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Apenas o terceiro bicampeão da história

O silêncio que paira sobre o Augusta National Golf Club não é um silêncio comum; é o peso de décadas de glória e o eco de corações partidos que residem entre os pinheiros da Geórgia. No Masters de 2026, esse silêncio foi estilhaçado por uma narrativa que desafiou a lógica e testou a sanidade dos apaixonados pelo golfe. Rory McIlroy, o homem que por tanto tempo carregou o fardo da expectativa, entrou no torneio para vencer e também para selar sua imortalidade. Nos dois primeiros dias, o que se viu foi uma exibição de perfeição técnica que beirou o surreal, com Rory quebrando recordes de pontuação e parecendo flutuar sobre os fairways impecáveis. No entanto, o Masters nunca entrega a Jaqueta Verde sem exigir um tributo de sangue e nervos. O "Moving Saturday" transformou-se em um pesadelo vivo para o norte-irlandês; os putts que antes caiam com naturalidade começaram a contornar o buraco, e McIlroy viu sua vantagem colossal evaporar, terminando o dia com uma acima do par e permitindo que os fantasmas do passado voltassem a sussurrar em seus ouvidos.

Enquanto McIlroy lutava contra si mesmo, o campo via o despertar de gigantes que se recusavam a aceitar o papel de coadjuvantes. Justin Rose, o veterano de elegância inabalável, protagonizou uma arrancada que parecia saída de um roteiro de cinema, acumulando birdies com uma precisão cirúrgica e colocando-se em posição real de forçar um playoff ou até mesmo roubar a liderança nos buracos finais. Mas a ameaça mais silenciosa e letal vinha de Scottie Scheffler. Em uma demonstração de controle mental e técnico sem precedentes na história do clube, Scheffler tornou-se o primeiro jogador a completar os dois últimos dias do Masters sem cometer um único bogey. Foi uma aula de sobrevivência e eficiência; enquanto o mundo ao seu redor desmoronava sob a pressão, Scottie permanecia gélido, uma máquina de salvar pares que forçou McIlroy a não cometer mais erros se quisesse manter o sonho vivo.

O domingo final não foi uma celebração, foi uma guerra de atrito. McIlroy entrou no buraco 18 com a vantagem de duas tacadas, mas sentindo o bafo quente da história em seu pescoço. O drama atingiu seu ápice quando seu drive, desviado por um vento traiçoeiro, desapareceu entre as densas árvores à direita do fairway. O público, em um frenesi contido, cercou o campeão. Com a voz firme, mas o olhar carregado de tensão, Rory teve que pedir pessoalmente que a multidão se afastasse, buscando um ângulo impossível entre os troncos. O golpe de saída da floresta foi um milagre de necessidade, mas a bola acabou encontrando a areia branca da banca. O mundo prendeu a respiração. Dali, ele executou uma saída de mestre para salvar o bogey — um tropeço que, naquele contexto, teve o sabor da mais doce vitória. Ao final, o placar foi o suficiente para que ele se tornasse apenas o quarto homem na história a defender o título com sucesso e vencer dois anos seguidos, juntando-se aos panteões de Jack Nicklaus, Nick Faldo e Tiger Woods.

Com lágrimas nos olhos e a voz embargada enquanto sentia o peso da Jaqueta Verde novamente sobre seus ombros, McIlroy declarou que aquela foi, sem dúvida, a semana mais longa de sua vida. "Houve momentos no sábado em que achei que o golfe estava me dizendo que não era para ser, mas este lugar ensina que a vitória não é sobre perfeição, é sobre o que você faz quando a perfeição te abandona", afirmou o campeão. A conquista de 2026 não foi apenas sobre o troféu ou o recorde de Scheffler, mas sobre a redenção final de um ídolo que sobreviveu às árvores e à areia do 18 para provar que, no solo sagrado de Augusta, o coração de um campeão é a única coisa que não pode ser quebrada. Pela segunda vez consecutiva, o mundo do golfe se curvou ao norte-irlandês, que agora caminha onde poucos ousaram sonhar.

A primeira rodada do Masters de Augusta

O ar denso e carregado de expectativa que sempre envolve o Augusta National Golf Club pareceu ainda mais vibrante nesta quinta-feira, na abertura do Masters de Ausguta de 2026. Em um campo que não perdoa a hesitação, a primeira rodada entregou o drama clássico que solidifica este torneio como o ápice do golfe mundial. No centro das atenções, Rory McIlroy iniciou sua tentativa de repetir o títulos do ano passado com uma autoridade que há muito não se via em seus primeiros 18 buracos na Georgia. Com um cartão de 67 tacadas (-5), o norte-irlandês mostrou uma agressividade controlada, punindo os par 5 com a precisão de quem finalmente parece ter feito as pazes com a pressão psicológica que o perseguia desde 2011. McIlroy jogou muito bem e liderou com a confiança de quem sabe que o tempo é seu adversário mais implacável.

Dividindo o topo da tabela está a grande surpresa do dia, Sam Burns. Embora Burns não seja um desconhecido no circuito, sua performance de -5 foi uma aula de resiliência e jogo curto, superando as expectativas dos analistas que focavam suas apostas em nomes mais badalados. Enquanto Burns brilhava, o mundo do golfe assistia atônito ao que parecia ser uma volta protocolar de Scottie Scheffler transformar-se em frustração. O número um do mundo caminhava para alcançar a liderança compartilhada, mas um colapso catastrófico nos dois últimos buracos — onde a precisão de seus ferros o abandonou — o empurrou para um cartão de 70 tacadas (-2). Para Scheffler, o dano foi mais mental do que matemático, pois terminar o dia com um gosto amargo após se manter firme por 16 buracos é um teste de fogo para sua capacidade de recuperação.

Observando tudo isso de perto, Xander Schauffele surge como a sombra perigosa no retrovisor dos líderes. Com uma volta sólida e silenciosa, Schauffele terminou o dia com -2, demonstrando aquela paciência metódica que o torna um candidato ideal para surpreender no final de semana. Enquanto ele sobe degrau por degrau, outros "gigantes" parecem ter ficado presos no elevador. Veteranos e ex-campeões de Majors como Jon Rahm (+6) e Bryson DeChambeau (+4) tiveram um dia para esquecer, sucumbindo às armadilhas dos greens rápidos e ventos traiçoeiros de Augusta, ficando perigosamente próximos de um corte precoce.

A maior decepção do dia, no entanto, foi o abismo entre o marketing e a realidade no caso de Robert MacIntyre. O escocês chegou ao torneio cercado por um hype desproporcional, apontado por muitos como a grande esperança europeia para desafiar McIlroy. O resultado foi, para dizer o mínimo, pífio: um doloroso +8 (80). Sua incapacidade de ler as linhas de Augusta o deixou atrás até mesmo do veteraníssimo Fred Couples, que aos 66 anos de idade conseguiu entregar um +6 (78), provando que o conhecimento do campo e o carisma de um campeão ainda valem mais do que qualquer expectativa inflada pela mídia.

Para os próximos dias, o Masters de 2026 desenha um cenário de alta voltagem. A grande questão é se McIlroy conseguirá manter a compostura e o ritmo para continuar vestindo o casaco verde ou se a instabilidade que o assombrou no passado dará espaço para nomes como Burns ou o resiliente Schauffele. O colapso de Scheffler pode ter sido apenas um soluço ou o início de uma vulnerabilidade rara. Em Augusta, a glória é eterna, mas como vimos nesta quinta-feira, o caminho até ela é pavimentado por nervos de aço e a dura realidade de que, no golfe, o favoritismo é apenas uma palavra até que a última bola caia no buraco 18 no próximo domingo.

Masters de Augusta 2026 está chegando

O Masters de Augusta não é apenas o primeiro Major da temporada; é o momento em que o mundo do esporte parece prender a respiração para observar o contraste perfeito entre o verde vibrante das gramas da Geórgia e o rosa das azaleias em flor. Enquanto nos aproximamos de mais uma edição no icônico Augusta National Golf Club, a expectativa flutua entre a reverência à tradição e a eletricidade de uma nova era no golfe. Este torneio, fundado pelo lendário Bobby Jones, carrega um misticismo que nenhum outro dos quatro grandes consegue replicar, talvez por ser o único disputado no mesmo percurso todos os anos ou pelo simbolismo quase sagrado da Jaqueta Verde. É a "Catedral do Golfe", onde a história não é apenas lembrada, mas sentida em cada ondulação dos greens diabólicos e no silêncio ensurdecedor que precede um putt no Amen Corner.

Neste ano, os holofotes se dividem entre o domínio técnico e as narrativas de redenção. Scottie Scheffler, o número um do mundo, entra como o homem a ser batido, trazendo consigo uma consistência que beira o robótico, agora equilibrada pela nova fase como pai de segunda viagem. No entanto, o enredo mais fascinante pertence a Rory McIlroy; após finalmente completar o Grand Slam da carreira com sua vitória emocionante no ano passado, o norte-irlandês retorna não mais com o peso do mundo nas costas, mas com a aura de um campeão que domou seus demônios em Augusta. Ao lado deles, nomes como Jon Rahm e a ascensão meteórica de Ludvig Åberg mostram que o topo do ranking nunca esteve tão bem servido de talento.

Muitos se perguntam se a ausência ou o declínio físico de figuras que moldaram as últimas décadas, como Tiger Woods e Phil Mickelson, retira o brilho da competição. A verdade é que, embora o fator nostalgia ainda mova multidões, o golfe atravessa uma transição geracional robusta. A falta de Tiger em sua plenitude física é sentida como uma nota de rodapé melancólica, mas o vácuo de poder foi rapidamente preenchido por atletas que combinam uma potência atlética sem precedentes com um preparo mental de elite. O torneio sobrevive e floresce porque sua estrela principal sempre foi o próprio campo, um adversário implacável que não se importa com o currículo de quem o pisa.

Essa aura de perfeição do clube, no entanto, por muito tempo escondeu uma face rígida e excludente. A polêmica histórica de Augusta National, que resistiu durante décadas a aceitar mulheres como sócias — algo que só mudou em 2012 —, ainda é uma mancha discutida nos círculos sociais do esporte. Mas o clube parece estar empenhado em escrever novos capítulos. Na semana passada, o Augusta National Women’s Amateur mostrou que o talento feminino não apenas pertence àquele gramado, mas o domina. A vitória espetacular de María José Marín, com um recorde de 14 abaixo do par, foi um lembrete vívido de que a excelência não escolhe gênero. Ver uma jovem colombiana erguer o troféu onde antes mulheres sequer podiam entrar como convidadas é o tipo de progresso que, embora tardio, revigora o espírito do golfe e prepara o terreno para uma semana de Masters que promete ser, acima de tudo, inesquecível.

O colapso sem fim de Tiger Woods

Tiger Woods não é mais um golfista; é um estudo de caso sobre a fragilidade da imortalidade esportiva e a decadência de um mito que se recusou a aceitar o próprio crepúsculo. O mais recente episódio de detenção por dirigir sob o efeito de substâncias não é um ponto fora da curva, mas o capítulo final previsível de um roteiro de autodestruição que o mundo se nega a ler por pura nostalgia. Ver o homem que outrora caminhava pelos gramados com a aura de um semideus agora estampado em fotos de delegacia, com o olhar perdido e a dignidade estilhaçada, é o preço que se paga por transformar um atleta em um monumento inabalável.

O colapso começou muito antes deste último acidente, naquela noite de Ação de Graças em 2009, quando a fachada de "bom pai de família" ruiu sob o peso de traições em série e escândalos sexuais que revelaram um homem vazio por trás do swing perfeito. O divórcio não foi apenas uma separação conjugal, foi a separação de Tiger com a própria excelência. O que se viu depois foi o rastro de um naufrágio: cirurgias nas costas que pareciam mais desculpas para uma mente que já não suportava a pressão e uma sucessão de retornos "vitoriosos" que nunca passaram de espasmos de um talento moribundo.

O título no Masters de 2019, vendido pela mídia como a maior redenção da história, foi, na verdade, o último suspiro de um fantasma; um Major solitário em meio a décadas de irrelevância competitiva. Enquanto Jack Nicklaus construiu sua lenda sobre a base da estabilidade e do respeito ao jogo, Woods escolheu o caminho do excesso e da imprudência. É trágico pensar que, em um esporte onde a longevidade permite que veteranos de 50 anos ainda desafiem os jovens, Tiger tenha preferido trocar os tacos pelas pílulas, pelo álcool e pela adrenalina autodestrutiva de um carro em alta velocidade.

Ele não perdeu o recorde de 18 Majors de Nicklaus por falta de técnica, mas por falta de caráter e disciplina fora das cordas. Hoje, ele não corre mais contra a história, ele foge de si mesmo, e cada nova manchete policial é um prego no caixão de um legado que poderia ter sido o maior de todos os tempos, mas que terminou como uma nota de rodapé sobre como o sucesso absoluto pode ser o veneno mais letal para quem não sabe o significado da palavra limite. Tiger Woods não nos deve mais nada como atleta, mas o esporte deve a si mesmo parar de venerar um homem que, repetidamente, escolhe a sarjeta em vez do pódio.

O Adeus ao golfista Fuzzy Zoeller

Um adeus ao carisma e à controvérsia: Fuzzy Zoeller, a lenda do golfe que não fugia aos holofotes, faleceu no último dia 27 de novembro de 2025, aos 74 anos. Frank Urban Zoeller Jr., mais conhecido como Fuzzy Zoeller, nasceu em New Albany, Indiana, em 11 de novembro de 1951, e deixou sua marca no golfe, tanto por seu talento e carisma contagiantes quanto por um momento de grande controvérsia que o perseguiu até o fim. A notícia de seu falecimento foi confirmada por um colega de longa data, mas a causa da morte não foi imediatamente divulgada pela família, mantendo-se, por enquanto, como uma incógnita para o público e a mídia esportiva.

A repercussão da perda foi imediata e sentida em todo o circuito do golfe. O comissário do PGA Tour, Jay Monahan, prestou homenagem a Zoeller, descrevendo-o como "um verdadeiro original cujo talento e carisma marcaram o mundo do golfe". A personalidade extrovertida de Zoeller, seu jogo rápido e seu senso de humor o tornaram um dos favoritos das galerias, sempre pronto a interagir com o público e trazer leveza à competição. Recebeu o prestigiado Prêmio Bob Jones da USGA em 1985 por sua distinta esportividade, um reflexo do apreço que a comunidade do golfe tinha por sua abordagem descontraída e apaixonada.

A carreira e as conquistas de Zoeller são notáveis, totalizando 10 vitórias no PGA Tour. O auge veio com suas duas vitórias em torneios Majors. Em 1979, ele conquistou o Masters, tornando-se o último jogador, até hoje, a vencer o torneio em sua estreia, triunfando em um emocionante playoff de três jogadores contra Ed Sneed e Tom Watson. Sua segunda grande vitória foi no U.S. Open de 1984 em Winged Foot, onde derrotou o australiano Greg Norman em um playoff de 18 buracos. O momento é lembrado por Zoeller acenando com uma toalha branca em sinal de rendição prematura, um erro que o levou ao desempate e, consequentemente, à vitória.

Contudo, a trajetória vitoriosa de Zoeller foi permanentemente manchada por um infeliz incidente em 1997. Após a vitória histórica de Tiger Woods no Masters, Zoeller, então com 45 anos, fez comentários considerados racialmente insensíveis em uma entrevista à CNN, sugerindo que Woods, o campeão, não servisse "frango frito" ou "couve" no jantar dos campeões do ano seguinte. O episódio resultou em uma perda significativa de patrocínios e uma enxurrada de críticas, marcando o que ele próprio chamou de "o pior que aconteceu em toda a minha vida". Não houve um Processo por difamação formal por parte de Tiger Woods, mas o dano à reputação de Zoeller foi imenso e duradouro. Ele se desculpou publicamente e repetidamente, afirmando que seus comentários foram uma tentativa fracassada de fazer piada e que não refletiam seu caráter.

Fuzzy Zoeller representou para o esporte uma era de golfistas com personalidade forte e acessível, que se conectavam com o público de maneira única. Seu legado é, no entanto, complexo: o campeão Major, adorado pelos fãs, é inseparável do homem cujas palavras lhe trouxeram a maior dor. Sua morte encerra um capítulo de contrastes no golfe, lembrando a todos que, no esporte e na vida, as palavras podem ecoar muito mais alto e por mais tempo do que a glória de uma tacada perfeita.

Scottie Scheffler quer ser um dos maiores

Com um feito digno dos maiores nomes do golfe, Scottie Scheffler, o incomparável número um do mundo, consagrou-se campeão do The Open Championship de 2025, realizado no prestigiado Royal Portrush pela terceira vez na história. Sua performance, um verdadeiro espetáculo de maestria e consistência, culminou em uma vitória significativa, com um placar final de 17 abaixo do par, garantindo uma vantagem de quatro tacadas sobre os demais competidores após uma rodada final impecável de 68 tacadas. Este triunfo não apenas solidifica sua posição no topo, mas também o eleva a um patamar de lenda viva do esporte.

A dimensão histórica de sua conquista é inegável e profundamente inspiradora. Aos 29 anos, Scheffler inscreveu seu nome ao lado de Tiger Woods como o único jogador a vencer o Open Championship ostentando o título de número um do mundo, um testamento de sua supremacia incontestável. Mais notavelmente, ele se junta a um seleto panteão de ícones do golfe – Gary Player, Jack Nicklaus e o próprio Tiger Woods – como um dos poucos a erguer os troféus do Open, do Masters e do PGA Championship antes de completar a terceira década de vida. Tais marcos atestam não só seu talento inato, mas também a incansável busca pela excelência que o impulsiona.

Embora o campeonato tenha distribuído um total de 17 milhões de dólares em prêmios, com Scheffler levando para casa uma parcela considerável de 3 milhões, a verdadeira riqueza de sua vitória reside na evolução de seu jogo. Análises de especialistas, como Patrick McDonald da CBS Sports, ressaltam que a chave para seu sucesso reside na notável primazia que alcançou no green, transformando o que antes era um ponto a ser aprimorado em uma arma formidável. Essa metamorfose técnica não só o conduziu à sua primeira vitória em um Major fora dos EUA, mas também pavimentou o caminho para a glória em Northern Ireland.

A vitória avassaladora em The Open Championship é mais do que um título; é a afirmação de uma era dominada por um atleta singular. Scottie Scheffler, com sua recente e impressionante sequência de triunfos, agora se aproxima de maneira extraordinária do grand slam na carreira, um feito reservado apenas aos verdadeiros titãs do golfe. Seu legado está sendo construído a cada tacada, a cada vitória, inspirando gerações e redefinindo os limites do possível no golfe mundial.

The Open de golfe se une à tecnologia

A tão esperada chegada da 153ª edição do The Open em Royal Portrush é marcada por uma inovação revolucionária que promete elevar a experiência de transmissão a patamares nunca antes vistos. A introdução da aclamada tecnologia Spidercam, utilizada em grandes espetáculos esportivos globais como futebol e Ruby, representa um avanço monumental para o golfe. A expectativa é imensa, pois essa câmera suspensa por cabos oferecerá uma perspectiva aérea sem precedentes, capturando a essência e os desafios do 18º buraco com uma imersão surpreendente. Os espectadores ao redor do mundo serão transportados diretamente para o coração da ação, testemunhando cada lance e cada detalhe do campo de uma maneira que apenas a Spidercam pode proporcionar.

A colaboração entre a R&A, a European Tour Productions e a IMG para trazer esta tecnologia de ponta para o The Open é um testemunho do compromisso em inovar e aprimorar a conexão com o público. O entusiasmo é palpável, pois a Spidercam não é apenas mais uma ferramenta de transmissão, mas um marco na história do golfe televisionado. Ela permitirá que os fãs apreciem as nuances topográficas do green, as ondulações sutis e até mesmo a trajetória dos tacadas curtas com uma clareza e um dinamismo inimagináveis até então. A espera pela visão única que essa câmera proporcionará está no centro das atenções, prometendo momentos de pura exaltação a cada tacada crucial.

Esta novidade se junta a um arsenal tecnológico já impressionante, que inclui câmeras em aviões, drones, câmeras nos bunkers e o sistema Toptracer, todos trabalhando em conjunto para oferecer a cobertura mais completa e abrangente possível. O The Open, por si só um evento de grande prestígio, agora se destaca também por sua audácia tecnológica. A grandiosidade da competição é complementada pela excelência da transmissão, criando uma simbiose perfeita entre esporte e inovação. A expectativa é que essa experiência visual enriquecida crie uma nova referência para o golfe, inspirando tanto os jogadores quanto os entusiastas.

Além da transmissão principal, a expansão da presença digital do The Open amplifica o alcance e o envolvimento dos fãs, oferecendo conteúdo suplementar que sacia a sede por mais. Com grupos de destaque dedicados, um canal exclusivo para o Par-3 e uma transmissão dos bastidores, o campeonato se torna mais acessível e interativo do que nunca. O aplicativo oficial e a Rádio do The Open completam a experiência, garantindo que os torcedores possam seguir cada momento, de qualquer lugar. É com um sentimento de triunfo e progresso que o golfe celebra esta nova era de cobertura, onde a tecnologia e a paixão pelo esporte se unem para criar uma celebração inesquecível.

Muitas surpresas para um domingo

E então o tal do J.J. Spaun, do nada, resolveu aparecer e levar o US Open pra casa. Pra ser sincero, parece que o cara jogou o golfe da vida dele no buraco final, mandando uma tacada de 64 pés e 5 polegadas para um birdie. E no final de uma disputa acirrada ele foi o único a terminar abaixo do par! Esse feito, de fazer birdie-birdie para vencer o US Open, o coloca num pedestal ao lado de lendas como Ben Hogan e Jack Nicklaus. Mas a gente se pergunta: onde estava esse cara antes? É um daqueles momentos em que o azarão brilha, mas a que custo para a previsibilidade do esporte? Será que o golfe está ficando tão chato que precisa de um final de conto de fadas para nos manter acordados?

A vitória de Spaun, com seu final emocionante, talvez mascare uma verdade inconveniente: o golfe profissional, apesar de todo o glamour, muitas vezes se arrasta em tédio até o último momento. Essa "virada épica" no 72º buraco, por mais impressionante que seja, serve quase como um truque de mágica para desviar a atenção da dinâmica muitas vezes lenta do esporte. Spaun, o herói da vez, garantiu sua fatia da glória, mas fica a questão: ele é um novo ícone ou apenas o cara certo no lugar certo no dia certo, em um esporte que precisa urgentemente de mais emoção genuína, e não só nas últimas tacadas?

E como se o drama no golfe não fosse suficiente, o Boston Red Sox nos presenteou com outra daquelas decisões que fazem a gente coçar a cabeça. Rafael Devers, um dos nomes mais quentes do time, foi mandado para o San Francisco Giants! A desculpa? Uma tal "tensão crescente" porque o Devers não queria mudar de posição. Vamos lá, Red Sox, sério? Trocar um talento desse calibre por causa de um capricho de posição, ou seria por pura incompetência na negociação? Jordan Hicks, Kyle Harrison, James Tibbs e Jose Bello podem ser talentosos, mas eles realmente compensam a saída de um jogador com o impacto do Devers? É o tipo de movimento que te faz questionar a visão da gerência do time.

Essa troca do Devers, para muitos, cheira a uma gestão que prefere culpar o jogador a assumir a responsabilidade por um relacionamento azedo. Enquanto o golfe festeja um azarão, o beisebol nos mostra o lado frio e calculista do esporte, onde a lealdade muitas vezes se curva diante de intrigas nos bastidores. Devers, agora no Giants, é mais um peão movido em um tabuleiro onde o dinheiro e a política interna muitas vezes superam o talento puro e a paixão dos fãs. No fim das contas, seja no green ou no beisebol, o esporte de alto nível segue seu roteiro, mas nem sempre com a lógica que esperamos ou torcemos.

E o campo de Oakmont não perdoa

O primeiro dia do US Open de golfe em Oakmont foi uma montanha-russa de emoções, e isso não é um exagero. Enquanto todos esperavam que os tubarões desse peculiar esporte dominassem, quem brilhou foi um nome menos conhecido: J.J. Spaun! O cara simplesmente fez 4 abaixo do par, sem um único bogey, jogando o golfe que a gente sonha em ter no videogame, mas que raramente vê na vida real quando a disputa acontece nesse campo infernal. Enquanto um a um ia tropeçando nas "moitas" de Oakmont, Spaun, com uma calma que beirava a insolência, mostrava como se faz, calando a boca de quem duvidava. É o tipo de história que a gente adora, com o azarão virando o jogo!

Mas nem tudo foram flores. A realidade bateu forte para os figurões. Onde estava o Scottie Scheffler, o número 1 do mundo, que vinha ganhando tudo e mais um pouco? Ele foi lá e meteu seis bogeys, um show de horrores que a gente não está acostumado a ver nesse grande jogador. Parecia que o Oakmont pegou ele de surpresa, provando que até os melhores são humanos, e que as vezes a pressão e um campo desses te deixam "menos afiado", como ele mesmo disse. E o Rory McIlroy, então? Depois daquela vitória no Masters, a gente esperava um McIlroy flamejante, mas ele simplesmente se escondeu, não falou com a mídia e terminou a volta com 74 tacadas para digerir. Pelo visto, a grama de Oakmont não perdoa nem os grandes nomes do golfe.

Teve até uns momentos de puro surto que mostram como esse esporte pode ser cruel e imprevisível. Patrick Reed foi de herói a vilão em questão de minutos: fez um eagle espetacular, daqueles de cair o queixo, e logo depois, pum, um triplo bogey! Fala sério, parece roteiro de filme de comédia. E o Shane Lowry? Fez o primeiro eagle no par-4 do terceiro buraco, mas terminou com um 79. É a prova viva de que o campo Oakmont não está pra brincadeira e que a esperança pode se esvair em um instante, mostrando que uma tacada genial não garante nada.

No fim das contas, com apenas dez jogadores conseguindo fechar abaixo do par, Oakmont se reafirmou como um campo implacável, uma verdadeira máquina de triturar expectativas e talentos. Enquanto J.J. Spaun surpreendeu a todos com sua maestria nos putts, a maioria dos "personagens principais" da história do golfe teve que engolir a seco a dura realidade desse US Open. Brooks Koepka até que se salvou, mostrando um vislumbre do seu velho eu, mas a mensagem é clara: em Oakmont, a humildade e a paciência valem mais do que qualquer ranking. E a gente, do sofá, se diverte (ou se choca) com cada reviravolta. Será que as coisas vão continuar assim até domingo?

Vem aí o PGA Championship de golfe

Neste final de semana, entre 15 e 18 de maio, será realizado mais uma edião do PGA Championship, um dos quatro torneios Major´s de golfe de cada ano. Vejamos então um pouco da rica história desta competição gigantesca para o esporte mundial.

Os Primórdios e a Era do Match Play (1916-1957): Uma Gênese Competitiva

A história do PGA Championship remonta a 1916, um período em que o golfe profissional nos Estados Unidos ainda engatinhava em termos de organização e reconhecimento. Foi Rodman Wanamaker, um visionário magnata das lojas de departamento de Nova York, quem idealizou um torneio para impulsionar o profissionalismo no golfe americano. A primeira edição aconteceu no Siwanoy Country Club, em Bronxville, Nova York. Jim Barnes, um inglês talentoso radicado nos EUA, gravou seu nome na história como o primeiro campeão, levando para casa US$ 500 e uma medalha de ouro cravejada de diamantes – um símbolo da ambição e do prestígio que Wanamaker almejava para o evento.

Durante as primeiras quatro décadas, o PGA Championship adotou o formato de match play, um duelo mano a mano que testava a garra e a consistência dos jogadores de maneira implacável. Imaginem os confrontos épicos, os nervos à flor da pele em cada buraco, onde um deslize poderia significar a eliminação. Nomes como Walter Hagen, com seus cinco títulos dominadores na década de 1920, personificaram essa era. Hagen, com seu carisma e talento inegável, não apenas acumulou troféus Wanamaker, mas também ajudou a popularizar o esporte e a elevar o status dos golfistas profissionais.

Outros campeões notáveis dessa época incluem Gene Sarazen, outro pentacampeão cuja longevidade e habilidade o consagraram, e Sam Snead, com seus três triunfos e um swing elegante que encantava os espectadores. A era do match play era uma batalha de resistência, com os finalistas frequentemente jogando mais de 200 buracos em uma única semana – um verdadeiro teste físico e mental.

A Transição para o Stroke Play (1958): Uma Nova Era de Precisão

O ano de 1958 marcou uma inflexão crucial na história do PGA Championship. A pressão das emissoras de televisão, que preferiam um grande grupo de contendores conhecidos no último dia de competição, levou a PGA of America a adotar o formato de stroke play, o sistema de pontuação por tacadas que conhecemos hoje. Essa mudança democratizou a competição, permitindo que mais jogadores tivessem chances de vitória ao longo de 72 buracos.

Dow Finsterwald foi o primeiro campeão na nova era do stroke play, no Llanerch Country Club, na Pensilvânia. A partir daí, o torneio começou a se moldar como o conhecemos hoje, com quatro rodadas de 18 buracos testando a precisão, a estratégia e a compostura dos melhores golfistas do mundo.

Décadas de Ouro e Momentos Inesquecíveis (1960-2000): Lendas em Ascensão

As décadas seguintes foram repletas de momentos mágicos e a ascensão de lendas do golfe. Jack Nicklaus, com suas cinco vitórias no PGA Championship, consolidou sua posição como um dos maiores de todos os tempos. Seus duelos épicos com outros gigantes do esporte, como Arnold Palmer e Gary Player (bicampeão do torneio), cativaram o público e elevaram o nível da competição.

A década de 1990 trouxe a explosão de talento de Tiger Woods. Em 1999, aos 23 anos, ele se tornou o quinto campeão mais jovem da história do torneio, iniciando uma sequência de quatro vitórias (1999, 2000, 2006, 2007) que o colocaram ao lado dos maiores nomes do golfe neste Major. A intensidade e o domínio de Woods nessa época eram palpáveis, e suas performances no PGA Championship frequentemente entravam para a história. Outros momentos memoráveis incluem a improvável vitória de John Daly em 1991, entrando como nono alternate e conquistando o título com um estilo de jogo "grip it and rip it" que o tornou um fenômeno instantâneo. Ou a dramática vitória de Bob Tway em 1986, embocando uma tacada de bunker no último buraco para derrotar Greg Norman.

O Século XXI e a Continuidade da Grandeza (2001-Atual): Uma Nova Guarda e Surpresas

O novo milênio testemunhou a continuidade da grandeza e a emergência de uma nova geração de talentos. Phil Mickelson, com suas duas vitórias emocionantes, incluindo a histórica conquista em 2021 aos 50 anos, tornando-se o campeão de Major mais velho da história, mostrou que a paixão e a habilidade não têm idade. Rory McIlroy também deixou sua marca, com duas vitórias, incluindo o triunfo dramático em 2014 em Valhalla, jogando sob a luz bruxuleante do final do dia. Brooks Koepka, com suas três conquistas recentes (2018, 2019, 2023), demonstrou uma capacidade impressionante de performar sob a pressão dos grandes campeonatos.

O PGA Championship continua a nos presentear com histórias emocionantes e campeões inesperados. A cada ano, um novo capítulo é escrito, mantendo viva a tradição de um torneio que evoluiu ao longo de mais de um século, mas que sempre manteve sua essência competitiva e seu prestígio inabalável. Portanto, da era do match play aos duelos de stroke play do século XXI, o PGA Championship permanece como um farol de excelência no mundo do golfe, um palco onde lendas são forjadas e momentos inesquecíveis são gravados na memória dos amantes deste esporte. E a história, meus amigos, continua a ser escrita a cada tacada.

O último Major que lhe faltava

Em meio À luz reluzente do sol baixo de um lindo final de tarde de domingo, Rory McIlroy distribiu abraços emocionados enquanto faz o caminho da vitória no Ausgusta National Golf Club. A torcida que aplaude forma um corredor onde o norte irlandês percorre o trajeto que apenas seis jogadores alcançaram em toda a história do golfe. E sua história começou já faz muito tempo, em 2011, quando McIlroy foi campeão do US open de golfe, seu primeiro Major. Depois disso ele despontou como o futuro promissor, o novo Tiger Woods, a grande promessa do esporte que faturava também o PGA em 2012, o The Open em 2014 e novamente o PGA naquele ano. Mas tudo meio que acabou ali, acabaram os Majors para ele, e ficou faltando o mais emblemático de todos eles.

Dez anos sem ganhar nenhum torneio Major é muito tempo para um jogador de alto nível como Rory McIlroy. É por isso que ele começa fulminante na primeira rodada do Masters de Augusta, o último dos grandes que ele ainda não triunfou em sua carreira. O problema é que McIlroy já sucumbiu outras vezes e o drama volta nos buracos finais. Ele tinha uma grande vantagem, mas termina apenas com o par do campo, enquanto isso o vice campeão de 2015 e 2017 Justin Rose dispara na liderança com sete abaixo do par e, obviamente, sete tacadas de diferença para Rory McIlroy. Só que McIlroy entrou certo de que esse ano ele não poderia deixar escapar, e assim choca o mundo do golfe com duas voltas seguidas com seis tacadas abaixo do par, entrando na volta final com inacreditáveis 12 abaixo do par enquanto Justin Rose tinha apenas cinco, e sua maior ameaça parecia ser Bryson DeChambeau com dez abaixo do par.

Dez anos sem ganhar um Major. Isso pesa na mente de qualquer um. Assim Rory McIlroy entra em colapso novamente e não consegue jogar bem a última volta como havia jogado as duas anteriores. Nunca nates um jogador com múltiplos bogeys duplos havia sido campeão. McIlroy termina o dia com uma tacada acima do par, pior do que o seu primeiro dia. DeChambeau estava pior ainda, terminando com sete abaixo, mas vejam quem ressurge das cinzas, ele mesmo, Justin Rose termina o dia com 66 tacadas e empata na liderança com Rory McIlroy, ambos com onze abaixo. Dez anos é muito tempo e ele não poderia deixar escapar desse vez.

A lenda Jack Nicklaus, campeão de 18 títulos de Major. O gigante e por tantos anos melhor de todos Tiger Woods, vencedor de 15 Majors que sempre foi apontado como o único que poderia superar Nicklaus finalmente. Ben Hogan, Gary Player e Gene Sarazen também estão nessa lista, uma lista restrita apenas com nomes de jogadores que fecharam o Grand Slam do golfe, os únicos que conseguiram faturar os quatro grandes torneios de golfe, os quatro Majors. Dez anos sem ganhar títulos de Major, e no 11º ele tinha que vir mesmo com seus famosos colapsos na primeira e última voltas. Apenas uma tacada, no primeiro buraco de desempate, McIlroy acerta em três enqaunto Rose precisa de quatro. O peletó verde finalmente é dele, Rory McIlroy enfim é campeão do Masters de Augusta de Golfe.

O Masters de Augusta de Golfe

O torneio de golfe Masters de Augusta começa no próximo dia 10 de abril e vai até o dia 13. É uma competição que reúne tradição e Excelência no Coração do Golfe. O Masters de Augusta, realizado anualmente no Augusta National Golf Club, na Geórgia, Estados Unidos, é um dos quatro principais campeonatos de golfe profissional do mundo, conhecido como "Majors". Sua história rica em tradições, lendas e momentos marcantes o tornam um evento único e inesquecível.

A história do Masters remonta à década de 1930, quando o lendário golfista Bobby Jones, após conquistar o Grand Slam em 1930, adquiriu um antigo viveiro de plantas em Augusta com o banqueiro Clifford Roberts. Juntos, eles idealizaram um campo de golfe que se tornaria um marco no esporte. O Augusta National Golf Club foi inaugurado em 1933, e o primeiro torneio Masters foi realizado em 1934. Desde então, o campo se tornou palco de momentos históricos e emocionantes, com buracos desafiadores e paisagens exuberantes que testam a habilidade e a precisão dos melhores golfistas do mundo.

Tradições e Momentos Marcantes

O Masters é conhecido por suas tradições únicas, que o diferenciam de outros torneios de golfe. Uma delas é a famosa "Jaqueta Verde", concedida ao campeão, que se torna membro honorário do Augusta National. Outra tradição é o "Jantar dos Campeões", realizado na terça-feira da semana do torneio, onde os vencedores anteriores se reúnem para celebrar a história do Masters.

Ao longo dos anos, o Masters presenciou momentos inesquecíveis, como:

- A vitória emocionante de Tiger Woods em 2019, após um jejum de 14 anos em Majors;
- O domínio de Jack Nicklaus, o maior campeão do Masters com seis títulos;
- A rivalidade épica entre Nicklaus, Arnold Palmer e Gary Player, conhecidos como "Os Três Grandes";
- O recorde de 72 buracos de Dustin Johnson em 2020, com 20 abaixo do par.

Um Legado de Excelência

O Masters de Augusta é mais do que um torneio de golfe; é uma celebração da tradição, da excelência e da paixão pelo esporte. A cada ano, o Augusta National se transforma em um palco de sonhos, onde lendas são criadas e histórias são escritas.

O dia de glória de Phil Mickelson

O jogador de golfe Phil Mickelson admitiu nesta segunda-feira seu vício em apostas esportivas. Nesta temporada da NFL ele disse que não fará nenhuma aposta, pois isto está afastando ele de sua vida, sua família e seus amigos. O dinheiro nunca foi problema para ele, mesmo que suas perdas cheguem a cerca de US$ 100 milhões de dólares, mas assim como qualquer outro vício os prejuízos vão além do financeiro e são também enormes. Mas a história desse jogador veterano de 53 anos é muito maior do que este deslize, como foi em 2004 quando o mundo do golfe fervilhava de entusiasmo com o desenrolar do prestigiado Masters de Augusta, realizado todos os anos no Augusta National Golf Club. Phil Mickelson, que era carinhosamente conhecido como “Lefty” por seu swing com a mão esquerda, sempre foi uma das figuras mais talentosas e queridas do esporte, mas carregava na época o peso do potencial não realizado.

Mickelson ganhou a reputação de ser um dos melhores jogadores de golfe que nunca havia ganhado um campeonato importante. Ele chegou tentadoramente perto em várias ocasiões, terminando como vice-campeão em vários campeonatos. No entanto, à medida que se aproximava a rodada final do Masters de 2004, muitos se perguntavam se este seria finalmente seu momento de glória. Ao longo do torneio, Mickelson demonstrou um nível de habilidade e confiança inegável. Na última volta ele estava empatado na liderança com Ernie Els e teve a chance de vencer o Masters com um birdie no buraco final.

A tacada inicial de Mickelson encontrou o fairway e, com a respiração suspensa, a torcida observou enquanto ele fazia sua tacada de aproximação. Ele enfrentou um chute desafiador de 207 metros de distância, sobre a água, até a bandeira precariamente colocado no lado direito do green. Foi um momento que exigiu precisão e coragem. Com determinação inabalável, Mickelson acertou a bola de forma limpa. A bola voou pelo céu da Geórgia, ultrapassou o obstáculo de água e pousou suavemente no gramado, a poucos metros do buraco. A multidão explodiu em aplausos estrondosos quando a bola de golfe de Mickelson o colocava perto da taça, preparando um birdie para a vitória.

Mickelson avançou para a tacada, leu calmamente a linha e, com um golpe confiante, observou a bola desaparecer no buraco. O rugido dos fãs em Augusta ecoou pelos pinheiros da Geórgia quando Lefty finalmente realizou seu sonho de vencer um campeonato importante. Ele ergueu os braços em triunfo, compartilhando o momento emocionante com seu caddie, amigos e família. A vitória no Masters de 2004 não só garantiu o lugar de Mickelson na história do golfe, mas também o tornou querido por fãs de todo o mundo. Foi uma história comovente de perseverança, habilidade e alegria de triunfar sobre a adversidade. A tão esperada vitória de Phil Mickelson no campeonato principal no Augusta National foi um momento de pura magia do golfe, que provavelmente deus a apostadores um bom dinheiro, apesar das apostas poderem se tornarem um vício como se tornaram ao próprio Mickelson.

Campeões de 2021: Phil Mickelson

Era o último buraco do dia. Phil Mickelson tinha duas tacadas de vantagem e liderava o PGA Championship com certa folga. Ele caminha pelo fairway em busca de uma consagração que não vinha desde 2013. Neste momento os torcedores não conseguem conter a emoção e aos poucos vão entrando dentro do campo. A multidão vem de uma vez só e não tem pandemia, distanciamento social e nem mesmo diversos seguranças que podem conter os entusiasmados torcedores. Eles só param quando Mickelson para, afinal o golfista ameriano ainda precisa dar a sua tacada para chegar no green. Quando acerta o golpe preciso os torcedores gritam mais uma vez. Em seguida ele para novamente e respira fundo, espera o adversário dar sua tacada para seguir em frente novamente, e com ele vem os torcedores incontidos.

São tantas pessoas que ele se perde no meio delas. Lá está também Brooks Koepka, que só consegue chegar alguns minutos depois. Precisando de três tacadas para ser campeão, ele resolve em duas e consegue mais um major aos 50 anos de idade. Depois de Julius Boros, que foi campeão do mesmo PGA Championship aos 48 anos de idade em 1968, Phil Mickelson se tornou o jogador de golfe mais velho da história a ser campeão de um dos quatro torneios de golfe mais importantes do mundo. O jogador que faturou seu primeiro título em 1991 e que demorou alguns anos até se tornar uma jogador prestigiado e ganhar seu primeiro título grande, quando já tinha 33 anos de idade.

Phil Mickelson confirmou com esse título do PGA Championship uma tendência de atletas mais velhos alcançando grandes glórias. Recentemente vimos Tom Brady ganhando o Super Bolw no futebol americano da NFL aos 43 anos. Tiger Woods ganhando major com mais de 40 anos. Serena Williams e Roger Federer no tênis com quase 40 anos e não dando sinais de aposentadorias. E nas palavras do próprio Phil Mickelson - “Espero que isso inspire alguns a apenas colocar aquele pequeno trabalho extra, porque não há razão para que você não consiga atingir seus objetivos em uma idade mais velha”, que segundo ele mesmo também disse “Só dá um pouco mais de trabalho.”

Campeões 2021: Hideki Matsuyama

O Masters de Augusta tinha bastante público, apesar da pandemia de COVID-19. Nos Estados Unidos a média móvel de mortes, que já foi superior a 3 mil por dia, está abaixo de mil atualmente. Talvez por isso, e também porque são o país que mais vacina, vemos tantas pessoas aglomeradas e sem máscaras nesse evento. Aliás os eventos esportivos por lá andam a todo o vapor, com a maioria deles liberadas para o público, tanto parcial como total em alguns casos. O que não vemos, no entanto, é Tiger Woods em Augusta pois ele sofreu um grave acidente de carro e ainda está se recuperando da cirurgia por múltiplas lesões. Difícil prever, mas talvez nunca mais vejamos Woods jogando novamente, ou nunca mais jogado como jogava. Só o tempo dirá.

Mas uma coisa interessante pode ser vista logo no primeiro dia. Justin Rose, que venceu o US Open em 2013, consegue bater 65 e termina o dia com 7 abaixo do par. Muito longe, empatados em segundo, estão Brian Harman e Hideki Matsuyama, com apenas 3 tacadas abaixo do par. Parece até que acabou o campeonato, mas Rose sucumbiu nos dias seguintes e nunca mais conseguiu ficar abaixo do par do campo. Enquanto isso outros jogadores avançaram como Will Zalatoris e Jordan Spieth, mas o grande avanço mesmo veio no sábado, com o japonês Hideki Matsuyama fazendo o que Rose fez no primeiro dia, bateu 65 e avançou para a liderança com 11 abaixo do par.

O domingo chega e perna treme. Matsuyama até conseguiu os birdie's que precisava para se manter em primeiro, chegando a ter 13 abaixo do par, mas nos últimos buracos viu uma sequência terrível de bogey's e parecia ameaçado. Zalatoris se aproximava para tentar empatar, mas não teve forças suficientes. Hideki Matsuyama termina com um bogey no 18, mas ainda assim é campeão com 10 abaixo do par. E o Masters de Augusta que não viu Tiger Woods jogando, não viu o cara que assombrou no primeiro dia manter a força, acabou vendo um japonês vencendo por lá pela primeira vez na história.

Tiger Woods onze anos depois

Tiger Woods
O golfe é um esporte relativamente restrito no sentido de poucos sabem muito sobre ele e, muitos não sabem nada em relação ao que acontece em seu universo. Isso se inverte de certa forma quando se fala em Tiger Woods. Tenha sido exclusivamente pelo seu talento nato ou por um marketing bem feito, a verdade é que o jogador americano ganhou o mundo e fez do golfe um esporte um pouco mais popular de certa forma, ou pelo menos um pouco mais do que fizera Jack Nicklaus, Gary Player, Analnold Palmer ou Nick Faldo. Quando se falava em golfe todos lembravam de Woods, era como falar de NBA e Michael Jordan, de Fórmula 1 e Ayrton Senna, de futebol e Pelé ou Boxe e Mike Tyson, talvez. E tudo começou lá atrás em 1997, quando Tiger vencia seu primeiro torneio Major. O segundo só veio em 1999, mas a ascensão nos anos 2000 foi meteórica, com chances de vencer os quatro Major´s no mesmo ano e mantendo seu ritmo intenso de conquistas até pelo menos o ano de 2008, quando secou aquela fonte de grandes conquistas.

Algum tempo depois Tiger Woods sofreria um golpe tremendo em sua vida pessoal, mas um pouco antes disso ele já estava sofrendo com os resultados ruins. Os principais problemas não era psicológicos, como viriam a ser em breve, provavelmente. Os problemas na época eram lesões, e elas viriam lhe atormentar por muito tempo ainda depois disso. Foi então que Tiger acabou sendo arrebatado por um golpe fulminante. Vítima de um escândalo sexual, acusações de adultério, ele teria traído sua esposa com mais de cem mulheres, o divórcio se torna inevitável. Tiger se afastou dos filhos, teve apoio da mãe e com ela fez um singelo pedido de desculpas no programa da Oprah Winfrey. A maioria dos patrocinadores se retiram, sua presença na lista dos esportistas mais bem pagos de cada ano deixa de se repetir e só a Nike se mantém junto ao atleta que até então era idolatrado e visto como exemplo.

Depois disso Tiger Woods se afastou das competições por um tempo, e quando voltou não era mais o mesmo. Demorou alguns anos para voltar a ser campeão, mas as costumeiras vitórias em torneios menores do PGA Tour não eram suficientes para voltar a vê-lo como aquele bom e velho Tiger Woods. Ele precisava voltar a vencer torneios Major, mas sua vida nessas competições nunca mais foi a mesma. Tiger ficava no "corte" que é quando o jogador é eliminado após os dois primeiros dias de disputas. Tiger por diversas outras vezes teve que se afastar devido à lesões, e era obrigado a fazer novas cirurgias e amargar mais algum de tempo de recuperação. Contra ele havia também o tempo passando, a cada ano ele não ia ficando mais novo, e o mundo começava a questionar se ainda seria possível ele voltar a ser o bom e velho Tiger Woods de sempre. Aos 43 anos o próprio jogador pensou em desistir e encerrar a carreira.

O mundo todo, os torcedores que não o abandonaram, os fãs que continuaram ao seu lado e acreditando agradecem imensamente por isso não ter acontecido. O ano de 2008, quando ele venceu o US Open, o seu último Major, o 14º de sua carreira, ficou para trás. Onze anos se passaram e a projeção de vê lo superar os 18 Major de Jack Nicklaus desapareceram completamente. Muitos duvidavam e poucos acreditavam que um dia ainda seria possível erguer uma taça de Major. Mas Tiger, mesmo com tantas dificuldades, persistiu em seu objetivo que sempre pareceu tão simples de ser alcançado no passado, e tinha que ser em Augusta, no Masters de Augusta, em um lugar emblemático e místico, pois magia era o que faltava para uma conquista tão mágica como essa pudesse acontecer novamente. A vibração após a última tacada parece ainda mais vibrante do que a primeira a mais de 20 anos atrás, e ficou ainda mais completa quando logo depois veio o abraço da mãe e dos filhos, que estavam lá também. Demorou muito, mas ele conseguiu, Tiger Woods voltou a ser grande como era no passado.

Ele sonhava, enquanto a águia voava

Os passarinhos dão pequenos rasantes para manter as esperanças vivas, mas quando se vê o voo da águia, então o grande sonho estará renovado. Aquele velho sonho de criança, aquela busca obstinada pelo objetivo maior que sempre foi alcançar o ponto mais alto do cume, o topo do mundo, o lugar onde o silêncio confortador da paz eterna só poderia mesmo ser quebrado pelo grito eufórico de uma torcida apaixonada e entusiasmada. E lá vem o taco novamente para encontrar as costas castigadas da bolinha já tão machucada. Assim ela vai rolando e só para no fundo daquele buraco que pouco antes havia sido rejeitado no momento errado. Não balançou as redes e não foi um gol do Real Madrid, seu time do coração, mas os torcedores vibram e comemoram com o espanhol campeão.

Das mãos de Danny Willett vem o direito de vestir o paletó verde. A cena se repete todos os anos, foi de Phil Mickelson para Tiger Woods e depois voltou para ele novamente. Passou por Bubba Watson, Adam Scott e Jordan Spieth e claro pelo lendário e compatriota Seve Ballesteros, mas Sergio García jamais o havia vestido em toda a sua vida. O grande jogador que jamais foi campeão de um torneio Major. Parece até a história de Karl Malone, Allen Iverson e tantos outros grandes jogadores de basquete que jamais ganharam o título da NBA. A diferença, talvez, é que no golfe a longevidade é um pouco maior que no basquete. García tem 37 anos, porém está longe da aposentadoria. Longe ele também está das últimas colocações, mas chega de ficar empatando em segundo, desta vez ele foi mais além, ele foi até o lugar onde tudo é possível.

A Espanha no auge do esporte? Essa história não é de hoje e nem está voltando, ela só está consertando um erro que cometeu na época em que aconteceu. Enquanto Real Madrid e Barcelona dominavam o futebol, a Seleção espanhola fazia história conquistando Eurocopa e até Copa do Mundo. Na Fórmula 1 Fernando Alonso era chamado de o melhor piloto da atualidade, enquanto no tênis o grande nome era Rafael Nada, invencível jogando no saibro. Haviam espanhóis se dando bem em outros esportes também, era uma febre espanhola de domínio esportivo, incluindo até o golfe que tinha em Sergio García seu representante maior. O problema é que, como o Sargento, ele sempre perdia do Zorro, ficava com o mínimo e nunca faturava aquilo que precisava: o torneio Major.

O tempo passou e poucos espanhóis mantiveram sua força. Alguns seguem firmes, mas deixaram de ser unanimidades. Pelos fairway´s e green´s de vários cantos do mundo seguia Sergio García. Ele ainda mantinha as esperanças, mesmo que fossem apenas com rasantes de passarinhos. Ele sempre ficava no quase, e quase nem acreditava. Ele precisava de algo a mais, precisa de uma águia voando para continuar sonhando. E assim ela subiu no quinze da última volta no último dia, e não haveria mais tristeza no dia seguinte. O persistente empate com Justin Rose serviu apenas para garantir um pouco mais de dramaticidade e emoção no Augusta National Golf Club, o palco de mais um histórico Masters, que corou um persistente espanhol sonhador.

O que Gretzky tem haver com golfe?

Recentemente o ex-jogador de futebol Pelé recebeu a Ordem Olímpica, que é uma honraria oferecida pelo COI a grandes nomes do esporte mundial. Pelé é considerado por muitos como o maior jogador de todos os tempos, alguns o chamam até de atleta do século. Muitas pessoas conhecem e sabem quem foi Pelé, mas isso não acontece com outros grandes nomes do esporte mundial. Poucos já ouviram falar ou sabem quem foi Babe Ruth, uma das maiores lendas do beisebol. No boxe, a recente morte de Muhammad Ali repercutiu em todos os cantos, mas ninguém citou o relembrou quem fora Rocky Marciano, um lutador que jamais perdeu nos pesos pesados.

Lendas do beisebol e do boxe pouco conhecidas ou reverenciadas. Se partirmos para o hóquei no gelo então, a coisa fica mais complicada ainda. Ruth e Marciano deveriam ser como Pelé, e Wayne Gretzky também. O maior jogador de hóquei no gelo que a NHL já viu em toda a sua história de mais de cem anos. Gretzky é quase um Deus para os amantes do hóquei no gelo. Sidney Crosby apenas sonha em ser um Wayne Gretzky, ou alcançar um reconhecimento semelhante. E se Wayne Gretzky não consegue um reconhecimento mundial no nível do Pelé, imagina só uma filha sua que tenta ser cantora, atriz e modelo?

Sim, Wayne Gretzky teve filhos e sua filha mais velha não iria deixar de usar seu sobrenome, mesmo que não seja um sobrenome tão reconhecido como um apelido do tipo Pelé. Paulina Gretzky desistiu da faculdade e gravou um disco de músicas. Ela também se arriscou nas telonas, participando do filme "Gente Grande 2". E com um corpo esbelto e uma beleza única, não poderia deixar de ser modelo também. Com 27 anos de idade, a gata saiu nas páginas da revista em um ensaio que não tinha muito haver como hóquei no gelo, mas sim com golfe. E só mesmo assim para entender o que Gretzky tem haver com golfe.

O mundo descobre Paulina Gretzky e faz a ligação de Gretzky com o golfe graças a Shane Lowry. Mas quem é Shane Lowry? Talvez ele seja a versão Dustin Johnson do ano passado. Não estamos na NHL, apesar do Gretzky, mas sim no US Open de golfe, um dos quatro maiores torneios de golfe do mundo. Wayne Gretzky não está jogando e nem assistindo no Oakmont Country Club, em Oakmont, Pennsylvania. Mas Paulina Gretzky e seus cabelos louros estão lá. Ela está lá porque é a esposa e mãe do filho de Dustin Johnson, e espera que o marido não perca a chance que Shane Lowry está lhe dando. Ironicamente do mesmo jeito que ele deu a Jordan Spieth no ano passado.

Desta vez Spieth está lá para trás, em 37°, e não é uma ameaça. Desta vez quem está lá na frente é Shane Lowry, com nada a menos que sete tacadas abaixo do par. Mas ele entra em colapso e abre uma avenida para Dustin Johnson avançar suavemente, como se estivesse deslizando sobre o gelo de uma quadra de hóquei. O trabalho foi feito ao longo da competição e quatro abaixo do par já é o suficiente, mesmo com a polêmica no green do buraco cinco. Dustin Johnson é campeão de um major pela primeira vez na carreira aos 31 anos, muito pouco para querer ser um Pelé, Ruth, Marciano ou Gretzky. Mas como a comemoração é com um beijo na sua esposa Paulina Gretzky, podemos dizer agora que Gretzky tem tudo haver com golfe.

Spieth e o colapso no Amen Corner

Os buracos onze, doze e treze do Augusta National Golf Club formam um tipo de uma curva, uma ponta e, talvez por isso ou principalmente por isso, foram carinhosamente apelidados de 'Amen Corner'. Em algumas transmissões de TV o 'Amen Corner' ganha até um destaque maior, acompanhando todos os jogadores que por ali passam, sendo uma alternativa ao 'Grupo dos líderes' ou 'Grupo de algum jogador mais famoso'. Foi ali que alguns dos mais emblemáticos jogadores fizeram história, mas foi ali que muitos entraram em colapso também. Neste ano de 2016 foi a vez do desastre total, uma tragédia que começou até mesmo antes do 'Amen Corner', ainda no buraco dez, quando um pequeno escorregão era apenas o início de uma queda maior até do que a glória de vencer.

No ano passado o Masters de Augusta via o surgimento de um fenômeno no mundo do golfe. O Masters de golfe é um torneio peculiar, ele é sempre disputado no mesmo lugar e se você não entende muito desse esporte, pode achar estranho um jogador fazer dezoito tacadas abaixo do par em um ano, com uma margem de apenas quatro tacadas, e no ano seguinte terminar acima do par. É o mesmo campo, na mesma época do ano. O 'Amen Corner' está sempre lá entre o onze e o treze. Mas cada ano é um ano. Às vezes é o clima, o momento do jogador e, principalmente, o posicionamento do buraco no green. Jordan Spieth queria ser apenas o quarto da história a ganhar o Masters em dois anos consecutivos, mas ele se tornou mais um que entrou em colapso no momento mais importante.

A segunda volta terminara e Jordan Spieth estava a seis rodadas na liderança. A série de triunfos consecutivos alcançaria ainda um sétimo dia, mas as coisas não estavam saindo como planejado. O campo do Augusta National Golf Club muitas vezes castiga seus jogadores como uma mãe furiosa castiga um filho que não se comporta bem. Coloca todos de castigo, não deixa quase ninguém bater menos do que o par do campo. Apenas Dustin Johnson, Daniel Berger e jogadores do nível de Rory McIlroy tem uma chance de não irem tão mal, e mesmo assim terminam com 71 tacas, ou seja, apenas uma abaixo do par. Spieth não encontra seu jogo, faz 74 e mesmo assim segue na liderança, afinal mesmo não sendo uma sexta-feira 13, era uma sexta-feira negra, perversa e cruel com a maioria dos jogadores, incluindo Danny Willett, que terminou o dia com 74 tacadas e uma indigesta décima quarta colocação.

O sábado não animou quase ninguém. Jordan Spieth terminou mais um dia seguido batendo acima do par, com 73 tacadas, e viu sua liderança ficar ameaçada. Muitos jogadores apareceram com chances, eles eram da Alemanha, Austrália e até mesmo do Japão. Porém, poucos deram importância a um certo inglês que havia pulado para a sétima colocação sem muito esforço. Duas semanas antes ele nem sabia que estaria classificado para o Masters, em 30 de março Danny Willett se tornou pai e tinha um motivo a mais para não se concentrar plenamente no primeiro Major do ano. Ele terminou o dia com o par do campo e mesmo assim ganhou sete posições na classificação. Três tacadas de diferença para o líder não eram nenhum absurdo. Manter o par não seria suficiente, mas, mesmo fazendo sua parte, não poderia sonhar ou imaginar que o adversário faria a dele de uma forma tão negativa como fez.

Danny Willett foi incrível no domingo. Ele fez cinco birdies e terminou o dia e o torneio com cinco tacadas abaixo do par. Jordan Spieth por sua vez fez um bogey no buraco cinco, mas havia feito birdie no dois e faria mais quatro seguidos, entre o seis e o nove. Spieth chegou a sete abaixo do par, praticamente assegurando o título. Mas então aconteceu o inesperado, o colapso. Dois bogey´s seguidos no dez e no onze, já entrando no 'Amen Corner'. No buraco doze, o único em que todas as tacadas fazem parte do 'Amen Corner', ele afunda de vez no lago. Literalmente falando ele manda duas tacadas para dentro da água, se bogey já é um ruim, imagina só um quatro-bogey. Quatro tacadas a mais no buraco doze e praticamente adeus ao sonho de vencer pela segunda vez consecutiva no Masters de Augusta. Enquanto isso só restou a Danny Willett comemorar, afinal ganhou o direito de vestir a jaqueta verde enquanto a taça caía no seu colo.

Tacada errada no último buraco do dia

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No velho campo de golfe de St Andrews, um jovem jogador sonhava reescrever a história. Uma história que havia sido escrita em 1953, na mesma Escócia, porém não no mesmo campo. Ben Hogan jamais venceu em St Andrews, mesmo que o lugar seja emblemático e mítico. Ali já foram campeões Sam Snead, Jack Nicklaus, Seve Ballesteros, Nick Faldo e Tiger Woods. A esse seleto e precioso grupo se junta Zach Johnson, mesmo que todos estivessem pensando que ali estaria Jordan Spieth, reescrevendo a história, fazendo o que Hogan fez em 1953, alcançando um sonho tão difícil e grandioso que não poderia ter ficado para trás por apenas uma única tacada errada no último buraco do dia.

Lá se vai o sonho que até mesmo para Tiger Woods em seus bons tempos foi impossível. Lá se vai a esperança, escorrendo pelos verdes campos como corre a água da chuva que não da trégua. A Escócia vivendo seus dias de Inglaterra. Desde 1988 o The Open Championship, outrora vangloriosamente conhecido como British Open, não terminava em uma segunda-feira. Um dia de última volta que não poderia ser encerrado sem a disputa de um playoff de desempate, uma última mini disputa em quatro buracos que quase viu ali o melhor jogador da atualidade. Um jogador que tinha um sonho de reescrever a história, impedido, por uma única tacada errada no último buraco do dia.

Até o começo do ano, até o primeiro Major do ano, poucos sabiam quem era Jordan Spieth. Ele vence o Masters igualando recordes de Tiger Woods e surpreende o planeta. Quem seria o jovem de apenas 21 anos que começara fazer história do mesmo jeito que Tiger Woods começou? A resposta viria no Major seguinte, no US Open, onde venceu exatamente da mesmo forma. Agora não restavam mais dúvidas, ele vence até torneios menores cerca de uma semana antes de torneios Majors e mostra que pode ir ainda mais longe do que já foi. Ele pode vencer os três primeiros Majors do ano, como fizera Ben Hogan em 1953. Tudo está a uma tacada dos playoffs, tudo termina por causa de uma única tacada errada no último buraco do dia.

Louis Oosthuizen não consegue repetir o feito que obteve em 2010 no velho campo de St Andrews. Marc Leishman vai pior ainda, bate duas acima no playoff e diz adeus. Assim o título fica nas mãos Zach Johnson, depois que Spieth lamentou não estar ali devido a uma única tacada errada no último buraco do dia. Foi aquele bogey, aquele bola passando raspando no buraco e seguindo em frente um pouco mais, aquele suspiro dos torcedores nervosos e aflitos que viram o sonho de repetir a história ir por água abaixo. Foi por pouco, mas não foi apenas isso, foi também o doble bogey no oito ou a segunda volta ruim que fez na sexta-feira. Talvez o mal tempo ou quem sabe aquela velha falta de sorte. Jogar 14 ou 15 abaixo no old Course até que é normal, Spieth tinha que ter ido além, como foi no Masters e no US Open, para não ficar dependendo de uma única tacada errada no último buraco do dia.