Brasil segue o mesmo após a Copa
O apito final no Queensland Country Bank Stadium, em Townsville, apenas confirmou o que noventa minutos de futebol arrastado já haviam deixado claro: o tempo passa, mas a Seleção Brasileira continua presa ao mesmo pesadelo. No primeiro compromisso oficial após a dolorosa eliminação para a Noruega na Copa do Mundo de 2026, o Brasil ficou no empate por 1 a 1 contra a frágil equipe da Austrália em um amistoso internacional desolador. O placar só não registrou uma vexatória derrota porque o jovem Rayan conseguiu balançar as redes nos minutos finais da partida, evitando o pior em termos de resultado, mas incapaz de mascarar a pobreza de futebol apresentada em campo.XX
A expectativa de que o ciclo pós-Mundial trouxesse novos ares e uma resposta imediata ruiu rapidamente diante de uma atuação apática. Dentro das quatro linhas, o Brasil jogou sem alma, sem vontade e completamente desprovido de uma identidade tática. Nem mesmo a presença de nomes de peso no setor ofensivo, como Vini Júnior, Raphinha, Estêvão e Endrick, foi suficiente para criar dinâmicas envolventes ou assustar com frequência a organizada, porém limitada, defesa australiana. A posse de bola brasileira foi estéril, lentíssima e burocrática, refletindo uma equipe que joga no piloto automático e sem nenhuma intensidade.
XX
O trabalho do técnico Carlo Ancelotti atinge um momento de forte questionamento. Contratado sob o peso de grande expectativa para devolver ao Brasil a hegemonia e o protagonismo mundial, o comandante italiano ainda não conseguiu mostrar a que veio à frente da Amarelinha. As mudanças promovidas na escalação e a tentativa de renovação no elenco não resultaram em qualquer evolução coletiva até agora. O time taticamente parece desorganizado, espaçado e dependente exclusivo de lampejos individuais que raramente acontecem. A apatia à beira do gramado espelha a falta de rumo que domina o futebol da Seleção Brasileira já faz muito tempo.
XX
O cenário torna-se ainda mais alarmante quando se observa o nível do adversário. Enfrentar uma seleção com claras limitações técnicas como a Austrália deveria servir para construir confiança e testar variações ofensivas contra um bloco baixo, mas transformou-se em um teste arrastado e doloroso de assistir. Para piorar o panorama de pouca exigência competitiva, o calendário imediato reserva exatamente mais do mesmo: o Brasil voltará a enfrentar a própria Austrália em Brisbane no dia 29 de setembro e, na sequência, medirá forças contra a fraquíssima seleção da Índia em Calcutá. Se nem diante de oponentes dessa prateleira a Seleção consegue se impor e demonstrar o mínimo de apetite, fica a incerteza sobre quando — e se — esse grupo finalmente reencontrará o caminho do bom futebol, e se vencer não saberemos se está evoluindo ou se o adversário não oferece a devida resistência.


0 Comentários:
Postar um comentário