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Ronda Rousey vs. Gina Carano na Netflix

O mundo das artes marciais mistas está prestes a testemunhar um dos momentos mais surreais e aguardados da última década. Neste sábado, 16 de maio de 2026, a Netflix rompe mais uma vez a barreira do entretenimento convencional ao transmitir, ao vivo, o confronto entre as duas maiores pioneiras do MMA feminino: Ronda Rousey e Gina Carano. O duelo, que acontece anos após o auge de ambas, carrega uma carga emocional e comercial que vai além do octógono. De um lado, Carano, aos 44 anos, retorna de um hiato de quase 17 anos; do outro, Rousey, aos 39, tenta apagar as memórias amargas de suas últimas derrotas no UFC após uma década longe das lutas reais. A expectativa é imensa, mas o tom não é apenas de competição, e sim de uma celebração nostálgica tingida pelas complexidades das carreiras que seguiram caminhos distintos.
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O pano de fundo deste encontro é quase cinematográfico. Gina Carano foi a primeira grande face do MMA feminino, mas deixou o esporte em 2009 para conquistar Hollywood, estrelando produções como The Mandalorian e Deadpool. No entanto, sua trajetória nas telas foi interrompida por polêmicas e pelo polêmico "cancelamento" nas redes sociais, que resultou em seu afastamento das grandes produções. A própria Gina admitiu que este retorno ao octógono dificilmente aconteceria se sua carreira no cinema ainda estivesse em pleno vapor, o que adiciona uma camada de "acerto de contas" pessoal à luta. Curiosamente, ela enfrenta a mulher que ela mesma inspirou. Ronda Rousey, medalhista olímpica de judô, sempre deixou claro que foi assistindo a Gina Carano que decidiu migrar para o MMA. Para Ronda, enfrentar sua ídola é fechar um ciclo que começou com admiração e terminou com ela superando o legado da própria Carano em termos de fama e títulos.
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Tecnicamente, a diferença de cinco anos de idade e o tempo de inatividade pesam drasticamente. Gina Carano não compete desde que foi derrotada por Cris Cyborg, enquanto Ronda, apesar de ter passado anos no mundo do pro-wrestling da WWE, manteve uma rotina de atleta, ainda que em um contexto de entretenimento coreografado. O favoritismo pende para Rousey devido à sua base sólida no judô e ao fato de ser ligeiramente mais jovem, mas a "ferrugem" de ambas é a grande incógnita. Em uma luta onde o preparo físico pode falhar rapidamente, o duelo deve ser decidido na estratégia: se Carano conseguir manter a distância e usar seu muay thai, ela tem uma chance; se Ronda encurtar e aplicar sua lendária chave de braço, a noite será curta.
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Resta a dúvida que ecoa entre os analistas: este combate tem sentido esportivo ou é apenas um espetáculo de audiência? Para a Netflix, a resposta é clara. Seguindo a estratégia de transmissões pontuais e de alto impacto — como fez com Mike Tyson e Jake Paul — a plataforma de streaming não parece interessada, por enquanto, em gerir campeonatos longos ou ligas anuais. O objetivo é o evento-evento, o momento "impossível" que gera milhões de acessos simultâneos e lucros astronômicos com publicidade. É o triunfo do entretenimento sobre o ranking. Embora puristas possam torcer o nariz para o valor competitivo de duas lendas veteranas lutando fora de seu tempo, é inegável que o magnetismo de Rousey e Carano ainda é capaz de paralisar o mundo esportivo, provando que, no mercado atual, a história e o nome muitas vezes valem mais do que o cinturão.
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A luta deste sábado será mais emocionante do que técnica? Provavelmente sim. Mas para quem acompanhou o início de tudo, ver essas duas figuras dividindo o cage é um evento histórico que poupa explicações lógicas.

Ronda Rousey conseguiu chamar a atenção

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Certo dia, aqui neste blog, deixei bem claro a minha opinião sobre as lutas do MMA e o evento UFC. Prefiro assistir um filme do Jean-Claude Van Damme. Deste então mantenho o mesmo pensamento, a maior parte do UFC 190, que aconteceu no Rio de Janeiro (impressionante como o RJ teve eventos esportivos nesse fim de semana, incluindo teste de Triatlo e disputas do homem mais forte do mundo com direito a presença de Arnold Schwarzenegger), não me interessa em nada, nem vi e nem me importa o que aconteceu com Minotouro ou Minotauro. Porém, acabei sendo rendido e de certa forma obrigado a querer saber sobre uma luta neste noite, que neste caso era a principal do dia. Ronda Rousey conseguiu chamar a atenção.

A luta de MMA tem dois grandes problemas. O primeiro deles são as regras em si. É muito agarra-agarra, é muita luta no chão onde desse a porrada espirrando sangue para todos os lados sem qualquer preocupação com segurança ou saúde do atleta. Não é como a luta de chão do judô, por exemplo, pois o lutador do MMA fica sem saída no chão e não sofre apenas a imobilização, ele apanha pra valer. É covardia. Já o outro problema são as roupas. Um shorts colado, justo, parece uma cueca. Coisa horrível e lamentável de ser ver, mesmo que alguns usem uma bermuda, não adianta, se vier de sunguinha piora ainda mais. Por sorte neste caso tem um lado bom, o lado feminino.

Briga de mulher é legal. Da a impressão que mulher não é tão forte, pelo menos não é tão forte quanto os homens, então não parece uma luta injusta, como algumas vezes a luta masculina se esboça ser. Boxe feminino nunca deu muito certo, Laila Ali, filha de Muhammad Ali, chegou a aparecer um pouco, mas nunca foi tão legal quanto dava a impressão de ser. Aí aparece a Ronda Rousey nesse esporte esquisito e chato. É mais legal assistir o filme do Van Damme, ou nesse caso de luta de mulher, "Menina de Ouro" seria uma boa opção. Rousey estava invicta, fazendo lutas relâmpago e dando show. E então certo dia uma brasileira (também invicta), resolveu desafiá-la, assim Ronda Rousey conseguiu chamar a atenção.

No caso chamou a minha atenção. Continuo não gostando de MMA, ou do UFC, assim como não gosto de futsal e não sou muito fã de vôlei. Mas essa Ronda Rousey é brincadeira. Ela é gata (Mesmo que tenha uma verruga que considera como uma marca de beleza como Cindy Crawford). É gostosa, afinal para alguma coisa as roupinhas coladas usadas nas lutas tinham que servir. É brava (bom, isso não é algo muito interessante), mas essa seriedade toda e garra faz bem para o esporte que ela pratica. Da para sentir o medo da adversária exalando quando ela da aquela encarada após a pesagem oficial. E fora isso está invicta, qualquer esporte de luta onde existe alguém que nunca perdeu é interessante, por causa dos boxeadores invictos Rocky Marciano e Floyd Mayweather Jr. Laila Ali também nunca perdeu.

Bonita, gostosa e carismática. Será que foi só isso que fez Ronda Rousey conseguir chamar a atenção? Não foi. O fato de lutar contra uma brasileira e no Brasil foram também suficientes para que o evento tivesse uma repercussão maior. Fora isso todos os fatos ocorridos antes do combate, como as trocas de farpas à lá Ali e Frazier que chegaram até a passar dos limites. A brasileira disse - "Tomara que ela não se mate depois de perder para mim". Ronda respondeu, chorando ao gravar um vídeo, dizendo que aquela declaração havia sido um golpe baixo, afinal todos sabiam que seu pai havia cometido suicídio. Bethe Correia ia além, dizia que iria acabar com a americana a qual considerava apenas um produto criado pela mídia. Isso fez com que a campeã apenas esperasse o seu momento, parece que ela sabe que é invencível.

Ronda Rousey consegue chamar muito mais do que a atenção. Ronda conseguiu no Brasil, durante a pesagem, mais apoio dos fãs do que a brasileira que lutava em casa. Ao longo de toda a semana a americana chamou a atenção por onde passou, por sua simpatia e seu talento nato. Em um documentário ela disse - "Nunca pensei ser contadora ou dentista, sempre quis ser uma super-heroína". Talvez ela não seja a Mulher Maravilha, mas é uma maravilha de mulher. No octógono a luta não durou mais do que 34 segundos. Aliás as últimas três lutas de Ronda Rousey mal passam de um minuto dando porrada ou imobilizando as adversárias que ousam desafiá-la. Bethe Correia não teve qualquer chance, foi nocauteada e teve que engolir cada palavra que disse até então. "Espero que ninguém mais fale da minha família", apenas um recado para a próxima lutadora que deseja se arriscar contra Ronda Rousey, a musa que conseguiu chamar a atenção de quem nem gosta de UFC.

Van Damme é melhor que o UFC

Frank Dux, de 'O Grande Dragão Branco' (1988) ou Lyon, de 'Leão Branco, o Lutador Sem Lei' (1990). Os personagens lutadores que o ator belga Jean-Claude Van Damme imortalizou nas telas do cinema são disparados muito mais legais que qualquer lutador do UFC. É claro que gosto não se discute, a popularidade do Ultimate Fighting Championship é inquestionável, tendo aumentado consideravelmente desde a sua primeira edição em 1993. Mas a luta em si ao mesmo tempo que atrai cada vez mais fãs, deixa de agradar outro tanto de pessoas por estar sendo cada vez mais exposta. É como os artistas da música, Michel Teló e Luan Santana, por exemplo, ou ainda o tão adorado e odiado programa de TV Big Brother Brasil.

Se fomos buscar a fundo, vamos descobrir que muita gente não gosta de futebol mesmo estando no Brasil. A maioria das pessoas só para para ver futebol quando o Brasil joga na Copa do Mundo, e isso tem acontecido cada vez menos com o passar do tempo, ou seja, não estão mais parando nem para isso. Não da para saber extamente como acontece a divisão do amor e do ódio, mas a impressão é que tags a favor e contra o cantor Justin Bieber aparecem no Twitter com a mesma proporção. O que não da para negar nisso tudo é que a quantidade de pessoas que resolve demonstrar seu interesse pelo menos gera dinheiro e renda para todos os envolvidos, ao contrário dos que são do contra, que por sua vez não trazem nem prejuízo. Assim nasceu a discórdia.

A mídia vai insistir no que é sucesso porque tem retorno. Os contrários vão ficar cada vez mais revoltados porque não vão aguentar mais ouvir falar do assunto em questão, de ouvir a música que não para de tocar ou ver as pessoas elouquecidas por algo considerado da pior qualidade por eles. Muitas vezes as coisas são realmente ruins, são as famosas modinhas, que todo mundo entra na onda e segue apenas porque o outro segue, tentando evitar ser diferente. Em outros casos pode até fazer algum sentido, fazer parte da evolução natural das coisas. Este pode até ser o caso do UFC, um campeonato de MMA que começou em 1993 e hoje tem o seu espaço por merecimento. Mas não significa que seja tão interessante quanto sua popularidade possa refletir, pois não consigo pensar que é melhor ver um dos filmes do Van Damme.

Você pode vir dizer que as lutas do Jean-Claude Van Damme não tem nada haver com as lutas do UFC, que não tem nem o octógono. Mas quando o UFC começou ele era disputado na forma de campeonato, onde a luta final foi vencida pelo brasileiro Royce Gracie. Pode dizer ainda que o Van Damme era um ninja americano no primeiro filme, um soldado imigrante no terceiro ou um cara do video game no quarto, mas em 'Desafio Mortal' (1996) e em 'Kickboxer' (1989), ele é lutador de Muay Thai e isso tem tudo haver com MMA. Só que mesmo sendo ou não cabível comparar os filmes ou personagens de Van Damme com o UFC, principalmente nessa época onde se aproxima a edição 142 que acontece no Brasil, eu o faço porque se trata de uma luta, uma luta de rua até, como no filme 'Clube da Luta', e nesse caso o real não supera a ficção na minha opinião.

Em primeiro lugar os filmes tem todo o lado dramático, com um irmão ficando paralítico ou amigo apanhando tanto a ponto de ser levado para o hospital. Segundo que mesmo lutando em campeonatos clandestinos, Van Damme nunca é o vilão da história, sempre tem uns bandidos mais perigosos que perseguem ele, sem falar no cara da luta final, sem dúvida o maior rival, um vilão que todos vão torcer contra. Fora tudo isso, Van Damme é melhor que o UFC porque não tem aquele agarra-agarra no chão, porque as lutas tem uma dinâmica melhor, com mais chutes e principalmente menos realidade, você sabe que é só ficção. Só que o detalhe não é ser contra a violência, eu adoro luta de boxe ou judô, caratê e taekwondo, tudo é legal, mas tudo parece ser feito com mais respeito que no UFC.

Nesse ponto o Van Damme ganha novamente, pois se trata de um filme e não da para ficar apenas lutando o tempo todo. Assim ele sempre treina para os campeonatos, com o mestre Senzo para derrotar o impiedoso Chong Li ou com o mestre Xian Chow. Os ensinamentos do passado, a essência das raízes, não parece que ele vai para o ringue lutar em vão, sempre tem um motivo especial. É óbvio que no esporte da vida real isso não é sempre possível, mas quando se luta em uma Olimpíada o clima é outro, todo mundo segue uma regra, ninguém parece estar ali com a cabeça levanta se achando mais do que o outro. E mesmo gostando de agarra-agarra no UFC ninguém assisti a luta greco-roimana, hoje luta olímpica, nas Olimpíadas. O Boxe também tem um lado interessante que impede a luta de continuar quando um boxeador cai no chão.

Não vou procurar um filme do Jean-Claude Van Damme para assistir no próximo sábado durante o UFC 142, mas também não vou fazer questão de assistir o evento onde os lutadores continuam se socando eternamente mesmo caídos no chão, mesmo que um dos dois não tivesse mais condições de luta há algum tempo. O Van Damme polpa o lutador caído, e só reage se perceber que vai ser atacado pelas costas. E ainda aposto que muitos vão assistir só porque passa na Rede Globo, ou será que todo mundo iria querer saber de Big Brother Brasil se ele fosse transmitido pela Rede TV!? Até a WWE é mais interessante que o MMA ou o UFC, pois mesmo que se fale em respeito ao adversário ou em qualquer outro lado positivo, o MMA é uma luta de rua, e já teve muitos campeonatos de rua, sem regras, um vale tudo literalmente. O que contribui naturalmente para os que não conseguem ver esse esporte com bons olhos, os que conseguem ver bem mais em um filme de luta do Van Damme. (Foto: Arquivo)