Froome "estraga" a centésima edição do Tour

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Não é segredo para ninguém que a importância do Tour de France é infinitamente gigantesca no ciclismo mundial. Mesmo se comparada à outras duas grandes Voltas do mundo que acontecem também todos os anos na Itália e na Espanha. Mas analisando a forma como as etapas aconteciam e a dificuldade de cada uma, não havia como deixar de considerar que o Giro de 2012 foi muito mais interessante, disputado e difícil do que a competição francesa. Tanto que a camisa rosa de líder viu seu dono se alterar diversas vezes e ser definida apenas na última etapa. Inclusive fazer a última etapa em contra relógio era o que o Giro d'Itália tinha de melhor, pelo menos até o ano passado, pois resolveram mudar isso em 2013. Menos subidas, mais plano, o contra relógio não define e ainda por cima uma etapa de montanha é cancelada. Ficou fácil para Vincenzo Nibali. Esse não é o Giro que desejamos, ele parece aquele Tour de France de 2012 fácil de ser conquistado. Mas ainda bem que em 2013 os organizadores da maior competição de ciclismo do mundo fizeram de sua centésima edição a maior competição de ciclismo do mundo.

Agora sim uma disputa interessante. Temos etapa de média montanha já no segundo e terceiro dia. Contra relógio no quarto e não demora muito para chegar a etapa de montanha. Depois disso só mais três etapas planas e diversas intermediárias ou de montanhas duríssimas. Subidas de hour concours no meio e também no final das etapas, onde elas realmente devem ser. Mais duas etapas de contra relógio, sendo uma com subida e, nenhuma etapa plana na última semana (exceto pela clássica chegada em Paris). Tivemos uma etapa Rainha brilhante que terminou no topo do Mont Ventoux. Tivemos o retorno do famoso Alpe d'Huez que garantiu duas escaladas fenomenais e de tirar o fôlego. Se não bastasse ainda veio o Mont Semnoz no sábado, no penúltimo dia, para dar esperanças a novatos abusados ou ainda para fazer uma última alteração em dois dos três primeiros colocados. Tivemos uma centésima edição digna de um Tour de France grandioso como ele sempre deveria ser. Só não esperávamos que haveria um competidor maior do que tudo isso e que simplesmente passou por cima de todas as dificuldades que vieram pela frente.

Na etapa 15, durante a subida do Mont Ventoux, o líder da competição que trajava a famosa camisa amarela, fez um ataque fulminante e um determinada momento que ele parecia até saber que haveria uma pequena descida de cerca de 400 metros. Aquele ataque decisivo que lhe garantiu uma de suas três vitórias nessa edição mostraram claramente que sua vontade de vencer esse ano era tão grande quanto a gigantesca importância que essa disputa tem para cada um de seus competidores, ao longo de toda a sua centenária história iniciada no ano de 1903. E isso nos faz entender porque ele atacou ainda na etapa de número oito, ainda no final daquela que era apenas a primeira semana de uma jornada que iria durar mais de três mil quilômetros. E foi exatamente lá que ele assumiu a liderança geral da competição para não perdê-la nunca mais. Foi lá que Chris Froome vestiu a camisa amarela e simplesmente "estragou" a centésima edição do Tour de France. Nem teve mais graça, mas foi extremamente merecido para o ciclista que já deveria ter sido campeão no ano passado.

Naquele ano fraco e chato que nem teve muitas dificuldades. No ano que Alberto Contador não podia participar por estar envolvido em um caso de doping. No ano em que Andy Schleck estava machucado e Cadel Evans já não era mais o mesmo de 2011. No ano em que por algum acaso do destino Bradley Wiggins era o capitão da equipe Sky e o camisa amarela da vez devido às suas grandes performances nas etapas de contra relógio. Mas nas subidas quem dava o sangue por ele era seu grande escudeiro Froome. O seu compatriota que tinha que fazer força ao contrário, tinha que segurar a pedalada para não ir muito longe e para não ser campeão do Tour de France. Um competidor honesto acima de tudo que soube fazer o seu trabalho árduo porque sabia que um dia a sua vez também iria chegar. Mesmo que as dificuldades fossem maiores, mesmo que Alberto Contador estivesse lá, assim como Schleck e Evans (que não ameaçavam). Mesmo com um jovem colombiano abusado e um espanhol sonhador. Mesmo com mais montanhas, mais contra relógios, mais etapas extremas. O Tour como ele deve ser, conquistado, simplesmente derrotado pelo melhor, vencido pelo brilhante e exímio Christopher Froome.

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