O apagão e os apagados do Super Bowl XLVII

12:48 Net Esportes 3 Comments

Não só pela introdução do piano, mas talvez pelo novo penteado de cabelo também, ninguém iria querer apagar a espetacular performance de Alicia Keys na interpretação do hino nacional americano. Nunca se viu um prolongamento tão grande após o acorde final, e ninguém imaginava que a noite histórica do futebol americano seria prolonga por pequenos problemas técnicos. A luz se apagou no intervalo da partida, mas isso aconteceu porque havia uma mulher dançarina. Beyoncé Knowles e seu deslumbrante par de pernas fazia qualquer um apagar e pedir ajuda médica. Nem mesmo o Superdome suportou, as luzes se apagaram e os papéis se inverteram. Quem estava apagado ascendeu e quem estava aceso desapareceu quase que completamente. Foi por pouco que a falta de energia e a recuperação dela não resultaram em uma das maiores recuperações de força da história dos esportes.

Tudo começou em 1996. A história do Baltimore Ravens é recente e ela se confunde com a história da maior de suas estrelas, Ray Lewis. Mas a caminhada da última de suas cartadas mortais começou mesmo no jogo contra o Denver Broncos nos playoffs deste ano. Tanto para Lewis, quanto para o desacreditado e muito criticado Joe Flacco e para qualquer outro integrante do time que já havia sido campeão no ano 2000. Era preciso mais, era preciso fazer milagres, era preciso jogar com vontade, com alma, com determinação e como o coração. Acreditar acima de tudo, lançar a bola em qualquer hipótese, arriscar sem ter medo que tudo vá por água abaixo. Empatar aquele jogo e vencer na prorrogação foi o início longa jornada, até chegar ao apagão do Super Bowl, apagar e quase ver o sonho ser apagado também.

Tão apagado quanto a luz do seu quarto na hora de dormir. Tão cheio de pesadelos quanto os bons filmes de Freddy Krueger. Tão sem força que parecia uma usina hidrelétrica sem energia. Assim era a equipe do San Francisco 49ers, favorita ao título na opinião da maioria dos palpiteiros que não fossem bartenders em New Jersey. Colin Kaepernick em seu melhor momento, Randy Moss com vontade, a história por trás de cena, Joe Montana, o que mais era preciso para se impor em campo? Uma luz talvez, uma tomada para ligar os motores e conseguir fazer alguma coisa além de um field goal no começo do primeiro quarto e outro no final do segundo. Absolutamente perdido e irreconhecível, esse era o 49ers, completamente apagado em campo, tão apagado quanto os refletores do Superdome no início do terceiro quarto. Parecia até que o furacão Katrina estava passando por New Orleans novamente.

Depois da tempestade, a bonança. O Baltimore Ravens era incrível e Jacoby Jones um gigante. Nunca em toda a história do Super Bowl alguém havia marcado um touchdown de 108 jardas. O 49ers estava apagado antes do apagão enquanto o Ravens estava 100% ligado, mas depois que força caiu quem não tinha mais energia era o time que dominava completamente o jogo. Os papéis se inverteram completamente e as grandes emoções que esse jogo pode proporcionar finalmente se tornaram realidade. Os pontos do San Francisco se multiplicavam do mesmo jeito que a Beyoncé se multiplicou no show do intervalo. A morena que deixa qualquer um ligado deve ter ligado Kaepernick no 220 e ele finalmente fez o que sabe, inclusive seu famoso touchdown correndo. O Ravens não conseguia fazer mais nada, exceto dois field goals decisivos.

Ainda no primeiro tempo, o Ravens deixou de fazer um field goal para tentar um touchdown em uma jogada surpresa. Os três pontos poderiam fazer falta, mas o 49ers teve seu momento equivocado quando tentou dois pontos ao invés do ponto extra em um outro momento do jogo no segundo tempo. No duelo familiar entre os irmãos Harbaugh, John parece entender um pouco mais das coisas do que Jim. Por outro lado ele pode ter levado sorte, pois com seu time apagado no final, com as costas na parede, extremamente pressionado, as coisas poderiam ter sido diferentes. Seria uma vitória incrível se o 49ers acabasse sendo o campeão depois do apagão. Sorte do Ravens que a defesa conseguiu brilhar no meio da escuridão, liderada por Ray Lewis que conseguiu se aposentar com mais um anel, vendo Flacco ser eleito MVP e podendo finalmente sorrir quando o reflexo do troféu Vince Lombardi iluminou sua alma de vencedor na noite do apagão e dos apagados do Super Bowl.

3 comentários:

Ron Groo disse...

Na boa, a menina cantando o hino me lembrou os piores (se é que existem) momentos do the voice.
Gritaria sem sentido. Hino não é pra cantar com sentimento e orgulho?

O apagão no meio do jogo foi culpa da baixa nas contas de luz que a Dilma deu. heheheh

Sobre o show da bionce, vi porque tava com preguiça de mudar de canal, mas tinha tanta neguinha magrela de shortinho preto no palco que eu não sabia quem era a cantora.

O que importa mesmo foi o jogo. E que jogo!
Estava torcendo pelos Niners, fiquei incrédulo ao ver a defesa deles tão frouxa no primeiro tempo. E fiquei mais impressionato ainda com a força da defesa dos Ravens sufocando o Copérnico o tempo todo.
A reação chegou, e não foi tarde, mas errar o último lance de ataque e perder a bola quando um simples TD daria a vitória acabou sendo cruel.
Porém ficou em boas mãos.

Agora, uma coisa me deixou meio chateado.
Sei que Ray Lewis é realmente tudo o que falam dele, mas logo no título que ganhou, não jogou quase nada.
Só o vi dançando, jogando que é bom, muito, mas muito pouco.

Luiz Paulo Knop disse...

Passei uma noite sem dormir, primeiro pelo jogo, depois pela derrota... esperei quase 20 anos por esse momento e na hora H aquela zebra cega nos tirou um TD... Era a consagração de Kaepernick.

Só uma observação, não vi Flacco acima do bem e do mal nessa partida. Nos playoffs sim, mas ontem não, prêmio de MVP não foi merecido.

Luiz Paulo Knop
www.resenhaesportiva.com

Net Esportes disse...

@Ron Groo e Luiz Paulo Knop: Meus caros. Muito obrigado pelos comentários. Entendo e concordo com praticamente tudo que falaram, mesmo que meu texto tenha sido em outro tom que não o da crítica.

Groo, não é de hoje que estão cantando o hino de formas diferentes. Eu até gosto, mas quando era menos prolongado realmente era melhor. O Ray Lewis foi acusado de doping nessa semana em sua recuperação da lesão, talvez ele tenha ficado abatido. Só vi que ele tava em campo no final do jogo!!!

Luiz, realmente, estão reclamando de holding no lance final do jogo. Se não me engano eles não tinham mais tempo para pedir então não podiam pedir revisão da jogada. Talvez a história fosse diferente.

Acho que o Jacobs Jones merecia mais o MVP.