Os dois lados de uma história triste em NY

09:56 Net Esportes 0 Comments

Sandy era um furacão e virou um super tempestade tropical. Sandy destruiu, Sandy deixou a sua terrível marca devastadora em muitos lugares, inclusive na cidade de Nova York. Aos poucos a energia elétrica começou à voltar nos bairros de East Village e Lower East Side, mas 160 mil residências no sul de Manhattan continuam sem luz. Nas pontes apenas carros com mais de três pessoas podem seguir em frente, já o metrô não passa da rua 34 quando segue para downtown. Ônibus e táxis estão sofrendo, falta gasolina, a cidade de Nova York vive um colapso semelhante ao que se imagina para o mundo em 21 de dezembro de 2012. Em meio à desgraça, o esporte tentava sobreviver, mas não teve força suficiente. O esporte foi obrigado a viver dois lados de uma história triste na Big Apple.

State Island fica debaixo de água, barcos e pranchas viram o principal meio de transporte enquanto no Queens o problema é o fogo, o incêndio, que destrói o doce lar de muitos nova-iorquinos e imigrantes. Já no Brooklyn o problema era a falta de transporte. Sem o metrô a vida em Nova York fica extremamente complicada. Muitos andam à pé, atravessam a ponte, porém isso pode ser complicado de se fazer à noite. Assim encontraram um motivo, uma razão para cancelar um jogo de basquete. E justamente um encontro entre o velho e o novo time de basquete da cidade. O Brooklyn Nets receberia o New York Knicks na abertura do Barclays Center, na abertura da temporada, mas Sandy não deixou; E esse duelo só acontecerá agora no dia 26 de novembro.

Adiar um jogo não é algo que a NBA gosta de fazer, dois então é impossível. Assim o Madison Square Garden garante seu funcionamento. Mas não antes de apresentar um comunicado do seu torcedor ilustre Spike Lee, um discurso improvisado e emocionante do seu principal jogador Carmelo Anthony e o anuncio de que vai doar U$ 500 mil dólares para as vítimas de Sandy. Tudo para evitar os protestos que partiram até do rival, Dwyane Wade desejava que esse jogo fosse adiado como foi adiado Nets e Knicks. Para ele e para o Miami Heat teria sido muito melhor que isso tivesse acontecido, pois LeBron James não viu a cor da bola, o Kinicks abusou das cestas de três pontos e massacrou o atual campeão assim como Sandy havia massacrado a sua cidade. Uma vitória de um verdadeiro furacão devastador.

Um furacão que devastou vidas de um lado e sonhos e esperanças do outro. Centenas morreram em cenas que lembravam o onze de setembro. Milahres choraram por suas perdas enquanto outros milhares começaram a chorar pelo que irão perder. Vão perder a Maratona de Nova York. Cancelada com atraso após relutância da organização que via sua realização como um bem para a cidade. Uma forma de arrecadar dinheiro e fazer reviver o orgulho do cidadão nova-iorquino que sempre cai e consegue se levantar, exatamente como fizera o New York Knicks na noite do último dia 2 de novembro. Mas uma maratona é um evento que exige muito mais recursos do que um jogo de basquete, e os policiais e bombeiros estão muito ocupados, não podem parar o seu importante trabalho para as, até mesmo, simples precauções que o esporte necessita.

São dois lados de uma história triste em Nova York. O lado dos que perderam tudo e exigiram junto com a imprensa local atitudes do prefeito Michael Bloomberg. Eles conseguiram. E o lado trsite dos que gastaram tudo em busca de um sonho, correr uma maratona, a maratona de Nova York. Investimentos que variaram entre U$ 2500 até U$ 7500 dólares. Viagens feitas às pressas, da Itália, França e também do Brasil, para Nova York, onde iriam correr 42 quilômetros. Esse sonho não poderá ser realizado dessa fez, mas quem sabe no ano que vem. Todos, incluindo o esporte, perderam diante da força de Sandy, mas no esporte é sempre assim, um dia você perde e no outro você ganha. Como o New York Knicks, que sofreu muito no ano passado diante do Miami Heat, mas que ontem mostrou como pode ser forte, tão forte quanto Sandy, para dar a volta por cima e se reerguer, algo que os habitantes de Nova York sabem fazer como ninguém.

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