O escocês que se perdeu no tênis

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Sob o imenso calor do sol escaldante de Melbourne, eles ficam com a boca seca e o nariz entupido. Uma respiração mais profunda e nada de oxigênio suficiente entrando pelas narinas. Bolsas de gelo, litros e litros de água, uma lesão na perna, a dor, o sofrimento, apenas um susto. A vida segue em ritmo frenético e as bolinhas precisam continuar sendo rebatidas pelas raquetes para o outro lado da quadra. As condições na Austrália são bem ruins, mas ninguém vê nenhum canguru correndo solto de um lado para o outro, como se estivesse perdido, como se fosse um Andy Murray no meio de Nadal, Djokovic e Federer. Literalmente um escocês que se perdeu no tênis e até hoje ainda não encontrou o seu caminho e não definiu quem ele é de fato.

Melhor do que muitos com certeza ele é. Andy Murray poderia ser muito mais se não fosse obrigado a jogar na mesma época que Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic. Muito provavelmente ele já teria ganho um torneio de Grand Slam se não fossem esses três grandes rivais, três jogadores que ao lado dele estiveram nas semifinais de três dos últimos cinco torneios de Grand Slam. Sendo que pelo menos três dos quatro chegaram na fase que antecede a grande decisão nos últimos sete torneios de Grand Slam. A notoriedade de Andy Murray com relação a Federer, Nadal e Djokovic sem dúvida é muito grande. O problema é que o escocês ao contrário dos outros três jamais conseguiu ganhar um título de Grand Slam em toda a carreira.

Melbourne, na Austrália. O sol e o calor. Mais um chance de acabar com a sina aos 24 anos de idade. Ele ainda é jovem, mas quantos tenistas não ganharam torneios de Grand Slam sendo mais jovens que ele? Um japonês surpreende, mas é derrotado pelo mais experiente jogador que está perdido no meio das grandes feras. Enquanto isso o cara que ganhou tudo no ano passado pode estar lesionado, pode ter sofrido uma contusão e pode abandonar o complexo de Melbourne Park. Nada disso, Murray não terá essa sorte e terá que enfrentar o sérvio na semifinal. Uma chance de devolver a derrota sofrida na final do ano passado. Maria Sharapova também quer um revanche contra Petra Kvitová. Mas mesmo que o escocês perdido consiga vencer, a sua tarefa ainda estará muito longe de ser concluída.

Final do US Open de 2008 e derrota pra Roger Federer. Final do Aberto da Austrália em 2010 e derrota para o suiço novamente. A final do ano passado na terra do canguru onde perdeu de Djokovic, sem contar três semifinais de Wimbledon seguidas até o ano passado e mais a semifinal de Roland Garros e US Open de 2011. Juan Martin Del Potro venceu o US Open jogando contra Federer na final. Dizer que não venceu nenhum Grand Slam porque jogou na época de Federer, Nadal e Djokovic não poderá ser uma desculpa muito boa para Andy Murray. Seus 22 títulos, suas boas participações nos Grand Slam chegando sempre juntos dos três e sua boa posição no ranking não vão valer de nada. Sua carreira poderá ser considerada até pior do que a de Andy Roddick e Lleyton Hewitt.

A Grã-Betanha sonha. A Escócia sonha. Andy Murray sonha. Se passar por Novak Djokovic, que não será uma tarefa fácil, o escocês ainda terá que superar ou Roger Federer ou Rafael Nadal para faturar seu primeiro Grand Slam. Outra tarefa complicadíssima. Depois disso, depois que conseguir vencer seu primeiro Grand Slam, deverá iniciar uma batalha para não ser o jogador que venceu apenas um Grand Slam. Por ser bitânico ainda verá todos apostando tudo nele em Wimbledon, afinal um representante local não vence lá a muitos anos. A vida não é fácil, muito menos quando se faz tanto calor como faz na Austrália, mas uma coisa é certa: Ganhe o jogador perdido ou não, o título do Aberto da Austrália estará em excelentes mãos. (Foto: AFP PHOTO/GREG WOOD)

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