A Espanha ganhou a Copa do Muno de futebol pela segunda vez na sua história. No gramado do estádio em Nova York, a Fúria ergueu a sua segunda taça após uma final que desafiou o saudosismo dos mais românticos que gostam do futebol arte e consagrou os estrategistas que jogam feio e buscam apenas o resultado consagrador. Diante de uma Argentina movida pelo drama e pela imensa carga emocional da despedida definitiva de Lionel Messi dos Mundiais, os espanhóis opuseram um plano de jogo que beirou a perfeição matemática, como vinham fazendo em toda a Copa do Mundo, sufocando o confronto em um nó tático inesquecível igual ao imposto contra a França na semifinal e transformando a grande decisão em um jogo chato de um time só, bom apenas para quem torcia muito pelos espanhóis ou fosse totalmente contra os Hermanos.
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Desde o apito inicial, o clima no estádio era de pura eletricidade, com uma bela apresentação antes dos times entrarem em campo, mas uma tentativa frustrante de show do intervalo que só atrasou o início do segundo tempo. Em campo, o que se viu foi um monólogo de posse de bola e posicionamento. A Espanha dominou as ações de forma absoluta, controlando o ritmo do relógio e as linhas de passe com uma precisão que parecia ensaiada por computador. Era um futebol pragmático, quase robótico, onde cada transição e cada interceptação aconteciam exatamente onde a comissão técnica previra. No entanto, faltava o estalo da criatividade na área adversária; a bola girava, envolvia, mas o grito de gol insistia em não sair, esbarrando na muralha defensiva que a Argentina montou desesperadamente na frente de sua área ou ao brilhantismo do goleiro Dibu Martínez.
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Por outro lado, a obediência tática da Espanha neutralizou completamente qualquer tentativa de contragolpe albiceleste. A Argentina terminou o tempo regulamentar da grande final sem conseguir acertar um único chute na meta espanhola, uma estatística impressionante que resume o tamanho do ferrolho europeu ou a falta de iniciativa da própria Argentina que estava feliz em disputar os pênaltis. Essa solidez defensiva não foi obra do acaso, mas a coroação da melhor defesa da história do futebol internacional, que cravou um recorde lendário de apenas 1 gol sofrido em 8 jogos da Copa e agora alcançando 38 jogos sem perder. Enquanto seleções que jogavam um futebol vistoso e plástico, como a badalada França, ficaram pelo caminho nas fases anteriores por falta de equilíbrio, a Espanha provou que a consistência é o verdadeiro estofo dos campeões, tal como já havia feito em 2010.
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A Argentina sofre com a "maldição do bicampeonato consecutivo" e fica sem o tetra. Somente a Itália de 1934 e 1938 e o Brasil de 1958 e 1962 conseguiram o feito. Após isso a própria Argentina em 1990 perdeu a chance após o títulos de 1986. O Brasil perde em 1998 após vencer em 1994, a França foi a vítima de 2022 após conquista de 2018 e agora a Argentina perde após ter sido campeã em 2022. Messi fez três finais de Copa e venceu uma, disputou seis e nessa chegou a ser o maior artilheiro de todos os tempos com 21 gols, mas parando nos oito viu Kylian Mbappé marcar 10 e com apenas três Copas e todos os jogos possíveis da França disputados ele já se tornou o maior artilheiro de todos os tempos com 22 gols marcados.
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A Copa do Mundo de 2026 aumentou de 32 para 48 Seleções, e na próxima talvez já aumente para 64. Uma rodada a mais, os 16 avos de final, não foi tão legal como se imaginava. A pausa para hidratação foi terrível, a maioria das nova regras foram chatas. O Trump queria aparecer na foto da taça, foi retirado, mas já havia feito sua participação anulando cartão vermelho do jogador americano que tinha sido corretamente expulso. Alguns diziam até que a Argentina era ajudada pela FIFA, tinha esquema com Casa de Apostas, era tudo manipulado ou comprado, mas esse não era o grande problema da Copa, os problemas vão muito além. O Brasil caiu nas oitavas, parecia que nem se esforçou diante de uma Noruega parecida com essa Espanha campeã pragmática. O jogo do terceiro lugar que terminou 6 a 4 para a Inglaterra não é o melhor exemplo de jogo de futebol, pois ali não houve defesa, mas analisando friamente o que cada um fez ao longo de toda competição, quem mais merecia a taça seria a França, que joga bonito e tem uma grande estrela como referência.
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Sem depender de uma grande estrela pop ou de um candidato isolado à Bola de Ouro como Lamine Yamal que talvez no futuro seja esse cara, o coletivo espanhol marchou até o topo do pódio. A Argentina lutou com o coração, esticando a resistência até onde as pernas permitiram na tentativa de dar a Messi o roteiro perfeito de adeus, mas a máquina espanhola não permitiu brechas para o heroísmo. O melhor momento do jogo veio justamente após o gol espanhol, quando a Argentina finalmente sai para o jogo e a Espanha fica acuada, ou seja, mesmo tendo um domínio absoluto do jogo, a Espanha foi campeã passando sufoco no fim e vivendo um drama. Ao apito final, o placar magro selou a glória de um elenco operário e brilhantemente disciplinado, com um único gol na prorrogação, exatamente como ocorreu em seu título de 2010, um título que pode até ter sido merecido, pois não está na regra que para ser campeão precisa jogar bonito.
O 14 de julho amanheceu amparado pela história, com a França celebrando o aniversário da queda da Bastilha, um símbolo de liberdade e do fim do absolutismo que, curiosamente, ganhou um novo contorno no gramado da semifinal da Copa do Mundo. Com o sol escaldante do lado de fora do estádio coberto e climatizado, a esperança francesa era de que seu "rei", Kylian Mbappé, coroasse o feriado nacional com uma exibição de gala, mas o que se viu foi um monumento desmoronando diante de um exército disciplinado. A Espanha, sem o glamour das artes plásticas ou o estardalhaço das estrelas individuais, impôs um pragmatismo cirúrgico que sufocou qualquer respiro criativo dos Bleus. Mbappé, por mais veloz e brilhante que seja, encontrou um sistema de vigilância implacável; cada vez que tentava acelerar, via-se cercado, anulado, um monarca cercado por súditos que se recusavam a curvar-se diante de sua majestade técnica.
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O jogo, longe de ser lembrado como o futebol arte que os românticos costumam exaltar, foi um duelo de xadrez tenso e, por vezes, arrastado. A França, visivelmente sem qualquer inspiração e presa a um esquema estagnado, parecia jogar contra as próprias sombras, enquanto a Espanha construía sua vitória na base da paciência e do coletivo. Foi o triunfo da estratégia sobre o talento puro, do jogo feio, mas eficiente, sobre a promessa de beleza que nunca se concretizou. Com o apito final, confirmou-se que a Bastilha de Mbappé havia caído; o coletivo espanhol provou que, contra uma engrenagem bem azeitada, não há brilho individual que sustente o trono. A vitória espanhola acabou sendo uma imposição de um estilo que prioriza a ordem em detrimento do caos criativo francês.
A Espanha está de volta a uma final de Copa do Mundo depois de 16 anos. Onde estava a Espanha esse tempo todo? Uma Espanha que retorna justamente do mesmo jeito que jogava naquela época, ou seja, baseada no jogo coletivo sem uma grande estrela em campo. Lamine Yamal talvez seja esse grande jogador como Mbappé e Messi, mas nesta Copa do Mundo ele não mostrou isso, ou a Espanha o impediu de mostrar isso para justamente manter essa mentalidade de que o que importa é o jogo coletivo. Seis jogos sem sofrer gols na Copa, um recorde. A impressão que fica é que o goleiro Unai Simón só fez grandes defesas justamente agora neste jogo contra a França, e também que o melhor jogo da Espanha foi o da estreia quando empatou em 0 x 0 com Cabo Verde, mas foi o jogo que teve mais chances de gols.
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Agora, o horizonte se abre para uma final eletrizante. Seja contra a Argentina, com sua mística e ímpeto, ou contra a Inglaterra, equilibrada e faminta, a pergunta que ecoa nos corredores do futebol mundial é se a Espanha conseguirá sustentar seu império. São 37 jogos de invencibilidade, uma marca que desafia o tempo e o acaso, transformando o esporte em uma demonstração de força quase inabalável. No entanto, o futebol, esse esporte imprevisível, guarda para o último ato a resposta sobre se essa hegemonia é uma obra definitiva ou se, após derrubar o rei francês, a Espanha encontrará em seu próximo adversário a resistência final capaz de interromper sua trajetória rumo à eternidade. Do jeito que jogou ontem é difícil não imaginar a Espanha campeã como em 2010, mas do jeito que a França vinha jogando também era difícil não imaginá-la na final da Copa, portanto, tudo ainda pode acontecer nesta Copa do Mundo de 2026.
O Estádio de Mercedes-Benz, em Atlanta, foi palco, na tarde da última segunda-feira, de um dos capítulos mais improváveis e emocionantes da história recente das Copas do Mundo de futebol da FIFA, e o grande arquiteto desse milagre veste a camisa de Cabo Verde. Em um duelo onde a lógica do futebol indicava um atropelo espanhol, o goleiro Vozinha acabou fazendo o seu nome no mundo do futebol como um gigante improvável que chocou todos os apaixonados por esse esporte. Ele foi um dos protagonistas que segurou um empate por 0 a 0 que ficará marcado como a primeira grande zebra desta edição da Copa de 2026.
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Aos 40 anos de idade, vivendo ao lado de sua equipe a realização do sonho de sua primeira Copa do Mundo, Josimar Dias — batizado em homenagem ao lendário lateral brasileiro que brilhou em 1986 — mostrou que a idade é apenas um número diante da frieza necessária para parar uma das seleções mais qualificadas do planeta e inclusive favorita ao título desse ano. O apelido "Vozinha", que carrega desde a infância, soa hoje como um título de nobreza futebolística, carregando consigo a experiência e a calma de quem, em 89 partidas, tornou-se o segundo atleta com mais convocações na história de seu país, vivendo agora o auge de sua trajetória.
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Enquanto as redes sociais explodiam com a façanha, o fenômeno de sua ascensão fora dos gramados foi avassalador: antes do apito inicial, contava com cerca de 46 mil seguidores no Instagram, número que saltou para espantosos 6 milhões em poucas horas, refletindo o fascínio mundial pela sua atuação heroica. Entre defesas acrobáticas e uma leitura de jogo impecável que frustrou sucessivamente os ataques da Espanha, Vozinha acabou garantindo um ponto histórico para Cabo Verde, mas consagrou-se, de forma incontestável, como o primeiro grande personagem desta Copa, provando que, no futebol, a determinação de um único homem pode equilibrar as forças de uma nação inteira.
Agora a Espanha, que só venceu três partidas em Copa do Mundo desde o título de 2010, terá pela frente dois adversários muito mais fortes e preparados do que Cabo Verde, sendo um deles a Arábia Saudita e o outro o Uruguai, equipes que acabaram também empatando e embolando todo o Grupo. Só defender como fez Vozinha para se tornar um herói da Copa, não será suficiente, é preciso também balançar as redes, mas se o goleiro continuar atuando desta forma, Cabo Verde pode até sonhar com uma classificação inacreditável para a próxima fase, fazendo com que um goleiro veterano e um time estreante levem ainda mais alegria a uma pequena ilha de menos de 500 mil habitantes que ousou sonhar.