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Hurricanes vence Stanley Cup pela 2ª vez

O gelo de Las Vegas silenciou sob o peso de uma conquista histórica. Com uma atuação de gala e um shutout decisivo para um gol vazio na noite de 14 de junho de 2026, o Carolina Hurricanes derrotou o Vegas Golden Knights por 3 a 0, fechando a série final em 4 a 2 e garantindo o segundo título da Stanley Cup na história da franquia. O triunfo em Nevada coroou uma campanha absolutamente avassaladora, na qual os "Canes" dominaram o cenário da NHL com uma marca impressionante de 16 vitórias e apenas 3 derrotas ao longo de toda a pós-temporada, incluindo uma performance de gala fora de casa, onde somaram 8 vitórias fundamentais, segunda conquista em menos jogos de todos os tempos, 19 contra 18 jogos no total.
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A narrativa dessa conquista passa necessariamente pela resiliência e liderança do veterano capitão Jordan Staal. Aos 37 anos, o jogador foi eleito o MVP dos playoffs e levou para casa o Conn Smythe Trophy, tornando-se o atleta mais velho a receber tal honraria na história da liga. Staal não apenas conduziu o vestiário, mas foi protagonista ofensivo, igualando recordes históricos ao marcar gols em cinco jogos consecutivos da Final, provando que a experiência é o combustível supremo em momentos de pressão máxima. Ao lado dele, Jaccob Slavin escreveu seu nome no panteão do hóquei norte-americano ao se tornar apenas o segundo jogador dos EUA a conquistar o ouro olímpico e a Stanley Cup no mesmo ano, uma dobradinha que atesta seu domínio técnico e físico.
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A profundidade do elenco foi outro pilar desse título, exemplificada pela ousada estratégia de Rod Brind'Amour na baliza. Durante as finais, a comissão técnica não hesitou em alternar seus goleiros, confiando na versatilidade do grupo para superar as adversidades. A mudança estratégica no meio da série, colocando Brandon Bussi para dividir a responsabilidade com Frederik Andersen, trouxe o equilíbrio necessário para conter o ataque adversário nos momentos cruciais. A confiança depositada em cada peça do elenco, da defesa sólida de Slavin à entrega de veteranos e jovens talentos, foi o que permitiu que o time sustentasse seu ritmo frenético, vencendo inclusive jogos de vida ou morte em arenas hostis.
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Agora é esperar que para o ano que vem o time que, embora precise lidar com a natural renovação e o desafio de manter a fome de vitória, entre na próxima temporada como o alvo a ser batido. A base campeã, consolidada pela cultura de trabalho de Brind'Amour e pela inspiração de um líder como Staal, permanece forte. A confiança de ter superado uma das temporadas mais intensas da história, aliada à maturidade de jogadores que agora sabem exatamente o que é preciso para levantar a taça novamente, posiciona o Carolina Hurricanes como um atual campeão e como uma nova dinastia a ser observada de perto na NHL. Raleigh, que espera ansiosamente por sua grande celebração, pode descansar tranquila sabendo que a estrutura montada em 2026 tem fôlego para manter o furacão ativo por muito tempo.

Alexander Ovechkin no clube dos 1000 gols

Na noite do último dia 22 de março de 2026, a história do hóquei no gelo ganhou um novo e monumental capítulo estatístico quando Alexander Ovechkin atingiu a marca de 1.000 gols na carreira, somando os jogos de temporada regular e os playoffs da NHL. O capitão do Washington Capitals precisava balançar as redes mais uma vez para entrar no seleto clube de quatro dígitos, e o momento não poderia ter sido mais fiel à sua lenda. Diante do líder da liga, o Colorado Avalanche, com a Capital One Arena pulsando em Washington, o jogo estava tenso no terceiro período. Restando pouco mais de cinco minutos para o fim do tempo regulamentar e com os Capitals em desvantagem no placar, a equipe conquistou um power play. Foi então que a mágica aconteceu: posicionado em seu "escritório" — o círculo esquerdo de faceoff —, Ovechkin recebeu um passe perfeito e disparou seu tradicional e letal tiro de primeira (one-timer) sem chances para o goleiro Mackenzie Blackwood. O gol empatou a partida em 2 a 2 e, embora o Avalanche tenha vencido por 3 a 2 na prorrogação, a noite pertenceu inteiramente ao camisa 8 sob uma ovação de pé ensurdecedora.

Com esse gol histórico, Ovechkin sacramentou sua imortalidade ao se tornar o único jogador na história da NHL a alcançar a marca de mil gols totais além do lendário Wayne Gretzky. Os números por trás da façanha mostram a precisão cirúrgica do russo ao longo de 21 temporadas: são 923 gols marcados na temporada regular e 77 gols nos playoffs da Stanley Cup. Para se ter uma ideia do quão raro é esse feito, o terceiro colocado nessa lista combinada é o lendário Gordie Howe, que encerrou sua brilhante trajetória com 869 gols somados. Agora, o "Great Eight" está a apenas 16 gols de igualar o recorde absoluto de Gretzky de 1.016 gols combinados (894 na temporada regular e 122 na pós-temporada). Olhando friamente para as médias e para o ritmo de jogo do veterano, ultrapassar a marca total do canadense parece ser apenas uma questão de tempo.

Essa nova caçada ganha ainda mais peso quando lembramos do feito do ano passado. Em abril de 2025, Ovechkin quebrou o recorde de Gretzky que muitos julgavam inquebrável. Ele conseguiu bater o recorde de mais gols na história acumulada da temporada regular (o recorde geral da carreira) ao anotar seu gol de número 895, enquanto o recorde de mais gols em uma única temporada individual ainda pertence a Gretzky, com os surreais 92 gols marcados em 1981-1982. De qualquer forma, ter superado a marca histórica de carreira e agora estar a poucos passos de ultrapassá-lo também no placar combinado coloca Ovechkin no topo do Olimpo do esporte.

O que torna tudo isso ainda mais fascinante é o fator longevidade. Aos 40 anos de idade, o atacante russo desafia o tempo em uma liga conhecida pelo desgaste físico extremo e pela velocidade da nova geração. No passado, era a regra que jogadores de hóquei pendurassem os patins bem antes dessa idade, moídos pelas lesões e pela queda natural de rendimento provocada pelo tempo. Hoje, Ovechkin faz parte de uma verdadeira revolução na ciência esportiva, na medicina regenerativa e na preparação física que permite que atletas de elite estendam suas carreiras em alto nível. Ele traça um paralelo perfeito com lendas de outras modalidades, como LeBron James no basquete e Cristiano Ronaldo no futebol. O russo não está apenas patinando para cumprir tabela; ele continua liderando o ataque de sua equipe, provando que a idade se tornou apenas mais um número a ser superado pelas estatísticas.

Mais um NHL Winter Classic realziado

O NHL Winter Classic de 2026 marcou um capítulo singular na história da liga, rompendo com a tradição das paisagens gélidas para levar o hóquei ao clima subtropical de Miami. Realizado excepcionalmente no dia 2 de janeiro — deslocado de sua data tradicional de Ano Novo para acomodar a logística e a grade televisiva —, o evento transformou o LoanDepot Park, casa dos Miami Marlins, em um palco onde o gelo desafiou o calor da Flórida. O confronto entre o New York Rangers e o Florida Panthers, atuais detentores da Stanley Cup, resultou em uma vitória expressiva dos nova-iorquinos por 5 a 1, frustrando a torcida local que compareceu em peso para ver a estreia de seu time em jogos ao ar livre.

Dentro do rinque, a narrativa foi dominada pela performance histórica de Mika Zibanejad. O atacante dos Rangers protagonizou o espetáculo ao marcar um hat-trick, tornando-se o primeiro jogador na história do Winter Classic a anotar três gols em uma única edição. Apoiado por atuações de destaque de Artemi Panarin e Alexis Lafrenière, o time de Nova York controlou a partida com autoridade, adaptando-se rapidamente às condições do gelo, que, apesar das tecnologias avançadas de refrigeração, apresentava nuances diferentes das arenas fechadas tradicionais. Para os Panthers, a derrota foi amarga, não apenas pelo placar elástico, mas pela incapacidade de impor seu ritmo de jogo diante de uma defesa adversária sólida e oportunista.

A atmosfera do evento foi um espetáculo à parte, distanciando-se do imaginário clássico de neve e gorros de lã que costuma definir o Winter Classic. Em vez de temperaturas negativas e nevascas, o público de mais de 36 mil pessoas foi recebido por um clima ameno, na casa dos 16 a 18 graus Celsius, o que permitiu uma experiência de fã mais confortável, embora menos "invernal" no sentido estrito. A NHL investiu pesado na temática visual, criando um cenário que contrastava elementos de praia com a estética do hóquei, uma dualidade que, embora puristas possam torcer o nariz, foi abraçada pelos torcedores como uma celebração da expansão do esporte para mercados não tradicionais. A engenharia para manter a qualidade do gelo sob o teto retrátil aberto do estádio de beisebol foi um triunfo técnico, garantindo que o jogo fluísse sem as interrupções que o clima adverso causou em edições anteriores.

O Winter Classic consolidou-se, ao longo dos anos, como o principal evento da temporada regular da NHL, evocando a nostalgia do "hóquei de lagoa" e reconectando o esporte com suas raízes ao ar livre. A grandiosidade dos estádios, sejam de futebol americano ou beisebol, permite públicos muito superiores aos das arenas convencionais, transformando cada partida em um evento cultural que vai além o esporte. A recepção do público em 2026 provou que o formato mantém seu apelo magnético: a novidade de ver o hóquei ser jogado sob palmeiras, aliada à rivalidade em gelo, gerou um engajamento massivo. Mesmo sem o frio cortante habitual, a mística do jogo a céu aberto permaneceu intacta, reafirmando que a paixão pelo hóquei pode florescer em qualquer latitude, desde que a essência da competição e o espetáculo visual sejam preservados.

O Adeus à Matthews Arena, em Boston

No coração da metrópole de Boston, onde a história se entrelaça com o fervor esportivo, ergue-se um monumento silencioso prestes a se despedir: a Matthews Arena. Inaugurada em 1910, sob o nome de Boston Arena, esta edificação não é apenas um local de jogos, mas um templo do esporte e da cultura americana, ostentando o título de arena multiuso em operação contínua mais antiga do mundo e lar da pista de gelo artificial coberta mais antiga.

Sua história ultrapassa um século, testemunhando e moldando o desenvolvimento de modalidades que se tornaram paixão nacional. Foi aqui que o Boston Bruins disputou seu primeiro jogo em casa em 1924, e o Boston Celtics realizou sua partida inaugural em 1946, cravando as raízes de duas das franquias mais icônicas do esporte profissional. As paredes vitorianas da arena viram nascer o lendário torneio de hóquei universitário, o Beanpot, e serviram de berço para potências do hóquei colegial como Boston College, Boston University, Harvard e a própria Northeastern University, que se tornaria sua proprietária em 1979 e lhe daria o nome de Matthews Arena em 1982, em homenagem a George J. Matthews, formando '56, e sua esposa, Hope M. Matthews. Seu palco não se limitou ao gelo e à quadra; foi tablado para lendas do boxe como Jack Dempsey e Joe Louis, e templo para a patinação artística com campeões olímpicos como Sonja Henie e Nancy Kerrigan.

Além disso, acolheu discursos presidenciais e shows de ícones da música, de Bob Dylan a Johnny Cash, demonstrando sua relevância multifacetada para a comunidade. A celebração do centenário em 2009 trouxe renovações, modernizando suas instalações sem descaracterizar seu rico patrimônio histórico. Contudo, como toda boa história, a da Matthews Arena também chega a um epílogo. O anúncio de seu encerramento e demolição, programada para se iniciar em fevereiro, marca o fim de uma era. A motivação por trás desta decisão da Northeastern University reside na necessidade imperativa de uma infraestrutura moderna e de ponta, mais adequada aos padrões atuais do esporte universitário e às demandas de um campus em crescimento, com a previsão de uma nova instalação state-of-the-art para 2028, que será o maior espaço coberto para reuniões da universidade.

As consequências deste adeus são de natureza agridoce: embora abra caminho para o futuro, representa uma perda inestimável para a memória afetiva de Boston e do esporte. Para atenuar este impacto, há o esforço em preservar artefatos e a promessa de que a alma do local viverá nos novos projetos. Este fim de semana, porém, o foco reside no presente, na última salva de honra. O evento derradeiro na pista de gelo, que fechará as cortinas de uma história de 115 anos, será um confronto de hóquei masculino, um embate pela Hockey East entre os anfitriões, Northeastern Huskies, e o rival de longa data, Boston University (BU), neste sábado, dia 13 de dezembro de 2025. Após o apito final, uma cerimônia no gelo selará o adeus a esta "catedral do esporte", honrando a profunda e inigualável marca que a Matthews Arena deixará no mundo.

O adeus de uma lenda do Flyers

Morte de Bernie Parent lenda do hóquei no gelo
A Filadélfia, cidade de contrastes e paixões ardentes, amanheceu sob uma profunda tristeza. Um silêncio fúnebre substituiu o habitual eco das vitórias nos corredores da arena Wells Fargo Center, e o luto tomou conta dos corações dos torcedores dos Philadelphia Flyers. Não se tratava de uma derrota em quadra, mas de um adeus derradeiro a uma das figuras mais veneradas da história do time local. O ícone, o gigante sob as traves, Bernard Marcel Parent, mais conhecido como Bernie Parent, havia partido aos 80 anos, em um sono silencioso que encerrou uma vida de glórias e feitos monumentais. Sua morte repentina, embora talvez um alívio para a dor física que o afligia nos últimos anos, foi um golpe avassalador, um soco cruel da efemeridade e da inevitabilidade do fim. A família Flyers, em sua mais ampla acepção, chorava não apenas um jogador, mas um símbolo, um pilar que sustentava a identidade e a história do clube.

O legado de Parent, entretanto, está gravado a ferro e fogo na memória da NHL. Ele foi o guardião que, em um tempo de ferocidade e valentia, conduziu o impiedoso "Broad Street Bullies" a seu auge. O ano de 1974 e, em seguida, 1975, permanecerão como os momentos mais sublimes da franquia, anos em que, sob a tutela de Parent, os Flyers ascenderam ao Olimpo do hóquei, conquistando duas taças Stanley consecutivas. Com reflexos felinos e uma serenidade inabalável, ele defendeu a meta de forma tão majestosa que inspirou a famosa frase: "O único que salva mais do que Bernie Parent é o Senhor". Seu desempenho impecável não apenas garantiu títulos, mas também elevou o hóquei a um novo patamar de popularidade na cidade, cimentando sua posição como uma lenda imortal e um dos maiores goleiros de todos os tempos.

Contudo, a aura de Parent ia muito além do gelo e dos títulos. Ele era um embaixador da alegria e da generosidade, um homem que, após pendurar os patins, se dedicou a espalhar a paixão pelo esporte e pelo amor ao próximo. Sua participação como embaixador para a Ed Snider Youth Hockey & Education demonstrava seu compromisso com as novas gerações, inspirando e orientando jovens com sua sabedoria e entusiasmo contagiantes. Sua presença em Filadélfia era constante, e seu caloroso sorriso e as histórias de sua época dourada com os anéis da Stanley Cup sempre à mostra, eram um deleite para fãs de todas as idades. Ele não era apenas um herói da quadra, mas uma figura paterna, um amigo, um exemplo de dedicação e amor genuíno pelo esporte e pela comunidade que o abraçou.

A despedida de Bernie Parent é a despedida de um tempo que não volta mais, de uma era de glória que ele personificou. A dor da perda é universal e profunda, reverberando desde o escritório do Comissário da NHL até os corações dos torcedores mais fiéis que o viram defender a meta. Ele foi um homem que viveu para o jogo, e viveu para as pessoas, deixando sua marca na história do hóquei e na alma de uma cidade inteira. Sua lenda, forjada na paixão e no sucesso, não se apagará. A cada menção dos títulos dos Flyers, a cada recordação de uma defesa impossível, o nome de Bernie Parent será pronunciado com reverência, e seu espírito continuará a proteger o legado de sua amada equipe, eternamente um ícone, eternamente uma lenda.

O lar encontrando quando fora está jogando

Era o ano de 1991 e o Pittsburgh Penguins chegava pela primeira vez em uma decisão da NHL. A chance de brigar pelo título da Stanley Cup em um esporte tão canadense. Uma equipe americana não chegava na decisão desde 1983. E desde 1981 a grande decisão do hóquei no gelo não via dois times dos Estados Unidos brigando por um dos maiores e mais antigos troféus do planeta. A equipe de Pittsburgh perdia a série por 2 a 1, mas conseguiu três vitórias consecutivas. A estrela de Mario Lemieux brilhou mais forte e o título veio fora de casa, onde mesmo sem o gelo do pólo sul, encontraram o seu lar e promoveram um verdadeiro massacre no jogo seis, com uma vitória por 8 a 0.

Chegar em uma decisão de Stanley Cup já algo para ficar na história. Estar duas vezes consecutivas na briga pelo título então é para se orgulhar eternamente. Principalmente quando antes do ano anterior isso jamais havia ocorrido antes em todos os tempos. Mas quando se vê do outro lado uma equipe como o Chicago Blackhawks, que não chegava na final desde 1973, então fica difícil prever qualquer coisa. Exceto claro para uma equipe que tem Mario Lemieux. Os Penguins deslizam em uma superfície gelada e passeiam na grande decisão. Quatro jogos a zero, mais uma vitória fora de casa, naquela que fora a última decisão no Chicago Stadium, que fechou suas portas em 1994.

Tudo que é bom dura pouco. A boa fase acabou e o Pittsburgh Penguins só voltou a uma decisão em 2008 graças a vinda de Sidney Crosby em 2005. Estava dando quase tudo certo na final contra o Detroit Red Wings, mas quando chegou o jogo seis o placar era de 3 a 2 e o jogo era na Mellon Arena, sua casa, mas não seu lar de conquistas. Primeira derrota em decisões, porém não era o fim das decisões em sequencia. No ano seguinte eles estavam lá novamente, e novamente encontraram a equipe de Detroit. Agora as coisas mudaram um pouco, a vitória em casa empatou a série no jogo seis e a decisão do título ficou para o jogo sete. Fora de casa eles encontram seu lar, alcançam a glória e são campeões mais uma vez.

Só falta agora chegar na decisão em três anos seguidos. Mas também não precisa esperar 16 anos para chegar lá novamente. O Pittsburgh Penguins retorna para glória aos trancos e barracos, com jogadores fazendo sacrifício, com dores, com a estrela de Sidney Crosby brilhando tanto quanto brilhava a de Mario Lemieux. Desta vez o rival é o surpreendente San Jose Sharks, que nunca havia sido campeão e sequer chegado em uma decisão. O Consol Energy Center, sua nova casa desde 2010, continua não trazendo a sorte que lhe falta diante de seus torcedores e eles perdem o jogo seis. Não tem problema nenhum, o lar é encontrado quando fora eles tem jogado. Direto para o SAP Center, para uma vitória de 3 a 1, para mais uma consagração e para soltar mais um grito de campeão. O Pittsburgh Penguins é quatro vezes campeão fora de casa, seja lá onde for que encontrem o seu verdadeiro lar.

GoPro vai transmitir os jogos da NHL para os americanos

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Depois de encantar aventureiros e ser muito usada em propagandas, câmera portátil e de alta definição GoPro fechou contrato com a Liga Americana de Hóquei no Gelo (NHL) e com sua associação de jogadores (NHLPA) para ser usada nas transmissões das partidas da competição. As câmeras de ação serão usadas para aproximar os fãs dos jogadores, capturando imagens de ângulos exclusivos.

O primeiro evento com a parceria aconteceu no dia 25 de janeiro, em Ohio, na transmissão do esperado jogo das estrelas. Nesta partida, os maiores astros da Liga são convocados para uma exibição especial. A GoPro também fechou uma nova parceria para transmissão de eventos utilizando em tempo real suas câmeras de ação, desta vez com a Vislink.

A tecnologia das câmeras funciona através de Wi-fi e de um serviço chamado “Professional Broadcast Solution”, ambos criados a partir da parceria, uma inovação para a Liga e para a marca, que antes transmitia ao vivo apenas com a utilização de fios.

A camisa vermelha de Cameron Frye

Se por algum acaso você nunca viu o filme "Curtindo a vida adoidado" (Ferris Bueller's Day Off) de 1986, recomendo que o faça com urgência. Se trata de um grande clássico dos anos 80, da sessão da tarde e certamente da infância ou juventude de muitos daqueles que hoje estão entre os 30 e 40 anos. Acredito que talvez hoje o impacto não seja o mesmo de assistir na época em que foi lançado, principalmente depois de ver Matthew Broderick brigando com o Godzilla, Alan Ruck fazendo figuração em um ônibus que vai explodir ou Mia Sara sem aquele beleza toda que encantava, mas mesmo assim ainda deve valer à pena. Principalmente se soubermos a verdadeira história por trás da camisa vermelha que era usada por Cameron Frye.

Para quem não conseguiu reparar, era uma camisa de hóquei no gelo. Robin Scherbatsky iria adorar essa história. Porém, apesar da história se passar na cidade de Chicago, a camisa não é do Chicago Blackhawks e sim do Detroit Red Wings. Como assim? E atrás, além de um grande número 9, está escrito também, em letras não muito menores, Howe. E quem seria esse tal Howe do Red Wings? Ninguém menos do que Gordie Howe, um dos maiores jogadores do time e também de toda a história da NHL. Quase 2000 jogos e mais de 2000 gols! O cara conseguiu a façanha de se aposentar duas vezes, sendo que na segunda vez, em 1980, ele tinha nada a menos do que 52 anos de idade.

E por que Cameron Frye usava em Chicago uma camisa do Detroit Red Wings, de um jogador que na época já havia se aposentado? Uma das explicações é que o diretor do filme, o gênio desse tipo de filme John Hughes, nasceu em Michigan, estado cuja maior cidade é Detroit, que por sua vez não fica muito longe de sua cidade natal Lansing. Ele nasceu em 1950 e Howe começou a jogar em 1946, provavelmente era o seu fã nos anos de 1960 e 1970. Além disso, durante uma entrevista para a Sports Illustrated, Gordie Howe afirmou que enviou a tal camisa vermelha do Red Wings para Hughes, para que ela pudesse ser usada no filme. A única dúvida, no entanto, se da por conta de que a camisa não era totalmente perfeita para ser verdade.

Não que se duvide da palavra de Howe, mas talvez nem ele tenha mais uma camisa como a de Cameron Frye. A camisa é completamente diferente de qualquer camisa que o Detroit Red Wings já viu em toda a sua história desde 1926. Começando pelo logo da equipe que está um pouco acima do lugar de costume, sem falar que está cerca de 60º inclinado para baixo, ou seja, as asas não são em linha reta e sim em diagonal. A roda também não é perfeita, faltam algumas listas vermelhas. A gola da camisa oficial sempre foi vermelha, mesmo nas camisas vermelhas. A faixa branca não é tão alta e quase sempre está no final da camisa. Sem falar que Howe jamais usou uma camisa com seu nome nela, os nomes só começaram a ser usados em 1977 e Howe saiu do Detroit em 1971.

Uma camisa verdadeira e raríssima enviada pelo próprio jogador ou uma simples falsificação comprada logo ali na esquina da Wyoming com a Plymouth? Não importa, o que importa é que na grande Chicago, em um dia de sol com direito a idas em museus e restaurante caros, Cameron ignorou a excelente campanha que o Chicago Black Hawks fizera naquela ano na temporada regular e foi, descaradamente, ao Wrigley Field, assistir a um jogo de beisebol do Chicago Cubs vestindo a camisa do Detroit Red Wings. Sorte dele e de Ferris terem saído vivos de lá. A Ferrari acabou toda destruída e até hoje não sabemos o que aconteceu com Cameron e seu pai, mas agora pelo menos sabemos um pouco mais sobre a camisa vermelha de Cameron Frye em "Curtindo a vida adoidado".

Definido quando parecia ainda mais indefinido

Desenhos imaginários e surreais, formados pelos cortes das lâminas que deslizam pelo gelo frio de uma quadra de hóquei. A torcida eufórica que delira cada vez que um puck entra no gol após sofrer uma pancada feroz de um stick nervoso. O drama inesquecível de ver seu esporte favorito ameaçado por uma greve que nunca deveria ter acontecido. A emoção de poder ver sua equipe na grande decisão, misturada à angustia de ver um jogo decisivo que parecia não ter fim. Os playoffs são sempre incríveis, mas o grande objetivo é levantar a Copa Stanley. E no primeiro jogo da grande final ninguém quer sair derrotado, mas parecia que ninguém gostaria de sair vitorioso também.

Foi incrível, e serviu para ver como tudo estava indefinido. O placar final terminou 4 a 3 para o Chicago Blackhawks, mas foram precisas três prorrogações para definir o resultado. Michal Rozsival poderia ganhar uma estátua no United Center. Só que vencer o primeiro jogo não significou definir o indefinido, pois o Boston Bruins tem Chris Kelly e Daniel Paille, eles tem poder de definição e definem o placar do segundo jogo em 2 a 1. Série empatada e indefinida, sempre precisando de prorrogação, sempre parecendo difícil de se chegar a uma definição do campeão. O Boston que venceu o jogo três ou o Chicago, que venceu o jogo quatro por 6 a 5? Em mais uma necessidade de tempo extra. Quem iria definir tudo?

Os falcões negros, que nem sempre estiveram em perigo, ficavam sempre muito mais próximos. só que mesmo que não houvesse nenhum fogo cruzado com centenas de mortos na Somália, havia sempre uma equipe disposta a superá-los do outro lado, uma equipe que simplesmente havia eliminado o Pittsburgh Penguins em quatro partidas. Por isso Patrick Kane não estava nem um pouco disposto a deixar a indefinição se definir em favor do seu rival. Ele liderou seu time jogando em casa já que o Bulls não fez o que sua cidade espera a tanto tempo na NBA. Ele marcou logo duas vezes no jogo cinco e o Blackhawks conseguiu a vitória mais contundente até ali na Stanley Cup de 2013. O placar de 3 a 1 parecia ter definido a situação, pelo menos se tudo não continuasse parecendo tão indefinido.

O Boston Bruins venceu a Stanley Cup seis vezes, sendo a última vez em 2011. Red Sox, Celtics e Patriots. As equipes de Boston sabem o que é ser campeão nos esportes americanos. A torcida de Boston sabe o que é soltar um grito que não fica muito tempo entalado na garganta. Assim o TD Garden fica lotado e todos não conseguem conter a emoção de imaginar um jogo sete em meio a tanta indefinição quanto ao campeão. Faltando pouco mais de um minuto para acabar o jogo e o placar mostra 2 a 1 de vantagem ao time da casa. Não tinha como uma série tão indefinida estar ainda mais longe de ser definida. Mas por incrível que possa parecer tudo acabou sendo definido quando parecia mais indefinido.

Bryan Bickell marca quando o relógio marcava 18:44 do terceiro período. A série final teve três prorrogações no jogo um e mais dois jogos com prorrogação. Todos já aceitavam a indefinição quando tudo estava ainda mais indefinido, mas Dave Bolland, de maneira inacreditável, definiu tudo a 59 segundos do final. O Chicago Blackhawks fez 3 a 2 e finalmente conseguiu definir o indefinido quando tudo parecia ainda mais indefinido. A equipe de Chicago repetiu a glória alcançada em 2010 silenciando uma torcida que já acreditava em uma definição apenas no derradeiro e definitivo jogo sete. O Chicago chegou a sua quinta conquista na NHL e definitivamente entrou para o hall dos grandes campeões do hóquei gelo, vencedores que sabem muito bem como definir resultados indefinidos.

Um motivo para serem chamados de Reis

O Lakers começou em Minneapolis, mas conquistou a maioria de seus títulos depois que se mudou para Los Angeles em 1960. Venceram por lá onze de seus 16 campeonatos na NBA; A cidade onde o sol parece sempre brilhar mais forte não poderia chamar outra equipe de Rei. Quem sabe talvez a equipe de beisebol da MLB, já que o Los Angeles Dodgers foi campeão da World Series em seis oportunidades desde 1958. Mas jamais as equipes do futebol americano, o Los Angeles Rams e o Los Angeles Raiders, que até levaram a NFL uma vez cada, mas que foram embora em 1994 e deixaram a cidade sem mais nenhuma chance de vencer o Super Bowl novamente.

David Beckham gostaria muito de ser rei também, rei do futebol como Pelé ou rei de Los Angeles como o Lakers. Afinal a sua equipe, o Los Angeles Galaxy, já venceu a MLS três vezes desde 1995. Reis da galáxia com certeza eles já são. E outro que gostaria muito de ser Rei é o Anaheim Ducks, que está em Anaheim e não em Los Angeles, mas Anaheim é uma área metropolitana de Los Angeles então está valendo, principalmente porque já venceram a NHL uma vez e porque ser Rei e muito melhor do que ser pato. Já a equipe dos Los Angeles Sparks não gostaria de ser Rei, porque são mulheres e jogam a WNBA, onde já foram campeãs, o que certamente já fazem delas as Rainhas da cidade.

Todos querem o trono, mas o Chivas USA não poderá ocupá-lo tão cedo. Primeiro porque quem manda na MLS é o Los Angeles Galaxy, segundo porque o Chivas está no subúrbio de Carson e terceiro porque o Chivas, fundado apenas em 2004, jamais conseguiu ser campeão. A mesma situação vive o primo pobre do Lakers, a equipe de basquete do Los Angeles Clippers, que jamais conseguiu um título da NBA, nem quando começou sua história como Braves em Buffalo e nem mesmo quando virou Clippers em San Diego. As coisas não melhoraram quando foram para Los Angeles em 1984 e hoje com Blake Griffin e Chris Paul as coisas pelo menos estão um pouco melhores do que já foram no passado distante e recente.

O Clippers não pode ser Rei porque Rei é o Lakers e principalmente porque Rei, pelo menos no nome, a cidade de Los Angeles já tem um desde 1967. E esse Rei é o Los Angeles Kings, uma equipe de hóquei no gelo da NHL. Uma equipe que jamais havia sido campeã da Stanley Cup e mesmo assim eram chamados de Reis. Uma equipe que trocou de técnico várias vezes nessa temporada e se classificou para os playoffs apenas em oitavo lugar no Oeste. Uma equipe que não tomou conhecimento de Vancouver Canucks, St. Louis Blues e Phoenix Coyotes, sem contar a ajuda do New Jersey Devils que eliminou o New York Rangers, os melhores do ano. Uma equipe que finalmente conseguiu o título que lhe faltava, para finalmente ser de fato o Los Angeles Kings, tendo enfim um motivo para serem chamados de Reis. (Foto: Bruce Bennett/Getty Images)

O que não acontece no Brasil

Não vamos perder nosso tempo discutindo ou apenas relembrando o quanto uma campanha de marketing bem feita é importante também no mundo esportivo. É claro que é muito mais interessante para um time de futebol brasileiro ter o seu jogador fazendo diversos tipos de penteados no seu cabelo, do que ter um outro sempre com a mesma cara e ainda vendendo 10% dos seus direitos para um grupo de investidores. O marketing chama a atenção da mídia, atraí inúmeros fãs e aumenta demais a receita, isso é matematica pura e óbvia. O problema é como as coisas acontecem, como é triste ver que no Brasil tudo se resume em apenas uma esporte, enquanto nos Estados Unidos as opções são tão grandiosas quantos são gigantescas suas campanhas de marketing.

Uma simples idéia que pode mudar a sua vida ou a vida de muitos. Quem não gostaria de ser um Mark Zuckerberg nesse mundo? Talvez nem precise tanto, pelo menos para os organizadores da maior liga de hóquei no gelo do mundo, que colocaram em prática uma idéia simples, que nem era tão original, mas que deu muito certo. Foi em 2008 que tudo começou, no Ralph Wilson Stadium, um lugar onde se joga futebol americano. Eles levaram um jogo de hóquei no gelo para ser jogado em um campo de futebol americano, em um estádio de futebol americano que recebeu mais de 71 mil pagantes para verem bem de longe seus ídolos patinando atrás do puck. É realmente interessante, no entanto, não é algo que já não se tenha visto de outra forma antes.

Luta de boxe em estádio é muito comum, isso já aconteceu até no Brasil. Jogo de basquete em navio porta-aviões, jogo de tênis nos lugares mais inusitados (apenas casos de exibição), tudo é marketing. E é exatamente isso que faz a diferença, ser marketing e não apenas um duelo, ou apenas mais um jogo do campeonato que contará uma vitória e alguns pontos a mais na tabela. Assim a NHL não coloca uma quadra de gelo dentro do estádio, ela da um nome especial para o duelo, o chama de Winter Classic, o realiza exatamente no dia 1º de janeiro, o primeiro dia do ano, com transmissão ao vivo pela TV para todo o país, em um horário perfeito para que todos possam ver. Isso faz muita diferença e é exatamente por tudo isso que desde 2008 o evento é sempre realizado, porque deu certo, porque as coisas acontecem nos Estados Unidos.

Wrigley Field em 2009 e até o Fenway Park, em 2010, receberam o Winter Classic. Assim o New York Yankees fica com inveja, chama a equipe do New York Islanders para negociar a ida do evento para o Bronx, mas nada parece estar dando muito certo, onde até uma outra data como um dia entre o Natal e o Ano Novo estariam sendo estudados, ou quem sabe até uma data em fevereiro. Isso sem dúvida iria mudar um pouco o rumo das coisas, pois o legal é jogar no dia 1 de janeiro, como no ano passado quando se jogou no Heinz Field. Mas ás vezes isso não é possível, ás vezes o primeiro dia do ano cai exatamente em um domingo e o dia 1º é diferente do dia 25 de dexembro. No dia 1 de janiero de 2012 tem rodada da NFL, a última rodada do futebol americano, então não pode ter Winter Classic.

O motivo para o Winter Classic de 2012 não ocorrer no dia 1 de janeiro não é porque um time de futebol americano vai usar um estádio para jogar com a bola oval, mesmo porque o Winter Classic de 2012 acontece mais uma vez em um estádio de beisebol. Com menos público, mas com uma logistica mais viável para se ver do alto de um arquibancada. O motivo é mais simples do que isso, o motivo é apenas para que não se dispute a audiência na TV. E isso, ao contrário do que acontece no Brasil, ocorre porque nos Estados Unidos tem hóquei no gelo, tem futebol americano, tem o basquete da NBA. Tem muitas opções, muitos esportes, a atenção do público para as mais diversas modalidades, exatamente por isso que lá da certo colocar um jogo de hóquei no gelo dentro de um estádio, hóquei no gelo ao ar livre.

Se houvesse recusrsos financeiros, talvez houvesse um grande público no Brasil indo ao Morumbi ou Maracanã para ver um jogo de futebol americano da NFL, ou quem sabe em uma arena que nem existe para ver um jogo de basquete da NBA. Mas o pior de tudo é saber que no Brasil as coisas não acontecem, não existe nem a chance de imaginar um jogo da NBB no Maracanã, ou quem sabe um jogo de hóquei no gelo no Morumbi. É por essas e outras que o futsal e o futebol feminino são extintos pelo Santos, porque eles só pensam no Neymar, porque o público alienado e a TV singular só pensam em futebol, só existe o futebol no Brasil. É possível imaginar que nem um jogo de vôlei da Seleção Brasileira lotaria um estádio com 46.967 pessoas como o Citizens Bank Park lotou ontem nos Estados Unidos.

Não vou dar os meus parabéns aos Estados Unidos por terem feito mais um belíssimo espetáculo na tarde de ontem. Nem parabéns ao New York Rangers que derrotou o Philadelphia Flyers e nem mesmo ao Philadelphia Phillies que é o dono do estádio. Não dou meus parabéns para a organização da NHL por terem a idéia e manterem viva todos os anos, por terem feito mais um linda cerimônia antes do jogo com mais emoção na hora do hino nacional americano e canadense. Eles não merecem os parabéns porque eles já estão de parabéns a muito tempo, a muitos anos, porque estão tão avançados que já sabem que são o que existe de melhor no mundo quando se fala de esporte. Os parabéns tem que ir para o público de gosto variado e não alienado, para as emissoras de TV que difundem as diferenças, para as empresas que apoiam e patrocinam. Todos que conseguem fazer de forma brilhante o que não acontece no Brasil. (Foto: Getty Images)

O retorno de um super-herói

NHLPor não jogarem em Manhattan, por não terem grandes jogadores atualmente, por serem os últimos colocados da Conferência Leste nesse ano, o New York Islanders poderia até ser considerado como o primo pobre do hóquei no gelo na cidade de Nova York se comparado ao rival New York Rangers. Mas as coisas não são bem assim, pois a equipe da pequena Uniondale com seus 24 mil habitantes já escreveu a história com o puck em várias ocasiões. Ao todo são quatro títulos da Stanley Cup, todos conseguidos de forma consecutiva entre os anos de 1980 e 1983. Bons tempos que infelizmente jamais se repetiram, hoje só restam a vergonha e o status de coadjuvante em um dia que o adversário teve inúmeros motivos para comemorar.

Ir até o Nassau Veterans Memorial Coliseum, para um possível apaixonado pelo Islanders que more em Manhattan ou até mesmo em New Jersey, porque não? Deve ser um sacrifício enorme, pois é muito longe. Já para os fãs incondicionais do Pittsburgh Penguins não deve ser problema algum ir até o Consol Energy Center, afinal mais de 18 mil pessoas fizeram isso na noite desta segunda-feira. Os apaixonados por esportes nos Estados Unidos são assim mesmo, lotam todos os jogos dos seus times, mas ver 250 jornalistas credenciados, o triplo do normal, para uma partida de início de temporada na NHL em uma segunda-feira à noite causa o devido espanto. Já o motivo para isso acabava definitivamente com as dúvidas, afinal tratava-se do jogo que via o retorno de um super-herói.

Seria talvez como o Wayne Gretzky da atualidade. Para tristeza do New York Islanders, Gretzky encerrou sua carreira no final dos anos de 1990 jogando no Rangers. É muito mais fácil ir até o Madison Square Garden quando o Knicks não estão jogando lá. Mas o seu compatriota canadense Sidney Crosby é tudo isso mesmo? Justifica 18 mil pessoas gritando desesperadamente e 250 jornalistas credenciados para esse jogo em especial? A resposta para a primeira pergunta poderá ser respondida pelo tempo que esse atleta de apenas 24 anos ainda tem para jogar defendendo os pinguins de pittsburgh. A resposta para a segunda pergunta pode ser dada por tudo que ele já fez até hoje deslizando no gelo com seus patins, e apenas pelo que ele fez nessa noite que seria apenas mais uma segunda-feira qualquer onde todos estariam prestando mais atenção no Monday Night Football.

Não precisa de uma cabine telefônia e nem de um "S" estampado no peito. Sidney Crosby é um super-herói nato que estava adormecido porque sofreu uma concussão cerebral ao ser atingido por uma cotovelada de um adversário. Mais de 328 dias afastado e é por isso que os torcedores lotaram a arena e é por isso que haviam tantos jornalistas querendo registrar esse retorno triunfal. Crosby é o atual grande jogador da NHL, é como o LeBron James da NBA ou o Alex Rodriguez da MLB. Ele é o David Beckham da MLS, o Aaron Rodgers da NFL, o Wayne Gretzky no novo século. Ele entra no jogo e mostra porque é o super-herói do Pittsburgh Penguins. Marca um gol e extravasa, da assistência para dois e ainda marca mais um na goleada por 5 a 0. Pobre New York Islanders, que dia para enfrentar o Penguins, justamente o dia que a equipe via o retorno espetacular do maior jogador de hóquei no gelo da atualidade. (Foto: Jared Wickerham/Getty Images)

Em Boston é só felicidade

Guardadas as devidas proporções, a cidade de Boston não fica muito longe de Nova York, onde existe muito mais glamour, sofisticação e que desperta muito mais desejo nas pessoas de morar lá ao invés de seguir seu caminho para a capital de Massachusetts. Mas quando se fala em conquistas esportivas a sede do Condado de Suffolk sempre acaba se dando melhor que a cidade onde estão porque não seus maiores rivais esportivos de todo o território americano. O New York Yankees sempre entalado na garganta, o New York Giants que venceu o último Super Bolw disputado entre as duas cidade ou até mesmo o New York Knicks, que desta vez acabou eliminado pelo Boston Celtics nos playoffs da NBA. Já no Hóquei no Gelo o New York Rangers nem ameaçou ficando na primeira rodada dos playoffs, e assim o Boston Bruins conseguiu provar o quanto a cidade respira esporte, o quanto são privilegiados em todas as quatro principais ligas dos Estados Unidos.

Não havia nenhuma equipe de Nova York pela frente, mas havia uma equipe do Canadá disposta a fazer de tudo para impedir uma glória que o Bruins não alcançava havia 39 anos. O Hóquei no Gelo também tem essa rivalidade histórica entre os Estados Unidos e o Canadá, já que o país localizado mais ao norte foi o inventor desse esporte, sendo a nação mais iponente do planeta a dona da maior liga dessa modalidade em todo o mundo. A NHL é como a NBA, a MLB ou a NFL, vai além do esporte em si, atrai milhões de fãs apaixonados por todos os cantos e pode gerar uma ira incontrolável. Nas Olimpíadas de Inverno de 2010 o Canadá ganhou com um gol no finalzinho, e levou a medalha de ouro no feminino também, ambas as partidas enfrentando os americanos na grande decisão. Só que na NHL as coisas não deram muito certo para os canadenses do Vancouver Canucks, e eles vão seguir sem levantar a taça por mais algum tempo.

No começo do ano os países árabes como Egito e Libia viram sua população fazer inúmeros protestos contra seus governantes ditadores. Hoje a violência nas ruas está ocorrendo na Grécia e na Espanha, sempre contra o governo que adota medidas drásticas de economia que prejudicam demais o dia a dia na vida das pessoas que moram em cada um desses países. O mundo tem vivido uma época de revoltas incontroláveis, a polícia está tendo muito trabalho para contar o ànimo exaltado da população, e nem sempre o ódio tem como principal motivo a política corrupta. Em Vancouver quem causa a ira é o esporte mesmo. O Canadá venceu os Jogos Olímpicos, mas a NHL não vencem desde 1993, é muito tempo sem levantar uma das taças mais antigas do esporte. O Vancouver Canucks então jamais ganhou a Stanley Cup, e isso acabou causando inúmeros distúrbios entres as mais de 100 mil pessoas que estavam nas ruas durante o jogo sete das finais vencido pelo Bruins por 4 a 0.

Quebra-quebra, destruição, prédios e lojas depredados e saqueados, fogo por todas as partes, será que isso aconteceria em Boston se o resultado fosse inverso? Talvez sim, o mundo de hoje está extremamente violento. Vancouver lamenta a derrota e a violência, enquanto Boston escala o topo do mundo com mais uma conquista esportiva no Século 21. O New England Patriots ganhou o Super Bowl em 2001, 2003 e 2004, O Boston Red Sox ganhou a World Series em 2004 e 2007 e o Boston Celtics venceu as finais da NBA em 2008. Agora chegou a vez do Boston Bruins vencer a Stanley Cup, pela sexta vez em sua história, uma conquista que não vinha desde 1972, mas Boston é uma cidade especialista em se dar bem no esporte, por isso a equipe voltou ao seu tempo de glórias, principalmente pelo goleiro Tim Thomas de 37 anos, um dos maiores heróis da equipe. Nova York vai ficando para trás pois se da bem só no beisebol e assim os moradores de Boston fazem a festa em uma pura explosão de felicidade e não de violência como os moradores de Vancouver. (Por: Net Esportes Foto: Getty Images)

Boston buca mais um título

Fundada por ingleses, Boston é a maior cidade na região da Nova Inglaterra, em Massachusetts. Possui um extenso centro financeiro, comercial, industrial e também universitário. Tem ainda o gigantesco aeroporto internacional Boston Logan Airportum e um sistema com várias linhas de metrô, que levam passageiros para diversos pontos como Fenway Park, Gillette Stadium, TD Garden e Harvard Stadium, locais históricos onde o esporte acontece, palcos de inúmeras conquistas que as diversas equipes da cidade espalhadas nas principais ligas do país conseguiram ao longo dos anos. De 1903 até 2008, com o Boston Red Sox, o New England Patriots, o Boston Celtics e também o Boston Bruins, todos dando alegrias para seus fãs periodicamente, e isso pode acontecer novamente nas próximas semanas.

Quem começou essa história toda foi justamente a mais antiga equipe de Boston, o Red Sox que foi fundado em 1901. No total são sete títulos de World Series, só não é mais do que isso porque a equipe amargou 86 anos de jejum. Já o Celtics, fundado em 1946, tem 17 títulos de NBA, e é a equipe que mais enche de orgulho os seus torcedores. O Patriots por sua vez nasceu em 1960, ganhou o Super Bowl da NFL três vezes, tudo graças a Tom Brady. A cidade ainda possui muitos outros times em outras ligas, como o New England Revolution no futebol, mas além dos três já citados a outra grande equipe é o Boston Bruins do Hóquei no Gelo da NHL, justamente a equipe que busca mais um título da Stanley Cup além dos cinco que já tem, porém a única das quatro que não consegue o feito a muitos anos.

Em 2004 e 2005 o New England Patriots foi campeão no Futebol Americano. Em 2004 e 2007 o Boston Red Sox faturou o título no Beisebol da MLB. Já em 2008 quem levantou o troféu de campeão no basquete da NBA foi justamente o maior vencedor dessa liga em todos os tempos, o Boston Celtics de Kevin Garnett, Rajon Rondo, Ray Allen e Paul Pierce. Mas e o Boston Bruins? O finalista de 1988 e 1990, além de 74, 77 e 78 onde também amargou a segunda colocação. O gelo não perdoa, nem mesmo uma equipe que já havia levantado o grandioso troféu cinco vezes em sua história. A última conquista aconteceu em 1972, quando derrotaram o New York Rangers por 4 jogos a 2. Já passou da hora de ser campeão novamente, todas as outras principais equipes de Boston já foram campeãs de suas ligas neste século.

Para piorar a situação o Boston Bruins é mais do que um especialista em ser vice-campeão da Stanley Cup, aconteceu 12 vezes, incluindo a primeira final no ano de 1927 quando foram derrotados pelo Ottawa Senators. E se estava ruim pode ficar ainda pior, pois o adversário da série melhor de sete que começa nesta quarta-feira é o Vancouver Canucks, simplesmente a melhor equipe da temporada regular deste ano na NHL, a equipe que não quer deixar passar essa boa fase pois nunca foi campeã, tendo conseguido apenas outras duas finais. Mais do que isso o Canucks ainda quer levar o título da maior competição de Hóquei no Gelo do planeta de volta ao seu país de origem, o Canadá, algo que não acontece desde 1993 quando o Montreal Canadiens venceu. Só o sonho de um poderá se tornar realidade neste busca de Boston por mais um título no esporte. (Foto: Jim Rogash/Getty Images)

Madison Square Garden fecha

O último torcedor vai embora e em seguida todas as luzes são apagadas e as portas se fecham. Não haverá mais jogo de basquete no Madison Square Garden nesta temporada. É o fim da linha, o New York Knicks foi eliminado pelo Boston Celtics, foi varrido na primeira rodada dos playoffs, segue sem vencer um jogo de pós-temporada desde o ano de 2001. O Garden fecha as portas para a NBA até o inicio da próxima temporada, e fecha as portas para a NHL também, pois o nem o New York Rangers não conseguiu seguir em frente quando o palco se tornava gelo e as emoções do puck entravam em ação. Foram longos e intermináveis 14 anos de espera para ver as duas equipes juntas nos playoffs, mas nenhuma das duas teve força para seguir em frente e manter as luzes de sua arena acesa por um pouco mais de tempo.

Ainda bem que Nova York tem o New York Yankees, se não fosse pelo beisebol os apaixonados por esportes iriam sofrer bem mais do que já sofrem normalmente. Para quem gosta de Hóquei no Gelo pode pelo menos dizer que ganhou uma partida na série contra o Washington Capitals, e se não bastasse ainda conseguiu sonhar quando perdia por 3 jogos a 1, pois o rival conseguiu a façanha de ser eliminado no ano passado justamente quando tinha uma vantagem de 3 a 1 na série, e na mesma rodada dos playoffs inclusive. Doce ilusão que se desfaz como nuvens em dia de vento forte, não será desta vez que o Rangers acabará com o jejum de títulos que não ganha desde 1994, não será desta vez que o Madison Square Garden verá uma equipe sendo campeã, nem na NHL e tão pouco na NBA.

Em 2002 pelo menos o Garden viu o New York Liberty comemorar o título na WNBA, as meninas mostraram do que o basquete de Nova York é capaz, mas até 2014 elas estarão jogando no Prudential Center, em New Jersey, e assim quem terá que dar conta do recado são os homens na NBA mesmo. O New York Knicks tem muita saudade do passado, dos títulos que ganhou nos anos 70, dos ídolos recentes que pelo menos renovavam as esperanças a cada ano. Tais esperanças até se renovaram em 2011, Amare Stoudemire mudou a história quando chegou no início da atual temporada, as coisa ficaram ainda melhores quando após o All Star Game ninguém menos que Carmelo Anthony aterrisou no Madison Square Garden. Em certos momentos o mesmo drama de sempre, e outros parecia que tudo seria diferente, muito melhor, pelo menos até o dia que a porta fechou definitivamente.

O esquema de Mike D'Antoni não funciona, a equipe não consegue se defender, a primeira rodada dos playoffs é logo contra o Boston Celtics. Mas o Knicks queria manter vivo o sonho que talvez ainda se torne realidade em um futuro próximo, as duas primeiras derrotas foram apenas nos segundos finais da partida, fora de casa, mas sem Chauncey Billups que se machucou no jogo 1, com Stoudemire sentindo dores nas costas e jogando no sacrifício fica difícil, com Anthony tendo que fazer todo o trabalho onde chegou a marcar até 42 pontos no mesmo jogo fica muito complicado, praticamente impossível. O Bonston Celtics não varria um rival nos playoffs desde a época de Larry Bird em 1992, e conseguiu isso justamente contra o Knicks. Assim o Madison Square Garden fecha as portas, até pelo menos o próximo show musical e principalmente até a próxima temporada da NHL e da NBA, pois sempre haverá uma esperança, sempre haverá o sonho de ser campeão, um dia as luzes se apagarão após a festa e não após mais uma desilusão. (Foto: Nick Laham/Getty Images)

Blackhawks e o fim do jejum

PHILADELPHIA - JUNE 09: Jonathan Toews  of the Chicago Blackhawks hoists the Stanley Cup after teammate Patrick Kane  scored the game-winning goal in overtime to defeat the Philadelphia Flyers 4-3 and win the Stanley Cup in Game Six of the 2010 NHL Stanley Cup Final at the Wachovia Center on June 9, 2010 in Philadelphia, Pennsylvania. (Photo by Bruce Bennett/Getty Images)
O esporte criado pelos canadenses teve seu principal campeonato da atualidade começando justamente por lá, em Montreal, no ano de 1917, que aos poucos foi se espalhando por todos os Estados Unidos e vendo novas equipes surgindo por todas as partes do território norte-americano, inclusive Chicago, que em 1926 viu nascer o Chicago Black Hawks, dono de um objetivo comum dentre todos que entravam na competição, ser campeão, levantar a taça, conquistar a Stanley Cup, e isso não demorou muito para acontecer, 1934, 1938 e depois em 1961, porém nunca mais depois disso, em 1986 o nome mudou um pouco, virou Chicago Blackhawks, o mais supersticioso poderia colocar a culpa nisso, mas esse não era o problema, porque o jejum enfim terminou.

As complicações dos Falcões Negros pelo Oeste nos playoffs aconteceram apenas nas duas primeiras disputas antes da série final, 4 a 2 contra o Nashville Predators e outro 4 a 2 contra o Vancouver Canucks, mas quando a melhor equipe da Conferência, que teve 51 vitórias e 20 derrotas contra sua campanha de 52 vitórias e 22 derrotas, surgiu pela frente, as coisas acabaram ironicamente ficando muito mais fáceis do que qualquer um de seus torcedores poderia imaginar, quatro jogos e quatro vitórias, o passaporte para a Stanley Cup estava carimbado e veio de uma forma pouco provável, assim como era muitíssimo menos provável tudo que aconteceu na disputas com resultados absolutamente anormais do lado Leste da NHL 2009-10.

Tudo começou com o Montreal Canadiens, oitavo colocado, eliminando justamente a equipe de melhor campanha em toda a temporada regular, o Washington Capitals, grande favorito a ficar com o título, e conseguindo fazer muito mais do que isso em seguida, novamente com 4 a 3 tirou da disputa os atuais campeões, o Pittsburgh Penguins, mas seus dias de glórias tiveram um fim quando enfrentaram na final de Conferência o Philadelphia Flyers, sétimo colocado da fase de classificação no ano das zebras do Leste, a equipe havia eliminado o New Jersey Devils e o Boston Bruins, que também tinha feito milagres, e assim não teve dificuldades de passar pelo Canadiens e tentar repetir os títulos de 1974 e 1975.
PHILADELPHIA - JUNE 09: The Chicago Blackhawks pose for a team photo after defeating the Philadelphia Flyers 4-3 in overtime to win the Stanley Cup in Game Six of the 2010 NHL Stanley Cup Final at the Wachovia Center on June 9, 2010 in Philadelphia, Pennsylvania. (Photo by Jim McIsaac/Getty Images)
O Blackhawks vence duas partidas em casa com placares apertados e o Flyers da o troco em seguida novamente com apenas um gol de diferença em cada partida em uma das disputas mais acirradas e emocionantes que qualquer um já viu, no jogo cinco porém o placar de 7 a 4 para o Chicago mostra quem realmente tem mais força nessa disputa, a série vai para o Wachovia Center, lotado e recebendo as equipes ao som de "Gonna Fly Now", tema do filme "Rocky, um lutador", emoção e lágrimas nos olhos quando é interpretada a música "God Bless America" e nocaute quando o puck é atingido pelos sticks e vai para dentro do gol, 4 a 3 com gol na prorrogação, facada para o Philadelphia Flyers e delírio para o Chicago Blackhawks, um dos maiores e mais antigos troféus do mundo é deles mais uma vez, acabou o jejum dos Falcões Negros. (Fotos: Bruce Bennett/Getty Images e Jim McIsaac/Getty Images via PicApp)

Mágica canadense na NHL

Montreal Canadiens Gionta celebrates his second goal against Pittsburgh Penguins during their NHL game in Pittsburgh
Talvez pela velha tradição de anos e anos no Hóquei no gelo ou talvez até influenciados pelo título canadense nas Olimpíadas de Inverno de Vancouver 2010, você acredita em mágica? Pois o Montreal Canadiens acredita e acredita muito, luta até o fim e consegue uma vitória épica e inesquecível na atual temporada da NHL, depois de ter se classificado com a oitava campanha no Leste, depois de ver pela frente os atuais campeões Pittsburgh Penguins, depois de chegar no último e dramático jogo sete de sérire de playoffs válida pela semifinal da Conferência, a festa na maior cidade de Quebec é inevitável, o milagre aconteceu.

Em 82 jogos pela temporada regular, o Montreal Canadiens conseguiu 39 vitórias e sofreu 33 derrotas, a sua divisão na Conferência Leste com Boston Bruins, Ottawa Senators e Buffalo Sabres foi extremamente forte e a equipe ficou apenas em quarto lugar, sendo que em cada Divisão são apenas cinco equipes, porém a sorte, ou a mágica que parece lhes acompanhar a muito tempo se fez presente pela primeira vez, já que uma das outras duas Divisões teve apenas um classificado, onde Atlanta Thrashers, mesmo ficando em segundo, acabou fora dos playoffs por ter 34 derrotas, uma a mais que o Canadiens, oitavo, sortudo e classificado, precisando mais do que nunca acreditar em mágica, acreditar em milagres daqui para frente.

A temporada de 1992-93 há muito tempo ficou para trás, mas ela faz lembrar que o time de Montreal não é qualquer um, bem pelo contrário, o Montreal Canadiens já ganhou a Stanley Cup nada a menos do que 24 vezes em toda a história, sendo que a primeira vez que levantou a taça foi em 1916 e a última no ano de 1993, a saudade de soltar o grito de campeão bate forte no torcedor que não exitou em comemorar muito pelas ruas de sua cidade a classificação que veio muito sofrida mas muito merecida, depois de ter passado pelo Washington Capitals, time de melhor campanha no Leste, também em sete jogos, veio o atual campeão pela frente, e muito mais dificuldades.
Penguins goalie Johnson makes a second period save against Canadiens center Pyatt during Game 7 of their NHL Eastern Conference semi-final hockey series in Pittsburgh
Como nada na vida vem fácil, o Montreal após tirar a melhor equipe do ano por 4 vitórias a 3, teve que repetir a dose diante do Pittsburgh Penguins, no último e derradeiro jogo, na casa do adversário, vencia por 4 a 0, mas viu o adversário fazer o primeiro, ampliar e colocar uma pressão enorme com apoio imenso da torcida, mas o momento não era de ir do céu ao inferno, o momento era de celebrar uma das maiores reações de todos os tempos, o momento era de acreditar em mágica e de acreditar na classificação, o placar terminou 5 a 2 e todos mal podiam acreditar no que havia acontecido, eles estavam classificados para a final da Conferência, e ficam agora aguardando o adversário que pode ser o Boston Bruins ou o Philadelphia Flyers, já pensando e preparando o próximo truque que querem fazer. (Fotos: Jason Cohn e David DeNoma/Reuters via PicApp)

Vai nevar em Fenway Park

As temperaturas vão cair drasticamente e o frio intenso será sentido na pele de cada um, o ano novo irá chegar no próximo dia 1 de janeiro quando literalmente vai nevar no estádio Fenway Park, em Boston, mas desta vez não estará em campo a tradicional equipe de beisebol do Boston Red Sox, dona do estádio mais antigo da MLB, e sim estarão no gelo o time local da NHL, o Boston Bruins, que pela primeira vez em toda a história irá substituir os famosos home runs pelas tacadas dos sticks sobre o puck rumo ao gol.
Bridgestone NHL Winter Classic Build-Out
O adversário do Boston na terceira edição do NHL Winter Classic será o Philadelphia Flyers, que assim como o rival também fará pela primeira vez uma partida de hóquei no gelo a céu aberto, em um estádio que certamente estará lotado com quase 40 mil pessoas, muitas delas aproveitando a ocasião para ver um jogo de hóquei pela primeira vez em suas vidas, além de talvez também estarem indo pela primeira vez no lendário estádio que tem muitas histórias para contar, começando por sua inauguração.

Construído no ano de 1912, o Fenway Park foi inaugurado em 20 de abril daquele ano(justamente o mesmo dia da inauguração do antigo estádio do Detroit Tigers, o Tiger Stadium, que hoje está aposentado), mas se houve ou não uma grande festa quando os portões abriram pela primeira vez como haverá certamente no próximo dia primeiro ninguém sabe e ninguém saberá, pois o fato não virou notícia em nenhum jornal, já que naquela época só se falava sobre o naufrágio do Titanic, que havia ocorrido no dia 14 de abril.

Os anos passaram e o Fenway Park virou a casa e o lar do Red Sox, bateu o recorde de jogos consecutivos com sua lotação máxima e hoje é conhecido em todo o mundo, não haverá mais nenhum grande naufrágio que possa impedir algum evento realizado em suas dependências de ser notícia como em 1912, e principalmente de ser um grande sucesso, como deverá sem dúvida ser o Winter Classic que abrirá com chave de ouro o ano de 2010, que terá um grande duelo entre Boston Bruins e Philadelphia Flyers, na tentativa de esquentar ao máximo o dia mais gelado da história do lendário Fenway Park. (Foto: Jim Rogash/Getty Images via PicApp)

Doce revanche na NHL

Depois de ganhar os títulos de 1991 e 1992, o Pittsburgh Penguins, equipe que mais cresceu nos últimos anos dentre todos os esportes nos EUA, queria mais desde o ano passado, mas a chance de levantar a Stanley Cup mais uma vez acabou se diluindo diante da forte equipe do Detroit Red Wings. Sem se abalar tanto, mantiveram a força e a determinação neste ano, e conseguiram chegar na grande decisão da NHL mais uma vez.

Eles ganharam a Conferência Leste e tiveram a oportunidade de ver em casa a decisão do Oeste, de um lado estava o Chicago Blackhawks, time que haviam derrotado para levantar o troféu em sua última conquista, do outro o temido Red Wings, e o destino quis que o grande algoz do ano anterior fosse o grande adversário na grande final, a torcida temeu perder mais uma vez, e contra suas esperanças estava também a história.

Pensar no duelo como uma revanche talvez só piora as coisas, o pior mesmo é que desde que a disputa do hóquei no gelo começou nos EUA, jamais uma equipe conseguiu ser campeã no ano seguinte depois de ter perdido o título para o mesmo adversário que enfrenta novamente, porém o Penguins mesmo que poucos pudessem crer estava pronto para mudar esta sina terrível, e além de conseguir o título de uma forma que nunca havia ocorrido, conseguiu ainda quebrar outros tabus.

Em quinze vezes, só três conseguiram, a última foi em 1971 com o Montreal Canadiens, era muito improvável vencer o jogo sete, ainda mais jogando na casa do adversário, mas o Pittsburgh Penguins conseguiu, venceu por 2 a 1, marcando dois gols no mesmo período, total que havia conseguido em três jogos na casa do rival em toda a série final, a equipe do MVP Evgeni Malkin fez história e fez a festa sob o gelo mesmo sofrendo uma grande pressão até o fim do jogo, ganharam porque mantiveram sempre a humildade na busca pelo obejtivo, mesmo que no fundo o que fica mesmo é um doce sabor de revanche. (Foto: Frank Gunn/AP)

Nova chance do Penguins

A revista americana Forbes, publicação muito conceituada e de credibilidade, publicou que a equipe de hóquei no gelo do Pittsburgh Penguins é a que mais cresce nos EUA, não só dentro da NHL, mas também dentre todas as equipes de todos os esportes por lá, incluindo MLB, NBA e NFL, sendo que a lotação de sua arena quando joga em casa foi considerada um dos fatores preponderantes pelo levante de 88% nas últimas três temporadas.

A equipe, que foi fundada em 1967, levantou a Stanley Cup por duas vezes seguidas, 1991 e 1992, mas desde então amarga um jejum de títulos, oportunidades não faltaram quando venceu a sua devisão em 1993, 1994, 1996 e 1998, mas sempre falhando na hora de decidir a conferência, conseguida apenas no ano passado, quando chegou novamente à decisão e acabou sendo superada pelo Detroit Red Wings.

Os grandes investimentos continuaram, grandes jogadores vieram e o apoio constante de seus torcedores apaixonados não ficaram por menos, mas mesmo assim o Penguins acabou fazendo uma temporada modesta terminando em segundo na sua Divisão, mas o que ninguém esperava era que o melhor estava por vir, guardado para os playoffs, onde foi preciso e crescendo aos poucos, passou pelo Flyers, Capitals e massacrou o Hurricane, selando sua vaga na grande decisão.

Os jogadores estavam muito contentes mas nem comemoraram muito o título da Conferência Leste, ninguém dúvida que o grande objetivo é a Stanley Cup, a nova chance está aí, mas certamente não será nada fácil, pois o Chicago Blackhawks, adversário da final de 1992, está perdendo por 3 a 1 a série contra o Red Wings, justamente o carrasco do ano passado na decisão, e que sem dúvida vai querer estragar novamente a tão sonhada e aguardada festa dos Penguins no gelo. (Foto: Jim McIsaac-Getty Images)