Golden Tempo não correrá no Preakness

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O rugido da multidão em Maryland terá um eco diferente neste sábado, 16 de maio de 2026, quando os portões de partida se abrirem para a 151ª edição do Preakness Stakes. Conhecida como a "Corrida pelas Susans de Olhos Pretos" (The Run for the Black-Eyed Susans), esta prova lendária carrega em seus ombros o peso de mais de um século e meio de história, sendo a joia central da Tríplice Coroa do turfe americano desde sua fundação em 1873. Tradicionalmente marcada pelos acordes de "Maryland, My Maryland" e pela pintura do cavalo vencedor no cata-vento histórico, a edição deste ano traz uma ruptura visual e logística sem precedentes: pela primeira vez em mais de um século, o espetáculo não acontecerá no icônico Pimlico Race Course. O lendário "Old Hilltop" está em silêncio, submetido a uma reforma massiva de 400 milhões de dólares para modernização, o que transferiu temporariamente a disputa para o Laurel Park, entre Baltimore e Washington, D.C. Embora Laurel Park esteja preparado para acolher a elite do turfe, a ausência da atmosfera clássica de Pimlico confere um tom de transição e curiosidade a este capítulo da história.
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Contudo, a mudança de cenário não é a única nota de melancolia para os entusiastas do esporte. A notícia que abalou as casas de apostas e as expectativas de audiência foi a confirmação de que Golden Tempo, o brilhante vencedor do Kentucky Derby, não alinhará para a largada deste ano. A decisão da treinadora Cherie DeVaux de poupar o potro, visando priorizar sua saúde e o confronto no Belmont Stakes em Saratoga, interrompe precocemente o sonho da Tríplice Coroa em 2026. Para o turfe, essa ausência é um golpe duro; sem um cavalo capaz de varrer as três provas, o Preakness perde o apelo do "desafio impossível" que tanto fascina o público leigo. Este movimento de Golden Tempo reflete uma tendência crescente e polêmica no turfe moderno, onde o descanso entre as provas de elite é priorizado em detrimento da tradição, alimentando debates sobre se o intervalo de apenas duas semanas entre o Derby e o Preakness ainda é sustentável para os atletas de alto rendimento atuais.
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Ainda que o brilho de uma possível Tríplice Coroa tenha se apagado, o campo de 14 competidores em Laurel Park promete uma das disputas mais equilibradas e imprevisíveis da década. Sem um favorito absoluto como seria o vencedor do Derby, as atenções se voltam para Iron Honor, que surge com uma leve vantagem nas cotações de 9-2 após uma preparação sólida. Logo atrás, o cenário de apostas está fervilhando com nomes como Taj Mahal (5-1), que possui a vantagem de conhecer bem a pista de Laurel, e Incredibolt (5-1), que busca redenção após uma performance combativa em Churchill Downs. Ocelli (6-1) e Chip Honcho (5-1) completam o grupo de elite que divide as preferências dos apostadores, transformando o páreo em uma verdadeira "luta de cães" onde a tática do jóquei e a adaptação à nova superfície de Laurel serão determinantes. Com prêmios que somam 2 milhões de dólares, o Preakness de 2026 pode não coroar um rei supremo este ano, mas certamente testará a resiliência de uma tradição que sobrevive a mudanças de endereços e à ausência de seus maiores astros, mantendo viva a chama da paixão pelo turfe no coração de Maryland.

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