Djokovic pode estar próximo do fim

O Arthur Ashe Stadium testemunhou um daqueles cenários que pareciam impossíveis para qualquer amante do tênis. Novak Djokovic, dono de 24 títulos de Grand Slam, foi eliminado na primeira rodada do US Open ao cair diante do argentino Mariano Navone por 3 a 2, com parciais de 7/6 (5), 5/7, 4/6, 6/2 e 6/1. O confronto transformou-se em uma batalha exaustiva e dramática de quatro horas e 36 minutos. Enfrentando um calor escaldante e forte umidade, o sérvio viveu momentos de colapso físico, vomitou em quadra, sentiu dores nas costas e na perna e precisou de múltiplos atendimentos médicos. Remedioso, massagens na lombar e uma visível debilidade física não impediram que ele ainda arrancasse forças para virar o jogo e liderar por dois sets a um. Contudo, o desgaste implacável cobrou seu preço nos dois sets finais, onde Djokovic, emocionado e chorando em quadra diante da multidão atônita, não conseguiu reagir contra o ritmo do jovem adversário.
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A queda precoce interrompe uma invencibilidade histórica e inacreditável. Foram necessários 20 anos e uma sequência avassaladora de 78 vitórias consecutivas em estreias de Grand Slam para que o sérvio voltasse a sentir o gosto amargo de cair logo na primeira rodada — feito que não acontecia desde o Australian Open de 2006. Além disso, a derrota paralisa sua contagem de vitórias no US Open em 95 triunfos, deixando-o a apenas três de igualar a marca histórica de Jimmy Connors, que soma 98 vitórias no torneio nova-iorquino. Djokovic, que ostentava o posto de jogador com maior domínio e vitórias em estreias na história dos Majors, viu sua blindagem lendária ruir em uma noite dolorosa em Nova York.
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Diante de tamanha fragilidade física e da imagem marcante de um gigante chorando enquanto o corpo não respondia mais aos comandos de sua mente genial, a pergunta inevitável ecoa pelo mundo do tênis: estará a aposentadoria do maior vencedor da história finalmente batendo à porta? Aos 39 anos, Djokovic continua desafiando a biologia, mas os sinais de desgaste e as batalhas contra o próprio corpo tornaram-se mais frequentes. Embora sua competitividade feroz ainda o mantenha entre os melhores do planeta, noites como esta deixam transparecer que a linha entre a glória e o fim da jornada nunca esteve tão tênue.

Recorde mundial dos 400m com barreiras

O atletismo mundial testemunhou um momento histórico na pista do Estádio Letzigrund, durante a etapa de Zurique da Diamond League nesta quinta-feira dia 27 de agosto de 2026. Em uma exibição sublime de velocidade, técnica e compostura, o brasileiro Alison dos Santos superou os limites do impossível ao vencer os 400 metros com barreiras cravando incríveis 45s80. Ao derrubar a antiga marca de 45s94 — estabelecida pelo norueguês Karsten Warholm —, Alison quebrou o recorde mundial por 14 centésimos, e ainda se tornou o primeiro homem na história a correr a prova abaixo dos 45,90 segundos.
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O feito provocou uma onda imediata de celebração e reverência na imprensa internacional. Veículos especializados e analistas de todo o mundo destacaram a corrida perfeita de "Piu", apelido carinhoso pelo qual o paulista é conhecido, que superou ninguém menos que o próprio Warholm na mesma pista. O norueguês reconheceu publicamente a magnitude da marca, ressaltando que o brasileiro levou a modalidade a um patamar completamente novo. A façanha ganha contornos ainda mais lendários para o esporte nacional por quebrar um jejum histórico: o Brasil não celebrava um recorde mundial em provas de pista do atletismo masculino desde a era de Joaquim Cruz e Robson Caetano nas décadas de 1980 e 1990, recolocando o país no topo absoluto das pistas globais.
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A conquista é o ápice de uma jornada de vida marcada por uma resiliência fora do comum. Natural de São Joaquim da Barra, no interior de São Paulo, Alison sofreu um grave acidente doméstico aos dez meses de idade, quando uma panela de óleo quente caiu sobre ele. O episódio deixou cicatrizes profundas em sua cabeça, braço e peito, além de meses de internação hospitalar. A timidez causada pelas marcas na infância foi gradualmente superada nas pistas de atletismo, onde seu talento precoce e seus 2,00 metros de altura encontraram o ambiente perfeito para florescer.
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Essa consagração com o recorde mundial reflete a evolução constante de um atleta que aprendeu a dominar a elite internacional. Alison já acumulava um currículo de respeito, tendo conquistado o título de Campeão Mundial em Eugene 2022 e subido ao pódio olímpico com medalhas de bronze em Tóquio 2020 e Paris 2024. O que antes parecia um teto em uma das eras mais competitivas da história dos 400m com barreiras transformou-se em total domínio da prova.
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Com a marca de 45s80, o brasileiro se estabelece como a força dominante de sua geração. O resultado projeta expectativas máximas para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, onde Alison chegará no auge de sua maturidade física e mental como o homem a ser batido, pronto para buscar o ouro olímpico que falta em sua vitoriosa coleção e consolidar de vez seu nome entre os imortais do esporte.

Vai começar o US Open de tênis em NY

O US Open no USTA Billie Jean King National Tennis Center, em Queens, é a síntese perfeita da energia nova-iorquina transportada para as quadras de tênis. Tradicionalmente o último Grand Slam do ano, o torneio traz um espetáculo elétrico que vibra na mesma intensidade das luzes da Times Square e do movimento ininterrupto das linhas do metrô. Sua história remonta a 1881, tendo começado em gramados exclusivos de Rhode Island antes de passar pelo saibro e se consolidar no piso duro de Flushing Meadows, sendo o único Major a ter sido jogado em três superfícies diferentes. A competição carrega o espírito pioneiro da própria cidade de Nova York: foi o primeiro Grand Slam a instituir a igualdade na premiação entre homens e mulheres em 1973 e a transformar partidas sob os holofotes noturnos em um evento cultural imperdível.
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Neste ano de 2026, a atmosfera ao redor dos quadros principais atinge seu ápice com favoritos bem definidos no topo do tênis mundial. Carlos Alcaraz desponta no masculino como o principal nome a ser batido, trazendo a versatilidade e a intensidade física ideais para a velocidade das quadras nova-iorquinas depois de sua ausência em Roland Garros e Wimbledon, enfrentando a concorrência feroz da longevidade de Novak Djokovic e de novos nomes do circuito já que Jannik Sinner estará fora. Entre as mulheres, a defesa do título e o favoritismo dividem atenções com estrelas como Aryna Sabalenka e Coco Gauff, esta última a grande favorita da torcida local que adota a Quadra Arthur Ashe com um fervor comparável aos gritos nas arquibancadas do Yankee Stadium.
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No entanto, nenhuma história em Flushing Meadows ressoa com tanta força quanto o retorno icônico da lendária parceria entre as irmãs Venus e Serena Williams no torneio de duplas. A presença das lendárias campeãs evoca a imponência e a longevidade do Empire State Building, relembrando o domínio absoluto da família Williams ao longo das últimas décadas. Cada entrada em quadra da dupla carrega um simbolismo histórico, transformando o complexo em um verdadeiro palco da Broadway, onde o esporte e o entretenimento de alto nível se fundem.
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A integração entre o campeonato e a metrópole ganhou um capítulo social marcante para esta edição. Em uma iniciativa inédita com a prefeitura da cidade, foram garantidos ingressos com desconto exclusivo de US$ 100 dedicados aos moradores de Nova York, permitindo que a comunidade local acompanhe de perto as rodadas no Arthur Ashe Stadium e no Louis Armstrong Stadium sem o obstáculo dos preços elevados do mercado secundário. O acesso democratizado reflete o espírito livre do Central Park, tornando o torneio uma festa verdadeiramente pertencente a toda a cidade, onde o aroma das opções gastronômicas das arquibancadas e os brindes com o tradicional drinque Honey Deuce ecoam o ritmo vivo do verão nova-iorquino.