Um sonho realizado para a musa do Curling

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Lá está ela com seus cabelos mesclados e seu lindo rosto que deixam qualquer um encantado. A seriedade em sua face é sua marca registrada, concentração é tudo em qualquer tipo de competição esportiva. Ela está com uma calça de agasalho e um casaco, porque está frio e porque ela pisa no gelo com um solado especial em um dos pés para deslizar suavemente de um lado para o outro. Quem manda em cada jogada é essa verdadeira musa do esporte, com seus lindos olhos claros que penetram em nossa mente, enquanto esperamos ansiosamente pelos raros momentos que podem fazer seus belos lábios esboçarem um sorriso maravilhoso e contagiante. E isso finalmente acaba acontecendo, mas não antes de uma longa jornada que acabou sendo extremamente bem compensada.

Entre Graham ou Campbell, seu clã escocês acabou sendo Muirhead. Filha de Gordon que provavelmente, assim como muitos outros conterrâneos, usou muitas vezes o kilt. Ouvindo Nazareth, Snow Patrol e provavelmente Franz Ferdinand, ela deve ter sentido medo do Monstro do Lago Ness em algum dos bons dias de sua infância. As guerras ficaram para trás e hoje em dia não existe mais nenhum coração valente tentando derrotar os ingleses como na Batalha de Stirling Bridge, mas ela sabe que a Escócia não é apenas mais um país perdido no meio da Grã-Bretanha. A Escócia tem Sean Connery, Brian Cox e Alan Cumming. A Escócia é obrigada a competir com os ingleses e irlandeses nas Olimpíadas, mas não em Campeonatos Mundiais. Essa é a oportunidade que ela tem de provar que não é só mais um rostinho bonito e que pode alcançar seu sonho, pois ela tem talento, uma pedra e uma vassoura na mão.

Ela não seguiu os passos do pai só porque o esporte já estava dentro de casa. Ela não foi campeã nacional júnior quatro vezes apenas por acaso, assim como não venceu outras quatro vezes o mundial júnior só porque sabia lançar e varrer com maestria. Na Escócia faz frio, na Escócia tem muito gelo e não tem como evitar os esportes de inverno. O curling estava mais próximo, mas não só porque o pai jogava, ela também queria jogar e ser campeão. Ela queria representar a Escócia e não a Grã-Bretanha como foi obrigada a fazer nas Olimpíadas de 2010. Talvez por isso não passou da primeira fase e no Mundial, quando pode defender sua pátria, ela levou a prata. Mas a prata é muito pouco para Eve Muirhead, que fez a sua história antes de ser profissional e que nasceu para ser linda e campeã mundial.

Campeã como o time escocês campeão de 2002, que também enfrentou a Suécia na grande decisão. Ainda bem que não era a Alemanha, pois ninguém queria amargar o vice novamente. Ao lado de Anna Sloan, que também é tão musa quanto ela e as indispensáveis Vicki Adams e Claire Hamilton, que varrem o gelo como ninguém. A sorte caminhou ao seu lado e a ajudou como muitas vezes ajudou William Wallace, afinal não é todos os dias que se marca dois pontos em um end onde o seu adversário está com o martelo. As rivais acabaram marcando apenas um depois que o compasso mediu com precisão a distância da pedra para o centro da casa e isso ajudou muito também. A luz vermelha era apenas um curto circuito na pedra e o último lançamento estava nas mãos dela. Séria e concentrada, a pedra é lançada, bem no alvo e bem no centro. O sorriso é de alegria e felicidade em sua face, pois Eve finalmente se tornou campeã mundial de Curling, um sonho que finalmente se tornou real e deixou de ser mais uma lenda escocesa.

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