Jaqueline e seu número 67

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Em algumas cidades do Sul como Gramado e também São Joaquim sim, o Brasil já viu a neve cair do céus e deixar o chão todo branco, claro que a quantidade não era tão grande assim, portando nem mesmo com esses dias raros de um inverno pouco rigoroso alguém consegue esquiar por aqui, privilégio dos Europeus que quando nascem já começam naturalmente a praticar os esportes de inverno, indo de esqui para a escola por exemplo, assim fica difícil imaginar que um brasileiro possa competir nas Olimpíadas de Inverno, mas por incrível que pareça sempre aparece alguém, desta vez uma brasileira guerreira e seu querido número 67.

Nos Jogos Olímpicos de Verão de Atenas 2004 ela estava lá, Jaqueline Mourão disputava a prova de Mountain Bike sem muitas pretensões mas sempre com a mesma vontade e determinação que a levariam longe, pouco depois se casou com um canadense que a convenceu a praticar outro esporte que assim como o Moutain Bike também é chamado de Cross Country, porém não se usa uma bicicleta e sim um par de esquis, é o Esqui Cross Coutry, onde se percorre uma distância de 10Km para mulheres, é a chamada maratona dos esportes de inverno, uma prova extremamente desgastante.

Jaqueline chega às Olimpíadas de Turim 2006 sem muita base, sem muito treino, sem um passado nos esportes de inverno, sem a neve da qual praticamente todas as suas adversárias conhecem muito bem, mesmo assim ela tem força física suficiente para pelo menos ir até o fim, para levar o nome do seu país o mais longe possível, ela conseguiu o tempo de 35min59s7 naquela oportunidade e dentre 72 competidoras alcançou a 67ª posição, o número 67 não parecia naquela oportunidade nada demais senão apenas a ordem de sua chegada, pelo menos até quatro anos mais tarde.

Entre Turim 2006 e Vancouver 2010, Jaqueline Mourão ainda estve nos Jogos de Verão de Pequim 2008, mais uma vez competindo no Moutain Bike, e chegou mais forte no Canadá, pronta para fazer o seu melhor já que as pretensões de medalhas eram inexistentes, ela conseguiu o tempo de 30min22s2, melhor do que o que havia feito na Itália, mas dentre 78 competidoras foi novamente a 67ª, vendo o peculiar número voltar a fazer parte da sua vida, mesmo que no instante que ela competia ele já fizesse parte, pois 67 era também o número que Jaqueline Mourão estampava no peito, um número que só não fez nevar no Brasil. (Foto: AP Photo)

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