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Após descanso, Golden Tempo vence de novo

A história do turfe foi reescrita sob o sol de Saratoga no último sábado dia 6 de junho de 2026, consolidando o nome de Golden Tempo no panteão dos imortais. Em uma edição histórica do Belmont Stakes, realizada provisoriamente pela última vez no icônico hipódromo de Saratoga enquanto as obras de modernização transformam o Belmont Park, o público foi testemunha de uma exibição de gala que ecoou a magia já antes vista no Kentucky Derby.
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Com um desempenho que desafiou a lógica e a resistência, Golden Tempo provou que a decisão de sua equipe de pular o Preakness Stakes não foi apenas uma estratégia de conservação, mas um golpe de mestre em busca do frescor necessário para o esforço final da Tríplice Coroa, o tempo de descanso se tornou um tempo de ouro para Golden Tempo. A corrida desenhou-se de forma tensa, com o favorito Renagade ditando um ritmo alucinante na frente, forçando o pelotão a um desgaste prematuro.
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Mantendo a compostura característica, Golden Tempo correu na retaguarda, paciente, observando a movimentação dos rivais enquanto economizava energia para o momento crítico. Quando o campo entrou na reta final, a cena se repetiu exatamente como em Churchill Downs: o cavalo, antes contido, iniciou uma aceleração avassaladora, cortando a pista com uma passada potente que deixou os adversários sem resposta. A vitória, mais uma vez sobre Renagade serviu opara validar a consistência do campeão e também cimentou o legado da treinadora Cherie DeVaux.
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Com este triunfo e depois de ter sido a primeira treinador a vencer uma etapa da Tríplice Coroa, DeVaux quebra barreiras e se torna a primeira mulher a conquistar duas etapas da Tríplice Coroa na história, um feito monumental que eleva o patamar da excelência feminina no esporte dos reis. Ao cruzar o disco, Golden Tempo garantiu o troféu e colocou o seu nome no grupo seleto de apenas 13 cavalos capazes de vencer o Kentucky Derby e o Belmont Stakes, reafirmando que, quando o talento encontra a preparação perfeita, o resultado é a glória absoluta.

Belmont Stakes de 2026 terá revanche

O Belmont Stakes, tradicionalmente conhecido como "A Prova dos Campeões", ocupa um lugar singular no calendário esportivo mundial, consolidando-se como o teste final e mais exigente da Tríplice Coroa norte-americana de turfe. Realizado anualmente em junho, este evento não é apenas uma corrida de cavalos, mas uma celebração histórica que remonta a 1867, carregada de tradições como o consumo do icônico coquetel Belmont Jewel e a execução da clássica canção "The Sidewalks of New York". Ao longo de mais de um século e meio, a pista de areia viu lendas como Secretariat, cuja vitória esmagadora em 1973 por 31 corpos ainda detém o recorde mundial de tempo, e Affirmed, o último a conquistar a tríplice coroa antes de American Pharoah em 2015, escreverem seus nomes na história. A distância peculiar de 2.400 metros exige uma resistência física e uma estratégia de ritmo que separa os cavalos de elite dos meros competidores, transformando a reta final de Belmont em um palco de drama absoluto e superação.
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A expectativa para a edição de 2026 é particularmente eletrizante, mesmo com a ausência notável de Napoleon Solo, o vencedor do Preakness Stakes, que optou por não participar desta etapa final. A grande narrativa do dia reside no aguardado reencontro entre Golden Tempo, que foi o campeão do Kentucky Derby e o corajoso segundo colocado daquela mesma prova, que foi Renegate, cujas trajetórias voltam a convergir em um duelo épico que promete incendiar as apostas e os ânimos dos entusiastas. O retorno do vencedor do Derby às pistas após um período de descanso intensificou as especulações sobre a sua capacidade de manter o fôlego necessário para a exaustiva milha e meia, enquanto o seu rival busca provar que a proximidade no Derby não foi um acaso, mas um prelúdio para uma revanche triunfal. Este embate direto traz um ingrediente de rivalidade clássica que eleva a importância do evento, transformando a corrida em uma revanche que definirá o legado dos cavalos desta geração.
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Além da disputa atlética, esta edição carrega um peso histórico adicional por marcar a conclusão de um ciclo atípico e nostálgico. Pelo último ano, o Belmont Stakes acontece no majestoso hipódromo de Saratoga, que abriu suas portas para sediar a prova durante o extenso período de reformas estruturais e modernização do Belmont Park original. Enquanto o público se despede da atmosfera vibrante e peculiar de Saratoga como palco deste evento, a expectativa já se volta para o retorno ao icônico lar da corrida em 2027. Assim, o Belmont Stakes de 2026 fecha um capítulo temporário da história do turfe norte-americano, oferecendo aos espectadores a última oportunidade de testemunhar a "Prova dos Campeões" em um cenário que, embora tenha acolhido a corrida com maestria, serve como uma emocionante ponte entre o passado consolidado e o futuro renovado da modalidade.

Sem exército, Napoleon Solo é campeão

A mística do turfe adora reescrever a história, e mesmo mudando temporariamente para a pista de Laurel Park, o público testemunhou uma verdadeira epopeia imperial na edição de 2026 do Preakness Stakes. Rompendo os prognósticos e desafiando a lógica das pistas, o imponente potro Napoleon Solo gravou seu nome na galeria dos imortais do esporte com uma exibição que teria deixado o próprio imperador francês orgulhoso. Mas, ao contrário do conquistador histórico que arrastava legiões e exércitos inteiros para as suas batalhas, este Napoleon correu verdadeiramente sozinho. Não houve necessidade de uma infantaria de apoio, de táticas complexas de pelotão ou de alianças na curva final; o que se viu em Maryland foi uma marcha solitária e avassaladora em direção à glória, onde o único rastro deixado pelo campeão foi a poeira para os seus adversários.
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A prova começou com a tensão habitual que envolve a segunda joia da Tríplice Coroa, especialmente pela surpreendente e sentida ausência de Golden Tempo, o brilhante vencedor do Kentucky Derby que optou por poupar suas energias e pular esta etapa. Sem o dono da primeira coroa na raia, o favoritismo absoluto do público e dos especialistas recaiu sobre os ombros de Taj Mahal, um cavalo cercado de imensas expectativas. Uma vitória sua significaria um feito histórico para o esporte: a consagração consecutiva de mulheres no comando técnico das principais estrelas do ano, estendendo o tapete vermelho para mais uma treinadora brilhar logo após o triunfo feminino em Churchill Downs. Contudo, o destino do turfe é uma caixinha de surpresas e o monumento que todos esperavam ver erguer-se no cenário novo acabou desmoronando no momento mais crucial.
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Quando os portões se abriram, Taj Mahal parecia carregar o peso de toneladas de mármore em suas patas. Lento na reação e completamente sem o ritmo que o consagrou nas eliminatórias, o grande favorito foi ficando irremediavelmente para trás, assistindo de longe o pelotão se distanciar na reta final após a última curva. A piada que ecoava pelas arquibancadas e cabines de imprensa logo após o páreo era inevitável: correndo nesse ritmo tão vagaroso e pesado, o imponente Taj Mahal certamente não conseguirá chegar à Índia para presentar a esposa do imperador Shah Jahan.
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A derrocada do favorito abriu o caminho perfeito para que a estratégia cirúrgica de Napoleon Solo se impusesse com autoridade máxima. Com uma aceleração devastadora na reta oposta, ele assumiu a ponta com a facilidade de quem dita as próprias leis. Enquanto os rivais se esgotavam em brigas secundárias pelo segundo lugar, o líder apenas aumentava a distância. Napoleon Solo cruzou a linha de chegada com quase um corpo de vantagem, soberano, imbatível e, acima de tudo, isolado em sua própria grandiosidade, mostrando que um verdadeiro rei não precisa de companhia para dominar o terreno.
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Com o troféu do Preakness Stakes firmemente sob o domínio do novo imperador das pistas, as atenções do mundo do turfe agora se voltam imediatamente para o Belmont Stakes. Embora o sonho da Tríplice Coroa unificada tenha sido desfeito este ano pela ausência de Golden Tempo em 
Maryland, a última joia da temporada promete um confronto direto de proporções épicas. O retorno anunciado do vencedor do Derby criará o cenário perfeito para um duelo de titãs na "Sexta Avenida": de um lado, o ritmo de ouro de Golden Tempo; do outro, o poder imperial de Napoleon Solo, que já provou ao mundo que sabe vencer sozinho.

Golden Tempo não correrá no Preakness

O rugido da multidão em Maryland terá um eco diferente neste sábado, 16 de maio de 2026, quando os portões de partida se abrirem para a 151ª edição do Preakness Stakes. Conhecida como a "Corrida pelas Susans de Olhos Pretos" (The Run for the Black-Eyed Susans), esta prova lendária carrega em seus ombros o peso de mais de um século e meio de história, sendo a joia central da Tríplice Coroa do turfe americano desde sua fundação em 1873. Tradicionalmente marcada pelos acordes de "Maryland, My Maryland" e pela pintura do cavalo vencedor no cata-vento histórico, a edição deste ano traz uma ruptura visual e logística sem precedentes: pela primeira vez em mais de um século, o espetáculo não acontecerá no icônico Pimlico Race Course. O lendário "Old Hilltop" está em silêncio, submetido a uma reforma massiva de 400 milhões de dólares para modernização, o que transferiu temporariamente a disputa para o Laurel Park, entre Baltimore e Washington, D.C. Embora Laurel Park esteja preparado para acolher a elite do turfe, a ausência da atmosfera clássica de Pimlico confere um tom de transição e curiosidade a este capítulo da história.
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Contudo, a mudança de cenário não é a única nota de melancolia para os entusiastas do esporte. A notícia que abalou as casas de apostas e as expectativas de audiência foi a confirmação de que Golden Tempo, o brilhante vencedor do Kentucky Derby, não alinhará para a largada deste ano. A decisão da treinadora Cherie DeVaux de poupar o potro, visando priorizar sua saúde e o confronto no Belmont Stakes em Saratoga, interrompe precocemente o sonho da Tríplice Coroa em 2026. Para o turfe, essa ausência é um golpe duro; sem um cavalo capaz de varrer as três provas, o Preakness perde o apelo do "desafio impossível" que tanto fascina o público leigo. Este movimento de Golden Tempo reflete uma tendência crescente e polêmica no turfe moderno, onde o descanso entre as provas de elite é priorizado em detrimento da tradição, alimentando debates sobre se o intervalo de apenas duas semanas entre o Derby e o Preakness ainda é sustentável para os atletas de alto rendimento atuais.
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Ainda que o brilho de uma possível Tríplice Coroa tenha se apagado, o campo de 14 competidores em Laurel Park promete uma das disputas mais equilibradas e imprevisíveis da década. Sem um favorito absoluto como seria o vencedor do Derby, as atenções se voltam para Iron Honor, que surge com uma leve vantagem nas cotações de 9-2 após uma preparação sólida. Logo atrás, o cenário de apostas está fervilhando com nomes como Taj Mahal (5-1), que possui a vantagem de conhecer bem a pista de Laurel, e Incredibolt (5-1), que busca redenção após uma performance combativa em Churchill Downs. Ocelli (6-1) e Chip Honcho (5-1) completam o grupo de elite que divide as preferências dos apostadores, transformando o páreo em uma verdadeira "luta de cães" onde a tática do jóquei e a adaptação à nova superfície de Laurel serão determinantes. Com prêmios que somam 2 milhões de dólares, o Preakness de 2026 pode não coroar um rei supremo este ano, mas certamente testará a resiliência de uma tradição que sobrevive a mudanças de endereços e à ausência de seus maiores astros, mantendo viva a chama da paixão pelo turfe no coração de Maryland.

A primeira treinadora campeã em Kentucky

O sol de maio em Louisville sempre teve um brilho diferente, mas em 2026, a atmosfera nas arquibancadas de Churchill Downs parecia carregada por um magnetismo que ia além das apostas e o tradicional bourbon. A celebração da 152ª edição da "Corrida pelas Rosas" começou a desenhar seus contornos épicos ainda na sexta-feira, com o Kentucky Oaks. Sob um mar de chapéus exuberantes e o onipresente tom rosa das potrancas, o prelúdio foi de uma elegância técnica absoluta, servindo como o termômetro perfeito para o que estava por vir. No sábado, o paddock fervilhava com a presença de gigantes: treinadores cujos nomes já estão gravados em placas de bronze e jockeys que são verdadeiros artistas das rédeas. Entre eles, a figura icônica do jockey mais velho do circuito — um veterano de pele curtida pelo sol e olhar afiado — atraía reverência, provando que, no turfe, a sabedoria muitas vezes pesa mais que a juventude.
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Os prognósticos apontavam para um domínio absoluto de Renegate, o grande favorito da temporada. Treinado pela elite e montado por um dos jockeys mais vitoriosos da atualidade, o cavalo parecia carregar o peso das expectativas de milhares de apostadores com uma calma aristocrática. Ao lado dele, figuravam nomes de estábulos lendários, mas o burburinho nos bastidores já indicava que este não seria um ano comum. Quando os portões finalmente se abriram, o rugido vindo das 150 mil pessoas que lotavam o hipódromo foi um lembrete sonoro de por que este é o evento mais emocionante do esporte mundial. A corrida se desenvolveu com uma estratégia de xadrez em alta velocidade, com Renegate posicionando-se de forma impecável, aguardando o momento de dar o bote fatal na entrada da reta final.
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E o bote veio. Após a última curva, Renegate acelerou com uma potência que parecia garantir seu lugar no panteão dos imortais. O público já começava a celebrar o que parecia uma vitória óbvia; ele abriu um corpo de vantagem, depois dois, e o narrador já preparava o discurso para o campeão anunciado. No entanto, o destino do Kentucky Derby é escrito com a tinta do imprevisto. Do meio do pelotão, um azarão ignorado pelas colunas de apostas iniciou uma recuperação que desafiava a física. Galopando como se não houvesse amanhã, o cavalo Golden Tempo foi devorando a distância e fez as horas no relógio valerem ouro de verdade. Na marca final, praticamente no último suspiro sobre o disco, Renegate sentiu o cansaço e foi ultrapassado em um final de tirar o fôlego, transformando o silêncio de choque em uma explosão de euforia coletiva.
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Mas o verdadeiro terremoto histórico ainda estava por ser plenamente assimilado. No centro do círculo de vencedores, entre lágrimas e sorrisos incrédulos, o mundo testemunhou o fim de um tabu de 152 anos: pela primeira vez na história, uma mulher treinadora vencia o Kentucky Derby, Cherie DeVaux cravava ali seu nome para sempre na história da maior corrida de cavalos do mundo. Em um esporte tão enraizado em tradições centenárias, vê-la erguer o troféu de ouro enquanto o público de 150 mil pessoas a aplaudia de pé foi um marco de renovação. Ela não apenas treinou um vencedor; ela orquestrou uma obra-prima de superação com um cavalo em que poucos acreditavam. A festa que se seguiu, regada a pétalas de rosas e uma emoção palpável, selou o ano de 2026 como o momento em que Churchill Downs finalmente se curvou ao talento feminino, provando que a história, por mais longa que seja, sempre guarda espaço para um novo e glorioso capítulo.

Tá chegando o Kentucky Derby 2026

O Kentucky Derby transcende as barreiras de um simples evento hípico para se consolidar como uma das maiores celebrações culturais e esportivas do planeta. Realizada ininterruptamente desde 1875 no histórico hipódromo de Churchill Downs, em Louisville, a prova é carinhosamente apelidada de "Os Dois Minutos Mais Emocionantes do Esporte". Sua relevância não se limita ao turfe; ela é o marco inicial da tríplice coroa americana e um fenômeno de audiência que para os Estados Unidos e atrai olhares de todos os continentes. A história da corrida começou pelas mãos de Meriwether Lewis Clark Jr., que se inspirou nos grandes derbies europeus para criar uma tradição que hoje, em sua 152ª edição, mantém a mesma aura de prestígio e elegância que definiram o século XIX.
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Ao longo das décadas, o Derby imortalizou lendas que se tornaram ícones da cultura popular. Falar de Kentucky é, inevitavelmente, evocar a memória de Secretariat, que em 1973 estabeleceu o recorde de tempo da prova (1:59.40) — uma marca que permanece imbatível até hoje. Relembrar os tríplice coroados é reverenciar a perfeição atlética de nomes como Sir Barton (o primeiro, em 1919), o imponente Seattle Slew e, mais recentemente, o fenômeno American Pharoah, que em 2015 encerrou um jejum de 37 anos, seguido pela maestria de Justify em 2018. Esses cavalos não apenas venceram corridas; eles elevaram o esporte a um patamar de mística que justifica o investimento de milhões de dólares em criação e treinamento.
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Para além das pistas, o Kentucky Derby é um espetáculo de costumes. As tradições são o coração do evento, começando pelo icônico Mint Julep, o coquetel à base de bourbon, hortelã e açúcar que é servido aos milhares em copos de prata ou copos colecionáveis. Na gastronomia, o famoso guisado Burgoo e o sanduíche Hot Brown compõem o paladar local. No entanto, o que realmente define a paisagem de Churchill Downs é o desfile de moda espontâneo: os homens em seus ternos de cores vibrantes e as mulheres ostentando chapéus extravagantes e fascinators que desafiam a gravidade. É uma simbiose única entre o rigor do esporte de elite e a descontração de uma festa popular que recebe cerca de 150 mil pessoas anualmente, todas unidas pelo canto emocionado de "My Old Kentucky Home" antes da largada.
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A edição de 2026, marcada para este sábado, 2 de maio, promete ser uma das mais competitivas da história recente, com uma bolsa recorde de US$ 5 milhões. O clima de expectativa é absoluto, especialmente em torno dos principais favoritos que dominaram as provas preparatórias. Entre os nomes que despontam no topo das apostas estão:
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* Renegade (4-1): O grande favorito deste sábado, treinado pelo lendário Todd Pletcher e montado por Irad Ortiz Jr. Apesar de ter sorteado o difícil baliza 1, suas vitórias no Arkansas Derby e no Sam F. Davis o colocam como o cavalo a ser batido.
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* Commandment (6-1): Treinado por Brad Cox, este potro chega com uma sequência de quatro vitórias, incluindo o Florida Derby. Curiosamente, ele é meio-irmão de Renegade, criando uma rivalidade familiar nas pistas.
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* Further Ado (6-1): Outro trunfo de Brad Cox, vencedor do Blue Grass Stakes por impressionantes 11 corpos de vantagem, mostrando que adora a distância clássica de 2.000 metros.
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* So Happy (15-1): A grande narrativa humana da prova. O cavalo será conduzido por Mike Smith, que aos 60 anos busca se tornar o jóquei mais velho da história a vencer o Derby, quebrando o recorde de Bill Shoemaker.
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* Danon Bourbon (20-1): A esperança japonesa. Invicto em seu país de origem, o descendente de Maxfield tenta consolidar o domínio global que o Japão vem buscando no turfe mundial.
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Com um field completo de 20 competidores, a edição de 2026 traz uma mistura intrigante de velocidade pura e resistência. O favoritismo de Renegade será testado logo nos primeiros metros devido à sua posição interna, o que pode abrir espaço para atropeladores como The Puma e Chief Wallabee. O que resta ao público é preparar seus chapéus, servir o bourbon e aguardar pelo momento em que o portão se abrir e, por apenas dois minutos, o mundo inteiro se voltará para a poeira e a glória de Louisville. O Kentucky Derby não é apenas uma corrida; é a prova de que a tradição, quando bem cuidada, galopa eternamente.

O jóquei que nunca soube que venceu

No início do século XX, o turfe já era um esporte de grande prestígio, atraindo multidões para verem os mais talentosos jóqueis e cavalos disputando a glória nas pistas. Em meio a esse cenário, um nome se destacava, não pela fama de suas vitórias, mas pela singularidade de sua história: Ele era Frank Hayes. Nascido no final do século XIX, Hayes era um jóquei dedicado, embora não fosse considerado uma estrela do esporte. Sua carreira foi marcada por um esforço contínuo para se firmar em um ambiente competitivo, onde a destreza e a experiência eram fundamentais. Embora suas vitórias não fossem frequentes, a paixão pelo turfe e a determinação em cada corrida o definiam. Ele era um profissional que, apesar de não possuir o brilho de seus contemporâneos mais renomados, tinha a admiração daqueles que reconheciam a perseverança em sua jornada. Sua história, no entanto, seria imortalizada por um evento tão trágico quanto peculiar, que ocorreria em uma tarde de junho de 1923, no Belmont Park, em Nova York.

A história de vida de Frank Hayes atingiu seu clímax de forma inusitada em 4 de junho de 1923, durante uma corrida em Belmont Park. Naquele dia, ele montava um cavalo chamado Sweet Kiss, que era um azarão com poucas chances de vitória. Para piorar a situação, Hayes lutava para perder peso para a corrida, uma prática comum e arriscada entre os jóqueis e muito conhecida também em boxeadores. A pressão física e emocional de seu ofício estava em seu auge, e ele enfrentou a competição com a determinação habitual. O que ninguém poderia prever era que essa corrida seria sua última. Durante o percurso, Hayes sofreu um ataque cardíaco fulminante, mas seu corpo permaneceu na sela. A adrenalina do momento, a emoção da corrida e a força de sua posição na sela mantiveram-no ereto, dando a ilusão de que ele ainda estava competindo. Sweet Kiss, por sua vez, demonstrou um desempenho surpreendente, cruzando a linha de chegada em primeiro lugar. A multidão aplaudiu fervorosamente a vitória inesperada, sem ter a menor ideia da tragédia que havia acabado de acontecer.

A celebração logo se transformou em espanto. Ao se aproximar do cavalo para parabenizar o jóquei pela vitória, os oficiais da corrida e o dono do cavalo de Hayes ficaram chocados ao descobrir a verdade. O corpo de Frank Hayes simplesmente caiu no chão sem vida. A corrida que deveria ser mais uma de sua carreira se tornou um evento histórico, marcando a única vez que um jóquei venceu uma corrida já estando morto. A notícia se espalhou rapidamente, e a história de Hayes e de sua "vitória póstuma" se tornou uma lenda no mundo do turfe. Sua conquista foi a mais impressionante de sua carreira, mas foi, ironicamente, uma que ele nunca teve a chance de celebrar. O cavalo Sweet Kiss também foi marcado por esse evento: ele nunca mais participou de uma corrida e ficou conhecido como "o doce beijo da morte".

A morte de Frank Hayes foi um evento triste e memorável, que deixou uma marca profunda no esporte. A história serviu como um lembrete da extrema dedicação e dos riscos que os jóqueis enfrentam em sua profissão. Para honrar a memória de Hayes e evitar que uma situação semelhante acontecesse, os organizadores de corridas implementaram regulamentos mais rigorosos para o bem-estar dos jóqueis. O nome de Frank Hayes, apesar de não figurar entre os grandes campeões do turfe por suas vitórias em vida, ficou para sempre eternizado na história do esporte que se tornou um tributo à perseverança humana e ao amor pelo esporte, mostrando que, por vezes, a maior vitória pode ser alcançada de uma maneira completamente inesperada, mesmo que custe a própria vida. A lenda de Frank Hayes continua a ser contada, fascinando aqueles que se deparam com o relato de um homem que alcançou a glória eterna no momento de sua partida.

O retorno para a glória de Sovereignty

Em um dia que prometia ser inesquecível, o Belmont Stakes de 2025 foi realizado sob um céu de segurar o fôlego. As expectativas pairavam no ar, densas como a neblina da manhã, enquanto os gigantes equinos se preparavam para o embate final da Tríplice Coroa. Todos os olhos estavam em Sovereignty, o azarão que já havia desafiado as probabilidades no Kentucky Derby, e Journalism, o favorito que carregava o peso da esperança de muitos, principalmente depois da sua vitória no Preakness Stakes. A tensão era palpável, um silêncio quase religioso que precedia o estrondo da largada, onde não apenas a velocidade, mas a alma e a resiliência seriam postas à prova.

O portão se abriu e, como um relâmpago irrompendo da escuridão, a corrida começou. Journalism, com sua imponência e força bruta, assumiu a liderança, ditando o ritmo, como se cada galope fosse um verso poderoso. Mas logo atrás, uma sombra paciente e determinada se mantinha. Sovereignty, guiado com maestria pelo jockey Junior Alvarado, parecia flutuar, guardando sua energia para o momento crucial. Era uma dança mortal entre a ambição e a astúcia, onde cada passada era um passo em direção ao destino, com os corações dos apostadores batendo sob o ritmo frenético do caos.

Então, no ápice da batalha, no trecho final, o verdadeira drama se desenrolou. Enquanto Journalism sentia o peso da exaustão, Sovereignty, com uma explosão de espírito e uma vontade de vencer indomável, começou sua ascensão triunfante. Junior Alvarado, em uma simbiose perfeita com seu cavalo, sussurrava segredos de vitória ao vento, impulsionando Sovereignty à frente. Eles não apenas ultrapassaram Journalism, mas o deixaram para trás, em um espetáculo de poder e glória. A linha de chegada não era apenas uma barreira física, mas o portal para a imortalidade, onde Sovereignty cravou seu nome na história, não por acaso, mas por pura e inabalável majestade.

Sovereignty não só venceu a Belmont Stakes, mas redefiniu o que significa ser um campeão, provando que a verdadeira grandeza reside na coragem de seguir seu próprio caminho. Ele optou por pular o Preakness para focar no Belmont, uma decisão ousada que foi recompensada com o brilho da vitória. Journalism, embora derrotado, mostrou uma tenacidade incrível, correndo em todas as três etapas da Tríplice Coroa e se tornando parte integral dessa rivalidade épica. É a prova de que algumas histórias são escritas não apenas com tinta, mas com suor, determinação e a poeira levantada por cascos de cavalos que se tornam lendas.

Talvez Journalism tenha vencido o Preakness somente pela ausência de Sovereignty na disputa, e isso nos faz pensar: Será que Sovereignty perdeu a grande chance de ser um tríplice coroado ou será que se ele não tivesse descansado ele não venceria o Belmont? Essa dúvida irá perdurar por toda a eternidade da vida na Terra.

As expectativas para o Belmont Stakes

A respiração prende-se. O coração dispara. O suor escorre frio pelas costas. O ano era para ser de glória, de festa, de um triunfo inquestionável. Mas o destino, ah, o destino, é um cavalo indomável! Os sonhos de uma Tríplice Coroa, que um dia pulsaram tão vivos, foram brutalmente estilhaçados em Kentucky, ou talvez a esperança se esvaiu na lama em Maryland. E agora, em 2025, o Belmont Stakes surge não como a coroação de um rei, mas como um palco de redenção, de um último e desesperado grito por imortalidade.

A terceira joia. O "Teste do Campeão". Não é só uma corrida, é uma saga. Uma batalha de corações partidos e músculos estirados, onde apenas os mais resilientes ousam sonhar. Onde a distância se torna um monstro a ser domado, e o cansaço uma sombra a ser exorcizada. Quem entre esses gigantes feridos, entre esses atletas de quatro patas e seus jóqueis destemidos, terá a fibra para cruzar a linha de chegada e selar seu nome nos anais da história?

As apostas balançam como folhas ao vento, refletindo a incerteza que paira sobre Elmont. Quais histórias secretas esses números sussurram? Quem são os predestinados a brilhar, e quem está fadado a sucumbir sob o peso da expectativa? Os grandes especialistas em corridas de cavalos, com seus olhos de lince e corações pulsando no ritmo dos galopes, já fizeram suas apostas. Mergulharam nas profundezas das estatísticas, desvendaram os segredos dos treinamentos, sentiram o pulso do paddock.

Eles sabem. Ou pelo menos, acreditam saber.

Será o puro-sangue cujo nome ecoa com a promessa de grandeza, mas que até agora só entregou sussurros? Ou o azarão, aquele que ninguém vê, que carrega a alma de um guerreiro adormecido e está prestes a explodir em uma fúria de velocidade? O Belmont Stakes de 2025 não é apenas a corrida final da Tríplice Coroa. É o epitáfio de um sonho, o renascimento de outro, e a consagração de um herói. Ou talvez, de uma heroína. A tensão é palpável. O ar cheira a grama úmida e a suor de campeões. Quem, eu lhes pergunto, quem ousará erguer a taça e gravar seu nome na eternidade? O mundo inteiro espera, com a respiração suspensa, o desfecho deste drama épico.

Que os deuses das corridas nos abençoem com um espetáculo inesquecível! E que o melhor cavalo – aquele com o coração mais forte e a alma mais resiliente – leve a glória!

O Kentucky Derby está chegando

O mês de maio se aproxima, e com ele, a atmosfera eletrizante que paira sobre Louisville, Kentucky. Para os aficionados por corridas de cavalos ao redor do mundo, este é o prenúncio de um espetáculo único, um evento que transcende o esporte e se instala no imaginário popular: o Kentucky Derby. A "Corrida pelas Rosas", como é carinhosamente conhecida, não é apenas uma competição; é um ritual de tradição, elegância, emoção e, para muitos, a culminação de sonhos acalentados desde o nascimento de um potro promissor.

São incontáveis anos e testemunhos de inúmeras corridas memoráveis. No entanto, o Kentucky Derby possui um fascínio singular. Sua história rica, suas peculiaridades cativantes e a aura de imprevisibilidade que o cerca ano após ano o elevam a um patamar à parte. A história do Kentucky Derby remonta a 1875, idealizado por Meriwether Lewis Clark Jr., que se inspirou nas prestigiadas corridas europeias para criar um evento de igual magnitude em solo americano. O Churchill Downs, palco desde a sua fundação, tornou-se um santuário do turfe, onde gerações de entusiastas se reúnem para presenciar a consagração de um novo campeão.

Ao longo dos seus 150 anos de história, o Derby acumulou um vasto repertório de curiosidades e fatos marcantes. Quem não se lembra de Secretariat, em 1973, pulverizando o recorde da pista com uma performance que ecoa até hoje como um exemplo de pura potência e velocidade? Ou da improvável vitória de Mine That Bird em 2009, um azarão com odds de 50-1 que surpreendeu o mundo?

A tradição é um pilar fundamental do Kentucky Derby. O "Run for the Roses" não seria o mesmo sem o icônico cobertor de rosas vermelhas adornando o vencedor, o hino "My Old Kentucky Home" tocado com fervor antes da largada, os chapéus extravagantes que desfilam pela arquibancada e o refrescante Mint Julep, a bebida oficial que acompanha a jornada de milhares de espectadores.

Emoção e Preparação: A Estrada para o Derby de 2025

A jornada até a primeira perna da Tríplice Coroa Americana é árdua e seletiva. Potros de três anos, cuidadosamente criados e treinados, percorrem uma série de corridas preparatórias ao longo do ano, acumulando pontos que determinarão os 20 privilegiados a cruzar os portões de Churchill Downs no primeiro sábado de maio.

A "Road to the Kentucky Derby" é um fascinante balé de estratégias, expectativas e reviravoltas. Cada vitória, cada derrota, cada sussurro sobre o potencial de um cavalo contribui para a crescente antecipação que precede o grande dia. Treinadores lendários, como Bob Baffert (apesar das recentes controvérsias), e jovens talentos buscam incessantemente a fórmula mágica para preparar seus pupilos para os exigentes 2000 metros da pista de areia.

Mais que uma Aposta: A Celebração do Espírito Equino

Para além das cifras das apostas e da busca pelo pódio, o Kentucky Derby é uma celebração da beleza, da força e da elegância do cavalo puro-sangue inglês. É um momento de conexão entre o homem e o animal, uma demonstração da paixão que move criadores, treinadores, jóqueis e milhões de espectadores.

Em 2025, mais uma vez, o mundo voltará seus olhos para Churchill Downs, ansioso por testemunhar a história sendo escrita. Que o rugido da multidão se misture ao galope dos competidores, e que a rosa da vitória encontre o seu merecido campeão. A emoção, a tradição e a imprevisibilidade que tornam o Kentucky Derby um evento singular no calendário esportivo mundial certamente estarão presentes, perpetuando o seu legado por mais um ano.

Kentucky Derby 2022

O primeiro sábado de maio passou e o Kentucky Derby foi esquecido. O final de semana era agitado com trabalho, retorno do descanso e muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Tem Fórmula 1, tem beisebol da MLB e tem os playoffs da NBA. É muita coisa para atualizar as informações, maio é um mês muito agitado no esporte. Mas então alguém pergunta se esse é o primeiro domingo de maio, o dia das mães? E alguém responde que não, já é o segundo. E se já é o segundo domingo de maio então o primeiro sábado já passou, e o Kentucky Derby foi esquecido. Mas isso não é problema quando se está de volta à civilização e quando se tem acesso à Internet, à uma televisão conectada e uma plataforma de vídeos onde os canais oficiais disponibilizam os melhores mementos de suas melhores competições.

Tudo pode ser visto por lá, o Boston Rede Sox segue mal e o New York Yankees segue bem na MLB. Os playoffs da NBA estão extremamente equilibrados e não da para prever nada. Na categoria máxima do automobilismo a alegria da Ferrari está acabando, mas o que importa mesmo é pesquisar Kentucky Derby porque já é o segundo domingo de maio e o primeiro sábado ficou para trás. E lá está no canal da NBC, a detentora dos direitos de transmissão que, mesmo que não seja muita coisa, coloca pelo menos 2min30s da corrida de cavalos mais empolgante de cada ano. É o Kentucky Derby, que acontece sempre no primeiro sábado de maio, que já passou, mas que nunca é tarde para saber como tudo aconteceu.

Ao assistir sem saber nada é quase como se estivesse vendo ao vivo. Após a reta oposta os favoritos começam a aparecer, mas depois da curva final o grande favorito Epicenter assume a ponta e da uma grande arrancada. O narrador vai à loucura, mas ele iria ainda mais quando um cavalo surge lá de trás com uma arrancada ainda mais fulminante que o favorito. Inacreditavelmente ele passa à frente e vence a corrida de uma forma tão improvável como poucas vezes aconteceu em 148 anos de história. É preciso voltar tudo e ver o vídeo novamente, confirmar que ele não apareceu nenhuma vez entre os seis primeiros colocados e só surgiu na reta final da prova vindo da décima quinta colocação.

Rich Strike venceu, e ele nem era para estar lá correndo. O cavalo que cruzou a linha de chegada com o número 21 entre os vinte cavalos participantes era reserva, e de última hora substituiu Ethereal Road, um cavalo que não correu porque um dia antes da prova o seu treinador simplesmente disse que - "Ele não estava pronto". Mas Rich Strike, ou o "Golpe Rico", estava mais do que pronto, estava pronto para um arrancada final meteórica onde teve até que desviar de outro cavalo lento para abrir caminho e conquistar uma das vitórias mais impossíveis de todos os tempos. Foi o segundo maior pagamento de uma aposta em toda a história do Kentucky Derby. Essa foi preciso ver novamente para acreditar, ou para pelo menos tentar ver de onde ele veio no final, ele veio lá da reserva, lá de trás e agora não será mais um azarão para substituir alguém, ele será favorito, ao Preakness e quem sabe até à tríplice coroa deste ano.

Campeões 2021: Essential Quality

O Belmont Park, onde acontece todos os anos o Belmont Stakes, fica um pouco afastado do centro de Nova York em Manhattan, mas cerca de onze mil pessoas vão até lás pois o primeiro sábado de junho é sempre um dia especial. Mas não basta apenas chegar lá, tem que apresentar um teste Covid negativo ou um atestado de que você está vacinado. A tarefa não é das mais difíceis, basta ver que a Times Square está lotada todas as noites e a Big Apple é um exemplo da vacinação no mundo. Só não foi quem preferiu ver Yankees contra Red Sox no Bronx, uma tristeza para os torcedores locais que viram a equipe de Boston levar a melhor. Eles também perderam uma corrida de cavalos que teve um competidor com uma qualidade essencial para vencer.

O Belmont Stakes está de volta à sua função tradicional de ser a corrida que fecha a tríplice coroa do turfe americano, já que no ano passado com a bagunça casada pela pandemia acabou sendo a prova de abertura. O problema é que não havia chances de tríplice coroa, até porque o cavalo Medina Sprit, flagrado no doping após o Kentucky Derby, nem foi para Nova York, e ainda viu seu treinador Bob Baffart ser suspenso por dois anos. Rombauer tinha boas chances depois de vencer o Preakness Stakes, mas eles podem ter cometido um erro de iniciante ao trocar seu jockey vencedor pelo grande John Velazquez, que ficou disponível após a ausência de Spirit, mas ele não conseguiu aquela arrancada final que seu antecessor fez em Baltimore.

Desta vez quem deu uma arrancada fulminante após a última curva e na reta final foi Essential Quality. O cavalo pareceu ter aquela qualidade essencial que um vencedor precisa para fazer a diferença na hora certa. A corrida do Belmont Stakes tem um percurso mais longo que suas duas antecessoras da tríplice coroa e aprece que não vai acabar nunca, ainda mais quando é preciso passar um rival e manter a diferença até o fim. Hot Rod Charlie estava quente no páreo, mas não teve forças, ou um pouco mais de uma qualidade essencial, para evitar que Essential Quality o ultrapassasse e desse ao treinador Brad Cox sua primeira vitórias em uma das três maiores corridas de cavalos da história que registrou a sua edição de número 153.

Campeões de 2021: Rombauer

As duas semanas que separam o Kentucky Derby do Preakness Stakes foram marcadas por grandes polêmicas. O cavalo Medina Spirit foi pego no exame antidoping e teve sua vitória na primeira prova da tríplice coroa ameaçada. Além disso a sua participação no Preakness também estava ameaçada, afinal os organizadores não iriam querer vê-lo vencendo de forma suspeita. Assim, enquanto uma contraprova é aguardada para saber se sua vitória será mantida no Kentucky, ele passou por mais três testes antes da corrida do último sábado e, para surpresa ou alívio, nenhum doping foi comprovado, e o cavalo então alinhou para a largada no Pimlico Race Course.

Bob Baffert, o treinador que em outras situações já esteve envolvido em acusações de doping com cavalos, se defende de todas as formas alegando tratamentos por dermatites como justificativa. Ele também se alegra imensamente quando vê Medina Spirit largando na frente e disparando como fizera no Kentucky duas semanas antes. Só que desta vez o cavalo suspeito tem uma companhia nada agradável, é Midnight Bourbon e para sua sorte ainda não é meia-noite para ele tomar um bourbon. Desta forma ele avançar rápido e segue em praticamente todo o percurso emparelhado, ou até pelo menos a última curva do percursos.

Midnight Bourbon avança com força e vai deixando Medina Spirit para trás. O problema é que, por trás deles, e com uma força ainda maior, surgia de forma incrível Rombauer, que se guardou a corrida toda alternando entre a sexta e quinta posição. Na reta final ele atropelou de uma forma incontestável, parecia até um Medina Spirit sob efeito de doping. O jockey Flavien Prat vibra e o treinador Michael W. McCarthy, que nunca viu a sombra da suspeita como Bob Baffert, celebra su primeira vitória em uma corrida de tríplice coroa após ter vencido a Breeder´s Cup de 2018. Agora é esperar se ele mantém a força no Belmont Stakes e se Medina mantém sua vitória no Kentucky.

Campeões 2020: Authentic

Nas arquibancadas de Churchill Downs não havia as mais de 150 mil pessoas que normalmente estão por lá. Não era o primeiro sábado de maio e tão pouco podíamos ver as mulheres desfilando com seus mais variados tipos de chapéus. Havia um silêncio inquietante que mais tarde seria quebrado pelo famoso toque das cornetas, mas mesmo assim não parecia o dia da mais famosa corrida de cavalos da América. Em setembro não era para ter corrida e, na teoria, não deveria ter corrida quando se tinha na pista um cavalo tão favorito quanto Tiz the Law. Vencedor do Belmont Stakes que, em tempos de pandemia, abriu a disputa pela Tríplice Coroa ao invés de fechá-la. Esta era a lei e não havia falsificação ou cópia, mas havia um outro cavalo um pouco mais autêntico que ele.

O novo coronavírus deixou tudo bem diferente, exceto claro o fato de que após 146 anos de história o Kentucky Derby segue sem nunca ter sido cancelado. No mínimo retirado de seu tradicional primeiro sábado de maio, algo que não acontecia desde 1945. O portão de largada também está um pouco diferente e não conta com a presença de 20 cavalos, tendo apenas 18. E na hora da corrida tudo mudou novamente, já que três cavalos tiveram problemas e não largaram. Com apenas 15 cavalos e dois dos favoritos largando nas posições 17 e 18, ou melhor, o favorito largando na posição 17 já que com arquibancadas vazias e tradições deixadas de lado, nem parecia que ia ter corrida, ainda mais com Tiz the Law impondo a lei de que só ele poderia vencer, só que faltou um pouco mais de autenticidade nessa confiança toda.

A sineta toca e eles partem, em busca da tão sonhada vitória. De maneira incrível os cavalos que largam nas piores posições logo avançam para frente. Impossível não lembrar de Big Brown e sua incrível vitória em 2008 largando da posição 20. Mas então a surpresa é ver que na frente quem comanda a prova não é Tiz the Law, e sim Authentic, com uma atitude bem arrojada e autêntica. E sem conseguir impor qualquer tipo de lei, o grande favorito parece ter ficado preso no trânsito quando se vê atrás até de Ny Traffic. Ele não pode nem pegar o metrô já que o Belmont Stakes ficou para trás neste ano atípico. Aqui é Louisville e para vencer é preciso um pouco mais de autenticidade, é preciso tudo que Authentic tinha de sobra na reta final.

Parece até que foi fácil, de ponta a ponta, mas não foi. No dia triste que nem parecia que ia ter corrida, acabou tendo uma corrida incrível desde a última curva quando finalmente Tiz the Law resolveu ser o bom e velho cavalo que só havia perdido uma corrida neste ano. Ele arrancou firme e parecia que ia se impor no último trecho, mas Authentic manteve sua força absurda para alcançar a glória de cruzar a linha de chegada em primeiro com um tempo muito próximo dos dois minutos. Foi a terceira vitória do jockey John Velasquez e a sexta vitória do treinador Bob Baffert, que igualou o recorde de maior vencedor do Derby. No dia que não parecia que ia ter corrida e que acabou tendo uma corrida sensacional.

Campeões 2020: Tiz the Law

A Times Square está vazia, assim como a Quinta Avenida. Ninguém está nas ruas, com medo do novo coronavírus. A pandemia de Covid-19 entrou para a história da humanidade, e mudou muitas realidades. O dia 6 de junho ficou para trás, não teve corrida de cavalos no Belmont Park. Seria naquele dia a terceira e última etapa da Tríplice Coroa, mas sem Kentucky Derby e sem Preakness Stakes o tríplice coroado nem poderia ser conhecido mesmo que tivesse corrido. A nova data nem demorou muito para ser reagendada, foi no mesmo mês que a data original, com apenas duas semanas de diferença. Mas o dia 20 de junho foi histórico para o Belmont Stakes, com suas arquibancadas completamente vazias, sem público para assistir uma das maiores corridas de cavalo do mundo. De qualquer forma os cavalos foram liberados para a disputa e um deles acatou e definiu, essa é a lei.

Arquibancadas vazias não foram as únicas coisas atípicas em Belmont Park neste sábado histórico. Havia distanciamento social e havia também mudanças na distância da corrida. Acostumada a um percurso mais longo, o Belmont teve que ser reduzido neste ano atípico. A largada aconteceu na reta oposta e os cavalos fizeram apenas duas curvas. Antes da primeira delas Tap it to win parecia que levaria apenas mais um toque para vencer, mas aos poucos ele foi ficando para trás e pagando o preço de liderar desde o começo. A partir da última curva um outro cavalo foi ganhando fôlego e mostrando quem era o dono da pista neste grande dia. Tiz the Law determinou, essa era a lei.

Com uma arrancada final fulminante ele levou o narrado oficial ao delírio. Sozinho em sua cabine ele gritava e vibrava longe de tudo e longe de todos. Desde 1882 um cavalo criado em Nova York não vencia em sua adorada casa. Barclay Tagg, por sua vez, tornou-se o treinador mais velho a vencer o Belmont com seus 82 anos de idade. Distanciamento social, máscara e muito álcool gel, essa é a nova lei para enfrentar o novo coronavírus e evitar a covid-19. Tiz the Law também é a nova lei nas corridas de cavalos, o novo grande nome para o restante da temporada que ainda vai demorar muito para ocorrer e que, desta vez, começou onde normalmente termina.

E com o cavalo errado, ele venceu!

net esportes
O turfe americano viveu neste ano de 2019 uma das temporadas mais malucas da Tríplice Coroa. Teve cavalo sendo desclassificado por interferência no Kentucky Derby. Teve cavalo correndo sem jockey e completando a prova no Preakness Stakes. E por fim, no Belmont Stakes, teve cavalo errado no lugar certo para vencer a corrida de forma inesperada. É muito comum nas corridas de cavalos que os donos dos cavalos acabem escolhendo ás vezes os mesmos treinadores de ouros cavalos; Só no Derby deste ano o famoso e vitorioso treinador Bob Baffert tinha três cavalos no páreo. Ele acabou não vencendo e, depois disso, só entrou com um cavalo no Preakness e não venceu também. No Belmont ele nem apareceu, mas o canadense Mark E. Casse estava lá com sede de vitória.

Depois de ter amargado apenas a sétima colocação na primeira corrida da Tríplice Coroa, Casse surpreendeu a todos com o triunfo de War of Will no Preakness. Aquela corrida onde Bodexpress chamou mais a atenção depois de ter feito John Velazquez sair voando no portão de largada. Aquele triunfo não poderia fazer de seu cavalo o menos favorito na última das três corridas, conhecida como o "Teste do campeão"; e ele era por sinal o único campeão ali já que Country House, o ganhador do Kentucky Derby, não estava presente novamente como não esteve no Preakness devido à um vírus. Mas, naturalmente como quase sempre acontece, Mark Casse tinha um outro cavalo na disputa, Sir Winston, que pagava 12-1 e não tinha a menor chance de vencer.

A corrida foi incrível como sempre é no Belmont Park. Mais de 50 mil pessoas viram a grande performance de Tacitus, o segundo colocado que talvez pudesse ter sido o grande herói do ano depois de ter sido terceiro no Derby, mas ele nem correu no Preakness. Quem havia corrida lá em Baltimore era War of Will, que vem fazendo uma excelente corrida, é o grande cavalo do treinador Casse, mas desta vez ele não é o cavalo certo. O puro sangue inglês perde força na prova longa e vai ficando para trás, bem no momento que surge Sir Winston. E por ironia do destino ele também é um cavalo do treinador Mark Casse, é o cavalo errado, mas na hora certa, na hora da arrancada final, do tiro fulminante, da vitória inacreditável do pouco acreditado que na verdade não tinha nada de errado.

Ele brilhou .... mesmo em último lugar

preakness
A edição de número 144 do Preakness Stakes estava triste e melancólica. O treinador de Country House alegou que seu cavalou estava com um vírus e não poderia correr em Maryland. Foi a primeira vez desde 1996 que o vencedor do Kentucky Derby não correu o Preakness. Assim sendo, não haveria mais qualquer possibilidade de tríplice coroa neste ano de 2019, e foi com esse motivo que Maximum Security também desistiu. Ele havia sido o primeiro colocado no Kentucky, mas foi desclassificado por ter interferido na corrida de outros cavalos. Code of Honor e Tacitus acabaram por desistir também e, pela primeira vez desde 1951 (sem contar a desclassificação), os quatro primeiros colocados do Kentucky Ferby ficaram de fora do Preakness Stakes.

Improbable, no entanto, iria correr para a alegria e esperança de Bob Baffert, mas mesmo sendo o segundo favorito o seu triunfo acabou se tornando improvável. Ele se viu obrigado a ver Javier Castellano conduzindo com maestria o seu Warrior’s Charge, pelo menos até a última curva quando o puro sangue inglês pareceu perder o fôlego. Por dentro surgia War of Will, que largou da primeira posição e aproveitou as vantagens de se manter por dentro da pista. Charge não deu uma de Security e deixou o rival passar, caindo para quarto lugar. Com uma arrancada final impressionante, War of Will não deu chances para Everfast e Owendale, vencendo com o melhor tempo desde 2007.

Festa para Tyler Gaffalione e Mark Casse, mas não é deles que todos estão falando. Tudo porque enquanto War of Will vencia com louvor, um outro cavalo chamava mais a atenção porque corria sozinho, literalmente. Bodexpress não tinha muita chance de brigar pela vitória saindo da posição número 9, pior ainda quando teve dificuldades de largar assim que os portões foram abertos. O cavalo então saltou para cima e para frente, parecendo um bode, e bem rápido, no modo expresso. O jockey John Velazquez não resistiu e saiu voando pelos ares. Ele caiu sentado e por muita sorte não foi atingido pelo cavalo, que seguiu seu instinto de corredor e continuou galopando pela pista até completar a prova do Preakness Stakes.

John Velazquez é um jockey muito experiente e já ganhou duas vezes o Kentucky Derby e duas vezes o Belmont Stakes. Ao repórter preocupado ele disse que estava bem e que não precisava nem ir para o hospital. Enquanto isso Bodexpress ainda galopava pela areia do Pimlico Race Course, livre das chicotadas e feliz mesmo em último lugar e desclassificado. Quem garantia a taça e um lugar no catavento era War of Will, mas quem brilhava era Bodexpress. O nome do cavalo se tornou uma febre nas redes sociais, o assunto mais comentado no Twitter, o herói dos animais que provava poder fazer aquilo que lhe era atribuído mesmo que não houvessem uma pessoa para lhe obrigar. Ele deixou claro que na vida é possível brilhar, mesmo que seja em último lugar.

Tem VAR nas corridas de cavalos também

net esportes
Mais de 150 mil pessoas estão onde muitos sonham estar um dia quem sabe. Em Churchill Downs, na velha Louisville do grandioso Kentucky. Desde 1875 escrevendo uma história que surpreende a cada ano. Talvez parecida com a história de 1968, mas de um jeito diferente e inédito desta vez. Na pista desleixada, que fora castigada o dia todo pela chuva, os cavalos seguem firmes em seus galopes poderosos, tudo que eles querem é correr pelas rosas em uma das maiores provas do turfe mundial. Cruzar o disco final na primeira posição é o sonho de muitos deles, mas pode acontecer de não ser o suficiente para alcançar a tão sonhada glória do título de campeão.

Bob Baffert continua lá, ele trabalhou com três cavalos neste ano sonhando em pelo menos igualar a marca de treinador com o maior número de triunfos no Kentucky Derby. Ele conseguiu um quarto e quinto lugar com Improbable e Game Winner, que mais tarde se tornariam terceiro e quarto. Mas as câmeras não estão mostrando Baffert desta vez, ele virou coadjuvante neste ano porque a história está do lado de Jason Servis e William Mott. treinadores que nunca venceram. Ao lado deles estão os jóckeys Luis Saez e Flavien Prat, respectivamente, com um batalhão de repórteres, cinegrafistas e fotógrafos em volta de cada um. Eles estão aguardando uma decisão importante, em uma espera que durou muito mais que a corrida toda.

O Kentucky Derby é uma corrida de cavalos conhecida como "A corrida das rosas" e também como "Os dois minutos mais empolgantes do esporte". Na pista, mesma na encharcada deste primeiro sábado de maior de 2019, os cavalos demoram mesmo cerca de dois minutos para completar a volta em Churchill Downs. O que eles não esperavam, no entanto, era ter que esperar outros 22 minutos para saber o resultado oficial da disputa. Em 1968 um cavalo foi desclassificado por doping, mas nunca um outro cavalo sofreu uma desclassificação como neste ano de 2019. Se tem VAR no futebol, então tem VAR nas corridas de cavalo também. E se nos jogos do Campeonato Brasileiro está demorando muito, aqui está demorando mais ainda, mas após ver e rever a decisão final foi tomada.

Prat e Mott festejam. Saez e Servis saem de cena tristes. O cavalo Maximum Security foi acusado de não manter a máxima segurança e obstruir os cavalos War of Will e Long Range Toddy, lhes custando uma posição melhor na corrida. Tais obstruções teriam ocorrido na última curva, justamente quando Country House aparecia pelo meio buscando a glória maior na famosa arrancada da reta final. Ele não conseguiu, mas o segundo lugar na pista foi suficiente para herdar o triunfo e garantir um descanso merecido na casa de campo. Eles comemoram atrasados, mas comemoram com vontade. Desde Big Brown em 2008 um cavalo saindo da posição 20 não vencia, e desde Donerail em 1913 um cavalo não pagava tanto aos apostadores.

Country House agora vai em busca da tríplice coroa, esperando cruzar as próximas linhas de chegada em primeiro ou quem sabe contando com mais revisões em vídeo, pois a tecnologia chegou em todos os esportes e não há mais espaço para as injustiças. Se tem VAR no futebol, pode acreditar que terá VAR nas corridas de cavalo também, custando lágrimas para um dos lados e garantindo sorrisos do outro.

Justify fez o difícil parecer fácil

belmont stakes
Ainda era um pouco cedo, mas os torcedores já ocupavam boa parte das arquibancadas do City Field, em Nova York. O começo de temporada do New York Mets na MLB foi incrível, tanto quando o do Boston Red Sox, mas a equipe não conseguiu manter a mesma regularidade dos rivais do norte e acabou decaindo no decorrer da competição. O motivo para o público não desanimar é que desta vez a série de duelos é contra um velho conhecido da própria cidade de Nova York. Eles estão vindo do Bronx até o Queens, para mais uma Subway Series, para mais um confronto entre Mets e Yankees. Antes disso, no entanto, o público que chegou cedo volta as suas atenções para o telão, pois uma corrida de cavalos que acontece bem perto dali já começou, e quando terminar ficará marcada na história.

Os torcedores que aguardam o início do jogo acabam tendo uma reação singela. A maioria deles aplaude, ainda que sentados, mas ninguém vibra muito ou enlouquece de alegria. É compreensível, afinal eles são todos fãs de beisebol e não de turfe. O mesmo não se pode dizer daqueles que estão no hipódromo de Belmont Park, em Elmont, Nova York. Mais de 100 mil pessoas vão à loucura quando Justify cruza a linha de chegada em primeiro lugar, vencendo o Belmont Stakes praticamente de ponta a ponta. Festa para o jockey Mike Smith e alegria imensurável para o treinador Bob Baffert, sim, ele fez novamente. O cavalo Justify acabou de vencer a Tríplice Coroa, ele conseguiu fazer o difícil parecer fácil.

Em todas a história do turfe americano, e olha que só o Belmont Stakes chegou à sua edição número 150, apenas 12 cavalos haviam conseguido vencer a Tríplice Coroa. Pior do que isso é que até 2015, quando American Pharoah venceu, foram 37 anos de espera. Em toda essa história já houve vitórias próximas umas das outras, como ocorreu agora. Já houve até vencedores em anos consecutivos. Já houve até treinador ganhando duas vezes, como Bob Baffert fez novamente. Mas ninguém, exceto pelo fato de Baffert ser o treinador, esperava que isso fosse acontecer mais uma vez tão cedo, depois de uma espera e angústia que parecia não acabar nunca até a vitória de Pharoah em 2015.

Foi "fácil", mas não foi moleza. A vitória de Justify no Belmont Stakes nem de perto pode ser comparada à vitória de Secretariat em 1973. Por pouco Gronkowski não estragou a alegria de mais um tríplice coroado. Por pouco ele já não perdia no Preakness Stakes, e acabava de vez ali com qualquer chance, mas não foi o que aconteceu. O cavalo desacreditado que mal tinha um Pedigree que o creditasse como provável futuro campeão. O cavalo que tinha problemas que talvez o impedisse de ser um corredor. O cavalo que não correu com dois anos de idade e quebrou tabus no Kentucky Derby. O cavalo que não só fez o difícil parecer fácil, mas também tornou do impossível uma realidade.

Justify justifica o seu favoritismo

Justify
O sábado amanheceu triste em Baltimore. A chuva castigava a cidade mais populosa de Maryland, no Estados Unidos. Assim sendo, as capas, os casacos e os gorros tiveram que sair do armário, pois os amantes do turfe tinham que sair de casa. O destino deles era o Pimlico Race Course, e ninguém sabe até quando poderão continuar indo até lá para assistir ao tão famoso e consagrado Preakness Stakes. A segunda corrida da Tríplice Coroa do turfe americano e uma das maiores corridas de cavalos do mundo chegou à sua edição de número 143, mas em breve, pela degradação do local onde é realizada a muitos e muitos anos, ela corre o risco de ter que fazer as malas e ir embora. Porém, enquanto essa tristeza para os moradores não acontece, é melhor encarar o dia triste de chuva para não perder a prova deste ano.

E lá se vão mais de 134 mil pessoas. O público foi um pouco menor do que o do ano passado, afinal foi um dos dias mais chuvosos em toda a história da competição. Sorte de quem encarou a água sem medo, pois teve o privilégio de ver mais um dia histórico para o turfe nos Estados Unidos e no mundo. Todos viram, ou pelo menos tentaram ver de alguma forma. Isso ocorreu porque se toda a chuva não fosse já uma desgraça suficiente, ainda teve a densa névoa que caiu sobre Pimlico bem na hora da corrida, bem na hora que a chuva resolveu dar uma trégua. O nevoeiro era tão denso que em uma determinada parte da reta final, onde os cavalos passam logo após a largada, era completamente impossível de ser ver qualquer coisa.

Após passarem pela neblina eles então surgiam como se estivessem saindo das nuvens rumo ao topo do mundo. E lá já estava ele, Justify, liderando desde o início e entrando firme na primeira curva. Mas ele não estava sozinho, Good Magic lhe acompanhava lado a lado querendo acabar com o seu sonho maior. Após a vitória no Kentucky Derby, tudo que Justify queria era vencer o Preakness para manter vivo o seu desejo de faturar a Tríplice Coroa. Era natural que ele fosse apontado como sendo o grande favorito para essa corrida, mesmo sem ter vencido nenhuma corrida com dois anos de idade, mas principalmente por ter quebrado a "Maldição de Apollo" e ser mais um vencedor em Kentucky após nunca ter vencido aos dois anos. O objetivo estava traçado, e Justify precisava justificar o favoritismo.

Em primeiro também na segunda curva, na terceira e na última também. A magia de Good Magic não é tão forte e ele mal consegue colocar a cabeça na frente do rival algumas vezes na reta oposta. E então, todos juntos e aglomerados, eles entram dentro da nuvem mais uma vez. Os cavalos desapareceram em meio ao nevoeiro e ninguém sabe mais quem é o ponteiro. Até que surgem mais uma vez para delírio dos fãs e apostadores que já não aguentavam mais sofrer na chuva do dia inteiro. E quem está em primeiro ainda é ele, Justify, com Bravazo e Tenfold ameaçando muito depois que deixaram Good Magic para trás. Até que ele finalmente justifica o favoritismo no sufoco e com apenas uma cabeça de vantagem. A vitória de Justify deu à Bob Baffert seu sétimo triunfo no Preakness Stakes, igualando a marca R. Wyndham Walden como o treinador que mais venceu. Foi a quinta vez que Baffert venceu o Preakness depois de vencer em Kentucky. O objetivo agora é vencer o Belmot Stakes em Nova York, para alcançar a Tríplice Coroa, para Justify ser o décimo terceiro cavalo à chegar ao topo do mundo, com ou sem chuva, justificando ainda mais o seu grande favoritismo que agora é maior ainda.