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Mikaela Shiffrin no topo do Esqui Alpino

O gelo de Lillehammer, na Noruega, foi o palco de mais um capítulo monumental na história do esporte mundial neste dia 25 de março de 2026. Mikaela Shiffrin, a esquiadora que parece desafiar as leis da física a cada descida, acaba de erguer seu sexto Globo de Cristal geral, consolidando uma hegemonia que beira o inacreditável. Ao garantir o título da temporada da Copa do Mundo de Esqui Alpino, a americana adicionou mais um troféu à sua vasta galeria e também igualou a histórica marca da austríaca Annemarie Moser-Pröll, tornando-se a mulher com mais títulos gerais na história da competição. A conquista veio de forma estratégica e resiliente na prova final de Slalom Gigante, onde Shiffrin precisava apenas de um resultado sólido entre as quinze melhores para afastar a ameaça da jovem prodígio alemã Emma Aicher. Com a frieza de quem já viveu mil finais, Shiffrin cruzou a linha de chegada na 11ª posição, o suficiente para selar o destino de uma temporada onde ela, mais uma vez, foi a régua pela qual todos os outros atletas são medidos.

Esta consagração definitiva acontece apenas um dia após Shiffrin ter dado um show à parte no Slalom, sua especialidade máxima. Naquela prova, ela não apenas venceu, mas massacrou a concorrência para alcançar sua 110ª vitória na carreira em Copas do Mundo, um número que parece saído de um videogame e que a coloca em um patamar isolado de qualquer outro esquiador, homem ou mulher, que já tenha deslizado sobre a neve. Além da marca centenária de vitórias, ela estabeleceu um novo recorde de nove triunfos em Slalom em uma única temporada, garantindo seu nono Globo de Cristal da disciplina — um feito inédito para qualquer esquiador em qualquer categoria individual. Cada curva traçada por Shiffrin nesta temporada foi um lembrete de sua técnica impecável e de sua capacidade mental de se manter no topo por mais de uma década, enfrentando gerações que surgem tentando desbancá-la.

O triunfo na Copa do Mundo carrega um peso ainda maior quando contrastado com o cenário recente dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, em Milano Cortina. Embora Shiffrin tenha saído da Itália com o ouro no Slalom — sua terceira medalha dourada olímpica na carreira —, a jornada nos Alpes italianos foi marcada por altos e baixos e resultados que ficaram aquém da expectativa esmagadora que sempre a acompanha. Quedas inesperadas e provas sem pódio trouxeram questionamentos externos, mas o que se viu nas semanas seguintes foi a resposta de uma verdadeira campeã. Onde outros poderiam ter se abalado, Shiffrin encontrou combustível. Ela retornou ao circuito da Copa do Mundo com uma sede de vitória renovada, provando que, se as Olimpíadas são um evento de um dia onde tudo pode acontecer, a Copa do Mundo é o teste definitivo de consistência, e nela, a americana segue absolutamente imbatível.

Ao olharmos para os números — 110 vitórias, 17 globos de cristal no total e agora seis títulos gerais —, a discussão sobre quem é a maior de todos os tempos parece cada vez mais encerrada. Mikaela Shiffrin não está apenas quebrando recordes; ela está redefinindo o que é possível no esqui alpino. Sua longevidade, aliada a uma sede de evolução técnica constante, faz dela uma lenda viva que transcende o próprio esporte. Mesmo após enfrentar lutos pessoais, lesões e pressões psicológicas monumentais, ela termina a temporada 2025/2026 no lugar que lhe pertence por direito: o topo do pódio e o topo da história. Shiffrin não é apenas a melhor de sua era; ela é a personificação da excelência sobre a neve, uma atleta que transformou as montanhas em seu escritório e a vitória em sua rotina mais comum.

Os maiores nomes de Milano-Cortina 2026

Os Jogos de Inverno de Milano Cortina 2026 foram históricos, marcados por recordes de longevidade quebrados e o surgimento de novos fenômenos. A edição consolidou a Noruega como a maior potência invernal, mas também trouxe feitos inéditos para países sem tradição, como o Brasil.

Aqui estão os maiores nomes e equipes que definiram as Olimpíadas de 2026:

O primeir e grande nome é Johannes Høsflot Klæbo, ele não apenas competiu em Milano Cortina 2026; ele essencialmente transformou os Alpes italianos em seu quintal particular de glórias. Ao realizar o feito inédito de "6 de 6" — conquistando o ouro em absolutamente todas as provas de esqui cross-country que disputou — Klæbo conseguiu quebrar recordes e redefinir os limites da resistência humana. Com um total acumulado de 11 medalhas de ouro olímpicas, ele ultrapassou lendas como Bjørn Dæhlie e Ole Einar Bjørndalen para se tornar, isoladamente, o maior atleta de esportes de inverno de todos os tempos, ficando atrás apenas de Michael Phelps se incluir as Olimpíadas de Verão. Assistir à sua explosão no "sprint" final foi presenciar a história em movimento, consolidando uma hegemonia que dificilmente será contestada nas próximas décadas.

Outro destaque é Lucas Pinheiro Braathen que escreveu o capítulo mais glorioso da história dos esportes de inverno brasileiros e sul-americanos ao conquistar a medalha de ouro no esqui alpino em Milano Cortina 2026. Após uma decisão corajosa de deixar de representar a Noruega — a maior potência mundial da modalidade — para abraçar suas raízes e as cores do Brasil, Pinheiro provou que o talento e a ousadia vão além das fronteiras tradicionais da neve. Sua vitória no Slalom foi um triunfo técnico e um marco histórico sem precedentes: ele tornou-se o primeiro atleta a levar o hino brasileiro e o pavilhão da América do Sul ao topo do pódio olímpico de inverno. Com um carisma arrebatador e uma técnica refinada, Lucas uniu a precisão escandinava à alegria brasileira, consolidando-se como um ícone global que quebrou paradigmas e provou que o Brasil também pode figurar entre as potências do gelo.

Franjo von Allmen foi uma grande revelação do esqui alpino em Milano Cortina 2026, consolidando-se como o novo fenômeno das pistas ao conquistar três medalhas de ouro em uma única edição. O jovem suíço de 24 anos dominou as provas de velocidade, vencendo o Downhill, o Super-G e a inédita prova de Combinado por Equipes (ao lado de Tanguy Nef). Ele se tornou o primeiro esquiador alpino masculino a conquistar três ouros em uma mesma Olimpíada desde o lendário Jean-Claude Killy em 1968 (há quase 60 anos). Von Allmen foi o primeiro suíço a vencer o ouro olímpico no Super-G e o único atleta de seu país a conquistar três títulos em uma única edição de Jogos de Inverno. Ele superou seu compatriota e atual número 1 do mundo, Marco Odermatt, que era o grande favorito, mostrando uma frieza impressionante na pista Stelvio de Bormio.

Vale destacar também Jordan Stolz que se consolidou como o maior fenômeno da patinação de velocidade dos Estados Unidos em décadas ao brilhar intensamente nos Jogos de Milano Cortina 2026. Com apenas 21 anos, o jovem prodígio conquistou duas medalhas de ouro (500m e 1000m) e uma de prata (1500m), tornando-se o atleta norte-americano mais condecorado desta edição. Seus feitos foram históricos: ao vencer os 500m e os 1000m na mesma Olimpíada, Stolz repetiu uma façanha que nenhum patinador masculino alcançava desde o lendário Eric Heiden em 1980. Além disso, ele estabeleceu novos recordes olímpicos em ambas as provas, quebrando barreiras de tempo que duravam anos. Embora tenha sido superado por pouco nos 1500m, sua performance dominante reafirmou seu status de estrela global, encerrando um jejum de 16 anos sem ouros individuais para os EUA na modalidade e deixando claro que ele é o nome a ser batido nos próximos ciclos olímpicos.

Para as anfitriões o grande destaque são As "Rainhas da Itália", Federica Brignone e Francesca Lollobrigida, que personificaram o espírito de superação e domínio técnico que levou o país sede ao seu recorde histórico de medalhas em Milano Cortina 2026. Brignone, aos 35 anos, protagonizou um dos retornos mais emocionantes do esporte ao conquistar dois ouros (Super-G e Slalom Gigante) menos de um ano após uma lesão devastadora que ameaçou sua carreira, consolidando-se como a maior esquiadora italiana de todos os tempos. Enquanto Brignone brilhava nas montanhas de Cortina, Lollobrigida dominava o gelo de Milão, tornando-se a primeira medalhista de ouro da Itália nestes Jogos ao vencer os 3.000m com recorde olímpico, feito que repetiu nos 5.000m para selar uma "dobradinha dourada" histórica. Juntas, as duas atletas conseguiram elevara o patamar técnico da delegação italiana e tornaram-se os rostos de uma geração feminina que carregou o orgulho nacional, provando que, seja na neve ou no gelo, a Itália jogou em casa com uma autoridade sem precedentes.


Por fim a seleção masculina de hóquei no gelo dos Estados Unidos protagonizou o ressurgimento de uma lenda ao conquistar a medalha de ouro em Milano Cortina 2026, encerrando um doloroso jejum de 46 anos sem o título olímpico. Exatamente no aniversário do icônico "Milagre no Gelo" de 1980, o time americano derrotou o rival Canadá por 2 a 1 em uma final épica decidida na prorrogação, com o "gol de ouro" marcado pelo jovem astro Jack Hughes que havia perdido dois dentes durante o jogo. Sob as traves, o goleiro Connor Hellebuyck foi intransponível, realizando 41 defesas e garantindo que os EUA terminassem o torneio invictos com seis vitórias. Esta conquista marcou a primeira vez que uma seleção dos EUA venceu o ouro em uma Olimpíada com a presença de jogadores da NHL, consolidando uma nova geração de talentos que finalmente devolveu ao país o topo do pódio mundial no esporte mais nobre do inverno.

Mikaela Shiffrin, a maior de todas

Nas gélidas e imponentes encostas de Cortina d'Ampezzo, o cenário estava montado para um dos atos de redenção mais dramáticos da história dos esportes de inverno. Mikaela Shiffrin, a esquiadora que carrega em seus ombros o peso de recordes e expectativas quase sobre-humanas, conquistou a medalha de ouro no Slalom feminino nos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina 2026, reafirmando sua soberania absoluta em um momento de extrema fragilidade psicológica. A vitória não foi apenas uma questão de cronômetro, mas um manifesto de resiliência. Após uma participação amarga em Pequim 2022, onde saiu sem qualquer medalha apesar do favoritismo, e de enfrentar um início conturbado nestas Olimpíadas — marcadas por desempenhos aquém do esperado no Slalom Gigante e no Combinado — Shiffrin chegou à prova de Slalom pressionada pelo fantasma do fracasso e pela urgência de um resultado que fizesse justiça à sua trajetória.

O desempenho que lhe garantiu o topo do pódio foi uma aula magistral de técnica e agressividade controlada. Shiffrin encerrou a primeira descida com uma vantagem substancial de 0.82 segundos, uma margem que, no universo milimétrico do Slalom, já sinalizava sua superioridade técnica. Contudo, foi na segunda descida que ela conseguiu a superação. Enquanto suas adversárias lutavam contra as imperfeições da pista, Mikaela deslizou com uma precisão cirúrgica, acelerando nos trechos mais críticos e cruzando a linha de chegada com uma vantagem total de 1,50 segundo sobre a suíça Camille Rast. Trata-se da maior margem de vitória registrada em uma prova alpina olímpica desde 1998, um abismo temporal que ilustra a distância técnica entre Shiffrin e o restante do mundo quando ela está em seu estado de fluxo pleno.

Ao conquistar seu terceiro ouro olímpico, Shiffrin não apenas quebrou um jejum de oito anos sem títulos nos Jogos, mas também se isolou como a esquiadora alpina norte-americana mais bem-sucedida em termos de medalhas douradas. É impossível analisar tal feito sem traçar um paralelo com Lindsey Vonn, o ícone que por anos definiu a imagem do esqui americano. Vonn, dotada de um carisma magnético e de uma propensão ao risco que cativava as massas e o marketing, permanece, para muitos, como a figura mais vangloriada e mística do esporte. Entretanto, os números e a longevidade de Shiffrin agora projetam uma sombra incontestável sobre qualquer comparação puramente estatística. Enquanto Vonn era a personificação da velocidade pura e do drama das quedas, Shiffrin é a essência da consistência e da perfeição técnica em todas as disciplinas. Superar os recordes de Vonn em vitórias na Copa do Mundo já havia sido um marco, mas este ouro em 2026, sob tamanha pressão, coloca Mikaela em um patamar tão alto que vai muito além de uma popularidade efêmera.

Esta conquista em solo italiano encerra qualquer debate sobre a posição de Mikaela Shiffrin na história: ela é, por mérito, estatística e agora por prova de nervos, a maior esquiadora de todos os tempos. O choro ao final da prova, misto de alívio e triunfo, foi o desabafo de uma atleta que aprendeu a lidar com a humanidade de suas falhas para, enfim, abraçar a eternidade de seu talento. Shiffrin não apenas venceu uma corrida; ela resgatou sua própria lenda das neves de Cortina, provando que a grandeza não reside na ausência de queda, mas na capacidade de dominar a montanha quando o mundo inteiro espera que você tropece.

O sofrimento por uma causa maior

O gélido vento que sopra sobre as encostas de Cortina d'Ampezzo parecia carregar, naquela manhã, um lamento que vai além do simples assobio da natureza. Ali, onde a neve encontra o céu em um abraço de cristal, o destino voltou a tecer sua trama mais cruel contra Lindsey Vonn. Aos 41 anos, a "Rainha da Velocidade" não buscava apenas o ouro, mas o impossível: desafiar o tempo e o próprio corpo, que há muito clamava por repouso. O silêncio sepulcral que se abateu sobre a plateia italiana, outrora vibrante, quando a lendária esquiadora estancou sua descida após meros treze segundos, foi o som mais ensurdecedor de uma carreira marcada por glórias monumentais e dores cruciais. Vonn, que retornara de uma aposentadoria de seis anos com uma prótese de titânio no joelho e a alma blindada pela obstinação, viu seu sonho olímpico ser içado aos céus por um helicóptero de resgate, enquanto o eco de seus gritos de dor ainda pairava sobre a pista Olympia delle Tofane.

A tragédia das Olimpíadas de Inverno em Milão-Cortina não foi um ato isolado, mas o capítulo final de uma sinfonia de sacrifícios que define a essência desta atleta. A jornada para estes Jogos já havia sido batizada pelo sangue e pela incerteza; apenas nove dias antes da cerimônia de abertura, uma queda brutal em Crans-Montana rompera o ligamento cruzado anterior de seu joelho esquerdo. O mundo assistiu, entre a admiração e o pavor, à sua decisão de competir sem o ligamento, sustentada apenas pela força muscular e por uma vontade inquebrável. Essa relação masoquista com a montanha é um espectro que a persegue desde o início e quase sempre antes de uma Olimpíada. Como esquecer o traumático acidente nos treinos de Turim 2006, que a levou ao hospital apenas para vê-la retornar à pista dias depois? Ou o mistério de Vancouver 2010, onde uma grave lesão na canela ameaçou sua participação até o último segundo, resultando em um ouro histórico arrancado às custas de anestésicos e pura bravura? Até mesmo a ausência em Sochi 2014, quando o corpo finalmente cedeu antes da largada, serviu para cimentar a imagem de uma guerreira que nunca soube quando recuar.

Hoje, porém, o cenário possui matizes mais sombrios. O acidente em Cortina d'Ampezzo, que resultou em uma fratura exposta e a necessidade de intervenção cirúrgica imediata, parece ser o ponto final que a biologia impõe à lenda. Se em 2019 a despedida foi um adeus planejado, cercado por flores e reverência, este desfecho nos picos italianos assemelha-se a uma queda em pleno campo de batalha. É difícil imaginar que, após tantas reconstruções, o corpo de Vonn aceite mais uma jornada de reabilitação para enfrentar as pistas a 130 quilômetros por hora. O adeus que se desenha não é o de uma atleta derrotada, mas o de um mito que preferiu a queda espetacular ao oblívio do conforto. Lindsey Vonn provou que a imortalidade esportiva não se alcança apenas cruzando a linha de chegada, mas tendo a coragem de alinhar-se no portão de largada quando ninguém mais ousaria fazê-lo. Se este for, de fato, o fim definitivo, ele será lembrado como o ato final de uma mulher que nunca teve medo de quebrar para tentar voar.

O grande duelo de Vonn e Shiffrin

O esqui alpino mundial testemunha, neste mês de janeiro de 2026, um dos capítulos mais fascinantes de sua centenária história, protagonizado por duas figuras que estão além de seu tempo: Lindsey Vonn e Mikaela Shiffrin. Em um cenário de neve e superação, as montanhas austríacas serviram de palco para feitos que beiram o inacreditável. Lindsey Vonn, aos 41 anos e após um retorno que muitos consideravam impossível devido às graves lesões que forçaram sua aposentadoria anterior, conquistou em Zauchensee sua segunda vitória na disciplina de downhill nesta temporada. O triunfo não apenas reafirma sua técnica impecável e coragem inabalável, como também eleva seu histórico pessoal para a impressionante marca de 84 vitórias na Copa do Mundo, consolidando-a como a maior vencedora da história da velocidade. Ao mesmo tempo, em Flachau, Mikaela Shiffrin demonstrou por que é considerada a rainha absoluta das provas técnicas ao alcançar sua 70ª vitória especificamente no slalom, uma marca sem precedentes para um único gênero ou disciplina.

O domínio das esquiadoras norte-americanas impõe uma nova ordem estatística ao esporte, com Shiffrin já tendo ultrapassado a barreira centenária de mais de 100 vitórias na carreira, enquanto Vonn, em sua segunda juventude, parece decidida a buscar cada recorde que outrora lhe pertenceu. Esse momento de apogeu simultâneo ocorre às vésperas dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026, que terão início no próximo mês de fevereiro. A expectativa em torno das duas atletas é colossal, pois ambas chegam em picos de forma distintos, mas igualmente letais: Shiffrin com a precisão matemática de seus giros e Vonn com a agressividade nata de suas descidas. O mundo do esporte observa com curiosidade a dinâmica entre as duas, questionando se o que as une é uma amizade genuína ou uma rivalidade silenciosa alimentada pela sede de glória.

A relação entre Shiffrin e Vonn é marcada por um profissionalismo exemplar e um respeito mútuo que muitas vezes confunde os observadores. Embora a imprensa frequentemente tente alimentar uma disputa de egos, as atletas têm demonstrado uma união estratégica em prol da equipe dos Estados Unidos, celebrando pódios conjuntos com outras companheiras de equipe. No entanto, a competitividade intrínseca a campeãs desse calibre sugere que, dentro da pista, a única amizade possível é com o cronômetro. O que se verá nos Jogos de Milão-Cortina será o embate final entre a experiência resiliente de Vonn e a hegemonia técnica de Shiffrin. Independentemente de quem cruzar a linha de chegada com o metal dourado, o esqui alpino já se sagrou vencedor por permitir que duas eras tão brilhantes colidam de forma tão espetacular antes do ocaso de suas carreiras.

A Ousadia de Lindsey Vonn contra o Tempo

No grande palco das lendas esportivas, raramente testemunhamos o retorno de um ícone que, após ter aceitado a finitude de sua carreira, decide reescrever o próprio epílogo. Lindsey Vonn, a esquiadora americana que dominou as montanhas geladas por quase duas décadas, protagoniza agora um dos capítulos mais fascinantes da história recente dos esportes de inverno. Cinco anos após uma despedida emocionada e dolorosa, motivada por um corpo que já não suportava as exigências da gravidade e da velocidade, Vonn anunciou seu retorno às competições. O objetivo, audacioso e para muitos inverossímil, é integrar a equipe dos Estados Unidos nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, em Milão-Cortina, quando terá completado 41 anos de idade.

Este retorno não é apenas um capricho de uma atleta saudosa da adrenalina, mas sim o resultado de uma transformação física e médica surpreendente. Quando Vonn se aposentou em 2019, o fez rendida às lesões; seus joelhos, castigados por anos de descidas vertiginosas a mais de 130 km/h, não possuíam mais cartilagem, transformando a simples ação de esquiar em um calvário. Entretanto, uma cirurgia de substituição parcial do joelho, realizada com sucesso, devolveu-lhe uma qualidade de vida que parecia perdida. A atleta relata que, pela primeira vez em anos, consegue esquiar sem dor, um fator determinante que reacendeu a chama competitiva. Não se trata, portanto, de uma luta contra o passado, mas de uma exploração das novas capacidades de um corpo reconstruído pela medicina e temperado por uma vontade interminável.

O desafio, contudo, é grandioso. Competir em alto nível no esqui alpino, uma modalidade que exige reflexos instantâneos, força explosiva e uma resistência articular sobre-humana, é tarefa árdua para jovens de vinte anos, quanto mais para uma veterana que cruzará a barreira dos quarenta. Ainda assim, Vonn já demonstrou nos treinos recentes que a técnica apurada, aquela que lhe garantiu 82 vitórias em Copas do Mundo — um recorde feminino que permaneceu inabalável até ser superado recentemente por Mikaela Shiffrin —, permanece intacta. A memória muscular de uma campeã olímpica, dona de três medalhas nos Jogos e quatro títulos gerais da Copa do Mundo, parece ignorar o hiato de meia década longe dos portões de largada.

A carreira pregressa de Lindsey Vonn já a colocava como uma das maiores esquiadoras de todos os tempos. Sua dominância nas provas de velocidade, especialmente no Downhill e no Super-G, redefiniu os parâmetros do esporte feminino, aliando uma agressividade técnica ímpar a uma consistência poucas vezes vista. Ela acumulou Globos de Cristal e superou fraturas, rompimentos de ligamentos e concussões, sempre retornando ao topo do pódio. Agora, ao buscar uma vaga para sua quinta Olimpíada, Vonn não tenta apenas ampliar um currículo já dourado; ela desafia a lógica biológica do esporte de alto rendimento. Se conseguir alinhar no portão de largada em 2026, ela não estará apenas competindo contra o relógio ou contra adversárias com metade de sua idade, mas estará provando que a paixão e a resiliência podem, de fato, estender as fronteiras do que consideramos possível para o corpo humano. Independentemente do resultado, a simples tentativa de Lindsey Vonn já solidifica seu status não apenas como uma lenda do esqui, mas como um símbolo atemporal de perseverança.

Lindsey Vonn no Net Esportes

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A esquiadora americana Lindsey Vonn teve uma carreira gloriosa no esqui alpino. A musa das neves conquistou títulos e acumulou recordes, ao mesmo tempo que lutava contra lesões que a impediram de ser ainda maior do que foi. Os problemas a tiraram de Olimpíadas e culminaram na decisão que poucos estavam preparados para ouvir, a decisão de se aposentar das competições. Vonn deixa as montanhas brancas como a maior esquiadora da história, mas sem antes bater o recorde de vitórias entre qualquer esquiador (incluindo mulheres e homens) do qual esteve tão próxima. Desta forma, com sua despedida deste esporte de Inverno tão peculiar e tão perigoso, o blog Net Esportes lhe faz uma homenagem relembrando a maioria das vezes que ela foi, merecidademente, mencionada por aqui.

Dezembro de 2007 - A primeira vez que Lindsey Vonn foi citada no blog. Ela ficou em segundo lugar em uma prova de downhill, mas liderava a classificação na descida livre, que era sua maior especialidade. Em seguida, na Áustria, ela conseguiu ficar com a primeira colocação e ganhou uma postagem com foto pela primeira vez. O mês estava quente para a esquiadora americana e ela foi mais uma vez destaque com uma vitória consecutiva.

Março de 2008 - Apesar da Copa do Mundo de esqui alpino se decorrer ao longo do fim do ano e início do ano seguinte, Lindsey Vonn só voltou a ser destaque no blog com matéria completa e foto quando ganhou pela décima vez uma prova de downhill, estabelecendo na época um recorde nunca antes alcançado por uma esquiadora dos Estados Unidos. Logo em seguida ela garantiu o título geral do Copa do Mundo de esqui alpino pela primeira vez na carreira, culminando em uma dobradinha com seu compatriota Bode Miller no masculino em um feito que não ocorria desde 1987.

Novembro de 2008 - Agora consagrada, Vonn foi destaque em um artigo que exaltava seu favoritismo para vencer o título de campeã geral mais uma vez.

Fevereiro de 2009 - Vonn foi citada em alguns artigos e, antes do Campeonato Mundial de 2009, apareceu mais uma vez como favorita para várias disciplinas de esqui alpino. E ela venceu, levou duas medalhas de ouro, mas ao comemorar machucou a mão em uma garrafa de champagne e ficou fora das provas seguintes.

Março de 2009 - O corte na mão e a cirurgia não impediram Vonn de retornar às competições. Com mais uma vitória ela ficou praticamente com a mão na taça. Na etapa seguinte a alemã Maria Riesch brilhou e a decisão do título acabou sendo adiada. A conquista definitiva do bicampeonato veio em grande estilo, vencendo o downhill em Are, na Suécia. Ela nem imaginava na época, mas sua última prova da carreira seria esta e neste mesmo lugar, mas com uma terceira colocação.

Outubro de 2009 - É lançada nas redes sociais uma campanha sobre a história de Lindsey Vonn que visava brilhar nas Olimpíadas de Inverno de 2010 no Canadá.

Dezembro de 2009 - Já sofrendo com lesões Vonn só conseguiu vencer uma etapa da nova temporada da Copa do Mundo em dezembro. Mais tarde, mesmo com problemas no clima, ela conseguiu assumir a liderança na classificação geral.

Janeiro de 2010 - Com um adiamento de uma prova, Vonn aproveitou a chance e venceu três provas no mesmo final de semana conseguindo o famoso hat-trick. Mais tarde ela perdeu a liderança geral para Riesch, mas reassumiu com uma grande reação e recuperação.

Fevereiro de 2010 - Com a proximidade das Olimpíadas, Vonn foi destaque da revista SI Swimsuit, sendo fotografada com trajes de banho e posições polêmicas. Pouco antes do início dos Jogos Lindsey Vonn anuncia que está com uma lesão e uma dor insuportável. Com muita determinação e força de vontade, ela superou o problema e as polêmicas fora das competições para brilhar na prova de downhill das Olimpíadas de Vancouver 2010 e faturar a medalha de ouro pela primeira vez na sua brilhante carreira, que acabou sendo a única de ouro. No Super-G ela ficou com o bronze.

Março de 2010 - Já esquecendo Vancouver, Vonn conquista o título de algumas disciplinas por antecipação. Antes do final do mês a rainha alcançou sua consagração com o terceiro título geral da Copa do Mundo.

Julho de 2010 - No prêmio ESPY, da ESPN, ela levou como melhor atleta feminina e melhor atleta olímpica.

Janeiro de 2011 - Tem início uma disputa acirrada entre Lindsey Vonn e sua amiga Maria Riesch.

Fevereiro de 2011 - Fatura o prêmio Laureus de 2011 como melhor atleta feminina do ano. Fica apenas com uma de bronze no Mundial de 2011, apesar do esforço.

Março de 2011 - Disputa entre Lindsey Vonn e Maria Riesch fica acirrada, deixando uma dúvida sobre quem seria a campeã. E quem acabou vencendo, por apens três pontos de diferença, foi a alemã Maria Riesch.

Outubro de 2011 - No início da temporada seguinte Vonn começou de forma arrasadora.

Dezembro de 2011 - No lado de fora das competições, Vonn se separa do mardo Thomas Vonn, mas continua usando o sobrenome de Vonn que a tornou famosa no mundo inteiro.

Fevereiro de 2012 - Lindsey Vonn entra para o seleto clube de esquiadores com 50 vitórias na carreira, tanto no feminino quanto no masculino.

Março de 2012 - É eleita pelo blog como a terceira mais bela do esporte mundial. Em seguida é exaltada como uma das maiores esquiadoras de todos os tempos.

Dezembro de 2012 - Aparece como um dos destaques na lista Net Esportes de melhores do ano de 2012.

Janeiro de 2014 - O triste anúncio de que estaria fora da disputa das Olimpíadas de Inverno de Sochi.

Janeiro de 2015 - Vonn seguiu vencendo o título de várias disciplinas, mas o título geral não ganhou mais. Isso, no entanto, não a impediu de continuar batendo recordes até se tornar a maior vencedora de provas individuais da história superando Annemarie Moser-Pröll.

Março de 2015 - A última postagem sobre Lindsey Vonn exalta mais um Globo de Cristal na conta. Em 2016 ela venceria o downhill novamente. Terminou a carreira com 82 vitórias em 16 temporadas, muito próxima do sueco Ingemar Stenmark, que venceu 86 vezes. Alguns diziam que ela só iria se aposentar depois que chegasse à vitória 87, mas as lesões impediram e ela diz adeus aos 34 anos, mas sem antes ter deixado sua marca na história. Lindsey Vonn foi a maior esquiadora de todos os tempos, e valeu ter registrado aqui alguns dos momentos mais sublimes dessa sua brilhante carreira.

Jogos Olímpicos de Inverno: Ester Ledecká

Olimpiadas de Inverno
Mesmo com muito frio e temperaturas abaixo de zero, os Jogos Olímpicos de Inverno em Pyeongchang, na Coréia do Sul, trouxeram muita emoção que esquentou o coração dos apaixonados pelo esporte. Recordes foram quebrados e muitas façanhas foram alcançadas. Não faltaram sorrisos de alegria e nem choros de tristeza. Algumas lágrimas também eram de felicidade, principalmente se a decisão havia sido apenas na foto da linha de chegada. Teve atleta ganhando recorde de medalhas e teve atleta perdendo medalha dada como certa. Teve de tudo, inclusive uma atleta que surpreendeu o mundo e entrou para a história do esporte de uma maneira inacreditável.

Seu nome é Ester Ledecká, e seu feito foi incrível. Não é nenhum absurdo atletas competirem em modalidades diferentes. E também não é nenhuma novidade que eles ganhem medalhas em esportes diferentes. Entre diversos casos, destacam-se aqueles atletas que ganharam medalhas tantos nos Jogos Olímpicos de Inverno quanto nos Jogos Olímpicos de Verão. Tem os atletas que não vão muito além, ganhando no vôlei de quadra e depois no vôlei de praia ou natação e pólo aquático, mas tem os casos mais extremos como Eddie Eagan que era boxeador e depois migrou para o bobsleigh. Ou ainda Jacob Tullin Thams, que praticava o salto de esqui e depois se tornou um velejador. Eles ganharam mais de uma medalha, ás vezes ganhando até duas medalhas de ouro, como fizera por exemplo Anfisa Reztsova, antes de Ester Ledecká.

Reztsova ganhou duas medalhas de ouro em duas modalidades diferentes. A atleta russa foi ouro no Biatlo (duas vezes) e depois foi ouro no cross-country. Mas o Biatlo é uma mistura de esqui cross-country com tiro ao alvo. É quase como natação e pólo aquático ou vôlei de quadra e vôlei de praia. E se não fosse apenas isso, levamos em consideração que Reztsova faturou essas medalhas de ouro em três olimpíadas diferentes. O caso de Ester Ledecká vai muito além de qualquer outro feito. A atleta de República Tcheca mudou a história do esporte se tornando a primeira pessoa, incluindo homens e mulheres, a ganhar duas medalhas de ouro em dois esportes diferentes, com equipamentos diferentes e tudo isso na mesma edição dos Jogos.

Ao vencer a prova de Super G do Esqui Alpino, Ledecká fica com uma expressão de incredulidade. Ela superou a favorita Anna Veith por uma diferença de 0,01 segundos. Muitos já haviam dado Veith como vencedora, afinal entre as atletas que restavam havia apenas uma que era favorita para outra modalidade. Após surpreender o mundo com a façanha de ganhar a medalha de ouro no Esqui Alpino, Ledecká voltou a competir na semana seguinte, desta vez no Snowboard onde já era destaque e favorita. Não deu outra, ela faturou a prova do Slalom Gigante Paralelo e entrou definitivamente para a história do esporte com dois ouros e em dois esportes diferentes nos mesmo Jogos. Por esse feito incrível Ester Ledecká é a terceira indicada ao prêmio Net Esportes de melhor atleta do ano de 2018.

O atual presente será um lindo futuro amanhã

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Ela é linda, elá é simpática, ela é excelente naquilo que ela faz e ela ainda faz a alegria de um hoje triste e perdido Tiger Woods. Aliás, o golfista até pouco tempo atrás era um grande exemplo de um atual presente que seria um lindo futuro no amanhã. Porém o lindo futuro de um presente que hoje já é passado continua sendo Jack Nicklaus. Já no esqui alpino era Annemarie Moser-Pröll, uma lenda que hoje está dando lugar para ela, para a namorada do Tiger Woods. Linda, simpática e excelente naquilo que faz, Lindsey Vonn é um atual presente que será um lindo futuro amanhã.

A curto prazo, quando se falar em Mikaela Shiffrin, naturalmente se fará referência a Lindsey Vonn. Afinal ambas são americanas. A médio prazo qualquer esquiadora que tiver excelentes resultados será comparada a Vonn e a longo prazo Vonn será uma história que irá demorar muito tempo para ser superada. Foi a muito tempo, nos anos de 1970, que a austríaca Moser-Pröll cravou o seu nome na eternidade para nunca mais ser esquecida e tão pouco superada. Demorou muito, mas então surgiu a bela que acabou com a fera.

Aqui está a beleza de tudo. O segredo em saber se quem viveu nos anos de 1970 acompanhando esqui alpino tinha alguma noção que Annemarie Moser-Pröll estava a frente de seu tempo e escrevendo uma história que para sempre seria lembrada e contemplada. E a história está se repetindo hoje, no atual presente que será um lindo futuro amanhã, com Lindsey Vonn refazendo a história se tornar realidade e, assim como fizera a austríaca, cravando o seu nome nos livros como jamais uma americana ousou fazer em outros tempos, como jamais qualquer outra esquiadora ousou fazer em toda a história desse esporte.

Com aquele sorriso inconfundível ela abraça mais um globo de cristal. Com 19 globos de cristal na carreira ela igualou a marca de Ingemar Stenmark. Com seu quinto título no super G ela igualou Katja Seizinger, Hermann Maier e Aksel Lund Svindal. Com seu 113º pódio ela igualou Moser-Pröll e com 67 vitórias em etapas da Copa do Mundo ela superou a austríaca e mudou para sempre as histórias que sempre foram contadas nos livros dos esportes de inverno a 35 anos. A rainha do downhill, a musa das montanhas cobertas de neve. A esquiadora que faz o atual presente ser o lindo futuro do amanhã.

Lindsey Vonn alcança recorde histórico

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No ano passado o mundo foi contemplado com uma belíssima edição dos Jogos Olímpicos de Inverno. Foram diversas disputas repletas de plasticidades, mas também houve uma grande e intensa competitividade. Graças a alguns canais de TV À cabo, o mundo dos esportes gelados continua aparecendo, mesmo que por pouco tempo, porém todos nós sabemos que as coisas estão muito além dos saltos de esqui ou do esqui estilo livre. Os esportes de Inverno tem disputas acirradas no curling, no hóquei no gelo e principalmente no seu maior xodó esqui alpino. Uma das modalidades mais importantes das disputas de inverno merecia um destaque maior na mídia, principalmente quando uma de suas maiores atletas de todos os tempos simplesmente reescreve a história com um recorde absolutamente incrível.

Se fosse chamada de Lindsey Kildow, talvez não tivesse tido o mesmo sucesso e alcançado as mesmas façanhas. Hoje namorada o golfista Tiger Woods, que mesmo morrendo de frio está sempre acompanhando sua nova amada. Eles precisa ... esquecer o drama que viveu em sua vida pessoal para quem sabe se recuperar na vida profissional. Mas antes ela era casada com Thomas Vonn e, desta forma, acabou ficando conhecida como Lindsey Vonn. Não tinha como mudar, não tinha como ficar para trás, principalmente depois da maior glória de sua carreira alcançada nas Olimpíadas de Vancouver 2010. O destino, infelizmente, quis que ela ficasse de fora de Sochi 2014, mas um ano afastada serviu apenas para adiar o dia que conseguiria alcançar um emblemático recorde em sua carreira.

Lindsey Vonn voltou contudo na temporada 2014-2015. Vitória no downhill em Lake Louise, mais uma em Val d'Isère, na França. A Copa do Mundo segue então para a Itália, mais precisamente em Cortina d'Ampezzo. Uma comuna com pouco menos de seis mil habitantes que é sempre lembrada por sua famosa estação de esqui. Mas depois do último final de semana ela começará a ser lembrada como o local onde Vonn alcançou o seu grande recorde. O downhill podemos dizer que foi fácil. O super G podemos dizer que foi para comprovar que ela não é considerada uma das maiores de todos os tempos por um mero acaso do comodismo que analisa tudo de forma totalmente superficial.

A marca durava 25 anos, e finalmente ela foi superada. Primeiro o recorde foi igualdo, depois ele ficou para trás como vagões que não podem mais seguir a locomotiva. Até o último sábado a maior vencedora em etapas da Copa do Mundo de Esqui Alpino era Annemarie Moser-Pröll. Desde a última segunda-feira o posto passou a ser ocupado pela musa americana Lindsey Vonn, nascida Kildow e vinda ao mundo para brilhar como as estrelas em uma noite de céu limpo. Desde a primeira glória em 2004 até a última conquista ela já alcançou um total de 63 vitórias e superou as 62 da austríaca. Marcante, histórico e com a certeza que ainda não acabou, afinal ela ainda vai esquiar por mais alguns anos e, quem sabe, pode até alcançar o maior vencedor de todos os tempos, Ingemar Stenmark, que tem 86 triunfos.

The Whack Heard Round the World

Em fevereiro de 1992 apenas um seleto grupo de pessoas voltava as suas atenções para a pequenina cidade de Albertville, na França. Aquela região dos Alpes, no entanto, abrigava nada menos do que mais uma edição dos Jogos Olimpícos de Inverno, a última ocorrendo no mesmo que ano que as Olimpíadas de Verão. Como de costume, as disputas de esqui alpino nas montanhas eram as mais admiradas, mas mesmo assim havia que apreciasse a patinação artística. Os americanos em especial com motivos de sobra: Kristi Yamaguchi ficou com a medalha de ouro, enquanto duas outras revelações da Terra do Tio Sam iniciavam um guerra que por pouco não se transformou em uma tragédia.

Nancy Kerrigan levou a medalha de bronze e Tonya Harding amargou a quarta colocação. A próxima edição das Olimpíadas de Inverno seriam em apenas dois anos, para não coincidir mais com os Jogos Olímpicos de Verão. Elas não poderiam perder tempo na grande corrida pelo ouro no gelo. Então, após um dia normal de treinos antes do campeonato nacional americano em Detroit, o inesperado aconteceu. Nancy foi atacada e golpeada no joelho por um homem que usava um tipo de bastão. A imagem após o ataque acabou sendo gravada por câmeras que cobriam o evento e nela era possível ver todo o sofrimento de Kerrigan que gritava: "Por que? Por que?"

Com a perna machucada, Nancy Kerrigan acabou impedida de disputar a competição. Sem uma forte concorrente ao seu lado, Tonya Harding acabou vencendo sem muitas dificuldades. Porém, no mês de junho daquele mesmo ano de 1994, a medalha de Harding foi caçada e seu título cancelado. Tudo porque a patinadora estava diretamente envolvida no plano premeditado de ataque à Nancy. O planejamento havia sido feito pelo ex-marido de Harding, Jeff Gillooly, juntamente com o segurança Shawn Eckhardt. Eles contrataram Shane Stant e o objetivo era quebrar a perna de Kerrigan para que ela jamais pudesse andar de esqui novamente em sua vida. Por sorte dela nada acabou dando certo, nem mesmo para Harding antes que tudo fosse descoberto.

O tom sensacionalista da história atraiu a mídia de todo o mundo. Nancy Kerrigan foi capa das revistas TIME e Newsweek e, mesmo com tanto assédio e tão pouco tempo de recuperação do ataque, estava pronta para as disputas Olímpicas em Lillehammer, na Noruega. E como as investigações da polícia ainda não haviam concluído nada nessa época, Harding também estava lá ao lado dela, provavelmente ainda achando que seu plano de acabar com a rival ainda iria lhe trazer bons resultados. Mas não foi o que aconteceu, pois Nancy Kerrigan ficou com a medalha de prata enquanto a inimiga número um e mentora do ataque terminou apenas na oitava colocação.

Os momentos mais marcantes de sóchi 2014

E por que as Olimpíadas de Londres 2012 tiveram exclusividade na transmissão pela TV aberta no Brasil? A impressão que ficou é que essa edição dos Jogos Olímpicos de Inverno em Sóchi 2014 foram muito melhores e mais interessantes do que a versão de verão inglesa ocorrida dois anos atrás. E não porque passava na Rede Globo ou na Band, além da Record, mesmo porque não passaram quase nada ou passaram apenas de madrugada, mas porque pelo menos passava, e tinha reportagens nos telejornais e não havia boicote velado, como fez a dona Globo com Londres 2012. Sem falar na excelente cobertura da TV à cabo e as informações completas na Internet. Os Jogos foram os mais caros da história, tiveram polêmicas inevitáveis, mas também tiveram momentos marcantes e inesquecíveis que fizeram a história do esporte ainda mais linda e rica do que já é.

1. Ole Einar Bjørndalen
Ouro na velocidade de 10 Km do Biatlo e ouro no revezamento misto. O norueguês Bjørndalen simplesmente se tornou o maior atleta olímpico de Inverno de todos os tempos. O Michael Phelps dos Jogos de Inverno com um total de 13 medalhas, sendo oito de ouro. E só não aumentou para 14 porque o seu companheiro de equipe Svendsen cometeu um erro na última sessão de tiros do revezamento 4 x 7,5 Km, e poderia ter sido até mais uma de ouro.

2. Final feminina do Hóquei no gelo
E então os Estados Unidos venciam o Canadá por 2 a 0 e iam conquistando o Hóquei no Gelo feminino, uma medalha que não vinha desde 1998, quando a competição ocorreu para as mulheres pela primeira vez e elas haviam vencido justamente as canadenses. Depois disso o Canadá venceu três vezes seguidas e estava na decisão mais uma vez. Elas não queriam perder novamente e faltando menos de quatro minutos fizeram um gol. Em seguida a goleira saiu e os EUA quase amplicaram quando mandaram o puck na trave. E quando faltava menos de um minuto o impossível aconteceu, as canadenses empataram o jogo. Prorrogação e mais um gol do Canadá, o gol de ouro, o gol da vitória, o gol da medalha que pelo quarto ano consecutivo elas não deixaram escapar mesmo quando tudo parecia perdido. Um acontecimento simplesmente memorável, incrível e emocionante. Simplesmente histórico.

3. Justyna Kowalczyk
A polonesa havia sido campeã olímpica em Vancouver 2010 e pouco antes dos Jogos de Sóchi 2014 elas simplesmente teve uma fratura no osso do pé. Ela não desistiu e foi até a Rússia, competiu, sentiu dores e também sentiu a glória maior de ser mais uma vez campeã olímpica, mesmo com pé quebrado, demonstrando uma superação inacreditável e simplesmente maravilhosa e emocionante. Uma superação digna de uma grande e verdadeira atleta olímpica.

4. Empate histórico
Montanha abaixo elas descem com seus esquis mágicos. O Esqui Alpino é uma das atrações mais marcantes dos Jogos Olímpicos e o Downhill é a prova mais cativante de todos. Eles simplesmente deslizam pela montanha precisando apenas se manter dentro do traçado. Uma descida que dura quase dois minutos, mais precisamente 1m41s57. O tempo estabelecido por Dominique Gisin e se não pudesse ser mais incrível e inacreditável o mesmo tempo foi também alcançado por Tina Maze. Duas das mais belas atletas dos jogos no ponto mais alto do pódio, algo nunca antes visto em todas a história do esqui alpino.

5. Sul-coreano russo
E quantos chineses nós não vemos jogando tênis de mesa representando outros países? Ele nasceu na Coréia do Sul, mas é naturalizado russo. E ele é o rei da patinação de velocidade em pista curta. Ele simplesmente venceu os 500 metros, os 1000 metros e o revezamento. Viktor Ahn só não foi campeão dos 1500 metros, mas estava lá também e saiu com o bronze. Nos 500 metros sua vitória mais emocionante e marcante, um prova rápida que não permite erros e ele largou mal, ficou em último lugar, viu um de seus adversários sofrer um queda e faltando duas voltas ficou em segundo para na última volta assumir a ponta e vencer de maneira sensacional.

6. Ucrânia ganha ouro
Vita Semerenko, Juliya Dzhyma, Valj Semerenko, Olena Pidhrushna. Em plena Guerra na Ucrânia, as ucranianas dão o sangue no gelo e conquistam uma medalha de ouro que o país não via havia 20 anos. Vitória emblemática, emocionante que mostra como o espírito olímpico pode superar qualquer questão política.

7. Adelina Sotnikova
Foi polêmico, as pessoas reclamaram através das Redes Sociais, foi solicitado uma investigação nas notas dos juízes que poderiam ter sido influenciados pelo fator casa, mas foi simplesmente emocionante a vitória de Adelina Sotnikova na patinação artística individual feminina. Ela não fez uma apresentação totalmente inpecável, cometeu um pequenino e quase imperceptível desequilíbrio, mas ofuscou a sua compatriota e sensação local e Yulia Lipnitskaya. O público foi ao delírio e seu choro de emoção ao final da apresentação comovia. A sul coreana Kim Yu-Na veio no final e fez um excelente apresentação, mas faltava algo mais, faltava um brilho a mais e o fato de Sotnikova estar competindo em casa lhe proporcionou. E porque não dar uma nota a mais para isso? A vitória de Adelina foi legítima e simplesmente inesquecível.

8. Holanda na patinação de pista longa
Só o grande Sven Kramer levou duas de ouro e uma de prata. A Holanda poderia ter vencido todas de ouro no masculino se não fosse a derrota de Koen Verweij por um centésimo. Mas o mais incrível é que eles venceram quase todas as medalhas da patinação de velocidade em pista longa, tanto no masculino quanto no feminino, tanto de ouro quanto de prata e bronze também. Um domínio incrível que resultou em oito ouros, sete pratas e oito bonzes. Total de 23 medalhas do país que no total dos jogos levou 24 medalhas. Os holandeses são os Reis e Rainhas da patinação de velocidade em pista longa.

9. Alemanha no Luge
No revezamento por equipes mista venceram os alemães Natalie Geisenberger, Felix Loch, Tobias Arlt e Tobias Wendl. E Arlt e Wendl ainda levaram nas duplas, além de Geisenberger ser a campeã do feminino e Loch vencer no masculino. A Alemanha simplesmente venceu todas as medalhas de ouro do Luge, simplesmente incrível e destruidor na pista de gelo que não é a mais veloz do planeta, mas é mais mágica para os alemães.

10. Josi Santos
Joselane Santos virou Josi Santos. O Brasil não tem tradição, história ou condições de competir em uma Olimpíada de Inverno. O Brasil é um país tropical e praticamente não tem neve. Mas os brasileiros às vezes vão parar lá no frio da montanha e eles tem garra, fibra e vontade de pelo menos no mínimo fazer parte de alguma coisa. Josi não deveria estar lá nem por isso, mas Lais Souza sofreu um acidente gravíssimo e ela teve de ir em seu lugar. A responsabilidade de substituir a amiga, o medo e a tensão foram superados em um salto simples, mas eficaz. Ela cumpriu o seu dever e não conseguiu conter as lágrimas de emoção. Um dos momentos mais emocionantes e marcantes dos Jogos Olímpicos de Inverno que foram notícia no mundo inteiro, formando um L com os dedos da mão ela mandou o seu recado final: "Foi pra você Laís".

A lágrima do ursinho russo voltou a escorrer como em Moscou 1980 e as saudades das Olimpíadas de Inverno já eram grandes durante a cerimônia de encerramento. E daí se eles tiveram uma pequena falha na abertura quando um dos anéis olímpicos não se abriu, no encerramente eles repetiram a cena com uma performance propositada que marcou ainda mais na memória e que foi digna de aplausos. O show russo ficou ainda mais evidênciado quando eles trminaram à frente no quadro geral de medalhas, mesmo que com atletas naturalizados, não importa, o que importa é Sóchi 2014 valeu muito à pena. Agora é só esperar Rio 2016 e Pyeongchang 2018 para saber quem continuará trazendo mais emoções de arrepiar no esporte.

E quem deseja tanto ir para um lugar tão frio?

Frio e neve. Temperaturas baixas. Dois dígitos negativos em Celsius e Fahrenheit. As escolas estão fechadas e o governo pede que as pessoas só saiam de suas casas em casos de enorme necessidade. Navio quebra gelo é acionado, força tarefa para limpar as ruas convocada, o café quente congela e vira vapor em um segundo e a imprensa fala em vórtice polar. Assim está o Canadá e os Estados Unidos, gelado, tanto quanto ou pelo menos quase estará no início do mês que vem a até pouco tempo atrás desconhecida Sóchi, na conhecidíssima Rússia. Mas mesmo que o frio não leve tantos problemas para lá, o problema maior é se alguém que tanto merecia não for para lá.

E problemas de última hora nunca foram um problema. E se recuperar à tempo de ir para as Olimpíadas era uma de suas marcas registradas. E vencer uma competição olímpica era um sonho que só foi alcançado um vez em Vancouver 2010. Uma medalha de ouro em sua prova favorita que jamais será esquecida. Mesmo assim Lindsey Vonn queria muito mais, queria brilhar novamente na maior competição do planeta, queria enfrentar o frio que os seus conterrâneos americanos estão enfrentando nesse momento e sair de lá muito mais vencedora do que já é. Ela queria mais uma medalha de ouro, porém ela não terá a oportunidade de conquistar nem a medalha de bronze.

Foram longos meses de espera e longos meses de esperança. Foram longos e intermináveis dias de recuperação e tentativas de retorno até que muito bem sucedidos. Mas Lindsey caiu mais uma vez. Machucou o joelho mais uma vez. Não conseguiu alcançar 100% de recuperação e não poderá competir de igual para igual com as melhores do planeta na gelada cidade da Rússia. Com uma tristeza típica de quem está encolhido e tremendo em meio aos dois dígitos negativos com um sensação térmica de um 5 seguido de um zero com o sinal menos na frente, ela anunciou sua decisão através das Redes Sociais. Lindsey Vonn não estará nas Olimpíadas de Inverno ou, as Olimpíadas de Inverno não terão o prazer de contar com a presença da melhor e mais bela esquiadora alpina do mundo.


Um sonho realizado para a musa do Curling

Lá está ela com seus cabelos mesclados e seu lindo rosto que deixam qualquer um encantado. A seriedade em sua face é sua marca registrada, concentração é tudo em qualquer tipo de competição esportiva. Ela está com uma calça de agasalho e um casaco, porque está frio e porque ela pisa no gelo com um solado especial em um dos pés para deslizar suavemente de um lado para o outro. Quem manda em cada jogada é essa verdadeira musa do esporte, com seus lindos olhos claros que penetram em nossa mente, enquanto esperamos ansiosamente pelos raros momentos que podem fazer seus belos lábios esboçarem um sorriso maravilhoso e contagiante. E isso finalmente acaba acontecendo, mas não antes de uma longa jornada que acabou sendo extremamente bem compensada.

Entre Graham ou Campbell, seu clã escocês acabou sendo Muirhead. Filha de Gordon que provavelmente, assim como muitos outros conterrâneos, usou muitas vezes o kilt. Ouvindo Nazareth, Snow Patrol e provavelmente Franz Ferdinand, ela deve ter sentido medo do Monstro do Lago Ness em algum dos bons dias de sua infância. As guerras ficaram para trás e hoje em dia não existe mais nenhum coração valente tentando derrotar os ingleses como na Batalha de Stirling Bridge, mas ela sabe que a Escócia não é apenas mais um país perdido no meio da Grã-Bretanha. A Escócia tem Sean Connery, Brian Cox e Alan Cumming. A Escócia é obrigada a competir com os ingleses e irlandeses nas Olimpíadas, mas não em Campeonatos Mundiais. Essa é a oportunidade que ela tem de provar que não é só mais um rostinho bonito e que pode alcançar seu sonho, pois ela tem talento, uma pedra e uma vassoura na mão.

Ela não seguiu os passos do pai só porque o esporte já estava dentro de casa. Ela não foi campeã nacional júnior quatro vezes apenas por acaso, assim como não venceu outras quatro vezes o mundial júnior só porque sabia lançar e varrer com maestria. Na Escócia faz frio, na Escócia tem muito gelo e não tem como evitar os esportes de inverno. O curling estava mais próximo, mas não só porque o pai jogava, ela também queria jogar e ser campeão. Ela queria representar a Escócia e não a Grã-Bretanha como foi obrigada a fazer nas Olimpíadas de 2010. Talvez por isso não passou da primeira fase e no Mundial, quando pode defender sua pátria, ela levou a prata. Mas a prata é muito pouco para Eve Muirhead, que fez a sua história antes de ser profissional e que nasceu para ser linda e campeã mundial.

Campeã como o time escocês campeão de 2002, que também enfrentou a Suécia na grande decisão. Ainda bem que não era a Alemanha, pois ninguém queria amargar o vice novamente. Ao lado de Anna Sloan, que também é tão musa quanto ela e as indispensáveis Vicki Adams e Claire Hamilton, que varrem o gelo como ninguém. A sorte caminhou ao seu lado e a ajudou como muitas vezes ajudou William Wallace, afinal não é todos os dias que se marca dois pontos em um end onde o seu adversário está com o martelo. As rivais acabaram marcando apenas um depois que o compasso mediu com precisão a distância da pedra para o centro da casa e isso ajudou muito também. A luz vermelha era apenas um curto circuito na pedra e o último lançamento estava nas mãos dela. Séria e concentrada, a pedra é lançada, bem no alvo e bem no centro. O sorriso é de alegria e felicidade em sua face, pois Eve finalmente se tornou campeã mundial de Curling, um sonho que finalmente se tornou real e deixou de ser mais uma lenda escocesa.

Os Cochran e as montanhas brancas de neve

Quando Ross conheceu Emily, na quarta temporada do seriado Friends, ele a levou para esquiar em Vermont. Mas antes de Mickey Cochran e sua esposa Gina se mudarem para Winooski, em Vermont, ele enfrentou muitos problemas. O então jogador de beisebol teve que largar a faculdade de engenharia para servir seu país na Segunda Guerra Mundial em 1944. Por sorte suas habilidades atléticas o ajudaram a ficar vivo, e ele pôde então retornar aos Estados Unidos. Com uma bolsa na Universidade de Vermont ele teve a chance de completar os estudos e de quebra praticar o esporte que mais adorava, o esqui alpino. Em 1960 aproveitou a chance que teve para comprar uma casa e um grande terreno montanhoso em Winooski. Tinha início ali a relação plena da família Cochran com as montanhas brancas de neve.

Por que não esticar uma corda e montar aqui um teleférico? Mickey não se parecia em nada com o famoso personagem de Walt Disney, e ainda por cima entendia muito de engenharia. Ele conseguiu unir o últil ao agradável, e adorava ensinar todos a esquiar. As crianças e outros interessados vinham de todas as partes, ele não cobrava nada pelo uso do local e Gina recebia todos em sua casa. Um lugar aconchegante e na opinião da maioria um lugar simplesmente mágico. O que será que Gina colocava no café? Ou seria chocolate quente? Será que tinha alguns biscoitinhos irresitíveis também? Provavelmente sim. Pois ao longo dos anos muitos famosos apareceram também, suas fotos na parede da pousada construída em 1984 confirmam, e seus filhos acabaram famosos também, pois a família Cochran e as montanhas brancas de neve estavam unidas.

Robert "Bobby" Cochran, Marilyn Cochran Brown, Lindy Cochran Kelley e principalmente Barbara Ann Cochran, que conseguiu conquistar uma medalha de ouro nas Olimpíadas de Inverno de 1972, em Sapporo, no Japão, ao vencer o prova de Slalom. Vitórias vieram também na Copa do Mundo de Esqui Alpino, em muitas outras competições, todos os quatro filhos foram membros da equipe de Esqui dos Estados Unidos. Mickey Cochran havia construído uma pista de esqui no quintal de sua nova residência, mas acabou criando um palco de ilusão que atraía todo mundo, mesmo que estivessem muito longes, como no filme "Campo dos Sonhos". Ele talvez não imaginasse que seus próprios filhos fariam tanto sucesso com seus ensinamentos, muito menos que a família Cochran se daria tão bem com as montanhas brancas de neve, pois até seus netos seguiram os mesmos passos.

Passadas largas com os esquis nos pés. Ryan Cochran-Siegle já foi campeão júnior. Caitlin Cochran-Siegle tem tudo para ser grande também, principalmente depois que se mudou definitivamente para Vermont. Jimmy Cochran foi membro da equipe americana entre 2006 e 2010 e Thomas Cochran também era excelente antes de virar cantor. Já Roger Brown, filho de Marilyn, também esquiou antes de se dedicar mais aos estudos. Assim como o avô, ele se formou em Engenharia, o que certamente deixaria Mickey muito orgulhoso. Mas Mickey já havia terminado o seu trabalho e uma insuficiência cardíaca o fez dizer adeus em 1998 aos 74 anos. Gina se foi em 2005, aos 76 anos. A família Cochran havia perdido o seu pai e sua mãe, mas em todos esse anos jamais perdeu a sua verdadeira essência e a sua ligação tão completa e perfeita com as montanhas geladas e brancas de neve.

Uma das maiores esquiadoras de sempre

Lindsey VonnMuito longe de casa, das especulações sobre o destino de Peyton Manning ou ainda os agitados treinos de primavera do beisebol. Ela não causa alarde e nem vira mania mundial como Tim Tebow ou Jeremy Linn, mas a esquiadora americana Lindsey Vonn escreve a história sobre as montanhas de neve e se torna uma das maiores atletas de todos os tempos. Nem parece possível imaginar que o título geral da Copa do Mundo de Esquia Alpino do ano passado escapou por apenas três pontos. Como foi possível aquele triunfo apertado da alemã e amiga querida Maria Riesch? Hoje poderiam ser cinco títulos consecutivos, mas mesmo que sejam quatro não significa que não seja grande. Antes dela foram poucos que subiram tão alto quando foram ao topo do mundo.

Se Lindsey Vonn fosse derrotada nessa temporada como foi no ano passado, poderíamos entender melhor. A esquiadora se separou do marido Thomas Vonn, mas manteve o sobrenome de casada, afinal é conhecida no mundo todo por ele. Assim ela voltou a ser treinada pelo pai, Alan Kildow, que não aprovava seu relacionamento iniciado desde sua juventude. A mídia querendo arrumar um novo par para uma das musas do esqui, o assédio inevitável se tornando cada vez maior, mas Vonn se mantendo firme como uma rocha, focada em seu objetivo. Nada, nem mesmo Tina Maze e tão pouco Riesch. Ninguém conseguiu parar Lindsey que começou o ano ganhando em uma descida que jamais havia triunfado: O Giant Slalom. Apenas a quinta esquiadora a vencer em todas as disciplinas, com quem mais deveria ficar o título desse ano?

Gigante como o Slalom que voltou a conquistar nesta sexta-feira, maior ainda porque não parou por aí. Lindsey Vonn chegou a 52 vitórias na carreira, só existem duas esquiadoras com um número maior de vitórias do que ela na história. Vreni Schneider com 55 e Moser-Proell com 62. Para se ter uma idéia do tamanho da importância disso, basta ver que um dos esquiadores mais conhecidos no mundo, Hermann Maier, tem um total de 54 vitórias em sua carreira. Sem falar que Vonn faturou também o título no Downhill e no Combinado, podendo vencer o Super G e quem sabe ainda faturar o Giant Slalom. Com incríveis 1808 pontos, ela pode ainda romper a improvável marca dos 2000 pontos, sendo que o recorde é de Janica Kostelic que fez 1970 em 2006. Depois disso a meta será vencer a Copa do Mundo seis vezes, proeza de Annemarie Moser-Proell nos anos de 1970.

Quatro títulos de Copa do Mundo em cinco anos. Números incríveis, recordes e conquistas inéditas que pelo menos nenhum outro americano havia conseguido, nem no masculino. Além de Moser-Proel, só o esquiador Marc Girardelli tem mais títulos de Copa do Mundo do que Lindsey Vonn agora. Será que é tão dífícil afirmar que a esquiadora americana Linsey Vonn é uma das maiores de todos os tempos? Só porque ela não é apenas uma vaga lembrança na memória fraca de quem gosta de ver o passado e ignorar o presente. É tão difícil reconhecer o talento de Meryl Streep para lhe entregar o Oscar? Michael Jordan precisa jogar com 40º de febre para provar o quanto é bom? Tiger Woods tem mesmo que superar Jack Nicklaus em Majors para ser o melhor da história? Por que não aproveitamos o que estamos vendo agora mesmo, no presente, ao vivo e a cores? E esse presente é Lindsey Vonn, tão longe, tão distante e tão gigante. A Rainha da Neve, que ainda tem um longo caminho pela frente e pode ser ainda maior do que já é. (Foto: Jonathan Nackstrand/AFP/Getty Images)

Domina o ano querendo o mundo

Copa do Mundo de esqui alpino lindsey vonnAnnemarie Moser-Pröll foi uma esquiadora austríaca que competiu entre os anos de 1969 e 1980. Sua carreira terminou praticamente na mesma época em que conseguiu aquele que talvez fosse o maior objetivo traçado desde o início, quando levou para casa a medalha de ouro olímpica na edição de Lake Placid dos Jogos de Inverno. Campeã da Copa do Mundo de Esqui Alpino por incríveis seis temporadas, Annemarie alcançou a incrível marca de 114 pódios em onze anos e nada a menos do que 62 vitórias no total. Jamais em qualquer outra época alguma esquiadora conseguiu triunfar tantas vezes, apenas chegando perto como é o caso de um ou se aproximando cada vez mais, como é o caso de uma outra que compete nos dias atuais.

Não estamos falando de Vreni Schneider. Mesmo porque essa esquiadora suiça que começou a competir em 1984, encerrou sua longa e consagrada carreira no ano de 1995. Foram anos de glórias e inúmeros triunfos. Só nas Olimpíadas vieram três ouros: No slalom de Lillehammer 1994 e Calgary 1998, além do giant slalom de Calgary 1998. Três ouros em campeonatos mundiais também e três títulos de campeã geral da Copa do Mundo de esqui alpino, 1989, 1994 e 1995. Schneider, hoje com 47 anos de idade, alcançou exatos 100 pódios em toda a sua carreira, chegando em mais da metade deles ao ponto mais alto onde atingiu 55 vitórias no total. Não superou as 62 vitórias de Annemarie Moser-Pröll, mas até ontem era uma das duas únicas mulheres com 50 ou mais vitórias em toda a carreira.


Curiosamente apenas três esquiadores entre os homens tem 50 ou mais vitórias na carreira. E apenas Ingemar Stenmark supera Annemarie Moser-Pröll. O sueco competiu de 1974 e 1989 e alcançou a incrível marca de 155 pódios com 86 vitórias históricas. Foram duas medalhas de ouro olímpicas e três títulos na Copa do Mundo. Depois dele vem o lendário Hermann Maier, da Áustria, que não passou das 54 vitórias e só conseguiu ser melhor que Alberto Tomba, da Itália. Maier pelo menos conta com um título de Copa do Mundo a mais que Stenmark, enquanto que Tomba teve que se contentar com apenas um e ainda saber que mais cedo ou mais tarde outra mulher vai conseguir superá-lo depois de igualar sua marca nada fácil de ser alcançada. 50 vitórias no mundo do esqui alpino não é fácil de se conseguir e não é todo dia que acontece.

Esse dia pode até ter demorado, mas ele veio. Esse dia poderia ter sido na semana passada quando Maria Höfl-Riesch a venceu por muito pouco no Super Combinado. Esse dia não poderia ter acontecido em um dia melhor do que hoje, quando toda a sua família foi para Garmisch-Partenkirchen, na Alemanha. É lá que ela passa o Natal justamente com a sua algoz da semana passada, Riesch, grande rival e amiga. A neve, o frio, a alegria estamapda no rosto que tra um sorriso encantador. Lindsey Vonn entra para um lista pequena de grandes, Lindsey Vonn fatura mais uma vez uma prova de Downhill e alcança a sua vitória número 50 em toda a carreira intensa e brilhante. Apenas ela e mais quatro esquiadores, duas mulheres, venceram 50 vezes ou mais no perigoso mundo do esqui alpino.

Metade das vitórias de Lindsey Vonn vieram no Downhill, sem dúvida alguma sua descida favotita. Seu diferencial, no entando, é que ela já venceu em todas as disciplinas, inclusive giant slalom. Vonn já faturou também três títulos seguidos da Copa do Mundo e perdeu por muito pouco o do ano passado. A bela esquiadora tem também um ouro olímpico e dois em campeonatos mundiais. Nesse ano sua liderança é sólida e inabalável, 1350 pontos contra 868 da segunda colocada Tina Maze; Riesch é terceira com 746. Aos 27 anos ela acumula 91 pódios em dez temporadas, mas as vitórias só começaram em 2005. Agora só o tempo dira o que mais pode vir pela frente, talvez superar 86 triunfos seja extremamente difícil, mas alguém duvida plenamente que ela não consegue passar das 62 vitórias em breve? (Foto: AFP PHOTO / JOHANNES EISELE
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