Cada qual com o seu carrasco

16:03 Net Esportes 2 Comments

Roger Federer já chegou na final de um torneio Grand Slam 23 vezes em sua carreira. Detém o recorde de 16 títulos e perdeu em sete oportunidades. Nas sete vezes que foi derrotado, seis delas foram contra Rafael Nadal e apenas uma contra outro jogador. Dentre as vitórias apenas duas foram contra o espanhol, ambas na grama de Wimbledon onde acabou perdendo em 2008. Assim podemos ver Rafael Nadal como o carrasco de Roger Federer em finais de Grand Slam. Se não fosse o jogador espanhol ele poderia ter muito mais títulos. Entre os anos de 2008 e 2011 Nadal não perdeu nenhuma das sete finais de Grand Slam que disputou, quatro delas contra Federer. Mas então sua vida mudou completamente quando ele deixou de ser um carrasco para se tornar vítima de um, uma vítima mortal de Novak Djokovic.

O sérvio brincalhão que adorava tirar sarro dentro e fora das quadras. Djokovic chegou na final do US Open de 2007 quando perdeu para Roger Federer. Naquela época o suiço só era superado por Nadal no saibro francês. Depois disso ele venceu o Aberto da Austrália de 2008 e só voltou para uma final de Grand Slam em 2010, no US Open novamente onde viu Nadal vencer por lá pela primeira vez na sua carreira. Se fosse para analizar hoje uma carreira assim, poderíamos dizer que é melhor do que a carreira de Andy Murray, por exemplo, que nunca venceu nenhum torneio de Grand Slam. Mas Novak Djokovic não queria ser um Murray, um Andy Roddick ou um Lleyton Hewitt da vida. Ele queria mais, ele queria vencer mais títulos de Grand Slam, ser grande, ser o carrasco de quem já foi carrasco um dia no mundo do tênis.

Não era nenhum absurdo dizer que Rafael Nadal, pelo que vinha fazendo, superando Federer até na grama e ganhando um Grand Slam atrás do outro, seria um dia quem sabe o novo recordista de títulos de Grand Slam. Só em 2010 foram três títulos, em 2011 faturou seu sexto Roland Garros em sete anos jogando no saibro francês. Chegou a dez títulos de Grand Slam e só havia perdido duas vezes, na grama, quando ainda não era o grande carrasco de Roger Federer em finais de Grand Slam. Esses dez títulos poderiam ter se transformado em 13 e faltariam apenas três para igualar o recorde do suiço. Isso porque Nadal chegou em mais três finais de Grand Slam depois da décima conquista. Mas Nadal sofreu como Federer já sofreu na sua mão no passado. Nadal encontrou Novak Djokovic pela frente, Nadal encontrou o seu carrasco nas finais de Grand Slam.

Wimbledon 2011. US Open 2011 e agora o Aberto da Austrália de 2012. Os três últimos torneios de Grand Slam disputados e os três vencidos por Novak Djokovic contra Rafael Nadal na final. Um resultado tão incrível e grandioso como foi a última dessas três decisões que aconteceu neste domingo em Melbourne. Quando todos imaginavam ter sido a interminável final do torneio de Wimbledon de 2008 o jogo mais longo da história do tênis. Quando todos tinham certeza que a decisão de 1998 do US Open vencida por Mats Wilander que jogou contra Ivan Lendl havia mesmo sido o jogo decisivo mais longo na histórias dos Grand Slams com 4 horas e 54 minutos. Eis então que dois dos atuais três gigantes do tênis proporcionam um espetáculo ainda maior. Um duelo épico como tantas vezes foi Nadal contra Federer. Agora é Nadal contra Djokovic, que escrevem a história durante 5 horas e 53 minutos.

A vibração de Rafael Nadal no quarto set é um negócio contagiante que arrepia qualquer apaixonado por tênis e amante do esporte. Não podem haver dois vencedores, mas ambos mereceram demais ficar com a taça. Djokovic estravasa rasgando a camisa no final do jogo e gritando para quem quisesse ouvir. Novak Djokovic é hoje o atual rei do tênis, o número um do mundo, não da chances para Federer e muito menos para Rafael Nadal, sua vítima favorita de quem venceu as últimas sete decisões de títulos que disputaram, três delas torneios de Grand Slam, justamente os três últimos torneios de Grand Slam. Djokovic se tornou o quinto jogador na história com três Grand Slam seguidos, com cinco conquistas e 24 anos de idade ele começa a sonhar em ir ainda mais longe. Quem sabe o recorde de Federer ou os quatro Majors no mesmo ano. Para isso terá que superar Nadal no saibro de Roland Garros, provar que é mesmo seu carrasco, algo que nem Roger Federer conseguiu fazer, nem mesmo na época que ainda não tinha Nadal como carrasco. (Foto: AFP PHOTO / PAUL CROCK)

2 comentários:

Patrick Araújo disse...

O Novak Djokovic teve uma evolução tecnica surpreendente. Parece que ele decidiu parar de brincar com os outros e resolveu treinar de verdade... rsrsrsrsrs

Vamos ver se ele consegue ganhar todos os torneios esse ano...

Fernando disse...

O Nole é um jogador espetacular mesmo, e Nadal jogou muito, é um guerreiro, mas finalmente ele encontrou um adversário a altura, que o incomode que o vença mesmo. É o maior desafio da carreira dele.

Gde abrsss
Fernando dos Santos