Jeanie tenta impedir venda total do Lakes

O Los Angeles Lakers vivem um dos momentos mais turbulentos e decisivos de sua história fora das quadras com o anúncio de um acordo recorde de venda da franquia pelo valor astronômico de 12,5 bilhões de dólares. A transação, que se confirmada será a maior da história do esporte mundial, envolve a transferência do controle acionário das mãos do bilionário Mark Walter para um grupo de investidores liderado por Bob Iger, ex-CEO da Walt Disney, e Josh Kushner, fundador da gestora Thrive Capital. O negócio ocorre menos de um ano após Mark Walter ter comprado a participação majoritária da própria família Buss por 10 bilhões de dólares, mas investigações federais e fiscais envolvendo os negócios de Walter aceleraram sua decisão de se desfazer da equipe. O novo grupo comprador, que inicialmente negociava a criação de uma franquia de expansão da NBA em Las Vegas, aproveitou a oportunidade para adquirir 83% das ações do Lakers em uma operação relâmpago negociada em apenas três dias.
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O grande estopim da crise interna gira ao redor dos 17,8% restantes das ações que ainda pertenciam ao trust da família Buss. Em uma manobra para encerrar definitivamente a era da família na franquia, cinco dos seis irmãos Buss votaram a favor da venda de toda a fatia remanescente para o grupo de Iger e Kushner. Essa movimentação, no entanto, desencadeou uma guerra jurídica severa liderada pela atual governadora da equipe, Jeanie Buss. Pelas regras rígidas da NBA, o governador da franquia precisa possuir ao menos 15% das ações do time para exercer o cargo com autoridade. Com a venda total da participação familiar, Jeanie perderia automaticamente o comando operacional e a representação do Lakers no conselho da liga, encerrando uma dinastia familiar iniciada por seu pai, Jerry Buss, em 1979.
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Inconformada com a atitude dos irmãos, Jeanie Buss acionou judicialmente seus advogados para contestar e anular o parecer da família. A defesa de Jeanie argumenta que a votação dos irmãos é legalmente inválida por descumprir os regulamentos do fundo familiar e violar uma ordem judicial de 2017 que garante a ela o papel de governadora vitalícia da franquia. Jeanie alega que a venda forçada fere os desejos históricos de seu pai e acusou seus irmãos de vazarem informações falsas à imprensa para pressionar sua saída. Enquanto os irmãos justificam a venda como uma oportunidade financeira irrecusável e um momento de saída graciosa, Jeanie promete ir até as últimas instâncias nos tribunais para impedir a alienação da fatia familiar antes que o conselho de governadores da NBA se reúna em setembro para votar a aprovação final do novo grupo proprietário.

Adeus ao jogador que mudou a cirurgia

O mundo do beisebol se despede de uma de suas figuras mais marcantes e revolucionárias. O ex-arremessador Tommy John faleceu aos 83 anos de idade em sua residência em Lakewood Ranch, na Flórida. Ele partiu cercado pelo afeto de sua esposa, Cheryl, de seus filhos e familiares próximos, que enfrentam este momento com profunda tristeza. O ex-atleta vinha enfrentando complicações de saúde decorrentes da reincidência de um câncer de bexiga, o que o levou a estar sob cuidados paliativos em seus últimos dias. Pouco de falecer, demonstrando gratidão e serenidade, Tommy enviou uma emocionante carta de despedida aos torcedores e à organização do New York Yankees.
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Nascido em Terre Haute, Indiana, o canhoto iniciou sua trajetória no beisebol profissional em 1963, vestindo a camisa do Cleveland Indians. Ao longo de impressionantes 26 temporadas na Major League Baseball (MLB) — uma marca de longevidade superada por pouquíssimos atletas na história —, ele defendeu também as cores do Chicago White Sox, Los Angeles Dodgers, California Angels, Oakland Athletics e New York Yankees. Nos Yankees, onde teve duas passagens e tornou-se um dos pilares da rotação de arremessadores, Tommy John viveu momentos mágicos e conquistou o carinho eterno da torcida. Em sua vitoriosa carreira, acumulou 288 vitórias, mais de 2.200 strikeouts, uma média de corridas cedidas (ERA) de 3.34 e quatro seleções para o All-Star Game da MLB.
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No entanto, o capítulo mais impactante de sua jornada aconteceu em 1974, quando atuava pelo Los Angeles Dodgers. Aos 31 anos, no auge da forma, ele rompeu o ligamento colateral ulnar do cotovelo esquerdo — uma lesão que, até então, significava o fim definitivo da carreira de qualquer arremessador. Em uma decisão corajosa, aceitou se submeter a um procedimento cirúrgico experimental conduzido pelo médico Dr. Frank Jobe, que substituiu o ligamento rompido por um tendão do seu próprio antebraço. Contra todas as probabilidades da época, a cirurgia foi um sucesso retumbante. Após perder a temporada de 1975 para se recuperar, o canhoto retornou aos gramados e jogou por mais 14 anos, conquistando 164 vitórias após o procedimento.
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O pioneirismo daquele momento transformou a cirurgia de reconstrução ligamentar, batizada eternamente como "Cirurgia Tommy John", em um dos avanços mais vitais da medicina esportiva. O procedimento já salvou e prolongou as carreiras de milhares de arremessadores em todo o planeta, desde jovens promessas até superestrelas modernas. O legado que Tommy John deixa para a MLB ultrapassa os impressionantes números e vitórias anotados em sua súmula: ele será para sempre lembrado como o símbolo máximo de resiliência, coragem e inovação que mudou para sempre a história do beisebol.

Boxeador morre após 11 anos de luta

O mundo dos esportes de combate está em luto após a confirmação do falecimento do ex-boxeador porto-riquenho Prichard Colón, aos 33 anos. A notícia foi confirmada por seu pai, Richard Colón, encerrando uma dolorosa e corajosa batalha de mais de uma década contra as sequelas irreversíveis de uma lesão cerebral traumática sofrida dentro do ringue. A causa de sua morte decorre de complicações de longo prazo ligadas ao hematoma subdural sofrido em 2015, trauma que o manteve em coma por 221 dias e, posteriormente, em estado vegetativo sob os cuidados dedicados e ininterruptos de sua família.
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A comoção tomou conta das principais organizações do boxe e de fãs ao redor do mundo. A Organização Mundial de Boxe (WBO) manifestou profundo pesar, destacando que a bravura e o espírito guerreiro de Colón transcenderam os limites do esporte, enquanto a WBC e a WBA também prestaram homenagens ao atleta, classificando-o como um exemplo de resiliência e amor familiar incondicional. Para compreender a dimensão da tragédia, é preciso voltar a 17 de outubro de 2015, na cidade de Fairfax, Virgínia. Aos 23 anos, Prichard Colón era tido como uma das promessas mais brilhantes da categoria super meio-médio, acumulando um cartel invicto de 16 vitórias, sendo 13 por nocaute.
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Naquela noite, ele enfrentou o norte-americano Terrel Williams em um combate tenso. Durante o confronto, Colón foi atingido repetidamente por "rabbit punches" — golpes ilegais desferidos na parte traseira da cabeça e na base do crânio. Apesar dos alertas de Colón ao árbitro sobre as infrações, o combate prosseguiu. No nono assalto, confuso e sentindo fortes tonturas e náuseas, seu canto retirou suas luvas por engano antes do tempo, resultando em sua desqualificação. Minutos depois, no vestiário, Colón desmaiou e começou a vomitar, sendo levado de urgência ao hospital, onde passou por uma cirurgia de emergência para conter o sangramento no cérebro. Após passar 221 dias em coma, ele acordou sem conseguir andar ou falar, necessitando do auxílio de softwares de rastreamento ocular e de cuidados em tempo integral para realizar qualquer tarefa diária.
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O chocante episódio provocou um forte debate ético e institucional sobre as regras de arbitragem e a proteção aos atletas. Como resposta direta ao ocorrido, o Conselho Mundial de Boxe (WBC) implementou a "Regra Prichard Colón" (Prichard Colón Rule), que adotou uma política de tolerância zero contra golpes na nuca. A norma exige que os árbitros alertem expressamente os lutadores e treinadores sobre os riscos fatais dessa infração ainda no vestiário e interrompam a luta imediatamente ao primeiro sinal de golpe na região da nuca, aplicando advertências formais, perda de pontos obrigatória e desqualificação sumária em caso de reincidência.
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A trajetória de Prichard Colón escancara os riscos extremos inerentes ao boxe, onde a linha entre o triunfo e a tragédia neurológica é extremamente tênue. Além de pavimentar reformas vitais na segurança do esporte, o maior legado deixado por Colón reside na humanização do atleta e no poder do amor incondicional demonstrado por sua família — em especial sua mãe, Nieves, e seu pai —, que dedicaram cada dia dos últimos 11 anos para oferecer-lhe dignidade, carinho e esperança.