Semrpe será o rali da morte

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Para quem o conheceu como o Rally Paris-Dakar, o viu ser chamado de Lisboa-Dakar e mesmo que seu final deixasse de ser no Senegal, não tinha como apagar o nome Dakar. O nome da cidade passou a ser a marca registrada da maior e mais perigosa prova off-road de todo o planeta. Todos os pilotos de rali sonham em um dia poder competir nessa disputa importante e tão prestigiada, e assim vê-la sair da África, deixar Paris e abandonar definitivamente o Dakar, foi a chance de muitos, principalmente os argentinos. A prova veio para a América do Sul, a cada ano com um percurso diferente. Foi para o Chile, para o Peru, para ser atração de Natalia Sonia Gallardo e Marcelo Reales, para realizar o sonho de Pascal Terry e Jorge Andrés Martínez Boero. Para simplesmente continuar sendo o Dakar de sempre, definitivamente o rali da morte.

Para morrer basta estar vivo. A morte é um momento difícil, em especial para as pessoas próximas ao falecido que continuam vivas. Um padre, em um velório, disse que sofremos com a morte de alguém próximo porque somo egoístas, porque simplesmente não queremos sofrer, nos recusando a entender algo que na vida é muito natural, é a única certeza que todos tem, a certeza que um dia irá morrer. Só que ninguém espera morrer tão cedo, todos querem viver até os 90 anos ou mais, mas ás vezes isso acaba não sendo possível. Às vezes você pode ser atropelado por um veículo quando está apenas o assistindo correr. Em outras vezes você pode estar pilotando esse veículo e sofrer um grave acidente. Às vezes, ou neste caso muitas vezes, você pode ser vítima do famoso Rally Dakar, o rali da morte.

No ano passado, que foi encerrado a apenas dois dias, o piloto Dan Wheldon perdeu sua vida na Fórmula Indy. Um dos nomes do esporte em 2011 simplesmente morreu e foi embora bem antes do que todos esperavam, bem no ano em que havia vencido as 500 milhas de Indianápolis pela segunda vez na sua carreira. É difícil encarar a morte assim, sem um aviso prévio, é difícil encarar a morte no esporte, uma prática tão conhecida como algo saudável. Na Fórmula 1, por exemplo, um piloto não morre desde 1994, quando o célebre e inesquecível Ayrton Senna perdeu sua vida. A Fórmula 1 investiu em segurança, afinal não há outra explicação para o fim das mortes. Mas e a Fórmula Indy? E o tão famoso Rally Paris-Dakar? O Rally Dakar, o Dakar, o rali da morte.

Dan Wheldon poderia estar vivo. Natalia e Marcelo certamente também poderiam. Mas quanto a Pascal e Jorge, fica didícil dizer, tanto quanto é difícil vê-los morrer competindo. O Rally Dakar tem uma estrutura fantástica, uma organização exemplar, tão eficiente que muda o local da prova de um continente para o outro só pela segurança da competição, que fora ameaçada por terroristas quando ainda era realizada em terras africanas. Não tem como procurar ou eleger um culpado para a morte do plito de motos argentino Jorge Martínez Boero, logo no primeiro dia da prova de 2012, logo na primeira etapa. Somos apenas obrigados a aceitar, a tentar entender que às vezes a vida simplesmente chega ao final assim, do nada. Somos apenas obrigados a aceitar que este é o Rally Dakar, o mais temido e perigoso de todos os ralis, porque ele é e sempre será o rali da morte. (Foto: AFP)

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