16 vezes alegrando Muirfield na triste Gullane

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Pensando em filmes como "Coração Valente", por exemplo, talvez seja possível imaginar um pouco como era a cidade de Gullane, na Escócia, quando a Igreja de St. Andrew ainda não era apenas uma ruína como é hoje. Me faz recordar as ruínas do abarebebe, na cidade que muitos me viram crescer. Para um turista desorientado no Reino Unido talvez seja um bom atrativo turístico, isso se não for muito caro se hospedar no hotel Greywalls, que fora construído no ano de 1901. Mas para jogadores de golfe renomados o destino é inevitável, visto a quantidade de locais para a pratica deste esporte nobre. Um desses campos, que estão longe de serem verdes e lindos, é o famoso Muirfield, um local que tantas vezes já abrigou o British Open e que novamente o fez neste ano de 2013.

Com sua vegetação castigada e uma triste descoloração no matagal que parece mal cuidado, o The Open Championship começou de um jeito e acabou de um outro completamente diferente. Muirfield parece um lugar triste clamando pela alegria e o sorriso de alguém que em fim possa ser declarado como o grande campeão após os intensos quatro dias de disputa. E Gullane relembrando os tempos da Igreja de St. Andrew já acolheu, tenha sido no hotel Greywalls ou não, grandes nomes desse esporte que já deram essa alegria que faltava ao campo de Muirfield. Desde Nick Faldo, passando por Jack Nicklaus, Gary Player e até mesmo o lendário Harry Vardon, em 1896, afinal são 142 anos de história que este nobre torneio tem nas costas.

Se o sol aparece, e talvez a cena seja de alguma outra época do ano, Muirfield até esboça parecer um lugar um pouco mais bonito. Mas a luz da estrela mais próxima da Terra não brilhou muito por lá nestes últimos dias. Principalmente para alguns jogadores que estavam pensando em alegrar o lugar com seus sorrisos de campeões. Um deles foi Zach Johnson, que conseguiu a façanha de bater 66 na primeira volta. Cinco abaixo do par porque Muirfield consegue ser esquisito até no par do campo, estipulado em 71 ao invés dos habituais 72. Os outros foram Miguel Ángel Jiménez, Lee Westwood, Adam Scott e até mesmo Tiger Woods, que vinha se mantendo entre os líderes até a última e derradeira volta da competição.

A última volta no domingo e a hora de voltar para casa. Ninguém suporta mais o marasmo e a aparente tristeza de Gullane e seu mato desbotado. Céu nublado e vento para todos os lados. Desse jeito todo mundo acaba jogando errado. Johnson já jogava errado desde a segunda volta, sempre acima do par e o British Open não iria terminar como começou. O espanhol nem parecia que havia sido líder enquanto o australiano parecia querer ser o novo líder, pelo menos até conseguir a façanha de quatro bogey´s seguidos. Ele vivia ali um drama que Tiger Woods estava vivendo desde o começo do dia. Os putts estão saindo errado, a banca é um destino certo e ele não consegue sair do meio do mato desbotado, ele não consegue mais ganhar um torneio Major.

Talvez ele nunca mais consiga mesmo voltar a ser campeão de um dos quatro maiores torneios de golfe de cada ano, mas no golfe a idade não interfere tanto quanto em outros esportes. No golfe nem mesmo os resultados aparentemente ruins dos primeiros dias interferem no resultado final se esse resultado final for absolutamente inacreditável quanto o resultado inicial de um daqueles que estavam sonhando com o título. Conseguir 66 tacadas no primeira volta é incrível, mas fazer isso na última para levantar a taça é ainda mais inacreditável. E ninguém estava dando muita atenção a ele como deram ao Papa Francisco em sua chegada ao Brasil. Ele esteve abaixo do par no primeiro dia, mas nos seguintes fez 74 e 72. Ele saiu mais cedo, mas só foi embora mais tarde pois teve de esperar pelo seu troféu. Aos 43 anos de idade Phil Mickelson finalmente consegue seu British Open, para sua alegria e para alegrar o campo de Muirfield, na triste cidade de Gullane, até a próxima vez que este lendário torneio for para lá, até o próximo dia que a bolinha irá voar novamente pelo mato desbotado.

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