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A Fórmula 1 mais artificial começou

A era de 2026 da Fórmula 1 começou em Melbourne como um grande estrondo de inovação e também como um sussurro de desconfiança e uma sensação incômoda de que o esporte trocou a adrenalina mecânica por um algoritmo de gerenciamento de energia. O GP da Austrália, realizado neste último domingo em Albert Park, entregou o que a FIA prometeu — mais ultrapassagens —, mas a um custo que muitos no paddock consideram alto demais. O que vimos foi uma coreografia artificial, onde o talento do piloto pareceu, por diversas vezes, submisso ao estado de carga de uma bateria e aos caprichos de uma aerodinâmica ativa que mais lembra um videogame do que a categoria máxima do automobilismo.

A narrativa da prova começou com uma promessa de duelo épico. Charles Leclerc, em sua primeira corrida como líder absoluto da Ferrari ao lado de um Lewis Hamilton ainda se adaptando ao macacão vermelho, saltou para a ponta logo na largada. A disputa com o pole position George Russell foi intensa nas primeiras dez voltas, com trocas de posição constantes na curva 9. No entanto, o brilho da Scuderia foi prontamente ofuscado por seu fantasma mais persistente: o erro estratégico. Enquanto a Mercedes operou com precisão cirúrgica, aproveitando os períodos de Virtual Safety Car causados pelo abandono de Isack Hadjar para realizar um double-stack impecável, a Ferrari hesitou. Ao manter seus pilotos na pista esperando por um Safety Car real que nunca veio, a equipe de Maranello entregou a vitória de bandeja.

O resultado final foi um domínio avassalador da Mercedes, que selou uma dobradinha com George Russell no topo e o estreante Kimi Antonelli em um sólido segundo lugar. Russell, visivelmente satisfeito, declarou pelo rádio que "finalmente tem o carro que merece", mas o brilho do troféu não escondeu as críticas ferozes que vieram logo atrás. O pódio foi completado por Leclerc, que cruzou a linha em terceiro, seguido por um Hamilton frustrado em quarto. Hamilton não poupou a sua equipe, questionando abertamente por que a Ferrari não reagiu à estratégia da Mercedes. É irônico que, em uma era de carros totalmente novos, a absurda estratégica da Ferrari tenha permanecido a única constante tecnológica imutável.

A grande polêmica, porém, reside no comportamento dos novos carros. O aumento massivo da potência elétrica e a introdução do Manual Override Mode criaram situações que muitos pilotos descreveram como "caóticas". O campeão reinante, Lando Norris, foi o mais vocal em suas críticas, disparando contra o que chamou de "corrida de computador". Segundo Norris, a diferença de velocidade entre um carro com energia e outro em fase de colheita chega a 50 km/h, criando um cenário de perigo iminente. "É um caos. Estamos apenas esperando por um grande acidente acontecer", alertou o piloto da McLaren, sugerindo que a velocidade de aproximação nas zonas de frenagem é imprevisível e que, em breve, veremos um carro "voando sobre as cercas" se nada for ajustado.

Carlos Sainz ecoou as preocupações, classificando a aerodinâmica ativa como "perigosa" e "instável", especialmente em curvas de alta velocidade como as 7 e 8 de Melbourne, onde o sistema parece ter vontade própria. Para os puristas, a análise é ainda mais sombria: os carros de 2026 mostraram-se significativamente mais lentos em tempo de volta do que seus antecessores, e a facilidade das ultrapassagens via botão de ultrapassagem manual retirou o valor do drible e da audácia na frenagem. Max Verstappen, que terminou em um discreto sexto lugar após problemas de bateria, resumiu o sentimento de muitos veteranos ao dizer que a pilotagem tornou-se um exercício de gestão de software, e não de limite físico.

Se Melbourne serve de barômetro, a temporada de 2026 será marcada por uma divisão profunda. De um lado, a satisfação comercial de ver uma tabela de classificação movimentada e a Mercedes de volta ao topo; do outro, a preocupação técnica de que a Fórmula 1 tenha se tornado "artificial" demais. O esporte queria carros mais leves e sustentáveis, mas entregou máquinas que exigem que os pilotos olhem mais para o painel do que para a pista. Com o circo seguindo para a China, a pergunta que fica não é quem tem o melhor motor, mas sim quem tem o melhor sistema operacional — e se a segurança dos pilotos não está sendo sacrificada no altar do espetáculo digitalizado.

A enganação da Nova Fórmula 1 de 2026

A Fórmula 1 desembarca em 2026 mergulhada em uma crise de identidade que tenta equilibrar o saudosismo do ronco dos motores com a urgência de uma vitrine tecnológica sustentável. A grande revolução está na estética dos carros, agora mais curtos e estreitos, e também no coração das unidades de potência: o fim do complexo MGU-H e a ascensão de um sistema híbrido onde a eletricidade divide o protagonismo com a combustão em uma proporção de 50/50. Na teoria, é um triunfo da engenharia; na prática, os testes de pré-temporada revelaram máquinas que parecem lutar contra sua própria natureza. Com o aumento da potência elétrica para 350 kW, os pilotos agora enfrentam o fenômeno do "clipping" precoce nas retas, onde a bateria se esgota antes do fim do trecho, transformando a pilotagem em um exercício de gestão energética quase robótico. Max Verstappen já deu o tom das críticas ao sugerir que os carros estão se tornando "simuladores sobre rodas", onde a estratégia de software supera o talento puro no pé direito. Até mesmo relatos físicos preocupantes surgiram, como o de Lance Stroll, que descreveu as vibrações das novas unidades Honda como uma sensação de "eletrocussão" no cockpit, evidenciando que a integração dessa massa colossal de baterias e novos biocombustíveis ainda está longe da harmonia esperada.

Essa tensão técnica ganha um contorno dramático com a iminência do Grande Prêmio da Austrália, marcado para este fim de semana. O circo da F1 chega a Melbourne não sob aplausos, mas sob uma nuvem de incertezas logísticas sem precedentes. O conflito no Oriente Médio provocou o fechamento de espaços aéreos cruciais, transformando o transporte de peças e pessoal em uma odisseia. O risco de a corrida não acontecer foi real até as últimas horas, com equipes como a Ferrari atrasando voos e a FIA sendo forçada a suspender os toques de recolher para que os mecânicos, exaustos por viagens de 40 horas, pudessem montar os carros a tempo. É uma ironia cortante: enquanto a categoria promove seu combustível 100% sustentável como a salvação do planeta, ela queima toneladas de querosene de aviação em rotas desviadas e voos fretados de emergência apenas para manter o espetáculo de pé.

O uso de biocombustíveis e a eletrificação massiva são vendidos como o "Exemplo para o Mundo", uma bandeira de neutralidade de carbono que a Liberty Media agita com orgulho. No entanto, há um elefante de petróleo sentado nos boxes que quase ninguém menciona. O foco obsessivo na emissão do escapamento ignora que o combustível representa apenas cerca de 1% da pegada de carbono total do esporte. O contraponto que o marketing sustenta de forma frágil é que, embora o tanque esteja cheio de etanol de segunda geração ou lixo sintético, o resto do carro continua sendo um monumento ao petróleo.

Os pneus Pirelli, fundamentais para a aderência e o espetáculo, são compostos em grande parte por polímeros sintéticos derivados de hidrocarbonetos. O chassi, orgulho da leveza, é uma trama de fibra de carbono unida por resinas plásticas que vêm diretamente do refino fóssil. Dos lubrificantes ultraespecializados aos milhares de componentes plásticos e à frota logística que move toneladas de equipamentos pelo globo, a Fórmula 1 continua sendo uma indústria petroquímica itinerante. Proclamar o fim dos combustíveis fósseis enquanto se corre sobre borracha sintética e se veste fibra de carbono derivada de petróleo é, na melhor das hipóteses, uma meia-verdade conveniente. A F1 de 2026 pode até ter limpado o hálito, mas o corpo ainda está profundamente mergulhado no óleo.

O que esperar da nova Fórmula 1 em 2026

A temporada de 2026 da Fórmula 1 desponta como um dos marcos mais profundos na história do automobilismo contemporâneo, assinalando não apenas o início de um novo ciclo técnico, mas uma reconfiguração completa das forças que compõem o grid. O entusiasmo que envolve este ano decorre da implementação de um regulamento em disputa, focado em sustentabilidade e maior competitividade, que forçou todas as equipes a projetarem seus carros do zero. O pontapé inicial desse novo capítulo ocorre com os testes de pré-temporada no Bahrein, realizados em duas baterias cruciais em fevereiro, entre os dias 11 e 13, e 18 e 20. Essas sessões de pista são o primeiro momento em que as inovações teóricas enfrentam a realidade do asfalto, revelando se as promessas de carros mais ágeis e disputas mais acirradas se concretizarão.

As mudanças regulamentares para 2026 são drásticas e visam tornar os carros menores, mais leves e aerodinamicamente eficientes. Com uma redução significativa no entre-eixos e na largura, os novos monopostos perdem o arrasto excessivo das gerações anteriores e introduzem a aerodinâmica ativa, com asas móveis dianteiras e traseiras que se ajustam para otimizar a velocidade em retas e a estabilidade em curvas. No coração desses veículos, as unidades de potência agora operam com uma divisão equilibrada de 50% de energia proveniente da combustão e 50% de energia elétrica, utilizando combustíveis 100% sustentáveis. Essa nova configuração motorizada extingue o tradicional sistema DRS como o conhecíamos, substituindo-o por modos de potência que exigem uma gestão de energia muito mais estratégica por parte dos pilotos.

O cenário competitivo ganha um novo fôlego com a expansão do grid para onze equipes, graças à chegada da Cadillac, que estreia utilizando motores Ferrari enquanto prepara sua própria tecnologia para o futuro. Além disso, a Audi assume formalmente as operações da antiga Sauber, entrando no esporte como uma equipe de fábrica completa, com chassi e motor próprios. Outra movimentação técnica de peso é o retorno da Ford, que se alia à Red Bull Powertrains para fornecer as unidades de força da equipe austríaca. Essas novas parcerias e fabricantes adicionam uma camada de incerteza às previsões, pois o domínio técnico estabelecido em anos anteriores pode ser facilmente subvertido por quem melhor interpretou as entrelinhas das novas regras.

No que tange aos protagonistas das pistas, as expectativas são elevadas para os pilotos que enfrentam desafios inéditos em suas carreiras. Lewis Hamilton, que agora veste o macacão vermelho da Ferrari, busca o tão almejado oitavo título mundial em um ambiente completamente novo, ao lado de Charles Leclerc. Lando Norris e a McLaren, que encerraram o ciclo anterior em ascensão, entram como fortes candidatos a manter a hegemonia, enquanto Max Verstappen, agora impulsionado pela tecnologia Red Bull-Ford, permanece como a referência a ser batida. Entre as possíveis surpresas, os holofotes se voltam para o jovem brasileiro Gabriel Bortoleto, que faz sua estreia na Audi com a responsabilidade de liderar o projeto alemão em sua fase embrionária, e para George Russell, que assume definitivamente o papel de líder na Mercedes em busca de recolocar as Flechas de Prata no topo do pódio.

Esta nova era da Fórmula 1 promete um espetáculo mais dinâmico, onde a habilidade individual e a inteligência estratégica na gestão dos recursos do carro serão determinantes. Com carros que privilegiam a proximidade nas disputas e motores que simbolizam o futuro da indústria automotiva, a temporada de 2026 não é apenas uma continuação do esporte, mas uma reinvenção necessária. O equilíbrio entre as equipes veteranas e as novas entrantes, somado à imprevisibilidade técnica das novas regras, sugere que o campeonato deste ano será um dos mais abertos e fascinantes das últimas décadas, reafirmando a categoria como o ápice da engenharia e da competição humana.

Brad Pitt interpretou Nelsinho Piquet

O espetáculo visual, por vezes, mascara a fragilidade da narrativa. Essa é a impressão que se tem após a assistir "Fórmula 1 - O Filme", uma superprodução que levou recentemente a elite do automobilismo para o grande telona dos cinemas, com o apelo de cenas de corrida de tirar o fôlego. O diretor, em sua busca incessante por um realismo cinematográfico nas pistas, parece ter negligenciado o combustível essencial de qualquer drama: uma trama original e envolvente. O longa-metragem, protagonizado por Brad Pitt no papel de um piloto veterano que retorna para guiar um jovem talento na fictícia equipe Apex, tropeça no clichê mais básico do gênero esportivo, reiterando a gastíssima disputa de egos entre companheiros de equipe, numa dinâmica que evoca, de forma inescapável, o roteiro previsível e já exaurido de obras como "Dias de Trovão", por exemplo. Tal reiteração não apenas demonstra uma falta de inventividade da narrativa, mas também falha em explorar as ricas e complexas sub-tramas que a própria Fórmula 1, no mundo real, oferece.

Essa deficiência se acentua de maneira curiosa na abordagem de certos expedientes questionáveis dentro do esporte. O filme, em sua tentativa de inserir um elemento de sacrifício estratégico – no qual o personagem de Brad Pitt causar incidentes para acionar o safety car e favorecer o seu parceiro – ecoa involuntariamente em um dos capítulos mais sombrios e controversos da história recente da categoria: o escândalo do Grande Prêmio de Singapura de 2008. Naquele episódio, o piloto Nelsinho Piquet chocou seu carro propositalmente contra o muro, sob ordens do chefe Flavio Briatore da equipe Renault, para forçar a entrada do Safety Car e, assim, pavimentar a vitória de seu colega, Fernando Alonso, que já havia feito seu pit stop. A diferença crucial é que o chamado Singapuragate foi um ato de flagrante anti-jogo que resultou em severas punições e manchou a reputação de diversos envolvidos. Ao trazer para a ficção um cenário quase idêntico da simulação de acidente, o filme, mesmo que em um contexto menos maquiavélico, normaliza ou romantiza uma prática que na realidade é vista com a máxima reprovação e considerada uma trapaça, indo de encontro ao espírito esportivo que se esperaria celebrar. A narrativa perde a oportunidade de criticar a cultura de resultado a qualquer custo, optando por uma manobra dramática que, no fundo, desvaloriza a integridade da competição.

É neste ponto que a opinião do público e da crítica se divide e se torna um elemento fundamental na análise da obra. Os entusiastas da velocidade e da tecnologia, seduzidos pela fidelidade técnica e pela qualidade das cenas filmadas em autódromos reais, ao lado de pilotos da Fórmula 1, tendem a perdoar a superficialidade do enredo. Para eles, a imersão sensorial, a fotografia estonteante e a inegável adrenalina transmitida pelas câmeras onboard já justificam o ingresso, elevando a produção a um "espetáculo visual". O filme, sob essa ótica, cumpre seu papel como um artefato de entretenimento puro e de celebração da velocidade. Contudo, a parcela da audiência que busca um drama sólido e uma caracterização profunda encontra na trama um calcanhar de Aquiles. As críticas que apontam para uma "história genérica" ou um "espetáculo visual raso" sublinham que a superprodução, apesar de seu orçamento colossal e casting de peso, falhou no básico: construir personagens complexos e um arco dramático que fosse além da redenção do piloto em declínio. A falta de ousadia no roteiro impede que o filme atinja a "curva perfeita" da excelência cinematográfica, ficando aquém do legado de dramas esportivos que souberam aliar técnica apurada com uma substância narrativa inesquecível.

Norris e o Épico Final em Abu Dhabi

O Grande Prêmio de Abu Dhabi, tradicional palco de encerramentos da temporada da Fórmula 1, transcendeu este ano sua função habitual de mero evento final para se inscrever como um dos capítulos mais emocionantes e significativos da história recente da categoria. Sob o crepúsculo dourado de Yas Marina, Lando Norris, da McLaren, cruzou a linha apenas na terceira colocação, mas ele se tornava ali o novo e inegável Campeão Mundial de Fórmula 1, conquistando o título pela primeira vez em sua promissora carreira por apenas dois pontinhos de diferença para o vencedor do dia Max Verstappen.

A consagração de Norris em Abu Dhabi veio coroar uma temporada de montanha-russa, cuja narrativa se tornou intensamente dramática nas últimas etapas. Depois de um início de ano absolutamente grandioso, onde a McLaren se estabeleceu como a força dominante, pilotada com maestria por Norris e seu talentoso colega de equipe, Oscar Piastri, a vantagem que parecia inatingível começou a ser paulatinamente erodida. A equipe de Woking demonstrou uma capacidade ímpar de desenvolvimento, tirando proveito das mudanças regulamentares e da sinergia entre seus pilotos para monopolizar pódios e vitórias. Contudo, como é de praxe no esporte a motor de elite, a concorrência reagiu com vigor. As rivais aprimoraram seus monopostos, e a disputa, que parecia definida, ganhou contornos de incerteza e alta pressão. As últimas corridas transformaram o campeonato em um verdadeiro duelo de nervos e estratégias, onde cada ponto era disputado com a fúria e a precisão de um xeque-mate. O drama de uma potencial perda de título após uma liderança tão robusta adicionou uma camada de tensão palpável a cada fim de semana de corrida, elevando o espetáculo a níveis inesquecíveis.

Para a McLaren, essa conquista tem um peso que vai além da glória individual do piloto. A equipe, uma das mais tradicionais e vitoriosas da história da Fórmula 1, não celebrava um título de pilotos desde 2008, com Lewis Hamilton. Dezesseis anos é um lapso considerável para um time com o pedigree de Woking, um período marcado por altos e baixos, reestruturações e uma busca incessante pelo retorno ao topo. O campeonato de Norris não é apenas um troféu; é a reafirmação do lugar da McLaren entre as grandes, o coroamento de um projeto de reconstrução meticuloso e a validação de uma filosofia de investimento em jovens talentos. Representa, acima de tudo, a redenção de uma lenda do esporte a motor e o restabelecimento da ordem hierárquica na memória dos seus fãs e na história da categoria.

Com o brilho da vitória ainda fresco, o olhar do paddock e dos entusiastas já se volta para 2026. A próxima temporada será um divisor de águas, marcada pela introdução de um novo e revolucionário conjunto de regulamentos técnicos, com foco na sustentabilidade e em unidades de potência substancialmente diferentes. Historicamente, tais mudanças embaralham o grid de maneira dramática, abrindo espaço para novas potências e desafiando a engenharia e a capacidade de adaptação das equipes estabelecidas. A McLaren, com o ímpeto do título e uma dupla de pilotos de exceção, entrará na nova era com a moral elevada e a confiança em alta. O desafio será manter o momentum e decifrar as novas regras mais rapidamente que a concorrência. Os fãs podem esperar uma temporada ainda mais acirrada, com a esperança de que 2026 nos reserve um novo ciclo de disputas intensas, talvez com Norris defendendo seu cetro contra um grid faminto por glória, e a McLaren consolidando sua posição no firmamento da Fórmula 1.

Briga por título da F-1 fica acirrada

Em uma temporada que parecia caminhar para uma definição mais confortável para a McLaren, o Grande Prêmio de Las Vegas de Fórmula 1, disputado no último domingo, 23 de novembro, injetou uma dose de drama e incerteza na briga pelo título mundial de pilotos, restando apenas duas etapas para o encerramento do campeonato. O palco cintilante da 'Cidade do Pecado' testemunhou a vitória categórica de Max Verstappen e uma reviravolta pós-corrida que reconfigurou por completo a tabela de pontuação.

A performance de Verstappen, da Red Bull, foi de notável resiliência e controle. Largando da segunda posição, o tetracampeão mundial assumiu a liderança logo nas primeiras voltas e ditou o ritmo, conquistando sua sexagésima nona vitória na carreira e a sétima na temporada. Contudo, o que realmente elevou a tensão da disputa foi a desclassificação dos dois pilotos da McLaren, Lando Norris e Oscar Piastri, que haviam cruzado a linha de chegada em segundo e quarto lugares, respectivamente. A decisão da FIA se deu por uma infração técnica no regulamento, após a inspeção constatar um desgaste excessivo na prancha do assoalho dos carros, abaixo dos 9 mm permitidos. Norris, que largou na pole, e Piastri, viram seus valiosos pontos evaporarem, tornando a disputa pelo título subitamente mais acirrada.

Com a exclusão da dupla da McLaren, o pódio foi alterado: George Russell, da Mercedes, herdou a segunda colocação, e o jovem Andrea Kimi Antonelli, seu companheiro de equipe, passou ao terceiro lugar, alcançando seu segundo pódio consecutivo na categoria. Charles Leclerc, da Ferrari, foi alçado à quarta posição, e Carlos Sainz, da Williams, completou o top cinco. O GP de Las Vegas também foi marcado pelo abandono do brasileiro Gabriel Bortoleto, da Sauber, logo na primeira volta, após um incidente com Lance Stroll, da Aston Martin.

Na tabela do Mundial de Pilotos, o panorama está dramaticamente estreito. Apesar de não pontuar em Las Vegas, Lando Norris manteve a liderança com 390 pontos. No entanto, a desclassificação permitiu a brutal aproximação dos seus rivais. O seu companheiro de equipe, Oscar Piastri, agora empata com Max Verstappen na segunda posição, ambos com 366 pontos, separados de Norris por meros 24 pontos. Considerando que ainda há 58 pontos em jogo – 33 no Catar (com corrida sprint) e 25 em Abu Dhabi –, a temporada de 2025 se encaminha para um final eletrizante com três pilotos em condições reais de brigar pelo mais cobiçado título do automobilismo. A próxima parada no Catar, com seu formato de fim de semana sprint, promete ser um campo minado de estratégias e emoções, onde o menor deslize pode custar a coroa mundial.

Christian Horner demitido após 20 anos

A inesperada demissão de Christian Horner do posto de chefe de equipe da Red Bull Racing, após duas décadas de liderança, marca um ponto de inflexão na história recente da Fórmula 1. A notificação, ocorrida após o Grande Prêmio da Grã-Bretanha, ressalta a natureza abrupta da decisão, que, apesar de não ter sido oficialmente justificada, parece ecoar as recentes turbulências internas e as alegações que pairavam sobre sua gestão. Este evento, portanto, convida a uma análise crítica sobre a transparência nas estruturas de poder no automobilismo, questionando se as razões apresentadas ou inferidas são meramente a ponta de um iceberg de complexas dinâmicas corporativas e desportivas.

Horner deixa um legado inegável de sucesso, tendo sido o arquiteto por trás de oito títulos de Pilotos e seis de Construtores, consolidando a Red Bull como uma potência dominante, especialmente nas eras de Sebastian Vettel e Max Verstappen. Contudo, essa narrativa de glória recente foi ofuscada por uma notável deterioração no desempenho da equipe, culminando na ascensão da McLaren como força dominante e na saída de figuras-chave. Tal declínio exige uma reflexão sobre a sustentabilidade do sucesso em ambientes de alta pressão e sobre como a complacência ou a incapacidade de adaptação podem corroer até mesmo as mais sólidas fundações.

A nomeação imediata de Laurent Mekies, ex-chefe da equipe irmã Racing Bulls, para suceder Horner, sugere uma transição planejada e, possivelmente, a resolução de uma prolongada "luta por poder" interna. Esta disputa, enraizada na divisão da propriedade da equipe e na tensa relação entre Horner e Jos Verstappen, pai do campeão mundial, Max Verstappen, destaca a intrincada teia de interesses pessoais e corporativos que frequentemente permeiam o esporte de elite. A saída de Horner, nesse contexto, pode ser vista como o desfecho inevitável de um conflito de influência, onde a estabilidade organizacional e a performance em pista podem ser reféns de disputas nos bastidores.

Em última análise, a demissão de Christian Horner não é apenas uma mudança de liderança, mas um sintoma das pressões e transformações inerentes à Fórmula 1 moderna. O futuro da Red Bull Racing, sob a nova direção de Mekies, será um teste decisivo para sua capacidade de reagir a essas mudanças e de redefinir sua identidade sem a figura central que a moldou por tanto tempo. A transição representa um momento crítico, onde a equipe terá de provar se a sua estrutura e cultura são robustas o suficiente para superar as adversidades e reacender o brilho que a caracterizou nas últimas duas décadas.

Breve história da Fórmula 1

A Fórmula 1, a categoria máxima do automobilismo, tem uma história rica e fascinante que se estende por mais de um século. No próximo dia 16 de março começa mais uma temporada, de uma competição que tem raízes que remontam às corridas de Grande Prêmio que eram disputadas na Europa no início do século XX. Essas corridas iniciais eram realizadas em estradas abertas e desafiavam a habilidade dos pilotos e a resistência dos carros.

Após a Segunda Guerra Mundial, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) decidiu organizar um campeonato mundial unificado. Em 1950, nasceu o Campeonato Mundial de Fórmula 1, com a primeira corrida oficial realizada em Silverstone, na Inglaterra. Nino Farina, da Alfa Romeo, foi o vencedor da primeira corrida e o primeiro campeão mundial.

Ao longo das décadas, a Fórmula 1 passou por inúmeras mudanças tecnológicas, com avanços em motores, aerodinâmica e segurança. Pilotos lendários como Juan Manuel Fangio, Jim Clark, Jackie Stewart, Niki Lauda, Ayrton Senna, Michael Schumacher e Lewis Hamilton marcaram a história da categoria. Equipes icônicas como Ferrari, McLaren, Williams e Mercedes dominaram a cena, travando batalhas épicas nas pistas.

A rivalidade entre Alain Prost e Ayrton Senna no final dos anos 80 e início dos anos 90 é considerada uma das maiores da história do esporte. O domínio de Michael Schumacher com a Ferrari no início dos anos 2000 estabeleceu alguns recordes que perduram até hoje. A era híbrida, iniciada em 2014, trouxe novos desafios e tecnologias para a Fórmula 1.

O Brasil tem uma rica história na Fórmula 1, com pilotos como Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna conquistando títulos mundiais. O Grande Prêmio do Brasil, realizado no autódromo de Interlagos, em São Paulo, é uma das etapas mais tradicionais do calendário.

A Fórmula 1 continua a ser um dos esportes a motor mais populares do mundo, com corridas emocionantes e uma base de fãs global. A categoria busca constantemente inovar e se adaptar aos novos tempos, com foco na sustentabilidade e na tecnologia. A temporada de 2024 se mostrou muito interessante, e a de 2025 promete muita emoção, principalmente no Brasil que vê a volta de um piloto de seu país, Gabriel Bortoleto que vai pilotar o carro da Sauber.

GP de Mônaco 1929-2024

No último domingo foi realizada mais uma etapa do GP de Mônaco de Fórmula 1, uma das corridas mais tradicionais do automobilismo mundial. A vitória ficou com Charles Leclerc, da Ferrari, seguido por Oscar Piastri e Carlos Sainz Jr., que completaram o pódio. Leclerc venceu pela primeira vez em sua terra natal, se tornando o primeiro piloto monegasco a vencer a corrida como um Grande Prêmio da F-1 desde 1931, quando Louis Chiron ficou com a vitória.

Exceto por um acidente logo depois da largada envolvendo três pilotos, que acabou deixando o carro de Sergio Pérez bem destruído, a corrida não teve grandes emoções e acabou sendo bem monótona. O acidente causou uma paralisação por bandeira vermelha de quase uma hora. Ainda assim o GP de Mônaco trouxe um alívio na temporada que foi ver um pódio com três pilotos de duas equipes diferentes que não são a Red Bull. De qualquer forma Max Verstappen, que terminou apenas em sexto, segue com grande vantagem na liderança geral da temporada.

... 95 anos antes

O GP de Mônaco da Fórmula 1 ainda não tem 100 anos de existência, além de ter sido realizado apenas 70 vezes em 95 anos. A primeira vez que a corrida foi realizada foi no ano de 1929. Organizada pelo rico fabricante de cigarros Antony Noghès, a corrida teve a participação de 16 pilotos. A vitória ficou com o piloto britânico William Grover-Williams, que corrida sob o pseudônimo "W Williams", e pilotava o carro da equipe Bugatti, mesma equipe do segundo colocado Georges Bouriano. Apenas os dois e o terceiro colocado, Rodolfo Caracciola, com uma Mercedes, completaram as 100 voltas previstas.

O quarto colocado, o francês Jorge Filipe, deu 99 voltas também pilotando um Bugatti, carro que pertencia a oito pilotos do grid, incluindo o último colocado Marcel Lehoux, da França, que deu apenas sete voltas no principado. A vitória de W Williams rendeu a ele a fama de ter sido o primeiro piloto a vencer o GP de Mônaco de Fórmula 1, assim ele ganhou uma estátua em seu Bugatti Type 35 que está localizada na primeira curva do Circuito de Mônaco (Capela Sainte-Dévote).

Em 2017 a chuva em Singapura

Neste domingo acontece o GP de Singapura de Fórmula 1, uma corrida que entrou para o calendário em 2008. Ao longo desses anos muitas coisas aconteceram por lá, como em 2017 quando as ruas estavam iluminadas com as luzes brilhavam mais uma vez no Marina Bay Street Circuit, o palco de uma das corridas mais desafiadoras e espetaculares do circuito. Conhecida por seu calor implacável, umidade e layout estreito e sinuoso, essa corrida sempre foi um verdadeiro teste para o homem e a máquina. Assim, á medida que o fim de semana de corrida se desenrolava, tornou-se evidente que a luta pela supremacia seria intensa. A equipe Ferrari, representada por Sebastian Vettel e Kimi Räikkönen, travou uma feroz batalha pelo campeonato com a dupla da Mercedes formada por Lewis Hamilton e Valtteri Bottas.

A corrida começou sob o deslumbrante céu noturno de Singapura, com o icónico horizonte da cidade proporcionando um cenário deslumbrante. O pole-position Sebastian Vettel liderou o pelotão, com o objetivo de ampliar a liderança do campeonato. Mas ele mal sabia que uma reviravolta dramática o aguardava. À medida que os carros rugiam nas primeiras voltas, o inesperado ocorreu. Pingos de chuva começaram a cair, criando o caos no circuito de rua, que é conhecido pela falta de aderência em piso molhado. Os pilotos deslizavam pela pista escorregadia com extrema habilidade e cautela, e foi Daniel Ricciardo, da Red Bull Racing Team, quem aproveitou a oportunidade.

Ricciardo largou em terceiro, mas rapidamente assumiu a liderança enquanto Vettel lutava para manter a aderência. O piloto australiano, conhecido por sua habilidade em ultrapassagens, deu uma aula magistral de direção em tempo chuvoso, dançando com seu Red Bull nas condições traiçoeiras com precisão e talento. Atrás dele, os candidatos ao título enfrentaram adversidades. Vettel, com suas esperanças de vencer se esvaindo, colidiu com Räikkönen em um incidente caótico na primeira volta. Enquanto isso, Lewis Hamilton aproveitou o caos e subiu no pelotão, terminando em primeiro e aumentando sua liderança do campeonato.

Apesar das condições desafiadoras, Ricciardo manteve a coragem e conduziu seu Red Bull com destreza até o segundo lugar. Foi uma performance sublime, e ele comemorou com seu ritual característico de beber champanhe no pódio. O Grande Prêmio de Cingapura de 2017 será para sempre lembrado pela chuva inesperada, pela reviravolta dramática dos acontecimentos e pela notável corrida de Daniel Ricciardo, mesmo que não tenha vencido. Foi uma noite em que as luzes de Singapura brilharam intensamente na Fórmula 1, mostrando a capacidade do desporto de proporcionar surpresas e momentos inesquecíveis.

Fórmula 1: Lewis Hamilton

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Uma Fórmula 1 mais disputada e equilibrada seria muito mais interessante, mas isso é raro e de certa forma estamos ou temos que nos acostumar com o período de domínio de uma determinada equipe. A Fórmula 1 vive de ciclos e atualmente o ciclo de domínio da Mercedes prevalece. Assim sendo, cabe ao piloto da equipe se aproveitar disso ou conquistar a preferência de quem está no comando para ter a sua prioridade. Lewis Hamilton está aproveitando muito bem ambas as alternativas, mas nem sempre foi assim. Neste ano sua oportunidade foi tão grande que até ganhou uma vitória de presente do companheiro de equipe. Até quando Hamilton e a Mercedes vão durar na ponta ninguém sabe, então é melhor não deixar escapar mais nenhuma dessas grandes oportunidades de seguir fazendo história.

Mais cedo ou mais tarde uma nova equipe estará dominando tudo no lugar da Mercedes. Muito provavelmente será a Ferrari novamente, pois estão demonstrando isso nos últimos anos. Parecia até que o tal ano seria já nessa temporada, a julgar pelo início feroz de Vettel, mas o gás deles acabou bem antes do que todos poderiam imaginar. Então Hamilton não perdeu a nova chance e nem arriscou perder uma corrida onde seu companheiro venceria. O inglês foi campeão pela quinta vez, igualou o lendário Fangio e escreveu seu nome mais uma vez na história da categoria máxima do automobilismo. O título veio com bastante antecedência, mas sua vontade de vencer não foi embora depois que o caneco estava garantido.

Ser o maior de todos. Perseguir os número de Michael Schumacher. Ser profissional. Pressão dos patrocinadores? Quais seriam os reais motivos para que Lewis Hamilton se mantivesse tão concentrado e objetivo nas duas últimas corridas do ano? Vendo as reações do ator Will Smith na última corrida do ano talvez sejam a resposta mais correta, a Fórmula 1 fascina. No GP Brasil a vitória talvez até tenha caído em seu colo, mas desta vez ele foi preciso como em todo o ano e venceu com louvor. Lewis Hamilton merece destaque entre os maiores nomes do esporte em 2018 não apenas porque foi mais uma vez campeão do mundo, mas também porque mesmo já sendo campeão ele continuou vencendo como se ainda precisa disso para ser coroado.

O equilíbrio que se esvaiu antes da hora

Net Esportes - Lewis Hamilton campeão de 2017
Depois de quatro anos consecutivos, em 2014, a Red Bull enfim viu seus carros terem suas asas cortadas. Sebastian Vettel havia conquistado quatro títulos em sequência na escuderia dos energéticos, mas se viu apenas com a quinta colocação quando a Mercedes se tornou a equipe com o melhor carro na pista. Assim como a Ferrari dominou por tantos anos com Michael Schumacher e assim como quase sempre acontece na Fórmula 1. Lewis Hamilton, que havia deixado a McLaren com quem fora campeão em 2008, tinha a chance de fazer o mesmo que Vettel, ganhar quatro títulos em seguida, afinal não havia equilíbrio, apenas domínio. O inglês, no entanto, esqueceu de avisar seu companheiro de equipe sobre o plano em 2016, assim como Schumacher costumava fazer com Rubens Barrichello.

Mesmo ganhando quatro corridas seguidas duas vezes, Hamilton ficou cinco corridas seguidas sem alcançar o ponto mais alto do pódio outras duas vezes também em 2016. Em um ano amplamente dominado por apenas uma equipe, esses resultados ruins (incluindo dois abandonos) foram determinantes para que sua sequência de conquistas fosse interrompida pelo seu companheiro de equipe Nico Rosberg. O ano de 2017 chegou, mas com ele veio uma nova surpresa: A Mercedes não era mais uma unanimidade na Fórmula 1. A Red Bull se recuperou e voltou a colocar suas asinhas de fora. Se não bastasse, a categoria máxima do automobilismo ainda viu um ressurgimento da Ferrari, que por tantos anos se viu adormecida e esquecida nas trevas de algum mundo perdido.

Os mais saudosos ainda sonham em ver não só a Ferrari brigando pelo título, mas também a McLaren e a Williams alcançando o pódio juntas novamente. Porém, mesmo sem essa possibilidade voltando a ser realidade, os fãs se animam com um campeonato mais equilibrado. Três equipes com chances de vitórias, dois pilotos brigando diretamente pelo título em equipes diferentes. As corridas ficam mais agitadas e emocionantes, seja em dias de chuva ou não. Colisões e abandonos, o safety car é chamado e um carro bate na traseira do outro. Vettel perde a cabeça e a Fórmula 1 tem até briga de trânsito. Dos seis primeiros colocados no campeonato, que se dividem nas três melhores equipes, apenas Kimi Räikkönen não conseguiu vencer. O pódio viu até Lance Stroll, da Williams, naquele conturbado GP do Azerbaijão.

É um campeonato muito melhor e mais agitado que os últimos seis anos, talvez. Não chega a ser como em 2010, que viu quatro pilotos brigando pela conquista na última corrida, mas mesmo assim já serve como esperança de menos monotonia na Fórmula 1. As equipes brigam para ter Carlos Sainz no cockpit. Um francês e um mexicano arrojado levam a Force India ao posto de quarta melhor equipe do ano. A Hass consegue ser melhor que a McLaren e um piloto com sobrenome Verstappen consegue vencer corridas. É um equilíbrio interessante, com disputas acirradas e uma briga intensa pelo título, com atritos e muitas polêmicas. O que ninguém esperava, no entanto, era ver todo esse equilíbrio animador se esvair muito antes da derradeira hora final.

Um dos diferenciais de Hamilton neste ano, em relação ao ano passado quando perdeu o título, foi manter um equilíbrio nos resultados e não abandonar nenhuma corrida. Em Mônaco teve um resultado ruim, sendo apenas o sétimo colocado. Antes do GP do México, havia ficado fora do pódio cinco vezes, mas, mesmo que não tenha ficado em terceiro lugar nenhuma vez, ele não abandonou nenhuma corrida. Vettel fazia o mesmo, e por isso o campeonato era tão bom e equilibrado, mas na sequência de Singapura, Malásia e Japão foram dois abandonos e apenas uma quarta colocação. Nesta fase do campeonato o piloto inglês havia encaminhado três vitórias seguidas, sendo que até então ele não havia conseguido nem duas. Conseguiu mais um segundo lugar e venceu no Japão, quando praticamente colocou as mãos na taça.

O ano equilibrado se esvaiu e a conquista ficou fácil de mais, chegando quando ainda restavam duas corridas para o final da temporada. No ano que Lewis Hamilton superou seu ídolo Ayrton Senna em número de pole positions, na GP do Canadá, quando ganhou um capacete igual ao que o brasileiro usava e não conseguiu segurar as lágrimas. Desta vez não havia companheiro de equipe para atrapalhar, e o rival da Ferrari ficou para trás. Hamilton então chegou ao seu quarto título na carreira, mais uma vez superando Ayrton Senna. Na sua frente restam apenas Juan Manuel Fangio, com cinco conquistas, e Schumacher, com sete. Quem sabe no ano que vem a quinta taça não venha, seja com domínio ou equilíbrio, pois o que mais importa nessa equação e pelo menos ter emoção.

Os maiores salários do esporte em 2017

Maiores salários do esporte em 2017
Saiu a mais atualizada lista dos maiores salários do esporte em 2017. A Forbes mais uma vez revela quem são os atletas mais bem pagos do planeta e, pelo segundo ano consecutivo, o jogador de futebol português Cristino Ronaldo encabeça a lista. Grandes mudanças vem ocorrendo nos últimos anos e já não vemos mais entre os dez os jogadores de golfe consegrados Tiger Woods e Phil Mickelson, que estavam quase sempre nas primeiras posições. Roger Federer se manteve bem, mas Novak Djokovic caiu e Rafael Nadal está apenas na posição 33. O melhor brasileiro é Neymar, que ocupa a décima oitava colocação, enquanto que a melhor no feminino é Serena Williams, que está na posição 51.

Cristiano Ronaldo é o atleta mais bem pago de 2017
1. Cristiano Ronaldo
U$ 93 milhões
FUTEBOL
O jogador de futebol Cristiano Ronaldo não está muito bem no Real Madrid, pelo menos em termos de relacionamentos com a torcida e com a imprensa. Já dentro de campo é só alegria, Conquistas de títulos importantes como a Champions League, o Mundial de Clubes e até Eurocopa com Portugal só ajudaram o astro português a ganhar cada vez mais dinheiro, assim não teve jeito e ele figurou mais uma vez no topo da lista.

LeBron James é o segundo atleta mais bem pago de 2017
2. LeBron James
U$ 86.2 milhões
BASQUETE
No ano passado ele conseguiu um milagre com seus companheiros e levou o Cleveland Cavaliers ao seu primeiro título de campeão da NBA. Naturalmente aquele que é um dos melhores jogadores de todos os tempos não iria perder desempenho neste ano, uma nova final disputada era algo mais do que claro de que iria acontecer novamente, por isso mesmo ele mereceu uma quantia ainda maior de dinheiro no bolso para garantir a segunda colocação na lista.

Messi é o terceiro atleta mais bem pago de 2017
3. Lionel Messi
U$ 80 milhões
FUTEBOL
Não era muito comum ver o futebol figurando no top 10 dos mais bem pagos do mundo. Perto do topo da lista então muito menos. Esse era um lugar típico de golfistas e boxeadores, por mais incrível que isso possa parecer. Mas aos poucos a lista começou a ficar cada vez mais variada, contando com uma mistura de basquete com futebol americano e tênis. O argentino Lionel Messi vem subindo mais a cada ano e, mesmo que o Barcelona já não seja mais aquele Barcelona de tantas glórias, sua conta bancária fica cada vez mais inchada.

Roger Federer é o quarto atleta mais bem pago de 2017
4. Roger Federer
U$ 80 milhões
TÊNIS
O tenista suíço Roger Federer vem impressionando nos últimos anos por sua longevidade no esporte. No ano passado ele voltou a jogar muito bem e assim acumulou ganhos que não vinha tendo tanto. Para o ano que vem é possível que sua posição melhore ainda mais, pois ele continua dando trabalho para seus adversários e até mesmo ganhando títulos importantes como os de Grand Slam.

Kevin Durant é o quinto atleta mais bem pago de 2017
5. Kevin Durant
U$ 60.6 milhões
BASQUETE
O Basquete é o esporte que tem mais atletas no top 10 da lista. Kevin Durant trocou seu antigo time pelo Golden State Warriors e por um trocado de dólares a mais. Seu salário aumentou e seu prestígio foi até o céu. Ele foi contratado para ajudar o Warriors a recuperar o título da NBA que havia perdido em 2016. Nada mais natural do que ser muito bem pago por essa tarefa tão importante.

Luck é o sexto atleta mais bem pago de 2017
6. Andrew Luck
U$ 50 milhões
FUTEBOL AMERICANO
O Drew Brees caiu para décimo primeiro e, pasmem, Tom Brady não está em uma lista com 100 nomes! Ou seja ele ganhou menos de 21 milhões de dólares, pobre coitado! O futebol americano só não paga menos que o Beisebol, que só vê seu primeiro nome na vigésima oitava posição com o desconhecido Clayton Kershaw. Bom para Andrew Luck que ganha bem, mas que ainda não mostrou dentro de campo se merece tanto.

Rory é o sétimo atleta mais bem pago de 2017
6. Rory McIlroy
U$ 50 milhões
GOLF
O golf é como o tênis, individual e isolado. Tiger Woods e Phil Mickelson dominaram por tantos anos, mas agora eles começam a abrir espaço para a nova geração. Rory McIlroy já viu dias melhores com seu jogo, porém agora ele vê dias ainda melhores com o dinheiro no bolso. Talvez Jordan Spieth, que está na vigésima primeira posição neste ano, apareça por aqui em breve. Até lá quem sorri mais é McIlroy.

Curry é o oitavo atleta mais bem pago de 2017
8. Stephen Curry
U$ 47.3 milhões
BASQUETE
Campeão em 2015 e vice em 2016. Também não é de se estranhar que, aquele que até então era o maior jogador do Golden State Warriors, pelo menos até a chegada de Kevin Durant, ganhasse mais dinheiro por causa disso. Grana merecida, ninguém jamais havia feito tantas cestas de três pontos em uma mesma temporada. Assim foi cestinha e MVP da temporada regular. A quem diga que houve um aumento absurdo no aproveitamento dos times nas cestas de três pontos que mudou o jogo de basquete na NBA. Stephen Curry só confirma isso e recebe cada vez mais por isso.

James Harden é o nono mais bem pago de 2017
9. James Harden
U$ 46.6 milhões
BASQUETE
A nona posição, ao contrário da maioria das demais, prova que nem sempre ser campeão seja um quesito obrigatório para ganhar mais dinheiro. James Harden é o principal jogador do Houston Rockets e sonha em chegar a final já faz algum tempo. Candidato a MVP da temporada regular e garantindo sua equipe nos playoffs a cada ano. Falta um pouquinho mais para chegar lá, mas não falta muito para já estar aqui, entre os maiores salários do esporte.

Hamilton é o décimo mais bem pago de 2017
10. Lewis Hamilton
U$ 46 milhões
FÓRMULA 1
Se Nico Rosberg não tivesse se aposentado será que ele estaria no top 10 dos maios bem pagos do esporte? Hamilton foi campeão em 2015 e buscou o título de 2016 com a faca nos dentes, até a última prova tentando de tudo, mas não deu. Isso, no entanto, não foi motivo para que seus pagamentos diminuíssem e ele conseguiu entrar entre o mais bem pagos do último ano. O detalhe que impressiona é ver que o décimo ganha só um pouco a menos que a metade do primeiro. O dinheiro dobra em apenas dez posições, incrível.


A última cartada de Lewis Hamilton

O canal de TV aberta do Brasil que transmite a Fórmula 1 está desesperado. Não há mais pilotos brasileiros que outrora colaboraram com o despertar da paixão do povo que amava apenas o futebol. Um Felipe se aposenta, o outro ainda não tem contrato e o irritante narrador, que convenhamos marcou época com o ídolo falecido, busca de maneira obstinada os subterfúgios suficientes para manter a audiência em um patamar aceitável. Um dos argumentos é o de que no ano que vem as regras irão mudar, haverá mais equilíbrio entre os carros e uma maior competitividade. A outra ressalva é pontual, momentânea e está diretamente relacionada com as imagens que passam durante o GP de Abu Dhabi. Um carro atrás do outro, algumas ultrapassagens, possibilidades e claro, a pura emoção. É o que queremos realmente ver, mas era apenas a última cartada de Lewis Hamilton.

O inglês tricampeão do mundo já está sendo acusado de ter sido desleal. O piloto de 31 anos já está sendo ameaçado por uma punição da sua própria equipe Mercedes. Muitos poderiam chamá-lo de Pinóquio, afinal antes da corrida ele declarou que não iria fazer o que acabou fazendo. Pelo rádio ele é orientado a andar mais rápido porque Sebastian Vettel (que estava em quinto e chegou em terceiro) se aproximava. Como se a equipe não soubesse o que estava acontecendo, ou melhor, sabendo que todas as conversas são gravadas e nada mais explicito poderia ser falado, ouvimos também que se ele não consegue andar mais rápido então que dê passagem ao seu "companheiro" de equipe. A resposta para essa ou aquela pode ser considerada como frase do ano - "Estou ganhando a corrida e perdendo o campeonato", disse Lewis Hamilton, que estava dando a sua última cartada.

Não lhe tirem o direito de tentar pelo menos, mesmo que seja uma tentativa polêmica. Se fosse o jovem afoito Max Verstappen, que no Brasil poderia já ter ajudado se terminasse a prova em segundo lugar, as chances de Hamilton ver o que pretendia talvez fossem maiores. O problema é que Vettel, tetra campeão do mundo, não iria forçar a barra e estragar a festa de Nico Rosberg. Mas valeu pela tentativa, valeu pela expectativa criada principalmente aos torcedores de Hamilton, valeu pela dignidade de Hamilton, que se fizesse uma prova normal abrindo vantagem e vendo Rosberg passeando na segunda posição seria como simplesmente entregar de mão beijada o título de campeão de mundo. Valeu para a tal TV aberta brasileira do tal narrador irritante reforçarem seu apelo para que todos voltem no ano que vem, na esperança de que não haja mais uma vez a superioridade de apenas uma equipe como vem acontecendo nos últimos seis ou sete anos.

A maioria dos pilotos atuais, se estivesse no cockpit da Mercedes, terminaria com o título ou vice-campeonato. Hamilton fez isso nos dois últimos anos. O mesmo fez Vettel nos anos anteriores, quando a Red Bull dominava completamente. Se apenas uma equipe domina, a briga fica restrita à apenas dois pilotos. Nos dois últimos anos Nico Rosberg esteve apático, mas esse ano ele finalmente reagiu e venceu as quatro primeiras corridas do ano. No final terminou com apenas cinco pontos de vantagem para Hamilton, sendo que a grande diferença foi o GP da Malásia, onde Hamilton viu o motor quebrar quando era líder da corrida. Rosberg não teve seu motor quebrado e só abandonou uma vez quando se envolveu em uma acidente com o próprio Hamilton. No final o inglês cumprimentou o alemão quando ambos ainda estavam de capacete, no pódio o aplaudiu quando ele recebeu a taça de segundo colocado. É uma rivalidade saudável, como era Senna e Prost, faz até bem para a Fórmula 1. O que não faz bem é bem é julgar alguém por tentar um último respiro ou uma última cartada, pois era só isso que Hamilton estava tentando fazer.

Seria uma falsa sensação de equilíbrio na F-1?

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Inegavelmente a cena é bem interessante. Piloto alemão de vermelho comemorando no ponto mais alto do pódio. Pulo com soco no ar quase igual ao do Pelé e dedinho balançando, na inconfundível regência do animado hino italiano. Sebastian Vettel estava emocionado em sua primeira vitória pela equipe Ferrari, e logo em sua segunda corrida pela escuderia italiana. Não havia como não se lembrar do ídolo Michael Schumacher. Do heptacampeão pouco se sabe sobre sua atual situação, mas descobrimos um meio-irmão. Não é o Sebastian Vettel e sim o Sebastian Stahl, que quase embarcou no voo da Germanwings que caiu nos Alpes franceses. Já o voo de Vettel foi na Malásia, mas será que o domínio da Ferrari não teria sido apenas uma falsa sensação de equilíbrio?

O primeiro ponto foram as altas temperaturas. Não será assim na China, mas a sorte é que no meio do ano é verão na Europa. Tratores na pista, Safety Car, Mercedes antecipando parada. Ou será que foi Mercedes equivocadamente aumentando o número de paradas? Lewis Hamilton termina a corrida em segundo lugar com três paradas no pit stop. Um outro ponto determinante foram os compostos de pneus. Cadê os pneus médios, mais rápidos, para Hamilton no final da corrida? O atual campeão inglês chegou a ser quinto colocado, enquanto seu companheiro Rosberg andou em nono. Eles terminaram a corrida em segundo e terceiro lugar. A Mercedes não rendeu em Sepang como rendera em Melbourne, mas a Mercedes ainda é a Mercedes que domina tudo.

Muito legal ver Vettel vencendo e lembrando Schumacher. Muito interessante mesmo ver a Ferrari andando bem e equilibrando as coisas com a Mercedes. É excelente para a Fórmula 1 que haja equilíbrio e que pelo menos duas equipes briguem pelas vitórias e tragam mais emoção à categoria máxima do automobilismo. Mas talvez a Malásia tenha mostrado apenas uma falsa sensação de equilíbrio na F-1. Vamos esperar para ver o que acontece na China. Vamos esperar um pouco mais para ver o que vem pela frente. Vamos torcer para que as coisas não se tornem monótonas e que as corridas não sejam uma chatice. Vamos torcer por disputas acirradas e vitórias alternadas, mas se não for possível, que a culpa não cai sobre a inteligência de quem desenvolveu um carro imbatível.

Relembre as mudanças na Fórmula 1 para 2015

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Em Junho de 2014 foi anunciado pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) um conjunto de mudanças para a temporada da Fórmula 1 deste ano. No Conselho Mundial realizado em Munique, a entidade deliberou, entre diversas medidas, pela volta da relargada parada, realizada após a entrada dos carros de segurança na pista durante a prova.

Entre as mudanças anunciadas pela entidade, esta é a mais importante para o campeonato de 2015. Mas ainda há outras de grande relevância, principalmente as relativas ao uso de motores e possíveis novas punições que trocas indevidas poderão acarretar aos competidores. Segundo as novas regras, com a substituição completa do propulsor, a largada se dará da última posição do grid, não mais dos boxes, local utilizado para a troca de pneus e reabastecimento. Vale destacar que os pneus da Pirelli continuam a ser os oficiais do campeonato, parceria que vem dando certo desde 2011 e que ajuda a desenvolver os produtos da marca que chegam ao mercado, fazendo com que o pneu Pirelli vendido nas lojas tenha um pouco da tecnologia da F-1.

A FIA ainda estabeleceu uma exceção para a nova regra da relargada. Há duas situações em que ela será realizada como anteriormente, com os carros em movimento seguindo o carro de apoio. A primeira é se o safety car entrar na pista com cinco voltas ou menos para o final da prova. A segunda situação é se o carro de segurança for acionado nas primeiras duas voltas.

A aerodinâmica dos carros também foi alvo de mudanças aprovadas no Conselho Mundial, em relação às dimensões dos bicos. O objetivo dessa mudança, segundo a entidade, é melhorar o visual e a segurança. A expectativa é que a temporada fique ainda mais emocionante e equilibrada do que a de 2014.

Título da Fórmula 1 de 2014 termina nas mãos de Lewis Hamilton

Ganhar um beijo de Nicole Scherzinger deve ser bom mesmo que ele seja no capacete! A festa é com a família, a equipe e os amigos mais próximos logo após sair do carro em Abu Dhabi. O circuito de Yas Marina ficou pequeno, porque Lewis Hamilton é o grande campeão da Fórmula 1 em 2014. O ano que a equipe Mercedes dominou completamente como a muitos e muitos anos atrás fazia. Desde de a era histórica e marcante de Juan Manuel Fangio até o seu retorno recente à categoria máxima do automobilismo após uma ausência que deixou saudades. Não teve para ninguém, nem para a Red Bull e tão pouco para a Ferrari. Da McLaren não se viu nem a sombra e até a Williams conseguiu aparecer um pouco mais. A velha história de apenas um carro dominando? Isso não significa que as emoções ficaram de lado, pelo menso para quem gosta muito.

Tudo bem. Foram uma ou duas corridas realmente emocionantes ao longo do ano. Foram apenas três etapas em que um piloto vencedor não foi da equipe Mercedes, sendo que nas três o triunfo foi de Daniel Ricciardo. Mesmo assim Lewis Hamilton e seu companheiro de equipe Nico Rosberg mantiveram a disputa pelo título aberta até a última corrida do ano, e assim seria mesmo que esta última corrida não tivesse a pontuação dobrada. Os nervos estavam à flor da pele, Hamilton via uma possibilidade de perder a taça, mas tudo não passou de apenas um susto. Rosberg deu adeus à qualquer chance quando fez uma péssima largada e mais tarde sairia completamente da disputa quando sua Mercedes lhe deixou na mão pela terceira vez no ano.

O risco de perder seu segundo título na carreira pela bizarra dobra de pontos da última etapa seria decepcionante para Hamilton que festejou de mais com a bandeira do Reino Unido. O título foi mais do que merecido, afinal o inglês venceu mais vezes, venceu quatro atapas seguidas no início do ano e cinco no final. Venceu seis em sete provas. Rosberg jamais em todo o ano conseguiu duas vitórias seguidas. Só não foi mais fácil para Hamilton porque ele abandonou três vezes e foi terceiro duas vezes seguidas. Se não fosse isso o título poderia ter sido garantido até com antecedência sem qualquer ameaça do dobro dos pontos da etapa final.

A Fórmula 1 do motor turbo mudou a cara dos últimos quatro anos. Mas não mudou a cara da Fórmula 1. Salvo algumas exceções, claro, a Fórmula 1 sempre foi mais o carro do que o piloto. Os pilotos de um modo geral são todos excelentes, alguns fazem um pouco a diferença, mas isso no final do campeonato só faz diferença se os carros se equipararem. Como Sebastian Vettel em 2010, por exemplo. Talvez como Hamilton em 2014 também. O inglês só perdeu o título em 2007 pela falta de experiência, era o seu ano de estreia, mas a forma como correu neste domingo em Abu Dhabi provou que a pressão já não faz tanta diferença. O título da Fórmula 1 de 2014 terminou merecidamente nas mãos de Lewis Hamilton.

Assim como em Highlander, só pode haver um

Cabeças não precisaram rolar, para a tristeza da Rainha de Copa. Mas mesmo assim, como no filme Highlander, no final só pode haver um. Apenas um piloto poderá ter o privilégio de se tornar neste domingo o grande campeão da atual temporada de Fórmula 1 de 2014. De um lado está o britânico Lewis Hamilton, do outro está o alemão Nico Rosberg. No GP de Abu Dhabi, aquele que começa durante o dia e termina no início da noite que chega com mais uma volta do planeta, os ânimos estarão à flor da pele e a vontade de cortar a cabeça do rival explodirá em emoções que só mesmo Michael Schumacher poderia mostrar, como fizera em 1997, do que alguém pode ser capaz de fazer em um momento como esse.

Na briga pela pole-position, quem saiu na frente foi Nico. Ele quer igualar o feito do pai e entrar para a história da Fórmula 1. Para tanto precisará vencer e torcer para que seu adversário não termine a corrida na segunda colocação. O ano de 1982 pode ser reescrito por um filho obstinado que jamais desistiu de seu objetivo. A tarefa, no entanto, não será nada fácil, pois Hamilton, campeão em 2008 para a tristeza de Felipe Massa e outros brasileiros equivocados por 30 segundos, vai largar em segundo lugar e promete brigar muito pela vitória para fechar com chave de ouro mais uma conquista na categoria máxima do automobilismo.

No final só poderá haver um. Apenas um dos dois será o grande campeão. Após uma temporada longa e interminável que só mostrou uma coisa durante esse tempo todo: Apenas um carro, a Mercedes, competiu de igual para igual consigo mesmo. Nem Ferrari e nem mesmo a campeã dos últimos quatro anos Red Bull, ninguém teve chance e quem conseguiu chegar quase lá foi a Williams, por incrível que possa parecer. Na Fórmula 1 o carro faz uma diferença imensurável e às vezes o trabalho do piloto fica restrito apenas em decidir se quem levanta a taça é você ou o seu companheiro de equipe que por enquanto ainda está com a cabeça em cima do pescoço.

Que o título da Fórmula 1 se defina no Brasil

Jules Bianchi continua em estado grave e internado, mesmo que o GP de Suzuka já seja passado. Em menos de uma semana todos já estão em Sochi, na Rússia, mas isso não significa que uma reedição das Olimpíadas de Inverno será iniciada. A Fórmula 1 chega pela primeira vez na terra de Stalin para celebrar o fim do comunismo que assombrava a antiga União Soviética. O cenário, mesmo que abalado pelo terrível acidente Marussia, continua exatamente o mesmo que foi durante todo o ano: A briga é da Mercedes e tão somente da Mercedes.

De um lado está Lewis Hamilton e do outro lado Nico Rosberg. Ambos com sede de vitória, ambos lutando prova a prova pela pole-position e principalmente pelas vitórias no final de cada etapa. Eles já se estranharam na pista, nada muito grave como Vettel e Webber no primeiro bom ano da Red Bull, mas de uma jeito que fez os bastidores pegarem fogo como nos bons tempos dos duelos entre Senna e Prost. E agora restando apenas quatro corridas, a dúvida é saber quem realmente merece mais neste reta final do campeonato.

Analisando friamente os resultados ao longo do ano, parece um pouco mais lógico dizer que Hamilton merece mais do que Rosberg. O piloto inglês tem o dobro de vitórias que os seu companheiro de equipe e ambos tem o mesmo número de pódios. A única relevância em relação ao alemão é ele ter conseguido mais vezes o segundo lugar, ou seja, mostrou um pouco mais de regularidade. Em relação a abandonos são três de Hamilton contra dois de Rosberg, sendo que o filho de Keke completou uma prova sem alcançar o pódio quando foi quarto colocado no GP da Hungria.

Hamilton também tem a seu favor o fato de ter vencido de forma consecutiva, algo que até agora Rosberg não conseguiu. A diferença entre os dois é muito pouca e tudo pode mudar nas quatro provas que restam. No fim, independente do que fez ou não, o título ficará em boas mãos, exceto se ele for decidido na última corrida. Com os pontos dobrados no final, e levando em consideração a campanha de Hamilton com mais vitórias até aqui, existe uma possibilidade de Rosberg ser campeão pela bizarra regra de dobrar os pontos na última corrida. Isso seria muito ruim, mesmo que aconteça da forma contrária também. Assim sendo, a esperança é que o título da Fórmula 1 se defina no Brasil.

O dia em que a Mercedes foi Marussia em 2014

Em seis corridas, cinco dobradinhas consecutivas. Apenas um abandono na corrida de abertura, onde a vitória não deixou de ser garantida. Um domínio desconcertante, maior do que o da Red Bull dos últimos anos e caminhando para ser tão grandioso ou ainda maior do que o da McLaren de Ayrton Senna e Alain Prost. Não tinha para ninguém na hora de garantir a pole-position e vencer era só uma questão de completar o número de voltas em cada prova. A disputa passou a ser particular e interna. Os companheiros de equipe brigavam entre si e o resto da categoria brigava pela única posição que lhes restava, a terceira colocação. Mas então algo mais incrível do que Magnussen em segundo lugar aconteceu no Canadá. O avassalador domínio da equipe Mercedes foi interrompido e a vitória acabou ficando com o australiano aguerrido.

Independente de continuar existindo um domínio da equipe Mercedes que não da chance para mais ninguém, a corrida no Canadá estava excelente pois a briga interna entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg está realmente grande e muito interessante. O inglês tem mais vitórias que o alemão, mas o abandono na corrida de abertura do campeonato faz com que ele tenha que correr mais atrás do prejuízo, e muitas vezes de forma desesperada. As suas chances de conseguir superar o companheiro na pista durante a corrida no circuito Gilles Villeneuve e terminar na frente eram grandes e ele até quase conseguiu isso, pelo menos até chegar o momento em que a equipe Mercedes como um todo iria sofrer uma pequena interrupção em seu amplo domínio.

Antes mesmo da segunda parada de ambos, eles já haviam sido avisados que seus carros estavam andando mais como uma Marussia do que como a saudosa Mercedes de Juan Manuel Fangio. E quando Hamilton tomou a ponta, ou melhor, a posição de ponta atrás de Felipe Massa que mais tarde iria fazer com Pérez graça, o seu carro foi literalmente pro espaço. Mais um abandono na conta do campeão de 2008. Massa para e Rosberg dispara, mas com problemas ele também não estava? Era só uma questão de tempo para o seu carro começar a andar para trás, mas logo atrás não vinha mais um mexicano e sim um australiano que batalhou muito desde o começo do ano para conseguir essa façanha. Daniel Ricciardo já foi desclassificado, voltou a pódio como terceiro colocado e agora é finalmente coroado. Graças ao dia da Mercedes-Marussia na Canadá.