Um espaço para o vermelho, o azul e o branco

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Do alto da London Eye era possível ouvir as 12 badaladas do Big Ben. No alto da Torre do Relógio era onde gostaria de estar a alemã Sabine Lisicki, isolada, longe de tudo e longe de todos. Em paz como uma criança no dia de Natal ouvindo Christmas Waltz na voz de Anita O' Day e Frank Sinatra. Mas nem Santa Claus pode consolar seu coração neste momento. A bolinha amarela está em suas mãos e toda a multidão que lota  quadra central do All England Club espera que ela acerte o saque desta vez. Impossível não se render à pressão, difícil segurar as lágrimas que escorrem por seu belo rosto quando se chega em uma situação onde não se consegue fazer o que vinha fazendo tão bem durante duas semanas. Seu sonho era fazer o amerelo, o preto e o vermelho voltarem a ter o seu espaço. Mas em meio a um domínio americano desde 1998, só o vermelho, o azul e o branco conseguem seu espaço na chave feminina do torneio de Wimbledon.

Sabine Lisicki estava nascendo quando o domínio do amarelo, do preto e do vermelho começaram a reinar na grama sagrada de Wimbledon, um império que Cilly Aussem nem chegou perto de conseguir. O final dos anos de 1980 e começo da década de 1990 viu a majestosa Steffi Graf conquistar incríveis sete taças sobre a bela e verde grama de Londres. O domínio da alemã porém não era total, pois as sete conquistas vieram em nove anos. Graf teve que abrir um espaço para outras combinações de cores, pois viu a americana Martina Navratilova e a espanhola Conchita Martinez serem campeãs também. Depois disso Martina Hingis impôs o vermelho e branco, mas a partir de 1999 somente o vermelho, o azul e o branco conseguem um espaço no meio da bandeira dos Estados Unidos com sobrenome bem conhecido.

As irmãs Williams. A mais velha Venus Williams e a mais nova Serena Williams. As dominantes do torneio de Wimbledon que ainda tiveram a ajuda de Lindsay Davenport para manter as americanas no topo. Um controle tão grande de toda a situação que em várias oportunidades a final era em família. Mas nem todos os anos foram assim tão fáceis, nem todos os anos as cores da bandeira dos Estados Unidos reinava em absoluto e havia espaço para o vermelho, o azul e o branco. Fosse um vermelho, azul e branco da Rússia com Maria Sharapova em 2004, ou mesmo francês de Amélie Mauresmo em 2006. Havia espaço também para o vermelho, o azul e o branco da República Tcheca, com Petra Kvitová em 2011, até que agora em 2013 a França fez esta combinação de cores voltar a ter mais um espacinho no Hall das campeãs de Wimbledon outra vez.

Para tristeza e choro incontrolável de Lisicki que gostaria muito de ver as suas cores voltarem a ter pelo menos um pequeno espaço como 1931 ou na época que era apenas uma pequena criança feliz. Mas não teve jeito para a Alemanha, porque desde de 1998 em meio ao domínio americano só o vermelho, o azul e o branco tem espaço. E se a Rússia e República Tcheca ficam pelo caminho, então que a França possa ocupar este pequeno e valioso pedacinho. Principalmente porque ele quase foi ocupado em 2007, um ano em que a sua representante sentiu o que Sabine Lisicki sentiu hoje, a dor da rodada. Um sentimento de incapacidade que sobrepõe o esforço e dedicação incrível que havia conseguido só por estar ali na decisão. Tudo porque vencer faz você escrever a história, ainda mais sem perder nenhum set em todo o torneio. Exatamente como fez Marion Bartoli, que achou mais um espaço para o vermelho, o azul e o branco.

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