta Copa do Mundo de 2026.

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