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Mesmo durante a Copa tem recorde mundial na natação

Enquanto o mundo volta seus olhares para os gramados e a atmosfera de euforia da Copa do Mundo FIFA 2026 que toma conta das conversas em cada esquina, o esporte de alto rendimento nos recorda que a excelência humana não conhece pausas ou calendários exclusivos. No coração da histórica Roma, onde a tradição se encontra com o futuro, a nadadora americana Gretchen Walsh protagonizou um momento de rara precisão e velocidade que ecoou bem além das piscinas, quando a contagem regressiva para as Olimpíadas de Paris 2024 marcam cerca de dois anos de regressiva.
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Durante a 62ª edição do prestigioso Troféu Sette Colli, Walsh cravou o tempo de 23seg55 nos 50 metros livre, estabelecendo um novo recorde mundial e reescrevendo, de forma categórica, o livro das marcas mais rápidas da história da natação. O feito ganha contornos ainda mais impressionantes pela brevidade do topo: a marca anterior, 23seg59, havia sido estabelecida há apenas nove dias por sua compatriota e parceira de treinos, Kate Douglass, em Indianápolis. A rapidez com que o recorde mudou de mãos é um testemunho da evolução técnica e da rivalidade saudável entre essas duas atletas, que continuam elevando o padrão da velocidade feminina global e lembrando um pouco da época esquisita dos chamados trajes tecnológicos que fizeram história de muitos recordes por volta de 2009.
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Ao sair da água sob os aplausos do público italiano, uma Walsh visivelmente energizada não escondeu sua ambição renovada, declarando enfaticamente que sua presença no topo é apenas o início de uma caminhada onde pretende continuar desafiando os limites em cada prova que disputar, já pensando é claro nos Jogos Olímpicos. É um lembrete vívido de que, simultaneamente às grandes decisões nos estádios de futebol ao redor do globo, a história do esporte está sendo escrita em frações de segundo, provando que o espírito competitivo — seja nos gramados ou nas raias — é um espetáculo contínuo que nunca deixa de nos surpreender com o extraordinário.

A aposentadoria precoce de Titmus

A nadadora australiana Ariarne Titmus, detentora de múltiplos recordes mundiais e medalhas olímpicas, anunciou sua aposentadoria das competições aos 25 anos de idade, encerrando precocemente uma das trajetórias mais vitoriosas e dominantes da natação contemporânea. Durante os últimos anos, Titmus estabeleceu-se firmemente como uma das figuras mais proeminentes do desporto aquático, colecionando um vasto e impressionante leque de conquistas que a inserem entre as lendas australianas. Seu legado é adornado por um total de quatro títulos olímpicos, um feito notável que demonstra sua capacidade de excelência nos palcos de maior prestígio.

Entre suas atuações mais icónicas, destaca-se o desempenho nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, quando, na final dos 400 metros livre, foi ao pódio mais alto superando a lendária recordista mundial Katie Ledecky em um confronto de tirar o fôlego, consolidando-se como a "zebra" vitoriosa daquela edição. Na mesma Olimpíada, garantiu outro ouro nos 200 metros livre, estabelecendo um novo recorde olímpico com o tempo de 1:53.50, além de conquistar a prata nos 800 metros livre.

A nadadora manteve sua forma até o final, culminando nos Jogos de Paris 2024 com a conquista do ouro nos 200 metros livre, bem como duas medalhas de prata nos 400 e 800 metros livre, e a contribuição crucial para o ouro do revezamento 4x200 metros livre, que também quebrou o recorde olímpico. Além das piscinas olímpicas, a nadadora detém o prestigiado Recorde Mundial individual nos 200 metros livre, com a marca de 1:52.23, alcançada nos Seletivos Olímpicos Australianos de 2024, e integra o revezamento 4x200 metros livre que estabeleceu o Recorde Mundial em 2023.

Seu desempenho em Campeonatos Mundiais é igualmente digno de nota, com quatro títulos mundiais, duas medalhas de prata e três de bronze, complementando sua rica coleção olímpica de quatro ouros, três pratas e um bronze. A nadadora encerra sua carreira como uma campeã completa, tendo realizado todos os sonhos que nutria desde a infância, conforme expressou em sua mensagem de despedida, pronta para um novo ciclo de vida aos 25 anos, após ter dedicado seu ápice atlético ao mais alto nível da natação.

Quando a natação e a NFL se uniram

Com uma grande solenidade, o lendário nadador Michael Phelps, o atleta mais condecorado na história dos Jogos Olímpicos, atendeu ao chamado de um grupo de titãs do futebol americano. Em um gesto de profunda humildade e grandeza, o recordista de 23 medalhas de ouro olímpicas retornou a Baltimore, sua cidade natal, para realizar uma missão tão nobre quanto incomum: introduzir os formidáveis jogadores do Baltimore Ravens ao domínio das águas. Este encontro de gigantes, de um ícone da natação com monstros da NFL, foi além das fronteiras dos esportes, tornando-se uma lição sobre a capacidade de superação, a vulnerabilidade e a busca incessante por aprimoramento, mesmo para aqueles já no ápice de suas carreiras.

A iniciativa surgiu de uma revelação surpreendente, quando o cornerback Marlon Humphrey e outros companheiros de equipe admitiram, em uma publicação viral nas redes sociais, que uma parcela significativa do elenco não possuía o domínio da natação. Diante desse desafio inusitado, que representa uma vulnerabilidade em um universo de força e dominação física, Michael Phelps prontamente aceitou a tarefa. Ele viu neste momento não apenas a oportunidade de ensinar uma habilidade vital, mas de compartilhar a mentalidade de um campeão. O encontro, realizado no centro aquático da Universidade Loyola Maryland, onde o próprio Phelps iniciou sua carreira, foi um palco para a demonstração de que a verdadeira força reside na coragem de enfrentar medos e no compromisso de evoluir continuamente.

A grandiosidade do evento foi marcada por lições de vida e de técnica, com Phelps, o "GOAT" (Greatest of All Time), compartilhando os fundamentos que o levaram ao seleto grupo dos deuses do esporte. Com a ajuda de sua própria treinadora de infância, ele orientou os jogadores em exercícios de respiração, flutuação e chutes, transformando a piscina em um campo de treinamento para uma nova forma de superação. Mais do que meras aulas de natação, o encontro foi um intercâmbio de filosofias de sucesso. Phelps e o lendário Ray Lewis, ícone dos Ravens, ofereceram discursos motivacionais, enfatizando que a excelência é construída nos pequenos detalhes, no trabalho árduo invisível e na dedicação inabalável, valores que ressoam tanto na água quanto no gramado.

Ao final da sessão, a camaradagem se manifestou em uma série de competições lúdicas, onde os jogadores tiveram a oportunidade única de "nadar" contra o maior nadador de todos os tempos. Alguns, como o safety Kyle Hamilton, foram agraciados com vantagens impressionantes, enquanto outros, como o defensive end Travis Jones, foram instruídos com a ajuda de um simples flutuador, um símbolo da humildade necessária para o aprendizado. Este evento notável não só equipou os jogadores com uma nova habilidade vital, mas também cimentou um momento histórico de convergência entre dois reinos de excelência atlética, provando que a busca pela perfeição e a disposição para ser vulnerável são atributos universais que definem os verdadeiros campeões.

Pela sexta vez na história Katie Ledecky

No palco aquático de Cingapura, a supremacia de Katie Ledecky foi mais uma vez reafirmada, não como um evento isolado, mas como a continuação de um reinado que se estende por mais de uma década. Aos 28 anos, a nadadora americana não apenas conquistou seu sexto título consecutivo nos 800 metros livres no Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos, mas o fez com uma autoridade incontestável, deixando as adversárias em uma luta distante pelo segundo lugar. Com um tempo de 8:12.78, Ledecky não precisou quebrar recordes para provar seu ponto; sua própria presença na piscina é uma declaração de domínio. O mundo da natação testemunha a cada braçada a expansão de uma lenda, cujo império aquático parece imune à passagem do tempo ou ao surgimento de novos desafiantes, alcançando um feito que nem Michael Phelps conseguiu.

A jornada de Ledecky nos 800 metros livres é um estudo de caso em consistência e excelência. Desde sua primeira vitória na prova em Campeonatos Mundiais em 2013, ela tem mantido uma sequência ininterrupta, um feito que a coloca em uma categoria própria. Sua capacidade de liderar do início ao fim, transformando a corrida em um monólogo sobre superioridade, é algo raramente visto em qualquer esporte. Enquanto outros atletas lutam contra o tempo e a concorrência, Ledecky compete contra sua própria sombra, buscando a perfeição em cada detalhe. É uma exibição de poder atlético que transcende a mera vitória, configurando-se como uma demonstração de sua inabalável vontade de dominar.

A margem de vitória de Ledecky sobre a australiana Lani Pallister, que ficou com a medalha de prata, foi de quase oito segundos, uma eternidade no universo da natação competitiva. Essa distância não é apenas uma medida de velocidade, mas um símbolo do abismo que separa a rainha de suas súditas. Nenhuma outra nadadora na história dos Mundiais conseguiu tal feito na mesma prova. Com este triunfo, Ledecky agora acumula 25 medalhas no Campeonato Mundial, superando o recorde anterior de Michael Phelps de 20 medalhas individuais. Tais estatísticas não são meros números; elas são a crônica de um reinado que se solidifica a cada competição, uma era dourada que, ao que tudo indica, ainda tem muitos capítulos a serem escritos.

Em um esporte que exige a renovação constante de energia e motivação, Ledecky mantém uma fome de vitórias que desafia a lógica. Sua longevidade e a constante capacidade de se manter no topo demonstram uma disciplina e um foco que são a verdadeira essência de uma campeã. Com um legado já consolidado, ela continua a escrever sua história, não para provar algo a outros, mas para reafirmar a si mesma, a cada vez que sobe ao bloco, que o trono dos 800 metros livres pertence a ela e a mais ninguém. A piscina é o seu domínio, e a vitória, a sua herança.

Uma conquista de ouro frustrante

Na atual e eletrizante etapa do Campeonato Mundial de Natação em Singapura, a jovem prodígio canadense Summer McIntosh, de apenas 18 anos, mais uma vez demonstrou seu talento avassalador ao conquistar a medalha de ouro na final dos 200 metros borboleta. A vitória, sua terceira no evento, veio com uma superioridade notável, deixando as adversárias para trás. No entanto, o triunfo dourado foi ofuscado por um sentimento de profunda insatisfação, uma cena incomum para a campeã. A expectativa era de pulverizar o recorde mundial, uma marca que resiste desde 2009. Ao bater na parede da piscina e olhar para o placar, o êxtase natural da vitória foi substituído por uma frustração palpável, culminando em uma expressão de desapontamento e xingamentos que revelou a exigência impiedosa que a atleta impõe a si mesma.

A decepção de McIntosh, um eco silencioso em meio à celebração, tem uma raiz clara: a busca obsessiva pela perfeição e a falha em alcançar seu objetivo supremo. Embora tenha estabelecido um novo recorde pessoal e da competição com o tempo de 2:01,99, a nadadora sabia, no fundo, que o recorde mundial estava ao seu alcance. Uma virada que ela considerou abaixo de seu padrão e uma performance aquém do esperado na parte final da prova foram os pequenos, mas cruciais, erros que a separaram da história. Talvez essa obsessão pela marca histórica seja um fardo pesado para a jovem, mas é também o motor que a impulsiona, transformando a desilusão de hoje em uma força motriz para o amanhã.

A atitude da atleta serve como um contraponto fascinante ao que se espera de um vencedor. Enquanto a maioria dos competidores se contentaria com o lugar mais alto do pódio e a glória de um título mundial, McIntosh demonstra uma mentalidade que vai além da simples vitória. Para ela, o ouro que tantas vezes já conquistou é apenas um subproduto de um desempenho que, no seu julgamento, deve ser impecável. É uma demonstração de que, no esporte de alto rendimento, a batalha mais difícil não é contra os adversários na água, mas sim contra as próprias expectativas e os limites autoimpostos.

Apesar da decepção momentânea, a resiliência de Summer McIntosh é inquestionável. Ao falar com a imprensa, ela já demonstrava estar com o foco no futuro, deixando para trás a insatisfação e mirando o próximo desafio. A sua história nos lembra que a jornada de um atleta é pontuada por vitórias e derrotas, mas também por momentos de autocrítica e superação. Para os que acompanham a natação, a cena de McIntosh pode ter sido uma nota dissonante em meio à sinfonia de um campeonato, mas é um lembrete vívido da paixão, da determinação e da incansável busca pela excelência que definem os verdadeiros campeões.

Mundial de Natação: Caeleb Dressel

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Na verdade o Campeonato Mundial é de Esportes Aquáticos, mas como evitar um destaque maior para a Natação? Além disso, e talvez por acontecer apenas a cada dois anos, ou não, fica difícil também evitar não dar um destaque para pelo menos um competidor ou competidora como um dos dez maiores nomes do esporte do ano todo. E isso nem acontece por um obrigação, isso acaba acontecendo naturalmente porque além de um grande destaque, existem muitos outros que poderiam também ser um grande destaque ou são destaques grandiosos que teriam chances de ser o destaque maior.

Em 2017, ano de Mundial de Esportes Aquáticos, destacamos como um dos dez maiores nomes do esporte daquele ano a nadadora Katie Ledecky, que havia ganho cinco medalhas de ouro e uma prata. Eram seis no total e havia um nadador americano que levou sete de ouro, mas não foi destaque. Este ano de 2019 Ledecky estava doente, não competiu em todas as provas, mas mesmo assim levou um ouro e duas pratas. Já Caeleb Dressel, por sua vez, queria muito levar sete de ouro novamente e somar ainda com uma prata, mas acabou mesmo com seis de ouro e duas pratas. Performance excepcional mesmo assim, e talvez uma correção em um erro cometido em 2017.

Katie Ledecky também foi destaque em 2016 junto com Michael Phelps, e em 2015 quando teve Mundial também. No ano de 2013 tivemos Missy Franklin como destaque, ela havia ganho seis de ouro no Mundial e parecia o "Michael Phelps de saia", mas depois sumiu e abriu espaço para Ledecky. Esse ano comprovou ainda mais a injustiça com Dressel em 2017. Em 2012, ano Olímpico, naturalmente Phelps foi destaque mais uma vez. Já em 2009 teve Brasil na lista com César Cielo, que bateu recordes que duravam até esse ano e, em 2008, naturalmente o destaque foi Michael Phelps que levou oito de ouro nas Olimpíadas de Pequim e, não apenas foi um dos dez maiores nomes, como ficou em primeiro lugar na lista.

Acreditamos que a maior injustiça foi mesmo Caeleb Dressel que levou sete ouros e nem foi mencionado. Mas este ano com seis ouros e duas pratas, sendo oito medalhas no total, ele finalmente ganha o destaque que merece. Mesmo assim fica aqui a citação de outros grandes nomes que brilharam neste Mundial como a brasileira Ana Marcela Cunha que levou duas de ouro na Maratona Aquática, a húngara Katinka Hosszú que segue dominando o nado medley, a sueca Sarah Sjöström que leva ouro, prata, bronze e está sempre lá no pódio, a Simone Manuel que é a primeira afro americana a brilhar, a italiana Federica Pellegrini que segue dando trabalho e vencendo, ou sua compatriota Benedetta Pilato que foi prata com apenas 14 anos.

No masculino brilharam também o chinês Sun Yang, que fez questão de também arrumar polêmica com nadadores que não quiseram cumprimentá-lo por suspeitar que ele usou doping. O alemão Florian Wellbrock que deu show nos 1500m livres com a ausência de Sun. O britânico Adam Peaty que é dono dos 50m e 100m peito. E o japonês Daiya Seto que assim como Katinka Hosszú domina as duas provas do nado medley. Todos eles grandes nomes da natação e grandes destaques neste Mundial, mas nem tão grandes como Caeleb Dressel, que havia sido gigante em 2017 e finalmente é lembrado por ter sido tão enorme quanto fora agora no ano de 2019.

Desculpe Katinka Hosszú e Sarah Sjöström

O mundo se rendeu mais uma vez à lenda viva Michael Phelps. Pela primeira vez na história na natação olímpica um atleta recupera o título que havia perdido na edição anterior dos Jogos. E quando não foi necessário a reconquista, o tetracampeonato veio com certa facilidade. É claro que ele não repetirá o mesmo desempenho de Pequim 2008 na Rio 2016, mas ele está lá para ajudar os Estados Unidos a faturarem mais três títulos nos revezamentos. Quando a vitória não vem, a prata tem sabor dourado em um inacreditável empate triplo. Phelps é um mito e todos já sabem quem é o Rei das águas no Rio de Janeiro, mas é a Rainha?

A Rainha fica um pouco mais complicado definir. Não seria mais fácil apontar a musa das piscinas? Me desculpe Sarah Sjöström, mas você não é a Rainha das piscinas dessa edição das Olimpíadas. Você está sempre lá na disputa, em cada prova classificatória, em cada semifinal e brigando pela vitória em cada final. Você levou o ouro nos 100m borboleta e completou a coleção de medalhas com prata nos 200m livres e um bonze no 100m livres. A coroa de Rainha não vai para você, mas o título de musa aquática é merecido, afinal o que não faltam são sereias nesta disputa.

As desculpas continuam e devem ser dadas principalmente para a húngara Katinka Hosszú. Ela é chamada de a Dama de Ferro e, seja por isso ou não, também não ficou com o título de Rainha. Melhor do que Sjöström, Hosszú conseguiu três medalhas de ouro, mas na prova dos 200m costas levou a prata, perdendo a grande oportunidade de alcançar o que nenhuma outra nadadora poderia, ou seja, faturar quatro medalhas de ouro em quatro provas individuais. Desta forma Katinka Hosszú segue como Dama e abre alas para a Rainha, por que na Rio 2016 o Phelps de maiô também é representante dos Estados Unidos da América.

Foram 33 medalhas no total, sendo 16 de ouro para os EUA. O Rei Michael Phelps levou cinco ouros e uma prata e, a Rainha Katie Ledecky faturou quatro ouros e uma prata. A novíssima Ledecky de apenas 19 anos que poderia ainda ser princesa. Em Londres 2012 foi apenas uma de ouro nos 800m livres. Desta vez veio muito mais e com direito a recordes mundiais. Deslizando na piscina com uma suavidade impressionante, um estilo único e uma vantagem arrasadora frente às rivais. Contando todas as competições desde Londres, incluindo Mundial e Pan Pacífico, Ledecky ganhou sua primeira prata, isso porque nadou o revezamento 4x100m livre pela primeira vez na vida. A Rainha da piscina e a rainha do nado livre, a nadadora dourada que, quando depende apenas dela não sabe até hoje o que é perder.

Provando boa forma, Phelps faz o melhor tempo do ano

Quem achou que a temporada de sucesso de Michael Phelps havia terminado se surpreendeu nos últimos tempos. Mesmo fora da maior disputa de natação, o Mundial de Kazan, o astro das piscinas continua roubando a cena por conquistar excelentes resultados, batendo os dos mais novos campeões mundiais.

Após ter sido flagrado dirigindo alcoolizado, Phelps foi impedido de disputar o mundial deste ano. Ainda assim, Phelps está participando do Campeonato Norte-Americano, realizado no Texas, na cidade de San Antonio.

Considerando os resultados do nadador nessa competição, é possível afirmar que, se estivesse competindo em Kazan, Phelps estaria superando todos os seus rivais. Nos 100 metros no estilo borboleta, ele marcou um tempo de 50s45 - 11 segundos mais rápido que o registrado pelo vencedor em Kazan, o sul-africano Chad le Clo. Já na prova dos 200 metros borboleta, Michael Phelps registrou a marca de 1m52s94, enquanto o vencedor mundial Laszlo Cseh marcou mais de meio segundo a menos, sendo 1m53s48.

Nos 200 metros medley, Phelps teria conquistado uma vitória ainda mais segura: nos EUA, ele bateu a marca de 1m54s75, enquanto o campeão Ryan Lochte marcou 1m55s81.

Com os três melhores resultados do mundo, o desempenho de Michael Phelps coloca medo em seus adversários. Dono de 22 medalhas em Olimpíadas, sendo 18 delas de ouro, o atleta de 30 anos foi o recordista de subidas ao pódio em Olimpíadas. Em 2016, Phelps promete estar com força total nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, que pode ser a última de sua carreira antes da aposentadoria.


A nadadora que nunca levou prata e bronze

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No Mundial de natação de Kazan, na Rússia (que ideia sensacional colocar uma piscina dentro de um estádio, e será estádio da próxima Copa do Mundo, já está pronto), teve uma nadadora que chamou muito a atenção. Alzain Tareq, do Bahrein, com apenas 10 anos de idade estava lá, já competindo, já sentindo o clima de uma disputa internacional. Ela nunca levou prata e nem bronze, muito menos ouro, mas quem sabe um dia. Parece precoce estar em uma competição de alto nível como um Mundial (só perde para as Olimpíadas em importância), mas vale à pena. Nas Olimpíadas de 2012, por exemplo, havia uma nadadora americana de apenas 15 anos de idade competindo. Ela também não ganhou nem a medalha de prata e nem a medalha de bronze, ela ganhou mesmo foi o ouro nos 800 metros livres.

Katie Ledecky assombrou o mundo com sua performance avassaladora, mesmo ainda estando com apenas 15 anos de idade. O Reino Unido e apenas uma medalhinha de ouro era apenas o começo de um história que seria ainda maior e ainda mais dorada. Vieram pela frente o campeonato Mundial de Barcelona em 2013, o Pan-Pacífico de 2014 (considerado pelos americanos muito mais importante que o Jogos Pan-Americanos), e agora o Mundial de Kazan, não confunda com o gênio da lampada Kazaam (Shaquille O'Neal). Mais três competições e acreditem ou não, nada de prata e nem mesmo bronze, porém muitos e muitos ouros. Katie Ledecky simplesmente jamais perdeu uma final de natação que já disputou em toda a sua (ainda) curta carreira.

Rio 2016 que se prepare. Até o Mundial de 2013, a grande nadadora dos Estados Unidos e considerada até como o Michel Phelps de saia, era Missy Franklin. A até então promissora atleta ainda está com 20 anos e tem muito chão pela frente, mas parece que a vida dos nadadores americanos tem data de validade curta, logo chega alguém e toma o lugar. Não exatamente o mesmo lugar, afinal Franklin tem como principal arma o nado de costas enquanto Ledecky é especialista no nado livre de longas distâncias. Mas a nova princesinha da América já conseguiu ir além nesse ano, pois não só ganhou suas habituais disputas como também se aventurou nos 200 metros livres e, claro, venceu também. Essa era uma das provas de Franklin, que acabou ficando com o bronze.

Os 200 metros livres, os 400, os 800 e 1500 (esses dois últimos com direito a recorde mundial). Katie Ledecky ainda levou o revezamento 4x200 metros livres e terminou a disputa com cinco medalhas de ouro. Ela diz que tem suas metas e não se deixa ser comparada com Phelps na busca por mais medalhas olímpicas nas Olimpíadas do ano que vem, mas se participasse de mais revezamentos como participa Franklin, certamente poderia alcanaçar até nove medalhas douradas. O problema é que as provas de revezamento geralmente são mais rápidas, com 100 metros para cada participante e, seu forte são as longas distâncias. A natação feminina em Kazan teve grandes nomes como Sarah Sjöström, Emily Seebohm, a Katinka Hosszú mostrando sua força e Yuliya Efimova fazendo a alegria dos torcedores locais, mas nenhuma delas conseguiu ser tão grandiosa quanto Katie Ledecky. A americana dourada que não sabe o que é perder, a nadadora que nunca levou prata e bronze, ela só leva ouro.

E ela jamais desistiu do seu maior sonho

"Nunca desista, a idade não é um problema para alcançar o seu sonho e natação não é um esporte solitário". E todos realmente estavam lá para apoiá-la e ajudá-la a realizar o seu sonho com uma idade tão avançada. De barco ou de caiaque, espantando os tubarões pois ela dispensou a jaula protetora, cuidando da alimentação que talvez ajudasse a espantar o frio intenso da noite e simplesmente incentivando, nadando ao lado e mandando alguma força e uma energia positiva indispensável. De Cuba até a Flórida, como deveria ter feito em 1978 e como havia tentado outras três vezes nos últimos três anos. Finalmente Diana Nyad, aos 64 anos de idade, conseguiu realizar o maior sonho de toda a sua vida.

As portas estão abertas para recebê-la com uma multidão que emocionada aplaude e tenta se aproximar da nadadora. Com dificuldades ela se levanta e mal consegue andar, mas é muito bem vinda, pois não é uma imigrante ilegal da terra de Fidel Castro. Quando alguém a abraça fica difícil evitar que os olhos se encham de lágrimas e, quando ela faz sua primeira declaração a emoção é contagiante. Nyad fazia treinos incansáveis em Los Angeles, onde mora, e parecia ter apenas um único objetivo pela frente: Ser a primeira mulher a nadar entre Cuba e a Flórida sem uma jaula protetora contra os ataques terríveis dos tubarões de Steven Spielberg.

Os temíveis peixes assassinos dos oceanos ficaram longe, mas isso não significou que os velhos problemas não a atormentaram outra vez. As águas-vivas estavam por lá para queimá-la viva. A máscara que usou no rosto para se proteger das terríveis medusas lhe causaram cortes em sua boa e fez seu lábios ficarem inchados. As dores e o cansaço eram extremos, a fome era um grande problema e em meio à sede só havia a água do mar para beber, mesmo que engolir enormes quantidades de água salgada não fossem parte do plano. E ainda havia o vento forte, a correnteza, as ondas a fazendo relembrar de todos os problemas que a fizeram desistir das outras vezes. Mas na quinta e última tentativa tinha que ser diferente, na última chance ela não poderia desistir do maior sonho de sua vida.

O esporte, do fundo do seu coração, agradece imensamente e será eternamente grato à persistência e dedicação desta senhora chamada Diana Nyad. A nadadora que tinha um enorme desejo em 1978, mas que pelas dificuldades da natureza infelizmente não foi capaz de conseguir. Porém para sorte de todos e para o bem maior da vida, ela jamais desistiu. Ela voltou a seguir em busca do seu objetivo com os seus ideais e mais um vez nadava, nadava ... sem conseguir chegar à praia. Mas antes de dizer a todo o mundo que a escutou para que jamais desistam de seus sonhos, ela provavelmente disse a si mesma que nunca desistisse, que continuasse dando suas braçadas, com a mão esquerda para empurrar Cuba para trás e com a direita para trazer a Flórida mais perto. Para finalmente ter a certeza que viveu para fazer o que sempre sonhou.

O Michael Phelps de kilt seria a Missy Franklin

Bem lá no alto das montanhas escocesas do século XVI até o século XIX estavam os bravos e destemidos guerreiros e batedores dos clãs. Eles lutavam com extrema bravura mas não dispensavam suas roupas quadriculadas feitas de lã e com esse típico e indispensável padrão tartan. Ninguém ousava chamar aquilo de saia, pois na verdade era um tradicional saiote. Quem usa saia é mulher, os homens (em especial os escoceses) usam o famoso kilt. E se um homem que não siga essas tradições quiser um usar esse 'estiloso' saiote ele correrá o risco de ser chamado de qualquer coisa, mas se ele for o nadador Michael Phelps não será nada difícil dizer que o maior nadador do mundo de saia é a sua compatriota Missy Franklin.

O maior nadador de toda a história do esporte é muito pouco para Michael Phelps. O americano é simplesmente o maior atleta olímpico de todos os tempos. Em número de medalhas conquistas no total ninguém supera o americano, que também se tornou o maior colecionador de medalhas de ouro e o maior vencedor de medalhas douradas em uma só edição dos Jogos. O que ele fez foi simplesmente incrível e inacreditável. Tão grandioso como havia sido o feito de Mark Spitz em Munique 1972. São acontecimentos que não ocorrem todos os dias e que também não são exclusividade dos homens. Afinal Tracy Caulkins poderia ter chegado perto desse feito se os Estados Unidos não boicotassem as Olimpíadas de 1980. Sorte dela que não boicotaram o Mundial de 1978.

Três provas individuais e dois revezamentos. Sem falar na prata que levou nos 100 metros nado peito. Nunca uma nadadora havia ganho cinco medalhas de ouro em uma só edição de Mundial e tal feito só se repetiu novamente em 2007 com a australiana Libby Trickett. Tracy Caulkins poderia ser chamada na época de Mark Spitz de saia (ou kilt). Mas a invasão da União Soviética no Afeganistão fez Jimmy Carter limitar a sua carreira a três medalhas de ouro olímpicas em Los Angeles 1984. Ainda bem que hoje em dia a Guerra não afeta tanto o esporte e ainda bem que os Estados Unidos foram até a China perder com hombridade. Ainda bem que Michael Phelps fez história e inspirou a natação americana ser ainda melhor e, poder ter o privilégio de contar com uma versão sua no feminino como Spitz teve nos anos de 1970.

Um sorriso cativante e a alegria de uma menina que mal completou seus 18 anos de idade. As câmeras que mantêm o foco em cada um de seus passos e o grande assédio dos repórteres já não a intimidam mais, afinal o mundo já escuta falar de seu nome desde 2011 quando começou a brilhar em Mundiais. Três medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze mostravam que o futuro seria mais glorioso do que qualquer um pudesse imaginar. Quem sabe chegar próximo do que fez Tracy Caulkins, quem sabe igualar seu incrível recorde, quem sabe até ser melhor do que ela foi e poder ser comparada com o próprio Phelps. Um Phelps que ganhou oito de ouro em uma mesma Olimpíada e que em Mundiais obteve sete vitórias em uma mesma edição. Para uma mulher é mais difícil fazer isso, mas da para chegar perto.

Tão perto como quase chegou Thiago Pereira das medalhas de prata. Ou tão emocionante como foi a medalha de ouro de César Cielo nos 50 metros livres. Tão precoce como as vitórias de Katie Ledecky nas provas de fundo e tão superior como Sun Yang também nas provas mais longas dentro da piscina. Mais brilhante que o brilhante Ryan Lochte ou tão alegre quanto as sorridentes Ranomi Kromowidjojo e Yuliya Yefimova. Com a solidez de James Magnussen e a firmeza de Chad le Clos. Ela simplesmente não deu chances para australianas, italianas ou francesas. Com ela o revezamento não é desclassificado e se fosse o Michael Phelps usando kilt para nadar em Barcelona o resultado seria o mesmo. Cinco medalhas de ouro em uma só edição do Campeonato Mundial. Melissa entra para a história como entrou Caulkins e Trickett, porque agora ninguém mais ira esquecer que o Phelps de saia se chama Missy Franklin.

Poderá Phelps levar mais sete de ouro?

Olimpíadas de Sydney 2000 e o mais jovem integrante da equipe americana de natação era um garoto de apenas 15 anos chamado Michael Phelps. Um jovem que quando começou a mergulhar nas piscinas não sabia nem quem havia sido Mark Spitz, e que conseguiu no máximo um quinto lugar na prova dos 200 metros borboleta. O tempo passou e quando os Jogos de Atenas 2004 chegaram tudo mudou. Phelps espantou o mundo ganhando seis medalhas de ouro e duas de bronze. Ele não havia prometido faturar oito de ouro, mas por incrível que possa parecer era criticado por não ter igualado ou superado Spitz. Pelo menos até se passarem mais quatro anos.

Foram mais de oito anos de luta e sacrfício. Tudo para que em 2008 o oito se tornasse finalmente um número mágico. Mark Spitz fica para trás com suas sete medalhas douradas em uma mesma edição dos Jogos. Phelps de 15 anos fica para trás com sua única final sem medalha. Os críticos que queriam seu ápice em 2004 são obrigados a engolir tudo que falaram de de ruim e que só a vida de Phelps pós-Pequim pudesse merecer tanto desaforo. O maior nadador de todos os tempos se torna o maior atleta olímpico de toda a história do esporte mundial. Oito medalhas de ouro se transformam em 14 medalhas de ouro e duas de bronze. Nem Paavo Nurmi, nem Larisa Latynina e nem Carl Lewis ganharam tanto.

Mas haviam sido oito anos de sacrifícios. Phelps viu as críticas se tornarem elogios. Michael Phelps se tornou um herói nacional, um ídolo, um Rei, o maior de todos em todos os tempos. Missão cumprida, a satisfação por ter alcançado seus objetivos, e tudo aos 23 anos de idade. Assim ele resolveu jogar tudo para o alto, talvez por falta de orientação, talvez por estar cansado de tudo, são inúmeros os motivos, que fizeram os voltar os motivos para ser criticado novamente. E isso foi bom. A crítica parece que os instiga, que aguça sua vontade de se superar novamente. Phelps não vai tão bem como poderia no Mundial e nem no Pan Pacífico, mas o que impota são as Olimpíadas, e Londres 2012 é logo ali.

Um último passo antes da aposentadoria aos 27 anos de idade. A idade não parece tão avançada, mas talvez seja o limite para se competir em alto nível na natação a ponto de vencer tudo. Michael Phelps ruma para Londres vendo os supermaiôs serem banidos, vendo seu vigor não ser mais o mesmo, vendo os adversários crescerem e principalmente ver um adversário que sempre esteve atrás querer passar à frente, como é o caso do compatriota Ryan Lochte. Phelps se vê também obrigado a desistir dos 200 metros livres, e ter que competir "apenas" em sete provas. Tudo depois da decepção, das críticas, da glória e dos problemas. Será que mesmo assim ele vence sete de ouro? Talvez não, porque sendo mais sete ou não, qualquer medalha de ouro simplesmente o tornará mais lendário do que ele já é. (Foto: AP)

Esboço para as Olimpíadas

Cesar Cielo jogos Pan Americanos de Guadalajar 2011Os tapas continuam fortes, agora são copiados pelos rivais, deixa o peito totalmente vermelho, parecem até duas asas que o farão voar na água. Lembra muito aquela asa vista no filme "Náufrago", mas esse nadador jamais afunda e nunca fica à deriva. César Cielo causa desconfiança em alguns adversários, leva alfinetadas de uma nadadora argentina que já viveu e treinou no Brasil por muito tempo. César Cielo não da ouvidos para ninguém, não da chances para ninguém, nem para a altitude que o fez ser obrigado a respirar uma vez na prova dos 50m livres. Sobram motivos para vencer e ele literalmente sobra na piscina de Guadalajara, vence como se estivesse vencendo em um Campeonato Mundial ou nas Olimpíadas, afinal Londres 2012 está quase chegando.

A comemoração empolgada na vitória dos 100m livres era para estravazar uma emoção que estava entalada na garganta, principalmente porque carregando um piano nas costas ele não conseguiu nem a medalha dessa prova em Xangai 2011. Alguns lhe dizem que ele não foi absolvido e sim advertido porque é famoso, porque havia ganhado em Roma 2009 e em Pequim 2008, porque gera muito dinheiro e tem muitos patrocinadores poderiam ainda dizer alguns outros contrários ao brasileiro. Cielo pouco se importa, para ele ser acusado de doping por um erro de uma farmácia de manipulação foi apenas um duro golpe, do qual conseguiu se recuperar, para vencer os 100m e extravasar, para faturar os 50m e se dar ao luxo de nem comemorar. Foi até fácil, voando com a asa no peito, sobrando como se não houvesse mais ninguém na água.

Comemorar como nunca uma vitória em Jogos Pan Americanos realmente não é para quem já venceu em Olimpíadas. Principalmente em uma prova onde até o Xuxa já venceu três vezes. Os Estados Unidos não mandam seus melhores nadadores, não mandam seus melhores atletas em quase nenhuma modalidade. Os maiores adversários de César Cielo nem estão no mesmo continente, eles moram na Europa, na Austrália, dentro dele mesmo, afinal quantas vezes um atletas ou um time não perdeu para si mesmo, carregando um piano nas costas, nadando com um peso enorme na consciência, em Xangai 2011, depois de levar um duro golpe. As desconfianças ainda existem, mas admiração também, da torcida mexicana, dos brasileiros, dos que sabem que tudo o que viveu César Cielo não passou apenas de um susto e que poderia ter sido muito pior.

As férias, um descanso merecido, a projeção de um tempo que o fará vencer e cada vez mais esquecendo os piores momentos que passou. César Cielo deve pensar apenas nas Olimpíadas de Londres do ano que vem, onde tem tudo para vencer tanto os 50m livres novamente como os 100m livres. Entrar definitivamente para a história da natação mundial, quem sabe até com recordes nas duas distâncias sem o uso do supermaiô. A natação brasileira que começou com Djan Madruga, passou por Ricardo Prado, viveu dias de glórias com Gustavo Borges e Fernando Scherer chega ao ponto máximo onde jamais havia chegado antes, pois hoje consegue vencer provas olímpicas. César Cielo já pode ser considerado o maior nadador do Brasil, e pode ser considerado muito mais do que isso se continuar fazendo o que fez em Guadalajara 2011. (Foto: Reuters)

Sonho termina, exemplo fica

"Tenho quase 62 anos e eu estou aqui no auge da minha vida", ... "Eu acho que isto é a primordial. Quando se atinge essa idade, você ainda tem um corpo que é forte, mas agora você também tem uma mente melhor." - Essas foram as belíssimas palavras da nadadora de endurance Diana Nyad, nascida em Nova York no ano de 1949 e decidida a ser uma atleta que vai além do comum, faz muito mais do que o trivial. E tudo começou quando ainda tinha 20 anos de idade, em 1970, quando se tornou a primeira mulher a percorrer uma distância de dez milhas pelas águas do lago Ontário. Em 1974 foram 22 milhas e em 1975 já ganhava mais noteriedade quando nadou 28 milhas em menos de oito horas, se tornando manchete nos jornais, podendo alimentar um sonho que jamais seria realizado, mas que se tornaria um grande exemplo para o mundo.

Hoje as coisas já são complicadas, em 1978 eram piores ainda. Diana tinha 28 anos de idade, uma gaiola contra tubarões para lhe proteger e muito provavelmente os mesmos ideais que tem atualmente para querer nadar entre Cuba e os Estados Unidos. Ela partiu de Havana para Key West, não conseguiu se manter em linha reta, percorreu pelas águas do oeceano Atlântico cerca de 76 milhas, mas foi obrigada a interromper o seu gigantesco desafio, o seu grande sonho. Os ventos fortes eram impiedosos, empurravam a gaiola para fora do seu curso e complicavam ainda mais a sua situação. Em 1979, aos 30 anos, Diana Nyad estabeleceu um novo recorde ao nadar 102 milhas nas Bahamas, sem jaula e com ventos favoráveis. Foi sua última grande competição oficial, mas não seria o fim dos seus anseios por ver um mundo melhor através do esporte.

Desafiar os limites do corpo humano. Se integrar com a natureza, saber do que ainda é capaz, praticar o seu esporte favorito e ver o reconhecimento dos fãs, daqueles que idolatram os grandes feitos esportivos mundiais. Diana Nyad, esta senhora de 61 anos de idade, na plenitude de suas convicções consegue ir além de tudo isso, desafia o oceano e a si mesma em busca de algo mais, em busca da união entre Cuba e os Estados Unidos, da união entre os dois povos tão distantes pelas questões políticas. Por isso ela fica quase um ano negociando uma permissão para tentar nadar de Havana até a Flórida novamente, desta vez sem auxílio de uma jaula contra tubarões, investindo quase U$ 500 mil dólares, contando com uma equipe de quase 30 pessoas, revivendo sua vida de mais de 30 anos atrás em busca do seu sonho e mais do que isso dando exemplo para muitos.

Já era o final de um linda tarde, com o sol se pondo no horizonte e uma enorme quantidade de pessoas e também da imprensa para registrar o momento da saída. Lá se vai Diana Nyad, braçada a braçada pelas águas do Atlântico, querendo ligar Cuba com os Estados Unidos através de um feito que ninguém jamais realizou em toda a história. Em 1978, em 2011, ventos muito fortes, a temperatura da água caindo, uma correnteza enorme que não estava prevista, dores fortíssimas nos ombros, um abandono triste, melancólico, injusto para essa guerreira do esporte que não viu nos limites da sua idade uma fronteira que pudesse impedi-la de buscar o seu objetivo, de realizar o seu desejo que a muito tempo tinha em sua mente sadia e persistente. Foi o fim para Diana Nyad, mas sua atitude mostrou que o mundo não precisa de um fim, que a vida pode ser melhor se todos se unirem, se não houverem diferenças, se ninguém desejar o mal para ninguém e se todos pudessem apenas buscar o seu sonho por um mundo melhor. (Foto: Divulgação)

O tempo revelará a verdade

Nunca é bom ver um atleta flagrado no exame anti-doping, muito menos um brasileiro. Já aconteceu várias vezes, muitas delas como o recente escândalo do atletismo e diversos casos no ciclismo, eram verdadeiros, tristes, mas feitos de forma consciente pelo atleta. Já em outras ocasiões, quem não se lembra do caso de Maurren Maggi? A pomada, a inocência, a punição injusta, a volta por cima com a medalha de ouro nas Olimpíadas de Pequim jamais antes conquistada por uma atleta brasileira em toda a história dos atletismo. O tempo, e somente ele, passou e revelou a verdade, mostrando que Maggi poderia mesmo vencer sem nunca mais ser flagrada em qualquer outro exame anti-doping. E é exatamente isso que esperamos para o nadador brasileiro César Cielo Filho.

Ao contrário de Maurren Maggi, ou até mesmo do caso da ginasta Daiane dos Santos, que viveu o mesmo drama, Cielo não foi punido. A CBDA deu apenas uma advertência, a TAS não gostou, marcou um novo julgamento, acabou fazendo a mesma coisa no final. Os adversários não gostaram nadinha, fizeram sinal de negativo dentro da piscina onde Cielo extravasava suas emoções dando socos na água e vibrando muito, ele havia vencido os 50m borboleta, estava colocando para fora todo um sentimento que trazia preso dentro de si, durante os tensos dias de julgamento. A explicação segue sendo a mesma, uma contaminação em uma farmácia de manipulação, um argumento até plausível, mesmo sendo um pouco fraco, principalmente para um campeão olímpico, um campeão mundial, que não pode errar, que precisará agora do tempo para não afundar.

Na piscina ele não afunda, a vitória nos 50m borboleta é prova disso. O problema é que essa modalidade não estará em Londres 2012, nem a maratona aquática de 25 Km vencida por Ana Marcela Cunha e nem mesmo os 50m peito onde quem brilhou foi Felipe França. O Brasil está indo muito bem no Mundial de Esportes Aquáticos em Xangai, na Cinha, mas esses resultados não servem para as Olimpíadas do ano que vem. Os 100m livres servem, nele está o brasileiro César Cielo, com o mundo olhando torto, questionando suas verdadeiras condições. Com o próprio nadador preocupado, com a cabeça cheia, carregando um piano nas costas como ele mesmo diz, 'travado' na gíria da natação, ficando para trás, perdendo até a medalha de bronze, mostrando que ao contrário do que já havia feito nesse Mundial, as coisas pareciam bem diferentes.

"Sem doping ele não consegue" ou "agora ele ficará para trás" poderia ser o discurso dos rivais, dos contrários à adverstência que Cielo levou. O tempo, no entando, é a melhor cura, ele revelará a verdade, nenhum outro flagrante de doping daqui até o final de sua carreira como aconteceu com Maurren Maggi irão provar que tudo não passou mesmo de um equívoco, de um acidente. Mais do que isso as vitórias, sem supermaiô, com raça, provando suas verdadeiras condições deixarão tudo ainda mais claro, mais bonito e isso nem precisa de tempo para acontecer. No tiro curto ele segue sendo o velho Cesar Cielo de sempre, vitorioso, nos 50m livres, essa sim uma prova que fará parte do cronograma de Londres 2012, a prova que venceu em Pequim, em Roma e agora novamente em Xangai. O maior nadador do Brasil é limpo, quem ainda duvida que espere o tempo passar e contar a verdade. (Foto: Francois Xavier Marit/AFP)

Lochte acaba com dois mitos

Mito, lenda viva, Michael Phelps, seus feitos em Pequim 2008 jamais serão apagados, jamais serão esquecidos. Supermaiô, a tecnologia a favor do esporte, a banalização dos recordes, eles não serão superados tão cedo? Mito, outro mito, ambos caindo por terra quando o novo xodó amaericano cai na piscina, Ryan Lochte agora é o novo Rei da natação mundial. Se ele estivesse no revezamento 4x100m livres a medalha poderia ter sido de ouro para os Estados Unidos, a mesma que levou nos 200m livres, no primeiro duelo contra seu grande amigo e maior rival Phelps. No segundo veio mais do que superar o mito que fez história na última edição olímpica, Lochte acabou com dois mitos de uma vez só, acabou com a história dos supermaiôs, estabeleceu um novo recorde mundial nos 200m medley sem usar o famoso traje tecnólogico.

No ciclismo a tecnologia é indispensável, a cada ano as bicicletas melhoram, estão sempre evoluindo junto com o atleta. A idéia de trazer a tecnologia para a natação parecia muito boa, começou em 2008 com o LZR Racer Speedo e logo ganhou a companhia de outras marcas como a Jaked e a Arena, logo se tornou uma grande batalha de empresas, cada uma querendo ser melhor do que a outra, cada uma fazendo um traje melhor do que o outro cada vez mais rápido. Sim, a idéia era magnífica, empolgante, mas virou uma grande palhaçada, os nadadores estavam indo cada vez mais rápidos simplesmente por causa do supermaiô, era uma evolução falsa. A quebra de recordes acontecia a cada prova, se tornou banal, aconteceu mais de 40 vezes só no Mundial de Roma 2009, não podia continuar, a solução foi proibir.

Os recordes estabelecidos não serão apagados, alguns como os 200m medley feminino e os 200m borboleta feminino devem continuar por muitos anos, já que atualmente se nada com dois segundos a mais do que a melhor marca mundial. A mesma situação acontece nos 200m livres masculino, onde nem Michel Phelps e nem o australiano Ian Thorpe passam perto do alemão Paul Biedermann, nem mesmo o próprio nadador alemão. Um dia alguém irá conseguir, vai demorar alguns meses, talvez anos, décadas ou uma era como muitos imaginavam que iriam durar todos os recordes feitos com o supermaiô. Exagerados, pois pelo menos um deles durou exatos 574 dias. A grande ou ilusória marca dos 200m medley era dele mesmo, Ryan Lochte, que fez 1min54s10, a nova marca é dele novamente, Lochte, sem o supermaiô, com impressionantes 1min54s00.

Rebecca Soni, ouro nos 100m peito, se enche de esperança nos 200m peito, a possibilidade de quebrar o recorde mundial existe. Nos 1500m feminino mais ainda, a marca mundial é tão impressionante que nem foi superada com o supermaiô, e pode ser superado por Sun Yang, Xangai agradeceria e aplaudiria muito. A história foi escrita mais uma vez na natação, Ryan Lochte superou um mito, enterrou outro, virou uma página no esporte que todos querem esquecer, que parecia tão interessante e que logo se tornou um grande absurdo, algo que não parecia lógico, não parecia certo. Essa história, no entanto, ainda terá mais alguns capítulos na China, uma nova edição em Londres 2012, uma chance de Lotche ser ainda maior e quem sabe uma oportunidade para Phelps se recuperar, pois alguns mitos acabam, mas outros nunca são apagados. (Foto: Lintao Zhang/Getty Images)

Italiana faz história na China

Seus cabelos loiros já foram mais compridos, já foram menos curtos do que são agora, muda muito, mas o que não muda é o seu sorriso quando completa uma prova ou até mesmo a sua simpatia inabalável que é sempre a mesma. Federica Pellegrini é a Rainha da natação italiana, ou seria a princesinha de Roma? Apenas 22 anos e uma história nas piscinas que jamais havia sido escrita antes. Em Atenas 2004 foi medalha de prata, um segundo lugar que em Pequim 2008 se tornou o primeiro, a primeira medalha de ouro olímpica na prova dos 200m livres que já era mais do que merecida, principalmente porque já havia vencido Campeonatos Europeus, já havia mostrado seu talento em Mundiais e no Mundial de Xangai voltou para mostrar a lingua, porque é sua marca registrada quando vence, porque essa vitória foi histórica.

No seu país, em 2009, Federica Pellegrini já havia feito mais do que qualquer italiano pensou que a musa da ntação conseguiria um dia. Foi como a americana Shirley Babashoff em 1975, além da alemã Heike Friedrich em 1986 e a francesa Laure Manaudou no ano de 2007. Todas elas conseguiram vencer na mesma edição do Mundial de Esportes Aquáticos tanto a prova de 200m livres quanto a dos 400m livres. Em Roma 2009 a alemã Britta Steffen venceu os 50m livres e os 100m livres, mas por enquanto essas provas ainda não foram disputadas na China esse ano. Por enquanto só foram realizadas, entre outras, os 400m livres e os 200m livres, as duas especialidades de Pellegrini, as duas provas que a jovem italiana não abriu mão de vencer e onde faturou o ouro em ambas as disputas novamente, um feito que nenhuma outra nadadora havia conseguido em todos os tempos.

Antes de brilhar novamente em Xangau, havia quem não acreditasse que a bela moça poderia chegar onde chegou. Tudo começou após o Mundial de 2009, quando seu técnico Alberto Castagnetti faleceu após um ataque cardíaco fulminante, ele era conhecido como o principal responsável por “domar” o temperamento explosivo de Pellegrini. A italiana não era exatamente "o capeta", mas faz com as mãos o famoso chifre dos rockeiros ou do Heavy Metal para comemorar sua conquista, mas talvez fosse apenas o gesto da personagem "Vorena the Elder", mais popular no seu país. Pelo corpo são mais de dez tatuagens, sendo uma do ex-namorado, que poderia causar polêmica com o sucessor, com quem terminou a pouco tempo, criando mais fatores para abalarem sua performance, que só a deixaram um pouco para trás no começo, para conseguir uma recuperação espetacular no final e dar a volta por cima em todos os problemas.


A glória é italiana, mas os franceses também podem comemorar, afinal o novo técnico Philippe Lucas nasceu no país vizinho. "Fui na fé, acreditei até o final" - disse a nadadora que virou os 50m apenas na sétima colocação. O esforço para deixar a australiana Kylie Palmer para trás valeu a pena, lhe rendeu sua segunda medalha de ouro em Xangai em duas provas que jamais alguém havia vencido duas vezes em dois Mundiais seguidos. O sorriso fácil encanta a todos, a musa vibra como nunca com a sua língua de fora e extravasa toda a sua alegria incontrolável. Agora, além dos revezamento que ainda vai disputar, só lhe resta pensar em Londres 2012, a terceira Olimpíada de sua carreira onde quer brilhar mais do que já brilhou até hoje, onde quer encantar o mundo com sua beleza inquestionável e sua simpatia contagiante que a fazem ser mais uma belíssima e competente sereia das piscinas e da natação mundial.

Lochte deixa Phelps para trás

Em 2012, no Centro Aquático de Londres, um público estimado em 17 mil pessoas irá testemunhar as competições aquáticas das Olimpíadas na Inglaterra. Ninguém, infelizmente, poderá ver um dos maiores fenômenos das piscinas em todos os tempos ganhando oito medalhas de ouro em oito provas diferentes, mesmo porque Michael Phelps já disse que não pretende disputar os 200m e 400m medley. O que ninguém espera ver, no entanto, é o americano ficar sem ganhar nenhuma medalha de ouro, uma verdadeira catástofre para um atleta dono de 14 medalhas douradas entre as 16 que possui em Jogos Olímpicos. O público não quer isso, Phelps não quer isso, portanto está na hora de começar a trabalhar um pouco mais para que isso realmente não aconteça.

Roma, na Itália, ficou para trás. De volta à China, mas não para Pequim, o destino agora é o Mundial de Esportes Aquáticos em Xangai. Sem os supermaiôs, proibidos definitivamente, sem Matt Grevers e sem Ryan Lochte, os Estados Unidos acabam na terceira colocação do revezamento 4x100m livres. Michael Phelps amarga a medalha de bronze, um gosto de não está muito acostumado a sentir. Na semifinal dos 200m borboleta, a grande estrela da natação mundial parece estar se poupando, termina com o terceiro melhor tempo, está na final como não está o brasileiro Kaio Márcio, mas a imagem que fica é de um Phelps desanimado, um Phelps que não parece estar a cerca de um ano de uma Olimpíada, um Phelps que não vai ganhar oito medalhas de ouro, e será que ele vai ganhar uma?

Ainda faltam muitas provas em Xangai. Ainda faltam dois revezamentos, ainda falta a final dos 200m borboleta onde foi ouro em Roma e também os 100m borboleta, outra especialidade sua que não deve deixar escapar. O problema é que especialidade não significa mais certeza de ser o primeiro colocado, Michael Phelps desistiu das provas desgastantes que reúnem os quatro estilos para se concentrar em provas de apenas um estilo, o problema é não conseguir mais ganhá-las como sempre ganhou. Na Itália quem o superou nos 200m livres foi o alemão Paul Biedermann, que bateu o recorde mundial graças ao supermaiô, deixando Phelps 'apenas' com a prata. Já em Xangai, Biedermann sem o traje especial caiu para terceiro, e mesmo abrindo o caminho não viu Phelps conseguir retornar ao ponto mais alto do pódio.

Já havia acontecido no Pan Pacífico de Irvine ano passado. Ryan Lochte, apenas um ano mais velho que Phelps, estava cansado de fazer parte da mesma geração de uma estrela, que está sempre à frente, sempre nos holofotes, o fazendo sempre bater a mão na parede depois. Chega de ficar para trás, chega de ser o segundo colocado; compatriota, amigo, será ele o novo número um da natação americana? Ainda é cedo para dizer, mas a medalha de ouro nos 200m livres está no seu peito, e quem sabe poderá estar também em Londres 2012, para mais de 17 mil torcedores serem testemunhas no Centro Aquático da capital inglesa, para apertar a mão do presidente e quem sabe ainda ser o primeiro nas provas que Phelps abriu mão e nos revezamentos com a ajuda do recordista histórico, que pelo menos fará de tudo para levar mais duas douradas para a casa em provas individuais, provavelmente o máximo que vai conseguir em Xangai, se conseguir. (Foto: Patrick B. Kraemer/European Pressphoto Agency)

O que aconteceu com Cielo?

Falando em natação, por exemplo, o caso de Hugo Duppre não causa espanto, não é surpresa, pelo menos não tanto quanto ouvir que Fabíola Molina foi flagrada no exame anti-doping. Isso, no entanto, também não significa que não seja mais um caso triste, tanto quanto ouvir a ponto de arregalar os olhos da face que aconteceu com Daiane dos Santos e Maurren Maggi, com os ídolos é muito pior, você de uma certa forma pensa que estaria sendo enganado durante todo o tempo que torceu, sofreu e se emocionou ao lado daquele atleta. Será que os elogios eram em vão? Será que esse atleta foi uma farsa? É muito difícil crer que tudo não passou de uma ilusão, assim como é muito difícil aceitar que Cesar Cielo tenha realmente se dopado, o problema é que doping é sempre doping, se houve um acidente não importa muito, é doping do mesmo jeito.

Não é muito difícil crer na inocência do atleta, mesmo porque são feitos exames períodicos ao longo do ano, só em 2011 Cielo passou por cinco exames anti-doping, sendo que jamais em toda a sua carreira ele fora flagrado. Maurren Maggi colocou a culpa em uma pomada, cumpriu a suspensão severa e depois voltou com tudo, conseguindo iclusive a medalha de ouro nas Olimpíadas de Pequim 2008. Daiane dos Santos foi pega com a mesma substância que Cesar Cielo, a furosemida, que muitas vezes é usada para mascarar outras substâncias dopantes, e por isso é considerado doping também, já que por si só pouco efeito causaria no atleta. Cielo afirma que a farmácia de manipulação contaminou seus comprimidos de suplemento alimentar, é inclusive uma boa desculpa como a pomada de Maggi, mas ele não foi o único flagrado no mesmo teste realizado durante o Maria Lenk.

Henrique Barbosa, Nicholas Santos e Vinícius Waked. Sem falar na própria Fabíola Molina e Daynara de Paula também recentemente. O que está acontecendo com a natação brasileira? É inevitável até uma semelhança com um recente caso de doping em promessas do atletismo brasileiro ocorrida também recentemente. O Brasil parece estar com o olho maior que a barriga, talvez precionados por patrocinadores que querem retorno rápido (e olha que a natação tem dado muito retorno nos últimos anos), talvez seja uma preocupação com as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, em casa não pode fazer feio, mas é muito mais feio fazer de forma desonesta, o doping é um dos maiores inimigos do esporte, ironicamente aparecendo muito mais em esportes individuais do que coletivos, e o pior de tudo: com ídolos, com nomes já consagrados, com quem você até duvide que seja verdade, mas que não evita uma pequena mancha na carreira que merece uma punição.

Daiane deu a volta por cima, Maurren Maggi também e Cesar Cielo tem totais condições de fazer o mesmo, muito provavelmente já em Londres 2012. Se tudo não passou de um acidente, se tudo foi por acaso, melhor ainda. O que não pode acontecer é simplesmente não acontecer nada, a advertência faz parte da punição para furosemida, mas quando quatro atletas são flagrados na mesma situação o caso passa a ser muito estranho. A FINA não engoliu a história e já marcou um julgamento, antes do Mundial de Xangai, para onde Cielo já viajou. É triste, é de se lamentar porque Cesar Cielo é um ídolo, o maior nadado do Brasil, na história até, mas é um caso de doping. Cielo merece uma punição, uns seis meses pelo menos, para que ele sinta o drama, para que passe a tomar muito mais cuidado, pois um 'erro' ou 'acidente' desse tipo pode acabar lhe custando toda uma brilhante trajetória que ele já tem e que pode ser maior ainda. (Foto: Globoesporte)

Mundança de rotina fundamental

DUBAI, UNITED ARAB EMIRATES - DECEMBER 18: Cesar Cielo Filho of Brazil competes in the heats of the Men's 100m Freestyle during the 10th FINA World Swimming Championships (25m) at the Hamdan bin Mohammed bin Rashid Sports Complex on December 18, 2010 in Dubai, United Arab Emirates. (Photo by Shaun Botterill/Getty Images)
No dia 19 de agosto de 2010, Net Esportes considerou o nadador brasileiro César Cielo como o melhor atleta do país nas piscinas em todos os tempos. Naquela ocasião ele havia faturado a medalha de ouro dos 50m borboleta no Pan Pacífico, em Irvine, Estados Unidos. Ainda na mesma competição, Cielo acabou decepcionando os torcedores e principalmente ele próprio, pois não conseguiu mais do que uma medalha de prata nos 50m livres e uma medalha de bronze nos 100m livres. Era muito pouco para o campeão olímpico e mundial na prova mais rápida da natação, era pouco para quem levou o primeiro lugar do Mundial na prova clássica da natação, era pouco para quem foi considerado o melhor nadador brasileiro da história. Era preciso mudar a rotina, mudar os treinamentos e mudar o seu modo de viver, e deu resultado.

Nas palavras de Cielo a exigência de uma disciplina esportiva maior consigo mesmo - "Consegui arrumar a rotina nos últimos três meses de uma forma que não atrapalhasse meus treinos. A natação é meu trabalho e não parar a toda hora para tirar fotos, etc. Às vezes é difícil para as pessoas entenderem isto" - mas as pessoas terão que compreender isso, a vida de um atleta de alto nível exige uma reclusão grande, um isolamento e uma concentração máxima para quem almeja chegar no topo do mundo. Londres 2012 vai exigir muito isso de César Cielo assim como o Mundial de piscina curta em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, exigiu. No revezamento 4x100m livres veio o bronze, mas na sua grande prova, nos 50m livres, ele voltou a fazer o que aprendeu em 2008, vencer e convencer.

O esporte é a natação, mas parece até a categoria principal dos pesos pesados do boxe. Cielo não é nenhum dos irmãos Klitschko, que tanto querem unificar os títulos, e é talvez por isso que Cielo unifica os títulos na natação. Ouro inesperado nos 50m livres das Olimpíadas de Pequim 2008, ouro confirmador de um potencial incrível nos 50m livres do Mundial de Natação em Roma 2009 com direito a mais uma medalha dourada nos 100m livres. E desta vez mais um cinturão, ou mais um primeiro lugar com o outro nos 50m livres do Mundial de piscina curta em Dubai 2010 depois da decepção em Irvine. O Brasil nem é banhado pelo Oceano Pacífico mesmo, qual o boxeador que conseguir quatro cinturões nos pesos pesados? Três está bom demais, três títulos dessa importância o certificam ainda mais como o melhor nadador brasileiro da história.
DUBAI, UNITED ARAB EMIRATES - DECEMBER 17: Cesar Cielo Filho of Brazil celebrates winning the Men's 50m Freestyle final on day three of the 10th FINA World Swimming Championships (25m) at the Hamdan bin Mohammed bin Rashid Sports Complex on December 17, 2010 in Dubai, United Arab Emirates. (Photo by Clive Rose/Getty Images)
Obrigado Djan Madruga, obrigado Ricardo Prado, obrigado Fernando Scherer e muito obriado Gustavo Borges. Sem os grandes nunca haveria o maior de todos. César Cielo revela ainda que dentro da sua mudança de rotina passou a se trancar em casa e ficar jogando muito video game quando estava de mau humor, só saía quando estava feliz e ter o apoio de amigos e fãs nessas horas, conciliando com o treinamento, foi fundamental para ele dar a volta por cima. Frédérick Bousquet ficou para trás, não foi preciso nem usar o supermaiô, seu tempo foi 20s51 e chegou bem perto do recorde mundial de 20s30 pertencente ao sul-africano Roland Schoeman. Cielo está de volta e se manter essa filosofia de vida pode ir muito mais além do que já foi, pode ser muito mais do que o maior nadador do Brasil, pois o mundo está aí para ser conquistado. (Fotos: Shaun Botterill/Getty Images e Clive Rose/Getty Images via PicApp)