Falcões voam sobre as águas dos mares

Super Bowl LX
O último domingo, 8 de fevereiro de 2026, ficará gravado na memória dos amantes do futebol americano como o dia em que a história foi reescrita sob as luzes intensas do Levi's Stadium, na Califórnia. Em uma exibição de resiliência e supremacia estratégica, o Seattle Seahawks sagrou-se campeão do Super Bowl LX ao derrotar o New England Patriots pelo placar de 29 a 13. Mais do que uma simples conquista, a vitória representou o triunfo da perseverança humana e o encerramento de uma ferida aberta há onze anos. Naquela ocasião, em 2015, os Seahawks viram o título escapar em uma derrota amarga por 28 pontos; desta vez, com uma pontuação simbólica de 29, a equipe de Seattle não apenas superou o adversário, mas aplicou uma espécie de justiça poética, provando que, após a tempestade, os Falcões voaram sobre as águas dos mares com uma força renovada.

O grande protagonista da noite foi o running back Kenneth Walker III, eleito o MVP da partida após uma performance avassaladora. Com 135 jardas terrestres e um papel fundamental na manutenção do ritmo ofensivo, Walker III foi o motor que permitiu a Seattle controlar o relógio e exaurir a defesa adversária. No entanto, o roteiro emocional do jogo pertenceu a Sam Darnold. O quarterback, outrora rotulado como um talento perdido e que peregrinou por diversas franquias sem encontrar o seu lugar ao sol, achou em Seattle o seu porto seguro. Desacreditado por críticos e vindo de uma trajetória de incertezas, Darnold conduziu o ataque com a serenidade de quem conhece o peso da superação, culminando em um touchdown decisivo no último quarto que selou o destino da partida e transformou sua carreira em um épico de redenção. Pela primeira vez na história um time foi campeão do Super Bowl sem sofrer turnovers na pós-temporada.

A fundação desta vitória, todavia, foi construída pela unidade defensiva dos Seahawks, apelidada apropriadamente de "Dark Side". Com uma disciplina tática impecável e uma agressividade coordenada, a defesa de Seattle anulou completamente o ataque dos Patriots durante quase toda a partida. A solidez foi tamanha que o adversário só conseguiu registrar seus primeiros pontos no último quarto, quando o domínio de Seattle já era incontestável. Foram seis sacks sobre o quarterback Drake Maye e três turnovers forçados, incluindo um "scoop and score" de 45 jardas por Uchenna Nwosu que serviu como o golpe de misericórdia. Enquanto a defesa castigava, o kicker Jason Myers escrevia seu nome nos livros de recordes da NFL. Com uma precisão cirúrgica, Myers converteu cinco field goals, estabelecendo um novo recorde de mais chutes certeiros em uma única edição de Super Bowl, garantindo que cada avanço do ataque resultasse em prejuízo para o oponente.

Ao apito final, a celebração em Santa Clara foi o reflexo de um ciclo que se fechou com perfeição. O Seattle Seahawks, liderado por um quarterback renascido e protegido por uma defesa que beirou a perfeição, não apenas ergueu o troféu Vince Lombardi, mas exorcizou fantasmas do passado para chegar ao segundo título de sua história na NFL. A consagração final, o recorde de Myers e a glória de Darnold compõem o mosaico de uma temporada inesquecível. Como uma fênix que emerge das cinzas ou, neste caso, como aves de rapina que dominam o horizonte, o time da "Cidade da Esmeralda" provou que a glória pertence àqueles que mantêm a fé mesmo quando os ventos sopram em direção contrária.

Super Bowl LX será neste domingo

O espetáculo máximo do esporte norte-americano alcança um marco histórico neste domingo, 8 de fevereiro de 2026, com a realização do Super Bowl LX no Levi's Stadium, em Santa Clara. O confronto entre New England Patriots e Seattle Seahawks não é apenas uma reedição de um dos duelos mais icônicos da última década, mas o ápice de uma temporada marcada por ressurgimentos improváveis e pela consolidação de novos ídolos. Enquanto o mundo volta seus olhos para a Califórnia, o que se vê é a convergência perfeita entre a tradição de franquias vitoriosas e a renovação técnica que mantém a National Football League como a liga mais poderosa e assistida do planeta.

A trajetória do New England Patriots até esta decisão carrega um misticismo que remete diretamente ao início do século. Assim como em 2001, a equipe chega ao Super Bowl após um período de descrença, liderada por um quarterback jovem e resiliente, Drake Maye, que assumiu o protagonismo de forma semelhante à ascensão meteórica de Tom Brady há vinte e cinco anos. Sob o comando de Mike Vrabel, o time superou prognósticos pessimistas para ostentar uma das melhores campanhas da conferência, demonstrando um equilíbrio tático entre uma defesa agressiva e um ataque oportunista. Para os Patriots, a vitória não representa apenas o retorno ao topo, mas a chance de se isolar como o maior vencedor da história da NFL com sete troféus, superando o empate histórico com o Pittsburgh Steelers.

Do outro lado do campo, o Seattle Seahawks apresenta-se como um adversário formidável, impulsionado por uma unidade defensiva que recuperou a identidade física e dominante da franquia. Após superar os desafios de uma divisão extremamente competitiva, a equipe comandada por Mike Macdonald chega à final com a confiança de quem possui um elenco equilibrado em todos os setores, destacando-se pela eficiência de Sam Darnold em sua jornada de redenção e pelo talento explosivo de seus recebedores. O desejo de levantar a taça pela segunda vez na história é alimentado pela memória de confrontos passados, transformando este Super Bowl em uma oportunidade de afirmação para uma organização que se recusa a ser coadjuvante no cenário nacional.

Para além das quatro linhas, o Super Bowl LX reafirma sua posição como um fenômeno cultural de alcance global, paralisando os Estados Unidos e atraindo centenas de milhões de espectadores em diversos continentes. A grandiosidade do evento reflete-se nos números astronômicos de audiência e nos valores recordes investidos nos famosos comerciais, que se tornaram um entretenimento à parte, apresentando o que há de mais criativo na publicidade mundial. O show do intervalo, este ano protagonizado pelo astro Bad Bunny, exemplifica a capacidade da NFL de fundir o esporte com a indústria do entretenimento, garantindo que o evento seja uma celebração completa da cultura contemporânea.

Dessa forma, a expectativa para o próximo domingo vai além do resultado estatístico, envolvendo narrativas de superação, recordes históricos e o puro fascínio pelo espetáculo. Seja pela busca da sétima coroa de New England ou pela força renovada de Seattle, o Super Bowl LX promete ser um capítulo memorável na história do futebol americano, consolidando-se como o momento em que o esporte se torna o centro gravitacional do mundo. Diante de tamanha preparação e talento envolvidos, o público pode esperar um embate onde a estratégia e o coração serão testados até o último segundo no gramado do Levi's Stadium.

Vai começar as Olimpíadas de Inverno

Os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, oficialmente conhecidos como Milão-Cortina 2026, inauguram um novo paradigma na organização de eventos de grande porte, fundamentado na descentralização e na sustentabilidade. Pela primeira vez na história olímpica, a sede é compartilhada de forma equânime entre duas cidades principais, Milão e Cortina d’Ampezzo, situadas a cerca de 400 quilômetros de distância uma da outra. Essa configuração não apenas valoriza a infraestrutura urbana e tecnológica da metrópole milanesa, onde ocorrerão as cerimônias e as provas de gelo, como o hóquei e a patinação, mas também exalta a tradição alpina de Cortina, palco histórico que já abrigou os Jogos em 1956 e agora retoma seu protagonismo nos esportes de montanha.

As expectativas para esta edição são elevadas, especialmente no que tange ao equilíbrio entre a tradição esportiva e a adaptação climática. Um dos maiores desafios reside na garantia da qualidade da neve. Diante das oscilações de temperatura globais, a organização estima que cerca de 80% das superfícies utilizadas nas competições dependam de neve artificial. Diferente da precipitação natural, a neve fabricada possui uma densidade maior e maior resistência ao desgaste, sendo essencial para manter a integridade das pistas sob o uso intenso dos atletas. Esse cenário reforça a necessidade de tecnologias de ponta para a gestão de recursos hídricos, consolidando o compromisso dos Jogos com um legado de baixo impacto ambiental, visto que 92% das instalações utilizadas já existiam ou são temporárias.

Ao comparar o interesse despertado pelos Jogos de Inverno com os de Verão, nota-se uma distinção clara de abrangência. Enquanto as Olimpíadas de Verão possuem de uma popularidade quase universal, facilitada pela acessibilidade de modalidades como o atletismo e a natação em praticamente qualquer clima, os Jogos de Inverno preservam um caráter mais nichado e técnico. O interesse que despertam costuma estar associado à plasticidade visual e ao perigo inerente às velocidades extremas no gelo. Contudo, a edição de 2026 demonstra um crescimento no engajamento global, inclusive em países tropicais como o Brasil, que envia uma delegação recorde de quatorze atletas, evidenciando que o fascínio pelo espetáculo do inverno ultrapassa barreiras geográficas.

No cenário competitivo, figuras proeminentes prometem dominar as manchetes. A norte-americana Mikaela Shiffrin, recordista absoluta de vitórias em Copas do Mundo, chega como a grande favorita no esqui alpino, enquanto a neerlandesa Jutta Leerdam atrai todos os olhares na patinação de velocidade, unindo excelência técnica a um massivo impacto midiático. No hóquei, a presença de astros da NHL, como o canadense Connor McDavid, eleva o torneio a um patamar de elite. No entanto, o grande nome dos Jogos pode vir de uma transição histórica: Lucas Pinheiro Braathen, esquiador de origem norueguesa que agora defende as cores do Brasil, surge como uma das maiores promessas de medalha inédita para o país, simbolizando a globalização e o espírito de renovação que definem Milão-Cortina 2026.