O que não acontece no Brasil

13:44 Net Esportes 1 Comments

Não vamos perder nosso tempo discutindo ou apenas relembrando o quanto uma campanha de marketing bem feita é importante também no mundo esportivo. É claro que é muito mais interessante para um time de futebol brasileiro ter o seu jogador fazendo diversos tipos de penteados no seu cabelo, do que ter um outro sempre com a mesma cara e ainda vendendo 10% dos seus direitos para um grupo de investidores. O marketing chama a atenção da mídia, atraí inúmeros fãs e aumenta demais a receita, isso é matematica pura e óbvia. O problema é como as coisas acontecem, como é triste ver que no Brasil tudo se resume em apenas uma esporte, enquanto nos Estados Unidos as opções são tão grandiosas quantos são gigantescas suas campanhas de marketing.

Uma simples idéia que pode mudar a sua vida ou a vida de muitos. Quem não gostaria de ser um Mark Zuckerberg nesse mundo? Talvez nem precise tanto, pelo menos para os organizadores da maior liga de hóquei no gelo do mundo, que colocaram em prática uma idéia simples, que nem era tão original, mas que deu muito certo. Foi em 2008 que tudo começou, no Ralph Wilson Stadium, um lugar onde se joga futebol americano. Eles levaram um jogo de hóquei no gelo para ser jogado em um campo de futebol americano, em um estádio de futebol americano que recebeu mais de 71 mil pagantes para verem bem de longe seus ídolos patinando atrás do puck. É realmente interessante, no entanto, não é algo que já não se tenha visto de outra forma antes.

Luta de boxe em estádio é muito comum, isso já aconteceu até no Brasil. Jogo de basquete em navio porta-aviões, jogo de tênis nos lugares mais inusitados (apenas casos de exibição), tudo é marketing. E é exatamente isso que faz a diferença, ser marketing e não apenas um duelo, ou apenas mais um jogo do campeonato que contará uma vitória e alguns pontos a mais na tabela. Assim a NHL não coloca uma quadra de gelo dentro do estádio, ela da um nome especial para o duelo, o chama de Winter Classic, o realiza exatamente no dia 1º de janeiro, o primeiro dia do ano, com transmissão ao vivo pela TV para todo o país, em um horário perfeito para que todos possam ver. Isso faz muita diferença e é exatamente por tudo isso que desde 2008 o evento é sempre realizado, porque deu certo, porque as coisas acontecem nos Estados Unidos.

Wrigley Field em 2009 e até o Fenway Park, em 2010, receberam o Winter Classic. Assim o New York Yankees fica com inveja, chama a equipe do New York Islanders para negociar a ida do evento para o Bronx, mas nada parece estar dando muito certo, onde até uma outra data como um dia entre o Natal e o Ano Novo estariam sendo estudados, ou quem sabe até uma data em fevereiro. Isso sem dúvida iria mudar um pouco o rumo das coisas, pois o legal é jogar no dia 1 de janeiro, como no ano passado quando se jogou no Heinz Field. Mas ás vezes isso não é possível, ás vezes o primeiro dia do ano cai exatamente em um domingo e o dia 1º é diferente do dia 25 de dexembro. No dia 1 de janiero de 2012 tem rodada da NFL, a última rodada do futebol americano, então não pode ter Winter Classic.

O motivo para o Winter Classic de 2012 não ocorrer no dia 1 de janeiro não é porque um time de futebol americano vai usar um estádio para jogar com a bola oval, mesmo porque o Winter Classic de 2012 acontece mais uma vez em um estádio de beisebol. Com menos público, mas com uma logistica mais viável para se ver do alto de um arquibancada. O motivo é mais simples do que isso, o motivo é apenas para que não se dispute a audiência na TV. E isso, ao contrário do que acontece no Brasil, ocorre porque nos Estados Unidos tem hóquei no gelo, tem futebol americano, tem o basquete da NBA. Tem muitas opções, muitos esportes, a atenção do público para as mais diversas modalidades, exatamente por isso que lá da certo colocar um jogo de hóquei no gelo dentro de um estádio, hóquei no gelo ao ar livre.

Se houvesse recusrsos financeiros, talvez houvesse um grande público no Brasil indo ao Morumbi ou Maracanã para ver um jogo de futebol americano da NFL, ou quem sabe em uma arena que nem existe para ver um jogo de basquete da NBA. Mas o pior de tudo é saber que no Brasil as coisas não acontecem, não existe nem a chance de imaginar um jogo da NBB no Maracanã, ou quem sabe um jogo de hóquei no gelo no Morumbi. É por essas e outras que o futsal e o futebol feminino são extintos pelo Santos, porque eles só pensam no Neymar, porque o público alienado e a TV singular só pensam em futebol, só existe o futebol no Brasil. É possível imaginar que nem um jogo de vôlei da Seleção Brasileira lotaria um estádio com 46.967 pessoas como o Citizens Bank Park lotou ontem nos Estados Unidos.

Não vou dar os meus parabéns aos Estados Unidos por terem feito mais um belíssimo espetáculo na tarde de ontem. Nem parabéns ao New York Rangers que derrotou o Philadelphia Flyers e nem mesmo ao Philadelphia Phillies que é o dono do estádio. Não dou meus parabéns para a organização da NHL por terem a idéia e manterem viva todos os anos, por terem feito mais um linda cerimônia antes do jogo com mais emoção na hora do hino nacional americano e canadense. Eles não merecem os parabéns porque eles já estão de parabéns a muito tempo, a muitos anos, porque estão tão avançados que já sabem que são o que existe de melhor no mundo quando se fala de esporte. Os parabéns tem que ir para o público de gosto variado e não alienado, para as emissoras de TV que difundem as diferenças, para as empresas que apoiam e patrocinam. Todos que conseguem fazer de forma brilhante o que não acontece no Brasil. (Foto: Getty Images)

1 comentários:

Ron Groo disse...

Eu penso que aqui há uma hipocrisia danada sabe...

Todos os grandes comentaristas e personalidades do esporte falam em ações de marketing para ajudar ou mesmo salvar o esporte nacional.
Mas quando acontece, como a exposição do Neymar à mídia vendendo cueca, guaraná e outras bugigangas, jogam a culpa dos fracassos no marketing...