Sharapova, a culpa, a inocência e a verdade

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Já faz algum tempo e, no primeiro momento, parecia inevitável não defendê-lo de tantas acusações. Lance Armstrong assumia publicamente que fizera o uso proposital do doping e perdia todos os títulos conquistados no Tour de France. "Em nossos corações ele será um eterno campeão", pensava eu. Mas a verdade era que um competidor sujo não merece respeito por muito tempo. Não existe mal algum em mudar de opinião, em achar legal e engraçado saber que na Austrália os livros do ciclista americano saíram da sessão de esportes e foram parar na seção de ficção. Ele não mereceu mesmo aqueles sete títulos da maior corrida de ciclismo do mundo, nos fez perder tempo assistindo as provas e torcendo fervorosamente por ele, fomos enganados por uma farsa do esporte, até quando veremos casos de doping vindo à tona?

Então surge o escândalo russo, envolvendo principalmente o atletismo e você fica temeroso. Será que mais cedo ou mais tarde a musa do salto com vara Yelena Isinbayeva entrará para a lista negra? Aqueles olhos azuis encantadores que despertaram nossa paixão e torcida para vê-la voando cada dia mais alto nos estádios olímpicos deste mundão afora. Quem sabe logo mais não estará nas Olimpíadas do Rio de 2016. Ufa! Por enquanto não se ouve o nome dela, mas da Rússia, ou melhor, da Austrália e Nova York, vem uma notícia tão estarrecedora quanto, quiça mais surpreendente ainda. Maria Sharapova anuncia que foi pega no exame anti-doping do Aberto da Austrália. Essa não!

"Escândalo do doping" nas principais manchetes de notícias. Em menos de 24 horas três grandes patrocinadores quebram seus contratos com a eterna musa do tênis. Lamentável ver uma empresa como a Nike, que fora a única a manter sua lealdade com Tiger Woods quando este sofreu um "escândalo sexual", simplesmente deixar Maria Sharapova de forma tão rápida, e talvez até precipitada, antes de apurar os fatos e levar todos os argumentos em consideração. Parece um medo preventivo da opinião pública e uma urgência extrema em tomar uma posição. Parece a Jennifer Capriati soltando o verbo através das redes sociais como se o seu caso de uso de maconha não tenha sido tão ruim quanto ou até pior que isso.

Pode até parecer o efeito Lance Armstrong novamente, mas é difícil crucificar Sharapova por enquanto. Tão loira e tão bela, tão doce e tão amável. Brilhando nas quadras como o diamante mais reluzente. Sorriso encantador e simpatia contagiante. Dona de títulos em todos os quatro Grand Slam. Idolatrada e filantrópica, a atleta do esporte feminino mais bem paga do mundo também está envolvida nas causas sociais. Ela admite que usa meldonium desde 2006, substancia presente em um medicamento que toma. Substância que até 2015 não era proibida, porque só agora ficou constatado que ela melhora a performance do atleta. Culpada ou inocente? Qual é a verdade? Será que Sharapova usa remédios com substâncias que não são proibidas só para melhorar seu desempenho? Será que foi só essa substância? Será que ele precisava mesmo desse remédio? Até quando continuaremos nos surpreendendo com os atletas que idolatramos?

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