Mostrando postagens com marcador Velocidade. Mostrar todas as postagens

Centésima edição das 500 milhas

E então, naquele dia 30 de maio de 2011 (era uma terça-feira), a história havia começado a ser escrita. O Indianapolis Motor Speedway já era famoso por suas corridas de automóveis, mas eles queriam fazer um evento maior, com premiação em dinheiro maior, algo que ficasse marcado para sempre na memória dos apaixonados por velocidade. Querendo ou não, eles acabaram criando a maior corrida automobilística do mundo. Foram 200 voltas e 500 milhas percorridas, Ray Harroun saiu da aposentadoria e se tornou o primeiro campeão. Desde então mais de 100 anos se passaram, e finalmente agora a tão famosa 500 milhas de Indianapolis chegou à sua centésima e histórica edição.

Uma corrida famosa e histórica naturalmente atrai mais a atenção do público, sejam fãs incondicionais, sejam apreciadores de ocasião. Nenhum evento fechado no planeta consegue juntar tantas pessoas em apenas um dia. Nas arquibancadas são 250 mil pessoas. No interior do circuito, espalhados pela grama, acampando e fazendo a festa, estão outros 100 mil espectadores. Eles querem ver a história sendo escrita mais uma vez, eles querem emoção até a última volta, eles querem saber quem o circuito irá escolher para vencer. Eles acabam vendo um novato sorrir com a alegria que todos queriam sentir.

Duzentas voltas e volta que não acaba mais. As estratégias são pensadas e repensadas a cada instante, afinal não tem como prever o número de bandeiras amarelas ou o que vai acontecer com a economia de combustível. Se fossem menos voltas não teria a mesma graça, mas as primeiras cem voltas não resultam em nada. Hinchcliffe saiu na frente e apontá-lo como favorito era inevitável. Até mesmo quando perdeu posições vimos sua rápida recuperação. Com ele Ryan Hunter-Reay, e não dava para vê-lo fora da briga também. Mas nas últimas 50 voltas as coisas mudam rápido demais, acidentes mudam destinos, sejam eles dentro ou fora dos boxes. Pilotos que você nem tinha ouvido falar entram na briga e, até os brasileiros estão lá.

Helio Castroneves sonhava igualar o recorde de vitórias. Tony Kanaan queria sentir o gostinho do leite mais uma vez. Carlos Muñoz e Josef Newgarden na frente? Como assim? Cadê aquela última bandeira amarela para uma última parada no boxes? Menos mal que ela não venha, pois junto poderia vir alguma suspeita de armação ou jogo de equipe. Quem vai ficando sem combustível vai parando e dizendo adeus, quem arrisca e fica na pista vai vendo o sonho se tornar realidade. Um desses que fica na pista é Alexander Rossi, da equipe Andretti, apostando todas as suas fichas e arriscando de forma ousada na sua primeira participação em Indianapolis.

Em 1911, na primeira edição, todos os pilotos naturalmente eram estreantes. De lá para cá, foram mais oito pilotos vencendo em sua primeira participação. Os dois últimos a fazerem isso, Juan Pablo Montoya no ano 2000 e Hélio Castroneves em 2001, estavam presentes nesta centésima edição. Montoya, campeão no ano passado, bateu e disse adeus. Helinho ficou em décimo primeiro. Enquanto isso, lá na frente e praticamente sozinho, desfilava o décimo estreante a triunfar na maior prova de automobilismo do mundo. Alexander Rossi até fim se arrasta, logo depois o combustível acaba. A edição centenária das 500 milhas de Indianapolis não poderia ter um final mais inusitado, e é isso que justifica seu legado.

Obrigado por não baterem nas voltas finais

Inegavelmente as 500 milhas de Indianápolis é e sempre será uma das maiores corridas de carros do planeta. Seja porque é um grande evento esportivo ou porque tem uma história grandiosa. Todo aquele cerimonial antes dos motores serem ligados e em seguida a emoção em altíssima velocidade, como diz o Téo José. É fantástico, mas é cansativo de se ver. São 200 intermináveis voltas, geralmente com vários acidentes e bandeiras amarelas que interrompem a "altíssima velocidade". Então a coisa só começa a ficar legal mesmo lá para a volta de número 150. Aí sim o bicho pega, aí a coisa fica feia, aí só resistem os mais fortes e aí você só escuta Dan Wheldon e Scott Dixon. Qual dos dois irá vencer ou quem vai passá-los na última volta. Esse é aquele famoso momento em que tudo que você não quer que aconteça é um acidente e o fim da prova em bandeira amarela.

E isso quase aconteceu. A sorte é que foi um pouco antes. Carros de segurança na pista, resgate, o pessoal da limpeza - "Saiam logo daí antes que as voltas finais cheguem". E eles saíram, foram embora, liberaram tudo para recomeçar em altíssima velocidade. Vai Téo José, esquece um pouco o Helio Castroneves e foca em quem está brigando pela vitória. É sempre Dan Wheldon e Scott Dixon, mas desta vez algo mudou. O mais legal é ver a definição na última volta. Dario Franchitti surgindo do nada. Ryan Hunter-Reay. Qualquer um. Mas quando você escolhe alguém para torcer ele pode assumir a ponta nas últimas três voltas e não perder mais, fica emocionante do mesmo jeito.

Juan Pablo Montoya. Ele está com 39 anos de idade. É o grande ídolo dos gordinhos! Direto de Bogotá para o mundo. Seu nome já estava gravado na história do automobilismo mundial. Afinal o colombiano ganhou as 500 milhas de Indianápolis e quando migrou para a Fórmula 1 faturou o Grande Prêmio de Mônaco. Isso significa levar para a casa duas das maiores corridas de automóveis de todo o planeta, 75% da Tríplice Coroa do automobilismo que é composto também pelas 24 horas de Le Mans. Até hoje só Graham Hill conseguiu o feito. Mas vencendo em Indianápolis novamente depois de 15 anos mostram que acabado ele não está e, quem sabe possa um dia reescrever a história na França enquanto o planeta girar mais uma vez dos mesmo jeito que os carros giram no Indianapolis Motor Speedway.

Com proibição na F1, capacetes divertidos e especiais ganham ainda mais destaque na MotoGP

Categoria máxima do automobilismo veta troca de equipamento na temporada ao mesmo tempo em que motociclistas esbanjam criatividade na cabeça

Uma das poucas surpresas visíveis ao público a cada corrida da Fórmula 1 era a mudança no capacete dos pilotos, que investiam a cada etapa para homenagear, entre outras coisas, o país sede, uma data histórica, um ex-piloto como Lewis Hamilton chegou a fazer com Ayrton Senna, e até o título da Copa do Mundo de futebol enaltecido no ano passado por Nico Rosberg.

Apesar da atração, a variação do capacete a cada corrida está vetada na F1 na temporada 2015, segundo revelou a revista inglesa “Autosport”. A organização da categoria acredita que o piloto precisa criar uma identidade fixa e valorizar essa imagem perante o público, que teoricamente vai se acostumar a identificar os pilotos em razão do design do capacete.

Já que a F1 irá deixar órfão o fã dos grafismos ousados nos equipamentos de proteção, a dica é observar melhor os pilotos da MotoGP, que costumam abusar da criatividade nos capacetes cheios de tecnologia e muita arte, no qual um dos grandes destaques é do também rei do marketing e da pilotagem sobre duas rodas, Valentino Rossi. Confira abaixo alguns capacetes do italiano que já chamaram atenção na MotoGP nos últimos anos.
Além do talento na pilotagem, Rossi adora chamar atenção com desenhos no capacete
Crédito: Montagem sobre fotos de divulgação

Campeão após 23 de anos de espera

A última vez fazia tanto tempo que a União Soviética ainda existia. O então presidente Fernando Collor de Mello ainda não havia sofrido Impeachment e a moeda corrente no Brasil era o cruzeiro. A RedeTV! ainda era a hoje extinta TV Manchete, a Coca-Cola mandava no futebol brasileiro sendo patrocinadora de 15 dos 20 clubes da série A na época e o jogo Street Fighter fazia o maior sucesso com Ryu e Ken. "Hadouken"! foi em 1991 e foi na Fórmula 3 inglesa. A última vez que Rubens Barrichello havia conquistado um título em sua até então prestigiada e promissora carreira.

Rubinho, como ficara conhecido, era imbatível no Kart e conquistou cinco títulos nacionais. Ele faturou também, antes da Fórmula 3, o título da Fórmula Opel. Barrichello não dava chances, no início de sua carreira, para pilotos como David Coulthard, e assim chegou com prestígio e confiança na Fórmula 1. Mal sabia ele, no entanto, que estava dando adeus à conquistas por longos e intermináveis 23 anos que viriam pela frente. Não adiantou nada ser o recordistas de GP´s disputados e ter ido para a Fórmula Indy. Rubinho só voltou a ser campeão quando entrou para a acolhedora e salvadora da pátria Stock Car Brasil.

Os anos de fracasso ao longo da carreira, aliados à intensa necessidade dos brasileiros e da Rede Globo de verem um novo ídolo após a morte de Ayrton Senna, levaram Rubens Barrichello à viver em um mundo de cobrança e chacotas durante seu período de Fórmula 1. Rubinho era peão de tabuleiro quando teve a chance com um bom carro na Ferrari, vivia à sombra de Schumacher e se lamenta até hoje por ter seguido as regras à risca. Mal sabia ele, porém, que a maior chance de todas viria em 2009, na Brawn, quando tinha um carro totalmente acima dos demais e quando teve de ver Jenson Button (um tipo de Barrichello inglês) ficar com o troféu de campeão que tanto sonhava levantar.

"Rubinho correu sozinho e chegou em segundo". Pobre Rubinho, seu maior defeito não é ser um piloto mediano e sim torcer para o time que torce (mesmo defeito que tinha Senna!). Brincadeiras daqui e sarros dali, a força para seguir vem da família e fãs admiradores de seu carisma inegável. Como comentarista na tal Rede Globo vai mal pelo lado desajeitado e bem, por outro lado, por conhecer a maioria dos entrevistados e falar bem em inglês. Não adianta, acaba demitido porque ninguém consegue conviver com Galvão Bueno e ninguém consegue seguir as regras dessa emissora ditadora. Deixa quem quiser falar Red Bull falar, parem de abreviar para RBR.

Em 1991 o Michael Jordan estava apenas começando a sua carreira no basquete da NBA. O Rogério Ceni era reserva do reserva de Zetti e também estava apenas começando a sua trajetória que ainda nem acabou. Aos 41 anos o goleiro do São Paulo renovou e aos 42 anos enfim Rubinho o grito de campeão soltou. O campeonato é uma porcaria, quem liga para a Stock Car Brasil? ... No Mundo? Mas a essa altura da vida, com 42 anos de idade, com apoio da família, dos amigos e cheio de dinheiro no bolso, ta valendo. A vida inteira sofrendo com tirações de sarro, que provavelmente não irão acabar, mas talvez diminuam. Porque acreditem todos ou não, o Rubinho é campeão.

A 1ª de Hunter-Reay impede a 4ª de Helinho

Mais incrível do que uma diferença de 0s060 entre o primeiro e o segundo colocado foi ver 150 voltas sem nenhuma bandeira amarela nas 500 milhas de Indianápolis. O muro do Indianapolis Motor Speedway nunca esperou tanto tempo pelo seu tradicional encontro fulminante com o esquisito carro da Fórmula Indy. E quando a já famosa chance de ir até os boxes fazer o pit stop veio, ela se repetiu por mais duas vezes em apenas 25 voltas. Tudo voltou ao normal na terra de James Whitcomb Riley. As porradas contra o paredão não foram extintas e restando apenas dez voltas para o final tem até bandeira vermelha. Antes não fosse preciso ir tão longe.

Parece exagero dizer, mas correr de Fórmula Indy em um circuito oval se assemelha muito com correr de bicicleta no Giro d´Itália está à todo vapor no Velho Continente. No ciclismo quem anda na frente fica de cara para o vento e não tem qualquer chance de vitória na chegada em sprint. Nas 500 milhas de Indianápolis é a mesma coisa, na frente o carro perde muito rendimento com a resistência do ar. Assim, não que fique tão mais simples, mas o segundo colocado leva uma grande vantagem para ultrapassar e vencer na hora certa. Tudo tem que ser perfeitamente calculado e nesse ano a conta perfeita foi feita por Ryan Hunter-Reay.

Antes não fosse assim. Antes não fosse preciso a bandeira vermelha. Antes Townsend Bell tivesse feito como todos fizeram nas 150 primeiras voltas e não tivesse seu encontro de amor com o mais famoso muro de circuito oval do planeta. Faltou só uma volta, mas se não fosse a paralização talvez 200 tivessem sido suficientes. Principalmente pelo controle que ele fizera entre a volta 185 e a 190, ou pela sua dolorosa frustração no final da corrida abraçado ao carro e pela declaração que deu enquanto o vencedor já festejava se banhando de leite. A quarta vitória de Helio Castroneves nas 500 Milhas de Indianápolis parecia que iria mesmo acontecer na edição desse ano da mais famosa e tradicional prova oval do planeta, mas quem ficou com seu primeiro triunfo garantido por apenas 0s060 foi mesmo Ryan Hunter-Reay.

Mais saboroso do que ser o grande campeão

Dale Earnhardt é uma lenda da NASCAR. Só na Sprint Cup Series são 76 vitórias e 428 provas finalizadas entre os dez primeiros colocados. Um total de 676 largadas em 27 anos de carreira. Se não bastasse ele ainda tem outras 21 vitórias em 136 corridas na Nationwide Series. No ano de 2001, já aos 49 anos de idade, ele ainda corria na sotockcar amaricana. Então, na célebre Daytona 500, já na última volta, ele sofreu um grave acidente que acabou lhe tirando a vida. Uma das maiores corridas do mundo viu uma da maiores fatalidades do esporte. Uma prova que ele só havia vencido uma vez, em 1998, e uma prova onde seu filho já corria, tendo naquela ano terminado em segundo lugar.

Com uma barba no lugar do bigode grosso característico, a história de Earnhardt tinha que continuar, e por isso Dale Earnhardt Jr. continuou competindo. E assim, em pouco tempo, ele alcançou o sonho que tanto buscou. Em 2004, assim como o pai, Earnhardt Jr. se tornou campeão da maior corrida da NASCAR. Vencer a Daytona 500 é muito mais saboroso do que ser o grande campeão da temporada. E assim vencer apenas uma vez pode não ser suficiente. Por isso talvez mesmo aos 49 anos Dale Earnhardt ainda corria. Por isso mesmo após já ter vencido e já estando com 39 anos Dale Earnhardt Jr. ainda corre e ainda persegue o sonho de voltar a ser o grande vencedor da grande corrida de carros.

Vice-campeão em 2010, vice novamente em 2012 e em 2013. Não era possível que o piloto mais popular da NASCAR não conseguisse mais vencer uma corrida. Foram 55 grandes prêmios seguidos e nem um gostinho de cruzar a linha de chegada em primeiro lugar. Mas na Daytona 500 de 2004 não poderia ser assim novamente. Mesmo que a chuva venha forte e interrompa a prova caudando um atraso de mais de seis horas. Mesmo que um acidente faltando duas voltas que envolveu Danica Patrick cause a maior confusão e mesmo que ele precise da ajuda do companheiro Jeff Gordon. Não importa quantos vice-campeonatos ele amargou, porque dessa vez Dale Earnhardt Jr. se tornou mais uma vez o grande vencedor de Daytona 500. Ele finalmente conseguiu algo que seu pai, por uma grande fatalidade, jamais havia conseguido.

E como não chamá-la de Mulher Maravilha?

Simplesmente pela sua beleza e seu rosto de princesa. Exatamente do mesmo jeito daquela gata que te surpreende com um olhar fatal, que rouba o seu coração e deixa você perdido nas nuvens. Essa definitivamente não é a Mulher Maravilha, sem dúvida alguma essa é uma perfeita mulher maravilhosa. Pois a autêntica Mulher Maravilha está na Liga da Justiça junto com o Superman, o Batman e também o Lanterna Verde. Mas talvez ela também esteja no Daytona International Motor Speedway, sem um bustiê vermelho com uma águia dourada, porém com a mesma característica caucasiana de cabelos pretos. Ela pode não ser é uma super-heroína de histórias em quadrinhos, mas ela é uma super-pilota das corridas de carros que fazem dela uma verdadeira Mulher Maravilha.

Mulher Maravilha e mulher maravilhosa. O mundo do automobilismo já teve o prazer de ver várias outras mulheres guiando um veículo em altíssima velocidade. Desde Maria Teresa de Filippis até Simona de Silvestro. Mas nunca se viu alguém como Danica Patrick. O marketing sem dúvida faz muito a diferença, mas ele não pode ser tão forte assim sozinho. Mais que tudo Danica tem um diferencial para ser tão maravilhosa e para ser uma Mulher Maravilha: o talento nato. A primeira mulher a conseguir vencer uma corrida na Fórmula Indy. Um show de pilotagem que a fez brilhar como nunca em uma das maiores corridas que existem, as 500 milhas de Indianápolis. Não poderia ser diferente em outra grande corrida, ela tinha que fazer história na Daytona 500.

Ainda bem que os Deuses deram vida à estátua de menina criada por Hipólita. Ela recebeu o nome de Diana e várias outras habilidades. Mulher-Leopardo, Rainha Clea e Doutora Veneno não tinham a menor chance diante da Mulher Maravilha, mas em 1969 ela acabou ficando sem poderes quando as amazonas tiveram que se deportar para outra dimensão. Diana Prince estava apaixonada por Steve Trevor e resolveu ficar. Às vezes as coisas acabam não saindo exatamente como planejamos. Às vezes por mais maravilhosa que uma mulher seja, ela não consegue seguir o seu caminho na categoria que escolheu, não consegue ir para uma outra que é ainda mais aclamada e acaba indo para uma outra completamente diferente. Do monoposto ao stockcar, sem deixar de ser a mesmo Mulher Maravilha de sempre, como Diana voltou a ser em 1972.

A vida foi difícil na Nationwide Series, mas deu para seguir em frente. Um décimo lugar na classificação geral do ano passado mostram o quanto ela mereceu algumas chances na Sprint Cup e o quanto ela mereceu correr na Stewart-Haas. Agora é full time e logo de cara a pole position, logo na emblemática Daytona 500. Ela poderia ter brigado um pouco mais pela vitória, poderia o seu macacão ser Kriptonita se Jimmie Johnson fosse o Superman, mas nesse caso ela seria uma vilã e isso ela não é. Danica Patrick não é vilã, ela é uma super-heroína, uma super-pilota que continua surpreendendo o mundo e continua fazendo história, como também ter sido a primeira mulher a liderar a Daytona 500. Onde mais ela pode chegar? O que mais ela pode fazer no automobilismo? Será que ela pode vencer uma corrida da NASCAR? Como não chamá-la de Mulher Maravilha?

É sempre igual e é sempre emocionante

A interpretação do hino nacional americano pela cantora Martina McBride é linda como sempre acontece antes dos eventos esportivos realizados nos Estados Unidos, mas nitidamente se percebe uma prolongação nos tons como se fosse uma tentativa de esperar pelos aviões que cruzam o céu do Indianapolis Motor Speedway. O sincronismo não foi perfeito como acontece todos os anos, só que isso não foi um problema para todo o cerimonial que antecede mais uma edição das 500 milhas de Indianápolis. Tudo porque esse ano a emoção antes da prova com as homenagens a Dan Wheldon foram tão grandes quanto a chegada proporcionada por três dos pilotos que talvez fossem os mais amigos do grande vencedor do ano passado.

Não é uma imagem rara, principalmente quando se fala em Fórmula Indy, mas como impressiona e arrepia a cena com três carros praticamente lado a lado cruzando a linha de chegada depois de 200 voltas, depois de várias paradas nos boxes para reabastecimento e troca de pneus, depois de inúmeras bandeiras amarelas, vários acidentes e até rodada dentro dos boxes. O gosto do leite puro não deve ser tão bom quanto o sabor de vencer pela terceira vez em um dos templos sagrados do automobilismo. Ao contrário de beijar a Ashley Judd que deve ser tão maravilhoso quanto o motivo para beijar os tijolos da antiga pista que ainda estão lá na linha de chegada. Tudo sem esquecer Wheldon. Tudo um privilégio de Dario Franchitti.

O privilégio poderia ser de Scott Dixon, afinal ele corre com o mesmo carro do grande vencedor deste ano. Ou ainda do japonês Takuma Sato, que talvez por saber que jamais um japonês venceu as 500 milhas partiu para cima de Franchitti com muita afobação, bateu no escocês e teve seu temido encontro com o muro. Quem sabe o brasileiro Tony Kanaan, que se recuperou bem no final, mas assumiu a ponta antes da hora. Quem lidera faltando dez voltas nunca vence. Se liderar antes da metade então é puramente casual, mas pelo menos valeu pelo gostinho para Rubens Barrichello que acabou levando o prêmio de melhor novato após acabar na 11ª posição. Tudo isso valendo muito dinheiro e um troféu quase do seu tamanho.

O dinheiro é muito bem vindo, mas o que vale mesmo é entrar para a história das 500 milhas de Indianápolis que tem mais de cem anos e 96 edições realizadas. Dario Franchitti se junta a nomes como Louis Meyer, Wilbur Shaw, Mauri Rose, Johnny Rutherford, Bobby Unser e o brasileiro Helio Castroneves, todos eles com três vitórias cada um. Sonhando em alcançar AJ Foyt, Al Unser e Rick Mears, que conseguiram brilhar quatro vezes no oval mais famoso do planeta. A cada ano que passa sempre tomado de mais emoção, sempre se lembrando do passado e pensando no futuro, vivendo mais do que nunca o presente mesmo que os aviões não cruzem o céu no tempo certo, pois pelo menos eles ainda cruzam e ainda arrepiam qualquer um. (Foto: Jonathan Ferrey/Getty Images)

Daytona 500 e o incêndio em Roma

Acidente Montoya Daytona 500 fogoEra a noite do dia 31 de julho do ano 64. A sudeste do Circo Máximo, onde se localizavam alguns postos que vendiam produtos inflamáveis. Teoricamente teria sido o próprio imperador Nero o causador do Grande incêndio de Roma. E após 1948 anos, na noite de 27 de fevereiro de 2012, não resta a menor dúvida de quem foi o causador das chamas em Daytona. Nero colocou fogo em Roma e Juan Pablo Montoya incendiou a pista do Daytona International Speedway. Um dia para a história do esporte, em um acidente inédito na história da NASCAR. Por sorte as labaredas não duraram cinco dias e nem destruíram quatorze distritos da cidade, mas em longas e intermináveis duas horas de bandeira vermelha foi possível fazer tanto quanto já havia sido feito enquanto a corrida nem tinha começado.

Sobra tempo para ir ao banheiro, sobra tempo até para fazer um lanchinho. Isso que eu chamo de um verdadeiro momento Montoya. Danica Patrick tirou fotos com os fãs e durante as 2h05m29s de paralisação o piloto Brad Keselowski teve tempo de sobra para usar o celular captar uma foto do acidente e postar no Twitter. A ação lhe rendeu um aumento de quase 100 mil seguidores. A "Grande Corrida Americana", como é conhecida a Daytona 500, primeira etapa da temporada da NASCAR, devia ter começado no domingo à 1h30 da tarde no horário local. O problema era a chuva, que fazia os organizadores irem adiando o início, mas a água insistia em cair. Pela primeira vez na segunda, em horário nobre porque continuou chovendo o dia inteiro. Sob luzes artificiais a água deixou de ser um problema e o fogo entrou em cena.

Depois da água e antes do fogo, muitos foram dar um passeio na grama. Danica Patrick tem muitos fãs para tirar fotos com ela, mas não tem muito sucesso na pista. Quinta-feira se acidentou, sábado fez o mesmo após largar na pole da Nationwide Series (Segunda divisão da NASCAR). As provas que fará na Sprint Cup servirão para ela pegar experiência, mas não duraram nem duas voltas seus testes em Daytona. Danica foi engolida pelo primeiro de vários acidentes da noite que levou também o campeão do ano passado Trevor Bayne. Era apenas o começo, pois o show de batidas continuaria por um longo tempo, até o mais impressionante e inacreditável de todos eles. O colômbiano Juan Pablo Montoya, que venceu em Mônaco, que já ganhou as 500 milhas de Indianápolis, que tem carisma e sabe como fazer uma corrida pegar fogo, literalmente falando.

Estávamos na volta 160 quando Montoya teve problemas no câmbio e foi ficando para trás, sozinho na pista. A prova estava paralisada com bandeira amarela, sim, mais um acidente havia ocorrido. Até que o piloto da Chip Ganassi com seu carro vermelho inconfundível perde o controle bem onde o caminhão-turbina fazia a limpeza da pista. Um caminhão lotado de combustível. Querosene de avião. E então a grande explosão. Fogo para todos os lados, uma cena fantástica e aos mesmo tempo assustadora, pelo menos até a hora que Montoya é visto amparado pelos fiscais e andando, com alguma dificuldade, mas andando. Ou até chegar a notícia de que o motorista do caminhão também está bem e em segurança. Em Roma muitos talvez não tenham tido essa sorte toda. Não teve bandeira amarela, já estava em bandeira amarela, o jeito foi dar bandeira vermelha mesmo.

E lá vamos nós para mais uma longa e cansativa espera. Foram mais de 30 horas de espera para o início de um dos maiores eventos esportivos do ano. Não custa tanto assim esperar mais um pouquinho, quando após o retorno a prova de domingo invade a madrugada de terça-feira. E não sem o que é mais comum do que correr em círculos por uma pista inclinada de altíssima velocidade, os acidentes, que continuaram acontecendo e interrompendo a prova. Mas nada tão grave quanto o acidente de Montoya, nada que precisasse de sabão em pó para limpeza total da pista. No final se totalizaram dez bandeiras amarelas, uma delas bem no momento decisivo que fez a organização prorrogar a chegada. Green-White-Checkered. Mais algumas voltas para que o campeão seja legítimo, sorte de Matt Kenseth e azar de Dale Earnhardt Jr.

Daytona 500 é assim mesmo, incrível. Kenseth alcançou sua 22ª vitória na carreira, a segunda em Daytona, que mostra o quanto ele é competente e o quanto mereceu o triunfo também, se sentindo praticamente como o campeão de uma maratona. Mas devemos tirar o chapéu e elogiar muito o segundo colocado também, Dale Earnhardt Jr., o filho de Dale Earnhardt que morreu disputando essa mesma mítica Daytona 500. Derrotado apenas porque o companheiro de equipe de Kenseth se colocou entre ele e Dale, vendo de camarote a exímia competência do rival que o ultrapassou de forma sensacional pouco antes da linha de chegada. 203 voltas, 36 horas de espera, a água, o fogo, a Daytona 500. Grandes eventos esportivos são como grandes acontecimentos da história mundial, tenham eles como protagonistas Nero ou Montoya. Ficam marcados no tempo e jamais poderão ser apagados, algo que só acontece com os incêndios. (Foto: John Harrelson/Getty Images for NASCAR)

Domingo tem Danica em Daytona

Danica Patrick Daytona 500 2012Disputada pela primeira vez em 1959, a Daytona 500 é uma corrida única e especial. Acredito que ela se encaixa em uma situação semelhante à das 500 milhas de Indianápolis, onde uma pessoa que não costuma acompanhar nada de Fórmula Indy pode ter interesse em ver apenas a tal prova lendária em questão. A mesmo coisa com relação a quem não vê futebol americano, mas quer ver o Super Bowl. Quem não acompanha nenhum esporte olímpico e não tira o olho das Olimpíadas a cada quatro anos. Ou ainda brasileiros que não ligam muito para futebol, mas que deixam até de trabalhar para ver um jogo do Brasil na Copa do Mundo. Ninguém vai parar de trabalhar para ver a Daytona 500 nesse domingo, só que motivos para tanto não faltam.

Às vezes eu fico pensando se existiria stock car no Brasil se não fosse a NASCAR, e o pior é ver a emissora de televisão que faz a Stock Car Brasil ser possível não comentar absolutamente nada sobre a principal categoria stock car do planeta. Talvez essa história mude um pouco nesse ano, pelo simples fato da Sprint Cup (principal categoria da NASCAR) estar contando com uma mulher entre os principais pilotos. E não se trata de uma mulher qualquer, se trata de Danica Patrick, que sabe atrair a atenção da mídia, do público, dos patrocinadores e de tudo mais que puder. Por isso talvez a Daytona 500 deste ano seja ainda mais interessante de se acompanhar do que já é por natureza, tudo porque domingo tem Danica em Daytona.

"Se eu acho que posso vencer a Daytona 500? Sim eu posso" - foi a declaração de Danica Patrick. Uma mulher que faz campanhas publicitárias sensuais, fotos ousadas de biquíni ou tirando o macacacão, não iria mesmo ter medo de uma estreia na prova mais importante do ano para a NASCAR. E toda essa confiança de Patrick não é nenhum absurdo para quem a conhece e conhece sua história na Fórmula Indy. A belíssima piloto largou na quarta posição em sua estreia nas 500 milhas de Indianápolis, chegou a liderar a prova e terminou na mesma quarta posição. Em 2008 venceu uma corrida no Japão e mais tarde teve um grande chance de vencer as 500 milhas novamente. Danica, no entanto, largará em 30º lugar, mas a história do ano passado em Daytona está a seu favor.

Até 2010, a única vez que um piloto estreante venceu a Daytona 500 foi justamente no primeiro ano da Daytona 500, pois obviamente todos eram estreantes! Mas a história se repetiu em 2011, quando Trevor Bayne, de apenas 20 anos de idade saiu da 21ª posição para cruzar a linha de chegada em primeiro. Para os fãs, para a mídia em geral, para a história, para as mulheres, para tantas coisas uma vitória assim de Danica Patrick seria realmente incrível. Seria o que realmente todos gostariam de ver no automobilismo, mesmo que seja na NASCAR e não na mais interessante Fórmula 1. O mundo iria voltar suas atenções para uma corrida de stock car valorizada mais quando faz a sua corrida mais interessante do ano. Apesar de que mesmo que isso não aconteça, já existe mais atenções do que o normal voltadas para a Daytona 500 deste ano. Tudo porque é a Daytona 500, é a final da Copa, o Super Bowl ou as 500 milhas, e ainda por cima tem uma mulher correndo lá desta vez. (Foto: Jamie Squire/Getty Images for NASCAR)

Semrpe será o rali da morte

Para quem o conheceu como o Rally Paris-Dakar, o viu ser chamado de Lisboa-Dakar e mesmo que seu final deixasse de ser no Senegal, não tinha como apagar o nome Dakar. O nome da cidade passou a ser a marca registrada da maior e mais perigosa prova off-road de todo o planeta. Todos os pilotos de rali sonham em um dia poder competir nessa disputa importante e tão prestigiada, e assim vê-la sair da África, deixar Paris e abandonar definitivamente o Dakar, foi a chance de muitos, principalmente os argentinos. A prova veio para a América do Sul, a cada ano com um percurso diferente. Foi para o Chile, para o Peru, para ser atração de Natalia Sonia Gallardo e Marcelo Reales, para realizar o sonho de Pascal Terry e Jorge Andrés Martínez Boero. Para simplesmente continuar sendo o Dakar de sempre, definitivamente o rali da morte.

Para morrer basta estar vivo. A morte é um momento difícil, em especial para as pessoas próximas ao falecido que continuam vivas. Um padre, em um velório, disse que sofremos com a morte de alguém próximo porque somo egoístas, porque simplesmente não queremos sofrer, nos recusando a entender algo que na vida é muito natural, é a única certeza que todos tem, a certeza que um dia irá morrer. Só que ninguém espera morrer tão cedo, todos querem viver até os 90 anos ou mais, mas ás vezes isso acaba não sendo possível. Às vezes você pode ser atropelado por um veículo quando está apenas o assistindo correr. Em outras vezes você pode estar pilotando esse veículo e sofrer um grave acidente. Às vezes, ou neste caso muitas vezes, você pode ser vítima do famoso Rally Dakar, o rali da morte.

No ano passado, que foi encerrado a apenas dois dias, o piloto Dan Wheldon perdeu sua vida na Fórmula Indy. Um dos nomes do esporte em 2011 simplesmente morreu e foi embora bem antes do que todos esperavam, bem no ano em que havia vencido as 500 milhas de Indianápolis pela segunda vez na sua carreira. É difícil encarar a morte assim, sem um aviso prévio, é difícil encarar a morte no esporte, uma prática tão conhecida como algo saudável. Na Fórmula 1, por exemplo, um piloto não morre desde 1994, quando o célebre e inesquecível Ayrton Senna perdeu sua vida. A Fórmula 1 investiu em segurança, afinal não há outra explicação para o fim das mortes. Mas e a Fórmula Indy? E o tão famoso Rally Paris-Dakar? O Rally Dakar, o Dakar, o rali da morte.

Dan Wheldon poderia estar vivo. Natalia e Marcelo certamente também poderiam. Mas quanto a Pascal e Jorge, fica didícil dizer, tanto quanto é difícil vê-los morrer competindo. O Rally Dakar tem uma estrutura fantástica, uma organização exemplar, tão eficiente que muda o local da prova de um continente para o outro só pela segurança da competição, que fora ameaçada por terroristas quando ainda era realizada em terras africanas. Não tem como procurar ou eleger um culpado para a morte do plito de motos argentino Jorge Martínez Boero, logo no primeiro dia da prova de 2012, logo na primeira etapa. Somos apenas obrigados a aceitar, a tentar entender que às vezes a vida simplesmente chega ao final assim, do nada. Somos apenas obrigados a aceitar que este é o Rally Dakar, o mais temido e perigoso de todos os ralis, porque ele é e sempre será o rali da morte. (Foto: AFP)

Dan Wheldon ★1978 † 2011

Apenas 33 anos de idade, campeão da Fórmula Indy em 2005, duas vezes vencedor das 500 milhas de Indianápolis, no total são 16 vitórias na carreira. Pode até haver uma explicação plausível e compreensível, mas mesmo assim fica difícil entender porque o piloto inglês Dan Wheldon não estava competindo na temporada deste ano. Menos mal que ele era cotado para substituir Danica Patrick na equipe Andretti. Menos mal que pelo menos nas 500 milhas ele podia correr, para vencer novamente como em 2005, para provar o seu talento, que era nato e demonstrado com louvor na última corrida de 2011. Em apenas 12 voltas foram inúmeras ultrapassagens depois de largar em último como um convidado especial, infelizmente o dia não tinha nada de especial reservado para ele.

Uma pista muito pequena para muitos carros, eram 34 veículos disputando um prêmio extra em dinheiro. Agora fica fácil falar depois que o pior acontece, depois que 15 carros se envolvem em um acidente de proporções gigantescas, com veículos voando para todos os lados, sendo destruídos, pegando fogo de tudo quanto é jeito, essa cena em especial me faz lembrar da batida de Gerhard Berger na Fórmula 1. Se fossem apenas 33 carros talvez a história não fosse tão diferente, porém se o 34º do grid não estivesse lá a história poderia sim ter sido muito diferente. O 34º a largar não ocupava mais essa posição porque era um grande piloto, corria sempre buscando a melhor posição, ultrapassando os adversários, se posicionando infelizmente no lugar errado e na hora errada.

O fato do mega acidente ocorrido neste domingo no GP de Las Vegas, a última etapa do ano, ter sido na volta 12, ainda no começo da corrida, é mais uma prova de que não havia nenhuma condição mesmo de 34 carros disputarem uma corrida em um pista tão curta e tão inclinada nas curvas. Acidentes acontecem, fatalidades também, um esquiador pode morrer ou um competidor de luge como Nodar Kumaritashvili nos Jogos de Inverno de 2010. A jogadora brasileira Jaqueline não esteve perto de perder a vida após chocar a cabeça com a companheira de equipe nos Jogos Pan Americanos, mas correu o risco de perder o movimento das pernas e braços. Jogadores de futebol já morreram em campo por probelmas cardíacos, não é preciso estar a 300 Km/h para morrer no esporte, mas a Fórmula Indy simplesmente coleciona vítimas desde 1996.O último piloto a morrer na Fórmula 1 todos sabem o nome, aconteceu em 1994, um dia depois da penúltima morte. Já a Fórmula Indy registrou a sétima morte desde 1996. Se froam Scott Brayton, Jeff Krosnoff, Gonsolo Rodriguez, Greg Moore, Tony Renna, Paul Dana e agora Dan Wheldon. São fatalidades do esporte que podem acontecer, o competidor assume um risco, mas quando acontece tantas vezes assim em tão pouco tempo fica estranho. Explicações deverão ser dadas, principalmente para a família, a esposa Susie e os dois filhos, um deles de apenas sete meses. A nós resta apenas lamentar diante da perplexidade, sem entender como alguém pode ir da glória de vencer a maior corrida do mundo e morrer no final do mesmo ano que alcançou o topo do mundo. Dario Franchitti ficou com o título da temporada, sem nada para comemorar, restando apenas lamentar, lamentar um dos dias mais trsites do esporte neste ano de 2011. (Fotos: Reuters)

Busca por mais popularidade

Danica Patrick sensual sexy ousada em busca de popularidade na NASCAROs rumores e boatos das últimas semanas se tornaram realidade e Danica Patrick vai correr em tempo integral na NASCAR em 2012. A mais conhecida pilota de carros de corridas que fez a história acontecer na Fórmula Indy quando se torneou a primeira mulher a vencer uma corrida na categoria. Sua popularidade não só no meio automobilístico como também em todo o esporte é inquestionável, a fama veio de forma avassaladora, mesmo que não tenha vindo junto muitas glórias, muitas conquistas ou qualquer título de campeã mundial. Alguns chamam isso de efeito Anna Kournikova, em referência a tenista que jamais ganhou um torneio WTA, mas que era conhecida mundialmente e adorada ao extremo.

O motivo de enorme popularidade da tenista russa sempre foi bem óbvio, pois Kournikova é uma mulher lindíssima, que abusava da sua sensualidade e fazia um enorme apelo sexual em busca de novos fãs, admiradores e apaixonados em qualquer canto do planeta. Danica Patrick não fica atrás, se tornou capa da Sports Illustrated após ter conseguido a façanha de liderar as 500 milhas de Indianápolis, posou de biquíni para a edição da Swimsuit e fez diversos ensaios sensuais, revelando o que havia por baixo do macacão. Um de seus patrocinadores, a GoDaddy, também explorou muito esse lado de certa forma apelativo, anunciando inclusive nos intervalos do Super Bowl. Assim não tem popularidade que não cresça.

Se tivesse vencido as 500 milhas de Indianápolis, Danica talvez fosse ainda mais popular do que já é, talvez tivesse até mais do que o seu já estupendo número de 404 mil seguidores no Twitter. Mas uma mulher pilotando carros de corrida, ganhando um GP como foi o caso da prova no Japão em 2008, brigando com os outros pilotos quando se sente com a razão em alguma situação e a sua beleza e sensualidade a ajudaram muito a chegar onde chegou sem precisar se dar bem de fato no âmbito esportivo. O efeito Anna Kournikova é muito comum e para muitos ele pode ir além, pode ser ainda maior e é por isso que a NASCAR dividiu Danica com a Indy nos últimos anos, por isso que eles a querem em tempo integral, para que ela chegue na Sprint Cup em 2013 e se torne ainda mais popular do que já é.

Primeiro Danica Patrick terá que correr na Nationwide, a categoria de acesso à principal categoria da NASCAR. Isso, no entanto, não a impede de correr algumas provas da Sprint Cup, como as 500 milhas de Daytona. Para ela Indianápolis não foi nenhum problema e quem teria coragem de pensar que Daytona seria um? Não há como não imaginar todas as atenções voltadas para a mulher que pilota um carro de corridas todas as vezes que ela estiver no grid de largada para fazer isso. Dale Earnhardt Jr., hoje o piloto mais popular da NASCAR, que também não vence uma corrida desde 2008, já começa a ficar preocupado em perder seu posto, quem sabe até na pista, pelo menos na mente dos visionários. Danica Patrick está chegando, para fazer história ou simplesmente apenas para ser ainda mais popular do que já é. (Foto: Divulgação)

De onde veio Dan Wheldon?

Dan Wheldon veio da desconhecida cidade de Emberton, na Inglaterra, local onde nasceu no dia 22 de junho de 1978. Dan Wheldon vem da escola britânica de automobilismo, vem da Panther direto para a Andretti Green e depois vai para a Ganassi. Mas de onde veio Dan Wheldon nesta histórica corrida de 100 anos das 500 Milhas de Indianápolis? O que mais se viu sobre esse piloto que já venceu essa prova em 2005 que não fosse apenas o fato de que largou na sexta posição, uma excelente posição de largada para uma corrida que dura uma eternidade como as 500 milhas. Onde foi parar o pole-position Alex Tagliani? Como acreditar que Scott Dixon, líder por nada a menos que 73 voltas, poderia perder essa corrida? Cadê o Dario Franchitti, que andou tanto tempo na frente? Mais inacreditável que isso só mesmo o que aconteceu com J. R. Hildebrand.

As 500 Milhas de Indianápolis só tem 100 anos de histórias em 95 edições exatamente por isso, os acontecimentos são inesperados e mais do que tudo isso inesxplicáveis. Dixon, Franchitti e Tagliani brigando no começo da corrida. Mais tarde eles recebem a companhia de Oriol Servià e conforme o tempo passa aparece até o brasileiro Tony Kanaan nas primeiras posições. Esse ano o sol brilhou mais forte no Indianapolis Motor Speedway, o hino nacional nas vozes de Seal e Kelly Clarkson foi mais demorado, mais sincronizado com o caça supersônico que cruzou o céu de Indiana bem mais devagar que os tradicionais caças que sempre rasgavam o céu em um momento que de qualquer forma é sempre emocionante. Esse ano tudo parecia diferente porque era o ano centenário, as bandeiras amarelas pareciam estar em total sincrônia com os momentos de paradas no boxes.

Por causa desse sincronismo todo era difícil ver outro carro na ponta que não fosse um carro vermelho da Chip Ganassi, ainda restavam 50 voltas, na hora da verdade para as 500 milhas, mas era difícil ver outro vencedor que não fosse Dixon ou Franchitti. E se fosse assim não seria Fórmula Indy, não seria a prova com 100 anos de existência, se Danica Patrick não assume a liderança no final da corrida não se tratava de mais uma edição das 500 Milhas de Indianápolis. Infelizmente a melhor pilota da história até hoje tem que ir reabastecer, assim Bertrand Baguette assume a liderança, com o mesmo destino de Danica no entanto. Agora sim é uma corrida digna de 100 anos de 500 milhas, lá na frente está o novato J. R. Hildebrand, tentando repetir o feito de Hélio Castroneves de 2001, quase sem etanol, e com um destino que ninguém, nem mesmo Dan Wheldon poderia imaginar.

Havia um muro no meio do caminho, no meio do caminho havia um muro. Desconsolado, com as mãos na cabeça e sem poder acreditar no que havia acabado de acontecer, Hildebrand muito provavelmente iria preferir ter visto seu carro sem combustível, seria menos deprimente, seria uma circunstância da corrida vivda por Danica Patrick e Bertrand Baguette. O destino assim não quis, ele bateu e mais incrível do que perder a corrida desta forma seria vencê-la se arrastando pela parede até a linha de chegada, algo que acocabou fazendo, e que lhe rendeu uma porque não honrosa segunda colocação que no final foi conseguida de forma sensacional. Tudo porque do nada surgiu Dan Wheldon, o britânico que ninguém sabe de onde veio, o piloto que apareceu apenas na hora certa, venceu de forma inesperada e sentiu mais uma vez o gosto do leite concedido ao grande vencedor. O vencedor de uma corrida que jamais será esquecida pelos amantes da velocidade e por todos os amantes dos maiores eventos esportivos do planeta. (Por: Net Esportes Foto: Jonathan Ferrey/Getty Images)

Jovem faz história em Daytona

O aniversário foi no sábado, mas a festa foi no domingo. O mundo nunca tinha ouvido falar em Trevor Bayne, jovem que um dia antes da mais importante corrida da NASCAR completou apenas 20 anos de idade. No currículo só uma corrida da Sprint Cup Series disputada na carreira, onde conseguiu a 18ª colocação na Texas 500 do ano passado. Sonhando como sonham os 43 pilotos que alinham para a largada da tradicional Daytona 500, ele entra no mítico e histórico carro número 21 da equipe Wood Brothers Racing. A responsabilidade é imensa e o seu objetivo principal é mais de ajudar alguns outros competidores do que brigar diretamente pela vitória, exceto claro se alguma circunstância permitir que isso possa acontecer.

Para alguns anunciantes dos canais que tiveram o direito de transmissão da corrida deve ter sido ótimo, pois a cada bandeira amarela vinha um intervalo comercial. O "Big One" aconteceu na volta 29, envolvendo nada a menos que 14 carros, era um indício do que estava por vir. No total foram 16 bandeiras amarelas, um recorde negativo que só serviu para prejudicar a estratégia de muitos e ajudar os que não tinham muita esperança. Uma das bandeiras amarelas aconteceu quando faltavam apenas quatro voltas para o final das 200 voltas em mais de quatro horas de prova, e assim a corrida passa a necessitar de pelo menos mais duas voltas. O problema é que houve outro acidente, e assim a interminável Daytona 500 durou mais um pouquinho.

Mais um pouco de adrenalina para milhões de fãs espalhados pelo mundo e lotando o autódromo do Daytona International Speedway. Os carros voando a uma velocidade impressionante no circuito oval e andando sempre colocados uns aos outros, quase sempre de dois em dois fazendo com que dez carros dêem a impressão que são apenas cinco carros um pouco mais compridos do que o normal. Dale Earnhardt, Jr. bateu na volta 202, e não conseguiu fazer história dez anos depois que seu pai morreu na última volta dessa mesma corrida. Ryan Newman ficou para trás, Robby Gordon também assim como Juan Pablo Montoya que nas últimas curvas ainda dava esperança aos colombianos. O dia estava reservado para um novato, o mais jovem a vencer na Daytona 500 em todos os tempos.

"Continuo pensando que estou vivendo um sonho... Estou agradecido pelo trabalho que a minha equipe fez. É inacreditável" - disse Trevor Bayne após a prova, realmente sem saber da magnitude que havia acabado de conseguir, e principalmente do show de pilotagem que deu na última curva quando segurou o veterano Carl Edwards, que veio da sexta posição na relargada para quase conseguir uma vitória que também seria épica. O campeonato da NASCAR começou de forma brilhante, com a Daytona 500, uma das corridas mais emblemáticas do mundo, que teve 74 trocas de liderança entre 22 pilotos, mas que no final viu apenas um dar cavalos de pau na pista e comemorar muito nos braços da equipe, um jovem que provavelmente terá um futuro brilhante pela frente, e que fez sua equipe comemorar uma conquista que não vinha desde 1976, quando ele nem tinha nascido ainda.

Tal pai, tal filho na Daytona 500

Última volta da 43ª edição de uma das provas de automobilismo mais emblemáticas do planeta. Na frente o piloto que acabaria campeão, Michael Waltrip dispara, seguido bem de perto pelo segundo colocado Dale Earnhardt Jr. Um pouco mais atrás estava o carro de número três que nitidamente perdia contato com os dois que iam à frente, no volante o condutor era justamente Dale Earnhardt, o pai de Earnhardt Jr. que talvez estivesse segurando o pessoal de trás para que o próprio filho tivesse um resultado melhor. Um pai correndo a Daytona 500 da NASCAR junto com o filho e indo para o pódio com ele, tudo porque aos 49 anos de idade Dale Earnhardt havia se esquecido de encerrar a carreira mesmo com os pedidos da esposa, o piloto que justamente naquele dia tão especial viu esse fim chegar da forma que jamais queria que acontecesse.

Quem saberia dizer se Rusty Wallace, Ricky Rudd ou até mesmo Bill Elliott conseguiria ou não tirar o segundo lugar de Dale Earnhardt Jr.? E quem pode afirmar com certeza ou não que Dale Earnhardt Sr. diminuiu a velocidade propositadamente para seu filho não fosse ameaçado e tentasse vencer a corrida mais importante da NASCAR? Nada disso é possível afirmar com certeza, exceto que Dale Earnhardt se arriscou no meio de três ou quatro carros, sofreu um toque e rodou indo bater de forma frontal e violenta contra o muro e ainda sendo atingido por outro carro na sequência. A princípio um acidente normal, como muitos que sempre acontecem nessa competição, tanto que Michael Waltrip comemorava uma das maiores glórias de sua carreira. Mais tarde a confirmação, Dale Earnhardt havia morrido, o veterano piloto perdeu sua vida na última volta da Daytona 500 de 2001.

Novato do ano em 1979, sete títulos conquistados entre 1980 e 1994. No total Dale Earnhardt disputou 677 corridas em 27 anos de carreira, venceu 76 e ficou entre os dez primeiros colocados por 428 vezes tendo conquistado 22 pole-positions. Uma verdadeira lenda do automobilismo americano e uma verdadeira lenda da NASCAR, um piloto que entrou para o Hall da Fama dos esportes de motor em 2002, dos esportes de motor internacionais em 2006 e da própria NASCAR em 2010. O lendário piloto que não poderia deixar de ser o grande assunto da semana quando mais uma edição da Daytona 500 se aproxima, justamente a Daytona 500 que marca os dez anos de sua morte, e mais do que isso uma Daytona 500 que neste domingo viu ninguém menos que Dale Earnhardt Jr, o filho de Dale Earnhardt, marcar a pole-position e fazer tudo ficar ainda mais especial para o próximo domingo.

Não por menos, Dale Earnhardt Jr é hoje um dos pilotos mais populares da NASCAR, porém ainda não fez nem metade do que seu pai fez na categoria. Aquele ano de 2001 era a sua segunda temporada na categoria principal, hoje conhecida como Sprint Cup, e duas vitórias lhe valeram apenas a 16ª colocação. Em 2004 ele fez o que o pai havia feito em 1998, venceu a Daytona 500, no ano em que venceria outras cinco vezes e terminaria o campeonato em quinto, duas posições acima do ano anterior quando obteve seu melhor resultado final da carreira. O piloto causou polêmica ao deixar a equipe do pai em 2008 e ir para a Hendrick Motorsports, nas entrevistas prefere não falar no assunto que ninguém quer deixar de falar, diz que fica feliz com as lembranças do pai, mas ressalta que quer apenas se concentrar na corrida, quem sabe vencer mais uma vez e certamente não morrer na última volta.

Dakar, o eterno rally da morte

Deserto da Líbia, ano de 1977, rali de Abidjan-Nice. Pilotando sua Yamaha XT 500, o piloto francês Thierry Sabine acabou se perdendo durante uma tempestade de areia e após três dias de buscas a organização deixou de procurá-lo. Por sorte uma pequena aeronave acabou localizando o competidor no limite da desidratação e ao resgatá-lo o socorrista lhe disse - "Meu amigo, daqui para a frente, tudo o que você viver será lucro". Sabine se recuperou e dois anos depois colocou em prática a idéia que teve quando estava totalmente perdido, isolado, sem qualquer esperança de sobreviver; Que era organizar a maior prova off-road jamais vista, saindo da Europa e atravessando a África através do deserto, a definindo como “um desafio para os que vão e um sonho para os que ficam”, estava criado o Rally Paris-Dakar.

O mais famoso rally do mundo, o mais difícil de todos e o mais mortal em todos os tempos. Nem tudo foi lucro na vida de Thierry Sabine como seu salvador proferiu, o piloto francês acabou morrendo no dia 14 de janeiro de 1986, a bordo de um helicóptero que se chocou com uma duna durante outra tempestade de areia no deserto. O fim de sua vida ocorreu quando organizava a prova que ele mesmo inventou, o fim da vida de muitos outros aconteceu também durante o rally conhecido como Dakar que também tem sua eterna fama de rally da morte. O criador se foi há 25 anos, mas o Dakar continuou e seguiu fazendo uma vítima atrás da outra, seja na África, seja na América do Sul, com um total de 56 falecimentos desde o ano de 1979. O pior é nem todos estavam diretamente ligados à competição.

Em 2010 uma mulher argentina foi atropelada pelo carro do alemão Marco Schultis, esse ano foi vez de um pobre motorista que voltava para casa de madrugada, quando se chocou de frente com o carro Eduardo Amor e perdeu sua vida. O piloto estava atrasado para chegar ao acampamento que deveria ter dado entrada no dia anterior. As etapas chegam a ter 600, até 700 km, e a organização não tem a mínima condição de controlar todo ou qualquer canto remoto, de aldeia isoladas e complicadíssima comunicação. A idéia de Thierry Sabine em colocar na prática todo o sofrimento que ele mesmo viveu no deserto da Líbia funcionou perfeitamente, nada foi mudado e este sofrimento passou a ser um companheiro indispensável dos competidores e todos que estão ligados indiretamente ao Dakar.

Patrice Dodin, o próprio Thierry Sabine ou mesmo a pobre Natalia Sonia Gallardo e tantos outros desconhecidos. Já se foram 56 e muitos outros como todos os 430 pilotos inscritos esse ano sobreviveram, dentre os quais o piloto de motos Marc Coma, o piloto de carros Nasser Al-Attiyah e o de caminhões Vladimir Chagin, que ao final dos mais de 5.900 km conseguiram se sagrar como os grandes campeões do Rally Dakar, o rally que segue sendo o mais aclamado, o mais amado, o mais difícil e o maior desafio daqueles que vivem pelas provas de off-road, mas que também segue sendo o rally que mata, que tira a vida até mesmo daqueles que não assumem os riscos, que são literalmente vítimas da natureza cruel e obstinada desta competição, tudo o que Thierry Sabine viveu literalmente, e tudo que ele fez muitos viverem nesses mais de 30 anos de história.

Roteiro muda, mas os nomes não

Glamour era ser chamado de Raly Paris-Dakar, isso que era um status relevante para aquela que hoje é a maior prova off-road de todo o planeta. Quase sempre a largada no primeiro dia do ano, mais um fator imprescindível para chamar um pouco mais a atenção. Da capital francesa até a capital do Senegal foram doze anos de história, mesmo que apenas nos três primeiros deles só a largada e chegada constassem na definição do trajeto. Havia a necessidade de passar por Argel, Tunis e Tripoli, o pior mesmo aconteceu em 1992, quando a Cidade do Cabo passou a ser o destino final no lugar da célebre Dakar. Dali em diante as mudanças passariam a serem muito mais constantes, muito mais drásticas e se alguém soubesse que um dia não haveria nem disputas, se importar com o trajeto original seria irrelevante.

De Paris até Dakar aconteceu novamente em 1993 e em 2001 pela última vez. Teve ano que retornou à capital da França, teve ano que saiu de Granada e chegou no Dakar, teve ano que saiu de Lisboa para chegar no Senegal e até o Cairo já foi o destino derradeiro dos bravos competidores. A Europa, a África, muitas mudanças e uma mudança ainda maior iria acontecer, a mudança de continente. O problema era a violência, assaltos e inúmeras ameaças de terroristas, a edição de 2008 estava cancelada e o jeito era ir para outro lugar. Dakar fica para trás, mas o Raly Dakar não pode ser chamado de outra forma. Na América do Sul o orgulho de receber a competição que preserva pelo menos o nome de uma das cidades onde começou a fazer história, esse nome não tem como ser outro, assim como o nome de alguns dos pilotos que nos últimos anos não dão chances para ninguém.

Tudo começa pela disputa dos caminhões. Provavelmente é a competição mais difícil de todas no Raly Dakar, a que exige mais esforço do piloto e muito mais trabalho para a equipe de apoio e navegadores, que o diga o brasileiro André Azevedo. Firdaus Kabirov venceu em 2005, ainda na África, e repetiu a dose em 2009, não à toa, pois neste ano está em segundo lugar na classificação geral. Em terceiro aparece Ales Loprais, sobrenome também não muda, Karel Loprais foi campeão em 1995, 1994, 1998 e 2001. Só que para serem os melhores em 2011 vão precisar superar outro velho conhecido, tão conhecido quanto o próprio nome do Raly, campeão em 2010, 2006, 2004, 2003, 2002 e em 2000, o russo Vladimir Chagin é mais do que mestre, e detém um recorde incrível de 59 vitórias em especiais de etapas na carreira.
A exclusividade dos nomes que não mudam não pertence apenas aos caminhões. Nas motos entre os três primeiros desde que começou o Raly deste ano estão Cyril Despres e Marc Coma, o francês ganhou três títulos nos últimos cinco anos enquanto que o espanhol venceu os outros dois, sempre alternado. Já nos carros o líder é Carlos Sainz, campeão do ano passado, sendo que em terceiro lugar está Stéphane Peterhansel, campeão de 2007, 2005 e 2004, correndo de carro, porque correndo de moto ele já foi campeão outras seis vezes nos anos 90. Muitos nomes que praticamente não mudam na lista dos gloriosos pilotos que entraram para a história do Raly mais perigoso do mundo, o Raly da Morte que mudou seu trajeto várias vezes, mudou de país, cidades e até continente, só não mudou sua essência, e não mudou aqueles que o fazem ser a mais importante e carismática prova do tipo em todo o planeta.

Dia de opostos sobre duas rodas

May 01, 2010 - Jerez De La Frontera, ANDALUC A, Spain - epa02138784 Japanese Moto2 pilot Shoya Tomizawa kisses his helmet after placing first at the qualifying session held at the Jerez race track in Jerez de la Frontera, southern Spain, on 01 May 2010 ahead of the Spanish Motorcycle Grand Prix to be held in Jerez on 02 May 2010.
Em seu capacete "hora marcada" a contagem regressiva para a recuperação total. Valentino Rossi sofreu um grave acidente no início do ano e fraturou o perna, ficou fora por três etapas na MotoGP e desde a corrida na Alemanha vem se recuperando e se alternando entre o pódio, a quarta e a quinta colocação. Pelo menos o italiano ainda está vivo e pode ter a chance de voltar à sua melhor forma que já lhe rendeu mais de 100 vitórias e nove títulos mundiais divididos por todas as categorias da Motovelocidade. A terceira posição no GP de San Marino faz o público local ir ao delírio e invadir a pista para ovacionar Rossi após o fim da corrida, muito mais do que o vencedor Dani Pedrosa que mal comemorou o seu triunfo, o dia sobre duas rodas teve dois opostos porque não era mesmo um dia de festa, era um dia de tristeza e luto.

Valentino Rossi não tem culpa pela alegria dos torcedores, mesmo porque é bem possível que em tão pouco tempo os torcedores não soubessem do fato mais lamentável deste domingo que poderia conter toda essa festa com o piloto italiano. Já Pedrosa que cerrou os punhos quando cruzou a linha de chegada talvez tivesse alguma idéia pelas informações do rádio e mais do que isso sabia o que havia acontecido mais cedo, na Moto2, que é a categoria de acesso à MotoGP. Acidente espetacular, algo até comum em corridas de motos, como aquele que fez Rossi ficar fora da disputa em três etapas. Só que às vezes os pilotos ficam estirados na pista sem reação, às vezes outras motos acertam os pilotos e às vezes esses acidentes podem causar lesões extremamente graves, fraturas múltiplas, hemorragia interna e na pior das hipóteses até a morte.

Jovem, promissor e cheio de vontade. Seu nome era Shoya Tomizawa, japonês de apenas 19 anos de idade. Ele começou sua carreira muito pequenino quando tinha cerca de três anos de vida, nasceu para isso e no ano de 2006 já estava na categoria 125cc correndo pela Honda. Mais tarde passou para a categoria 250cc onde ficou até o ano passado e nesta temporada estreou com vitória na Moto2 correndo pela Suter. A vitória no Qatar e o segundo lugar na Espanha só mostravam o quanto ele era talentoso e o quanto ele poderia render no futuro. Porém esse futuro jamais existirá para ele, o acidente é gravíssimo em San Marino e depois de ser levado ao hospital ele não resiste. Se não bastasse tantas desgraças o pessoal do resgate ainda conseguiu deixar a maca cair quando conduzia o piloto para a ambulância ainda na pista, esse fato no entanto não foi tão relevante, seu estado já era o pior possível.
Suter Moto2 rider Shoya Tomizawa of Japan is carried on a stretcher following a crash during the San Marino motorcycling Grand Prix at the Misano circuit September 5, 2010. Tomizawa died after suffering a shocking crash during the Sunday's San Marino Grand Prix. He was travelling at full speed when he fell off before a corner and was hit violently by the bikes of Alex De Angelis and Scott Redding, who both also tumbled but looked relatively unhurt. REUTERS/Stringer (ITALY - Tags: SPORT MOTOR RACING)
A última vez que a principal categoria sobre as duas rodas havia visto uma morte foi em 2003, quando o também japonês Daijro Kato não resistiu a um acidente em Suzuka. Já na semana passada Peter Lenz perdeu sua vida em uma campeonato base amaricano e nesta corrida em Missano, San Marino, a tragédia já havia se feito presente quando em 1993 Wayne Rainey, tricampeão nas 500cc (1990, 91 e 92) caiu e foi atingido por outra moto que o deixou paraplégico encerrando sua carreira. Os perigos inevitavelmente fazem parte desse esporte e todos que se dispõe a disputá-lo sabem muito bem disso, como Valentino Rossi que por sorte está conseguindo se recuperar e faz a festa da galera e como Shoya Tomizawa, que encerra sua carreira e sua vida mais cedo do que qualquer um poderia imaginar, deixando o mundo sobre duas rodas extremamente triste em um dia que poderia ter sido muito feliz. (Fotos: ZumaPress e Reuters via PicApp)

Sertões poderia ser o Dakar

As dificuldades são inúmeras, a beleza dos cenários incomparável e o prestígio dos campeões tão grande que os fazem ganhar um reconhecimento enorme que poucos sabem o tamanho. O Rally Internacional dos Sertões que passa pelas regiões mais áridas do Brasil tem a sua grandiosidade, tem o seu valor e é disputado por grandes nomes do off-road mundial. O Dakar 2011 seguirá afastado da África e mais uma vez acontecerá no trajeto traçado pela Argentina e Chile, mas bem que poderia ser traçado no território brasileiro, e a prova disso é o Rally dos Sertões, de Caldas Novas até a Unaí ou de Dianópolis até Palmas, a chegada triunfal em Fortaleza depois de passar por Sobral e Palmas com as mesmas precariedades encontradas no deserto do Saara. Uma competição importante que até consagrados nomes vibram ao triunfarem nela.

Só do mítico Rally Dakar ele tem duas conquistas, 2006 e 2009. O espanhol Marc Coma nunca dava sorte competindo no Brasil mas esse ano ele viu seu azar passar bem longe da sua moto KTM 690, um azar que acabou indo para o lado do Zé Hélio Rodrigues nos primeiros dias da prova, problema na mangueira do óleo ainda na terceira etapa e adeus briga acirrada para levar a taça. Coma completou o percurso com um total de 25h52m42s3, quase 18 minutos a frente de outro corredor local, Felipe Zanol. O espanhol classificou a disputa como muito dura e complicada destacando o fato de apenas três estrangeiros terem vencido nos 18 anos de história do Rally. Ficou muito feliz por ter levado o único título que lhe faltava na carreira, tão feliz como Guilherme Spinelli, o campeão nos carros.

Dois ano fora já o deixavam com uma saudade enorme de comer poeira. Ao ao lado do navegador Youssef Haddad ele mesmo desenvolveu o seu carro em conjunto com a marca japonesa, criando o Mitsubishi Triton SR. O veículo não só foi perfeito como lhe garantiu o tricampeonato com um tempo total de 25h39m39s0, exatos 15m14s7 à frente da dupla formada por Kléver Kolberg e Flávio França, justamente a dupla que foi segunda colocada em 2010. A festa brasileira foi completa com os campeões da categoria caminhões, onde o trio formado por Marcos Cassol, Rodrigo Mello e Davi Fonseca faturou o título após completar o percurso com um tempo total de 27h55m44s0, ficando à frente de da equipe encabeçada pelo irmão Vanderlei Cassol, Lelio Carneiro e Henrique Oliveira, ironicamente os também segundos colocados de 2010.
A poeira baixa e a vida pelas caminhos de terra do Rally dos Sertões aos poucos vai voltando ao normal, sem antes deixar de consagrar o polonês Rafal Sonik que dominou a disputa entre os quadriciclos e se sagrou o primeiro campeão estrangeiro dessa modalidade . Mais um motivo que mostra como a disputa brasileira vai ganhando cada vez mais interesse de todo o planeta, com suas imensas dificuldades e principalmente com sua grande importância, tanta que poderia muito bem ser considerada, ou até mesmo alterada de alguma forma, para quem sabe ser a sede do famoso Rally Dakar. Quem sabe em 2012 se a maior competição off-road do planeta não voltar para a África ou quem sabe algum dia no futuro, quando o Dakar voltar a buscar refúgio na América do Sul e não escolher novamente a Argentna e o Chile, pois existe o Brasil, o Brasil dos Sertões, o Brasil que não deve nada para nenhum Rally. (Fotos: divulgação)