Dakar, o eterno rally da morte

13:19 Net Esportes 3 Comments

Deserto da Líbia, ano de 1977, rali de Abidjan-Nice. Pilotando sua Yamaha XT 500, o piloto francês Thierry Sabine acabou se perdendo durante uma tempestade de areia e após três dias de buscas a organização deixou de procurá-lo. Por sorte uma pequena aeronave acabou localizando o competidor no limite da desidratação e ao resgatá-lo o socorrista lhe disse - "Meu amigo, daqui para a frente, tudo o que você viver será lucro". Sabine se recuperou e dois anos depois colocou em prática a idéia que teve quando estava totalmente perdido, isolado, sem qualquer esperança de sobreviver; Que era organizar a maior prova off-road jamais vista, saindo da Europa e atravessando a África através do deserto, a definindo como “um desafio para os que vão e um sonho para os que ficam”, estava criado o Rally Paris-Dakar.

O mais famoso rally do mundo, o mais difícil de todos e o mais mortal em todos os tempos. Nem tudo foi lucro na vida de Thierry Sabine como seu salvador proferiu, o piloto francês acabou morrendo no dia 14 de janeiro de 1986, a bordo de um helicóptero que se chocou com uma duna durante outra tempestade de areia no deserto. O fim de sua vida ocorreu quando organizava a prova que ele mesmo inventou, o fim da vida de muitos outros aconteceu também durante o rally conhecido como Dakar que também tem sua eterna fama de rally da morte. O criador se foi há 25 anos, mas o Dakar continuou e seguiu fazendo uma vítima atrás da outra, seja na África, seja na América do Sul, com um total de 56 falecimentos desde o ano de 1979. O pior é nem todos estavam diretamente ligados à competição.

Em 2010 uma mulher argentina foi atropelada pelo carro do alemão Marco Schultis, esse ano foi vez de um pobre motorista que voltava para casa de madrugada, quando se chocou de frente com o carro Eduardo Amor e perdeu sua vida. O piloto estava atrasado para chegar ao acampamento que deveria ter dado entrada no dia anterior. As etapas chegam a ter 600, até 700 km, e a organização não tem a mínima condição de controlar todo ou qualquer canto remoto, de aldeia isoladas e complicadíssima comunicação. A idéia de Thierry Sabine em colocar na prática todo o sofrimento que ele mesmo viveu no deserto da Líbia funcionou perfeitamente, nada foi mudado e este sofrimento passou a ser um companheiro indispensável dos competidores e todos que estão ligados indiretamente ao Dakar.

Patrice Dodin, o próprio Thierry Sabine ou mesmo a pobre Natalia Sonia Gallardo e tantos outros desconhecidos. Já se foram 56 e muitos outros como todos os 430 pilotos inscritos esse ano sobreviveram, dentre os quais o piloto de motos Marc Coma, o piloto de carros Nasser Al-Attiyah e o de caminhões Vladimir Chagin, que ao final dos mais de 5.900 km conseguiram se sagrar como os grandes campeões do Rally Dakar, o rally que segue sendo o mais aclamado, o mais amado, o mais difícil e o maior desafio daqueles que vivem pelas provas de off-road, mas que também segue sendo o rally que mata, que tira a vida até mesmo daqueles que não assumem os riscos, que são literalmente vítimas da natureza cruel e obstinada desta competição, tudo o que Thierry Sabine viveu literalmente, e tudo que ele fez muitos viverem nesses mais de 30 anos de história.

3 comentários:

Todo ano morre nego nesse Raly, eh impressionante...

Tem gente doido pra tudo nesse mundo...

Ron Groo disse...

Rally é algo realmente para homens, na acepção da palavra.

Mas vou lhe dizer... A melhor coisa que poderia ter acontecido ao evento foi ter se transferido para a America.

Net Esportes disse...

@Groo: Sem dúvida Groo, pena que a organização não larga o Atacama por nada, assim o Brasil sem um cenário dsértico próximo fica sempre descartado do trajeto.