A Maldição de Rafael Nadal

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Então a locutora do complexo de Roland Garros anuncia Novak Djokovic e ele segue para receber o troféu de vice-campeão. Enquanto abraço Gustavo Kuerten os aplausos já haviam começado e não teriam hora para acabar. Ele agradece e o publico vibra ainda mais. Seu rival e grande campeão Stanislas Wawrinka até se levanta para aplaudir, assim como qualquer um presente na quadra central Philippe Chatrier. O sérvio sorri e sorri novamente enquanto as palmas seguem. Ele não resiste e desaba, não consegue segurar as lágrimas. Foram mais de dois minutos ininterruptos sendo ovacionado, não tem como não ficar totalmente emocionado. Mas não foi ali que ele havia desabado, nem nos três sets perdidos na grande decisão. A queda havia acontecido nos dois dias anteriores diante de Andy Murray.

Djokovic prometeu voltar no ano que vem. Pela terceira vez na carreira ele perdeu a decisão de Roland Garros, o único título de Grande Slam que falta em seu currículo. Em 2015 o sonho era conquistar os quatro no mesmo ano, fica para uma próxima oportunidade. O fato do atual número um do mundo nunca ter vencido em Paris era até compreensível. Mais difícil é acreditar que Roger Federer um dia já venceu o torneio que nem Pete Sampras conseguiu conquistar. A explicação tinha nome, era Rafael Nadal. O espanhol não era apenas o rei do saibro, como também era o rei de Roland Garros. Foram nove conquistas em dez anos. Não havia nada mais normal que ver Nadal campeão, então o jeito era simplesmente derrotar esse cidadão.

Alguma coisa não bate, Nadal não é o principal cabeça-de-chave. Seu caminho para mais um título está complicado e ele encontra um sérvio invocado. Djokovic não gostaria de enfrentar Nadal nas quartas-de-final, seria bem melhor derrotá-lo em uma eventual final. Para vencer em Roland Garros você não precisa simplesmente passar pelo espanhol, Robin Söderling conhece bem essa história. Assim sendo, vencê-lo pode deixá-lo convencido de que você já é o grande campeão. Em seu inconsciente Novak Djokovic deve ter entendido dessa forma, afinal tinha tudo para se manter sem perder nenhum set no jogo contra o britânico Murray. Em dois dias, por falta de luz natural e ameaça de chuva, ele venceu com um convincente 6-1 no quinto set, porém sua mente já havia desabado como mais tarde desabaria em lágrimas sem a sonhada taça.

A fúria ao perder o segundo set na final descontada na raquete que acabou destruída mostram o quanto ele já estava aniquilado. Derrotar Nadal em Roland Garros não significa que o título está garantido. É preciso seguir em frente, é preciso vencer o jogo final. Assim como fora em 2009, havia um suíço para agradecer o carrasco de Rafael Nadal. Naquele ano o sueco Söderling tirou do torneio francês o seu maior jogador, mas acabou caindo na decisão diante do suiço Roger Federer. A "Maldição de Rafael Nadal" reinou novamente neste ano de 2015. Djokovic tirou Nadal e viu mais uma vez um suíço lhe tirar o título. Stanislas Wawrinka e sua esquerda de uma mão tão brilhante como era a de Guga, de quem recebe o lindo troféu. Para a alegria de Magnus Norman, da suíça e por que não de Nadal, que mais uma vez vês viu seu algoz sucumbir e desabar, na terra batida que cobre o chão e também em lágrimas de emoção.

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