All-Star Game da NBA tem mudanças

O NBA All-Star Weekend de 2026, que ocorre entre os dias 13 e 15 de fevereiro, chega ao moderníssimo Intuit Dome, em Inglewood, carregando o peso de ser não apenas uma celebração do talento individual, mas um teste de sobrevivência para a relevância competitiva do evento. Desde sua gênese em 1951, no Boston Garden, o Jogo das Estrelas consolidou-se como o ápice do entretenimento esportivo, servindo de palco para lendas como Kareem Abdul-Jabbar, Michael Jordan e Kobe Bryant transformarem exibições em duelos históricos. No entanto, o brilho dessa tradição tem sido ofuscado nos últimos anos por um desinteresse palpável dos atletas em quadra, resultando em partidas que mais se assemelham a treinos recreativos do que ao confronto dos melhores do mundo. A edição de 2025 foi o ápice desse desgaste: um cenário de pontuações estratosféricas e ausência total de combatividade defensiva que gerou críticas contundentes de fãs e especialistas, forçando a liga a buscar uma reforma estrutural drástica para 2026.

Buscando resgatar a credibilidade da imagem desgastada, a NBA introduz este ano um formato inédito de minitorneio focado na rivalidade geopolítica, dividindo os selecionados em três equipes: duas compostas por astros dos Estados Unidos — o "Time USA Stars" e o "Time USA Stripes" — e uma representando o "Time Mundo". Essa mudança estratégica aposta no orgulho nacional e na crescente dominância global de jogadores estrangeiros para injetar a intensidade que faltou no passado. O sistema de disputa em formato de round-robin, com jogos mais curtos e uma final decisiva, visa eliminar a apatia dos longos períodos de pontuação desenfreada que marcaram os fiascos anteriores. A liga espera que, ao colocar frente a frente a hegemonia norte-americana e a ascensão internacional, o espírito competitivo prevaleça sobre a mera performance coreografada.

Contudo, o espetáculo deste final de semana enfrenta o revés de ausências significativas que podem comprometer o nível técnico esperado. O anfitrião e ícone local Stephen Curry é o desfalque mais sentido devido a uma lesão no joelho, privando o público de sua principal referência no perímetro. A lista de baixas se estende a outros pilares da liga, como Giannis Antetokounmpo, que se recupera de uma distensão na panturrilha, e o atual MVP Shai Gilgeous-Alexander, fora por uma contusão abdominal. Essas lacunas forçam a entrada de substitutos que, embora talentosos, não possuem o mesmo apelo magnético dos titulares originais, colocando uma pressão adicional sobre nomes como LeBron James e Kevin Durant para sustentar o interesse da audiência e a eficácia do novo formato.

A grande incógnita que paira sobre o Intuit Dome é se essa nova tentativa de mudança será capaz de trazer novos ares ou se será apenas mais um experimento cosmético. O sucesso da proposta "EUA contra o Mundo" depende intrinsecamente do compromisso dos jogadores em tratar o evento com o respeito que sua história exige. Se a dinâmica de torneio e a premiação financeira não forem suficientes para motivar o esforço defensivo, o All-Star Game corre o risco de se tornar um anacronismo em uma era onde o fã de basquete demanda autenticidade competitiva. O veredito será dado no domingo, mas o diagnóstico inicial é claro: a NBA está em uma encruzilhada e a bola da vez é a própria honra do esporte.

A busca pela glória em Daytona 500

À medida que o calendário aponta para este domingo, 15 de fevereiro de 2026, os olhares do mundo automobilístico convergem para o asfalto sagrado de Daytona Beach, na Flórida. A sexagésima oitava edição da corrida Daytona 500 não é apenas o marco inicial da temporada da NASCAR Cup Series; ela representa o ápice de uma cultura de velocidade que, há décadas, define a identidade esportiva norte-americana. Conhecida como "The Great American Race", a prova carrega um prestígio que a coloca em um patamar de igualdade simbólica com as joias da Coroa Tripla — as 500 Milhas de Indianápolis, o Grande Prêmio de Mônaco e as 24 Horas de Le Mans. Enquanto Mônaco exala o glamour técnico dos circuitos de rua e Le Mans testa a resiliência humana e mecânica por um dia inteiro, Daytona exige uma bravura singular: a de sustentar velocidades superiores a trezentos quilômetros por hora em pelotões compactos, onde o vácuo é ao mesmo tempo o melhor aliado e o mais perigoso adversário do piloto.

A relevância histórica de Daytona é indissociável das tragédias que moldaram sua evolução. É impossível falar deste oval sem reverenciar a memória de Dale Earnhardt, o "Intimidador", cuja morte na última volta da edição de 2001 transformou radicalmente os protocolos de segurança do esporte, introduzindo dispositivos como o HANS e barreiras de absorção de impacto que salvaram inúmeras vidas desde então. A sombra dos heróis do passado, como Richard Petty e Cale Yarborough, paira sobre o grid de 2026, lembrando aos quarenta competidores que vencer aqui garante a imortalidade esportiva. Para a corrida deste domingo, as expectativas são superlativas, alimentadas por um equilíbrio técnico raramente visto, onde a estratégia de combustível e a harmonia entre as alianças de fabricantes — Chevrolet, Ford e Toyota — ditarão o ritmo das 200 voltas previstas.

O cenário de 2026 apresenta narrativas fascinantes. Kyle Busch, que garantiu a pole position em uma classificação emocionante na última quarta-feira, surge como um dos grandes protagonistas. Após anos de tentativas frustradas e o título da Cup Series no currículo, a conquista da Harley J. Earl Trophy permanece como a última grande lacuna em sua galeria de troféus. Entretanto, a tarefa não será simples. William Byron, da Hendrick Motorsports, entra na pista com a ambição histórica de buscar o tricampeonato consecutivo na prova, um feito que consolidaria sua geração como uma das mais dominantes da era moderna. A Joe Gibbs Racing, liderada pelo veterano Denny Hamlin — um mestre na arte de ler o vácuo em superspeedways —, desponta como a equipe a ser batida em termos de ritmo de corrida, buscando retomar o topo do pódio que Hamlin já visitou em três ocasiões.

Pelo lado da Ford, a Team Penske mantém sua tradição de excelência em ovais de alta velocidade. Ryan Blaney e Joey Logano são figuras constantes nas frentes de batalha, utilizando-se de uma disciplina tática que frequentemente coloca seus carros em posição de vitória nos metros finais. Não se pode ignorar, contudo, a imprevisibilidade intrínseca a Daytona; nomes como Kyle Larson, atual campeão da categoria, e Chase Elliott possuem a habilidade técnica necessária para capitalizar sobre qualquer instabilidade do pelotão. O evento deste domingo promete ser uma demonstração de força bruta e inteligência estratégica, reafirmando que, apesar das mudanças tecnológicas, a Daytona 500 permanece como o teste definitivo de nervos e precisão, onde a glória e o perigo caminham lado a lado até a linha de chegada.

O que esperar da nova Fórmula 1 em 2026

A temporada de 2026 da Fórmula 1 desponta como um dos marcos mais profundos na história do automobilismo contemporâneo, assinalando não apenas o início de um novo ciclo técnico, mas uma reconfiguração completa das forças que compõem o grid. O entusiasmo que envolve este ano decorre da implementação de um regulamento em disputa, focado em sustentabilidade e maior competitividade, que forçou todas as equipes a projetarem seus carros do zero. O pontapé inicial desse novo capítulo ocorre com os testes de pré-temporada no Bahrein, realizados em duas baterias cruciais em fevereiro, entre os dias 11 e 13, e 18 e 20. Essas sessões de pista são o primeiro momento em que as inovações teóricas enfrentam a realidade do asfalto, revelando se as promessas de carros mais ágeis e disputas mais acirradas se concretizarão.

As mudanças regulamentares para 2026 são drásticas e visam tornar os carros menores, mais leves e aerodinamicamente eficientes. Com uma redução significativa no entre-eixos e na largura, os novos monopostos perdem o arrasto excessivo das gerações anteriores e introduzem a aerodinâmica ativa, com asas móveis dianteiras e traseiras que se ajustam para otimizar a velocidade em retas e a estabilidade em curvas. No coração desses veículos, as unidades de potência agora operam com uma divisão equilibrada de 50% de energia proveniente da combustão e 50% de energia elétrica, utilizando combustíveis 100% sustentáveis. Essa nova configuração motorizada extingue o tradicional sistema DRS como o conhecíamos, substituindo-o por modos de potência que exigem uma gestão de energia muito mais estratégica por parte dos pilotos.

O cenário competitivo ganha um novo fôlego com a expansão do grid para onze equipes, graças à chegada da Cadillac, que estreia utilizando motores Ferrari enquanto prepara sua própria tecnologia para o futuro. Além disso, a Audi assume formalmente as operações da antiga Sauber, entrando no esporte como uma equipe de fábrica completa, com chassi e motor próprios. Outra movimentação técnica de peso é o retorno da Ford, que se alia à Red Bull Powertrains para fornecer as unidades de força da equipe austríaca. Essas novas parcerias e fabricantes adicionam uma camada de incerteza às previsões, pois o domínio técnico estabelecido em anos anteriores pode ser facilmente subvertido por quem melhor interpretou as entrelinhas das novas regras.

No que tange aos protagonistas das pistas, as expectativas são elevadas para os pilotos que enfrentam desafios inéditos em suas carreiras. Lewis Hamilton, que agora veste o macacão vermelho da Ferrari, busca o tão almejado oitavo título mundial em um ambiente completamente novo, ao lado de Charles Leclerc. Lando Norris e a McLaren, que encerraram o ciclo anterior em ascensão, entram como fortes candidatos a manter a hegemonia, enquanto Max Verstappen, agora impulsionado pela tecnologia Red Bull-Ford, permanece como a referência a ser batida. Entre as possíveis surpresas, os holofotes se voltam para o jovem brasileiro Gabriel Bortoleto, que faz sua estreia na Audi com a responsabilidade de liderar o projeto alemão em sua fase embrionária, e para George Russell, que assume definitivamente o papel de líder na Mercedes em busca de recolocar as Flechas de Prata no topo do pódio.

Esta nova era da Fórmula 1 promete um espetáculo mais dinâmico, onde a habilidade individual e a inteligência estratégica na gestão dos recursos do carro serão determinantes. Com carros que privilegiam a proximidade nas disputas e motores que simbolizam o futuro da indústria automotiva, a temporada de 2026 não é apenas uma continuação do esporte, mas uma reinvenção necessária. O equilíbrio entre as equipes veteranas e as novas entrantes, somado à imprevisibilidade técnica das novas regras, sugere que o campeonato deste ano será um dos mais abertos e fascinantes das últimas décadas, reafirmando a categoria como o ápice da engenharia e da competição humana.