Um risco desnecessário, mas muito inevitável

16:56 Net Esportes 2 Comments

Quando você acompanha o beisebol mais de perto, começa a descobrir alguns detalhes básicos extremamente interessantes. Uma rebatida de sacrifício, um walk-off ou aqueles números das estatísticas sempre tão instigantes. O que é o "ERA"? O que é esse tal de earned run average? Que vão desde 1,82 até 5,6, por exemplo. Quanto maior pior. No começo do século passado as coisas eram diferentes. Se o arremessador não estivesse cara a cara com Babe Ruth ele provavelmente iria conseguir muitos strikeouts. Ninguém mais pode ser um Ed Walsh, um Addie Joss ou mesmo um Jim Devlin. Mas talvez possa ser um Mariano Rivera, um Billy Wagner ou um Hoyt Wilhelm que jogou até o início dos anos 1970. Tentando manter seu ERA abaixo do número dois, ou pelo menos do três, como fez Justin Verlander em 2012.

Para muitos o melhor arremessador da atualidade. Seu ERA na carreira é de 3,40. Mas em 2012 ele conseguiu 2,64. Uma média de 2,64 corridas cedidas por jogo. Isso é o earned run average. A média de corridas que o arremessador permiti ao time que está enfrentando. Quando as bolas rápidas não fazem mais efeito. Quando as bolas em curva no meio da região de strike são rebatidas para fora do campo. "Ela disse adeus" - diria Rômulo Mendonça. Mas não para Justin Verlander. O melhor arremessador da atualidade. Um dos grandes nomes do Detroit Tigers que faz a equipe estar onde está. O jogador que alcançou 23 entradas consecutivas sem sofrer corridas. Igualando o recorde Kenny Rogers, porém sem poder superá-lo, porque um risco desnecessário e inevitável teve que ser assumido.

Foi lindo e foi único. CC Sabathia arremessou nove entradas no jogo cinco American League Division Series quando o New York Yankees enfrentou o Baltimore Orioles. Série fantástica em cinco jogos, sendo que naquela decisiva partida a equipe da Big Apple ficou com a vitória por 3 a 1. O melhor arremessador do Yankees que tem um ERA de 3,50 na carreira acabou permitindo uma corrida, mas se manteve firme, porque o seu time havia anotado três corridas e salvou sua pele. Quando o ataque funciona junto com a defesa, é possível salvar a pele do arremessador. Porque jogos perfeitos e no-hitters são coisa rara. Jogar nove entradas em um momento tão complicado da pós-temporada não é para qualquer um. Talvez não seja para Justin Verlander, mas era inevitável correr esse risco desnecessário.

E foi logo contra o New York Yankees. Um time milhonário e problemático. Uma time que vê seu ataque sucumbir diante de Justin Verlander. Sem Derek Jeter machucado, sem Alex Rodriguez vetado pelo técnico. Não há rebatidas que passem da primeira base, então porque tirar um arremessador que vai melhorando cada vez mais conforme o jogo avança pela noite fria no Comerica Park? Talvez porque no beisebol nunca sabemos o que pode acontecer a qualquer momento. Na parte alta de uma nona entrada, quando o braço já não suporta mais o movimento, quando a bola fica pendurada na zona de strike e sobre um bye bye besebola para fora do campo. Home run de Eduardo Nunes e a sorte é que estava 2 a 0 para o Tigers até então. Verlander então disse adeus, pois estar ali era desnecessário, mesmo que fosse inevitável.

Era inevitável porque Justin Verlander estava acabando com o ataque do Yankees. Porque ele é o melhor da atualidade. Porque ele quer ser como Sabathia, quer fechar o jogo e ser o grande herói. Porque o Bullpen do Tigers não como o do Yankees, e a equipe poderia ter sofrido o empate após a mudança, após a entrada do closer que quase não fechou um jogo que já estava ganho. E desnecessário pelo risco que o Tigers sofreu. Se estivesse apenas 1 a 0 no placar a tentativa de Verlander em ser melhor do que já é poderia ter causado um prejuízo ainda maior. Sem falar que Verlander teria chance de ir atrás do recorde absoluto de mais entradas sem sofrer corridas, para melhorar seu ERA. Principalmente porque o Tigers fez 3 a 0 na série, e até hoje apenas o Boston Red Sox reverteu está desvantagem impossível. Sorte do Tigers, sorte dessa necessidade tão grande em ter Verlander e mais ninguém.

2 comentários:

Anônimo disse...

Foi lindo ver o os NYY ser eliminado.
Adoro quando um time de maior poder financeiro perde para que não tenha tanto dinheiro assim ... Meu desejo já foi realizado .. mais o sonho é ver ainda o A's campeão depois de ver o filme acho que todos começam a ter um gosto pelo time e pelo cara lá ...

Giants e Cardinals ... quem passar ta beleza ... não irei torcer para ninguem na world series pois para mim quem for campeão tá bom ...

Foi lindo foi fantastico ver mais de 100 milhões de doletas ser eliminado...

Net Esportes disse...

@Anônimo: Com tantos milhões em jogo, faltou o essencial para o Yankees: coração.

Também vi o filme e queria que o A´s se desse bem. Qualquer um que vencer esse ano será merecido, mas to achando difícil alguém parar esse Tigers com Cabrera jogando tão bem.