Triunfo de Reddick e glória de Jordan

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A sexagésima oitava edição da corrida Daytona 500, realizada no dia 15 de fevereiro de 2026, consolidou-se na história do automobilismo pela velocidade e pela paciência estratégica, além do peso dos nomes envolvidos nos bastidores. Desde a bandeira verde, o que se viu no asfalto da Flórida foi uma prova de nervos, onde a economia de combustível e a preservação do equipamento ditaram o ritmo das primeiras cento e vinte voltas. O pelotão, denso e cauteloso, movia-se em blocos de três carros lado a lado, em um exercício de aerodinâmica e contenção que escondia a agressividade latente dos pilotos. Enquanto favoritos buscavam a liderança precoce, Tyler Reddick, a bordo do Toyota número 45 da equipe 23XI Racing, mantinha-se propositalmente na penumbra. Sua pilotagem foi um exercício de invisibilidade tática; longe das disputas mais acirradas que culminaram em um "Big One" devastador na volta 124 — envolvendo cerca de vinte carros e eliminando nomes de peso —, Reddick permaneceu no segundo pelotão, poupando o motor e evitando os destroços que pontuaram a pista.

A narrativa da prova mudou drasticamente nos quilômetros finais, quando a necessidade de sobrevivência deu lugar à urgência da vitória. Reddick, que até então mal havia figurado entre os cinco primeiros, começou a ganhar posições de forma cirúrgica conforme o relógio se aproximava da volta 200. A última volta, no entanto, reservou um pandemônio raramente visto na história da prova. No momento em que a bandeira branca foi agitada, o então líder Carson Hocevar perdeu o controle após um toque, desencadeando o primeiro acidente da volta final e fragmentando o grupo dianteiro. Chase Elliott assumiu a ponta temporariamente, mas a estratégia da 23XI Racing provou-se infalível quando Riley Herbst, companheiro de equipe de Reddick, posicionou-se para dar o empurrão aerodinâmico decisivo. Com uma manobra audaciosa, Reddick saltou para a liderança nos metros finais. A poucos instantes da linha de chegada, um segundo e violento acidente envolveu Elliott, Ricky Stenhouse Jr. e Joey Logano, que cruzaram o marco final em meio a rodopios e faíscas, enquanto o carro 45 de Reddick desfilava incólume rumo à bandeira quadriculada, tendo liderado apenas a última e mais importante volta da corrida.

O grandioso triunfo saiu das pistas para ecoar no legado de uma das maiores lendas do esporte mundial. Michael Jordan, coproprietário da equipe 23XI Racing, celebrou na Victory Lane uma das conquistas mais emblemáticas de sua trajetória como empresário do automobilismo. Visivelmente emocionado e às vésperas de completar 63 anos, o ícone do basquete comparou a emoção de vencer a Daytona 500 à conquista de um título da NBA, ressaltando que a glória no asfalto possui uma mística singular. Para Jordan, ver seu carro triunfar na prova máxima da NASCAR não foi apenas um resultado esportivo, mas a validação de um projeto de anos e um presente histórico que imortaliza sua marca em um dos templos mais sagrados da velocidade mundial.

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