Green Bay volta a ter um Rei

10:31 Net Esportes 4 Comments

Era dia 26 de janeiro de 1997, era mais um daqueles dias que os Estados Unidos literalmente param para ver um dos maiores eventos esportivos do planeta. A maior festa do esporte americano, o Super Bowl XXXI, que viu Desmond Howard espantar muitas pessoas com sua corrida épica de 99 jardas para marcar o último e derradeiro touchdown da partida no terceiro quarto do jogo, o touchdown que dava o título maior ao Green Bay Packers, depois de praticamente 30 anos de jejum. A equipe que já havia sido campeã 11 vezes finalmente voltava ao topo do mundo, e tudo isso graças à um jogador, o quarterback Brett Favre, o gigante esmagador de recordes que aos 27 anos de idade se tornava o Rei da pequenina cidade de Wisconsin. Um reinado que durou muito, só que não traria mais grandes conquistas e que acabaria tendo um sucessor em que poucos acreditavam.

O Green Bay Packers de Brett Favre jogava de forma sublime, lembrava muito o Packers de 1966 e 1967, que era comandado pelo gênio Vince Lombardi, o treinador que hoje da nome ao troféu entregue ao grande campeão do Super Bowl. Chegar em duas finais seguidas como nas duas primeiras edições da grande decisão da NFL era uma tradição que deveria ser repetida pela equipe dos cabeças de queijo, e desta forma no dia 25 de janeiro de 1998 o Green Bay Packers e seu Rei estavam novamente decidindo o título. A história infelizmente acabou não se repetindo, o Denver Broncos marcou 31 a 24 no jogo que aconteceu em San Diego e teve o direito de levantar o troféu naquela noite. Novas tentativas com Favre duraram por mais dez anos, algumas boas, outras nem tanto, o Rei precisava deixar o trono, precisava passar a coroa que não queria largar nunca mais.


Era difícil, talvez até impossível imaginar um novo Rei em Green Bay. No draft da NFL de 2005 o quarterback Alex Smith era a primeira escolha do San Francisco 49ers e dizia que iria se tornar o novo Joe Montana. Depois dele somente a 24ª escolha selecionou outro quarterback, um nome pouco conhecido, alguém que certamente iria amargar um bom tempo esquentando o banco de reservas. O time que resolveu arriscar era o Green Bay Packers, o jogador que resolveram apostar suas fichas era Aaron Rodgers. Um ano, dois anos, três anos esperando a sua vez chegar, anos de aprendizados, de estudos, de paciência que certamente iriam trazer alguma reconpensa no futuro. Brett Favre resolve se aposentar, Rodgers se anima, Favre quer voltar, mas seu velho time não o quer mais. O Packers resolveu renovar, resolveu apostar alto mais uma vez, parecia um erro, só que foi um dos maiores acertos de sua história.

Na temporada de 2008 ainda era possível sentir saudades de Favre. Em 2009 as saudades se transformaram em um ódio que jamais algum torcedor imaginou sentir antes de ver seu eterno ídolo vestir a camisa de um dos maiores rivais. Já no ano de 2010 a luta árdua e sofrida da temporada regular parecia uma caminhada sem fim por um deserto árido em busca de água fresca. As contusões prejudicavam demais a continuidade do trabalho, foram dez vitórias e seis derrotas. A sexta colocação na Conferência Nacional não era um bom sinal, apenas duas equipes que perderam seis jogos na temporada regular e se classificaram como cabeça-de-chave número seis conseguiram ser campeões do Super Bowl. Repetir a história era mais um desafio, entrar para história é uma sina dessa equipe, se superar nos momentos difíceis, o Green Bay Packers nasceu para ser grande, e no Super Bowl XLV corou seu novo Rei.


Aos 27 anos de idade, a mesma idade de tinha Brett Favre quando foi campeão em 1997. Aaron Rodgers jogou como nunca nos playoffs, levou sua equipe ao Super Bowl mais uma vez. Um Super Bowl grandioso como sempre, um jogo de Futebol Americano que mobiliza um país inteiro, e grande parte do planeta também. Não importa se Christina Aguilera erra a letra do hino nacional americano, sua voz é incrível e esse momento é sempre marcante. Até o sorteio para ver quem começa com a bola é grandioso, a entrada das equipes no gramado, o show do intervalo que teve uma grande performance da banda Black Eyed Peas, em uma apresentação que contou também com o guitarrista Slash e o cantor Usher. Nas tribunas de honta vários atores famosos como John Travolta, ou ex-presidentes como George W. Bush. Jennifer Aniston e Adam Sandler participam das transmissões, Michael Douglas faz uma bonita introdução antes do kick off. Ninguém quer perder esse acontecimento anual único, ninguém quer perder esse jogo que é uma verdadeira batalha.

Quando se vê uma organização como essa, um público enorme de 103 mil pessoas que superam o frio, a neve e o gelo para lotarem o Cowboys Stadium, em Arlington, no Texas, entendemos porque um comercial na TV chega a custar cerca de U$ 5 milhões de dólares. A criatividade para se fazer propaganda é incrível, a criatividade para se fazer grandes jogadas com uma bola oval mais impressionante ainda. O Pakcers acerta mais, Rodgers acerta mais e o grande adversário da noite, o Pittsburgh Steelers, com seis títulos de Super Bowl, está mais nervoso, erra mais e vê o placar marcar 21 a 3 para a equipe verde e amarelo. Parecia que o fim estava próximo, mas o Packers do Super Bowl era o mesmo Packers da temporada regular, um time que vê seus jogadores deixando o campo um a um antes do intervalo, contundidos, massacrados no campo de batalha, baixas que só faziam o rival crescer em campo, mostrar que não estava ali à toa, valorizar ainda mais uma conquista que não vinha a 14 anos.


Ben Roethlisberger já viveu isso antes, duas vezes nos últimos seis anos. Os Steelers sabem jogar, sabem converter dois pontos extras, ficam a apenas um field goal de empatar o jogo quando o placar mostra 28 a 25 para o Packers. Só que essa noite tão especial é de Jordy Nelson, é de Greg Jennings e de Mason Crosby que marca mais três pontos restando apenas dois minutos para soltar o grito entalado na garganta. Essa é a noite para Aaron Rodgers finalmente sair da sombra de Brett Favre e se tornar o Rei de Green Bay, de levar o prêmio de MVP depois de acertar 24 de 39 passes para 304 jardas e três touchdowns. Essa é aquela noite especial tão aguardada do Super Bowl, a 45ª edição do Super Bolw que vê o lendário Vince Lombardi voltar para a casa, voltar para as mãos do time campeão, o Green Bay Packers que superou os desafios e chegou ao ponto mais alto que se pode chegar no fantástico mundo do Futebol Americano.

4 comentários:

Ron Groo disse...

Heheheheh não vi o jogo, mas por conta dele, alguns amigos do fórum que participo estão usando avatares do Freddie Mercury por ter apostado nos Steelers.

Kaique Pedaes disse...

Olá

Amigo, com a cabeça quente dizemos coisas que não devíamos

E foi o que eu fiz

Portanto, eu lhe peço perdão por tudo

Do fundo do meu coração, eu não fiz uma cópia do seu blog, porque eu tinha inúmeras opções de título, como Futebol Campeão, por exemplo, que foi o pioneiro

Eu também lhe desejo sorte e tudo de bom

E que haja paz entre nós mesmo!

E realmente o meu blog não foi criado antes de 1997, pois em 1997, eu ainda não havia nem nascido, por incrível que pareça

Bom, é isso o que eu queria lhe dizer

Abraço e sucesso

Net Esportes disse...

@Groo: !!!! não seria o Mick Jagger (pé frio da Copa) com a camisa Groo !!! he he !!!!

André Augusto disse...

Big Ben se omitiu, Aaron Rodgers foi irrepreensível. Green Bay saiu da fila e o anel finalmente tira o QB da sombra do Favre.