Pogačar é penta no Tour de France

O ciclismo mundial testemunhou mais um capítulo glorioso na história do esporte com a consagração definitiva de Tadej Pogačar no Tour de France de 2026. Em uma exibição monumental de força, inteligência tática e absoluto domínio, o fenômeno esloveno da UAE Team Emirates XRG conquistou seu quinto título da maior e mais prestigiada prova do ciclismo de estrada do planeta. A trajetória ao longo das três semanas de competição beirou a perfeição, combinando ataques devastadores nas montanhas e uma constância impressionante que neutralizou qualquer tentativa de reação de seus principais rivais, especialmente após o abandono de Jonas Vingegaard.
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Entre todos os momentos inesquecíveis desta edição, a 19ª etapa ficará gravada para sempre no panteão da modalidade. A volta do lendário Alpe d’Huez, com suas 21 curvas icônicas e uma multidão efervescente que praticamente fecha a passagem dos competidores em uma demonstração de amor e euforia inigualáveis, serviu de palco para uma das vitórias mais emblemáticas de sua carreira. Lançando um ataque fulgurante a 13 quilômetros da linha de chegada, Pogačar engoliu a fuga do dia e triunfou isolado na mítica montanha dos Alpes franceses, carimbando sua marca definitiva na corrida.
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Com esse feito espetacular, o esloveno atinge o patamar mais exclusivo do esporte ao alcançar o tão sonhado pentacampeonato da Grande Boucle. Agora, seu nome figura ao lado das quatro maiores lendas da história do ciclismo: Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault e Miguel Indurain, todos pentacampeões. No entanto, a conquista de 2026 não se resumiu apenas ao brilhantismo individual. Demonstrando um espírito de liderança e generosidade, Pogačar colocou sua força a serviço do companheiro de equipe Isaac del Toro nas etapas alpinas mais difíceis. O jovem mexicano correspondeu ao apoio do líder e segurou a terceira colocação na classificação geral, conquistando a cobiçada camisa branca de melhor jovem e consolidando o domínio de sua equipe, 
Pogačar praticamente abriu mão de vencer a penúltima etapa apenas para ajudar del Toro.
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Com cinco troféus amarelos na bagagem, a pergunta que agora ecoa pelo mundo do esporte é sobre o futuro desse gigante do cilismo. Pogačar estará em posição única no ano que vem para tentar o inédito hexacampeonato e se isolar no topo da história do Tour de France. Por outro lado, surge também o desejo de buscar novos horizontes, como a conquista da Volta a Espanha — a única Grande Volta que ainda falta em sua impressionante galeria de troféus. Seja qual for o objetivo traçado para as próximas temporadas, o ciclismo celebra a era de um campeão verdadeiramente geracional.

Reta final do Tour de France em Huez

Tour de France
À medida que o Tour de France de 2026 se aproxima de seu clímax nos Alpes, a sensação que paira no ar é de uma grande superação, e também de uma inevitável dinastia. Tadej Pogačar transforma cada subida, cada aceleração e cada contra-relógio em uma demonstração quase avassaladora de poder. A camisa amarela parece ter sido desenhada sob medida para o esloveno, que responde a cada ataque rival com uma serenidade desarmante e com pernas que parecem imunes ao desgaste com quase três semanas de competição brutal.
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O cenário deste ano  tornou-se ainda mais favorável ao líder com o doloroso abandono de Jonas Vingegaard. Sem o seu grande rival e único ciclista capaz de colocá-lo em apuros nos últimos anos, a disputa pelo topo da classificação geral perdeu a sua tensão dramática central. Ao mesmo tempo, Remco Evenepoel, apesar de lampejos de genialidade e vitórias isoladas em etapas, pouco pôde fazer para ameaçar o domínio esloveno nas longas e inclinadas montanhas alpineas. O belga mostrou garra, mas a diferença de ritmo e consistência nos grandes Alpes deixa claro que o abismo entre o topo absoluto e o restante do pelotão continua profundo.
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É sob este panorama de hegemonia que a prova encara o seu momento mais icônico e temido: o duplo confronto com a mítica subida do Alpe d'Huez. Em um desenho de percurso inédito e audacioso para esta edição de 2026, a gigante alpina se coloca no caminho dos atletas de duas formas distintas em dias consecutivos. Na sexta-feira, os ciclistas encaram a subida tradicional através dos seus lendários 21 viragens no asfalto; já no sábado, a montanha impõe o seu desafio pelo lado oposto, descendo e subindo por acessos alternativos como a descida e a conexão via Col de Sarenne e as grandes altitudes do Galibier, testando a capacidade de adaptação e o sofrimento dos atletas em um intervalo de poucas horas.
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O Alpe d'Huez não é apenas uma montanha no percurso do Tour de France; é o templo sagrado do ciclismo moderno, onde triunfos gloriosos e colapsos devastadores moldaram a história do esporte ao longo das décadas.
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Para compreender a mística que envolve estes dois dias decisivos, basta olhar para o passado repleto de histórias eternas escritas naquelas rampas:XX

* A "Montanha dos Holandeses": Uma tradição construída entre os anos 1970 e 1980, quando ciclistas dos Países Baixos como Joop Zoetemelk e Peter Winnen dominaram a subida e transformaram o virgem número 7 em um mar laranja de torcedores.

* O duelo de 1986: A histórica chegada de mãos dadas entre Bernard Hinault e Greg LeMond, simbolizando a passagem de bastão de duas eras do ciclismo.

* A velocidade sobre-humana de 1995: Marco Pantani cravou o recorde de ascensão mais rápida da história nos 21 viragens, voando montanha acima em uma performance que permanece inigualável até hoje.

Com as montanhas prontas para coroar o campeão nas estradas até Paris, o pelotão assiste ao monólogo de Pogačar com misto de admiração e resignação. Mas a história do ciclismo ensina que nenhum império dura para sempre. Enquanto o esloveno reina no topo, a pergunta que ecoa entre analistas e torcedores é inevitável: será Tadej Pogačar capaz de manter essa supremacia irretocável nos próximos anos, ou a vertiginosa ascensão da nova geração — liderada por jovens prodígios como o francês Paul Seixas — conseguirá desafiar e superar o soberano em um futuro muito mais próximo do que imaginamos?

Disputas e troféus mais antigos do esporte

A busca pelo topo do pódio é uma paixão ancestral que acompanha a humanidade muito antes da invenção dos estádios modernos e das transmissões de televisão. Nos primórdios da civilização, a competição não era apenas um espetáculo, mas uma expressão cultural, militar e religiosa. Os Jogos Olímpicos da Antiguidade, inaugurados em 776 a.C. na Grécia Antiga, estabeleceram a primeira grande estrutura de evento esportivo da história, enquanto na Dinastia Han chinesa surgia o Cuju, a forma mais antiga do futebol reconhecida pela própria FIFA. Da mesma forma, as terras da Mongólia viram o nascimento do Naadam — centrado no tiro com arco, luta livre e corrida de cavalos —, uma tradição milenar formalizada por Genghis Khan que permanece viva até hoje. Já na Itália do século XVI, o violento Calcio Fiorentino transformou praças de areia em arenas de pura disputa, mostrando que o desejo de medir forças entre equipes atravessou as eras quase intocado.
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Conforme a humanidade avançava, as disputas deixavam de ser apenas celebrações temporárias para se transformarem em tradições perenes, imortalizadas por troféus e símbolos físicos que resistiram ao tempo. O prêmio esportivo em disputa mais antigo de que se tem registro são os Carlisle Bells, dois sinos de prata datados do final do século XVI que ainda batizam uma tradicional corrida de cavalos na Inglaterra. Pouco depois, em 1673, nascia a Scorton Silver Arrow, cuja cobiçada flecha de prata gravada permanece como o troféu mais antigo em atividade no tiro com arco. No mar, a navegação ganhou seu maior símbolo em 1851 com a America’s Cup, uma jarra de prata maciça confeccionada anos antes que se tornou o troféu internacional mais antigo do esporte coletivo mundial, símbolo máximo da aristocracia dos mares.
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Com a chegada dos séculos XIX e XX, a consolidação e codificação dos esportes de massa trouxeram uma nova era de rivalidades e taças lendárias. O golfe imortalizou essa fase com o The Open Championship e a sua icônica Claret Jug, criada em 1872, enquanto o críquete transformou a ironia da derrota inglesa em 1882 em uma das rivalidades mais profundas do planeta com a The Ashes Urn. No futebol, embora a FA Cup de 1871 seja a competição nacional mais antiga do esporte bretão, a perda de seu troféu original em um roubo no final do século XIX cedeu à Scottish Cup, criada em 1885, o posto de taça física original mais antiga ainda entregue no futebol mundial. De sinos elizabetanos e flechas de prata às taças reluzentes do futebol e do golfe moderno, esses artefatos e campeonatos provam que o esporte, no fundo, é a arte de transformar o momento de uma vitória em algo verdadeiramente eterno.