Lendas das Olimpíadas - Berlim 1936

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As diferenças são grandes, mas os princípios e ideais declarados ou camuflados entre as Olimpíadas de Pequim 2008 e Berlim 1936 são claramente idênticos. A China não tinha como objetivo colocar à prova uma suposta superioridade da raça ariana contra negros e judeus, mas queria e conseguiu conquistar mais medalhas de ouro que os Estados Unidos, exatamente como fez a Alemanha nazista de Adolf Hitler na décima edição dos Jogos Olímpicos. Os chineses, no entanto, não viram nenhum de seus representantes receber o mesmo destaque que recebeu Michael Phelps e Usain Bolt, assim como o Reich foi obrigado a engolir o brilho de um atleta americano negro que levou para casa quatro medalhas de ouro.

Um alemão, como não poderia ser diferente, e um finlandês, receberam o aperto de mão do Chanceler no Olympiastadion, mas rapidamente o COI avisou que Adolf Hitler teria que cumprimentar todos os vencedores ou simplesmente nenhum deles. Foi assim que o futuro ditador nazista desapareceu do Estádio Olímpico de Berlim e colocou em dúvida para sempre sua presença ou não no local das provas de atletismo quando Jesse Owens escreveu uma história que só seria repetida por Carl Lewis nos Jogos de 1984. Um negro indo contra todos os princípios que pregava abertamente as Olimpíadas de 1936 com relação à superioridade branca. Hitler não iria apertar sua mão jamais.

Um simples parabéns por uma vitória nos 100m rasos, ou quem sabe nos 200m e no revezamento 4x100m. Muito menos no salto em distância, onde Owens superou o alemão Lutz Long, que teria inclusive incentivado o rival americano nas fases de classificação. Mas mesmo declarando mais tarde seu enorme inconformismo pelas glórias do atleta negro, Hitler teria acenado para Jesse Owens quando passou por ele antes de uma das competições respondendo a um aceno do próprio atleta, que inclusive perdoava o fato do Chanceler ter ido embora ou estar escondido quando ele vencia suas disputas - "foi mau gosto criticar o homem do momento em outro país" disse o americano que na verdade tinha um outro inimigo.


Suas glórias o levaram à um desfile pela Quinta Avenida em Nova York. Seu triunfo na terra nazista de Adolf Hitler lhe renderam fama, prestígio, reconhecimento e o tornaram mais um das grandes Lendas das Olimpíadas. Hall da Fama e diversos outros prêmios, mas nenhum telegrama do então presidente dos Estados Unidos na época Franklin Delano Roosevelt. Nem uma visita à Casa Branca e nem mesmo uma simples saudação como uma dos maiores heróis do esporte em seu país. O racismo e preconceito existiam de maneira vergonhosamente declarada na Alemanha de 1936, mas também existia de forma velada nos Estados Unidos. O sentimento de querer ser superior como queria aquela Alemanha era o mesmo que a China teve em 2008, que os Estados Unidos sempre tiveram, mas o único que ficou por cima foi Jesse Owens, e ninguém mais. (Foto: Arquivo)

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