Se tornar vilão querendo ser herói

14:17 Net Esportes 1 Comments

Na NBA o draft começou em 1947 praticamente com a mesma filosofia de hoje. Não há como contestar a forma como ele acontece, é muito justa com os times que acabam tendo uma temporada ruim, mas pode ser um péssimo negócio para os jogadores que vão parar em equipes que não querem defender para o resto de suas carreiras. Será que Kyrie Irving viverá uma vida feliz no Los Angeles Clippers ou ele preferia ter ficado no Cleveland Cavaliers? Derrick Williams dará certo no Minnesota Timberwolves e Brandon Knight será a grande estrela do basquete americano jogando no Detroit Pistons? Só o tempo dirá, pois é impossível prever o que acontecerá com os últimos draftados. Hoje só é possível saber o que aconteceu com os draftados que se tornaram ou logo serão agentes livres.

Vamos começar com Blake Griffin. Draftado pelo Clippers em 2009 ele já foi para o All Star Game e venceu o concurso de enterradas. O Los Angeles Clippers é um time horrível, um time pequeno que quase nunca chega em playoffs e que jamais foi campeão. Será que é possível imaginar Griffin jogando a vida toda lá ou ele vai querer ser vendido para tentar ser campeão em outra equipe? O caso dele é meio parecido com o de Kevin Love, que defende atualmente o Minnesota Timberwolves, uma equipe que jamais conquistou o título da NBA, nem mesmo um título de Conferência, ou seja, nunca chegou na decisão. É praticamente impossível não imaginar Love indo para outra equipe um dia, principalmente se continuar jogando bem. E nesse caso a torcida do Wolves irá vê-lo como um vilão, que deu às costas querendo ser herói em outro canto.

Isso talvez não aconteceria se o jogador draftado conseguisse ser campeão no time que o escolheu. Algo que já aconteceu na história, mas que não é muito fácil de acontecer. É muito difícil imaginar Kevin Durant, draftado em 2007, sendo campeão no Oklahoma City Thunder. Mas ele pode levar seu atual time até uma final, quem sabe, e aí ele virá herói e se não for campeão, se resolver ir embora para ser campeão, vai virar vilão. Assim fica muito complicado, era melhor ter vivido uma situação parecida como a que viveu Rajon Rondo, a 21ª escolha de 2006, do Phoenix Suns para onde nem foi. Uma troca envolvendo ainda Lakers e Atlanta o fez ir parar no Boston Celtics, de onde nunca vai sair e onde já conseguiu o seu tão sonhado anel de campeão da NBA.

Às vezes um grande jogador vindo do draft não consegue e nunca conseguirá ser campeão no time que o escolheu. Mas quando ele sair vai parar em outro onde provavelmente viverá a mesma situação. O que o Deron Williams foi fazer no New Jersey Nets. Jay-Z imagina que as coisas vão melhorar quando forem para Nova York, mas dificilmente alguém vai ser campeão por lá. O mesmo pode ser dito sobre Chris Paul, que deixou o New Orleans Hornets onde jamais conseguiria ser alguém, mas foi para o Los Angeles Clippers. Fazer o que em Los Angeles se não é no Lakers, para onde ele realmente queria ter ido se não fosse impedido. No Clippers ele talvez apenas evite que Blake Griffin seja um vilão um dia, quem sabe se torne o herói de lá que vai ser vilão um dia, mas certamente não será campeão.

Às vezes não ser campeão também não significa que a vida seja tão ruim. Dwight Howard foi escolha número um de 2004 e joga no Orlando Magic até hoje. O Magic jamais foi campeão da NBA. Derrick Rose também foi escolha número um de 2008, mas no Chicago Bulls ele tem chance de ser campeão, porque nesse mesmo Chicago um draftado de 1984 conhecido como Michael Jordan jogou quase toda sua carreira lá e foi campeão seis vezes. Assim ele não se tornará o vilão da pobre ex-equipe que o draftou para não viver mais os dias ruins que vive e não seguir o caminho de dois draftados do ano de 2003 que hoje vivem péssimos dias. LeBron James, a escolha número um daquele ano pelo Cavaliers e Carmelo Anthony, a escolha número três do Denver Nuggets que simpleste lhe odeia hoje como uma mulher traída odeia seu ex-marido.

Feliz é o Chris Bosh, que não fez história no Toronto Raptors e não deu esperanças aos canadenses. Feliz é o Dwyane Wade, que já foi campeão pelo Miami Heat e não precisou sair de lá para conseguir o que todos querem na NBA. A quem torça para que LeBron James jamais seja campeão da NBA, só porque deixou orfão seus filhos de Cleveland, um lugar onde provavelmente jamais seria campeão, mas onde todos o amavam e onde ele jogava como Jordan, esbanjando a alegria. O mesmo acontece hoje com Anthony no Knicks, que perde feio para o Nuggets, que perdeu nove dos últimos dez jogos e segue caindo morro abaixo na Conferência Leste. James perdeu a decisão com o Heat assim como perdera com o Cavs, Carmelo mal consegue chegar nos playoffs em Nova York. Ambos se tornaram vilões tentando serem heróis, tentando serem campeões da NBA.

Pau Gasol, Tyson Chandler, Ray Allen, Richard Hamilton, Shawn Marion e Ron Artest (que mudou seu nome para Metta World Peace). São vários os exemplos de jogadores que mudaram de time e acabaram sendo campeões um dia. Mas nenhum deles havia se tornado herói ou ídolo na equipe que pela qual foram draftados. Eles não seguem os exemplos dos já citados Rajon Rondo, Dwyane Wade, Michael Jordan ou ainda Dirk Nowitzki, Paul Pierce, Tim Duncan, Kobe Bryant e até Jason Kidd, que acabaram campeões nas equipes que os draftaram ou que fizeram uma traca com quem os draftou. E são equipes como Dallas Mavericks, Chicago Bulls, Miami Heat e até San Antonio Spurs que jamais haviam conseguido o título em toda a sua história. Eles deram sorte arriscando ficar na equipe que foram draftados ou foram competentes para levarem o time pelo qual foram escolhidos ao seu título inédito ou um título que não vinha a muito tempo?

Será que Dwight Howard vai ser campeão no Orlando Magic? Será que o Shaquille O'Neal teria sido campeão da NBA se tivesse ficado a vida toda no Magic? É impossível saber o que teria acontecido ou não com um jogador, é tudo uma questão de escolha, assim como o draft é, uma escolha que as equipes fazem. Os jogadores são literalmente escolhidos. LeBron James e Carmelo Anthony se tornaram vilões de suas ex-equipes não porque foram embora, mas porque fizeram história por lá e deram uma esperança a seus torcedores que talvez não volte tão cedo. Hoje ambos vivem pesadelos, Anthony mais do que James, mas estão em equipes com mais potencial para vencer o campeonato do que as que estavam. Se tornar vilão querendo ser herói, esse é preço que se paga quando as coisas não acontecem como deveriam, como aconteceu para tantos outros. (Foto: Jeff Gross/Getty Images)

1 comentários:

Luiz Paulo Knop disse...

Mais um excelente post! Não tem uma regra quando se fala em draft e valorizo muito mais os jogadores que ficam eternamente nos times. Pode notar que jogadores que saíram para ser campeão tem menos valor ao final da temporada do que o cara que já tá ali desde sempre.

Mas o que me chamou mais atenção é sobre Ron Artest... eu to vendo um tal de Metta World Peace na escalação do Lakers e nunca iria imaginar que esse cara é o maluco do Ron Artest...

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