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Ciclismo tem uma nova jovem promessa

O asfalto belga, tingido pelo suor e pela história, testemunhou nesta quarta-feira uma das ascensões mais improváveis e arrebatadoras da era moderna do ciclismo. No coração das Ardenas, onde o Mur de Huy se ergue como um carrasco silencioso com suas rampas brutais de mais de 20% de inclinação, o destino da La Flèche Wallonne 2026 foi selado não por um veterano calejado, mas por um jovem de apenas 19 anos que desafiou a lógica do esporte. Paul Seixas, o prodígio da Decathlon CMA CGM, alacançou o grande triunfo e desmantelou o pelotão com a frieza de um mestre e a explosividade de quem carrega o futuro nas pernas, tornando-se o vencedor mais jovem da história de uma prova que castiga qualquer erro tático com a paralisia muscular instantânea.
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Esse grande triunfo de Seixas revela um domínio absoluto do timing. Enquanto os favoritos se vigiavam nas encostas inferiores do "Muro", a equipe francesa executou uma estratégia de manual, controlando o ritmo desde a entrada no circuito final para garantir que seu capitão chegasse à base da última subida com as reservas de glicogênio intactas. O desafio do Mur de Huy é psicológico tanto quanto físico: atacar cedo demais é um suicídio esportivo nas rampas finais de 15%, mas esperar muito pode significar perder o momento da vitória. Seixas, com uma maturidade que ignora sua data de nascimento, manteve-se protegido pelo vácuo de seus companheiros até os últimos 300 metros. Foi ali, onde o ar parece faltar e as pernas queimam em ácido lático, que ele lançou um ataque devastador, deixando nomes como Mauro Schmid e Ben Tulett pregados ao asfalto enquanto cruzava a linha com uma vantagem que raramente se vê nesta clássica.
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A glória do jovem francês foi coroada por uma declaração que resume o impacto de sua ascensão meteórica. Ainda ofegante e cercado por microfones, Seixas confessou com um sorriso quase incrédulo que, no ano passado, estava apenas assistindo àquela mesma batalha pela televisão, vibrando com os ataques alheios do conforto de sua casa. Hoje, ele é o protagonista do filme que antes apenas consumia. Essa transição do espectador ao campeão em apenas doze meses simboliza uma nova era no ciclismo mundial, onde a barreira da idade foi definitivamente derrubada pela preparação científica e pelo talento bruto.
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O impacto desta vitória reverbera muito além das fronteiras da Valônia, injetando uma dose cavalar de expectativa para o restante da temporada de 2026. Com sete vitórias já acumuladas este ano, Seixas entra agora no radar das Grandes Voltas não mais como uma promessa, mas como uma ameaça real. O mundo do ciclismo olha agora para o horizonte de julho, onde o Tour de France promete uma edição épica começando nas ruas de Barcelona e terminando com a histórica passagem por Montmartre antes do tradicional sprint na Champs-Élysées. Com montanhas míticas como o Alpe d'Huez e o Galibier no percurso, a grande questão que paira sobre o pelotão é se o domínio de figuras consagradas será capaz de conter essa nova onda de fenômenos. Se a performance no Mur de Huy servir de presságio, o ciclismo de 2026 será uma grande disputa de resistência e também uma revolução liderada por jovens que decidiram que não precisam mais esperar sua vez para fazer história.

Vuelta termina ofuscada pelos protestos

Em um desfecho surpreendente e historicamente atípico, a Vuelta a España de 2025 foi concluída não em meio a aplausos e à consagração tradicional, mas sob a luz de uma intensa controvérsia política. A competição, que se desenrolou por três semanas de desafio físico e tático, viu o dinamarquês Jonas Vingegaard, da equipe Visma-Lease a Bike, se sagrar pela primeira vez como o campeão indiscutível da classificação geral. Sua vitória, consolidada com uma performance consistente ao longo das etapas, selou o seu nome na galeria dos grandes ciclistas de outras grandes voltas além do Tour de France que ele já havia vencido duas vezes. Contudo, a glória do pódio foi subitamente ofuscada, pois a última etapa da corrida, programada para ser uma celebração cerimonial nas ruas de Madrid, foi abruptamente cancelada devido a protestos de grande escala, alterando o ritual de consagração e deixando um gosto amargo para atletas e fãs.

Os protestos, que tomaram as ruas da capital espanhola, tinham como foco a participação da equipe Israel-Premier Tech. Motivados pelo conflito no Oriente Médio, os manifestantes expressavam uma clara e legítima crítica às ações do governo israelense em Gaza, defendendo a causa palestina. A mobilização em massa demonstrou a profundidade do sentimento popular e o alcance do ativismo político para além das esferas tradicionais. Esse tipo de manifestação reflete uma tendência crescente de ativistas que utilizam eventos de visibilidade global, como grandes competições esportivas, para amplificar suas mensagens e pressionar por mudanças. Neste sentido, a manifestação representava uma voz genuína e um protesto socialmente válido contra aquilo que os participantes percebiam como injustiças.

Apesar da legitimidade da causa, a forma como os protestos se manifestaram acaba indo além dos limites do ativismo pacífico. O que começou como uma demonstração de apoio à Palestina rapidamente escalou para uma série de ações que colocaram em risco a segurança dos atletas, da polícia e do público. O percurso da prova foi invadido e bloqueado por manifestantes, que também foram acusados de atirar objetos contra as forças de segurança, forçando a polícia a reagir com gás lacrimogêneo para tentar dispersar a multidão. Essa escalada de violência e desordem, que transformou a cena de um evento esportivo em um campo de batalha, foi um ato de exagero que desvirtuou o propósito inicial da manifestação.

Infelizmente esse ocorrido em Madrid demonstrou a delicada intersecção entre o esporte e a política. Embora a causa dos manifestantes fosse justa, a violência empregada não apenas prejudicou a integridade da competição — privando Vingegaard de sua consagração tradicional e a equipe de um pódio formal —, mas também enfraqueceu a própria mensagem. Ao cruzar a linha da pacífica desobediência civil para o confronto e a agressão, os manifestantes alienaram parte da opinião pública e permitiram que a narrativa se desviasse de sua crítica política para focar no caos e na interrupção. O resultado foi uma vitória amarga para a Vuelta, uma lição contundente sobre como o radicalismo, mesmo em nome de uma causa nobre, pode sabotar a própria legitimidade de um protesto. O resultado final vai além da ironia, onde se pede pela paz usando da violência e destruição.

Protestos por Gaza em La Vuelta

A tensão geopolítica e o drama humano de um conflito que assola o Oriente Médio encontraram um inesperado palco no mundo do ciclismo profissional. A equipe Israel-Premier Tech, ao participar de renomadas competições como o Tour de France e a Vuelta a España, tornou-se o epicentro de uma série de protestos que vão além do mundo dos esportes. Os manifestantes, munidos de bandeiras palestinas e slogans em defesa dos direitos humanos, intervieram diretamente nas rotas da etapa 11 da Volta da Espanha, bloqueando o caminho dos atletas, principalmente na chegada, e expondo a profunda conexão entre a equipe e a política israelense. Esses atos não foram meros incidentes isolados, mas manifestações organizadas que visavam utilizar a visibilidade do esporte para denunciar as ações militares de Israel na Faixa de Gaza. A presença desses ativistas nas pistas transformou o que deveria ser uma celebração de habilidade e resistência atlética em um campo de batalha simbólico, onde a disputa por tempo e posições cedeu lugar a uma luta por justiça e visibilidade.

O impacto desses protestos foi imediato e alarmante. Em momentos críticos da corrida, os ciclistas da Israel-Premier Tech foram obrigados a reduzir a velocidade ou parar completamente, comprometendo sua performance e até mesmo a segurança. As autoridades da Vuelta, em resposta, foram forçadas a intervir, ajustando tempos e emitindo declarações oficiais que condenavam a interferência, mas que, ao mesmo tempo, evidenciavam a gravidade da situação. O esporte, que tradicionalmente se orgulha de sua capacidade de unificar pessoas e ignorar fronteiras políticas, foi confrontado com uma realidade brutal: ele não é imune às complexidades do mundo. A cada etapa da corrida, a equipe israelense carregava não apenas a responsabilidade de uma vitória esportiva, mas também o peso de um conflito que, a milhares de quilômetros de distância, continua a ceifar vidas e a dividir opiniões. A cada pedalada, os atletas eram lembrados de que sua camisa representava mais do que um patrocínio; ela simbolizava um país em meio a uma das crises humanitárias mais agudas da história recente.

O esporte, neste contexto, revelou-se um poderoso espelho das tensões globais. Assim como a Faixa de Gaza é um território de intensa disputa, onde cada pedaço de terra é motivo de conflito, a pista de ciclismo se tornou um espaço de confrontação ideológica. A busca por um lugar no pódio, a determinação de superar os adversários e a luta contra o cansaço extremo encontram um paralelo perturbador na perseverança de um povo que busca por liberdade e reconhecimento em meio a um cenário de destruição. Enquanto os ciclistas competiam por segundos preciosos, a população de Gaza luta por sua sobrevivência em um ambiente onde cada dia traz novos perigos e incertezas. A resiliência dos atletas, que se recuperam de quedas e continuam a corrida, reflete a tenacidade dos habitantes de Gaza, que, apesar das adversidades, se recusam a desistir de seu futuro.

Em última análise, os protestos no ciclismo contra a equipe Israel-Premier Tech demonstram que a política e o esporte estão intrinsecamente ligados, e que a ideia de um "campo neutro" é, em grande parte, uma ilusão. O clamor dos manifestantes ecoou nas montanhas e planícies por onde a corrida passava, forçando o público e a mídia a confrontarem as questões que, de outra forma, poderiam ser ignoradas. A bicicleta, um símbolo de liberdade e movimento, tornou-se, ironicamente, um veículo para a mensagem de um povo que se sente aprisionado. O esporte, em sua forma mais pura, é a celebração da humanidade e de suas conquistas, mas, ao se deparar com as tragédias do mundo, ele acaba sendo usado como uma plataforma para enviar uma mensagem pedindo mudanças.

Caiu no meio, mas venceu no fim

No universo do ciclismo de alta competição, a capacidade de superação é uma virtude que distingue os grandes campeões. A segunda etapa da Volta à Espanha de 2024, disputada em parte debaixo de uma chuva intensa, tornou-se o palco de um desses momentos memoráveis, protagonizado pelo ciclista dinamarquês Jonas Vingegaard. Em um ponto crucial da corrida, quando a vitória parecia incerta, Vingegaard sofreu uma queda a cerca de 27 quilómetros do final. O incidente, que envolveu diversos competidores, poderia ter representado o fim de suas aspirações naquele dia, mas ele demonstrou uma resiliência notável. Apesar de uma ferida visível no cotovelo esquerdo, a sua determinação o impulsionou a levantar-se imediatamente e a lutar para se reintegrar no pelotão.

A queda de Vingegaard não o impediu de voltar à corrida com força. A solidariedade de seus companheiros de equipa foi fundamental, com um colega a auxiliá-lo a reentrar no pelotão principal. Esse apoio crucial, somado à sua própria tenacidade, permitiu que o ciclista do Visma-Lease a bike se mantivesse na disputa pela vitória. À medida que a corrida se aproximava do seu desfecho, a tensão aumentava, com vários atletas a tentar ataques na desafiadora subida final de categoria 2. A resiliência de Vingegaard foi colocada à prova, e ele respondeu de forma impressionante, mantendo-se firme na roda dos adversários mais fortes.

Apesar dos esforços de outros competidores em desferir ataques decisivos, foi na subida derradeira que Vingegaard exibiu toda a sua força e genialidade tática. Ele acompanhou de perto a investida do italiano Giulio Ciccone, que parecia estar a caminho da vitória. Nos últimos metros, porém, com uma explosão de energia e estratégia, Vingegaard ultrapassou o seu rival, cruzando a linha de chegada em primeiro lugar por uma diferença mínima. Essa vitória não foi apenas uma demonstração de sua superioridade física, mas também a coroação de sua inabalável força mental, que lhe permitiu reverter um cenário de desvantagem e transformá-lo em triunfo.

O triunfo de Jonas Vingegaard nesta etapa teve uma repercussão ainda maior. Ao vencer a corrida de forma tão dramática após ter sofrindo uma queda, ele não apenas assegurou o topo do pódio do dia, como também conquistou a cobiçada camisa vermelha de líder geral da competição. Essa vitória o colocou com uma vantagem de quatro segundos sobre o segundo colocado, Giulio Ciccone, e seis segundos sobre David Gaudu, consolidando a sua posição como um dos favoritos à vitória final. O desfecho da corrida é um testemunho eloquente de que, no ciclismo, assim como na vida, a capacidade de se reerguer após uma queda e continuar lutando é muitas vezes o que define o verdadeiro campeão.

Tadej Pogačar é tetra campeão do Tour

O domingo foi marcado pela chuva em Paris, no dia que o esloveno Tadej Pogačar cravou seu nome mais uma vez na história do ciclismo ao conquistar seu quarto título no Tour de France, um feito notável que solidifica sua posição como um dos maiores ciclistas de sua geração. A última etapa, que tradicionalmente serve como uma celebração da vitória, teve um toque de dramatismo com as condições climáticas adversas e uma quebra de tradição ao incluir as desafiadoras subidas de Montmartre, testando os limites dos competidores até o último momento. Embora o objetivo principal fosse cruzar a linha de chegada em segurança, Pogačar, com sua audácia característica, não hesitou em imprimir um ritmo forte, demonstrando sua supremacia e tentando mais uma vitória de etapa na carreira.

Ao longo das 21 etapas deste ano, Pogačar exibiu um desempenho quase impecável, uma mistura de agressividade calculada e controle tático. Sua dominância foi evidente desde a segunda semana, considerada decisiva por ele, onde sua equipe, a UAE Team Emirates, soube capitalizar as oportunidades. O duelo contínuo com seu rival Jonas Vingegaard, que o acompanhou nas últimas edições e já foi campeão dois anos seguidos contra ele, elevou o nível de ambos, empurrando-os aos seus limites. Pogačar soube manejar a pressão na última semana aparentando um certo desgaste, controlando cada corrida e garantindo a camisa amarela com uma performance que mesclou momentos de ataque feroz nas chegadas com uma gestão inteligente do esforço.

Com esta quarta vitória, Pogačar se aproxima do seleto grupo de lendas que conquistaram cinco Tours de France, um marco que apenas Eddy Merckx, Miguel Induráin, Jacques Anquetil e Bernard Hinault alcançaram, já que Lance Armstrong teve suas conquistas canceladas por uso de doping. Este título se soma a uma carreira já recheada de êxitos, incluindo múltiplas vitórias de etapa no Tour e um Giro d'Italia. Sua juventude, aos 26 anos, o torna o tetracampeão mais novo, sugerindo um futuro ainda mais brilhante e a possibilidade de superar novos recordes, elevando o patamar do ciclismo moderno a um nível jamais visto, podendo em um futuro próximo ter não só apenas o recorde de títulos como também o recorde de etapas vencidas que é de 35 atualmente.

Após a consagração, Pogačar expressou seu desejo por "paz e bom tempo" para desfrutar de dias tranquilos em casa, longe da intensidade das competições. Embora o cansaço fosse visível, sua satisfação era palpável. Ele também elogiou seus companheiros de equipe e adversários, reconhecendo o respeito mútuo que impulsiona o esporte. Com a conquista do tetracampeonato, o esloveno não apenas garantiu seu lugar entre os gigantes do ciclismo, mas também deixou os fãs ansiosos por seus próximos desafios, como as clássicas Paris-Roubaix e Milão-Sanremo, que ainda figuram em sua lista de desejos.

Sem vitória, mas com recorde no Ventoux

No cenário épico da décima sexta etapa do Tour de France de 2025, as atenções estavam voltadas para o mítico Mont Ventoux, uma escalada que prometia redefinir a dinâmica da corrida. A expectativa inicial apontava para um domínio inquestionável de Tadej Pogačar, o detentor da camisa amarela, dada a sua performance avassaladora em etapas montanhosas anteriores. No entanto, o dia revelaria uma reviravolta dramática, com Jonas Vingegaard, o principal adversário, emergindo como uma força surpreendente, pronto para desafiar a supremacia do esloveno. Este confronto iminente entre os dois ciclistas mais proeminentes adicionava uma camada de suspense a uma das etapas mais esperadas da competição.

Ao longo das inclinações desafiadoras do Mont Ventoux, a narrativa da corrida ganhou contornos de uma batalha implacável. Vingegaard, com uma determinação notável, orquestrou uma série de ataques incisivos, colocando Pogačar sob intensa pressão. A equipe Visma-Lease a Bike desempenhou um papel crucial, com ciclistas como Sepp Kuss, Tiesj Benoot e Victor Campenaerts sacrificando-se para ditar um ritmo extenuante, desgastando os adversários e pavimentando o caminho para as investidas de seu líder. Cada pedalada, cada movimento tático na montanha nua, desvendava um espetáculo de resistência e estratégia, onde a camaradagem e o esforço individual se entrelaçavam em busca da glória.

O clímax da etapa culminou em um feito histórico: o estabelecimento de um novo recorde na subida do Mont Ventoux. Tadej Pogačar cravou o tempo extraordinário de 54 minutos e 30 segundos, superando a marca anterior em mais de um minuto, um testemunho da intensidade e do ritmo vertiginoso imposto pelos líderes. Jonas Vingegaard, demonstrando uma resiliência impressionante, cruzou a linha de chegada apenas dois segundos depois, um indicativo da proximidade e da ferocidade do duelo. Esta performance, considerada a mais impressionante em subidas de cinquenta minutos na história do ciclismo, ressaltou a capacidade física e mental sobre-humana de ambos os atletas, redefinindo os limites do que se acreditava ser possível em uma das montanhas mais icônicas do esporte, mesmo que tenha válido apenas a quinta posição no dia.

O resultado desta etapa monumental deixou claro que a Volta da França estava longe de ser decidida. A demonstração de força de Vingegaard no Mont Ventoux sinalizou que o dinamarquês não hesitaria em explorar qualquer fraqueza do líder da classificação geral. Com etapas de montanha ainda mais exigentes pela frente, a rivalidade entre Pogačar e Vingegaard promete mais capítulos emocionantes, elevando a expectativa para o desfecho da competição. O recorde no Ventoux não foi apenas uma marca de tempo, mas um prenúncio de batalhas futuras, onde a estratégia, a resistência e a pura vontade de vencer seriam os verdadeiros determinantes.

Tadej Pogačar da o troco em Vingegaard

Com uma demonstração de força e resiliência que beira o lendário, Tadej Pogačar redefiniu os limites do ciclismo na 12ª etapa do Tour de France, ao subir a icônica montanha de Hautacam. Apesar de ter sofrido um acidente na etapa anterior, o prodígio esloveno não apenas superou adversidades físicas, mas também esteve a um triz de estabelecer um novo recorde histórico na desafiadora subida. Sua performance avassaladora, que o viu abrir uma vantagem de mais de dois minutos sobre seus concorrentes diretos, é um testamento de sua inabalável determinação e habilidade incomparável, cravando mais um capítulo glorioso em sua já brilhante carreira.

A orquestração tática de sua equipe, a UAE Team Emirates-XRG, foi um prelúdio digno para a epopeia que se seguiria. Com um "leadout" implacável e calculado, ciclistas como Tim Wellens e Jhonatan Narváez executaram puxadas potentes e precisas nas encostas iniciais do Hautacam. Essa estratégia de ritmo excruciante, com potências que desafiavam os limites humanos, visava desintegrar o pelotão e preparar o terreno para o ataque decisivo de seu capitão. Foi uma sinfonia de força e sacrifício que culminou na posição ideal para o arranque fulminante de Pogačar, mesmo que ainda restasse cerca de 12 Km de pura subida íngrime pela frente.

Mas foi assim que a estrada se inclinou para o Hautacam, com Pogačar, impulsionado por uma audácia quase mítica, lançou seu ataque que não teve resposta do principal rival Jonas Vingegaard, que em 2022 havia derrotado ele mesmo neste mesmo local. Sua aceleração foi tão explosiva que nem mesmo um sprint foi necessário para criar uma lacuna intransponível. Parecia uma vingança contra a derrota que havia sofrido de Jonas Vingegaard, que não conseguiu segui-lo e assim a diferença entre os dois aumentou mais uma vez, solidificando a superioridade de Pogačar a cada pedalada. Com uma demonstração magistral de escalada, ele cruzou a linha de chegada com uma vantagem de 2 minutos e 10 segundos, reafirmando sua soberania nas montanhas.

A cronometragem oficial de Pogačar no Hautacam, impressionantes 35 minutos e 8 segundos, não apenas o coloca como o escalador mais rápido na montanha desde a década de 1990, mas também ecoa o feito de grandes campeões da história do ciclismo. Embora pareça que a recuperação de seu acidente recente possa ter adicionado uma camada de desafio, e que o "leadout" possa ter sido estrategicamente adiantado, nada diminui o brilho de sua conquista. Esta performance não é apenas uma vitória, mas uma exaltação do espírito esportivo, da força de vontade e do domínio absoluto que Tadej Pogačar demonstra, elevando-o a um patamar de grandeza no ciclismo mundial e a quase certeza que o quarto título pode se tornar uma realidade no final do próxima semana.

Recuperação amarelada no contrarelógio

Com um brilho nos olhos e uma determinação inabalável, Tadej Pogačar transformou um revés inesperado no Critérium du Dauphiné em um triunfo esmagador no Tour de France, reescrevendo sua própria história e silenciando qualquer dúvida. Há apenas um mês, o cenário parecia sombrio. Uma performance atípica no contrarrelógio do Dauphiné, onde o astro esloveno, conhecido por sua consistência férrea, perdeu tempo de forma surpreendente, e acendeu a chama da esperança nos corações de seus rivais. A vulnerabilidade parecia ter se instalado, um fantasma rondando o campeão. No entanto, Pogačar, com sua resiliência inata, absorveu a decepção e a transformou em um combustível ardente para a glória que estava por vir.

O que se seguiu foi uma meticulosa busca pela perfeição, impulsionada por uma fome insaciável de vitória. A equipe UAE Emirates-XRG, com uma dedicação exemplar, mergulhou nos detalhes do que havia dado errado no Dauphiné. Não foi um desastre total, é verdade, já que Pogačar ainda conquistou a vitória geral na corrida, mas o contrarrelógio serviu como um laboratório crucial. Cada ajuste, desde a escolha das coroas e cassetes até o comprimento dos pedivelas, foi calculado com precisão cirúrgica. A estratégia de ritmo foi reinventada, com foco em uma largada mais agressiva para capitalizar cada segundo precioso. Essa sinergia entre atleta e equipe, essa busca incansável pela excelência, é o que distingue os verdadeiros campeões.

No entanto, nem todos os segredos puderam ser desvelados. Uma arma secreta, um traje aerodinâmico de última geração, ficou pendurado no vestiário, pois Pogačar, em um paradoxo emocionante, liderava a classificação de montanhas, exigindo o uso da camisa de bolinhas vermelhas oficial. O sacrifício de segundos preciosos em nome da tradição e do reconhecimento da liderança nas montanhas adiciona uma camada de heroísmo à sua jornada. Mesmo com essa desvantagem imposta, a performance de Pogačar foi um testemunho de sua força interior e da eficácia das adaptações realizadas. Foi uma demonstração de que a verdadeira grandeza reside na capacidade de superar obstáculos, mesmo aqueles inesperados.

Finalmente, cada pequeno detalhe, cada sacrifício, cada ajuste minucioso culminou no momento em que Pogačar vestiu a cobiçada camisa amarela no Tour de France. Não foi apenas uma superação no contrarrelógio (apesar de perder por pouco para Remco Evenepoel); foi uma declaração enfática, um grito de que ele estava de volta, mais forte e mais determinado do que nunca. A calma e a precisão no paddock, a escolha estratégica do local de aquecimento, tudo contribuiu para a atmosfera de triunfo. A jornada de Pogačar nos lembra que o sucesso é muitas vezes uma sinfonia de pequenos acertos, de dedicação incansável e de uma paixão ardente que transforma os reveses em degraus para a vitória. Agora, com a camisa amarela em seus ombros, o foco se volta para Paris, onde o sonho de um quarto título aguarda.

Vai começar o Tour de France 2025

O Tour de France de 2025 emerge no cenário ciclístico como um evento de magnitude inquestionável, prometendo não apenas um espetáculo de resistência física, mas também um verdadeiro embate estratégico entre os titãs do esporte. A aposta nas vitórias em torno dos principais competidores, como Tadej Pogacar e Jonas Vingegaard, é plenamente justificada. Ambos, com históricos de títulos e desempenhos notáveis, representam o ápice da elite do ciclismo contemporâneo, e suas presenças na linha de partida automaticamente elevam o nível da competição, transformando a disputa pela taça em um duelo que se repetiu muito nos últimos anos, tornando-se uma prova de resiliência mental e tática. A análise de suas preparações e da forma atual será crucial para decifrar as possíveis dinâmicas de corrida e prever os momentos decisivos que moldarão o pódio final.

Além do confronto central entre Pogacar e Vingegaard, a edição de 2025 é enriquecida pela participação de outros ciclistas de alto calibre, que adicionam camadas de complexidade e imprevisibilidade à prova. Nomes como Remco Evenepoel e Primoz Roglic trazem consigo não apenas um currículo impressionante, mas também a capacidade de influenciar diretamente o ritmo e as táticas do pelotão, seja através de ataques audaciosos ou de um controle férreo nas etapas cruciais. A presença desses atletas diversifica o pool de potenciais vencedores e de protagonistas, forçando as equipes a adotarem estratégias mais flexíveis e dinâmicas, o que, por sua vez, beneficia o espetáculo e mantém o público em suspense a cada quilômetro percorrido.

A inclusão de ciclistas como Simon Yates, Biniam Girmay, Wout van Aert, Tim Merlier, Matteo Jorgenson e Sepp Kuss reflete a profundidade do campo de competidores e a variedade de especialidades dentro do ciclismo. Enquanto alguns são sprinters natos, outros são escaladores, contrarrelogistas ou gregários essenciais. Essa diversidade não apenas garante disputas acirradas em diferentes tipos de etapas – desde as planas e rápidas até as íngremes montanhas – mas também sublinha a natureza coletiva do ciclismo profissional. A performance individual, por mais brilhante que seja, muitas vezes depende intrinseiramente do apoio e da coordenação da equipe, um fator que merece uma análise atenta para se compreender as chances reais de cada líder.

Em suma, o Tour de France de 2025 não é apenas uma corrida, mas uma narrativa complexa de ambição, sacrifício e estratégia. A cobertura televisiva, com todas as etapas transmitidas ao vivo, permite que os aficionados acompanhem cada reviravolta e cada nuance tática. Contudo, é fundamental ir além da mera observação e adotar um olhar crítico, que questione as abordagens das equipes, as decisões dos ciclistas e as influências externas, como o percurso e as condições climáticas. Somente assim será possível apreciar a verdadeira engenhosidade por trás das performances atléticas e compreender a magnitude dos desafios enfrentados por esses atletas que, ao longo de três semanas, transformam o asfalto em um palco de proezas humanas.

A última cartada de Del toro no Giro

E o Giro d'Italia de 2025 nos pregou uma peça nesta quarta-feira. A 17ª etapa, um verdadeiro pesadelo montanhoso entre San Michele all'Adige e Bormio, parecia escrita por um poeta sádico. Cada subida era um grito de dor, um suspiro de exaustão, com o Passo del Tonale e o temível Mortirolo sugando profundamente a alma dos competidores. Mas, em meio a essa batalha épica, um nome brilhou mais forte, e foi o de Isaac del Toro. Ele não apenas pedalou; ele voou, transformando o asfalto em um tapete para a glória eterna.

E foi no alto do Le Motte que a magia realmente aconteceu. Del Toro, o jovem mexicano da UAE Team Emirates-XRG, não se contentou em apenas manter a camisa rosa de líder geral da competição; ele atacou forte e estabeleceu um raio de esperança no horizonte. Seu principal rival, o equatoriano Richard Carapaz, tentou segui-lo, mas o destino já estava selado. A dupla se uniu ao bravo Romain Bardet na descida, e por um instante, o palco parecia pronto para um sprint a três. Mas Del Toro tinha um truque na manga, um segredo guardado para os últimos metros de Bormio. Com uma explosão de energia, ele deixou Carapaz para trás, provando que a juventude e a audácia podem derrubar gigantes.

A vitória de Del Toro não foi apenas um triunfo pessoal; foi um grito para o mundo, um lembrete de que os sonhos são para serem perseguidos com paixão e ousadia. A maglia rosa, antes um peso, tornou-se uma capa de super-herói, um símbolo de sua determinação inabalável. Ele não desistiria, ele disse, e cada pedalada era a prova viva dessa promessa. O Giro d'Italia é mais do que uma corrida; é uma sinfonia de emoções, de suor e lágrimas, de glória e desespero, e Isaac del Toro, com sua juventude e coragem, escreveu mais um capítulo inesquecível nessa saga.

Agora, com uma vantagem de 41 segundos sobre Carapaz, Del Toro se prepara para as últimas etapas não mesno difíceis do que essa. Cada cidadezinha, cada rosto na multidão, é um combustível para sua alma, um coro que entoa seu nome. A 18ª etapa, um respiro antes do gran finale, promete um percurso mais plano, mas a tensão permanece no ar. O Giro d'Italia de 2025 está longe de terminar, e a história de Isaac del Toro, o jovem que ousou sonhar e voar, ainda tem muitos versos a serem escritos. Será que ele vai manter a liderança conquistada com tanto esforço e ousadia, ou será ultrapassado nos últimos e derradeiros dias?

Giro d'Italia 1924-2024

Neste final de semana o Tadej Pogačar se tornou o grande campeão do Giro d'Italia de 2024. O ciclista que havia vencido o Tour de France duas vezes seguidas, mas amargou duas derrotas seguidas nos dois últimos anos, e talvez por isso resolveu apostar no Giro. Isso não quer dizer necessariamente que ele não tenha chances no Tour deste ano, mas até hoje em toda a história apenas Marco Pantani em 1998 conseguiu tal feito. Pantani, no entanto, competiu sob a sombra do doping, até porque sua morte precoce em 2004 aos 34 anos muito provavelmente ocorreu devido ao uso excessivo de EPO.

Pogačar venceu a segunda etapa, de média montanha, assumiu a liderança geral e não perdeu mais. Foram seis vitórias no total e uma vantagem de quase 10 minutos para o segundo colocado. Tadej Pogačar também vestiu a camisa de melhor escalador da competição.

... 100 anos antes

Em 1924 o Giro d'Italia realizava sua 12ª edição, após ter sido interrompido pela Primeira Guerra Mundial. O grande campeão daquele ano foi o italiano Giuseppe Enrici, que apesar de ter cidadania italiana e ter competido pela Itália, era natural dos Estados Unidos, tendo nascido em Pittsburgh, Pensilvânia. Apenas 30 ciclistas chegaram ao final da disputa que teve 12 etapas e mais de 300 Km percorridos. Este ano teve também a participação de Alfonsina Strada, a única mulher a ter corrido até hoje a competição masculina do Giro d'Italia.

Giuseppe Enrici venceu duas etapas seguidas neste ano, sendo a primeira na sétima etapa quando assumiu a liderança geral da competição. Até então quem liderava era Federico Gay, que havia vencido quatro etapas até ali e terminou na segunda colocação geral, porém com a diferença absurdamente devastadora de 58 minutos.

Pedro Delgado carrega sua bicicleta

A edição de 2023 da Volta Espanha está chegando aos seus momentos finais com uma disputa eletrizante entre três ciclistas da mesma equipe. Mas na edição de 1985 da La Vuelta a España, um dos momentos mais icônicos da história da corrida teve lugar durante a Etapa 12. Esta etapa contou com um cansativo percurso montanhoso através dos Pirenéus, com várias subidas desafiantes ao longo do caminho. O líder da prova naquela época era Pedro Delgado, ciclista espanhol que era um dos favoritos à conquista do título geral. Porém, durante a etapa, Delgado sofreu um problema mecânico devido ao mau funcionamento do câmbio de sua bicicleta, deixando-o preso na beira da estrada.

O que torna esta história tão notável é que o carro da equipe de Delgado não foi encontrado em lugar nenhum. Na maioria das corridas de ciclismo profissional, um carro da equipe segue de perto os pilotos para fornecer suporte, incluindo assistência mecânica. Porém, nesta etapa específica, o carro da equipa ficou para trás, deixando Delgado sem qualquer ajuda imediata. Em vez de desistir ou esperar frustrado, Delgado decidiu resolver o problema por conta própria. Ele desmontou da bicicleta danificada, colocou-a no ombro e começou a correr pela encosta íngreme da montanha. A visão de Delgado correndo com sua bicicleta tornou-se uma imagem de determinação e perseverança.

O incrível esforço de Delgado conquistou os corações dos fãs e de outros ciclistas. Eventualmente, ele recebeu uma bicicleta nova de sua equipe, mas sua corrida lhe custou um tempo valioso. Apesar do revés, Delgado continuou a correr com uma determinação inabalável. Mais tarde, Pedro Delgado acabou vencendo a Vuelta a España de 1985, superando não só os desafios da corrida, mas também as adversidades daquele momento memorável na encosta da montanha. A sua história é um testemunho da coragem e resiliência demonstradas pelos ciclistas num dos Grand Tours mais exigentes e prestigiados do mundo.

Tour de France 2022

Tadej Pogačar estava competindo novamente no Tour de France em 2022. O esloveno chegou como favorito, afinal ele havia sido campeão em 2020 e também em 2021. Pogačar venceu a sexta etapa e assumiu a camisa amarela de líder geral. Ele é realmente incrível e venceu novamente na sétima etapa. O problema foi quando na décima primeira etapa essa liderança sólida que parecia durar desde o ano passado se foi como um sopro no vento. Dali para frente ele tentou e como tentou, atacou em diversas subidas, mostrava confiança e determinação, mas acabou terminando apenas com a camisa branca e um vice-campeonato que por mais grandiosos que sejam, acaba não sendo lá grande coisa para alguém que já havia erguido o troféu em dois anos consecutivos.

Jonas Vingegaard era um outro competidor no Tour de France 2022. Ele havia sido vice-campeão em 2021 e, por mais que Pogačar fosse favorito, muitos acreditavam que Vingegaard poderia surpreender. O Tour de France que começou na Dinamarca tem a sua história perfeita com um dinamarquês campeão. Tudo começou naquela etapa onze, um dia antes da grande etapa que terminava no Alpe d'Huez. Era o Col du Granon que levou Jonas Vingegaard a uma vitória fulminante e que aniquilou precocemente Tadej Pogačar. Dali para frente Vingegaard parecia burocrático, apenas anulando os ataques de seu rival, mas na etapa 18, a última nas montanhas, ele mostra novamente a força que mostrou na etapa onze e melhora sua vantagem sobre Pogačar consolidando a conquista de forma merecida.

Dois ciclistas praticamente isolados protagonizando o Tour de France. E seria só isso se não houvesse um outro ciclista que também fez sua história como um coadjuvante de destaque. Seu nome é Wout van Aert e os livros jamais viram algo assim na história desse histórica competição ciclística. Na segunda etapa ele já conseguiu a camisa amarela, mesmo sendo um sprintista. Na quarta etapa veio a vitória, que se repetiria outras duas vezes. Ele venceu a camisa verde com o recorde de 480 pontos, mas além de tudo isso ele foi o cara que estava "lá" quase o tempo todo. Na última subida deste Tour vimos o camisa amarela, o camisa branca e ele, o camisa verde, os três juntos no final da última e uma das mais duras subidas deste Tour. Ver um camisa verde subindo tão bem é algo que não se vê jamais, foi uma das imagens mais marcantes da história do Tour de France em todos os tempos e foi protagonizada por esse belga chamado Wout van Aert.

E nessa última etapa de subida Wout van Aert ainda ajudou Jonas Vingegaard por ser seu companheiro de equipe, colocando um ritmo de subida alucinante que acabou deixando Tadej Pogačar mais para trás do que já estava, fazendo com que Vingegaard nem precisasse fazer um último ataque. Dois dias depois o dinamarquês retribuiria o favor diminuindo sua velocidade na chegada do contra-relógio e deixando a vitória da etapa para Van Aert. O camisa verde que sobe montanhas, o camisa verde que foi quinto colocado na classificação de escaladores, o camisa verde que bateu o recorde de pontos, o camisa verde que venceu três etapas e o camisa verde que ajudou muito o camisa amarela, são todos os motivos que fazem de Wout van Aert o grande nome deste Tour de France de 2022.

Camisa Amarela, eu quero vestí-la

Era 1964. O Tour de France chegava ao fim no dia 14 de julho em Paris. A última etapa em contra-relógio teve vitória do ciclista local Jacques Anquetil, que garantiu o título de campeão daquele ano. Ele já estava vestindo a camisa amarela desde a etapa 17, quando havia vencido também um contra-relógio. Na época poucos deram importância ao segundo colocado, Raymond Poulidor que também era francês. Naquele ano ele não vestiu a camisa amarela, e jamais em toda a sua vida conseguiu ter essa oportunidade tão especial. Mais do que isso Poulidor ainda teve que amargar o vice por mais duas vezes e ficou em terceiro outras cinco vezes, sem nunca ter sido líder da competição nem por um único dia. Seu filho se tornou ciclista também, mas demorou até este ano, quando o seu neto finalmente deu à família a primeira oportunidade de vestir a tão desejada camisa amarela de líder do Tour de France.

Mathieu van der Poel, que apesar de ser neto de um francês e ter nascido na Bélgica, é holandês! Já com 26 anos ele é bem sucedido em cyclo-cross e mountain bike, mas não deixa o ciclismo de estrada de lado. Neste ano se aventurou no Tour de de France e, provavelmente, seu único obejtivo era somente vestir a camisa amarela de líder. E ela veio já na segunda etapa, de subidas leves onde ele acelerou no final talvez só pensando nisso e aproveitando aquela que pode ter sido a única chance de sua vida. Pior para Julian Alaphilippe, um tradicional "vestidor" da camisa amarela nas primeiras etapas. A honra do avô que nunca chegou lá estava garantida, e não foi por apenas um dia. Mathieu durou até pelo menos a a sétima etapa como líder, vendo inclusive Tadej Pogačar vencendo um contra-relógio nesse caminho glorioso.

Poel foi então embora. Ele abandonou a competição pois já havia alcançado seu objetivo. A camisa amarela então foi para Pogačar, que não a deixou escapar até o final. Poulidor viveu o resto de sua vida até os 83 anos provavelmente pensando em seu desejo de poder vestir a camisa amarela pelo menos um vez na vida. Já Pogačar passou o último ano pensando que poderia vesti-la por um pouco mais do que um único dia. No ano passado o esloveno conseguiu a façanha de ser campeão na penúltima etapa tirando um diferença de 53 segundos de seu compatriota Primož Roglič. Foi um campeão que pedalou com a tão desejada camisa amarela por apenas uma etapa, no desfile em Paris. Mas esta camisa é tão desejada, que ele queria um pouco mais e desta vez conseguiu, vestindo-a por 13 etapas e ainda conseguindo duas grandes vitórias para marcar ainda mais o bicampeonato.

A camisa amarela e mais duas das outras três camisas disponíveis. Assim como no ano passado, Tadej Pogačar ainda faturou a camisa branca de jovem mais bem colocado e a camisa branca com bolas vermelhas de melhor nas montanhas. Já a camisa verde de melhor sprinter ficou com o renascido Mark Cavendish, o ciclista britânico que estava a muito tempo sem vencer e que conseguiu quatro vitórias neste Tour, se tornando um dos maiores vencedores de todos os tempos com 34 triunfos, igualando a marca de Eddy Merckx. Na última etapa ele ficou irritado com a terceira colocação e chance perdida de ser o maior vencedor de todos os tempos. Mais tarde o sorriso voltou no pódio, mesmo que a verde não seja amarela, pois a amarela é muito mais difícil, é para poucos, é para netos de quem nunca havia vestido apesar de ter chegado tão perto e para um campeão que agora adorou vesti-la e não quer tirar nunca mais.

Começando a pequena coleção

Em 2019 o ciclista colombiano Egan Bernal assombrou o mundo ao conquistar o Tour de France naquela que foi apenas a sua segunda participação na competição. De quebra ele ainda se tornou o primeiro ciclista da América Sul a vencer a prestigiada competição em todos os tempos. Então veio 2020 e as coisas não saíram como planejado e Bernal acabou abandonando. Agora em 2021, ao invés de ir em busca do bicampeonato na França, ele resolveu mudar um pouco de rumo e se inscreveu para competir no Giro d'Itália, que ao lado do Tour e da Volta da Espanha formam as três maiores competições de ciclismo do mundo. O resultado acabou sendo nada a menos do que o início de uma pequena coleção de grandes conquistas.

O cartão de visitas foi dado já na nova etapa, que por acaso foi a primeira etapa com subidas nas montanhas. Bernal vence e assume a camisa rosa de líder, essa ele não perderia mais até o final. A trajetória para levantar o caneco parecia até tranquila, principalmente depois que venceu novamente na etapa 16 e mostrou uma força que parecia vir de outro mundo. Mas dali em diante teve que fazer um esforço gigantesco com o britânico Simon Yates ameaçando e o italiano Damiano Caruso quase chagando lá com a ajuda da sua torcida correndo em casa. Por fim um minuto e vinte e nove segundos acabaram por serem suficientes para evitar o colapso.

Agora Bernal provavelmente irá querer aumentar sua pequena coleção de conquistas nas grande voltas indo em busca da Volta da Espanha. Ganhar as três no mesmo ano é algo hoje impossível talvez para qualquer ciclistas, mas se ele não for mesmo no Tour de France, talvez se arrisque em busca da Volta ainda neste ano, ou quem sabe prefira vencer cada uma delas em anos diferentes. Se o fizer o objetivo passará a ser ganhá-las novamente em outras oportunidade, afinal Egan Bernal tem apenas 24 anos de idade e sempre que venceu uma grande volta ele teve que voltar ao pódio para colocar a camisa branca de jovem mais bem colocado também.

Tour de France: Egan Bernal

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O Tour de France está entre as três maiores competições de ciclismo do mundo em cada ano, mas se formos colocar lado a lado com o Giro de Itália e com a Vuelta a Espanha, fica difícil não exaltar o desafio francês como o maior de todos eles. E sendo assim, ás vezes os seus vencedores podem ser considerados como extraordinários dependendo da forma como chegaram lá. Neste ano de 2019 foi assim, com um colombiano que fez história duas vezes, depois que a França chegou muito perto de ver um nativo sendo campeão outra vez. Não deu para eles e para mais nenhum outro favorito, porque a vez entre tantos não-favoritos foi de um jovem como fizera Alberto Contador em 2007, além da primeira vez de um sul-americano campeão em toda a história da prova.

Dentre todos os sul-americanos, a Colômbia sempre foi o país que mais perto havia chegado da grande glória de vencer o Tour. Na história recente tivemos Fabio Parra, Luis Herrera e talvez o mais conhecido de todos que foi Santiago Botero, um ciclista que duelava com Lance Armstrong na época que ninguém sabia do uso de doping do americano. Ele só venceu o prêmio de escalador no ano 2000, mas dava muito trabalho. O tempo passou e então surgiu Nairo Quintana, jovem mais bem colocado em 2013 e vencedor do prêmio de escalador no mesmo ano. Em 2015 ainda era o jovem mais bem colocado, venceu o Giro de Itália e também a Vuelta a Espanha, mas as duas grandes competições não são tão grandiosas como o Tour, faltava um pouco mais para a Colômbia e para os sul-americanos.

Faltava e ainda faltará também para a própria França. O país anfitrião da maior competição de ciclismo do mundo já viu seus atletas brilharam muitas vezes, é claro, mas não vêem mais desde 1985 quando Bernard Hinault subiu no ponto mais alto do pódio pela primeira vez. As esperanças se renovaram este ano, eles tinham Julian Alaphilippe surpreendendo já na etapa 3 quando assumiu a camisa amarela. Ela se foi na sexta etapa, mas retornou na oitava para não sair mais até pelo menos a décima nona e ante-penúltima etapa do Tour de 2019. Foi um dia trágico, com chuva de granizo, pista bloqueada, deslizamento de terra na encosta, um grande caos e o encerramento da etapa antes do fim. Foi também o fim da linha para o francês que viu a liderança ir por água abaixo.

Tristeza de um lado. Alegria e emoção comovente do outro. Egan Bernal vestiu a camisa branca de jovem mais bem colocado na etapa dez. Ele a perdeu por um momento, mas depois não a tirou mais. Em 2007 o espanhol Alberto Contador havia sido campeão geral e também o jovem mais bem colocado. A façanha se repetiu em 2010 com Andy Schleck, mas o luxemburguês já havia sido o jovem mais bem colocado nos dois anos anteriores. Ser o jovem mais bem colocado e ainda vestir a camisa amarela é para poucos, principalmente quando um francês lidera em casa, principalmente quando seu compatriota ainda corre e vence uma etapa, ou seu companheiro de equipe é o vencedor do ano anterior. A pressão era grande, mas o jovem ciclista conseguiu triunfar, e conseguiu ser o primeiro campeão da América Latina no Tour de France. Impossível não considerar isso extraordinário e colocá-lo como um dos maiores nomes do esporte no ano.

Engolidos pelo tubarão de Messina

O troféu do Giro de Itália é um dos mais lindos do mundo. Mas ele poderia ser ainda mais bonito se não fossem tão flexíveis aquelas hastes curvadas que moldam toda a sua beleza e diferenciação dos demais. Essa possível fragilidade só pôde ser percebida por quem não está perto dele em Turim devido à forma como o campeão da nonagésima nona edição da prova segurou o cobiçado prêmio. A força excessiva que Vincenzo Nibali usava pode até ser muito bem compreendida, afinal o tubarão de Messina estava mais para um peixe fora d´água na última semana da competição do que para um devorador dos mares, porém ainda faminto para conseguir engolir os seus maiores rivais na disputa.

Antes da décima quinta etapa, Nibali tinha uma desvantagem de apenas 41 segundos na classificação geral do Giro de Itália de 2016. Depois disso a diferença pulou para mais de dois minutos e, logo iria aumentar cada vez mais. Depois de erguer a taça, o italiano revelou que não estava se sentindo bem naquele dia, mas que não poderia ter dito isso porque não poderia alertar seus adversários. Os jornais não quiseram saber e o que não faltou foram as criticas. O ciclista talvez pudesse se empenhar mais para quem sabe 'calar a boca' de quem fala mal dele, mas ele sabe que sua carreira já era consagrada com pelo menos um título em cada uma das três principais voltas ciclísticas do mundo.

Ele já venceu a Volta da Espanha, o Tour de France e já havia sido campeão do Giro de Itália em 2013. É claro que vencer novamente seria incrível, mas ele estava mal e ninguém sabia. Então Vincenzo Nibali, já com o belo e frágil troféu nas mãos, fez outra revelação. Sem chances de título, ele passou a correr mais solto e despreocupado, tudo isso depois de ter pensado em abandonar a competição. Se tivesse abandonado um outro ciclista teria ganhado. E não teria sido aquele cujo tempo tirava a esperança do italiano, pois este era um holandês que viu um paredão de neve acabar com as suas esperanças de glórias.

A nonagésima nona edição do Giro de Itália poderia ter sido a centésima. Foi memorável e emocionante. Disputas de contra relógio com vencedores marcando o mesmo tempo. Mudanças constantes no dono da maglia rosa. Indefinição até o penúltimo dia de competição. O holandês Steven Kruijswijk tinha três minutos de vantagem antes da etapa 19, mas na descida viu um paredão de neve no seu caminho, saiu voando e viu seu sonho de ser campeão criar asas a sumir no horizonte sem fim. Esteban Chaves é da Colômbia e não do México, mas assumiu a ponta e lembrou Roberto Gomes Bolaños. Mas lá na frente quem havia vencido a etapa era o tubarão de Messina, e agora ele estava pronto para engolir os seus rivais.

O sábado veio com esperanças colombianas e solidez italiana. Faltou perna para El Chavo del ocho, sobrou jogo de equipe para Tanel Kangert e Michele Scarponi. Os escudeiros conduzem e o líder faz o resto, abre vantagem na penúltima subida e controla tudo na técnica descida. Vincenzo Nibali havia perdido as esperanças, mas soube esperar a hora certa para dar o bote certeiro. O tubarão de Messina engoliu Kruijswijk na antepenúltimo dia e devorou Chaves no penúltimo. Em Turim fez o passeio da glória, com o belo e frágil troféu, segurando com força para não soltar mais, pois este agora é seu e ninguém mais poderá tirá-lo.

Froome contra tudo e contra todos

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Em 2012 ele era obrigado a se segurar, pois o líder e capitão era seu companheiro de equipe Bradley Wiggins. No ano seguinte a coisa mudou de figura, ele foi liberado para acelerar e venceu, inclusive com triunfos em etapas de subida e dominando já deste o final da primeira semana, exatamente como aconteceu esse ano. Poderíamos estar falando até do terceiro título consecutivo de Chris Froome, o que seria uma tristeza para Vincenzo Nibali. Mas se fosse assim seria pior ainda, as comparações com Lance Armstrong seriam ainda maiores, e isso não significa nada de bom. Ele sobe como ninguém na etapa 10 e dá um show como o americano dava e como ele mesmo deu em 2013, bastou para ser acusado de uso de doping.

Os espectadores mais exaltados e desprovidos de sua capacidade de usar mais do que uma pequena porcentagem de seu cérebro passam dos limites. Alguns cospem no camisa amarela e líder do Tour de France. Xingamentos nem se fala e, segundo o próprio ciclista britânico, alguém lhe atirou um copo como urina. Membros da equipe Sky vão além e dizem que todos os ciclistas companheiros de Froome estavam sofrendo com a ira do torcedor e muitos chegaram a levar socos nas costas durante as provas, principalmente nas subidas onde a velocidade reduz e o público fica a poucos centímetros dos competidores. A cena, muito linda de se ver como fora na penúltima etapa rumo ao topo do Alpe d'Huez, não deveria representar um hostilidade que ninguém ainda sabe se tem fundamento ou não.

Na Champs Elysees, com o arco de trinfo ao fundo e celebrando a glamour de Paris, Chris Froome veste a camisa amarela e comemora, logo depois de ter vestido a branca de bolinhas vermelhas. Sim, ele foi perfeito e manteve a tão desejada Yellow Jersey desde a etapa sete, foi fantástico na etapa 10 vencendo depois de ter caído e ficado mais de 13 minutos para trás. Deu um show, mas não foi tão impressionante como um suposto dopado à lá Armstrong poderia ser. Ou será que ele apenas administrou no final para que não fossem levantadas mais suspeitas ainda do que já tinham? Afinal o colombiano aguerrido Nairo Quintana, dono da camisa branca de jovem mais bem colocado, atacava sem medo de ser feliz e terminou em segundo lugar com uma diferença de tempo muito menor do que todos esperavam.

Infelizmente o ciclismo já é um esporte manchado pelos inúmeros casos de doping do passado. Infelizmente não da para imaginar que não aconteça mais, pois sempre haverá novos doping´s que tentam driblar os exames preventivos. Ainda sim, novas tecnologias no anti-doping também surgem a cada dia e tentam evitar que os atletas usem da trapaça. Portanto, enquanto nada seja provado e apenas especulações e suposições tentam derrubar a glória de um britânico na França, só porque franceses não gostam de ingleses, a vida segue e o pedal continua fazendo a roda girar. Não deu para Alberto Contador, Nibali e nem mesmo Valverde. Ainda não chegou a vez de Quintana e Froome é bicampeão do Tour de France contra tudo e contra todos, ou até que se prove com a verdade se estava mesmo dopado.

Como se todos os seus rivais estivesse lá

Já é sábado, dia 26 de julho de 2014, o fim de semana chagou, mas não é hora para descansar. Tony Martin estabeleceu um excelente tempo e ele precisa acelerar muito se quiser superar o campeão mundial. O esforço foi sublime, mas ficaram faltando quase dois minutos para ser o grande vencedor do dia. Tamanha dedicação e empenho nem eram tão necessário, pois sua ampla vantagem jamais poderia ser superada. Mesmo assim o “tubarão do estreito de Messina” mostra porque sua conquista é tão mereceida. Tudo porque ele corre para vencer mesmo que esteja muito longe de perder.

Sim, Chris Froome sofreu uma queda é não teve chance de brigar pelo título novamente. Sim, Alberto Contador também caiu e não teve chance de tentar vencer sem estar sob o efeito de doping. Não tem Andy Schleck, não tem Bradley Wiggins, não tem o vencedor do Giro de Itália Nairo Quintana, pois é impossível vencer as três principais corridas do ciclismo no mesmo ano. Só mesmo em anos diferentes. É para poucos, é para o italiano Vincenzo Nibali. Ele não se importa com as ausências de seus principais rivais, ele corre como nunca, como se todos eles estivesse colados na sua bota.

É quinta-feira, dia 24 de julho de 2014. Os ciclistas partem em direção à Hautacam, onde o Tour de France chega pela quinta vez em sua história. Ali, no topo desta montanha de categoria máxima, jamais o vencedor da etapa foi o dono da camisa amarela, pelo menos até esse ano incrível de um italiano incrível. Ele sobe os últimos sete ou oito quilômetros como se estivesse sendo seguido por Brody, Hooper e seus arpões assassinos. É como se estivesse já treinando para o ano que vem sabendo que muito provavelmente alguém estaria ali ao seu lado querendo roubar sua camisa de cor bonita. Foi a sua quarta vitória na 101ª edição da maior competição de ciclismo do planeta que mostrou bem como ele mereceu o título que conquistou.

O tubarão fez a Itália então se lembrar do pirata. A última vez que um representante da terra de Roma havia sido campeão do Tour de France foi em 1998, com Marco Pantani. Naquela época ele havia vencido o Giro e o Tour no mesmo ano, mas não levou a Vuelta da Espanha. Vencer as três grandes voltas de ciclismo do mundo é coisa para poucos, apenas seis ciclistas em todos os tempos. E Vincenzo Nibali se tornou um deles, e com uma vantagem tão grande quanto a que conseguiu Lance Armstrong em 1999, um título que foi caçado por doping; e Jan Ulrich em 1997, ciclista que também tem seus resultados sob suspeita. Agora Nibali reescreve a história das vitórias avassaladoras, pois correu da forma mais brilhante que um vencedor pode correr. Como se os seus rivais estivessem lá, mesmo que não houvesse nenhum deles ao seu lado.

Colômbia se pinta de rosa e conquista a Itália

Jamais, em qualquer uma das 96 outras edições já realizadas do Giro d'Italia, um competidor sul-americano ousou sagrar-se como o grande campeão ao final de suas longas e intermináveis 21 etapas de uma disputa dura e absolutamente intensa. Nem em 1909 quando eram disputadas apenas oito etapas, dia sim, dia não, dia sim, dois dias não. E nem mesmo em 1949, quando Fausto Coppi venceu novamente numa época que apenas os italianos erguiam o troféu de campeão. Um domínio tão intenso só seria repetido entre 1997 e 2007, mas a partir de 2008 tudo mudou. Espanhol, russo, canadense. Até 2014, quando finalmente após 97 edições um ciclista sul-americano se tornou pela primeira vez campeão do Giro d'Italia.

O grande pequenino Nairo Quintana. Com apenas 1,67 metros de altura e um peso pena de 59 kg. Sua esposa está de rosa e seu filho recém nascido também. O presidente Juan Manuel Santos usa rosa e todo o país da Colômbia se pintou de rosa para conquistar a Itália. Do meio dos Andes, de Tunja, para conquistar o mundo. Um sonho que cultivava em sua tenra infancia quando pedalava cerca de 16 quilômetros para ir à escola aprender que o mundo era muito maior do que o departamento de Boyacá. Para descobrir que tudo tem uma primeira vez, a primeira vez de um sul-americano, a primeira vez de um colômbiano na primeira das três grandes competições do cilcismo mundial.