Roteiro muda, mas os nomes não

13:41 Net Esportes 1 Comments

Glamour era ser chamado de Raly Paris-Dakar, isso que era um status relevante para aquela que hoje é a maior prova off-road de todo o planeta. Quase sempre a largada no primeiro dia do ano, mais um fator imprescindível para chamar um pouco mais a atenção. Da capital francesa até a capital do Senegal foram doze anos de história, mesmo que apenas nos três primeiros deles só a largada e chegada constassem na definição do trajeto. Havia a necessidade de passar por Argel, Tunis e Tripoli, o pior mesmo aconteceu em 1992, quando a Cidade do Cabo passou a ser o destino final no lugar da célebre Dakar. Dali em diante as mudanças passariam a serem muito mais constantes, muito mais drásticas e se alguém soubesse que um dia não haveria nem disputas, se importar com o trajeto original seria irrelevante.

De Paris até Dakar aconteceu novamente em 1993 e em 2001 pela última vez. Teve ano que retornou à capital da França, teve ano que saiu de Granada e chegou no Dakar, teve ano que saiu de Lisboa para chegar no Senegal e até o Cairo já foi o destino derradeiro dos bravos competidores. A Europa, a África, muitas mudanças e uma mudança ainda maior iria acontecer, a mudança de continente. O problema era a violência, assaltos e inúmeras ameaças de terroristas, a edição de 2008 estava cancelada e o jeito era ir para outro lugar. Dakar fica para trás, mas o Raly Dakar não pode ser chamado de outra forma. Na América do Sul o orgulho de receber a competição que preserva pelo menos o nome de uma das cidades onde começou a fazer história, esse nome não tem como ser outro, assim como o nome de alguns dos pilotos que nos últimos anos não dão chances para ninguém.

Tudo começa pela disputa dos caminhões. Provavelmente é a competição mais difícil de todas no Raly Dakar, a que exige mais esforço do piloto e muito mais trabalho para a equipe de apoio e navegadores, que o diga o brasileiro André Azevedo. Firdaus Kabirov venceu em 2005, ainda na África, e repetiu a dose em 2009, não à toa, pois neste ano está em segundo lugar na classificação geral. Em terceiro aparece Ales Loprais, sobrenome também não muda, Karel Loprais foi campeão em 1995, 1994, 1998 e 2001. Só que para serem os melhores em 2011 vão precisar superar outro velho conhecido, tão conhecido quanto o próprio nome do Raly, campeão em 2010, 2006, 2004, 2003, 2002 e em 2000, o russo Vladimir Chagin é mais do que mestre, e detém um recorde incrível de 59 vitórias em especiais de etapas na carreira.
A exclusividade dos nomes que não mudam não pertence apenas aos caminhões. Nas motos entre os três primeiros desde que começou o Raly deste ano estão Cyril Despres e Marc Coma, o francês ganhou três títulos nos últimos cinco anos enquanto que o espanhol venceu os outros dois, sempre alternado. Já nos carros o líder é Carlos Sainz, campeão do ano passado, sendo que em terceiro lugar está Stéphane Peterhansel, campeão de 2007, 2005 e 2004, correndo de carro, porque correndo de moto ele já foi campeão outras seis vezes nos anos 90. Muitos nomes que praticamente não mudam na lista dos gloriosos pilotos que entraram para a história do Raly mais perigoso do mundo, o Raly da Morte que mudou seu trajeto várias vezes, mudou de país, cidades e até continente, só não mudou sua essência, e não mudou aqueles que o fazem ser a mais importante e carismática prova do tipo em todo o planeta.

1 comentários:

Ah, cara. São vários motivos para tudo ter mudado, mas, com certeza, era muito mais charmoso!

Estou de volta!

Abração,

Luís - @luisfbarreiros
porforadogramado.blogspot.com