Campeões 2021: Novak Djokovic

Em um passado recente o tenista americano Pete Sampras chegou aos incríveis 14 títulos de Grand Slam no tênis. O até então recorde era um número mágico, grandioso e parecia até que não seria superado tão cedo. O tempo, no entanto, acabou passando rápido demais e logo surgiram três jogadores para dominar o circuito de uma forma jamais vista na história. Federer, naturalmente por ser mais velho que Nadal e Djokovic, foi o primeiro que superou Sampras e logo foi aumentando seu recorde e chegando ao número inacreditável de 20 taças. Mas não demorou muito para Nadal igualar ele em 2020 e, agora em 2021, Djokovic se aproxima com força chegando ao seu Grand Slam 18 depois de conquistar mais uma vez em sua carreira o Aberto da Austrália, onde jamais perdeu uma decisão.

Nove finais e nove conquistas para Djokovic na terra do canguru. Lá ele domina, assim como Federer dominou na grama de Wimbledon onde ganhou oito vezes e assim como Nadal domina no saibro de Roland Garros, onde ganhou nada a menos do que 13 vezes. Para o espanhol, que já ganhou Olimpíadas, pesa um pouco o fato de que seu trunfo seria vencer "só" no saibro, mesmo que já tenha ganhado em todos os outros. Na Austrália ele só venceu uma vez, mas tanto Federer quanto Djokovic só venceram uma vez na França, e nunca venceram Olimpíadas. Federer tem prata e Djokovic bronze. Sampras nunca ganhou Roland Garros também, então essa parece ser a sina dos recordistas, alcançar um número de conquistas tão alto e impactante, mas saber que não é totalmente dominante.

A nona conquista de Djokovic no Aberto da Austrália veio em uma quadra chamada de Rod Laver. A homenagem é ao jogador australiano que até hoje é o único que venceu os quatro títulos de Grand Slam no mesmo ano. Ao todo ele tem 11 conquistas, mas elas se dividem entre antes de depois da Era Aberta. A conquista dos quatro maiores torneios de tênis no mesmo ano aconteceu duas vezes se uma já não fosse bastante, e elas foram justamente uma antes e uma depois da Era Aberta, para não ficar dúvidas. Esse talvez fosse o grande trunfo para Djokovic se diferenciar dos demais caso venha a superá-los no número total de Grand Slam, mas será que ele será capaz de passar por Nadal em Roland Garros? A briga entre eles será intensa nos próximos anos, e certamente Federer ficará para trás assim como já ficou Sampras um dia.

Campeãs 2021: Naomi Osaka

Foi em uma quinta-feira, no dia 18 de fevereiro de 2021, na Rod Laver Arena, a quadra central do Melbourne Park, que todos os anos recebe o primeiro Grand Slam de tênis de cada ano. Não era normal, no entanto, ver o Aberto da Austrália acontecendo no segundo mês do ano ao invés do primeiro, mas compreensível devido à pandemia de Covid-19 que obrigou os jogadores a continuarem tendo que chegar lá no mês de costume para fazer o quarentena obrigatória. O público também era limitado, e poucos deles estavam lá naquele dia vendo a veterana Serena Williams. Eles testemunharam aquilo que muitos chamaram de derradeiro final da tenista americana, talvez não um fim definitivo como uma aposentadoria, mas provavelmente um final esperado onde nunca mais ela será a mesma, tal como sua irmã Venus que joga até hoje, mas não chega à lugar nenhum como tantas vezes chegou no passado recente. Que bom para a japonesa Naomi Osaka. Ela atropelou, chegou na final e foi campeã, mas será que ela é tão boa assim?

Ela tem apenas 23 anos, muito chão pela frente e muitas oportunidades de provar o seu talento. Mas ainda falta muito para Osaka, principalmente na grama e no saibro. A representante do Japão sempre chega, porém nunca consegue passar da terceira rodada em Roland Garros e em Wimbledon. A seu favor, no entanto, um fato curioso é que sempre que chegou na quarta rodada de um torneio de Grand Slam ela não perde até levantar a taça. Na contrapartida vem o fato que isso só aconteceu quatro vezes até hoje, e apenas uma vez em cada ano. Tudo começou em 2018, quando ganhou da Serena lá na casa dela em Nova York e levou o US Open pela primeira vez. Em seguida já faturou seu primeiro Aberto da Austrália, mas desacelerou e ficou até o final de 2020 e começo de 2021 para repetir a dobradinha de conquistas nas quadras duras dos Estados Unidos e da Austrália.

Pobre Jennifer Brady, ela quase não tem chances contra a japa que aniquilou Serena Williams e que não perde de jeito nenhum a partir da quarta rodada de um torneio de Grand Slam. Naomi Osaka fatura pela segunda vez o Aberto da Austrália, novamente depois de ter vencido o US Open do ano anterior. Tudo muito bom, tudo maravilhoso, mas a vida segue. É preciso mostrar um pouco mais no saibro, na grama, ou até mesmo vencer mais um Grand Slam no mesmo ano pelo menos. Com um pouco mais de regularidade ela tem talento e potencial para dominar o circuito, o ranking e as rivais, a mesmo que não tenha sido o fim de Serena, que a americana reaja e consiga dar o troco na japonesa. Isso parece bem difícil de acontecer, principalmente se Osaka já tiver passado da terceira rodada.

Bayern, a máquina de vencer

No mundial de clubes da FIFA de 2020, que foi realizado apenas em 2021, o Tigres parecia um Leão. Só faltou mesmo rugir um pouco mais pois na grande decisão não havia um outro animal feroz para enfrentá-los, e sim uma máquina de vencer chamada Bayern de Munique. O time alemã tem jogado em uma sintonia tão perfeita que parece estar no piloto automático. A impressão que fica é que eles vencem sem fazer muita força. Foram seis títulos na temporada, ou seja, ganharam tudo que veio pela frente. Igualaram aquele Barcelona que, por sua vez tinha a seu favor um jeito de jogar chamado de "joga bonito" por muitos. O Bayern é mais sistemático, tem seus craques como Lewandowski, que ganhou melhor jogador do mundo, mas é visto mais como um time, um coletivo, uma equipe imbatível que marca gols em todos os jogos a pelo mesmo um ano. Isso é coisa de robô!

Por culpa de uma pandemia jamais vista por essa geração. As datas atrasadas e esquisitas, o público limitado e a falta de uma cobertura melhor da mídia fizeram com este Mundial de clubes fosse meio chato e triste. Nem o fato de ser no Catar, a sede da Copa do Mundo do ano que vem, ajudou muita coisa. A Copa será apenas no final do ano e parece que não terá um visual muito interessante, tem tudo para ser uma Copa "chata". O Bayern "achou" lá um gol contra o Tigres que parecia um Leão feroz e queria por tudo surpreender e ser o primeiro campeão mundial não europeu ou sul-americano. O VAR ajudou e alguns ainda dizem que houve irregularidade e que o gol não deveria ter sido validado. Quem sabe uma decisão por pênaltis poderia mudar essa história, ou a máquina Bayern iria dar um jeito de "achar" outro gol antes do apito final.

No mundial "chatinho" do Catar estava lá também um time do Brasil. O Palmeiras foi campeão da Libertadores jogando no Brasil e contra um time brasileiro. Parecia decisão de campeonato nacional, mas valeu vaga para fazer turismo no país da Copa. Nenhum gol marcado e o amargo quarto lugar depois de perder na decisão de pênaltis. Se o Tigres não tivesse sido um Leão neste Mundial de clubes da FIFA, então talvez o Palmeiras pudesse ter tido uma chance de ser o finalista, mas nesse caso a chance de ver uma esperada goleada do Bayern que acabou não saindo fosse ainda maior, um fato que não mudaria muito a forma como vemos o Bayern de Munique, uma máquina robótica e sistemática, um time chato, mas vencedor. Eles são uma máquina de vencer.

Campeões 2021: Tampa Bay Buccaneers

Quando Tom Brady alcançou o seu sexto título de Super Bowl após nove decisões junto ao New England Patriots, parecia que ele havia conseguido a prova incontestável de seu imenso talento. É como se o número seis fosse uma meta justa para não haver dúvidas, e tem haver com os seis título de Michael Jordan na NBA com o Chicago Bulls. Claro que futebol americano não tem nada haver com o basquete, mas de uma forma geral os esportes nos Estados Unidos andam juntos, são os chamados esportes americanos e eles todos brilham em uma mesma intensidade. Depois disso a idade seguiu avançando e, vendo seu principal astro ficando um pouco para trás com seus 42 anos, o Patriots resolveu que não ia renovar o contrato com Brady e o viu indo para outro time, porque mesmo chegando aos 43 anos de idade ele achava que ainda faltava mais um capítulo para ser escrito em sua história incrível.

O Patriots deve ter se arrependido, pois nem chegar aos playoffs eles conseguiram. Enquanto isso o Tampa Bay Buccaneers, novo time de Tom Brady que não ficou apenas com o quarterback como seu novo jogador, eles investiram em mais atletas que fazem a diferença, ia fazendo sua caminhada melhor do que qualquer um poderia esperar na temporada regular. Quando os playoffs se tornaram uma realidade, eles estavam extremamente contentes, mas conseguiram ir além. Vitórias atrás de vitórias, algumas bem simples e até mesmo sendo vista mais como uma dificuldade do rival em conseguir jogar melhor do que consigo mesmo jogando de um jeito imbatível. Mas isso não importava, pois os adversários iam caindo, incluindo até o Green Bay Packers do MVP da temporada Aaron Rodgers. Assim chegaram ao Super Bowl, de um jeito que jamais havia acontecido antes na história.

O jogo deveria ser em Los Angeles, no SoFi Stadium, casa do Los Angeles Rams e do Los Angeles Chargers. Isso faria com que a chamada "Maldição do dono da casa do Super Bowl" pudesse ser mantida, onde jamais o dono do estádio escolhido previamente para o Super Bowl consegue chegar ao Super Bowl. Mas o que aconteceu foi que o estádio não ficaria pronto para ser sede do Super Bowl, em uma escolha que havia acontecido em 2016. Então resolveram, em 2017 (muito antes do Buccaneers sonhar com Tom Brady) escolher o outro finalista da disputa, que era o Raymond James Stadium, casa do Tampa Bay Buccaneers. Essa reviravolta na escolha do local acabou colocando um final na "Maldição" depois que o Buccaneers, com Tom Brady e outros grandes jogadores que chagram para essa temporada, conseguiu de maneira surpreendente e pouco esperada pela maioria, chegar ao Super Bowl em seu próprio estádio. Isso já seria incrível, mas ficou ainda mais quando eles conseguiram vencer o adversário que era o todo poderoso e atual campeão Kansas City Chiefs.

Foi como se Patrick Mahomes não tivesse nem visto a cor da bola. Foi o que costumam chamar de massacre, pelo placar de 31 a 9. Geralmente os jogos de Super Bowl são assim, placares elásticos e massacrantes ou equilíbrios incríveis com vitórias nos segundos finais de maneiras inacreditáveis. Foi a chamada aula de Tom Brady, um veterano de 43 anos de idade que sabe mais do que nunca o que está fazendo com aquela bola oval. Um jogador que disputou o Super Bowl pela décima vez em sua carreira interminável que não tem data para acabar. O quarterback monstruoso que alcançou o sétimo título da sua carreira e provou que não estava acabado, que merecia ter tido seu contrato renovado com o Patriots e que mereceu uma chance de continuar seguindo em frente com o Tampa Bay Buccaneers. E é por isso que Tom Brady já é um dos maiores nomes do esporte em 2021.

Super Bowl em casa e o fim da Maldição

No futebol normal, sem ser o futebol americano, teremos a final da Taça Libertadores da América sendo disputado em jogo único no estádio do Maracanã. O duelo irá reunir no Rio de Janeiro dois times de São Paulo: Palmeiras e Santos. A ironia de não ter o Flamengo jogando em casa um ano após ter sido campeão do mesmo torneio pode, incluindo a final do ano passo realizada no Chile entre um time brasileiro e um argentino, ter dado início à uma Maldição que o futebol americano vive a muitos a muitos anos no Super Bowl. Desde que a grande final da bola oval começou a ser disputada, jamais em toda a história o time da casa, ou seja, o dono do estádio escolhido para a decisão, conseguiu chegar lá. Tudo pelo menos até este ano de 2021, quando finalmente, indo contra todos os prognósticos, finalmente o time dono da casa escolhida para o Super Bowl conseguiu chegar lá.

Quem alcançou esta façanha inédita foi o Tampa Bay Buccaneers. Eles derrotaram o Green Bay Packers e estão no Super Bowl 55, que será disputado no Raymond James Stadium, casa do Bucs e previamente definido para ser o Super Bowl deste ano já a algum tempo, como sempre acontece. Fundado em 1976, o Buccaneers foi campeão do Super Bowl em 2002, sendo aquela até então a única vez que haviam sido campeão da Conferência. Este retorno triunfal, talvez nem tão esperado pelos maiores fãs da equipe, pode ser creditado em grande parte pela aquisição de Tom Brady, um dos maiores quarterbacks da história que deixou o New England Patriots, time onde jogou por 20 anos e conquistou seis títulos de Super Bowl. O veterano jogador segue dando trabalho aos 43 anos de idade.

O fato do Buccaneers ter conseguido quebrar a Maldição de jogar o Super Bowl em casa reflete um pouco tudo o que vem acontecendo nos últimos anos, com os times donos dos estádios chegando cada vez mais perto de conseguir essa façanha. No passado o primeiro a chegar quase lá foi o Miami Dolphins de 1970, que só voltou a ter a mesma chance em 1994 e 1998, sendo que neste período todo quase ninguém sequer sonhou. Mas as coisas mudaram a partir de 2014, com Arizona Cardinals e depois em 2016, com o Houston Texans, que foram elimiados pelo Patriots campeão daquele ano. A última foi já no ano seguinte, com o Minnesota conseguindo chegar até a final da Conferência, mas sendo atropelado pelo Eagles que depois também levou o caneco. A Maldição era tão grande que somente oito times donos do estádio onde seria o Super Bowl chegaram aos playoffs, os outros 44 foram eliminados na fase de classificação.

A vida do Buccaneers, no entanto, não será fácil mesmo após ter quebrado está grande maldição do time dono da casa do Super Bowl. Pela frente eles terão que enfrentar ninguém menos do que o atual campeão da NFL Kansas City Chiefs, de Patrick Mahomes que está jogando muita bola oval. E se não bastasse o grande rival, ainda tem o problema da pandemia de Covid 19, que deixou o público no estádio limitado. Quando finalmente um time chega na final jogado em seu estádio, ele não terá o apoio total do torcedor lotando as arquibancadas. Com isso resta saber se o primeiro time a jogar em casa o super Bowl também será o primeiro campeão do Super Bowl em seu estádio, mas se isso não acontecer então após o fim da Maldição do dono do estádio nunca chegar ao Super Bowl, permanecerá a do dono do estádio nunca ser campeão.