Vestindo a jaqueta verde pela segunda vez

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Vendo sua caminhada leve e serena pela belíssima paisagem do Augusta National Golf Club, não parece muito difícil tentar imaginar o que se passa em sua cabeça. Ele está concentrado e seu objetivo é um só, mas muito provavelmente ele sabe que não pode deixar de tentar mais birdie´s, mesmo que apenas continuar fazendo o par em cada um dos buracos que restam seja essencial e absolutamente primordial. Seu adversário já havia feito o que devia, mas também fez o favor de fazer o que não deveria também. Entre birdie´s e bogey´s, entre estar uma tacada abaixo e uma tacada acima, entre fazer o par e se manter na liderança, venceu a sensatez da solidez de acreditar que caminhar por uma belíssima paisagem composta também por um público que o apoia intensamente, pode ser mais do que suficiente para vestir a jaqueta verde pela segunda vez em sua doce e nobre vida.

Neste ano, devido à uma pequena intervenção cirúrgica, Tiger Woods não disputou o Masters de Augusta pela primeira vez em sua carreira repleta de glórias e momentos complicados na vida pessoal. Assim houve uma pequena queda no interesse do público pelo golfe que já não é tão grande quanto outros grandes esportes. Isso fez com que o preço nos ingressos sofresse uma queda brusca, passando de exorbitantes U$ 1640 dólares para os ainda muito salgados mil dólares. Esse é o preço que se paga para simplesmente adentrar em um dos mais belos templos sagrados do mundo do golfe que até outro dia mesmo não tinha nem uma mulher que fosse como sócia. Isso não as impedia de entrarem no recinto, assim como não impediu milhares de fãs endinheirados que não viram Woods, mas tinham outros dois representantes locais para torcerem como se fossem seus maiores ídolos.

Nunca antes campeão de um torneio Major, Bill Haas bem que gostaria de ser o americano idolatrado no lugar de Tiger Woods. Afinal ele bateu 68 na primeira volta e assumiu a liderança da grande competição que acontece desde 1934. Mas no golfe não basta ir bem em apenas um dos quatro dias de disputas. No golfe é preciso regularidade e um dia brilhante não resolve seus maiores problemas. Que o diga o veterano Miguel Angel Jimenez com seus 50 anos de idade. O espanhol conseguiu incríveis e estupendas 66 tacadas na volta de sábado. Isso significa seis tacadas abaixo do par do campo. Mas isso também não significa absolutamente nada se no dia anterior você fez quatro tacadas acima e apenas uma abaixo nos outros dois dias. Pelo menos serviu para ocupar a quarta colocação na classificação geral, nada mal para quem já está com os seus 50 anos de idade e ainda jogando.

Se tivesse feito o par do campo na sexta-feira, Jimenez simplesmente teria terminado o campeonato empatado com o grande campeão. A disputa iria para os playoffs como foi em 2012, mas isso definitivamente era a última coisa que Bubba Watson gostaria de ver acontecer, ou ver se repetir. Bubba Watson era justamente o jogador americano que poderia suprir a falta de Tiger Woods que Bill Haas tanto gostaria de ser. Mas Hass não fez o que Bubba fez com maestria. No golfe não basta um dia perfeito como Jimenez, no golfe é preciso quatro dias quase perfeitos como é perfeita a vista em Augusta. Se manter entre os primeiros no primeiro dia, assumir a liderança no segundo e não ser ultrapassado pelo compatriota que surpreende na terceira volta. Assim você chega no domingo com tranquilidade para fazer sua caminhada leve e serena na belíssima paisagem, apenas fazendo par depois dos birdie´s que lhe deram de volta a vantagem que já tinha. Para no final ganhar beijos e abraços do filho e da esposa e também para ter a honra de poder vestir a jaqueta verde pela segunda vez em toda a sua carreira.

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