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O Adeus a triatleta brasileira no Texas

O sol ainda não havia alcançado o seu ápice no céu de The Woodlands, no Texas, quando o brilho de um sonho começou a se apagar nas águas do Lago Woodlands. O Ironman é conhecido como a prova definitiva de resistência, um monumento ao esforço humano onde o lema "nada é impossível" costuma impulsionar milhares de atletas. No entanto, para a triatleta brasileira Maria Flavia Araújo, de 37 anos, o desafio que deveria ser uma celebração de superação transformou-se em uma despedida silenciosa e precoce. O triatlo, esporte que se alimenta de adrenalina e da euforia das linhas de chegada, viu-se subitamente mergulhado em um luto pesado, lembrando-nos da fragilidade da vida mesmo nos corpos mais preparados.

As circunstâncias da morte de Maria Flavia ainda carregam o peso do mistério e da perplexidade. Durante a etapa de natação, a primeira das três modalidades, a atleta apresentou sinais de dificuldades médicas e precisou de socorro imediato enquanto estava na água. Apesar da agilidade das equipes de resgate e dos esforços contínuos de reanimação, o diagnóstico final foi a confirmação de uma tragédia que ninguém estava pronto para aceitar. As causas exatas de mortes repentinas em atletas de alto rendimento, especialmente na natação, costumam ser complexas; variam de arritmias súbitas a condições raras como o edema pulmonar induzido por natação (SIPE), onde o esforço extremo e a pressão da água podem sobrecarregar o sistema cardiovascular. Para os familiares e amigos, a ausência de uma resposta imediata e clara apenas intensifica a dor de um adeus que não teve aviso prévio.

Maria Flavia não era uma atleta profissional, mas vivia o esporte com o rigor e a paixão de quem faz dele uma filosofia de vida. Representante da categoria amadora, ela personificava o espírito do "age-grouper": pessoas que equilibram carreiras profissionais exigentes com rotinas de treinos exaustivas de madrugada e aos finais de semana. Fora do asfalto e das piscinas, ela era uma empresária dedicada no setor de bem-estar, em Minas Gerais, onde gerenciava um estúdio de pilates. Sua vida era um testemunho de vitalidade, saúde e busca constante por novos horizontes. No ambiente das competições, era conhecida por seu sorriso resiliente e pela disciplina, características que tornam sua partida ainda mais difícil de processar para a comunidade do triatlo brasileiro, que agora se une em uma corrente de solidariedade.

A burocracia que envolve o translado de um corpo em solo estrangeiro acrescenta uma camada adicional de angústia ao luto. O processo de repatriamento exige a finalização de exames forenses pelas autoridades texanas e a liberação de documentos consulares, o que costuma levar alguns dias até que Maria Flavia possa retornar ao Brasil para as homenagens finais em sua terra natal. Enquanto isso, o vácuo deixado por ela ressoa nas redes sociais e nos grupos de treinamento, onde a pergunta sobre como algo tão vital pode terminar de forma tão trágica permanece sem uma resposta reconfortante.

É profundamente lamentável que um esporte que cultiva a celebração do corpo e da mente possa, em momentos raros e cruéis, ser o palco de tamanha tristeza. O triatlo nos ensina a abraçar o sofrimento temporário em busca da glória pessoal, mas nada nos prepara para o sofrimento definitivo de uma perda. Maria Flavia Araújo buscava a medalha de Iron Woman, mas acabou entregando ao esporte a sua própria existência. Fica a memória de uma mulher que não teve medo de mergulhar fundo em seus objetivos e a lição melancólica de que, por trás de cada número de peito e de cada braçada, existe um coração humano que, apesar de valente, é também terrivelmente finito. O Ironman Texas de 2024 não será lembrado pelos tempos registrados no cronômetro, mas pelo silêncio respeitoso que agora ocupa o lugar onde deveria estar o som de mais uma brasileira cruzando a linha de chegada.

Só falta voltar os estrangeiros

Vale muito pelo incentivo ao esporte, é claro. Vale pelo desenvolvimento do esporte no Brasil, carente de grandes eventos em outras modalidades que não seja o futebol. Não tem como contestar a importância e principalmente a insistência em continuar sendo realizado após 20 anos, e com status de prova mais importante do país nas distâncias olímpicas. Mesmo assim a verdade é que o TriathlonInternacional de Santos não faz mais jus ao seu nome, um nome que o deixou tão popular e tão importante. E isso acontece principalmente pela falta de competidores estrangeiros, que nos anos 90 e início do século 21 dominavam amplamente e de certa forma estragavam a vida dos brasileiros, mas faziam com que a competição tivesse de fato todo o status que ainda tenta manter.

O dia de sol na cidade do litoral paulista que tem o maior porto da América Latina é excepcional. Os mais de 1300 atletas amadores que lotam a área de transição com suas bikes ultra modernas também ajudam para que a grandiosidade inerente deste evento possa ser ainda mais exaltada pelo locutor oficial, pago para apenas falar bem obviamente. O público prestigia, não tanto quanto ao Fast Triathlon transmitido ao vivo pela Rede Globo, mas é bem maior que nas etapas do Troféu Brasil. Eles só não podem ir até a arquibancada que fica na reta de chegada, porque mesmo estando quase na hora da largada ela ainda está sendo construída, onde felizmente foi concluída a tempo, só faltando receber os torcedores, que preferiram continuar nas areias da praia tomando sol.

Antigamente não sobrava espaço, passavam por ali nomes como Fernanda Keller, que jamais venceu porque havia muitas concorrentes fortes vindas do exterior, como Melissa Mantak, Carol Montgomery e Michelle Jones. No masculino tinha Scott Molina, Oscar Galindez, Ken Glah e até Greg Welch, da Austrália. O Triathlon Internacional de Santos era de fato internacional, com competidores vindos de outros países para prestigiar o evento, fazer com que a prova tivesse um pouco mais de prestígio, de reconhecimento, para um dia quem sabe até servir como exemplo de que etapas da Copa do Mundo podem ser realizadas em solo brasileiro, mesmo porque a organização é impecável, o controle de tréfego pelas ruas realiza um excelente trabalho e a segurança também é nota dez com a polícia militar sempre presente. Só falta mesmo os competidores gringos.Premiação baixa, baixo custo benefício para o atleta, perda de tempo de vir ao Brasil disputar uma prova que nem conta pontos para o ranking mundial, enfim, são vários os motivos que fazem o Triathlon Internacional de Santos deixar de ser internacional a cada ano que passa, assim como foi em 2009. E desta forma só resta aos brasileiros aproveitarem para vencer e dominar o pódio tanto no masculino quanto no feminino, onde Reinaldo Colucci não da a mínima chance para nenhum rival e venceu pelo terceiro ano consecutivo no masculino. E onde Carla Moreno, que no ano passado perdeu para a veterana Nina Kraft, a única estrangeira a vencer desde 2007, dominou a prova feminina de ponta a ponta para faturar seu quinto título. Um domínio brazuca que deve durar muito, principalmente se ninguém fizer nada para os estrangeiros voltarem. (Foto: Net Esportes)

Inglaterra volta ao topo

2009 Gold Coast ITU Triathlon World ChampionshipsComo eram bons os tempos de Simon Lessing e Spencer Smith no início e meados dos anos 90, os dois britânicos ganharam nada menos que cinco títulos juntos no Campeonato Mundial de Triathlon, mas a boa fase inglesa teve seu fim e ambos foram obrigados a ver uma terrível fase sem sucessores para manter seus legados, Tim Don ainda venceu em 2006 mas talvez só agora a Inglaterra pode finalmente se ver com força novamente no topo, dado o triunfo de um jovem promissor.

Campeão mundial júnior em 2006, campeão sub-23 em 2008 com apenas 20 anos de idade, e agora finalmente campeão mundial de Triathlon, essa é a trajetória relâmpago do britânico Alistair Brownlee que recoloca a Inglaterra novamente no topo desse peculiar esporte de três modalidades, ele nadou, ele pedalou e finalmente ele correu muito rumo a linha de chegada, venceu a decisiva de Gold Coast na Austrália, talvez nem fosse preciso tanto, sua campanha ao longo do ano foi impecável.

A primeira vitória foi em Madrid, na Espanha, mas todo o cuidado era pouco, o local e então atual campeão Javier Gomez vinha na cola, mas ele triunfa também em Washington e em Kitzbuhel, sempre com o espanhol logo atrás, porém o campeão de 2008 não parece o mesmo e nem chega perto do britânico quando este consegue brilhar mais uma vez em Londres, assim a vitória na Austrália serviu apenas para selar e coroar a brilhante campanha, a hora é de festa, igual a que sua compatriota pôde fazer no ano passado.

O que será que ocorreu com Helen Tucker, ela simplesmente sumiu após ser campeã no ano passado, melhor para uma certa australiana chamada Emma, mas não a Emma Snowsill, tricampeã do Campeonato Mundial de Triathlon, e sim a Emma Moffatt, que ganhou três etapas e foi segundo lugar em uma outra, que precisa de muito pouco para superar a sueca Lisa Norden, e que certamente correndo em casa não deve fazer feio neste domingo, pois falta muito pouco para ela se juntar à Brownlee no topo do mundo do Triathlon. (Foto: Quinn Rooney/Getty Images via PICAPP)

Internacional, nem tanto

Chegando ao 18º ano consecutivo, o Triathlon Internacional de Santos é uma das principais provas da modalidade no Brasil, porém mesmo mantendo o nome que lhe dá maior status, a disputa há algum tempo já deixou de contar com as grandes feras do exterior, que dominavam tanto no masculino como também no feminino.

A briga nos primeiros anos era tão intensa que a melhor triatleta brasileira, Fernanda Keller, jamais foi campeã dessa competição, quem dominava era a australiana Michelle Jones com cinco vitórias, e a canadense Carol Montegmoery que triunfou em três oportunidades. Já no masculino o brasileiro Leandro Macedo venceu uma, mas os norte-americano dominavam e o argentino Oscar Galindez faturou sete vezes o primeiro lugar.

A prova masculina só voltou a ser vencida por um brasileiro em 2007, quando começou a escassez de gringos, já no feminino o Brasil vem aproveitando a falta de adversárias desde 2003, onde só em 2007 uma alemã conseguiu ser melhor que as atletas locais, quem mais aproveitou o momento foi Carla Moreno, que neste domingo conseguiu pela quarta vez cruzar a linha de chegada na frente.

No domingo nublado que depois viu o sol surgir quando a disputa já estava quase acabando, os únicos dois estrangeiros do Triathlon, que já não é mais tão internacional quanto já foi, foram ficando para trás, assim o olímpico Reinaldo Colucci tratou de quebrar a sequência de duas vitórias do compatriota Paulo Miyasiro, e comemorou com a bandeira do seu clube, já que a do Brasil servia para qualquer um dos cinco primeiros tanto do masculino quanto do feminino. (Foto: Divulgação)

- INTERNACIONAL DE SANTOS

Histórias do Triathlon I

Consta que o Triathlon era praticado como complemento de treinamentos desde o início e meados dos anos 70, era parte de uma elaborada planilha de treinadores de San Diego, mas o surgimento oficial da modalidade que ganhou adeptos em todo o mundo partiu de um desafio inusitado, proposto em um banquete realizado no Waikiki Swim Club, no Havaí, em Outubro de 1977.

As personalidades locais discutiam sobre qual sería o maior desafio esportivo do mundo, dentre as opções estavam enfrentar as imensas dificuldades da ilha, como o forte calor e um dos mais ardentes vulcões do mundo, realizando provas como a maratona de Honolulu e seus 42.195 Km, a volta ciclistica de Oahu, com 180 Km, ou a Waikiki Rough Water Swin, prova de natação com aproximadamente 3.8Km. Então John Collins teve a idéia, por que não fazer tudo de uma vez só.

O que parecia uma loucura acabou virando realidade na manhã fria e chuvosa do dia 18 de Fevereiro de 1978, quinze homens, sendo em sua maioria militares da força naval, se apresentaram para o grande desafio, muitos pararam pelo caminho para dormir ou beber em algum bar, mas o fuzileiro Gordon Haller, de 27 anos, foi até o final e completou o doloroso desafio em 11 horas, 46 minutos e 58 segundos.

Surgia então o primeiro homem de ferro da história, a prova recebeu o nome "Triathlon Ironmam" e passou a ser conhecida em todo o planeta, ganhou distâncias mais curtas e manteve sempre o grande desafio do Hawaii como seu maior evento em cada ano, que já em 1980 contava com a participação de 180 atletas e não parou de crescer, hoje em dia o limite é de 1.500 participantes e diversas seletivas ocorrem ao redor do mundo, onde cada triatleta sonha em ser um Haller, um verdadeiro ironmam. (Foto: Arquivo)

Mulher de ferro

Ironman significa homem de ferro, pois é preciso ser mesmo um para aguentar os 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42,1 km de corrida da maior prova de Triathlon do mundo, porém o que se viu nesse domingo em Florianópoilis, no Ironman Brasil, foi a superação e a garra de uma das atletas mais consagradas deste país, a veterana Fernanda Keller, uma verdadeira mulher de ferro.

A hospitalização do pai e a falta de tempo para uma coisa e outra pareciam ser um impecilio para a triatleta de 44 anos de idade, mas a força de um vontade em repetir o título na praia de Jurerê Internacional pareciam ser uma força a mais para ela - "Meu maior obstáculo foi vencer o lado emocional" disse a niteroiense que completou 25 anos de carreira cheia de glórias e conquistas.

Dentre vários títulos com o Triatlo Internacional do Atlântico, o tetra em Porto Seguro e o Hexa no Troféu Brasil, destacam-se os 21 Mundiais de Ironman do Hawaii, onde obteve nada menos que seis medalhas de bronze e mais uma vaga para competir esse ano, tudo fruto de um esforço enorme como o de ontem a tarde, quando venceu com o tempo de 9h 42m 49s, deixando para trás as norte-americanas Kelly Kaul, segunda colocada e Hillary Biscay, a terceira.

Já na prova masculina a vitória ficou com o argentino Eduardo Sturla, que reviveu os momentos gloriosos de sete anos atrás quando havia faturado a primeira edição do Ironman Brasil, o seu tempo foi de 8h 28m 24s, suficiente para superar o alemão Olaf Sabatschus, segundo colocado, e o francês Benjamin Sanson, que liderou boa parte do percurso mas acabou em terceiro, o melhor brasileiro foi Raul Furtado, que completou a prova na quinta colocação. (Foto: Carlos Rocha/Divulgação)

- IRONMAM BRASIL

Poucos viram

Foram poucos os que viram e são muito poucos os que poderão ver um dia, o Troféu Brasil de Triathlon não é reconhecido pela Confederação Brasileira e tão pouco vale pontos no ranking nacional ou internacional, mas a competição que chega à sua 18ª edição tem um carinho especial dos atletas que nunca deixam de estar presentes, mesmo debaixo de chuva.

E foi assim na etapa de abertura realizada na manhã de ontem em Santos, litoral de São Paulo, com as vitórias dos atuais campeões Carla Moreno e Fábio Carvalho, além da participação de mais de 900 atletas amadores de diversas partes do Brasil, entre eles o piloto da Stock Car Guto Negrão, que terminou em 23º na sua categoria e 356º no geral.

Para Fábio Carvalho foi um gostinho especial pois ele inverteu a posição do Triathlon Internacional de Santos realizado no final do mês passado, onde Paulo Miyashiro havia sido o campeão com ele em segundo. Já Carla repetiu a vitória do Internacional e corre em busca do heptacampeonato no Troféu Brasil, um feito inédito para a atleta que nesta semena desistiu de buscar a vaga para as Olimpíadas de Pequim.

As disputas seguem até o final do ano com mais 6 etapas pela frente, passando duas vezes em São Paulo e uma em Goiânia, depois retorna para Santos com mais 3 etapas. Mesmo sendo pouco conhecido pelo público, é uma competição que com 18 anos de história já revelou grandes nomes deste esporte, como Oscar Galindez, Fernanda Keller, Leandro Macedo, Armando Barcellos entre outros, e pode revelar ainda mais no futuro. (Foto: Divulgação)

- TROFÉU BRASIL DE TRIATHLON