Histórias da Fórmula 1 IX

14:50 Net Esportes 2 Comments

A Fórmula 1 no ano de 1957 era extremamente diferente do que é hoje. Não apenas pelos carros, mas muito por conta do que cada um era ou não era capaz de fazer naquele tempo. O GP da Alemanha em Nürburgring, por exemplo, tinha previstas apenas 22 voltas, porém o tempo de duração da corrida ultrapassava as três horas e meia, pois uma volta rápida como a do pole-posicion durara mais de nove minutos. E naquele quarto dia do mês da agosto daquele ano quem largava na frente era o temido Juan Manuel Fangio, o piloto argentino que já havia sido campeão na categoria máxima do automobilismo por quatro vezes desde o início de tudo em 1950, o piloto que resolveu trocar de equipe mais uma vez, que começou o campeonato ganhando em casa novamente e que se despediu com chave de ouro, com outro título, com uma vitória épica na ante penúltima prova do campeonato.

Tempo de volta diferente, tempo de corrida muito acima do limite de duas horas que temos hoje em dia, inúmeras outras desigualdades haviam em 1957, mas tipos de pneus e estratégia de parar ou não nos boxes já existiam até por incrível que possa parecer. E outra situação mais inacreditável que existia era o que hoje chamamos de espionagem, dar uma olhadinha no que a outra equipe vai fazer, tentar saber mais do que pode. Não tinha McLaren, a Mercedes havia encerrado suas atividades, não foi a estreante Cooper e acabou sobrando para a Maserati, e logo para quem nem precisava disso, logo o Fangio, dando uma bisbilhotada na rival e antiga equipe italiana, a Ferrari, que nem era mais o bicho papão que foi em 1956, porém ia usar pneus mais duros, não iria parar nos boxes nenhuma vez durante as 22 voltas, durante mais de três horas e meia correndo no circuito de Nürburgring.

Uma vitória logo na estréia, perto de casa, dos amigos, pela quarta vez correndo em seu país. Vitória espetacular no GP de Mônaco, com pole-position, volta mais rápida, estava mais do que óbvio que sair da Ferrari e voltar para a Maserati havia sido um golpe de mestre. Mais uma vez as 500 milhas de Indianápolis fazem parte do campeonato e mais uma vez nenhum piloto que corre as outras etapas viaja aos Estados Unidos. Fangio ainda venceu na França e abandonou na Inglaterra, quando finalmente um GP birtânico foi reservado apenas para os britânicos, com Stirling Moss brilhando, com o domínio da Maserati mantido de um jeito ou de outro. Até que chegou o dia do GP alemão, o dia que Fangio descobriu tudo sobre a Ferrari, descobriu que Mike Hawthorn não ia parar nos boxes e resolveu fazer completamente diferente. Audácia, sabedoria, precisão, para muitos o melhor de todos os tempos.

Juan Manuel Fangio escolheu então penus mais macios, deixando o carro com um pouco menos de combustível e querendo andar bem mais rápido por estar mais leve. Deu tudo certo e o argentino abriu quase trinta segundos até a volta 13 quando resolveu parar. O pit, no entando, foi um verdadeiro desastre, problemas para tirar as rodas, uma perda de tempo gigantesca, o retorno para a pista na terceira colocação com cerca de 48 segundos de desvantagem. O até então tetra campeão da Fórmula 1 não se abateu, começou a fazer volta mais rápida atrás de volta mais rápida, conseguiu passar a Ferrari de Peter Collins no início da volta 21 e repetiu o feito no final da mesma volta quando superou Mike Hawthorn, também de Ferrari, exprimido no canto e fazendo milagre na pista, entrando na última volta do mesmo jeito que começou a primeira, entrando definitivamente na história da Fórmula 1.

"Eu nunca dirigi tão rápido em toda a minha vida e eu não acho que vou ser capaz de fazer isso novamente" foram as palavras deste espetacular piloto da Fórmula 1 chamado Juan Manuel Fangio. E de fato ele jamais repetiu aquela corrida monstruosa que fez na Alemanha, pois nas duas últimas etapas daquele inesquecível ano de 1957 a vitória ficou com o seu companheiro de equipe Stirling Moss, só que com um único detalhe que no final acabou fazendo toda a diferença, Fangio chegou em segundo lugar nas duas oportunidades, nas duas corridas realizadas na Itália, sendo uma dessas em Pescara, o palco do maior circuito de todos os tempos com uma volta de 25 Km de distância. A temporada de 1957 ficou marcada na história, o GP da Alemanha ficou eternizado com uma das maiores vitórias de todos os tempos e Fangio no seu adeus definitivamente eternizado como um dos melhores pilotos de sempre.(Foto: Arquivo)

2 comentários:

Andy A. disse...

Legal esse post de memória da f1 .
seguindo o blog , segue o meu ae

http://andyantunes.blogspot.com/

Ron Groo disse...

É... Eis aí o melhor do mundo, com certeza. Ninguém nunca fez e nunca fará isto em Nurburg...